António José de Almeida

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António José de Almeida
GCTEGCCGCAGCSE
6.º Presidente de Portugal Portugal
Mandato 5 de Outubro de 1919 até
5 de Outubro de 1923
Antecessor(a) João do Canto e Castro
Sucessor(a) Manuel Teixeira Gomes
Ministro do Interior de  Portugal
Mandato 5 de outubro de 1910
a 3 de setembro de 1911
Primeiro-ministro Teófilo Braga
Antecessor(a) António Teixeira de Sousa
(como Ministro do Reino)
Sucessor(a) João Chagas
Vida
Nascimento 17 de Julho de 1866
Vale da Vinha, São Pedro de Alva, Penacova, Reino de Portugal Portugal
Morte 31 de Outubro de 1929 (63 anos)
Lisboa,  Portugal
Dados pessoais
Primeira-dama Maria Joana Perdigão
Queiroga de Almeida
Partido Partido Evolucionista, depois
Liberal Republicano
Profissão Médico
Estátua de António José de Almeida, na praça homónima, em Lisboa.

António José de Almeida GCTEGCCGCAGCSE (Penacova, São Pedro de Alva, Vale da Vinha, 17 de Julho de 1866Lisboa, 31 de Outubro de 1929) foi um político republicano português, sexto presidente da República Portuguesa, cargo que exerceu de 5 de Outubro de 1919 a 5 de Outubro de 1923. Foi o único presidente da Primeira República Portuguesa a cumprir integralmente e sem interrupções o seu mandato de 4 anos, tendo com ele Portugal retornado a uma presidência civil1 . A data do seu nascimento é feriado municipal em Penacova.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Vida pessoal e formação[editar | editar código-fonte]

António José de Almeida nasceu em Vale da Vinha, uma aldeia da freguesia de São Pedro de Alva do concelho de Penacova2 , filho de José António de Almeida e de sua mulher Maria Rita das Neves. Foi baptizado na Igreja Paroquial de São Pedro de Farinha Podre, hoje São Pedro de Alva, a 3 de Setembro de 18663 . Oriundo de uma família modesta, o seu pai afirmou-se como pequeno industrial e comerciante local, chegando, no final do século XIX, a ocupar a presidência da Câmara Municipal de Penacova4 .

Depois de ter frequentado o ensino primário em São Pedro de Alva, em 1880, com 14 anos de idade, matriculou-se no Liceu Central de Coimbra e, em 1889-1890, inscreve-se no curso de Medicina da Universidade de Coimbra, que completou em seis anos.

Era ainda aluno de Medicina na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, quando publicou no jornal académico Ultimatum um artigo que ficou célebre, intitulado Bragança, o último, que foi considerado insultuoso para o rei D. Carlos.2 Apesar de ter sido defendido por Manuel de Arriaga, acabou condenado a três meses de prisão.2 .

Faleceu em Lisboa, no dia 3 de Outubro de 1929.2

António José de Almeida foi casado com Maria Joana Perdigão Queiroga de Almeida (Redondo, 9 de Março de 1885 - 27 de Junho de 1965), com quem teve uma filha (Maria Teresa). Maria Teresa teve três filhos: António José D'Almeida de Abreu, Maria Manuela D'Almeida de Abreu, Maria Teresa D'Almeida de Abreu. Nenhum dos filhos optou pela carreira política, seguindo carreira médica. António José e Maria Teresa residem em Portugal, Lisboa. Maria Manuela e seus filhos residem no Brasil, Rio de Janeiro. Maria Manuela teve três filhos: Pedro de Almeida de Abreu Elvas, Filipe de Almeida de Abreu Elvas e Carolina de Almeida de Abreu Elvas.

Carreira profissional e política[editar | editar código-fonte]

Um dos mais populares dirigentes do Partido Republicano, desde muito novo manifestou ideias republicanas.2

Depois de terminar o curso, em 1895, foi para Angola e posteriormente estabeleceu-se em São Tomé e Príncipe, onde exerceu medicina até 1904.2 Regressou a Lisboa nesse ano2 , e depois foi para França onde estagiou em várias clínicas, regressando no ano seguinte. Montou consultório, primeiro na Rua do Ouro, depois no Largo de Camões, entrando então na política republicana.2

Foi candidato do Partido Republicano em 1905 e 1906, sendo eleito deputado nas segundas eleições realizadas neste ano, em Agosto. Em 1906, em plena Câmara dos Deputados, equilibrando-se em cima duma das carteiras, pede aos soldados, chamados a expulsar os deputados republicanos do Parlamento, a proclamação imediata da república. No ano seguinte adere à Maçonaria.

