Vitorino Magalhães Godinho

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Vitorino Magalhães Godinho
Nascimento 1918
Lisboa, Portugal
Nacionalidade Portuguesa
Escola/tradição Universidade de Lisboa, Universidade de Paris, Escola dos Analles e Universidade Nova de Lisboa
Principais interesses Filosofia
História
História de Portugal
Sociologia
Economia
Ensino
Influências Lucien Febvre, Fernand Braudel, Ernest Labrousse, Oliveira Martins, Jaime Cortesão, Duarte Leite, Max Weber

Vitorino Barbosa de Magalhães Godinho (Lisboa, 9 de Junho de 1918) é considerado um dos maiores historiadores portugueses de todos os tempos.

É, na contemporaneidade, Professor Catedrático Jubilado da Universidade Nova de Lisboa, do Departamento de Sociologia, sendo Doutor ès-Lettres pela Sorbonne, Faculdade de Letras da Universidade de Paris, França, onde sedimentou grande parte da sua vida académica e científica. O seu nome académico identifica-se com a Universidade Nova de Lisboa: o Professor Vitorino Magalhães Godinho foi um dos pioneiros das Ciências Sociais em Portugal e fundador da Sociologia da Nova. O seu espírito crítico, a sua atitude problematizadora, a sua capacidade de elaboração teórica constituíram-se como referência para a construção da instituição, onde existe uma fusão aprofundada entre a Historiografia e a Sociologia.

Índice

[editar] Biografia

É filho de Vitorino Henriques Godinho — oficial do Exército e político republicano — e de D. Maria José Vilhena Barbosa de Magalhães. Conclui os estudos secundários em Lisboa, frequentando os Liceus de Gil Vicente e de Pedro Nunes, licencia-se em Ciências Historico-Filosóficas pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa (1940). Professor da Faculdade de Letras de Lisboa (19411944), investigador do Centre National de Recherches Scientifiques (1947–1960), Doutor ès-Lettres pela Faculdade de Letras da Universidade de Paris (1959), professor catedrático do Instituto Superior de Estudos Ultramarinos (19601962), Doutor honoris causa e professor na Faculté des Lettres et Sciences Humaines da Universidade de Clermont-Ferrand (19701974), professor catedrático da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e coordenador do departamento de Sociologia (19751988). Prix d’Histoire Maritime da Académie de Marine (1970) e Prémio Balzan (1991), sócio correspondente da Academia Brasileira de Letras e da Royal Academy (Londres). Dirigiu várias colecções, nomeadamente nas Edições Cosmos, e fundou e dirige a Revista de História Económica e Social (1979). Foi ministro da Educação e Cultura dos segundo e terceiro governos provisórios, tendo tomado posse a 18 de Julho de 1974 e apresentado a sua demissão a 30 de Novembro do mesmo ano. Foi também Director da Biblioteca Nacional (1984).

[editar] Obra

Tendo começado os seus estudos pela Filosofia (Razão e História – Introdução a um problema, 1940; Esboço sobre alguns problemas da Lógica, 1943) cedo passou a interessar-se pela História. E de imediato inicia pesquisas sobre a História dos Descobrimentos e da Expansão Portuguesa. Duas são as linhas de investigação inicial: um minucioso trabalho erudito sobre as fontes (Documentos para a História da Expansão Portuguesa, 1943–1956) a partir de uma problemática muito ampla (A Expansão Quatrocentista portuguesa, 1944) e uma tentativa de reconstituição das culturas e civilizações antes da chegada dos portugueses (História económica e social da Expansão Portuguesa, 1947; O "Mediterrâneo saariano" e as caravanas do ouro — séculos XI ao século XVI, 1956). Só assim, na conjugação destas duas linhas de trabalho, se conseguirá proceder à construção da história portuguesa e do seu impacte no Mundo nos séculos XV e XVI. Tendo prosseguido os seus trabalhos na École Pratique des Hautes Études em Paris — junto de Lucien Febvre, Fernand Braudel e Ernest Labrousse –, aí apresenta Prix et monnaies au Portugal: 1750–1850 (1955) e L’économie de l’empire portugais — XVème–XVIème siècles (1966), obra esta que foi tese de doutoramento (editada em português, com acrescentos, em 1963–1971, Os descobrimentos e a economia mundial, com edição definitiva em 1983–1984).

