Palácio Nacional da Ajuda

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Palácio da Ajuda em meados do século XIX, Lisboa, Portugal
Palácio da Ajuda, Lisboa, fotografia de 2005

O Palácio Nacional da Ajuda, ou Paço de Nossa Senhora da Ajuda, é um monumento nacional português, situado na freguesia da Ajuda, em Lisboa.

Antigo Palácio Real, é hoje em grande parte um museu, estando instalados no restante edifício a Biblioteca Nacional da Ajuda, o Ministério da Cultura, e o Instituto dos Museus e da Conservação (IPM). O Palácio e o Museu são geridos pelo Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR) e pela Presidência da República.

História[editar | editar código-fonte]

Período Joanino[editar | editar código-fonte]

Em 1726, D. João V (1689-1750) adquire três quintas na zona de Belém. A primeira tinha já uma edificação que é hoje o Palácio de Belém, a segunda uma ermida do Oratório que foi depois expandido para o que é hoje o Palácio das Necessidades e a terceira a quinta da Ajuda reservada para a edificação de uma residência real de Verão. Ali é rasgada a Calçada da Ajuda e junto a Belém construído um cais, não chegando no entanto nenhum palácio a ser projectado.

Período Pombalino[editar | editar código-fonte]

Reconstrução de Lisboa. Em primeiro plano as tendas provisórias, ao centro um enforcamento. Ao fundo as ruínas de Lisboa

A utilização da quinta da Ajuda como Paço Real deu-se no rescaldo do Terramoto de Lisboa a 1 de Novembro de 1755 já no reinado do Rei D.José. O terramoto destruiu praticamente toda a cidade de Lisboa, incluindo a residência do Rei, o velho Palácio da Ribeira, cujo complexo abraçava Terreiro do Paço, junto ao Rio Tejo. O facto não criou apenas danos materiais, mas criou também uma fobia na população lisboeta sobrevivente que receava agora uma réplica ou até um segundo abalo telúrico.

Embora a família Real e a Corte se encontrassem nesse dia em Belém, zona ocidental da cidade onde os efeitos do terramoto não se fizeram sentir com tanta intensidade, o Rei ficou tão perturbado com o acontecimento que se recusou a viver em edifícios de alvenaria. D.José mandou então erigir no alto da Ajuda, local de pouca actividade sísmica, um palácio de madeira e pano, a que se chamou Real Barraca ou Paço de Madeira.

A obra só se concluiria em 1761. Esta construção obedecia, no seu início, a dois princípios: resistência a sismos (graças aos seus materiais de construção) e inexistência de alvenaria. O rés-do-chão e o primeiro andar, obedeceram ao traçado de Petrone, Mazone e Veríssimo Jorge.

Os seus interiores foram decorados com o melhor e mais belo mobiliário e grandes e preciosas peças de tapeçaria, pintura e ourivesaria. A estrutura cresceu tanto que era maior em área do que o palácio existente hoje em dia.

Ali esteve sediada a corte durante cerca de três décadas numa luxuosa atmosfera da época áurea do Despotismo Esclarecido suportado pelo que as remessas de ouro e brilhantes do Brasil ainda permitiam.

Em 1768 o primeiro jardim botânico de Lisboa foi construído em redor do palácio por ordem do ministro Sebastião José.

Na Real Barraca viveria D.José até morrer, em 1777.

Período da Regência[editar | editar código-fonte]

D. João, Principe Regente

À data da morte do Rei D.José a sua filha e sucessora, D.Maria I habitava, desde o seu casamento com D.Pedro III, o Palácio de Queluz. A Real Barraca ficou durante poucos anos secundarizada embora fosse muitas vezes visitada pela Rainha e seus filhos.

Desde 10 de Fevereiro de 1792, por demência da Rainha, o príncipe D.João futuro D.João VI passou dirigir os negócios públicos, efectuando despacho dos decretos em seu nome; a 15 de Julho de 1799, e até subir ao trono, assumiu o poder sob o título de Príncipe Regente e passou a governar o reino.

Em 1794, e segundos os registos, por descuido de um criado com uma candeia, deflagra-se um enorme incêndio que destrói por completo a Real Barraca e grande parte do seu valioso recheio – tapeçarias, pinturas, ourivesaria, mobiliário – é totalmente consumido pelo fogo.

Salva-se a Torre da Paroquial graças à demolição durante o incêndio de um passadiço que a ligava à Real Barraca. Há algumas peças do recheio do Paço que resistiram ao incêndio expostas hoje em dia no Museu do Palácio Nacional da Ajuda. E curiosamente há registo de terem sido encontrados nos escombros restos de estrutura em alvenaria construída para suportar o segundo andar.