Os seus discursos eloquentes e inflamados fizeram dele um orador muito popular nos comícios republicanos2 foi preso por ocasião da tentativa revolucionária de Janeiro de 19082 , dias antes do assassinato do rei D. Carlos e do príncipe Luís Filipe. Posto em liberdade, voltou a embrenhar-se na política2 , sobretudo enquanto director do jornal Alma Nacional. Destacou-se também como diretor do jornal República5 (1911-1999).

Após a Proclamação da República Portuguesa, foi nomeado Ministro do Interior do Governo Provisório; exerceu, posteriormente, várias vezes as funções de ministro e deputado, tendo fundado em Fevereiro de 1912 o partido Evolucionista, que dirigirá, partido republicano moderado organizado em torno do diário República, que tinha criado em Janeiro de 1911, e que também dirigia.2 Nesse periódico, opôs-se aos outros partidos, especialmente ao Partido Democrático de Afonso Costa, contra o qual escreveu um célebre artigo2 ; no entanto, aliou-se a Afonso Costa no governo da União Sagrada, em Março de 1916, ministério de que foi presidente.

A 10 de Julho de 1919 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito.6

Em 6 de Agosto de 1919 foi eleito presidente da República e exerceu o cargo até 5 de Outubro de 1923, sendo o único presidente que até 1926 ocupou o cargo até ao fim do mandato.2 Realizou uma visita oficial ao Brasil2 , para participar no centenário da independência da antiga colónia portuguesa.

A 16 de Outubro de 1919 foi agraciado com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Cristo, da Ordem Militar de Avis e da Ordem Militar de Sant'Iago da Espada.7

Durante o seu mandato deu-se o levantamento radical que desembocou na Noite sangrenta de 19 de Outubro de 1921, em que foram assassinados, por opositores republicanos, o chefe do governo da altura, António Granjo, assim como Machado Santos e José Carlos da Maia. Nomeou 16 governos durante o seu mandato. Viveu de forma clandestina, durante o governo de Sidónio Pais.8

Em 1929 foi eleito 12.º Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano Unido mas não chegou a tomar posse por entretanto ter falecido.9

Homenagens[editar | editar código-fonte]

Uma estátua sua foi erguida pelos seus admiradores e amigos em Lisboa8 , de autoria do escultor Leopoldo de Almeida e do arquitecto Pardal Monteiro, e reuniram os seus principais artigos e discursos em três volumes, intitulados Quarenta anos de vida literária e política8 , obra publicada em 1934.

A Câmara Municipal de Lagos decidiu, numa sessão realizada no dia 12 de Dezembro de 1929, colocar o nome de António José de Almeida num arruamento da Freguesia de São Sebastião.8

Uma estátua sua foi também erguida no Largo António José de Almeida, em São Pedro de Alva (sede da freguesia natal), Penacova, onde consta uma lápide com uma pequena biografia. Na sua aldeia de nascimento, o largo e a rua em frente à sua casa tem o nome de Dr. António José de Almeida.

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • FERRO, Silvestre Marchão. Vultos na Toponímia de Lagos. Lagos: Câmara Municipal de Lagos, 2002. 358 p. ISBN 972-8773-00-5

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre António José de Almeida
Precedido por
Anselmo de Andrade
(como Ministro da Fazenda)
Ministro do Interior de Portugal
19101911
(Governo Provisório)
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João Chagas
Precedido por
Afonso Costa
Presidente do Ministério de Portugal
1916
(XIII Governo Republicano)
Sucedido por
Afonso Costa
(interino)
Precedido por
Alfredo Rodrigues Gaspar
Ministro das Colónias de Portugal
1916
(XIII Governo Republicano)
Sucedido por
Afonso Costa
(interino)
Precedido por
Afonso Costa
Ministro das Finanças de Portugal
(interino)
1916
(XIII Governo Republicano)
Sucedido por
Afonso Costa
Precedido por
Brás Mousinho de Albuquerque
Ministro do Interior de Portugal
(interino)
1916
(XIII Governo Republicano)
Sucedido por
Brás Mousinho de Albuquerque
Precedido por
Joaquim Pedro Martins
Ministro da Instrução Pública de Portugal
(interino)
1916
(XIII Governo Republicano)
Sucedido por
Joaquim Pedro Martins
Precedido por
Afonso Costa
(interino)
Presidente do Ministério de Portugal
(cont.)
19161917
(XIII Governo Republicano)
Sucedido por
Afonso Costa
Precedido por
Afonso Costa
(interino)
Ministro das Colónias de Portugal
(cont.)
1916
(XIII Governo Republicano)
Sucedido por
Ernesto de Vilhena
Precedido por
Afonso Costa
Ministro das Finanças de Portugal
(interino)
1916
(XIII Governo Republicano)
Sucedido por
Afonso Costa