União Nacional para a Independência Total de Angola

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União Nacional para a Independência Total de Angola
(UNITA)
Presidente Isaías Samakuva
Fundação 13 de março de 1966 (48 anos)
Ideologia Atualmente:
Não tem uma ideologia dominante, sendo um Catch-all party.[1]
Anteriormente:
Nacionalismo de esquerda,[2]
Socialismo humanista.
Afiliação internacional Internacional Democrata Centrista
Assembleia Nacional de Angola
32 / 220
Espectro político Centro[1]
Ala jovem Juventude Unida Revolucionária de Angola
Ala feminina Liga da Mulher Angolana
Cores Verde e vermelho
Site
http://www.unitaangola.org/

A União Nacional para a Independência Total de Angola, mais conhecida por seu acrónimo UNITA, é um partido angolano, fundado em 1966, por dissidentes da FNLA e do GRAE (Governo de Resistência de Angola no Exílio), de que Jonas Savimbi, fundador da UNITA, era ministro das relações exteriores[nota 1] .

A UNITA é o segundo maior partido de Angola, sendo também o maior partido de oposição do país. Na eleição parlamentar de 2012 o partido ganhou 32 dos 220 assentos na Assembleia Nacional de Angola. O partido também é conhecido pelo acrónimo "Galo Negro", em referência a figura de um galo presente na bandeira do partido.

Durante a guerra Civil Angolana a UNITA recebeu ajuda militar principalmente dos Estados Unidos e da África do Sul, enquanto que o MPLA recebeu apoio da União Soviética e seus aliados. Desde o fim da Guerra Civil em 2002 a UNITA abandonou a luta armada, convertendo-se num partido político.

História[editar | editar código-fonte]

Jonas Savimbi e Antonio da Costa Fernandes fundaram a UNITA em 13 de março de 1966, em Muangai, na província do Moxico, Angola Portuguesa. Outros 200 delegados estavam presentes no evento de fundação do até então movimento guerrilheiro. A UNITA lançou o seu primeiro ataque contra as autoridades coloniais portuguesas em 25 de dezembro do mesmo ano.

Angola
Coat of arms of Angola.svg

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Após a sua formação em 1966, a UNITA necessitando de apoios externos, virou-se para a China, uma vez que os outros grandes países, passíveis de apoiar uma guerrilha anti-colonial em Angola, já tinham compromissos com a FNLA ou o outro movimento entretanto fundado, o MPLA. A preocupação dominante da UNITA foi, no entanto, a de assegurar-se o apoio dos Ovimbundu, a maior etnia em Angola, à qual o próprio Savimbi pertencia[3] . A UNITA vai travar operações de guerrilha no Leste do então território colonial, sem conseguir chegar ao Planalto Central, "habitat" dos Ovimbundu[4] , entre os quais desenvolveu, no entanto, um intenso trabalho de mobilização política[5] .

Guerra Civil[editar | editar código-fonte]

Quando Portugal anuncia, em 1974, a sua intenção de retirar-se das suas colónias, a UNITA envolve-se do lado da FNLA no conflito armado que irrompe com o MPLA. No dia em que, em 1975, o MPLA declara a independência do país na capital, Luanda, UNITA e FNLA fazem o mesmo no Huambo, capital de província situada no Planalto Central. Apesar dos apoios já não da China, mas dos EUA, da África do Sul (ainda no tempo do apartheid) e de outros países, a coligação é militarmente derrotada, devido à intervenção de Cuba do lado do MPLA. A aliança UNITA - FNLA desfaz-se de imediato, produzindo-se inclusive hostilidades esporádicas entre ambas, no centro e no sul do país.

O MPLA proclama um estado de partido único e a UNITA e a FNLA passam a ser consideradas ilegais, e ambas retomam, sem demora, a luta armada contra o MPLA. Inicia-se assim a Guerra Civil Angolana que durará até 2002 e, para lá das dinâmicas internas, é condicionada pela Guerra Fria que prevalecia, internacionalmente, durante boa parte deste período. Ao mesmo tempo, continua a beneficiar de um enraizamento não apenas entre os Ovimbundu, mas também em parte das etnias do Leste[6] . Esta constelação permite à UNITA manter e diversificar os seus apoios externos, enfrentar as forças governamentais não apenas com tácticas de guerrilha, mas por vezes em combate "convencional", e controlar partes do território durante fases de extensão significativa.[7]

No fim dos anos 1980, esforços de mediação empreendidos de vários lados convenceram a UNITA a concordar com uma solução política do conflito, desde que o MPLA concordasse com a passagem de Angola para uma democracia multipartidária. Este último passo foi dado com a adopção da constituição de 1990 que criou as bases para que, logo depois, se concluísse em Alvor (Portugal) um acordo de paz entre os três movimentos. A UNITA constituiu-se como partido político e concorreu às eleições parlamentares e presidenciais marcadas para 1992, certa de que estas lhe seriam favoráveis. Porém, nas eleições parlamentares obteve uma votação de mais de 30%, portanto expressiva, mas que ficou aquém das suas expectativas. Nas eleições presidenciais, os cerca de 42% obtidos por Jonas Savimbi impediram que José Eduardo dos Santos, presidente em exercício que reuniu 59% dos votos, obtivesse na primeira volta a maioria absoluta, do modo que, pela legislação então em vigor, uma segunda volta teria sido necessária.

