António Ramalho Eanes

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António Ramalho Eanes
António Ramalho Eanes
16.º Presidente de  Portugal
Mandato 14 de julho de 1976 - 9 de março de 1986
Antecessor(a) Francisco da Costa Gomes
Sucessor(a) Mário Soares
Vida
Nome completo António dos Santos Ramalho Eanes
Nascimento 25 de Janeiro de 1935 (79 anos)
Alcains, Portugal
Dados pessoais
Primeira-dama Maria Manuela Portugal Eanes
Partido Nenhum, depois Partido Renovador Democrático
Profissão militar

António dos Santos Ramalho Eanes GColTECvAGCL (Castelo Branco, Alcains, 25 de Janeiro de 1935) é um oficial militar e ex-político português. Grande figura de destaque no Golpe de 25 de Novembro de 1975, foi o 16.º presidente da República assim como, o primeiro democraticamente eleito após a revolução de 1974.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Ramalho Eanes nasceu em Alcains, concelho de Castelo Branco numa família humilde. Filho de Manuel dos Santos Eanes, empreiteiro, e de sua mulher Maria do Rosário Ramalho, e irmão de João dos Santos Ramalho Eanes. A formação tem início em 1942, quando entra para o Liceu de Castelo Branco.

Segue a carreira das armas entrando para o exército em 1952, estudando tácticas militares (Escola do Exército, de 1952 a 1956; Estágio CIOE-Curso de Instrução de Operações Especiais, em 1962; instrutor de Acção Psicológica no Instituto de Altos Estudos Militares, em 1962). Frequenta, ainda, o Instituto Superior de Psicologia Aplicada, durante três anos.

No exército, Ramalho Eanes segue a Arma de Infantaria. Serve na Guerra Colonial onde combateu na Índia Portuguesa, Macau, Moçambique, Guiné-Bissau e Angola.

A 19 de Janeiro de 1972 foi feito Cavaleiro da Ordem Militar de Avis.[1]

Depois de demorada carreira de combatente, Eanes encontrava-se ainda em serviço em Angola aquando da revolução de 25 de Abril. Aderiu ao Movimento das Forças Armadas e, regressado a Portugal, foi director de programas e nomeado presidente do conselho de administração da RTP, até março de 1975.

Ramalho Eanes, em visita de Estado aos Estados Unidos, acompanhado de George Schultz (à direita) e Manuela Eanes (à esquerda).

Em 1975, então com a patente de Tenente-Coronel, dirigiu as operações militares do Golpe de 25 de Novembro desse mesmo ano, contra a facção mais radical da esquerda política do MFA. Em resultado disso em 1976 foi eleito Presidente da República, sendo reeleito em finais de 1980.

Com o fim do segundo mandato como presidente da república, em Fevereiro de 1986, assume pouco depois a presidência do Partido Renovador Democrático, demitindo-se desse cargo em 1987.

Foi condecorado com o Grande-Colar da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito a 9 de Março de 1986.[2]

Nomeado General de quatro estrelas em 24 de Maio de 1978, passou à reserva, por sua iniciativa, em Março de 1986. Em 2000, Ramalho Eanes recusou, por razões ético-políticas, a promoção a Marechal[3] . É, actualmente, Conselheiro de Estado e presidente do Conselho de Curadores do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa.

É casado com Maria Manuela Duarte Neto de Portugal Eanes.

A 25 de Abril de 2004 (30.º aniversário da Revolução) foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.[4]

Em 15 de Novembro de 2006, Eanes apresentou na Universidade de Navarra, Espanha, a sua tese de doutoramento. A investigação desenvolvida ao longo de dez anos por Eanes teve como título "Sociedade civil e poder político em Portugal", com duas mil páginas, e foi defendida perante um júri composto por três catedráticos espanhóis e dois portugueses.

Eanes foi também o primeiro Chefe de Estado que ao deixar a Belém iniciou um trabalho de investigação científica conducente à obtenção do grau de doutor. Uma iniciativa pioneira, a nível nacional, desconhecendo-se inclusive casos idênticos na Europa.

Dia 11 de Outubro de 2010 recebeu o Doutoramento Honoris Causa pela Universidade de Lisboa aquando das comemorações do centenário da mesma, coincidindo com as comemorações do centenário da República Portuguesa (5 de Outubro).

Ramalho Eanes foi o primeiro Presidente da República eleito, logo a seguir ao 25 de Abril, tendo cumprido dois mandatos, entre 1976 e 1986.

Em 2008 é noticiado que o General Ramalho Eanes não aceita receber os retroactivos de cerca de um milhão de euros. Para ler as noticias é consultar as referências externas 1 a 5.

Resultados eleitorais[editar | editar código-fonte]

Eleições presidenciais de 27 de Junho de 1976[editar | editar código-fonte]

Candidato votos  %
Ramalho Eanes 2.967.137
61,59%
Otelo Saraiva de Carvalho 792.760
16,46%
Pinheiro de Azevedo 692.147
14,37%
Octávio Pato 365.586
7,59%

Eleições presidenciais de 7 de Dezembro de 1980[editar | editar código-fonte]

Candidato votos  %
Ramalho Eanes 3.262.520
56,44%
Soares Carneiro 2.325.481
40,23%
Otelo Saraiva de Carvalho 85 896
1,49%
Galvão de Melo 48.468
0,84%
Pires Veloso 45.132
0,78%
Aires Rodrigues 12.745
0,22%
Carlos Brito desistiu --

Condecorações[5] [editar | editar código-fonte]

Referências

  • Redacção Quidnovi, com coordenação de José Hermano Saraiva, História de Portugal, Dicionário de Personalidades, Volume XIV, , Ed. QN-Edição e Conteúdos,S.A., 2004

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Precedido por
Francisco da Costa Gomes
Presidente de Portugal
1976 - 1986
Sucedido por
Mário Soares