Frente Nacional de Libertação de Angola

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Frente Nacional de Libertação de Angola
(FNLA)
Presidente Ngola Kabangu
Fundação 1954 (60 anos)
Sede Luanda, Angola
Assembleia Nacional de Angola
2 / 220
Espectro político Centro-direita[1]
Cores Branco, vermelho e amarelo
Site http://www.fnla.net

A Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) é um movimento político fundado em 1954[2] , com o nome de União das Populações do Norte de Angola (UPNA), assumindo em 1958 o nome de União das Populações de Angola (UPA). Em 1961, a UPA e um outro grupo anti-colonial, o Partido Democrático de Angola (PDA), constituíram conjuntamente a FNLA [3]

O FNLA foi um dos movimentos nacionalistas angolanos durante a guerra anticolonial de 1961 a 1974, juntamente com o MPLA e a UNITA. No processo de descolonização de Angola, em 1974/1975, bem como na Guerra Civil Angolana de 1975 a 2002, combateu o MPLA ao lado da UNITA. Desde 1991 é um partido político cuja importância tem vindo a diminuir drasticamente, em função dos seus fracos resultados nas eleições legislativas de 1992, 2008 e 2012.

História[editar | editar código-fonte]

Guerra Anti-Colonial[editar | editar código-fonte]

Angola
Coat of arms of Angola.svg

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Política e governo de
Angola



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A UPA, enraizada principalmente entre os Bakongo mas com aderentes também entre os Ambundu e os Ovimbundu, iniciou a sua luta armada na região do norte de Angola em 15 de Março de 1961, nomeadamente no concelho do Uíge estendendo-se mais tarde para o sul, até à actual província do Bengo. Ela teve como retaguarda de luta o ex-Congo Belga, actual República Democrática do Congo, a seu tempo liderada pelo falecido General Mobutu Sese Seko que - no quadro da sua política regional - manteve boas relações com o líder da UPA/FNLA, Holden Roberto. Este apoio possibilitou a constituição em Léopoldville (hoje Kinshasa), imediatamente depois da formação da FNLA, do GRAE (Governo Revolucionário Angolano no Exílio), cujos vice-presidentes eram de proveniência Ambundu, e cujo secretário geral era Jonas Savimbi, Ocimbundu e posteriormente fundador da UNITA. O braço armado do GRAE era o ELNA (Exército de Libertação Nacional de Angola) cujos comandantes provinham de várias partes de Angola, inclusive de Cabinda. Nem o MPLA nem a FLEC quiseram participar do GRAE, o que viria a ser decisivo para a complexa e contraditória configuração da luta anti-colonial em Angola. [4]

A luta armada desenvolvida pela FNLA contra a potência colonial teve fortes limitações. A pesar dos apoios por parte de Mobutu, mas também durante algum tempo da parte da China e da Roménia[5] , o ELNA não conseguiu resistir ao contra-ataque militar português. Não teve a capacidade de manter o controle sobre qualquer parcela do território angolano, no Nordeste do país, embora tivesse marcado um mínimo de presença, sob a forma de actividades de guerrilha. Uma tentativa de abrir uma segunda frente no leste de Angola, não foi para além da constituição de um pequeno núcleo de guerrilha, ao Norte de Luena, cujas actividades foram mais simbólicas.

O conflito em torno da descolonização[editar | editar código-fonte]

Quando a Revolução dos Cravos, realizado em Portugal em 25 de Abril de 1974, levou este país a declarar a sua intenção de apoiar activamente o acesso das suas então colónias à independência, os três movimentos nacionalistas, no início cada um por si, lançaram quase de imediato tentativas de assegurar-se o controlo do país por meios militares. Dados os seus efectivos bem treinados e equipados, o FLNA parecia ter uma vantagem evidente nesta contenda. Penetrando em Angola pelo Nordeste, avançou com alguma facilidade até ao Norte de Luanda onde viu a seu caminho barrado na batalha de Kifangondo, por forças do MPLA apoiadas por um forte contingente de tropas cubanas. Abandonando o seu plano de chegar até Luanda, o FLNA despachou várias das suas unidades para o centro e o sul de Angola onde acabaram por concluir uma aliança com a UNITA. No dia 11 de Novembro de 1975, enquanto o MPLA declarava em Luanda a independência do país, FNLA e UNITA fizeram o mesmo no Huambo onde constituíram um "contra-governo" que teve o apoio do então regime sul-africano do apartheid e dos EUA. Face à superioridade militar das forças cubanas e do MPLA, apoiadas pela União Soviética, a aliança FNLA & UNITA desfez-se no entanto rapidamente.

