Projeto Nova Luz
O Projeto Nova Luz é um projeto de renovação urbana criado pela prefeitura de São Paulo em 2004, para uma área socialmente degradada, denominada Cracolândia, no centro da cidade, conhecido por ser ponto de tráfico e uso de drogas. A Cracolândia fica situada entre as avenidas Duque de Caxias, Ipiranga, Rio Branco e Cásper Líbero e a rua Mauá.[1]
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[editar] Projeto
O projeto é de responsabilidade da Secretaria Municipal de Planejamento e prevê, basicamente, a criação de um pólo comercial e de serviços (visando promover a instalação de empresas, sobretudo da área tecnológica, na área, oferecendo-lhes também incentivos fiscais) e de um novo parque. A prefeitura já realizou algumas melhorias na infraestrutura e na segurança (recapeamento das ruas da região, mais iluminação pública e instalação de câmeras de segurança) da área.[2]
Para começar a transformação da Cracolândia em algo parecido com os bulevares e praças de Barcelona e Nova York, é necessário desapropriar, pelo menos, 89 imóveis - três estacionamentos, 27 prédios e 59 galpões ou lojas. Esses imóveis devem liberar espaço para calçadões, ciclovias e parques. Mas ainda não se sabe o número total de desapropriações. O governo municipal já recebeu do consórcio responsável pelo estudo urbanístico o mapa preliminar das desapropriações e o estudo de viabilidade econômica do projeto, que mostra onde e quanto as empresas do setor imobiliário poderão lucrar na área - mais de 20 quarteirões.
Um mapeamento da população descreve o atual morador da região da Luz. Essa descrição pode ser confrontada ao morador que o consórcio espera atrair para o lugar. Atualmente, segundo o estudo, há, na Cracolândia, cinco tipos de habitantes: o pequenos proprietário de empresa que trabalha em casa, o comerciante de loja de eletrônicos ou de motos, o imigrante legal e o proprietário de pequenos negócios, que é morador antigo do local.[3]
[editar] História
O projeto foi aprovado pela Câmara Municipal e iniciado em 2005.[4] os planos incluem a desapropriação de pelo menos 89 imóveis degradados, supostamente para instalar sedes de empresas [5] interessadas em se instalar na área.[5][6]
Anteriormente, o poder público realizou outras intervenções na região, como a criação da Sala São Paulo, na Júlio Prestes, e do Museu da Língua Portuguesa, na estação Luz, ambas também restauradas, além da restauração da Pinacoteca do Estado.[7]
O projeto preliminar de reurbanização foi apresentado pela Prefeitura no dia 17 de dezembro de 2010 e prevê a construção de um bulevar e ciclovias, além de aumento das calçadas e arborização. A área será subdividida em três eixos - destinados, respectivamente, a entretenimento, tecnologia e ocupação residencial. Algumas propostas foram baseadas em estruturas estrangeiras. O bulevar, semelhante a La Rambla (Barcelona)”, é uma delas.[8]
Em 17 de novembro de 2010, a Prefeitura de São Paulo apresentou o projeto preliminar com as diretrizes básicas do projeto urbanístico da Nova Luz. Os dados ficam disponíveis por cerca de dois meses para consulta pública, em um posto de atendimento e em um site da Prefeitura. [9]
[editar] Opiniões
Alguns urbanistas, mais preocupados com a população em situação de rua e mais engajados numa práxis social, criticaram o projeto "arrasa-quarteirão".[5] Segundo esses críticos, o projeto seria "simplista e excludente", e "desprezaria a capacidade de nossos arquitetos, engenheiros, sociólogos e empreendedores imobiliários de enfrentar uma agenda complexa com soluções mais criativas e inovadoras".
O projeto também não faz referência ao destino dos drogados - os "nóias" [10] - que vivem nas ruas da região. [11] [12]
O urbanista Kazuo Nakano, do Instituto Pólis, resume: "É importante que esse projeto urbano evite a 'espetacularização' da cidade, voltada somente para a viabilização de negócios imobiliários." [13]
Por outro lado, o presidente do Banco Central do Brasil, Henrique Meirelles, também presidente da ONG Viva o Centro, afirma que o projeto Nova Luz é "um passo adiante" por parte da prefeitura e, talvez, a obra mais importante da capital paulista. O governador de São Paulo em 2010, Alberto Goldman, também aprova o projeto, afirmando que todas as instituições culturais da região serão beneficiadas.[14][15]
[editar] Ver também
Referências
- ↑ Prefeitura.SP - Projeto Nova Luz
- ↑ Site da prefeitura de São Paulo
- ↑ Nova Luz, em SP, deve desapropriar 89 imóveis. Estadão, 22 de novembro de 2010.
- ↑ Nova Luz | Projetos | CentroSP - Centro da Cidade de São Paulo
- ↑ a b c MAIA Jr., Humberto e BRANCATELLI, Rodrigo. Demolição e polêmica na Nova Luz: SP põe imóveis abaixo e divulga lista de empresas que irão para a Cracolândia, mas companhias dizem ignorar assunto. São Paulo: O Estado de S. Paulo, 27 de Outubro de 2007
- ↑ Folha Online
- ↑ Folha Online - Mais São Paulo
- ↑ Nova Luz terá espaço de lazer semelhante a bulevar de Barcelona.
- ↑ Prefeitura coloca em consulta pública 1º projeto da Nova Luz
- ↑ Da cracolândia aos nóias: percursos etnográficos no bairro da Luz, por Heitor Frúgoli Jr. e Enrico Spaggiari. Pesquisa desenvolvida desde 2007 pelo Grupo de Estudos de Antropologia da Cidade (GEAC-USP), posteriormente com apoio do CNPq.
- ↑ ROLNIK,Raquel. Decrete-se o fim do paradigma de que requalificar o espaço urbano significa limpá-lo da presença dos pobres. São Paulo: Caderno Aliás, O Estado de S. Paulo, 16 de abril de 2006. Raquel Rolnik é Relatora Internacional do Direito a Moradia Adequada do Conselho de Direitos Humanos da ONU.
- ↑ Nova Luz não prevê solução para viciados, por Tiago Dantas. Jornal da Tarde, 17 de Novembro de 2010.
- ↑ Plano tem de levar em conta problemas sociais da região. Por Kazuo Nakano, Estadão, 18 de novembro de 2010.
- ↑ Agência Estado, 17 de junho de 2010, em "O Diário"
- ↑ G1, em 24 de fevereiro de 2011