Higienismo

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O higienismo é uma doutrina que nasce com o liberalismo, na primeira metade do século XIX quando os governantes começam a dar maior atenção à saúde dos habitantes das cidades. Considerava-se que a doença era um fenômeno social que abarcava todos os aspectos da vida humana.[1] A necessidade de manter determinadas condições de salubridade no ambiente da cidade mediante a instalação de adução e tratamento da água, esgotos, iluminação nas ruas, e assim poder controlar as epidemias foram dando forma a esta corrente, que se baseava no

...novo princípio de "rentabilidade" [...] [para reorientar] os valores atribuídos à comida, às bebidas, ao ar respirado no trabalho e no descanso, à limpeza do corpo que necessita deixar penetrar o oxigênio pela pele.
Georges Vigarello[2]

Origem[editar | editar código-fonte]

Até o início do século XIX as condições de superlotação dos domicílios urbanos e a pobreza que afetava grande parte da população das cidades provocavam epidemias agravadas pela desnutrição. Os médicos começaram a denunciar as condições de vida como causa principal das enfermidades.

Em Viena, o médico J.P. Frank publicou A miséria do povo, mãe de enfermidades, obra que teve grande repercussão e provocou a adesão de outros médicos, que contribuíram para introduzir o higienismo na medicina, visando erradicar doenças como o cólera e a febre amarela.[3]

Desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

Até 1850 houve apenas algumas tentativas individuais, sobretudo de médicos, de cuidar da saúde da população urbana. Buscava-se a origem das doenças em fatores ambientais. Era necessário proteger três elementos básicos: o ar, a água e o sol. Imaginava-se que em quantidade e qualidade adequadas, esses elementos poderiam afastar os "miasmas", como se chamavam então os "vapores ou organismos malignos" que, segundo se acreditava, desprendiam-se dos corpos dos enfermos ou das sustâncias em descomposição, minando a saúde dos habitantes das cidades.

Assim o poder público passou a adotar algumas estratégias como aterrar os charcos e afastar indústrias, matadouros e cemitérios das áreas centrais da cidade.

Posteriormente, o movimento estendeu-se também à esfera privada, proclamando-se a necessidade de instalar sanitários nas casas, regulamentando-se a altura mínima dos tetos e as condições de ventilação natural dos ambientes, recomendando-se também a limpeza periódica das casas. A prostituição, considerada até então como um fenômeno moral, começa a ser estudado em seus aspectos patológicos, por sua relação com as doenças venéreas.[1]

Logo, a partir das pesquisas de Koch e principalmente de Pasteur, descobriu-se que a verdadeira causa das doenças estava relacionado a microorganismos e não a emanações de sustâncias em decomposição, e a higiene passa a ser uma questão social. As novas teorias fornecem uma base propriamente científica ao higienismo. Começa a ser feita a análise bacteriológica e o tratamento da água com cloro. Instalam-se redes de esgotos, os banheiros públicos, faz-se a coleta de lixo, utilizam-se as escarradeiras contra a tuberculose, entre outras medidas de profilaxia.

As teorias higienistas tiveram grande influência sobre o urbanismo numa época em que as cidades se industrializavam; muitos arquitetos, urbanistas e governantes, como Rambuteau e o barão Haussmann em Paris, aderiram às novas teses. Tratava-se sobretudo de abrir as cidades intra muros.

Notas e referências

  1. a b Ruiz Rodrigo, Cándido; Palacio Lis, Irene. Higienismo, Educación Ambiental y Previsión Escolar: Antecedentes, pág. 275. [S.l.]: Publ. Universitat deValencia (ed.), 1999. ISBN 84-370-3930-4
  2. Vigarello, Georges. Le sain et le malsain: Santé et mieux-être depuis le Moyen Age. [S.l.]: Éd. Seuil (ed.), 1993.
  3. Alcaide González, Rafael (1999). La introducción y el desarrollo del Higienismo en España durante el s. XIX (em español) Scripta Nova, Universidad de Barcelona.. Página visitada em 29, 04 de 208.

Ver também[editar | editar código-fonte]