Partido Socialista (Portugal)

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Partido Socialista
Logo PS cor.jpg
Líder António José Seguro (Secretário-Geral)
Presidente Maria de Belém Roseira (cargo honorário que preside aos Congressos Nacionais)
Fundação 19 de abril de 1973
Sede  Portugal
Largo do Rato, 2
1269-143
São Mamede, Lisboa
Ideologia Socialismo-Democrático, Social-Democracia, Social-Liberalismo, Progressismo, Terceira-Via
Publicação Acção Socialista
Alas Juventude Socialista
Membros  (2004) 77 000[1]
Afiliação internacional Internacional Socialista
Afiliação europeia Partido Socialista Europeu
Grupo no Parlamento Europeu Aliança dos Socialistas e Democratas Progressistas
Cores rosa
Site www.ps.pt

O Partido Socialista (PS) português foi fundado em 19 de Abril de 1973 na cidade alemã de Bad Münstereifel, por militantes da Acção Socialista Portuguesa (ASP).

História do PS[editar | editar código-fonte]

Antecedentes e a ASP[editar | editar código-fonte]

A primeira organização partidária do movimento socialista em Portugal foi criada, em 1875, por Azedo Gneco, Antero de Quental e José Fontana, entre outros, com a criação do Partido Socialista Português.

O Golpe de 28 de Maio de 1926, e a consequente ilegalização dos partidos políticos, disfere um golpe numa estrutura incapaz de se adaptar às condições da clandestinidade.

Daí para a frente ensaiam-se diversas outras tentativas de criação de organizações socialistas, sem, no entanto, se conseguirem afirmar no seio das correntes da oposição ao Estado Novo. Neste contexto, destacam-se: o Núcleo de Doutrinação e Acção Socialista (1942-1944), o Partido Socialista Independente (1944), a União Socialista (1944-1950), o Partido Trabalhista (1947) e a Frente Socialista (1950-1954). Entretanto, o P.S.P. (S.P.I.O) entrava também num esforço reorganizador (1946). O advento destes partidos políticos, em grande medida consequência da conjuntura do pós-guerra, que animou toda a oposição ao Estado Novo, sofreria um sério refluxo, quando o regime se recompõe da vitória das democracias ocidentais.

Ainda assim, em 1953, constituía-se a Resistência Republicana e Socialista (1955-1964), grupo de reflexão e intervenção política. A esta seguir-se-ia a Acção Socialista Portuguesa, mais conhecida por ASP.

A A.S.P. foi fundada em Genebra por Mário Soares, Manuel Tito de Morais e Francisco Ramos da Costa em Novembro de 1964 e representava um novo esforço de estruturação do movimento socialista, social-democrata e trabalhista internacional, o certo é que não logrou estabelecer as bases de implantação a que aspirava, conciliando dificilmente os instrumentos de luta na clandestinidade com as poucas possibilidades de intervenção legal permitidas pelo regime do Estado Novo.

Entre os momentos mais importantes da ASP estiveram:

Fundação do PS[editar | editar código-fonte]

No dia 19 de Abril de 1973, na cidade alemã de Bad Münstereifel, militantes da Acção Socialista Portuguesa idos de Portugal e de diversos núcleos no estrangeiro, de entre outros países e cidades de Londres, Paris, Genebra, Suécia, Argélia e Brasil, reunidos em Congresso da Acção Socialista Portuguesa e "ponderando os superiores interesses da Pátria, a actual estrutura e dimensão do movimento, as exigências concretas do presente e a necessidade de dinamizar os militantes para as grandes tarefas do futuro, deliberou transformar a A.S.P. em Partido Socialista", aprovam, por 20 votos a favor e 7 contra, a transformação da A.S.P. em Partido Socialista.

A decisão não foi consensual para os vinte e sete delegados aí presentes, pois alguns discordavam não da sua Fundação mas do momento desta.

Finda a votação, às 18:00 desse dia, todos os congressistas aplaudiram de pé a deliberação e discutiram e aprovaram os diversos documentos preparatórios dessa reunião, bem como, outros que viriam a ser publicados na sequência directa da fundação do PS, de entre estes e o que se veio a revelar mais mediático foi a Brochura de protesto contra a visita de Marcelo Caetano a Londres e de divulgação da criação do Partido Socialista.

A Declaração de Princípios e Programa do Partido Socialista são aprovados em Agosto de 1973 e resultaram de diversas contribuições de militantes e simpatizantes do interior e do exterior.

Na Declaração de Princípios afirmava-se a defesa do socialismo em liberdade, ao mesmo tempo que se defendia como objectivo último uma sociedade sem classes e o marxismo era aceite como "inspiração teórica predominante", embora permanentemente repensado.

O Programa reflectia, assim, um compromisso entre o sistema parlamentar da Europa Ocidental e uma estratégia de ruptura com a organização capitalista da economia.

A lista dos Membros Fundadores do Partido Socialista foi elaborada em 1977, por Manuel Tito de Morais e Joaquim Catanho de Menezes, tendo sido constituída pelos militantes do Partido que contribuíram para a sua fundação e que, na data em que a lista foi organizada, continuavam como membros efectivos. Posteriormente foram-lhe acrescentados os nomes de quatro militantes que, tendo subscrito a Acta da fundação, entretanto haviam saído do PS.[2]

A lista completa é:

Período pós-revolucionário[editar | editar código-fonte]

Em 16 de Maio de 1974 dá-se a tomada de posse do I Governo Provisório, presidido por Adelino da Palma Carlos, Mário Soares é nomeado Ministro dos Negócios Estrangeiros, Álvaro Cunhal, Francisco Sá Carneiro e Pereira de Moura assumem as funções de ministros sem pasta, o PS, terá neste Governo mais 4 Ministros com funções efectivas. O Governo cai menos de dois meses depois, a 11 de Julho de 1974, na sequência de uma proposta apresentada pelo Primeiro-Ministro de realização em Outubro de 1974 das eleições presidenciais e, simultaneamente, de um referendo a uma Constituição Provisória, as presidenciais ocorreriam, portanto, antes das eleições constituintes, relegando estas últimas para finais de 1976, tal proposta contrariava o Programa do MFA e constituía uma forma de reforçar o poder do Presidente da República, António de Spínola. A proposta viria a ser rejeitada por quase todo o espectro político, incluindo o Conselho de Estado, sentindo-se desautorizado, Palma Carlos pede, então, a sua demissão.