Torre da Paroquial vulgo Torre do Galo

É agora necessário construir um novo palácio digno de acolher a Família Real. Esta não era uma nova ideia, mesmo no tempo de D. João V e do velho Paço da Ribeira, esse projecto já existia. Muitos historiadores afirmam que se não fora o Terramoto, D. José teria muito provavelmente concluído um tal projecto em vez da estrutura provisória que acabara por arder.

O Príncipe D.João aprova a construção de raiz de um novo palácio. A traça do plano é de Manuel Caetano de Sousa (1742-1802) que apresenta um projecto Barroco, sendo o lançamento da primeira pedra celebrado a 9 de Novembro de 1795. Note-se a peculiaridade da aprovação de um importantíssimo projecto de estilo Barroco no final do século XVIII. Ainda no início desta construção, chegaram a Portugal dois arquitectos vindos da escola de Bolonha e seguidores da nova corrente de inspiração neoclássica, que exerceram influência junto do Príncipe D.João pondo este de parte o projecto Barroco. Estes dois arquitectos eram Francisco Xavier Fabri (1761-1817)e José da Costa e Silva (1747-1819) e foram encarregados em 1802, de modificar o anterior projecto. Foi José da Costa e Silva que defendeu o aproveitamento da estrutura já construída adaptando-a ao novo projecto.

Fachada do Paço de São Cristóvão, Palácio Imperial da Quinta da Boa Vista

A construção do novo edifício é interrompida em várias ocasiões dados os recorrentes problemas, a nível nacional, de ordem financeira e política. Sublinham-se as Invasões Francesas que, em 1807, resultam na transferência da Família Real e da Corte para o Brasil.

É do Palácio da Ajuda que o Príncipe D.João escreve aos seus súbditos antes de partir para o Brasil. Embora as Invasões não tenham sido o directo responsável - uma vez que os registos indicam que o enviado de Napoleão Bonaparte, o General Junot, deu ordem para que as obras no palácio não parassem - a construção simultânea de um Paço Real no Brasil, o Paço de São Cristóvão, e restantes obras importantes na colónia acabaram por desequilibrar os investimentos no Reino a favor do Brasil.

Como tal, ao longo da primeira metade do século XIX, as obras prosseguem com lentidão, nelas trabalhando importantes artistas nacionais: Domingos Sequeira (1768-1837), Arcangelo Foschini (1771-1834), Cirilo Wolkmar Machado (1748-1823), Machado de Castro (1731-1822) e João José de Aguiar (1769-1834), que se dedicam à decoração dos tectos e fachadas.

Período do Liberalismo[editar | editar código-fonte]

Fachada interior do Palácio. É visível o lado direito inacabado. Os últimos acabamentos, como os capitéis e janelas do último andar(falso) foram feitos só em meados do século XX

Quando em 1821, D.João VI regressou do Brasil (na sequência da revolução liberal de 1820), o Palácio ainda não estava concluído. As instalações permitiam apenas a realização de cerimónias protocolares, tais como a investidura da Ordem da Jarreteira a D.João VI, em 1823. Foi por estas condições que o monarca foi viver para o Palácio da Bemposta, onde veio a falecer a 10 de Março de 1826.

As alas nascente e sul do Paço da Ajuda eram já habitáveis, e a decoração dos seus interiores foi orientada pela Marquesa de Alorna convidada para esse efeito. Depois da morte do Rei e ainda neste mesmo ano de 1826 vêm residir para o novo Paço Real a agora Infanta Regente D. Isabel Maria e suas irmãs D. Maria da Assunção e D. Maria Francisca Benedita.

Em 1828 D.Miguel I é aqui aclamado Rei pelos Três Estados reunidos na sala das Cortes, hoje Sala da Ceia.

D.Miguel I chega a habitar o Paço da Ajuda por cerca de seis meses enquanto o Palácio das Necessidades sofre algumas alterações para ser a sua futura residência oficial.

Iniciados os confrontos entre as facções liberal e absolutista, o País entra num clima de frágil estabilidade e as obras que prosseguíam lentamente paralisam em 1833 com a entrada das tropas liberais em Lisboa.

Restabelecido o regime liberal com a vitória das suas tropas, D. Pedro assume o poder como Regente até à maioridade da sua filha D. Maria da Glória (futura D. Maria II) e jura na Sala do Trono do Paço da Ajuda, a 30 de Agosto de 1834, a Carta Constitucional.

