José Régio

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José Régio
Nome completo José Maria dos Reis Pereira
Conhecido(a) por Ter fundado e dirigido a revista Presença
Nascimento 17 de Setembro de 1901
Vila do Conde, Reino de Portugal Portugal
Morte 22 de Dezembro de 1969 (68 anos)
Vila do Conde,  Portugal
Nacionalidade Português
Ocupação Professor, escritor e desenhador
Influências
Género literário Poesia, teatro, romance, conto, novela, crítica, memórias, diário, artigo de opinião.
Movimento literário Presença
Magnum opus A velha casa, Lisboa, 6 volumes
Escola/tradição presencismo, psicologismo
Principais interesses Criação literária. história e crítica da literatura portuguesa; antiguidades, arte sacra e popular
Ideias notáveis A literatura deve ser viva fundando-se na personalidade do artista
Assinatura
Signature of Portuguese writer José Régio

José Régio, pseudónimo de José Maria dos Reis Pereira, (Vila do Conde, 17 de Setembro de 1901Vila do Conde, 22 de Dezembro de 1969) foi possivelmente o único escritor português que dominou com igual mestria todos os géneros literários: poeta, dramaturgo, romancista, novelista, contista, ensaísta, cronista, crítico, autor de diário, memorialista, epistológrafo e historiador da literatura, para além de editor e diretor da influente revista literária Presença, desenhador, pintor, e grande colecionador de arte sacra e popular.

Foi irmão do poeta, pintor e engenheiro Júlio Maria dos Reis Pereira, que como artista plástico se assinava Julio e como poeta Saúl Dias. Teve mais dois irmãos que se dedicaram às artes plásticas, Apolinário José (1917-2000) e João Maria (1922-2009) e ainda outro, Antonino Maria (1905-1965), que emigrou jovem para o Recife, Pernambuco.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Foi em Vila do Conde que José Régio nasceu no seio de uma família da burguesia provincial, filho do ourives José Maria Pereira Sobrinho e de Maria da Conceição Reis Pereira, e aí viveu até acabar o quinto ano do liceu. Ainda jovem publicou os seus primeiros poemas nos jornais vilacondenses A República e O Democrático, dirigidos por seu tio e padrinho António Maria Pereira Júnior. Depois de uma breve e infeliz passagem por um internato do Porto (que serviu de matéria romanesca para Uma gota de sangue), aos dezoito anos foi para Coimbra, onde se licenciou em Filologia Românica em 1925 com a tese As correntes e as individualidades na moderna poesia portuguesa. Esta tese na época não teve muito sucesso, uma vez que valorizava poetas quase desconhecidos na altura, como Fernando Pessoa e Mário de Sá-Carneiro; mas, em 1941, foi ampliada e publicada com o título Pequena história da moderna poesia portuguesa.

Em 1927, com Branquinho da Fonseca e João Gaspar Simões, fundou a revista Presença, que veio a ser publicada, irregularmente, durante treze anos. Esta revista veio a marcar o segundo modernismo português, que teve como principal impulsionador e ideólogo José Régio, que também escreveu em jornais e revistas como Seara Nova, Ler, O Comércio do Porto, o Diário de Lisboa, o Diário Popular e o Diário de Notícias, Contemporânea[1] (1915-1926), Princípio[2] (1930), Sudoeste[3] (1935), Altura (1945)[4] , Mundo Literário [5] (1946-1948) e Variante (1942-43) entre muitas outras, nacionais, ultramarinas, regionais e locais. Foi neste mesmo ano de 1927 que José Régio começou a leccionar Português e Francês num liceu no Porto, até 1928, e a partir desse ano em Portalegre, onde ensinou grande parte da sua vida no então Liceu Nacional de Portalegre (atual Escola Secundária Mouzinho da Silveira) de 1929 a 1962, ano em que se aposentou do serviço docente. Manteve-se em Portalegre até 1966, quando regressou definitivamente a Vila do Conde.

Durante o tempo que passou no Alentejo reuniu uma extensa e preciosa coleção de antiguidades e de arte sacra alentejanas que vendeu à Câmara Municipal de Portalegre em 1964, com a condição de esta comprar também o prédio da pensão onde vivera e de a transformar em casa-museu. Hoje em dia ambas as casas que habitou, a de Vila do Conde e a de Portalegre, são casas-museu onde se expõe um rico acervo de arte sacra e de arte popular, as duas predileções artísticas de Régio. Fumador inveterado, veio a morrer em 1969, vítima de ataque cardíaco. Nunca se casou, mas não era célibe; do seu sentimento amoroso dá conta o seu Soneto de Amor.