O II Governo Provisório toma posse a 18 de Junho de 1975 e é presidido por Vasco Gonçalves, Mário Soares é o Ministro dos Negócios Estrangeiros e mantém-se uma forte preponderância dos membros do PS, o PPD recusa-se a participar por considerar que a demissão de Adelino da Palma Carlos foi correcta.

Em 1 de Outubro o III Governo Provisório é empossado, é chefiado por Vasco Gonçalves ficando à mesma Mário Soares como Ministro dos Negócios Estrangeiros.

De 13 a 15 de Dezembro de 1974 realiza-se o I Congresso do PS, na legalidade, em Lisboa, a linha de Mário Soares, social-democrata e reformista sai vitoriosa, alguns militantes considerados mais à esquerda e liderados Manuel Serra, abandonam o partido, vindo a formar no ano seguinte, a 9 de Janeiro de 1976 a FSP - Frente Socialista Popular.

Após a Revolução do 25 de Abril, e embora já tendo sido fundado em 1973 legaliza a sua situação junto do Tribunal Constitucional em 1 de Fevereiro de 1975[3]

Toma posse em 26 de Março de 1975 o IV Governo Provisório, chefiado por Vasco Gonçalves e composto por elementos do PS, PPD, PCP, MDP/CDE, ex-MES, militares e independentes, o PS mantém algumas pastas importantes, através de de militares moderados, como Melo Antunes no Ministério dos Negócios Estrangeiros, o Ministro da Justiça e da Indústria tendo Mário Soares como Ministro sem Pasta, mas está claramente em minoria.

O PS ganha as eleições de 1975 para a Assembleia Constituinte, as primeiras eleições livres dos últimos 50 anos e com uma participação eleitoral excepcional e sem incidentes de maior, dando a este 38% ao Partido Social Democrata - PPD/PSD 26,5%, o Partido Comunista Português 12,5% e o CDS - Centro Democrático Social 7,6%.

A 8 de Julho a Assembleia do MFA aprova o "Documento-Guia da Aliança Povo-MFA", que suscita protestos veementes por parte do PS sendo acompanhado pelo PPD e CDS.

A 10 de Julho, vários partidos e outros grupos de extrema-esquerda organizam uma manifestação de apoio ao "Documento-Guia da Aliança Povo-MFA", são recebidos por Costa Gomes e Vasco Gonçalves, que discursam sendo visíveis as diferenças de conteúdo dos dois discursos, nesse mesmo dia o Jornal República reaparece sob a orientação de uma "Comissão Coordenadora de Trabalhadores", isto depois de a 19 de Maio ter começado a crise no Jornal República entre trabalhadores e a direcção, encabeçada por Raul Rêgo (militante histórico do PS e Jornal da oposição conotado com o PS no Estado Novo), o PS, no próprio dia reage violentamente, Mário Soares encabeça uma manifestação de protesto junto à sede do jornal e acusa o PCP de estar por detrás dos acontecimentos, no dia seguinte os militares fazem evacuar o local do jornal e selam-no. Mário Soares denuncia a ilegalidade do fecho do jornal e ameaça abandonar o Governo de Vasco Gonçalves, assim como os ministros do PS, estes regressam a 30 de Maio, após conversações com o Conselho da Revolução.

Perante estes acontecimentos, da Manifestação e do reaparecimento do Jornal República com uma redacção conotada com o PCP, os ministros do PS abandonam o IV Governo Provisório, uma semana mais tarde a 17 de Julho, os ministros do PPD tomam idêntica atitude e abandonam o Governo assim como os ministros independentes José da Silva Lopes e Almeida Santos.

A 12 de Julho o Conselho da Revolução emite um comunicado no qual critica a saída do Governo dos ministros socialistas.

Em 15 de Julho o PS promove uma manifestação de apoio aos seus representantes que abandonam o Governo, em resposta o PCP e a extrema-esquerda, partidários do IV Governo Provisório organizam manifestações em Lisboa e no Porto, organizadas por Comissões de Trabalhadores, entre outras reivindicações, pedem a dissolução da Assembleia Constituinte, que foi ganha maioritariamente pelos partidos mais moderados.

Nos dias 18 e 19 de Julho, o PS convoca dois comícios (nas Antas, no Porto e Fonte Luminosa, em Lisboa), que são um êxito retumbante com milhares de pessoas, Mário Soares exige a demissão de Vasco Gonçalves e ameaça que "o PS pode paralisar o país".

É criado na reunião da Internacional Socialista, em Estocolmo, no dia 2 de Agosto, o "Comité Internacional de Apoio ao Socialismo Democrático em Portugal".

Nove membros do Conselho da Revolução, entre os quais Melo Antunes, entregam dia 7 de Agosto, a Costa Gomes um documento em que recusam, quer a via totalitária ("Documento-Guia da Aliança Povo-MFA"), quer a via social-democrata (defendida na altura pelo PS e pelo PPD). Este documento conhecido como o "Documento dos Nove" é condenado severamente pelo Directório do MFA. Nesse dia Mário Soares escreve uma Carta aberta ao general Costa Gomes, intimando-o a escolher uma via.

No dia 8 de Agosto o V Governo Provisório, toma posse e é chefiado por Vasco Gonçalves sendo composto por elementos do PCP, MDP/CDE, independentes e militares, nesse dia "O Jornal Novo" publica o "Documento dos Nove" (também conhecido por "Documento Melo Antunes").

Três dias depois o Directório do MFA, suspende os oficiais subscritores do "Documento dos Nove": Francisco Charais; Pezarat Correia; Vítor Alves; Melo Antunes; Costa Neves; Canto e Castro; Vítor Crespo; Vasco Lourenço e Sousa e Castro.

Entretanto e mobilizada pelo PCP e pelo PS, a população portuguesa divide-se, enquanto o PS exige a demissão do V Governo Provisório, o PCP protesta contra a "violência reaccionária".

Início de uma série de reuniões entre os "Nove" e Otelo Saraiva de Carvalho, do COPCON (que dias antes tinha divulgado um documento intitulado "Autocrítica revolucionária do COPCON e proposta de trabalho para um programa político" conhecido como o "Documento do COPCON") tendentes à elaboração de um documento e projecto de convergência política.

No Norte e Centro do país agudiza-se a hostilidade em relação ao V Governo Provisório, ao PCP e aos partidos de extrema-esquerda, havendo assaltos e destruições das sedes destes partidos que ocorrem um pouco por todo o lado.

O PS promove uma manifestação, a 15 de Agosto em Belém, de apoio ao "Documento dos Nove", o PCP reage com num comício realizado no Pavilhão dos Desportos em que apela "à unidade dos democratas e anti-fascistas".

