Parque Dom Pedro II

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Parque Dom Pedro II
Tipo Público
Localização , São Paulo, Brasil
Inauguração 1922

O Parque Dom Pedro II é um parque da cidade de São Paulo, localizado no limite leste do distrito da , na região central, estando exatamente entre o centro histórico e o tradicional bairro do Brás, que fica na zona leste da cidade.

Índice

[editar] Características

Palácio das Indústrias, localizado no Parque Dom Pedro II. Ao fundo, o distrito do Brás.

É cortado por cinco viadutos e pela Avenida do Estado, tendo sobrado cerca da metade área verde que originalmente possuía na sua inauguração. Em sua área está localizado o Terminal Parque Dom Pedro II de ônibus (o mais movimentado da cidade, que atende principalmente as regiões Leste, Sudeste e Nordeste da capital) e a Estação Pedro II do Metrô de São Paulo. Tal movimento deu origem a uma das maiores concentrações de vendedores ambulantes de São Paulo.

A região também apresenta quantidade de moradores de rua, delitos de pequeno poder ofensivo e usuários de drogas em determinadas áreas, sendo o trânsito de pedestres pelas áreas arborizadas e embaixo dos viadutos considerado pouco seguro.[1] Uma das áreas mais problemáticas em termos de segurança é a passagem de pedestres que separa o parque do Palácio das Indústrias — que recebeu até o apelido de "Faixa de Gaza" —, onde assaltantes se disfarçam de moradores de rua para abordar os transeuntes.[2] Já a área próxima ao terminal de ônibus é extremamente movimentada e relativamente bem policiada.

[editar] Histórico

O parque
O Commons possui uma categoria com multimídias sobre Parque Dom Pedro II

O parque fica a menos de um quilômetro da Praça da Sé, em um pedaço da antiga Várzea do Carmo que costumava ser inundado pelo rio Tamanduateí.[3] Foi na Várzea do Carmo que se deu o primeiro jogo de futebol reconhecido em território brasileiro, embora não se saiba o local exato.[4] Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, "reza a lenda" que o prédio do 2.º Batalhão de Guardas, localizado no parque, seria originalmente um presente do imperador Dom Pedro I à Marquesa de Santos, que serviria como local para seus encontros.[5] Mais tarde o local abrigaria a sede de uma das chácaras da Várzea do Carmo, o Seminário das Educandas e o Hospício dos Alienados, a partir de 1930 a Força Pública e depois do Golpe Militar de 1964 foi tomado pelo Exército.[5] Parte da Várzea do Carmo foi aterrada na metade do século XIX, quando da retificação do curso do rio, e foram criados jardins e praças.[3] Quando dessa retificação, foi criada no rio a Ilha dos Amores, uma ilha artificial que existiu até 1910.[3] A região virou um depósito de lixo por cerca de cinco anos na década de 1870, sendo recuperada por questões sanitárias.[3]

Outrora belo e arborizado, foi inaugurado em 1922, com projeto do francês Joseph-Antoine Bouvard e era na época considerada a principal área de lazer da cidade.[6] Hoje trata-se de um dos lugares mais movimentados da cidade, pois constitui-se em uma região de passagem, especialmente para quem transita entre o centro e a zona leste de São Paulo, mas é também considerado "a área do centro mais esquecida pelo poder público desde a década de 1940".[6] A inauguração da Avenida do Estado é considerada o marco do início da degradação do parque[7], além da construção de três viadutos nos anos 1960, que eliminaram muito do verde do parque[8]. O terminal de ônibus, inaugurado em 1971, e a Estação Pedro II do Metrô, que começou a ser construída poucos anos depois, fizeram o parque perder ainda mais áreas verdes.[8]

O parque é constantemente usado como exemplo da devastação que áreas verdes sofreram em São Paulo para criar ou alargar ruas e avenidas.[9] O urbanista Nestor Goulart Reis, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, declarou em 2008 que "nos últimos 70 anos o local virou uma colcha de retalhos, com medidas apenas pontuais" e que "nunca houve um projeto para o conjunto do parque que fosse colocado em prática".[6] Nas mudanças que o parque sofreu na segunda metade do século XX, apenas o sistema viário foi privilegiado.[10]

