Manoel de Oliveira
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
| Manoel de Oliveira | |
| Nascimento | 11 de Dezembro de 1908 Porto, Portugal |
|---|---|
| Nacionalidade | Portuguesa |
| Ocupação | cineasta |
Manoel Cândido Pinto de Oliveira, GCSE (pron. [mɐnuˈɛɫ doliˈvɐjɾɐ]) (Porto, 11 de Dezembro de 1908)[1] é um cineasta português, actualmente (2008) o realizador de cinema "activo" mais idoso do mundo, com trinta e duas longas-metragens. [2].
Índice |
[editar] Biografia
Manoel de Oliveira é originário de uma família da média-alta burguesia, com antepassados fidalgos,[3] facto que muito influenciaria o teor e as temáticas da sua futura obra cinematográfica. O seu pai, Francisco José de Oliveira, foi o primeiro fabricante de lâmpadas em Portugal. Estudou no colégio de jesuítas da Guarda (Galiza). Na juventude dedicou-se ao atletismo e, mais tarde, ao automobilismo e à vida boémia. Aos vinte anos ingressou na escola de actores de Rino Lupo, cineasta italiano radicado no Porto, um dos pioneiros do cinema português de ficção.
Quando viu o documentário vanguardista Berlim, Sinfonia de uma Cidade de Walther Ruttmann, ficou muito impressionado e decidiu fazer um filme inspirado naquele sobre a cidade do Porto, um documentário de curta metragem sobre a actividade fluvial na Ribeira do Douro: Douro, Faina Fluvial (1931). O filme suscitou a admiração da crítica estrangeira e o desagrado do público nacional. Seria o primeiro documentário de muitos que abordariam, de um ponto de vista etnográfico, o tema da vida marítima da costa de Portugal: o Douro (Oliveira), a Nazaré (Nazaré, Praia de Pescadores, Leitão de Barros), o Algarve (Almadraba Atuneira, António Campos), o Tejo (Avieiros, Ricardo Costa).
Adquiriu entretanto alguma formação técnica nos estúdios alemães da Kodak e, mantendo o gosto pela representação, participou como actor no segundo filme sonoro português, A Canção de Lisboa (1933), de Cottinelli Telmo. Só mais tarde, em 1942, se aventuraria na ficção como realizador: Aniki-Bobó, um enternecedor retrato da infância no cru ambiente neo-realista da Ribeira do Porto. O filme foi um fracasso comercial e só com o tempo iria dar que falar. Oliveira decidiu, talvez por isso, abandonar outros projectos de filmes e envolveu-se nos negócios da família. Não perdeu porém a paixão pelo cinema e em 1956 voltou, com O Pintor e a Cidade.
Em 1963, O Acto da Primavera (segunda docuficção portuguesa) marcou uma nova fase do seu percurso. Com este filme, praticamente ao mesmo tempo que António Campos, iniciou Oliveira em Portugal, a prática da antropologia visual no cinema. Prática essa que seria amplamente explorada por cineastas como João César Monteiro, na ficção, como António Reis, Ricardo Costa e Pedro Costa, no documentário. O Acto da Primavera e A Caça são obras marcantes na carreira de Manoel de Oliveira. O primeiro filme é representativo enquanto incursão no documentário, trabalhado com técnicas de encenação, o segundo como ficção pura em que a encenação não se esquiva ao gosto do documentário.
A obra cinematográfica de Manoel de Oliveira, até então interrompida por pausas e projectos não-realizados, só a partir da sua futura longa metragem (O Passado e o Presente - 1971) prosseguiria sem quebras nem sobressaltos, por uns trinta anos, até ao final do século. A teatralidade imanente de O Acto da Primavera, contaminando esta sua segunda ficção, afirmar-se-ia como estilo pessoal, como forma de expressão que Oliveira achou por bem explorar nos seus filmes seguintes, apoiado por reflexões teóricas de amigos e conhecidos comentadores.