Esta não chegou no entanto a realizar-se, porque a UNITA declarou se imediato que tinha havido fraude nas eleições presidenciais, e retomou as suas actividades militares - enquanto os deputados eleitos pela UNITA assumiam as suas funções de forma regular. A seguir a uma fase de êxitos militares, p.ex. a tomada temporária da cidade do Huambo, a UNITA passou a perder terreno de maneira dramática, devido ao reforço maciço das FAA (Forças Armadas de Angola), em pessoal, formação e equipamento, no essencial financiado pelas receitas do petróleo. Em paralelo, constitui-se uma dissidência da UNITA, designada "UNITA Renovada" e liderada por um dos deputados, Eugénio Manuvakola; esta corrente era a favor do abandono da luta armada e de uma concentração sobre a luta política. No fim dos anos 1990 era patente que a UNITA tinha perdido o combate, em termos militares. Perseguido por uma unidade das forças governamentais, Jonas Savimbi é morto em Fevereiro de 2002.

2002 - presente[editar | editar código-fonte]

Após a sua morte, a UNITA tornou-se num partido civil e abandonou a luta armada. No congresso da fundação do partido, onde a UNITA Renovada e outros elementos dissidentes foram reintegrados, Isaias Samakuva foi eleito presidente.

Concorrendo às eleições parlamentares de Setembro de 2008, a UNITA obteve pouco mais de 10%, tornando-se num partido com poucas condições para exercer funções efectivas de oposição. Em 2012, esta situação levou à saída de uma dos seus mais destacados dirigentes, Abel Epalanga Chivukuvuku que fundou um novo partido, CASA (Convergência Ampla de Salvação de Angola). Apesar desta perda, a UNITA aumentou muito significativamente, de cerca de 80%, nas eleições realizadas em 2012, duplicando o número dos seus deputados, enquanto a CASA obteve rerspeitáveis 6% (e 8 deputados) - constituindo-se, deste modo, uma oposição parlamentar significativa ao MPLA.

Espectro e ideologia[editar | editar código-fonte]

A morte de Savimbi também se refletiu na mudança ideológica do partido, deixando o nacionalismo de esquerda e o socialismo humanitário (correntes majoritárias até então). Este fato alterou o espectro do partido, que, de situado mais a centro-esquerda, passou a um movimento flutuante, ou de forma mais clara, sem ideologia dominante, sendo um Catch-all party.[1] Segundo Jofre Justino, o partido assim teria várias correntes, sendo a dominante, direitista, capitaneado por Isaías Samakuva. As demais correntes do Galo Negro seriam a da esquerda, dirigida por um general do terreno; e a do centro, capitaneada por Abel Chivukuvuku (que acabou por romper com a UNITA e formar um novo partido).[1]

Notas

  1. Alguns historiadores alegam que Savimbi criou a UNITA depois da sua tentativa fracassada de assumir a co-presidência do GRAE.

Referências

  1. a b c d JUSTINO, Jofre. A actual UNITA traiu o espírito de Muangai. Maputo, 2006
  2. A revelação é do General Gato: "Savimbi morreu em 1991" Angonotícias.
  3. Heywood, Linda. (27/01/1989). "UNITA and ethnic nationalism" (em inglês). Journal of Modern African Studies: 47-60.
  4. Alcides Sakalala. Memórias de um guerrilheiro. Lisboa: D. Quixote, 2006.
  5. Beck, Teresa Koloma. (30/02/2009). "Staging Society: Sources of loyalty in the Angolan UNITA" (em inglês). Contemporary Security Policy: 343-355.
  6. Assis Malaquias. Rebels and Robbers: Violence in Post-colonial Angola. Uppsala: Nordiska Afrikainstitutet, 2007.
  7. Linda Heywood, UNITA and ethnic nationalism in Angola, Journal of Modern African Studies', 27 (1) 1989, pp. 47 - 66

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • John Marcum, The Angolan Revolution. vol. I, Anatomy of an Explosion (1950-1962), vol. II, Exile Politics and Guerrilla Warfare, Cambridge/Mass. & Londres, 1969 e 1978, respectivamente.
  • Manuel António Africano, L'UNITA et la deuxième guerre angolaise, Paris: L'Harmattan, 1995
  • Samuel Chiwale, Cruzei-me com a história, Lisboa: Sextante, 2008


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