Com a migração dos mais abastados do centro para outros bairros, a partir da primeira metade do século XX, o Parque Dom Pedro II passou a ser considerado a divisa entre a "pujança da parte nobre da capital" e a zona leste, a "cidade dos trabalhadores", em metáfora citada por O Estado.[6]

[editar] Revitalização

Há alguns anos vêm sendo estudadas formas viáveis de revitalização do local, tendo algumas iniciativas sido descontinuadas ao longo dos anos. A demolição dos edifícios São Vito (cortiço desocupado em 2004) e Mercúrio, verdadeiros símbolos da degradação da região, objetivou integrar paisagística e visualmente o Mercado Municipal de São Paulo com o Parque Dom Pedro e o Palácio das Indústrias, bem como a demolição do malconservado e subutilizado Viaduto Diário Popular[11], construído em 1969, cujos alicerces servem de abrigo para moradores de rua e viciados.[12] A demolição dos dois prédios foi concluída em maio de 2011.

Alguns dos viadutos que cortam a região.
Mercado Municipal, à esquerda, edifícios Mercúrio e São Vito (hoje demolido), ao centro, e Viaduto Diário Popular, à direita.

O viaduto era usado em maio de 2010 por cerca de 1,2 mil carros por hora, cinco vezes menos que sua capacidade.[12] Com as demolições, uma das ideias seria integrar a área ao parque, em um projeto que, segundo a prefeitura, iria "fazer dele o Parque Ibirapuera do centro da cidade".[13] A demolição do viaduto chegou a ser iniciada em 1992, já com a intenção de uma reurbanização do parque, o que gerou protestos de comerciantes do entorno, por causa dos congestionamentos provocados na Avenida Mercúrio e nas ruas do Gasômetro e da Figueira por causa da interdição.[14] O prefeito Gilberto Kassab abriu licitação para a demolição do viaduto novamente em outubro de 2006, mas novamente o projeto não andou.[12] O motivo para os seguidos adiamentos da demolição seriam as complicações que uma implosão poderia causar, tanto no trânsito da Avenida do Estado como na estrutura do Mercado Municipal.[12]

Embora existam projetos de revitalização da região desde 1989[1] — a ex-prefeita Luíza Erundina levou a sede da prefeitura para o Palácio das Indústrias, com a intenção de recuperar a região[3][8], onde ficou entre 1992 e 2004[15] — e a gestão Kassab tenha projetos para essas demolições desde 2006, com previsão até mesmo para mudança do terminal de ônibus[13], eles demoraram para sair do papel. A demolição dos imóveis no quarteirão do Edifício São Vito, o primeiro passo do projeto, só terminou em maio de 2011. Entre os projetos estava a reforma dos jardins entre o Palácio das Indústrias e a estação Pedro II e a recuperação urbanística do parque.[3]

A gestão Kassab contratou a Fundação para a Pesquisa Ambiental, órgão ligado à Universidade de São Paulo, para fazer uma nova proposta de ocupação, que deveria ser apresentada em julho de 2010 ao custo de 500 mil reais.[15] De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, duas quadras seriam demolidas entre o Pátio do Colégio e o Parque Dom Pedro II, incluindo um edifício-garagem construído irregularmente nos anos 1980, para dar lugar a garagens subterrâneas e um shopping popular ou camelódromo.[15] Havia pressão para que o terminal de ônibus junto ao parque seja extinto, embora seja também ali que fica a estação final do Expresso Tiradentes, que não pode ser removida.[15] Em outubro de 2010 moradores e comerciantes da região entregaram à Prefeitura e à Polícia Militar uma lista com doze reivindicações nas áreas de urbanismo e segurança.[16] A resposta da prefeitura foi uma promessa de atender às reivindicações, enquanto a polícia propôs a instalação de uma base comunitária móvel no parque.[16]

