José Régio

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Question book.svg
Esta página ou secção não cita nenhuma fonte ou referência, o que compromete sua credibilidade (desde outubro de 2010).
Por favor, melhore este artigo providenciando fontes fiáveis e independentes, inserindo-as no corpo do texto por meio de notas de rodapé. Encontre fontes: Googlenotícias, livros, acadêmicoYahoo!Bing. Veja como referenciar e citar as fontes.
José Régio
Nome completo José Maria dos Reis Pereira
Nascimento 17 de Setembro de 1901
Vila do Conde, Reino de Portugal Portugal
Morte 22 de Dezembro de 1969 (68 anos)
Vila do Conde,  Portugal
Nacionalidade Português
Ocupação Poeta, escritor, jornalista.

José Régio, pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira, (Vila do Conde, 17 de Setembro de 1901Vila do Conde, 22 de Dezembro de 1969) foi um escritor português que viveu grande parte da sua vida na cidade de Portalegre (de 1928 a 1967). Foi possivelmente o único escritor em língua portuguesa a dominar com igual mestria todos os géneros literários: poeta, dramaturgo, romancista, novelista, contista, ensaísta, cronista, jornalista, crítico, autor de diário, memorialista, epistológrafo e historiador da literatura, para além de editor e diretor da influente revista literária Presença, desenhador, pintor, e grande colecionador de arte sacra e popular. Foi irmão do poeta, pintor e engenheiro Júlio Maria dos Reis Pereira, que como artista plástico se assinava Júlio e como poeta Saul Dias.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Foi em Vila do Conde que José Régio nasceu no seio de uma família da burguesia provincial, filho de ourives, e aí viveu até acabar o quinto ano do liceu. Ainda jovem publicou na sua terra-natal os primeiros poemas nos jornais O Democrático e República. Depois de uma breve e infeliz passagem por um internato do Porto (que serviu de matéria romanesca para Uma gota de sangue), aos dezoito anos foi para Coimbra, onde se licenciou em Filologia Românica (1925) com a tese As Correntes e As Individualidades na Moderna Poesia Portuguesa. Esta tese na época não teve muito sucesso, uma vez que valorizava poetas quase desconhecidos na altura, como Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro; mas, em 1941, foi publicada com o título Pequena História da Moderna Poesia Portuguesa.

Em 1927, com Branquinho da Fonseca e João Gaspar Simões, fundou a revista Presença, que veio a ser publicada, irregularmente, durante treze anos. Esta revista veio a marcar o segundo modernismo português, que teve como principal impulsionador e ideólogo José Régio. Este também escreveu em jornais como Seara Nova, Ler, O Comércio do Porto e o Diário de Notícias. Ainda na área da imprensa, colaborou em diversas publicações periódicas, nomeadamente nas revistas: Contemporânea[1] (1915-1926), Principio[2] (1930), Sudoeste[3] (1935), Altura (1945)[4] e Variante (1942-43). Foi neste mesmo ano que José Régio começou a leccionar Português e Francês num liceu no Porto, até 1928, e a partir desse ano em Portalegre, onde esteve quase quarenta anos. Durante esse tempo, reuniu uma extensa e preciosa colecção de antiguidades e de arte sacra alentejanas que vendeu à Câmara Municipal de Portalegre, com a condição de esta comprar também o prédio da pensão onde vivera e de a transformar em casa-museu. Em 1966, Régio reformou-se e voltou para a sua casa natal em Vila do Conde, continuando a escrever. Fumador inveterado, veio a morrer em 1969, vítima de ataque cardíaco. Nunca se casou, mas não era celibatário, como demonstra o seu poema Soneto de Amor

Como escritor, José Régio é considerado um dos grandes criadores da moderna literatura portuguesa. Reflectiu em toda a sua obra problemas relativos ao conflito entre Deus e o Homem, o indivíduo e a sociedade. Usando sempre um tom psicologista e misticista, analisando a problemática da solidão e das relações humanas ao mesmo tempo que levava a cabo uma dolorosa auto-análise, alicerçou a sua poderosa arte poética na tríplice vertente do autobiografismo, do individualismo e do psicologismo. Seguindo os gostos do irmão, Júlio/Saul Dias, expressou também o seu talento para as artes plásticas ilustrando os seus livros.

Régio teve durante a sua vida uma participação activa na vida pública, mantendo-se fiel aos seus ideais socialistas, apesar do regime conservador de então, mas sem condescender igualmente com a arte panfletária. Recebeu em 1966 o Prémio Diário de Notícias e em 1970 o Prémio Nacional da Poesia. Hoje em dia as suas casas em Vila do Conde e em Portalegre são casas-museu.

Obras publicadas[editar | editar código-fonte]

Libri books2.jpg

Poesia[editar | editar código-fonte]

  • 1925 - Poemas de Deus e do Diabo.
  • 1929 - Biografia.
  • 1935 - As Encruzilhadas de Deus.
  • 1945 - Fado (1941), Mas Deus é Grande.
  • 1954 - A Chaga do Lado.
  • 1961 - Filho do Homem.
  • 1968 - Cântico Suspenso.
  • 1970 - Música Ligeira.
  • 1971 - Colheita da Tarde.
  • .... - Poema para a minha mãe

a.d.- toada de Portalegre

Ficção[editar | editar código-fonte]

  • 1934 - Jogo da Cabra-Cega.
  • 1941 - Davam Grandes Passeios aos Domingos.
  • 1942 - O Príncipe com Orelhas de Burro.
  • 1945 a 1966 - A Velha Casa.
  • 1946 - Histórias de Mulheres.
  • 1962 - Há Mais Mundos.
  • 1973 - "Cabra Cega".

Ensaio, Crítica, História da Literatura[editar | editar código-fonte]

  • 1936 - Críticos e Criticados.
  • 1938 - António Botto e o Amor.
  • 1940 - Em Torno da Expressão Artística.
  • 1952 - As Correntes e as Individualidades na Moderna Poesia Portuguesa.
  • 1964 - Ensaios de Interpretação Crítica.
  • 1967 - Três Ensaios sobre Arte.

Teatro[editar | editar código-fonte]

  • 1948 - El-Rei Sebastião.
  • 1949 - Jacob e o Anjo.
  • 1950 - Três Peças em Um Acto.
  • 1957 - A Salvação do Mundo.
  • 1958 - Benilde ou a Virgem-Mãe.

Memórias e Diário[editar | editar código-fonte]

  • 1971 - Confissão dum Homem Religioso
  • 1994 - Diário

Correspondência[editar | editar código-fonte]

  • 1994 - Correspondência

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: José Régio