Planta do plano integral do Palácio. A parte sombreada é a que se acha edificada

Por esta altura e por várias razões, já havia sido posta de parte a realização do plano integral do Palácio. De facto, o conceito do poder centrado num grande Palácio (como seria o Paço da Ajuda caso completado), de onde o Rei tomava as suas decisões rodeado da sua Família, Corte e Ministros podia ter-se encaixado no panorama político da época da Regência e do Novo Regime mas já não teria o mesmo cabimento na nova perspectiva Liberal. Além disso, D. Maria II e seu segundo marido, o Rei-consorte D. Fernando (futuro D. Fernando II) habitavam o recém-adaptado Palácio das Necessidades e o novo e extravagante Palácio da Pena mandado erguer em Sintra por D. Fernando. O Paço da Ajuda, passa assim e novamente a um plano secundário - novamente, visto ter acontecido o mesmo com a Real Barraca no na época da D.Maria I - assistindo-se apenas à realização de algumas cerimónias de beija-mão nos dias festivos da Corte.

O Palácio da Ajuda fica assim reduzido a esporádicas cerimónias oficiais, mesmo depois da morte da Rainha D. Maria II, e durante os reinados do Rei D. Fernando II e do seu filho D.Pedro V que chega utilizar o Palácio para celebrar a sua Aclamação e Casamento e para visitar o seu amigo e bibliotecário real Alexandre Herculano. D.Pedro V reside com o seu pai e irmãos, no Palácio das Necessidades. Seria, no entanto, uma tragédia que viria a a acabar com esta secundarização do Paço da Ajuda.

Reinado de D. Luís[editar | editar código-fonte]

Em 1861 dá-se uma enorme tragédia no seio da Família Real. No final desse ano os Infantes D.Fernando e D. Augusto adoecem com Febre Tifóide. Acamados no Palácio das Necessidades, acabam por contagiar também o seu irmão o Rei D.Pedro V. A 6 de Novembro o Rei moribundo, ouve o dobrar dos sinos pela morte do seu jovem irmão de 15 anos, o Infante D. Fernando.

Enquanto isto, os Infantes D. Luís (futuro D. Luis I) e D.João, ausentes em viagem - pois levavam a sua irmã, a Infanta D. Antónia para junto do marido na Bélgica - haviam recebido notícias da grave enfermidade dos Infantes e do contágio do Rei. D. Luís e D.João tinham já zarpado de França em direcção a Lisboa. Ao aportar em Lisboa, D. Luís foi recebido pelos dignitários que, dobrando joelho, o trataram por “Majestade”. O Rei, seu irmão, D.Pedro V havia falecido a 11 de Novembro, ao mesmo tempo soube da morte de D. Fernando. D. Augusto melhora, mas o recém-chegado D.João é contagiado e acaba por sucumbir a 27 de Dezembro.

Geram-se tumultos, superstições, teorias e todas as vozes aconselham D. Luís a deixar o Palácio das Necessidades. D. Luís I muda-se por alguns meses para o Palácio de Paço de Arcos, enquanto se iniciam as obras de adaptação do Palácio da Ajuda. Ao mesmo tempo, numa negociação apressada é escolhida uma princesa, Maria Pia de Saboia, filha do novo e primeiro Rei de Itália Victor Emanuel II. Agora no centro das atenções o Palácio da Ajuda adquire a verdadeira dimensão de Paço Real, será a partir desse ano de 1861 e pela primeira vez na sua história, a Residência Régia.

Para acolher o novo Monarca e a sua futura e já exigente (por carta) Rainha de 15 anos, foram realizadas as obras indispensáveis na estrutura do edifício como telhados, madeiramentos, janelas. Foram grandes encomendas de tapetes, luminária, e móveis.

Tudo para dotar os espaços de um conforto mínimo, que permitisse a sua habitação.

A Rainha Maria Pia (1847-1911), ao chegar à Ajuda em 1862, iniciou aquelas que foram as grandes alterações na decoração interior.

Foram introduzidas novas regras de higiene, de conforto, de privacidade e de individualidade dos espaços, características da mentalidade burguesa do século XIX.

Sala Verde do Palácio

A decoração, embora fosse gerida quase totalmente ao gosto da Rainha, era organizada e executada pelo arquitecto Joaquim Possidónio Narciso da Silva, cujos princípios que regem a sua decoração e as transformações por si operadas conseguiram ser muito ao gosto de Maria Pia.

