António Ramalho Eanes

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António Ramalho Eanes
16presidente de Portugal Portugal
Período 14 de julho de 1976
a 9 de março de 1986
Antecessor(a) Francisco da Costa Gomes
Sucessor(a) Mário Soares
Presidente do Conselho da Revolução
Período 14 de julho de 1976
a 30 de setembro de 1982
Vida
Nome completo António dos Santos Ramalho Eanes
Dados pessoais
Primeira-dama Manuela Ramalho Eanes
Partido Nenhum, depois Partido Renovador Democrático
Profissão militar

António dos Santos Ramalho Eanes GColTEGCLCvA (Alcains, Castelo Branco, 25 de Janeiro de 1935) é um oficial militar e ex-político português. Grande figura de destaque no Golpe de 25 de Novembro de 1975, foi o 16.º presidente da República assim como, o primeiro democraticamente eleito após a revolução de 1974.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Ramalho Eanes nasceu em Alcains, concelho de Castelo Branco numa família humilde. Filho de Manuel dos Santos Eanes, empreiteiro, e de sua mulher Maria do Rosário Ramalho, e irmão de João dos Santos Ramalho Eanes. A formação tem início em 1942, quando entra para o Liceu de Castelo Branco.

Segue a carreira das armas entrando para o Exército em 1952, estudando tácticas militares (Escola do Exército, de 1952 a 1956; Estágio CIOE-Curso de Instrução de Operações Especiais, em 1962; instrutor de Acção Psicológica no Instituto de Altos Estudos Militares, em 1962). Frequenta, ainda, o Instituto Superior de Psicologia Aplicada, durante três anos.

No exército, Ramalho Eanes segue a Arma de Infantaria. Serve na Guerra Colonial onde combateu na Índia Portuguesa, Macau, Moçambique, Guiné-Bissau e Angola.

Depois de demorada carreira de combatente, Eanes encontrava-se ainda em serviço em Angola aquando da revolução de 25 de Abril. Aderiu ao Movimento das Forças Armadas e, regressado a Portugal, foi director de programas e nomeado presidente do conselho de administração da RTP, até março de 1975.

Ramalho Eanes, em visita de Estado aos Estados Unidos, acompanhado de George Shultz (à direita) e Manuela Eanes (à esquerda).

Em 1975, então com a patente de Tenente-Coronel, dirigiu as operações militares do Golpe de 25 de Novembro desse mesmo ano, contra a facção mais radical da esquerda política do MFA.

Já como General do Exército, foi o 10.º Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas de Portugal de 14 de Julho de 1976 a 16 de Fevereiro de 1981.

Em 1976 foi eleito Presidente da República, sendo reeleito em finais de 1980. Foi o primeiro Presidente da República eleito, logo a seguir ao 25 de Abril, tendo cumprido dois mandatos, entre 1976 e 1986.

Com o fim do segundo mandato, em Fevereiro de 1986, assume pouco depois a presidência do Partido Renovador Democrático, vindo a demitir-se desse cargo em 1987.

Nomeado General de quatro estrelas em 24 de Maio de 1978, passou à reserva, por sua iniciativa, em Março de 1986. Em 2000, Ramalho Eanes recusou, por razões de princípio[1] , a promoção a Marechal.

Ramalho Eanes é, actualmente, membro do Conselho de Estado e presidente do Conselho de Curadores do ISCTE - Instituto Universitário de Lisboa.

É casado com Manuela Eanes. O casamento teve lugar em Lisboa, no Palácio de Queluz, a 28 de Outubro de 1970 e o casal teve dois filhos: Manuel António Neto de Portugal Ramalho Eanes, nascido a 5 de Maio de 1972, casado e pai de Joana; e Miguel Neto de Portugal Ramalho Eanes, nascido a 20 de Outubro de 1977, casado em Julho de 2006 com Sílvia Romeiro, sem geração.

Em 15 de Novembro de 2006, Eanes apresentou na Universidade de Navarra, Espanha, a sua tese de doutoramento. A investigação desenvolvida ao longo de dez anos por Eanes teve como título "Sociedade civil e poder político em Portugal", com duas mil páginas, e foi defendida perante um júri composto por três catedráticos espanhóis e dois portugueses.

Eanes foi também o primeiro Chefe de Estado que ao deixar a Belém iniciou um trabalho de investigação científica conducente à obtenção do grau de doutor. Uma iniciativa pioneira, a nível nacional, desconhecendo-se inclusive casos idênticos na Europa.

Em 2008 é noticiado que o General Ramalho Eanes não aceita receber os retroactivos de cerca de um milhão de euros.[2] [3]

Dia 11 de Outubro de 2010 recebeu o Doutoramento Honoris causa pela Universidade de Lisboa aquando das comemorações do centenário da mesma, coincidindo com as comemorações do centenário da República Portuguesa (5 de Outubro).

Resultados eleitorais[editar | editar código-fonte]

Eleições presidenciais de 27 de Junho de 1976[editar | editar código-fonte]

Candidato votos  %
Ramalho Eanes 2 967 137
61,59%
Otelo Saraiva de Carvalho 792 760
16,46%
Pinheiro de Azevedo 692 147
14,37%
Octávio Pato 365 586
7,59%

Eleições presidenciais de 7 de Dezembro de 1980[editar | editar código-fonte]

Candidato votos  %
Ramalho Eanes 3 262 520
56,44%
Soares Carneiro 2 325 481
40,23%
Otelo Saraiva de Carvalho 85 896
1,49%
Galvão de Melo 48 468
0,84%
Pires Veloso 45 132
0,78%
Aires Rodrigues 12 745
0,22%
Carlos Brito desistiu --

Condecorações[editar | editar código-fonte]

Ordens nacionais:[4]

Ordens estrangeiras:[5]

Referências

  1. Ramalho Eanes rejeita promoção a marechal Semanário Expresso (18-11-2000). Visitado em 2014-05-18. Cópia arquivada em 10 de Agosto de 2004.
  2. Susete Francisco (19-04-2008). PS 'repõe' pensão de Ramalho Eanes Diário de Notícias. Visitado em 2014-05-18. Cópia arquivada em 2014-05-18.
  3. SPP (2008-09-13). Eanes prescinde de um milhão de euros TVI24. Visitado em 2014-05-18. Cópia arquivada em 2013-12-13.
  4. Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Portuguesas Presidência da República Portuguesa. Visitado em 2014-05-18. "Resultado da busca de "António Ramalho Eanes"."
  5. Cidadãos Nacionais Agraciados com Ordens Estrangeiras Presidência da República Portuguesa. Visitado em 2014-05-18. "Resultado da busca de "António Ramalho Eanes"."
  • Redacção Quidnovi, com coordenação de José Hermano Saraiva, História de Portugal, Dicionário de Personalidades, Volume XIV, , Ed. QN-Edição e Conteúdos, S. A., 2004

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Precedido por
Francisco da Costa Gomes
Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas
14 de Julho de 1976 – 16 de Fevereiro de 1981
Sucedido por
Nuno Viriato Tavares de Melo Egídio


Precedido por
Francisco da Costa Gomes
Presidente de Portugal
1976 - 1986
Sucedido por
Mário Soares
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