Integra a corrente historiográfica que se desenvolve em torno da "Revue des Annales" (Escola dos Annales). Destacou-se pela resistência à ditadura (o que lhe valeu por duas vezes o afastamento da universidade portuguesa) e também pela sua intervenção cívica em democracia, de que resultaram várias publicações: O Socialismo e o futuro da Península (1970), Portugal. A Pátria bloqueada e a responsabilidade da cidadania (1985). Apresentou propostas originais para reforma do sistema educativo português: Um rumo para a educação (1974).

Deve-se-lhe a actualização e a renovação dos estudos de história da expansão portuguesa numa perspectiva mundial. Partindo das reflexões e investigações de Oliveira Martins, Jaime Cortesão e Duarte Leite consegue ir muito mais longe e construir explicações muito enriquecedoras. A economia dos descobrimentos henriquinos (1962) e Os descobrimentos e a economia mundial revelam essa largueza de preocupações, mostrando como se entrelaçam e conjugam aspectos vários das disciplinas das ciências sociais na investigação histórica. Também no domínio da História de Portugal, moderna e contemporânea, escreveu estudos fundamentais e promoveu investigações que refizeram muitas temáticas: A estrutura da antiga sociedade portuguesa (1971), Mito e mercadoria, utopia e prática de navegar, séculos XIII–XVIII (1990). Igualmente se lhe deve a indicação de novos temas e novos problemas para investigações e dissertações que dirigiu, em especial durante o seu magistério na Universidade Nova de Lisboa.

Ficou famosa a sua frase «não é possível analisar os problemas da realidade portuguesa contemporânea sem os inserir na trama da evolução do nosso país, quer dizer, sem estudar as condições de formação do mundo em que vivemos, a génese da nossa cultura, da nossa sociedade, da estrutura político-económica de Portugal». Levando longe a sua proposta de que a história deve ser pensada na dialéctica da globalidade e de que a história é uma forma de pensamento, fundamenta uma visão da contemporaneidade muito rica e estimulante.

Vitorino Magalhães Godinho é, frequentemente, considerado um dos académicos portugueses mais notáveis de sempre e dos que tem o maior número de títulos publicados, com um tipo de abordagem sociológica da Historiografia, próxima da pura Sociologia, visto que, durante a ditadura de Salazar, publicou vários livros de pura Sociologia, e é considerado, habitualmente, a maior referência académica e científica do Departamento de Sociologia da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, visto que foi o académico que configurou a estrutura do Departamento, onde fez muitos discípulos e influenciou a investigação sociológica de vários docentes, como Moisés Espírito Santo e David Justino. Tal como se pode deduzir deste texto do Professor Doutor David Justino:

Hoje tive a honra inestimável de colaborar na apresentação do último livro de Vitorino Magalhães Godinho. Partilhei essa responsabilidade com o General Loureiro dos Santos e com o Sr. Presidente da Assembleia da República. Vitorino Henriques Godinho – Pátria e República (Edição da AR-D. Quixote) é a mais importante obra publicada sobre a história da I República portuguesa. Trata-se de uma biografia exemplar que combina a narrativa de grande erudição e rigor com uma visão profunda dos problemas da sociedade portuguesa.
O biografado, pai do autor, participou enquanto oficial de infantaria na Revolução de 5 de Outubro (uma descrição magistral!), foi deputado à Constituinte e ao Parlamento, participou na preparação do Corpo Expedicionário Português e integrou-o na sua 2.ª Divisão que combateu em La Lys. Posteriormente foi Adido Militar em Paris, Ministro dos Negócios Estrangeiros e Ministro do Interior, tendo mais tarde assumido a Direcção-geral de Estatística do Ministério da Fazenda de onde foi saneado por Salazar.
Através deste percurso, Vitorino Magalhães Godinho escreve não só a biografia, mas faz uma nova história da República.
Do melhor que tenho lido.
Com 87 anos, VM Godinho deixa um legado científico, cultural e cívico, a um País que pouco lhe deu e muito lhe recusou. O seu querer, a sua paixão pelo ofício de historiador e pela sua Pátria, ainda podem aumentar esse legado. Aqueles que, como eu, tiveram o raro privilégio de partilhar os últimos 30 anos do seu trabalho, sabem o valor inestimável desse contributo.