Sala Azul do Palácio

Assiste-se à compartimentação de grandes salas, como o antigo Vestíbulo, divido em três, uma sala (Jardim de Inverno) ladeada por duas antecâmaras (Gabinete de Carvalho e Sala de Saxe). Dá-se a introdução de novas divisões, tais como casas de banho dotadas de banheira e águas correntes, casa de jantar (chamada «da Rainha») para as refeições diárias da família e zonas de lazer de que são exemplo as Sala da Música, a Sala Azul e o Jardim de Inverno. O Bilhar, o Atelier de Pintura e a Sala Chinesa. Apenas o majestoso quarto de D. Maria Pia, alcatifado e com decoração estilo Napoleão III e o seu escritório (Sala Verde) preparados por D. Luís como surpresa para a chegada da Rainha ficaram intocados. Estes grandes aposentos da Rainha contrastavam com os reduzidos espaços do Rei. Diferentes em personalidade, eram notável a simplicidade e humildade de D. Luís perante o perfil verdadeiramente principesco e imponente de D. Maria Pia. Essa relação entre os dois manifestava-se de forma concreta na distribuição dos espaços e elementos decorativos do Palácio.

Maria Pia manda construir uma capela, assinada pelo arquiteto modernista Miguel Ventura Terra à época (por volta de 1897) uma recém-licenciado arquiteto, bolseiro da Escola de Beaux-Arts de Paris. Na capela encontram-se várias pinturas como a Virgem e o Menino do pintor José Veloso Salgado que está no altar e o único El Greco em Portugal.

A Ajuda é dos poucos Palácios Reais que mostra esse lado familiar tão marcado, ao ponto de ser ele mesmo espelho dessa relação. Como é o caso da subdivisão em pequenos espaços do quarto de D. Luís em escritório, toilette, quarto de dormir e casa de banho bem ao estilo de um Marinheiro. Todas estas alterações decorativas exigiram alterações feitas desde as paredes e tectos, agora pintados ou forrados de novo, ao soalho, com a colocação de «parquets» ou revestimentos de alcatifa.

O recheio (mobiliário, têxteis e objectos decorativos em geral) tinha várias origens. Parte era proveniente das reservas dos Paços Reais e do Tesouro. Outra parte foi sendo adquirida às inúmeras casas portuguesas e estrangeiras da especialidade, sendo D. Maria Pia uma célebre impulsionadora e utilizadora da compra por catálogo, novidade na época. Os restantes elementos, seriam presentes de diferentes Casas Régias, assim como o enxoval trazido de Itália por D. Maria Pia.

Família Real A Rainha, o Infante D. Afonso, o Príncipe D. Carlos, e o Rei D. Luís. Ao fundo à direita, o Paço de Queluz com o estandarte dos Bragança. Ano de 1876.

O Palácio da Ajuda tornou-se simultaneamente cenário das festas de grande gala – banquetes e recepções oficiais – bem como de acontecimentos ligados ao quotidiano da Família Real: concertos de música de Câmara, serões animados por diversos artistas, partidas de jogo de bilhar, wist, e o Loto. D. Maria Pia pedia muitas vezes a D. Luís a Sala do Despacho para organizar o Natal e o Carnaval.

Sala de Pintura

Aqui nasceram os príncipes D. Carlos (1863-1908) e D. Afonso (1865-1920) ficando a sua infância indubitavelmente ligada a este Palácio.

O reinado de D. Luís decorrera sob o signo da paz, da estabilidade, do progresso, distinguindo-se o rei pela sua isenção política, tolerância e respeito pelas várias correntes partidárias. É durante este período que se irão desenvolver diversas actividades nos mais variados domínios.

D. Luís era amante de todas as Artes. Destaca-se a criação, com a ajuda de seu pai D. Fernando, da Galeria de Pintura na ala Norte do Palácio da Ajuda onde é reunida grande parte da colecção real que, abrindo ao público em 1869, acaba por encerrar em 1875.

Além das obras e decorações acima referidas, foram feitas várias outras intervenções no Palácio durante o reinado de D. Luís. Entre elas os arranjos para o casamento do Príncipe Herdeiro D.Carlos com a Princesa de França, Amélia de Orleães, que incluíram o novo mobiliário da Sala da Ceia, e o revestimento da Sala do Trono.

Os antigos aposentos dos Príncipes também foram mudando enquanto estes foram crescendo. Tendo os de D.Carlos desaparecido por ocasião do seu casamento e da sua mudança para o Palácio de Belém que fora alvo de melhoramentos para passa a ser a Residência Oficial dos Duques de Bragança.

Nos últimos anos de vida, D. Luís era um homem doente e o seu quarto abafado, repartido e com pouca luz, teve de ser trocado por ordem dos médicos. D. Luís passou contrariado, para o andar nobre, para um quarto relativamente maior mas com muito mais respiração e luz, facto que contribuiu para uma relativa melhoria na saúde do Rei.

