Álvaro Vaz de Almada

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Álvaro Vaz de Almada
Conde de Abranches
Conde de Abranches
Condado 4 de Agosto de 1445 a 20 de Maio de 1449
Sucessor D. Fernando de Almada
Cônjuge Isabel da Cunha
Catarina de Castro
Descendência
João de Abranches
Isabel da Cunha
Leonor da Cunha
Violante da Cunha
Brites da Cunha
Fernando de Almada
Pai João Vaz de Almada
Mãe Joana Anes
Nascimento 1390
Reino de Portugal
Morte 20 de maio de 1449 (59 anos)
Alverca do Ribatejo
Religião Católico
Brasão

Dom Álvaro Vaz de Almada ou Álvaro Vasques de Almada KG (1390 - 20 de Maio de 1449), foi o primeiro conde de Abranches (no original francês Avranches, mas, sempre dito Abranches em Portugal, nomeadamente na carta de reconhecimento do título. Ainda assim é possível encontrá-lo em escritos antigos como Davarans1 ou Abranxes e até no estrangeiro como Branches, sem o A inicial.)

Foi dos únicos estrangeiros que não da realeza a ser agraciado cavaleiro da Ordem da Jarreteira, a mais nobre ordem da Inglaterra2 . É considerado o último a usar o título medieval de Rico-Homem em Portugal e foi nomeado Capitão-mor do Reino e do Mar assim como, em 5 de Abril de 1440, exerceu o de Alcaide-mor da capital, Lisboa3 .

Índice

Biografia [editar]

Era filho de João Vaz de Almada e de sua mulher Joana Anes. Os Almadas não eram de sangue nobre, mas descendente de uma família de comerciantes que fez sua fortuna no comércio exterior4 . A família residia principalmente em Lisboa e Algés. Álvaro tinha um irmão mais novo chamado Pedro Vaz de Almada e dois meio-irmãos, nascidos fora do casamento, por uma mãe desconhecida: João Vaz de Almada, 1 º Senhor de Pereira (nascido c.1400) e Brites de Almada.

Em uma idade precoce, Álvaro acompanhou seu pai ao Reino da Inglaterra. Ambos disseram ter lutado na Guerra dos Cem Anos e construiu um relacionamento com o rei Henrique V de Inglaterra, antes de retornar a Portugal no início de 1415.

Em 4 de Julho de 1436, o rei D. Duarte tinha enviado uma missiva a ele, D. Álvaro capitão-mor e enquanto Couteiro-mor do termo Lisboa, limitando-lhe o número de couteiros de perdizes em Lisboa em seis5 .

Em 23 de Julho de 1437 partiu na desastrosa expedição de Tânger e aí, juntamente com Vasco Coutinho, cobriu depois a retirada que os portugueses se viram forçados, para que todos que estavam com ele pudessem embarcar salvos6 .

Pela mão de Henrique IV da Inglaterra recebeu o título de conde de Avranches (Earl of Avranches), título que lhe foi oferecido por carta de 4 de Agosto de 1445, pelo seu nobre comportamento generalizado e pela sua actuação exemplar na corte do mesmo e na guerra contra França, na Guerra dos Cem Anos, que essa dinastia lutava pela posse das terras quais se achava no direito, nomeadamente da Normandia, das quais Avranches fazia parte7 . Julga-se que já antes, em 1415, tinha participado na batalha de Azincourt desse lado8 .

Pode-se dizer que ele «encarnou» completamente o espírito de cavalaria medieval, que se ainda vivia na época no Ocidente e não só, e através da sua vida podemos ver o muito que ela continha. Isso na forma de pensar, pelo que se debateu e como agiu nas várias circunstâncias, e como os outros reagiram.

Segundo o mito, foi um dos Doze de Inglaterra que ganharam em torneio os cavaleiros britânicos que tinha ofendido as respectivas doze damas inglesas que tinham sido ultrajadas pelos segundos.

Brasão de D. Álvaro Vaz de Almada (nº162) no tecto do Galeria de St. George no Palácio de Windsor.

