Agustina Bessa-Luís

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Agustina Bessa-Luís
Maria Agustina Ferreira Teixeira Bessa
Nacionalidade Portugal portuguesa
Data de nascimento 15 de Outubro de 1922 (91 anos)
Local de nascimento Vila Meã, Amarante
Ocupação Escritora
Obra(s) de destaque A Sibila, Vale Abraão, A Quinta Essência, etc.

Agustina Bessa-Luís, pseudónimo literário de Maria Agustina Ferreira Teixeira Bessa GCSE (Vila Meã, 15 de Outubro de 1922) é uma escritora portuguesa.[1] [2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Segunda e ultimogénita filha[3] de Artur Teixeira de Bessa (1882-1924), emigrante que enriquecera no Brasil e gerente do Casino da Póvoa, oriundo de uma família de raízes rurais de Entre Douro e Minho e de Laura Jurado Ferreira (1899-?), cuja mãe (Lorenza Agustina Jurado Franco) era espanhola, nascida em Zamora. Desde muito nova que se interessou por livros, começando por ler alguns da biblioteca do avô materno, Lourenço Guedes Ferreira. Foi através destas primeiras leituras que tomou contacto com alguns dos melhores escritores franceses e ingleses, os quais lhe despertaram o amor pela literatura. Em 1932 vai para o Porto estudar, onde passa parte da adolescência, mudando-se para Coimbra em 1945, e, a partir de 1950 fixa definitivamente a sua residência no Porto.

Estreou-se como romancista em 1948, ao publicar a novela Mundo Fechado, mas seria o romance A Sibila, publicado em 1954 que constituiu um enorme sucesso e lhe trouxe imediato reconhecimento geral. E é com A Sibila que Bessa-Luís atinge a total maturidade do seu originalíssimo processo criador.

É também conhecido o seu interesse pela vida e obra de um dos grandes expoentes da escola romântica, Camilo Castelo Branco, cuja herança se faz sentir quer a nível temático (inúmeras obras de Agustina se relacionam com a sociedade de Entre Douro e Minho), quer a nível da técnica narrativa (explorou ficcionalmente a própria vida de Camilo). Essa filiação associa Agustina à corrente neo-romântica, como defende Eduardo Lourenço.[4]

Além da actividade literária, a escritora envolveu-se em diversos projectos. Foi membro do Conselho Directivo da Comunitá Europea degli Scrittori (Roma) (1961-1962). Colaborou em várias publicações periódicas, tendo sido entre 1986 e 1987 directora do diário O Primeiro de Janeiro (Porto). Entre 1990 e 1993 assumiu a direcção do Teatro Nacional de D. Maria II (Lisboa) e foi membro da Alta Autoridade para a Comunicação Social. É ainda membro da Academie Européenne des Sciences, des Arts et des Lettres (Paris), da Academia Brasileira de Letras e da Academia das Ciências de Lisboa (Classe de Letras).

Foi distinguida com o grau de Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, a 9 de Abril de 1980,[5] tendo sido elevada ao grau de Grã-Cruz da mesma ordem em 26 de Janeiro de 2006.[5] Recebeu ainda a Medalha de Honra da Cidade do Porto (1988) e o grau de Oficial (Officier) da Ordre des Arts et des Lettres atribuído pelo governo francês (1989).[carece de fontes?]

Vários dos seus romances foram já adaptados ao cinema pelo realizador Manuel de Oliveira, de quem é amiga e com quem tem trabalhado e colaborado de perto. Exemplos desta parceria são Fanny Owen (Francisca, 1981), Vale Abraão (filme homónimo, 1993), As Terras do Risco (O Convento, 1995) ou A Mãe de um Rio (Inquietude, 1998). É também autora de peças de teatro e guiões para televisão, tendo o seu romance As Fúrias sido adaptado para teatro e encenado por Filipe La Féria, (Teatro Nacional D. Maria II, 1995).

A sua criação é extremamente fértil e variada. A autora escreveu até o momento mais de cinquenta obras, entre romances, contos, peças de teatro, biografias romanceadas, crónicas de viagem, ensaios e livros infantis. Foi traduzida para Alemão, Castelhano, Dinamarquês, Francês, Grego, Italiano e Romeno. O seu livro-emblema, A Sibila, já atingiu a vigésima quinta edição.

Em 2004, aos 81 anos, recebeu o mais importante prémio literário da língua portuguesa: o Prémio Camões. Na acta do júri da XVI edição do Prémio, pode ler-se que "o júri tomou em consideração que a obra de Agustina Bessa-Luís traduz a criação de um universo romanesco de riqueza incomparável que é servido pelas suas excepcionais qualidades de prosadora, assim contribuindo para o enriquecimento do património literário e cultural da língua comum".

Em 2005 foi-lhe atribuído o título doctor honoris causa pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto e participou no programa da RTP Ela por Ela, série de 13 episódios sobre provérbios e aforismos, em conversa com Maria João Seixas, realizado por Fernando Lopes.

Desde Julho de 2006, pouco depois de terminar a sua última obra, A Ronda da Noite, que Agustina Bessa-Luís deixou de escrever e se retirou da vida pública, devido a razões de saúde.[6] [7]

Obra[editar | editar código-fonte]

Agustina Bessa-Luís.

