Mia Couto
| Mia Couto | |
|---|---|
| Pseudónimo(s) | Mia Couto |
| Nascimento | 5 de Julho de 1955 (57 anos) Beira, Moçambique |
| Nacionalidade | |
| Influências |
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| Género literário | realismo animista, ficção histórica |
Mia Couto, nascido António Emílio Leite Couto (Beira, 5 de Julho de 1955), é um biólogo e escritor moçambicano.1
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Biografia [editar]
Filho de portugueses2 que emigraram para Moçambique em meados do século XX, Mia nasceu e foi escolarizado na Beira. Com catorze anos de idade, teve alguns poemas publicados no jornal Notícias da Beira e três anos depois, em 1971, mudou-se para a cidade capital de Lourenço Marques (agora Maputo). Iniciou os estudos universitários em medicina, mas abandonou esta área no princípio do terceiro ano, passando a exercer a profissão de jornalista depois do 25 de Abril de 1974. Trabalhou na Tribuna até à destruição das suas instalações em Setembro de 1975, por colonos que se opunham à independência. Foi nomeado diretor da Agência de Informação de Moçambique (AIM) e formou ligações de correspondentes entre as províncias moçambicanas durante o tempo da guerra de libertação. A seguir trabalhou como diretor da revista Tempo até 1981 e continuou a carreira no jornal Notícias até 1985. Em 1983, publicou o seu primeiro livro de poesia, Raiz de Orvalho, que inclui poemas contra a propaganda marxista militante3 . Dois anos depois, demitiu-se da posição de diretor para continuar os estudos universitários na área de biologia.
Além de considerado um dos escritores mais importantes de Moçambique, é o escritor moçambicano mais traduzido. Em muitas das suas obras, Mia Couto tenta recriar a língua portuguesa com uma influência moçambicana, utilizando o léxico de várias regiões do país e produzindo um novo modelo de narrativa africana. Terra Sonâmbula, o seu primeiro romance, publicado em 1992, ganhou o Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos em 1995 e foi considerado um dos doze melhores livros africanos do século XX por um júri criado pela Feira do Livro do Zimbabué. Em 2007, foi entrevistado pela revista Isto É4 . Foi fundador de uma empresa de estudos ambientais da qual é colaborador5 .
Obra [editar]
Mia Couto tem uma obra literária extensa e diversificada, incluindo poesia, contos, romance e crónicas.
Muitos dos livros de Mia Couto são publicados em mais de 22 países e traduzidos em alemão, francês, castelhano, catalão, inglês e italiano.
Poesia [editar]
Estreou-se no prelo com um livro de poesia, Raiz de Orvalho, publicado em 1983. Este livro revela o mesmo comportamento literário de estreita relação com a tradição e memória cultural africanas que evidenciam a orientação regionalista, marcante em toda a sua criação literária. A poesia “Sotaque da terra” aborda sentimentos impostos por condições históricas diretamente ligados à realidade do povo africano: a língua, a terra e a tradição.6
No entanto, já antes tinha sido antologiado por outro dos grandes poetas moçambicanos, Orlando Mendes (outro biólogo), em 1980, numa edição do Instituto Nacional do Livro e do Disco, resultante duma palestra na Organização Nacional dos Jornalistas (actual Sindicato), intitulada "Sobre Literatura Moçambicana".
Em 1999, a Editorial Caminho (que publica as obras de Couto em Portugal) relançou Raiz de Orvalho e outros poemas que teve sua 3ª edição em 2001.
A mesma editora dá ao prelo em 2011 o seu segundo livro de poesia, "Tradutor de Chuvas".