É reconhecido, nas antigas descrições e pelos historiadores, que terá sido o maior amigo do Infante D. Pedro e que o acompanhou a várias cortes estrangeiras. Assim como, tudo faz indicar que terão lá combatido juntos, contra "os turcos", auxiliando o imperador Segismundo da Hungria9 , na defesa das fronteiras da Europa e contribuindo fortemente com para que se fizessem várias alianças com o seu país, o reino de Portugal.

Sempre fiel a ele, ao infante, já em Portugal e passados vários anos, em 1449, quando este já não pode mais suportar as afrontas que lhe eram dirigidas pela sua regência por parte dos seu rivais sediados na corte em Lisboa que o tinham difamada e posto o rei contra ele, e querendo demonstrar a retidão do seu procedimento, acompanhou-o quando decidiu sair de Coimbra para os confrontar. Depararam-se, no caminho, com as tropas de D. Afonso V, tendo se registrado a luta em Alfarrobeira, próximo de Vila Franca de Xira. Vindo ambos a perecer precisamente nessa Batalha de Alfarrobeira.

Segundo conta a crónica, morre heroicamente com um brado da sua boca sabendo da sua "sorte" e que não podia fugir a ela para não cair em desonra, por ter feito um pacto de sangue com o seu "príncipe" e maior amigo antes dela começar, que desde então ficou célebre: "é fartar ... fartar .. vilanagem".

Casamentos e descendência [editar]

Foi casado, em primeiras núpcias, com Isabel da Cunha, filha de D. Álvaro da Cunha (senhor de Pombeiro da Beira) e de Beatriz Martins de Mello. Dessa união nasceram:

  • D. João de Abranches (1420) casado com D. Mécia da Cunha.
  • D. Isabel da Cunha casada com Álvaro Pessanha.
  • D. Leonor da Cunha
  • D. Violante da Cunha (1430) casada com Fernão Martins de Mascarenhas (capitão de ginetes de D. João II), 1º senhor de Lavre e Estepa.
  • D. Brites da Cunha

Em segundas núpcias, casou-se com D. Catarina de Castro, filha de D. Isabel de Ataíde e de D. Fernando de Castro, (senhor do Paul de Boquilobo e da quinta da Penha Verde em São Martinho (Sintra), filho de D. Pedro de Castro conde de Arraiolos10 ]). Dessa 2.ª união nasceu:

Ver Também [editar]

Referências

  1. Anselmo Braamcamp Freire, «Brasões da Sala de Sintra», livro terceiro, pág. 270, Imprensa da Universidade, Coimbra, 11 de Março de 1930
  2. Hugh E.L. Collins, The Order of the Garter, 1348-1461: Chivalry and politics in Late Medieval England, Oxford : Clarendon Press, 2000
  3. Anselmo Braamcamp Freire, «Brasões da Sala de Sintra», livro terceiro, pág. 270-273, Imprensa da Universidade, Coimbra, 11 de Março de 1930.
  4. Moreno, p.999; Costa-Lobo (1904: p.487)
  5. Arquivo Histórico, Livro I de Místicos de Reis, doc. 16 - Catálogo dos Documentos de D. Duarte (1433-1438)- Arquivo Municipal de Lisboa
  6. Affonso de Ornellas, «Os Almadas na História de Portugal», Lisboa, 1942, p. 16.
  7. A Inglaterra como Espaço de Projecção da Memória e Imaginário da Família Almada, Carlos Guilherme Riley, Actas do Colóquio comemorativo do VI Centenário do Tratado de Windsor. Porto, Faculdade de Lertas da Universidade do Porto, 1988, pag. 161-171
  8. Soveral, Manuel Abranches de (MAS); seu verbete na Roglo «D. Álvaro Vaz de Almada», visitado em 11/03/2012
  9. Affonso de Ornellas, «Os Almadas na História de Portugal», Lisboa, 1942, p. 16.
  10. MAS; seu verbete na Roglo «D. Fernando de Castro», senhor do morgado de Paúl de Boquilobo, visitado em 11/03/2012

Bibliografia [editar]

Ligações externas [editar]