Escreveu livros de diversos tipos, mas a maioria são romances. Com a novela Mundo Fechado estreou-se como romancista. Contudo,o romance A Sibila é que lhe trouxe enorme prestígio. A sua escrita opõe-se a qualquer tentativa de contextualização, em termos de correntes, na história da literatura portuguesa. A escritora surgiu no panorama literário português numa altura em que a oposição entre o neo-realismo e o modernismo do movimento da Presença atingia o seu auge. Dedicou-se quase inteiramente à criação literária e desde sua estreia em 1948 manteve um ritmo de publicação pouco usual nas letras portuguesas.

Conhecida não só como romancista, mas também como autora de peças de teatro, guiões de cinema, biografias, ensaios e livros infantis, a sua obra conta até ao momento com mais de meia centena de títulos. Também colaborou na revista 57[8] (1957-1962). A autora revela grande preocupação pela condição social e cultural dos portugueses, particularmente interessada em perscrutar o passado, recorrendo à ficção para problematizar o conhecimento histórico e vivencial.

Ficção[editar | editar código-fonte]

Biografias[editar | editar código-fonte]

Teatro[editar | editar código-fonte]

Crónicas, memórias, textos ensaísticos[editar | editar código-fonte]

Literatura infantil[editar | editar código-fonte]

Adaptações cinematográficas[editar | editar código-fonte]

Prémios[editar | editar código-fonte]

Prémios à autora[editar | editar código-fonte]

  • 1975 - Prémio "Adelaide Ristori" (Centro Cultural Italiano de Roma)
  • 1982 - Prémio da Cidade do Porto
  • 1988 - Prémio Seiva de Literatura (Companhia de Teatro Seiva Trupe), Porto
  • 1996 - Prémio Bordalo de Literatura (Casa da Imprensa)
  • 2004 - Prémio Camões - o mais importante prémio literário da língua portuguesa
  • 2004 - Prémio Vergílio Ferreira (Universidade de Évora)
  • 2005 - Prémio de Literatura do Festival Grinzane Cinema, Turim (Itália)

Prémios às obras[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BULGER, Laura Fernanda, A Sibila: Uma superação inconclusa, Lisboa, 1990.
  • CASTELO BRANCO, Maria do Carmo, A fala da Sibila: nótulas para a leitura de “A Sibila” de Agustina Bessa Luís, Porto, 1990.
  • COSTA, Maria Moreira da, A Sibila de Agustina Bessa Luís, Mem Martins, 1990.
  • DUMAS, Catherine, Estética e personagens no romance de Agustina Bessa Luís, Porto, 2002.
  • LEÃO, Isabel Vaz Ponce de; Olímpio PINHEIRO, Agustina 1948-1998. Bodas escritas de oiro, Porto, 1999.
  • LEMOS, Filomena Maria; Laura Maria PEREIRA, Ler, reler, criar, produzir… a obra literária “Dentes de Rato”, Lisboa, 2000.
  • LIMA, Isabel Pires de, Vozes e olhares no feminino, Porto, 2001.
  • LOPES, Silvina Rodrigues, A alegria da comunicação, Lisboa, 1989.
  • LOPES, Silvina Rodrigues, Agustina Bessa Luís: As hipóteses do romance, Porto, 1992.
  • MACHADO, Álvaro Manuel, Agustina Bessa Luís: O Imaginário Total, Lisboa, 1983.
  • MANUEL, Maria Antónia Câmara; João Manuel MORAIS, Análise de “A Sibila” de Agustina Bessa Luís, Lisboa, 1987.
  • MARINHO, Maria de Fátima, O romance histórico em Portugal, Porto, 1999.
  • PADRÃO, Maria Glória; Maria Helena PADRÃO, A Sibila de Agustina Bessa Luís: o romance e a crítica, 3a ed., Porto, 1987.
  • PADRÃO, Maria Helena Os Sentidos da Paixão Edições da Universidade Fernando Pessoa, Porto, 1998.
  • PORTELA Filho, Artur, Agustina por Agustina. Entrevista conduzida por Artur Portela Fº, Lisboa, 1986.

Fontes

  1. http://www.mulheres-ps20.ipp.pt/August-Bessa-Luis.htm
  2. O assento de nascimento refere Travanca como local de nascimento, onde se situava o domicilio familiar, contudo a própria Agustina Bessa-Luís afirma ter nascido numa casa de Vila Meã.
  3. José Artur Teixeira de Bessa, seu irmão sénior.
  4. "(…) estas novas terras romanescas entreabertas pela passagem de Sibila bem podem receber o nome de neo-românticas", Sobre Agustina, in O Canto do Signo, Existência e Literatura (1957-1993), Lisboa: Presença 1994, 162.
  5. a b Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas Presidência da República Portuguesa. Página visitada em 2014-06-08. "Resultado da busca de "Agustina Bessa Luís"."
  6. A romancista que sonhou a sua obra por Carlos Câmara Leme, Revista Ler, Janeiro de 2009, p. 42. Página visitada em 04-01-2014.
  7. Textos inéditos de Agustina Bessa-Luís vão ser publicados na próxima semana, in Sol, 24-10-2013. Página visitada em 04-01-2014.
  8. 57 : folha independente de cultura (1957-1962) [cópia digital, Hemeroteca Digital]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Rubem Fonseca
Prémio Camões
2004
Sucedido por
Lygia Fagundes Telles