A 19 de Agosto, o Presidente da República, Costa Gomes reúne com os subscritores do "Documento dos Nove" e com Otelo Saraiva de Carvalho a este é apresentado o Plano Político do MFA, elaborado pelos "Nove" e Otelo Saraiva de Carvalho, deste modo o Presidente decide encetar o processo de consultas para formação de um VI Governo Provisório. No dia seguinte Otelo Saraiva de Carvalho consuma a ruptura com Vasco Gonçalves, em carta pessoal este proíbe Vasco Gonçalves de visitar as unidades militares integradas no COPCON e pede ao general que "descanse, repouse, serene, medite e leia".

Em 24 de Agosto é apresentado do elenco do VI Governo Provisório que deveria ser chefiado por Carlos Fabião, este recusa no dia seguinte, sendo Pinheiro de Azevedo indigitado para formar o VI Governo Provisório. Vasco Gonçalves será nomeado CEMGFA.

É criada a FUR - Frente de Unidade Revolucionária com a participação do PCP, do MDP/CDE, do MES, da FSP - Frente Socialista Popular, da LUAR, da LCI e do PRP/BR, inicia-se a publicação do jornal A Luta.

No dia seguinte o Conselho da Revolução, sentindo-se legitimado pelo Presidente da República general Costa Gomes, suspende a 5.ª Divisão, de linha pró-FUR e ligada ao Vasco Gonçalves sendo encerradas dia 27 de Agosto por uma força militar chefiada por Jaime Neves, nesse dia a Frente de Unidade Revolucionária promove, junto ao Palácio de Belém em Lisboa, uma manifestação de apoio a Vasco Gonçalves e a Costa Gomes, ambos recebem os manifestantes com discursos mas, mais uma vez, são notórias as diferenças de tom e de conteúdo utilizados pelos oradores.

No dia 31 de Agosto, o coronel Jaime Neves e outros oficiais do Regimento de Comandos da Amadora são proibidos de entrar na unidade, nesse dia Pinheiro de Azevedo inicia as primeiras diligências para a formação do VI Governo Provisório, tendo o PS e o PPD opondo-se publicamente à nomeação de Vasco Gonçalves para CEMGFA.

No primeiro dia de Setembro de 1975, Pinheiro de Azevedo pretende a constituição de uma plataforma comum entre o PS, o PPD e o PCP.

Dois dias depois, numa Conferência de imprensa do PCP e do MDP/CDE, alertando para a "ofensiva reaccionária". Acusam o PPD, o CDS e o PCTP/MRPP da onda de violência e o PS da passividade e cumplicidade.

Uma Assembleia geral do MFA em Tancos modifica a composição do Conselho da Revolução e afasta Vasco Gonçalves do cargo de CEMGFA, no dia seguinte a 6 de Setembro o V Governo Provisório demite-se.

Em 19 de Setembro dá-se a tomada de posse do VI Governo Provisório, e último antes dos Governos Constitucionais, constituído por militares, independentes e representantes do PS, PPD e PCP, e chefiado pelo vice-almirante Pinheiro de Azevedo.

Dois dias depois, a 21 de Setembro, aparecem os "Soldados Unidos Vencerão - SUV's", no Porto e no dia seguinte começam as "jornadas de luta" promovidas pelos deficientes das Forças Armadas.

A 25 de Setembro realiza-se uma manifestação dos SUV's em Lisboa, com a libertação de soldados presos na Trafaria.

Depois de uma série de ocupações por manifestantes ligados à extrema-esquerda, em 29 de Setembro, o Primeiro-ministro Pinheiro de Azevedo ordena a ocupação militar das emissoras de Rádio e Televisão, várias organizações de extrema-esquerda convocam uma manifestação de protesto junto do Ministério da Comunicação Social, para esse dia, em resposta em resposta à manifestação das forças de extrema-esquerda, o PS e o PPD organizam, no dia seguinte, uma manifestação de apoio ao VI Governo Provisório.

A 1 de Outubro, depois dos ânimos serenarem o Governo manda desocupar as emissoras de rádio e televisão, à excepção da Rádio Renascença, no mesmo dia o PS denuncia "a preparação de um golpe de Estado de esquerda", sendo apoiado por uma noticia saída nesse dia no jornal O Século que publica o chamado "plano dos coronéis", no dia seguinte, O Jornal Novo que contém um comunicado do PS sobre uma tentativa de golpe de Estado, é impedido de sair.

O Regimento de Artilharia da Serra do Pilar (RASP), no Porto, no dia 7 de Outubro é ocupado por forças da extrema-esquerda, dois dias depois um documento do PCP denuncia "viragem à direita do Governo", em reacção o PS, PPD e CDS acusam o PCP de controlar de forma totalitária os principais órgãos de informação.

Quando se dá em Lisboa ao início do Congresso da União Internacional das Juventudes Socialistas (IUSY), em 11 de Outubro, sucedem-se por todo o país manifestações de apoio ao VI Governo Provisório, apoiadas e promovidas pelo PS, PPD e CDS.

A 21 de Outubro a Rádio Renascença é reocupada por elementos de extrema-esquerda, dois dias depois recomeçam as emissões desta a partir de Lisboa, sendo que no inicio de Novembro e após nova reocupação o centro emissor desta rádio na Buraca é destruído por ordem do Conselho da Revolução.

Num "frente a frente" televisivo e histórico de quatro horas, a 6 de Novembro, entre Mário Soares e Álvaro Cunhal confirma-se a profundidade das divergências que os separam, sendo o PS por uma evolução democrática do regime e o PCP declara-se pela adopção de uma via popular e revolucionária tendo como objectivo a implantação de uma República Popular em Portugal.

Em 9 de Novembro dá-se um manifestação no Terreiro do Paço, de milhares de pessoas de apoio ao VI Governo Provisório, com a mobilização e participação do PS e PPD.

Uma manifestação de trabalhadores da construção civil, realizada a 11 de Novembro cerca a Assembleia Constituinte, impedindo a saída dos deputados constituintes e do Primeiro-Ministro do Palácio de S. Bento, após 36 horas e no dia 13 de Novembro o almirante Pinheiro de Azevedo é obrigado a ceder às reivindicações dos operários que exigiam aumentos salariais.

Em 16 de Novembro é realizada uma Manifestação de trabalhadores da cintura industrial de Lisboa e das Unidades Colectivas de Produção alentejanas no Terreiro do Paço, em Lisboa, de apoio ao "Poder Popular", nesse dia vários dirigentes e deputados do PS, PPD/PSD e CDS estão no Porto, correndo rumores que a Assembleia Constituinte pode vir a ser transferida para aquela cidade.