A tetralogia dos amores frustrados seria o palco por excelência de toda essa longa experimentação. O palco seria o plateau, em que o filme falado, em «indizíveis» tiradas teatrais, se tornariam a alma de um cinema puro só por ter o teatro como referência, como origem e fundamento. Eram assim ditos os amores, ditos eram os seus motivos, e ditos ficaram os argumentos de quem nisso viu toda a originalidade do mestre invicto: dito e escrito, com muito peso, sem nenhuma emoção, mas sempre com muito sentimento.
Manoel de Oliveira insiste em dizer que só cria filmes pelo gozo de os fazer, independente da reacção dos críticos. Apesar dos múltiplos condecorações em festivais tais como o Festival de Cannes, Festival de Veneza, Festival de Montreal e outros bem conhecidos, leva uma vida retirada e longe das luzes da ribalta. Durante o festival de Cannes 2008, foi congratulado e felicitado pessoalmente pelo actor norte-americano Clint Eastwood.
Os seus actores preferidos que entram regularmente nos seus filmes são Luís Miguel Cintra, Leonor Silveira, Diogo Dória e também o seu neto, Ricardo Trepa.
Em 2008 completou 100 anos de vida. Tal foi motivo de imensas comemorações que foram desde uma condecoração pelo Presidente da República até à produção de inúmeros documentários sobre a sua vida e obra. Centenário, dotado de uma resistência e saúde física e mental inigualáveis, é o mais velho realizador do mundo em actividade, e ainda com planos futuros.
[editar] Prémios e galardões
- É professor honorário da Academia de Cinema de Skopje
- Recebeu em 2008 o Prémio Mundial do Humanismo
- Em 2008, Manoel de Oliveira foi Doutorado honoris causa pela Universidade do Algarve.[4]
- Em 2009 recebeu nos XIV Globos de Ouro transmitido na SIC no 18 de Maio de 2009 um prémio de prestigio e de homenagem pelo seu trabalho que realizou tendo já 100 anos de idade, sendo dos realizadores mais velhos do mundo.
- Agraciado com a GCSE pelo Presidente de Portugal.
- Tem recebido várias distinções, tais como:
- Canes,
- Veneza
- Festival de Montréal
- Leão de Ouro em 1985 e 2004
- Palma de Ouro em 2008.
[editar] Filmografia
[editar] Longas-metragens
- 2009 - Singularidades de uma Rapariga Loura
- 2007 - Cristóvão Colombo – O Enigma
- 2006 - Belle Toujours
- 2005 - Espelho Mágico
- 2004 - O Quinto Império - Ontem Como Hoje
- 2003 - Um Filme Falado
- 2002 - O Princípio da Incerteza
- 2001 - Vou para Casa
- 2000 - Palavra e Utopia
- 1999 - A Carta
- 1998 - Inquietude
- 1997 - Viagem ao Princípio do Mundo
- 1996 - Party
- 1995 - O Convento
- 1994 - A Caixa
- 1993 - Vale Abraão
- 1992 - O Dia do Desespero
- 1991 - A Divina Comédia
- 1990 - Non, ou a Vã Glória de Mandar
- 1988 - Os Canibais
- 1986 - O Meu Caso
- 1985 - Le Soulier de Satin
- 1981 - Francisca
- 1979 - Amor de Perdição (filme)
- 1974 - Benilde ou a Virgem Mãe
- 1972 - O Passado e o Presente
- 1963 - Acto da Primavera (docuficção)
- 1942 - Aniki-Bobó
[editar] Curtas e médias metragens
- 2001 - Porto da Minha Infância
- 1985 - Simpósio Internacional de Escultura em Pedra - Porto
- 1983 - Lisboa Cultural
- 1983 - Nice - À propos de Jean Vigo
- 1982 - Visita ou Memórias e Confissões
- 1966 - O Pão (documentário)
- 1965 - As Pinturas do meu irmão Júlio (documentário)
- 1964 - A Caça
- 1956 - O Pintor e a Cidade
- 1941 - Famalicão (filme)
- 1938 - Já se Fabricam Automóveis em Portugal
- 1938 - Miramar, Praia das Rosas
- 1932 - Estátuas de Lisboa
- 1931 - Douro, Faina Fluvial
Como actor
- 1994 - Lisbon Story, de Wim Wenders
- 1980 - Conversa Acabada, de João Botelho
- 1933 - A Canção de Lisboa, de Cotinelli Telmo
- 1928 - Fátima Milagrosa, de Rino Lupo
Como supervisor
- 1970 - Sever do Vouga... Uma Experiência, de Paulo Rocha
- 1966 - A Propósito da Inauguração de Uma Estátua - Porto 1100 Anos, de Artur Moura, Albino Baganha e António Lopes Fernandes.