Período pós-colonial[editar | editar código-fonte]

Emblema da UPA.

Durante a primeira fase pós-colonial, a FNLA quase desapareceu da cena. Uma vez que o MPLA tinha instalado um regime monopartidário que, a partir de 1977, professava o marxismo-leninismo, outros movimentos ou partidos - portanto também a FNLA - não podiam, durante este período, ter uma existência legal em Angola. Por outro lado, e ao contrário da UNITA, a participação da FNLA na Guerra Civil foi muito fraca e acabou por deixar de existir. O movimento entrou numa fase de degenerescência, cujo indicador porventura mais forte foi o facto de Holden Roberto passar a residir em Paris durante muitos anos. Outro outro indicador forte foi a passagem para o lado do MPLA de alguns dos seus dirigentes, como Johnny Eduardo Pinock Eduardo e Henrique Vaal Neto que chegaram a fazer parte de um Governo de Reconciliação Nacional.

Quando, no fim dos anos 1980, o governo do MPLA anunciou a passagem de Angola para um sistema de democracia multipartidária, marcando primeiras eleições para 1992, a FNLA constituiu-se em partido político. Porém, os resultados do escrutínio foram-lhe extremamente desfavoráveis: nas eleições legislativas obteve 2.40%, e nas eleições presidenciais Holden Roberto obteve 2.11%. Estes resultados reflectem a radical perda de credibilidade da FNLA mesmo entre os Bakongo onde, por sinal, se constituíram vários outros partidos que concorreram às eleições sem sucesso, diminuindo ainda mais o eleitorado da FNLA.

O conjunto destes desenvolvimentos levou à divisão do partido em duas alas, sendo um delas liderada pelo sociólogo Lucas Ngonda, professor da Universidade Agostinho Neto. A aproximação das segundas eleições legislativas em Angola, em 2008 levou a que as duas alas negociassem o reencontro que no entanto não se realizou, tendo Holden Roberto falecido em 2007.

Nas eleições de 2008 a FNLA obteve ainda menos votos do que em 1992, ficando-se pelos 1.11% e deixando de ser um actor político relevante. Entretanto, a liderança do partido continua a ser disputada ente Lucas Ngonda e um dos líderes históricos da FNLA, Ngola Kabango. [6] Nas eleições de 2012, a percentagem do votos foi sensivelmente a mesma, mas o partido perdeu mais um deputado, ficando reduzido a apenas 2 representantes na Assembleia Nacional.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. JUSTINO, Jofre. A actual UNITA traiu o espírito de Muangai. Maputo, 2006
  2. História do FNLA. Site da FNLA. Página visitada em 19 de Janeiro de 2011. indica 1954 como data, o que não corresponde à realidade.
  3. John Marcum, The Angolan Revolution, vol. I. O PDA chamava-se antes Aliazo (Alliance des Ressortissants de Zombo) e tinha raízes na comunidade religiosa ("sincrética") fundada por Simão Toco. A constituição da FNLA deu-se quando a breve experiência de uma frente comum com o [[MPLA], em Léopoldville, ] fracassou em fins de 1960. Meses depois, houve em Brazzaville uma segunda tentativa de constituir uma frente comum, a "Frente Democrática de Libertação de Angola (FDLA)", que tão pouco alcançou o seu objectivo.
  4. A fonte principal para esta parte é o vol. I de livro de referência de John Marcum: ver "Bibliografia". Veja também Lúcio Lara (org.), Um amplo movimento: Itinerário do MPLA através de documentos de Lúcio Lara, especialmente o vol. II (1961-1962), Luanda: Ed. Lúcio Lara, 2006
  5. Ao dar este apoio, os últimos países fizeram deliberadamente frente à então União Soviética que tinha optado por um apoio exclusive ao MPLA
  6. Novo Jornal 23/12/2011.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • John Marcum, The Angolan Revolution, vol. I, The anatomy of an explosion (1950-1962), vol. II, Exile politics and guerrilla warfare (1962-1976), Cambridge/Mass. & Londres: MIT Press, 1969 e 1978, respectivamente
  • Edmundo Rocha, Angola: Contribuição ao estudo do nacionalismo moderno angolano (Período de 1950-1964). Testemunho e Estudo Documental, 2 volumes, Luanda: Kilombelombe & Lisboa: Edição do autor, 2002 e 2003
  • Jean Martial Arsène Mbah, As rivalidades políticas entre a FNLA e o MPLA (1961-1975), Luanda: Mayamba, 2012
  • Adriano Araujo "Angola no período das independências", Luanda 1999

Ver também[editar | editar código-fonte]


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