O VI Governo Provisório, no dia 20 de Novembro, auto-suspende-se enquanto não lhe forem dadas garantias para poder governar, nesse dia é realizada uma manifestação em frente ao Palácio de Belém a favor do "Poder Popular", Costa Gomes fala com os manifestantes, afirmando ser indispensável evitar uma guerra civil.

No dia 21 de Novembro, o Conselho da Revolução destitui o general Otelo Saraiva de Carvalho do comando da Região Militar de Lisboa e substitui-o pelo capitão Vasco Lourenço ligado à linha moderada e conotado com o PS, dois dias depois é realizado em Lisboa um comício do PS, em apoio ao VI Governo Provisório, na Alameda D. Afonso Henriques, o mesmo conta com milhares de pessoas, no dia seguinte em 24 de Novembro, os agricultores de Rio Maiorassociados à CAP (Confederação dos Agricultores de Portugal), na altura conotados com a direita tradicional e patriótica, cortam as estradas de acesso a Lisboa.

No dia 25 de Novembro de 1975, na sequência de uma decisão do General Morais da Silva, Chefe do Estado Maior das Forças Armadas, que dias antes tinha mandado passar à disponibilidade cerca de 1000 camaradas de armas de Tancos, pára-quedistas da Base Escola de Tancos ocupam o Comando da Região Aérea de Monsanto, Escola Militar da Força Aérea e mais cinco bases aéreas e detêm o tenente-coronel Aníbal Pinho Freire e exigem a demissão de Morais da Silva;

Este actos são considerados pelos militares ligados ao Grupo dos Nove como o indício de que poderia estar em preparação um golpe de estado vindo de sectores mais radicais, da esquerda. Esses militares apoiados pelos partidos políticos moderados como PS e o PPD/PSD e depois do Presidente da República, General Francisco da Costa Gomes ter obtido por parte do PCP a confirmação de que não convocaria os seus militantes e apoiantes para qualquer acção de rua, decidem então intervir militarmente para controlar o país;

O Regimento de Artilharia de Lisboa (RALIS), conotados com a Esquerda Militar, toma posições no aeroporto de Lisboa, portagem de Lisboa A1 e Depósito de Material de Guerra de Beirolas;

Forças da Escola Prática de Administração Militar ocupam a RTP e a PM controla a Emissora Nacional, ambos os grupos são conotados com forças políticas de esquerda revolucionária.

Uma força do Regimento de Comandos da Amadora, conotados com os moderados, cerca o Emissor de Monsanto, ocupado pelos Para-quedistas, e a emissão da RTP é transferida para o Porto;

Mário Soares, Jorge Campinos e Mário Sottomayor Cardia, da Comissão Permanente do PS e temendo pela vida, saem clandestinamente de Lisboa, na tarde do dia 25, e seguem para o Porto, onde se apresentam no Quartel da Região Norte, ao moderado Pires Veloso e ao Estado-Maior General das Forças Armadas através do General piloto-aviador José Lemos Ferreira;

O Presidente da República decreta o estado de sitio na área da Região Militar de Lisboa, e teve um papel determinante na contenção dos extremos;

Ramalho Eanes, adjunto de Vasco Lourenço, ilude pressões dos militares da extrema-direita que o incitam a mandar bombardear unidades, Vasco Lourenço dá voz de prisão a Diniz de Almeida, Campos Andrada, Cuco Rosa e Mário Tomé, todos militares conotados forças políticas de esquerda revolucionária, sendo último inclusivamente filiado na UDP;

O "Grupo dos Nove" e os seus aliados controlam a situação.

Os Comandos da Amadora, ligados aos moderados, atacam o Regimento da Polícia Militar da Ajuda, unidade militar tida como próxima das forças políticas de esquerda revolucionária, após a rendição o resultado são 3 mortos para de ambos os lados;

Prisões dos militares revoltosos;

Forças das Regiões Militares do Norte e Centro deslocam-se para Lisboa;

Melo Antunes declara na RTP que o PCP: "é indispensável à democracia". Afastando as veleidades da direita saudosista, que tendo um plano de tomada de poder se colou ao "Grupo dos Nove".

Os Generais Carlos Fabião e Otelo Saraiva de Carvalho são destituídos, respectivamente, dos cargos de Chefe de Estado Maior do Exército e de Comandante do COPCON;

O General António Ramalho Eanes é o novo Chefe de Estado Maior do Exército, o COPCON é integrado no Estado Maior Geral das Forças Armadas.

Por decisão do Conselho de Ministros a Rádio Renascença é devolvida à Igreja Católica;

São enviadas para a prisão de Custóias algumas dezenas de militares detidos na sequência dos acontecimentos do 25 de Novembro;

Costa Gomes, Presidente da República, decreta o estado de sítio parcial na região abrangida pela Região Militar de Lisboa.

A 28 de Novembro o VI Governo Provisório retoma as suas funções e é suspensa a publicação dos jornais estatizados, no dia seguinte em conferência de imprensa, Sá Carneiro acusa o PCP de ser responsável pela insubordinação militar verificada, o PS tem idêntica atitude.

É levantado o estado de sítio em Lisboa a 1 de Dezembro, no dia seguinte a Assembleia Constituinte PS, PPD e CDS acusam o PCP de estar envolvido nos acontecimentos de 25 de Novembro e são nacionalizadas a RTP e todas as estações de rádio, com excepção da Rádio Renascença.

Em conferência de imprensa, a 4 de Dezembro, Mário Soares acusa o PCP de ter participado activamente no 25 de Novembro, utilizando a extrema-esquerda como ponta-de-lança e critica o PPD por "anti-comunismo retrógrado" ao pretender o afastamento do PCP, como condição da sua permanência no Governo, nesse mesmo dia o PS a par do PPD e CDS defendem a revisão do "Pacto MFA-Partidos".

No dia 9 de Dezembro, Vinte e um deputados dissidentes do PPD, entre eles Mota Pinto, Júlio Castro Caldas, Carlos Macedo, Sá Borges, Emídio Guerreiro e Santos Silva, passam a independentes, este abandono dá-se na sequência do II Congresso (extraordinário) do PPD realizado no dia 6 de Dezembro.

No dia 17 de Dezembro Iniciam-se conversações entre responsáveis militares e representantes dos partidos políticos (PS incluído) para alteração do "Pacto Constitucional MFA-Partidos" e extingue-se os tribunais especiais (que serviam para condenar de forma arbitrária os oposicionistas) e decreta-se a sua proibição.