[editar] Outros
- 1937 - Os Últimos Temporais: Cheias do Tejo (documentário)
- 1958 - O Coração (documentary, 1958)
- 1964 - Villa Verdinho: Uma Aldeia Transmontana (documentário)
- 1987 - Mon Cas (1987)
- 1987 - A Propósito da Bandeira Nacional (1987)
- 2002 - Momento (2002)
- 2005 - Do Visível ao Invisível (2005)
- 2006 - O Improvável não é Impossível (2006)
[editar] Vida pessoal
- Oliveira casou com Maria Isabel Brandão de Meneses de Almeida Carvalhais (nascida em 1918), no Porto em 4 de dezembro de 1940.
Do casamento resultaram quatro filhos:
- Manuel Casimiro Brandão Carvalhais de Oliveira (nascido em 1941)
- José Manuel Brandão Carvalhais de Oliveira (nascido em 1944)
- Isabel Maria Brandão Carvalhais de Oliveira (nascida em 1947)
- Adelaide Maria Brandão Carvalhais de Oliveira (nascido em 1948).
Tem também já vários netos e bisnetos. Um dos netos é o conhecido actor Ricardo Trepa (filho de Adelaide).
[editar] Curiosidades
O primeiro nome do cineasta é por vezes erroneamente escrito Manuel, especialmente por cidadãos brasileiros, baseados na crença popular de Manoel ser um "sobrenome brasileiro" ao frequentemente observarem a actual forma portuguesa do nome. As primeiras reformas ortográficas que levaram à alteração de diversos grafemas em Portugal, entre os quais as formas de diversos nomes (como Philippe), ocorreram de 1911 em diante. O cineasta nasceu e foi registado em 1908 e, nessa data, Manoel era a forma oficialmente aceite nos registos civis e paroquiais portugueses. Dado que em Portugal é permitida a manutenção do nome original de qualquer cidadão registado, e visto ser essa a vontade do próprio, a grafia original Manoel será sempre a forma apropriada de grafar o nome do cineasta.
[editar] Notas
- ↑ O assento de baptismo (nº 147/1909, Cedofeita, Porto) refere 12 de Dezembro como data de nascimento, mas o próprio Oliveira afirma ter nascido a 11 de Dezembro.
- ↑ Manoel de Oliveira - Movies - New York Times
- ↑ Genealogia de Manoel de Oliveira
- ↑ [ht tp://www.youtube.com/watch?v=Jr5Untcf9gw Manoel de Oliveira na Universidade do Algarve]
[editar] Ver também
- Cinema de Portugal
- Filmes e documentários relacionados com a cidade do Porto
- Fichas dos filmes (em CITI - cultura)
[editar] Ligações externas
- Dossier Especial Manoel de Oliveira (Madragoa Filmes)
- Manoel de Oliveira em Cinema.net
- Manoel de Oliveira em Os Grandes Portugueses.
- Manoel de Oliveira no Instituto Camões
- Manoel de Oliveira no Jornal do Minho
- A Juventude de Oliveira (em Take 2) : :Parte 1, *Parte 2, *Parte 3, *Parte 4
- Artigo no New York Times (Movies)
- The talking pictures of M. Oliveira em Bemazine
- Allmovie
- Manoel de Oliveira (em inglês) no Internet Movie Database
- Against the Grain: On the Cinematic Vision of Manoel de Oliveira, by Randal Johnson