Também a Sala de Jantar da Rainha, ultima das obras no Palácio, só ficou pronta pouco tempo depois da morte do Rei em 1889.

Últimos anos da Monarquia[editar | editar código-fonte]

Vista do Jardim de Inverno, ao fundo o Gabinete de carvalho

Depois da morte de D.Luís em 1889 é D.Carlos, seu filho quem ocupa o trono ao lado da Rainha D. Amélia. Por essa altura D.Carlos e D. Amélia viviam em Belém com os seus filhos, o Príncipe Real D. Luís Filipe e o Infante D. Manuel (futuro D. Manuel II). O Palácio da Ajuda passa novamente para segundo Plano. Fica a habitá-lo a Rainha Mãe, D. Maria Pia, e o seu filho o Infante D. Afonso. Sendo reservadas dentro do Palácio, algumas salas do andar nobre para as cerimónias oficiais do novo reinado.

Aqui decorreram os banquetes e recepções de estado em honra de Eduardo VII de Inglaterra, Afonso XIII de Espanha, Guilherme II da Alemanha, Émile Loubet, Presidente da República Francesa, entre outros convidados de estado que visitaram Portugal durante o reinado de D.Carlos.

A 1 de Fevereiro de 1908 é assassinado o Rei e o Príncipe herdeiro D. Luís Filipe. Sobe ao trono D. Manuel II, que reside nas Necessidades continuando o Paço da Ajuda reservado para cerimónias de Estado. D. Maria Pia residiu no Palácio até Outubro de 1910, data em que toda a Família Real saiu de Portugal na sequência da instauração da República.

Da Primeira República à actualidade[editar | editar código-fonte]

Palácio da Ajuda e Estátua de D. Carlos I, Lisboa, Portugal

Nos primeiros anos da República o Palácio é encerrado, mas a preocupação da República com o património ali guardado foi grande e todos os bens dos paços reais foram cuidadosamente inventariados. Numa segunda fase grande parte dos Paços Reais foi quase totalmente esvaziada e os seus recheios armazenados no Palácio da Ajuda.

Como casa-mãe das colecções Reais o Palácio reabre em 1938 como Museu.

Em 1954 é inaugurada a Casa Forte onde é exposta a colecção das Jóias e Pratas da Coroa.

Como o Palácio continuava inacabado, nos anos 1940 Raul Lino é por duas vezes encarregado de projectar o remate do edifício. Nenhum destes projectos foi realizado.

Em 1974, de 23 para 24 de Setembro, um grande incêndio destrói a Galeria de Pintura de D. Luís e parte da ala norte. Segundo relatos da imprensa, neste incêndio teriam sido destruídas grande parte das obras de arte ali existentes, num número aproximado de 500 quadros. Um desses quadros, com autoria atribuída a Rembrandt (auto-retrato), terá sido negociado em Paris, no Palácio Galiera, em fins de Novembro de 1974, e um outro, da autoria de um famoso pintor italiano do século XIX, representando militares a cavalo, terá sido negociado pela Casa Christie's, de Londres, nos princípios de 1975. [1]

Em 1987 o Arq.º Gonçalo Byrne é convidado a desenhar a ala poente, que continua por rematar.

O Museu do Palácio contem um verdadeiro e único espólio de artes decorativas com colecções que vão do século XV ao século XX e apresenta em dois pisos distintos os apartamentos privados e as salas nobres para os dias de gala.

Hoje, tal como durante a monarquia, é utilizado pelo Estado português para cerimónias oficiais.

Questões políticas sobre o Palácio[editar | editar código-fonte]

Em 4 de Março de 1976, o Deputado do MDP/CDE, Levy Baptista, levanta na Assembleia da República o problema das obras de arte da Ajuda vendidas no estrangeiro. [2]

Em Fevereiro de 2007, sete anos após a venda de 27 mil m² quadrados de terrenos que se destinavam a requalificar a envolvente do palácio, o Estado vendeu os restantes terrenos que ali lhe restavam, a Quinta do Seminário, um espaço murado de 21.200 m² existente a sul do Palácio Nacional da Ajuda e que era uma peça central do plano de salvaguarda da zona, elaborado em 1987. (in Público de 27 de Fevereiro de 2007, José António Cerejo)

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • SANTANA, Francisco; SUCENA, Eduardo (dir.). Dicionário da História de Lisboa. Lisboa: s.e.., 1994. p. 25-27.
  • Visitas temáticas da Equipa de Curadores e Conservadores e do Serviço Educativo do Museu do Palácio Nacional da Ajuda.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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