O Diário de Notícias volta a publicar-se, agora sob a direcção de Victor Cunha Rego e Mário Mesquita, isto a 19 de Dezembro, três dias depois são nomeados novos directores para os jornais estatizados e a 28 de Dezembro a Rádio Renascença é restituída à Igreja.

Em 13 de Janeiro de 1976 e após conversações entabuadas a partir de Dezembro de 1975 entre partidos e MFA, é decidido que o Presidente da República passe a ser eleito por sufrágio universal, não se retirando a clausula de que deve ser um candidato proveniente dos militares.

No dia 18 de Janeiro na cimeira da Internacional Socialista em Elsinore na Dinamarca, Mário Soares pede a solidariedade da Europa para a consolidação da democracia em Portugal, e no dia 26 de Janeiro, o Conselho de Ministros da CEE autoriza a Comissão a encetar negociações com Portugal, com vista ao alargamento e desenvolvimento do Acordo de Comércio Livre.

Nos últimos dias de Janeiro realiza-se uma reunião de sindicalistas não ligados à Intersindical, com o objectivo de lançar as base de uma nova confederação sindical, mo inicio de Fevereiro em diversos pontos do país decorre uma série de plenários de agricultores organizados pela referida CAP[desambiguação necessária], que reivindica a abolição das Leis de Reforma Agrária.

O PS propõe no VI Governo Provisório a concessão de licença de maternidade por 90 dias e esta é aprovada, no mesmo dia, em 7 de Fevereiro, os vinte e um deputados dissidentes do PPD formam uma organização política, o MSD - Movimento Social Democrata.

No dia 22 de Fevereiro e depois de ouvir o Conselho da Revolução e os partidos políticos (PS, PPD e o CDS que se pronunciam contra, pois apenas incluiu o MPLA), o Presidente da República Costa Gomes reconhece o Governo da República Popular de Angola.

É assinado o II Pacto Constitucional, no dia 26 de Fevereiro, com um novo pacto "Pacto MFA-Partidos", subscrito pelo PS, PPD, CDS e PCP.

No dia 3 de Março de 1976, Otelo Saraiva de Carvalho, é libertado e passa ao regime de residência fixa.

De 13 a 14 de Março, realiza-se uma Cimeira Socialista Internacional no Porto, sob o lema "A Europa Connosco", que contou com a presença de delegações e líderes políticos de todos os países da Europa Ocidental.

o GIS - Grupo de Intervenção Socialista, reunindo ex-militantes do MES é constituído no dia 31 de Março.

Primeiros Governos Constitucionais Socialistas[editar | editar código-fonte]

Em 2 de Abril, é aprovada a nova lei fundamental da República Portuguesa com o voto de todos os partidos representados, à excepção do Centro Democrático Social.

As primeiras eleições de 1976 para a Assembleia da República são ganhas pelo o PS com 38,4% dos votos (107 deputados), o PPD com 24,3% (73 deputados), o CDS com 16% (42 deputados) e o PCP com 14,3% (40 deputados), são os quatro partidos mais votados.

A 27 de Junho ocorrem as primeiras eleições para a Presidência da República, Ramalho Eanes (comandante operacional do 25 de Novembro), é eleito à primeira volta, com 61,5% dos votos, seguido de Otelo Saraiva de Carvalho (16,5%), Pinheiro de Azevedo (14,4%) e Octávio Pato (7,5% e único que conta com o apoio explicito de um partido o PCP).

A Assembleia da República, a 8 de Julho, aprova o seu Regimento e elege o seu 1.º presidente constitucional, Vasco da Gama Fernandes, membro histórico do PS e da oposição anti-fascista republicana.

Em 14 de Julho dá-se a tomada de posse de Ramalho Eanes como Presidente da República, sendo nomeado e de acordo com a Constituição pelo Conselho da Revolução de CEMGFA, o mesmo convida a 16 de Julho, Mário Soares a formar o I Governo Constitucional de acordo com os resultados eleitorais.

No dia 23 de Julho ocorre a tomada de posse do I Governo Constitucional, em cerimónia presidida pelo Presidente da República, no Palácio de Belém, sendo o Primeiro-Ministro Mário Soares, Secretário-Geral do PS, a 11 de Agosto consegue a aprovação do programa de Governo na Assembleia da República.

É realizado, no Pavilhão dos Desportos, em Lisboa e entre 30 de Outubro e 1 de Novembro, a I.ª Parte o II Congresso Nacional do PS, Mário Soares é reeleito secretário-geral e a lista que subscreve vence claramente as eleições para a Comissão Nacional, aderem ao partido Almeida Santos, Sousa Gomes, Rui Vilar, Manuel João da Palma Carlos e Palma Inácio, a IIª Parte do Congresso Nacional do PS, ocorre a 30 de Janeiro, e teve lugar no Liceu Garcia de Orta, no Porto.

A 13 de Dezembro de 1976 realizam-se as primeiras Eleições Autárquicas, o PS é o partido mais votado com 33% dos votos, seguido do PPD com 24%, da Coligação FEPU - Frente Eleitoral Povo Unido - (Coligação entre o PCP, o MDP/CDE e a FSP) com l7%, do CDS com 16% e os GDUP's - Grupos Dinamizadores de Unidade Popular (que inscritos em 1976, concorreram somente às eleições Autárquicas desse ano) com 2,5%.

O PS no seu I Governo Constitucional prossegue uma linha de reformas que implementam direitos sociais bem como estabelecem marcos importantes, a saber:

  • Aumento do Salário Mínimo (30 de Dezembro de 1976);
  • Colocação de 600 médicos na província, passando a haver um médico para 2000 habitantes, quando antigamente havia apenas um para 600.000, este serviço é absolutamente gratuito, estabelecendo-se assim as bases para o Serviço Nacional de Saúde (26 de Janeiro de 1977);
  • Criado o sistema público de educação pré-escolar tornando-a obrigatória e gratuita (31 de Janeiro);
  • Pedido de Adesão formal à CEE, a 28 de Março de 1976, depois de duas rondas (a 14 de Fevereiro e a 18 de Março) de visitas de Mário Soares às nove capitais dos países membros, para explicar as razões do pedido de adesão de Portugal e colher opiniões sobre o tema;
  • Escolaridade gratuita alargada para 9 anos (8 de Agosto);
  • Aprovação dos passes para transportes bonificados para estudantes (10 de Agosto);
  • Definição das atribuições das autarquias e as competências dos respectivos órgãos (25 de Outubro).

Em 6 de Dezembro, Mário Soares, apresenta ao Parlamento uma moção de confiança, que será rejeitada com os votos contra do PPD/PSD, CDS, PCP, UDP e de 5 independentes, sendo I Governo Constitucional derrubado.

