Adriano Moreira

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Adriano Moreira
Ministro(a) de Ministério do Ultramar
Período de governo 1961
até 1963
Vida
Nascimento 6 de setembro de 1922 (92 anos)
Grijó
Nacionalidade  Portugal
Dados pessoais
Profissão estadista, político, deputado,
advogado, jurisconsulto, internacionalista,
politólogo, sociólogo e professor universitário

Adriano José Alves Moreira ComCGCCMOSDGCSEGOIH (Macedo de Cavaleiros, Grijó de Vale Benfeito, 6 de setembro de 1922) é um estadista, político, deputado, advogado, jurisconsulto, internacionalista, politólogo, sociólogo e professor. Destacou-se pelo seu percurso académico e pela sua acção na qualidade de Ministro do Ultramar durante o Estado Novo, ao abolir o Estatuto do Indigenato e ao assinar a portaria que reabriu o Campo do Tarrafal. No actual regime democrático, foi também Presidente do CDS (1986-1988 e, interinamente, 1991-1992).

Biografia[editar | editar código-fonte]

Adriano Moreira nasceu perto de Macedo de Cavaleiros, no norte de Portugal, filho de António José Moreira (Macedo de Cavaleiros, Carrapatas, 31 de Julho de 1898 - Macedo de Cavaleiros, Grijó de Vale Benfeito, 13 de Outubro de 1991) e de sua mulher Leopoldina do Céu Alves (Macedo de Cavaleiros, Grijó de Vale Benfeito, 3 de Dezembro de 1905 - Macedo de Cavaleiros, Grijó de Vale Benfeito, 17 de Março de 1987). Aluno brilhante, licenciou-se em Direito, pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, em 1944, possuindo o doutoramento na mesma área, pela Universidade Complutense de Madrid.

Advogado, começou por ser simpatizante da Oposição Democrática na sua juventude, assinando inclusivamente uma lista do MUD, em 1945. Em 1948, foi advogado da família do general José Marques Godinho, falecido na prisão, no processo interposto contra o ministro da Guerra, Fernando Santos Costa, por homicídio voluntário, o que lhe valeu ser então preso, juntamente com a família daquele. No entanto, com o tempo, aproximar-se-ia do regime, mesmo mantendo relações de amizade com históricos oposicionistas, como Teófilo Carvalho dos Santos. Independente, foi chamado por António de Oliveira Salazar para ser subsecretário de Estado da Administração Ultramarina, em 1959, ascendendo depois a ministro do Ultramar, em 1961. Procurou estabelecer uma política reformista, abolindo finalmente o Estatuto do Indigenato, que impedia a quase totalidade das populações ultramarinas de adquirir a nacionalidade portuguesa e de usufruir do direito à educação. A atitude mais polémica de então foi a assinatura da portaria que reabriu o Campo do Tarrafal, em Cabo Verde, desta vez destinado aos presos dos movimentos de libertação das colónias. Salazar manifestou-lhe posteriormente que não podia concordar com várias das suas políticas, afirmando-lhe que mudaria de ministro se não as alterasse. Segundo conta o próprio Adriano Moreira, este então comunicou-lhe que "Vossa Excelência acaba de mudar de ministro". Manteve-se afastado da política activa durante a fase final do Estado Novo.

Concorreu a professor na Escola Superior Colonial (actual ISCSP) aonde viria a ascender a Director. Adriano Moreira contribuiu largamente para a reforma do ISCSP e através deste para o início do estudo de ciências como a Sociologia, a Ciência Política, as Relações Internacionais e ciências associadas a estas, como a Estratégia e a Geopolítica — dando, assim, continuação ao projecto da Sociedade de Geografia de Lisboa, para a construção de uma instituição formadora dos quadros administrativos coloniais e de um projecto embrionário de escola de pensamento internacional.

Regressaria à política activa no actual regime, aderindo ao CDS, e sendo seu deputado à Assembleia da República. Foi seu presidente de 1985 a 1988 e, interinamente, de 1991 a 1992.

Casou-se em Sintra, São Martinho, a 30 de Agosto de 1968 com Isabel Mónica Maia de Lima Mayer (Lisboa, Mercês, 2 de Agosto de 1945), filha de Bernardo de Lima Mayer (Sintra, São Martinho, 16 de Junho de 1918 - ?) e de sua mulher Maria Isabel de Carvalho Maia (Lisboa, Mercês, 2 de Fevereiro de 1923) e cujo avô paterno tinha ascendência judaica e avó paterna origem irlandesa, e tiveram seis filhos e filhas.

Legado teórico-metodológico[editar | editar código-fonte]

Segundo Marcos Farias Ferreira (Cristãos & Pimenta, A via media na Teoria das Relações Internacionais de Adriano Moreira, Almedina, Coimbra, 2007), a obra de Adriano Moreira seria tributária de uma escola racionalista apoiada em vultos como Grotius, Vitória e Suárez, e teria construído uma via intermédia relativamente às diferentes correntes idealistas e realistas no estudo académico de Relações Internacionais (RI), a par de Raymond Aron e dos autores da escola inglesa de RI como Martin Wight, Hedley Bull e Herbert Butterfield, assente na tensão normativa entre sociedade e comunidade internacional.

É grande admirador de Boris Vian.

Cargos políticos[editar | editar código-fonte]

Curriculum Vitæ[editar | editar código-fonte]

É ainda Professor Honorário da Universidade de Santa Maria.

Méritos e condecorações[editar | editar código-fonte]

Principais obras[editar | editar código-fonte]

  • Direito Corporativo (Lisboa, 1950)
  • Política Ultramarina (Lisboa, 1956)
  • Ideologias Políticas (Lisboa, 1964)
  • O Tempo dos Outros (Lisboa, 1968)
  • Política Internacional (Porto, 1970)
  • A Europa em Formação (Lisboa, 1974)
  • Saneamento Nacional (Lisboa, 1976)
  • O Drama de Timor (Lisboa, 1977)
  • Legado Político do Ocidente - Colaboração - (São Paulo, 1978)
  • Ciência Política (Lisboa, 1979)
  • Direito Internacional Público (Lisboa, 1983)
  • Teoria das Relações Internacionais (Coimbra, 1996)

Referências


Precedido por
Francisco Lucas Pires
Presidente do CDS
1986 — 1988
Sucedido por
Freitas do Amaral