Mário Soares refere-o "um cidadão exemplar. Um homem probo, de uma inteireza de carácter excepcional e de uma honestidade moral e intelectual invulgar. Tem uma obra que o classifica entre os maiores historiadores portugueses. A par de um Herculano, de um Oliveira Martins, de um Damião Peres, de um Paulo Merêa, ou de um Jaime Cortesão. Na juventude dos seus noventa anos, não pára de trabalhar. Tem ainda muito para fazer, como sempre, ao serviço de Portugal." O Professor Vitorino Magalhães Godinho é uma figura maior da investigação mundial sobre a Economia dos Descobrimentos. Não admira, por isso, que os seus textos mais significativos possuam uma pertinência e uma lucidez que atraem os estudiosos e quantos desejem, com seriedade e rigor, conhecer as condições económicas e sociais que marcaram a História mundial da primeira globalização

[editar] Contra o Acordo Ortográfico

É um dos signatários da Petição em Defesa da Língua Portuguesa contra o Acordo Ortográfico que decorre em Portugal.

[editar] Bibliografia

Alguma Bibliografia científica

Documentos sobre a Expansão Portuguesa , 3 vols, 1943,1945,1956 ; A Crise da História e as suas novas Directrizes , 1947; Prix et Monnaies au Portugal (1750-1850 ), 1955; A Economia dos Descobrimentos henriquinos , 1962; “Portugal and her Empire 1648-1720” na New Cambridge Modern History, vols V e VI, 1961 e 1970; Introdução às Ciências Sociais , 1964; L´Économie de l´Empire Portugais aux XVe-XVIe siècles (1958), 1969; Os Descobrimentos e a Economia Mundial , 2 vols, 1963-1970 (2ª ed. correcta e ampliada, 4 vols, 1982-1983); Ensaios de História de Portugal , 1967 (2ª ed. ampliada, 1978); A Estrutura da Antiga Sociedade Portuguesa , 1971; Humanismo Científico e Reflexão Filosófica (Ensaios), 1971; Les Finances de l´État Portugais des Indes Orientales (1516-1636) , 1982 (1958); Mito e Mercadoria, Utopia e Prática de Navegar (séculos XIII-XVIII) , 1990; Le Devisement du Monde – De la pluralité des espaces à l´espace global de l´humanité (XVe-XVIe siècles ), 2000; Portugal – A Emergencia de uma Nação , 2004.

Alguma Bibliografia-Problemas do mundo actual

Identité Culturelle et Humanisme Universalisant, 1982; Les Sciences Humaines et la Mutation du Monde – Réflexions inactuelles , 1998.

Alguma Bibliografia sobre Educação e investigação científica

Um Rumo para a Educação , 1974; A Educação num Portugal em Mudança (contém a experiência no MEC),1975; As Ciências Humanas: Ensino Superior e Investigação Científica ,1981; Problemas da Institucionalização e Desenvolvimento das Ciências Sociais e Humanas em Portugal, 1989.

[editar] Ligações externas


Precedido por
Rubem Andresen Leitão
Sócio correspondente da ABL - cadeira 17
1976 — atualidade
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