Em 28 de Dezembro de 1976, Ramalho Eanes, encarrega Mário Soares de formar o próximo executivo.

No dia 19 de Janeiro de 1978 é assinado o acordo de âmbito parlamentar e de incidência governamental entre o PS e o CDS - Centro Democrático Social, tendo essa coligação formado o II Governo Constitucional que em 23 de Janeiro de 1978 toma posse, em 8 de Fevereiro inicia-se o debate parlamentar do programa do II Governo Constitucional, as moções de rejeição do PPD/PSD e do PCP apresentadas são vencidas.

Em 25 de Fevereiro o GIS - grupo Intervenção Socialista, formado por ex-militantes do Movimento de Esquerda Socialista, integra-se no PS, este grupo é integrado por militantes que mais tarde irão ter forte influência no PS, como foi o caso de Jorge Sampaio, Eduardo Ferro Rodrigues, Augusto Mateus e Alberto Martins.

Em 14 de Abril a OCDE anuncia que Portugal registou em Fevereiro a terceira taxa de inflação mais baixa de entre os seus membros.

Nas comemorações oficiais do 25 de Abril de 1978 da Assembleia da República, Ramalho Eanes profere, um discurso polémico, diante deste o Governo pondera a demissão.

A 24 de Julho o CDS denuncia o acordo com o PS, a Comissão Directiva do PS decide a não demissão do Governo, em 27 de Julho o Presidente da República exonera Mário Soares do cargo de Primeiro-Ministro e o II Governo Constitucional governo termina o seu mandato a 29 de Agosto de 1978.

O PS e os governos de iniciativa presidencial e os governos AD[editar | editar código-fonte]

Em comunicação ao País no dia 1 de Agosto de 1978, o Presidente da República, Ramalho Eanes, reforça o seu juramento de fidelidade à Constituição, rejeita a hipótese de formação de um novo governo do PS e apresenta as suas alternativas aos partidos políticos.

Tomada de posse do primeiro governo de iniciativa Presidencial, no dia 29 de Agosto, chefiado por Alfredo Nobre da Costa é constituído o III Governo Constitucional, a 7 de Setembro, o Primeiro-Ministro empossado, apresenta na Assembleia da República o programa do seu Governo, este é rejeitado, com a aprovação da moção de rejeição apresentada pelo PS que contou com os votos do CDS, da UDP e de alguns independentes e com a abstenção do PCP, no dia 14 de Setembro o que provoca a queda do III Governo Constitucional.

Em 17 de Outubro, Ramalho Eanes, em conferência de imprensa realizada em Londres, garante que "não haverá eleições antecipadas".

Forma-se a União Geral de Trabalhadores (UGT) em 28 de Outubro de 1979, organização que legitima o que as dezasseis direcções sindicais divulgam em 27 de Abril de 1976, uma "Carta Aberta" contendo uma análise da situação sindical, e é resultado da revogação em 30 de Setembro de 1976 da lei de unicidade sindical.

A 30 de Outubro, Teófilo Carvalho dos Santos, deputado do PS, é eleito presidente da Assembleia da República.

Ramalho Eanes dá posse, a 22 de Novembro de 1979 ao IV Governo Constitucional, segundo governo de iniciativa Presidencial, chefiado por Carlos Alberto da Mota Pinto, este apresenta o programa do Governo à Assembleia da República, em 12 de Dezembro, o qual é aprovado, com os votos contra do PCP, o PS absteve-se.

O secretário-geral do PS, Mário Soares, apresentada ao país o documento "Dez anos para mudar Portugal - Proposta do PS para os anos 80" no dia 15 de Dezembro.

Nos dias 27 e 28 de Janeiro de 1980, realiza-se no Porto o I Congresso da UGT,e tem o apoio expresso do PS, PPD/PSD e CDS, filia-se em 30 Novembro desse ano na Confederação Internacional dos Sindicatos Livres.

No mês de Março, de 2 a 4, realizou-se o III Congresso Nacional do PS, realizado no Pavilhão dos Desportos, em Lisboa, Mário Soares é reeleito secretário-geral e é aprovado o documento "Dez anos para mudar Portugal - Programa PS para os anos 80", no dia seguinte ao final do Congresso, Vasco da Gama Fernandes, demite-se do PS.

Dissidentes do PPD/PSD anunciam a constituição de uma associação política, denominada Acção Social Democrata Independente ou ASDI, em 12 de Abril, dentre os seus membros fazem parte os deputados António de Sousa Franco, Joaquim Magalhães Mota e Sérvulo Correia, que viraram independentes e constituem bancada própria de entre muitos outros militantes mais ou menos ilustres desse partido.

Na Assembleia da República é aprovado no dia 16 de Maio, o projecto do PS, do deputado António Arnault, relativo ao Serviço Nacional de Saúde, com os votos favoráveis do PS, PCP e UDP, a abstenção do PPD/PSD e o voto contra do CDS.

No dia 30 de Maio a Assembleia da República aprova o Orçamento Geral de Estado, com os votos favoráveis do CDS e independentes; abstenções do PS e PPD/PSD e os votos contra do PCP e UDP mas rejeita as Grandes Opções do Plano para 1979, isso provoca a demissão do Governo, que é aceite em 6 de Julho pelo Presidente da República

Toma posse o V Governo Constitucional, chefiado por Maria de Lurdes Pintasilgo no dia 1 de Agosto, o terceiro e último governo de iniciativa Presidencial que é empossado com a duração limitada de seis meses e tem no dia 18 de Agosto o seu programa de Governo aprovado pela Assembleia da República, sendo que uma moção de rejeição apresentada pelo PPD/PSD e CDS é derrotada.

No dia 11 de Setembro, o Presidente da República dissolve a Assembleia da República e marca eleições intercalares para 2 de Dezembro de 1979.

Em 1979 e contra uma frente eleitoral entre o Partido Social Democrata - PPD/PSD, o CDS - Centro Democrático Social e o Partido Popular Monárquico denominada de Aliança Democrática, e conhecida por AD, que, liderada por Francisco Sá Carneiro do Partido Social Democrata - PPD/PSD perde as eleições legislativas de 1979, ganhando esta coligação com uma minoria parlamentar, derrubada no ano seguinte.

O PS, para as eleições de 5 de Outubro de 1980, faz uma aliança eleitoral, a FRS - Frente Republicana e Socialista, com a ASDI - Acção Social Democrata Independente liderada por Sousa Franco e a UEDS - União da Esquerda para a Democracia Socialista liderada por Lopes Cardoso que perdeu contra a renovada frente eleitoral denominada e conhecida por AD que liderada por Francisco Sá Carneiro do PPD/PSD, venceram as eleições legislativas de 1980 com maioria absoluta.