Contos [editar]
Nos meados dos anos 80,Mia Couto estreou-se nos contos e numa nova maneira de falar - ou "falinventar" - português, que continua a ser o seu "ex-libris". Nesta categoria de contos publicou:
- Vozes Anoitecidas (1ª ed. da Associação dos Escritores Moçambicanos, em 1986; 1ª ed. Caminho, em 1987; 8ª ed. em 2006; Grande Prémio da Ficção Narrativa em 1990, ex aequo)
- Cada Homem é uma Raça (1ª ed. da Caminho em 1990; 9ª ed., 2005)
- Estórias Abensonhadas (1ª ed. da Caminho, em 1994; 7ª ed. em 2003)
- Contos do Nascer da Terra (1ª ed. da Caminho, em 1997; 5ª ed. em 2002)
- Na Berma de Nenhuma Estrada (1ª ed. da Caminho em 1999; 3ª ed. em 2003)
- O Fio das Missangas (1ª ed. da Caminho em 2003; 4ª ed. em 2004)
Crónicas [editar]
Para além disso, publicou em livros algumas das suas crónicas, que continuam a ser coluna num dos semanários publicados em Maputo, capital de Moçambique:
- Cronicando (1ª ed. em 1988; 1ª ed. da Caminho em 1991; 7ª ed. em 2003; Prémio Nacional de Jornalismo Areosa Pena, em 1989)
- O País do Queixa Andar (2003)
- Pensatempos. Textos de Opinião (1ª e 2ª ed. da Caminho em 2005)
- E se Obama fosse Africano? e Outras Interinvenções (1ª ed. da Caminho em 2009)
Romances [editar]
E, naturalmente, não deixou de lado o género romance, tendo publicado:
- Terra Sonâmbula (1ª ed. da Caminho em 1992; 8ª ed. em 2004; Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos em 1995; considerado por um juri na Feira Internacional do Zimbabwe um dos doze melhores livros africanos do século XX)
- A Varanda do Frangipani (1ª ed. da Caminho em 1996; 7ª ed. em 2003)
- Mar Me Quer (1ª ed. Parque EXPO/NJIRA em 1998, como contribuição para o pavilhão de Moçambique na Exposição Mundial EXPO '98 em Lisboa; 1ª ed. da Caminho em 2000; 8ª ed. em 2004)
- Vinte e Zinco (1ª ed. da Caminho em 1999; 2ª ed. em 2004)
- O Último Voo do Flamingo (1ª ed. da Caminho em 2000; 4ª ed. em 2004; Prémio Mário António de Ficção em 2001)
- O Gato e o Escuro, com ilustrações de Danuta Wojciechowska (1ª ed. da Caminho em 2001; 2ª ed. em 2003), com ilustrações de Marilda Castanha (1ª ed. brasileira, da Cia. das Letrinhas, em 2008)
- Um Rio Chamado Tempo, uma Casa Chamada Terra (1ª ed. da Caminho em 2002; 3ª ed. em 2004; rodado em filme pelo português José Carlos Oliveira)
- A Chuva Pasmada, com ilustrações de Danuta Wojciechowska (1ª ed. da Njira em 2004)
- O Outro Pé da Sereia (1ª ed. da Caminho em 2006)
- O beijo da palavrinha, com ilustrações de Malangatana (1ª ed. da Língua Geral em 2006)
- Venenos de Deus, Remédios do Diabo (2008)
- Jesusalém [no Brasil, o livro tem como título Antes de nascer o mundo] (2009)
- A Confissão da Leoa (2012)
Prémios [editar]
- 1995 - Prémio Nacional de Ficção da Associação dos Escritores Moçambicanos
- 1999 - Prémio Vergílio Ferreira, pelo conjunto da sua obra
- 2001 - Prémio Mário António, pelo livro O último voo do flamingo
- 2007 - Prémio União Latina de Literaturas Românicas
- 2007 - Prêmio Passo Fundo Zaffari e Bourbon de Literatura, na Jornada Nacional de Literatura
- 2012 - Prémio Eduardo Lourenço 20117
Academia Brasileira de Letras [editar]
É sócio correspondente, eleito em 1998, da Academia Brasileira de Letras, sendo sexto ocupante da cadeira 5, que tem por patrono Dom Francisco de Sousa.
Trabalho como biólogo [editar]
Como biólogo, dirige a Avaliações de Impacto Ambiental, IMPACTO Lda., empresa que faz estudos de impacto ambiental, em Moçambique. Mia Couto tem realizado pesquisas em diversas áreas, concentrando-se na gestão de zonas costeiras. Além disso, é professor da cadeira de ecologia em diversos cursos da Universidade Eduardo Mondlane (UEM).1 8
Referências
- ↑ a b http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=2922&op=all
- ↑ Cf. Biografia no site do Teatro D. Maria.
- ↑ Chabal, Patrick. ‘’Vozes Moçambicanas’’. Vega: Lisboa, 1994. (274-291)
- ↑ Furtado, Jonas. "Entrevista a Mia Couto", Revista Isto É, Editora Três, 2007-09-26. Página visitada em 2009-12-01.
- ↑ Mia Couto Biografia
- ↑ Dissertação: Mia Couto - Luandino Vieira - "Uma Leitura em Travessia pela Escrita Criativa ao Serviço das Identidades", página 22
- ↑ Informação na página do Centro de Estudos Ibéricos.
- ↑ http://www.ionline.pt/conteudo/64700-mia-couto-nao-levo-escrita-nem-biologia-muito-serio
Ligações externas [editar]
- Artigo: "As páginas de terra de Mia Couto"
- "Exílio e identidade: uma leitura de Antes de nascer o mundo, de Mia Couto"
- "O outro pé da sereia: o diálogo entre história e ficção na figuração da África contemporânea
- Artigo: Mia Couto homenageado no Festlip
- Folheto: 12th International Writers Festival: Mia Couto
- Site: "textos e intervenções de Mia Couto"
| Precedido por David Mourão-Ferreira |
ABL Sócio Correspondente - cadeira 5 1998 — actualidade |
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