Como escritor, José Régio é considerado um dos grandes criadores da moderna literatura portuguesa. Refletiu em toda a sua obra problemas relativos ao conflito entre o Homem e Deus, o artista e a sociedade, o Eu e os outros. Usando sempre um tom psicologista e misticista, analisando a problemática da solidão e das relações humanas ao mesmo tempo que levava a cabo uma dolorosa autoanálise, alicerçou a sua poderosa arte poética na tríplice vertente do autobiografismo, do individualismo intimista e do psicologismo.

Alguns dos seus livros foram ilustrados por seu irmão, o pintor Julio/Saúl Dias, outros pelo próprio Régio, entre uma plêiade de capistas e ilustradores que se inspiraram na sua obra, incluindo Bernardo Marques, Câmara Leme, Lima de Freitas, Stuart Carvalhais entre muitos outros. Em 1965 Amália Rodrigues gravaria 'Fado português' de José Régio, num LP que receberia o nome da composição de abertura: Amália Rodrigues – Fado português.

Recebeu em 1961 o Prémio Diário de Notícias por As monstruosidades vulgares; em 1963 o Grande Prémio de Novelística da Sociedade Portuguesa de Escritores por Há mais mundos; em 1971 o Prémio Nacional de Poesia da Secretaria de Estado da Informação e Turismo (SEIT) por Música Ligeira (a título póstumo).

Régio teve durante a sua vida uma participação ativa na vida pública, mantendo-se fiel aos seus ideais socialistas, apesar do regime conservador de então, mas sem condescender igualmente com a arte social panfletária. Devido à sua posição independente polemizou acerbamente com escritores oriundos do neorrealismo, do concretismo, do experimentalismo e do formalismo, defendendo o ideal presencista de uma arte pela vida, fortemente individualista e que expressasse com sinceridade as emoções mais íntimas do artista.

Obras publicadas[editar | editar código-fonte]

Jose Regio 1.jpg

Poesia[editar | editar código-fonte]

Ficção[editar | editar código-fonte]

  • 1934 - Jogo da cabra-cega.
  • 1941 - Davam grandes passeios aos domingos.
  • 1942 - O príncipe com orelhas de burro.
  • 1945 - A velha casa I - Uma gota de sangue
  • 1946 - Histórias de mulheres.
  • 1947 - A velha casa II - As raízes do futuro.
  • 1955 - A velha casa III - Os avisos do destino
  • 1960 - A velha casa IV - As monstruosidades vulgares (Prémio Diário de Notícias em 1961)
  • 1962 - Há mais mundos (Grande Prémio de Novelística da SPE em 1963).
  • 1966 - A velha casa V - Vidas são vidas

Ensaio, Crítica, História da Literatura[editar | editar código-fonte]

  • 1925 - As correntes e as individualidades na moderna poesia portuguesa.
  • 1936 - Críticos e criticados.
  • 1937 - António Botto e o amor.
  • 1940 - Em torno da expressão artística.
  • 1941 - Pequena história da moderna poesia portuguesa.
  • 1964 - Ensaios de interpretação crítica.
  • 1967 - Três ensaios sobre arte.
  • 1977 - Páginas de doutrina e crítica da Presença (recolha póstuma).

Teatro[editar | editar código-fonte]

  • 1936 - Sonho de uma véspera de exame (estreia em 30.03.1936, no Teatro Portalegrense, em Portalegre, publicada em 1989).
  • 1940 - Jacob e o anjo (estreia em 31.12.1952, no Studio des Champs-Élysées, em Paris, encenação de Jacques Charpin); a publicação desta peça em Primeiro Volume de Teatro inclui ainda a 1.ª versão de 'Três máscaras').
  • 1940 - Sou um homem moral.
  • 1947 - Benilde ou a virgem-mãe (estreia em 25.11.1947, no Teatro Nacional, em Lisboa, encenação de Amélia Rey-Colaço).
  • 1949 - El-Rei Sebastião (estreia em 19.10.1985, no Cine-Teatro Crisfal, em Portalegre, encenação de Carlos César).
  • 1953 - Jacob e o anjo (2.ª versão).
  • 1954 - A salvação do mundo (estreia em 28.04.1956, no Teatro da Casa da Comarca de Arganil, em Lisboa, encenação de Claude-Henry Frèches).
  • 1957 - Três peças em um ato: Três máscaras - 2.ª versão; O meu caso (escrito em 1950, estreia em 1963, no Liceu de Viseu, encenação de Osório Mateus); Mário ou Eu Próprio - O Outro (estreia em 17.05.1958, no Teatro Avenida, de Coimbra, encenação de Paulo Quintela).
  • 1967 - O judeu errante.
  • 1984 - Três máscaras (ópera - estreia no Teatro de S. Carlos com música de Maria de Lourdes Martins).

Autobiografia[editar | editar código-fonte]

  • 1971 - Confissão dum homem religioso - páginas íntimas.
  • 1994 - Páginas do diário íntimo.

Correspondência[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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