Na noite de 4 de Dezembro de 1980, o primeiro-ministro de Portugal, Francisco Sá Carneiro e a comitiva que o acompanhava bem como os pilotos morreram num trágico despenhamento de avião (oficialmente tratou-se de um acidente, no entanto há muitos que defendem a tese de atentado), assume interinamente o cargo de Primeiro-Ministro Freitas do Amaral do CDS - Centro Democrático Social, a 13 de Dezembro o Conselho Nacional do PPD/PSD elege Pinto Balsemão para presidente do partido e para o desempenho do cargo de Primeiro-Ministro, tendo a 19 de Dezembro se realizado uma cimeira da AD, onde os três partidos concordam em participar activamente no futuro executivo e conceder-lhe todo o apoio no Parlamento, manifestam ainda o desejo de chegar a acordo com o PS para efectuar a revisão constitucional.

Dá-se de seguida à tomada de posse do VII Governo Constitucional, liderado por Francisco Pinto Balsemão a 9 de Janeiro de 1981.

A 10 de Agosto de 1981, Francisco Pinto Balsemão, anuncia no Conselho Nacional do PPD/PSD a intenção de se demitir do cargo de Primeiro-Ministro, por não ter condições para o seu desempenho, após desentendimentos no seio do Governo da AD, e do qual já se tinham demitido três Ministros (um do PPM e dois do PPD/PSD, assim apresenta a sua demissão.

O PS faz saber no dia 1 de Agosto ou seja antes da demissão de Francisco Pinto Balsemão, que é contrário à realização de eleições legislativas antecipadas, deste modo e a 20 de Agosto, Francisco Pinto Balsemão aceita renovada designação do Conselho Nacional do PPD/PSD para chefiar um novo executivo, isto após ter obtido garantias políticas do CDS e do PPM que pretendiam continuar com a AD.

Deste modo, a 4 de Setembro de 1981, Ramalho Eanes dá posse ao VIII Governo Constitucional que tem como primeiro-ministro Francisco Pinto Balsemão do PPD/PSD, no parlamento a 18 de Setembro é aprovado por maioria absoluta uma moção de confiança ao Governo, sendo que as moções de rejeição da FRS, PCP e MDP/CDE são derrotadas.

A Comissão Política do PS põe termo à coligação eleitoral da FRS - Frente Republicana e Socialista em 10 de Outubro.

A 9 de Janeiro de 1982, Mário Soares acusa o Governo da AD de politizar as greves ao recusar o diálogo com as organizações sindicais, deste modo a Comissão Nacional do PS decide aumentar gradualmente a oposição ao Governo.

Após se saber que haviam movimentações por parte dos círculos próximos a Ramalho Eanes da formação de um partido político presidencial, Mário Soares a 21 de Janeiro, e como uma frente de tipo união nacional, que de facto só veio a ocorrer em 24 de Fevereiro de 1985 em Tróia, no Encontro Nacional do ex-"CNARPE" ou "Comissão Nacional de Apoio à Recandidatura do Presidente Eanes" que se transforma no acto da fundação do PRD - Partido Renovador Democrático.

A 28 de Janeiro o PS e o PCP apresentam na Assembleia da República uma proposta de impugnação da proposta governamental que pretende atribuir um canal de televisão à Igreja católica.

Retorno ao governo em Bloco Central[editar | editar código-fonte]

Após a audição do Conselho de Estado, três dias antes e que se mostrou desfavorável à demissão do Governo, Ramalho Eanes decide em 23 de Janeiro de 1983 dissolver a Assembleia da República e convocar eleições gerais antecipadas.

Nas eleições legislativas de 1983, realizadas a 25 de Abril, o PS conquista a maioria simples (36%), à frente do PSD (27,2%).

No dia seguinte realiza-se dentro do PS um referendo junto dos seus militantes recenseados, estes inclinam-se claramente para uma coligação com o Partido Social Democrata - PPD/PSD, em 7 de Maio e em reunião da Comissão Nacional do PS, Mário Soares é mandatado para enviar uma carta a Mota Pinto, propondo "um acordo político, parlamentar e governamental de legislatura" a celebrar entre o PS e o PSD, sendo que a 9 de Maio o Partido Social Democrata - PPD/PSD aceita abrir negociações com o PS tendo em vista a formação de um Governo de coligação.

Em 27 de Maio Mário Soares é convidado e aceita a indigitação para formar o IX Governo Constitucional e Manuel Tito de Morais, do PS, é eleito Presidente da Assembleia da República, a 4 e Junho ambos os partidos assinam o acordo político, parlamentar e de Governo, que toma posse a 9 de Junho como o IX Governo Constitucional sendo chefiado por Mário Soares, no chamado Bloco Central, governo esse que preparou a entrada de Portugal na CEE.

Depois de 19 de Maio de 1985 e do XII Congresso do Partido Social Democrata - PPD/PSD, na Figueira da Foz, ter eleito Cavaco Silva e de em 4 de Junho a direcção do Partido Social Democrata - PPD/PSD informar a direcção do PS da sua intenção de romper a coligação governamental, decisão essa que é também comunicada à Presidência da República a 13 de Junho de 1985 os treze membros do IX Governo Constitucional filiados no Partido Social Democrata - PPD/PSD apresentam a sua demissão, consumando a ruptura do Bloco central, o Primeiro-Ministro, Mário Soares, é recebido pelo Presidente da República, Ramalho Eanes e dirige uma comunicação ao país anunciando a sua demissão.

Cavaquismo, Oposição e Presidência Soares[editar | editar código-fonte]

Em 1985 o Bloco Central desfaz-se e o PS, na altura liderado interinamente por Almeida Santos e depois da demissão de Mário Soares de Secretário-Geral do PS, perde as eleições legislativas de 1985 contra Cavaco Silva do Partido Social Democrata - PPD/PSD que vence as eleições, com 29,8% dos votos, seguido do PS com 20,8%, Cavaco Silva declara-se assim disposto a formar Governo que é empossado em 6 de Novembro de 1985 com uma bancada minoritária.

Em 13 de Novembro de 1985, Mário Soares, auto-suspende-se do cargo de secretário-geral do PS, sendo substituído, interinamente, por António Macedo, a 14 de Novembro este apresenta a sua candidatura à Presidência da República.

No VI Congresso Nacional do PS, realizado entre 27 e 29 de Junho de 1986, é eleito Secretário-Geral do PS o economista, Vitor Constâncio, que ganha o confronto com Jaime Gama. No mesmo ano, Mário Soares torna-se o primeiro Presidente da República civil, partidário, inequivocamente de esquerda, e do PS.

Em 1987 uma moção de censura apresentada pelo Partido Renovador Democrático e com os votos a favor também do PS, derruba o governo com apoio minoritário parlamentar de Cavaco Silva do Partido Social Democrata - PPD/PSD, que volta a vencer as eleições legislativas de 1987 contra Vítor Constâncio com maioria absoluta dos deputados da Assembleia da República.

Em 1989, e após a demissão de Vitor Constâncio em 6 de Novembro de 1988 de Secretário-Geral do PS[4] o presidente do Grupo Parlamentar do Partido Socialista entre 1986 e 1987, Jorge Sampaio, foi eleito Secretário-Geral do partido no Congresso seguinte realizado em 1989, um posto que deteve até 1991, nesse ano de 1989, Jorge Sampaio candidata-se e foi eleito presidente da Câmara Municipal de Lisboa, tendo sido reeleito em 1993.

Nas eleições legislativas de 1991, agora com Jorge Sampaio na liderança e candidato a Primeiro-Ministro (com mandato em suspenso na Câmara Municipal de Lisboa, Cavaco Silva do Partido Social Democrata - PPD/PSD volta a vencer as eleições com maioria absoluta. Para contrabalançar ainda mais o sucesso do PSD vitorioso nas legislativas para além da vitória da esquerda unida em Lisboa, o Socialista Soares foi reeleito no mesmo ano de 1991 (curiosamente apoiado também pelo PSD de Cavaco Silva e tendo como único rival à direita o Democrata-Cristão, e futuro deputado independente dentro das listas do PS de 2011).

Governos Guterres e Presidências de Sampaio[editar | editar código-fonte]

Nas 1995 o PS, então liderado pelo engenheiro António Guterres, e depois da não recandidatura de Cavaco Silva do Partido Social Democrata - PPD/PSD ao cargo de Primeiro-Ministro e defrontando Fernando Nogueira como candidato do Partido Social Democrata - PPD/PSD vence com maioria relativa feito esse que volta a acontecer em 1999.

Em 1996, concorrendo contra o ex-Primeiro Ministro Cavaco Silva (com a sua popularidade então declinando desde o final do seu mandato), o Socialista Jorge Sampaio foi eleito Presidente da República Portuguesa, fazendo com que novamente a Presidência Portuguesa seja "posse" do PS. Sampaio é reeleito, contra o Social Democrata Ferreira do Amaral, em 2001. Assim, o PS manteve a presidência num período consecutivo de Fevereiro de 1986 a Março de 2006, tendo os dois cumprido dois mandatos de 5 anos cada um, num total de 20 anos seguidos. Com os dois mandatos de Guterres, o último ano do mandato de Soares e os dois mandatos de Sampaio, de facto o PS conseguiu ter um governo, uma maioria (relativa) e um presidente entre 1995 e 2002.

Coligação PSD-CDS, oposição e regresso ao poder[editar | editar código-fonte]

As eleições de 2002, subsequentes à renúncia de António Guterres ao cargo de Primeiro-Ministro, em 2001, dão a vitória ao Partido Social Democrata - PPD/PSD, que faz uma coligação pós-eleitoral com o CDS - Partido Popular (vinte anos depois de o terem efectuado) essa coligação é denominada de Coligação Democrática.

No Verão de 2004 Durão Barroso foi presidir à Comissão Europeia, tendo o Presidente da República nomeado um novo governo PSD/CDS-PP liderado por Santana Lopes. O novo governo gozou de fraca popularidade e, após quatro meses, o Presidente da República dissolveu a Assembleia que apoiava em maioria o governo. Novas eleições foram convocadas para Fevereiro de 2005..

Depois de uma grave crise económica e de falta de liderança no governo e no PSD, as eleições de 2005 dão vitória ao PS liderado, por José Sócrates, com ampla maioria absoluta, sendo a primeira do PS desde a 25 de Abril. Volta a vencer as eleições legislativas de 2009, mas desta vez sem maioria absoluta. Quando o PEC IV é chumbado na Assembleia da República, o Governo de José Sócrates demite-se.

Retorno à oposição e novo governo PSD-CDS[editar | editar código-fonte]

Depois disso são convocadas eleições legislativas em 5 de Julho de 2011, que acabarão por ser vencidas pelo PSD de Pedro Passos Coelho.

Organização, Estrutura e Organizações[editar | editar código-fonte]

A organização de jovens do Partido Socialista português chama-se Juventude Socialista e detêm uma organização própria e representantes de forma transversal nos vários órgãos, locais, federativos e nacionais do Partido.

O PS tem uma organização interna, em que se organizam as militantes mulheres, o Departamento Nacional das Mulheres Socialistas e detêm uma organização própria e representantes em vários órgãos federativos e nacionais do Partido.

Os trabalhadores socialistas organizados em estruturas de acção sectorial organizam-se na Tendência Sindical Socialista, que é um organismo autónomo representativo de todos os trabalhadores sindicalizados e filiados no PS, a mesma detêm forte influência na UGT - União Geral de Trabalhadores esta estrutura é obrigatoriamente ouvida pelos órgãos directivos do Partido, e o seu coordenador é convocado para as reuniões do Secretariado Nacional, sempre que estiver em causa a definição das políticas a prosseguir pelo Partido nas áreas laboral, económica e social.

Os Autarcas do PS também têm uma organização de Autarcas denominada Associação Nacional dos Autarcas Socialistas, que detêm uma organização própria e representantes em vários órgãos nacionais do Partido.

Historial de cargos dentro do PS[editar | editar código-fonte]

Secretários-Gerais[editar | editar código-fonte]

Presidentes[editar | editar código-fonte]

Líderes parlamentares[editar | editar código-fonte]

Militantes eleitos para altos cargos do Estado[editar | editar código-fonte]

Primeiros-Ministros[editar | editar código-fonte]

Presidentes da República[editar | editar código-fonte]

Relações Internacionais[editar | editar código-fonte]

O PS é membro da Internacional Socialista, desde a sua fundação em 1973[5] , sendo Mário Soares um dos seus Presidentes Honorários[6] , é também filiado no Partido Socialista Europeu[7] e membro Grupo Parlamentar da Aliança Progressista dos Socialistas & Democratas no Parlamento Europeu (antigo Grupo Parlamentar do Partido Socialista Europeu)[8] .


Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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