Muitos projetos foram divulgados, especialmente para o quarteirão dos edifícios São Vito e Mercúrio. Em abril de 2011 foi dilvulgado acordo com o Senac para que a instituição erga naquele terreno um centro gastronômico, parte de um projeto que integraria o Mercado Municipal ao parque por meio de um bulevar que cobrirá a Avenida do Estado e o Rio Tamanduateí no trecho em frente ao mercado, com a avenida virando um túnel nesse trecho e o Viaduto Diário Popular sendo demolido.[17] Além disso, era prevista a abertura de uma unidade do Sesc.[7] A área foi transferida ao Sesc em dezembro, mas a entidade ainda aguardava um decreto de concessão de uso ára dar início às obras.[18] A previsão era de que a nova unidade ficasse pronta dois anos e meio após a aprovação do decreto, que só deveria ocorrer no primeiro semestre de 2012.[18] As contrapartidas a ser oferecidas pelo Sesc contituíam-se de cem vagas gratuitas para crianças de sete a doze anos de idade em um de seus projetos, além da promoção de jogos recreativos, serviços odontológicos, espetáculos artísticos e a manutenção de um ambiente com internet livre e equipamentos adequados para acessá-la.[18]

Ao redor do parque prevê-se ainda a instalação de diversos equipamentos culturais e de ensino, além de mudanças no terminal de ônibus.[17] Lojistas da Rua 25 de Março, próxima ao terminal, preocupavam-se em 2011 com a possível mudança de local, especialmente se ele fosse transferido para o Pari.[19] O secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Miguel Bucalem, garantia em maio de 2011 que a intenção do projeto de revitalização era resgatar a função original do parque, sem abrir mão das "necessidades modernas" e "não como uma simples volta ao passado".[10] Ele dizia que seriam respeitadas as características ambientais e históricas, além das ligadas ao transporte público, o que significava a construção de um terminal intermodal ao lado da Estação Pedro II do Metrô, que incluiria os terminais do Expresso Tiradentes e de ônibus.[10]

Referências

  1. a b Daniel Gonzales. (2 de julho de 2007). "O retrato do abandono". Jornal da Tarde: pág. 5A. Página visitada em 31/1/2010.
  2. Lais Catassini. (1 de fevereiro de 2010). "O caminho de assaltos no centro". Jornal da Tarde: pág. 8A. Página visitada em 8/2/2010.
  3. a b c d e f Daniel Gonzales. (9 de janeiro de 2009). "Parque D. Pedro, enfim, será reformado". Jornal da Tarde: pág. 6A. Página visitada em 6/3/2010.
  4. Marco Lourenço e Ubiratan Leal. (abril de 2010). "Museu a céu aberto… com acervo escondido" (em português). Revista ESPN (número 6): pág. 76. Spring. ISSN 21763143.
  5. a b Rodrigo Brancatelli. (14 de abril de 2010). "Quartel histórico no centro está abandonado". O Estado de S. Paulo (42 547): C8. São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. ISSN 15162931. Página visitada em 2/5/2010.
  6. a b c d Diego Zanchetta. (29 de junho de 2008). "Região sofre degradação há quase 70 anos". O Estado de S. Paulo: pág. C3.
  7. a b Tiago Dantas. (5 de maio de 2011). "Projeto do São Vito só ficará pronto em 2016" (em português). Jornal da Tarde (14 864): 6A. São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. ISSN 1516294X.
  8. a b c Ayrton Camargo e Silva. (30 de setembro de 1992). "A volta do parque D. Pedro 2.º". Folha de S. Paulo (23 191): pág. 3-2. São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A.. ISSN 14145723.
  9. Janes Jorge. (27 de janeiro de 2010). "Uma cidade em apuros". Carta Capital (580): 28. Editora Abril. ISSN 18096697. Página visitada em 31/1/2010.
  10. a b c Fernando Granato. (5 de maio de 2011). "Área de lazer já foi a maior de SP". Diário de S. Paulo (42 438): 11. Rede Bom Dia de Comunicações Ltda.. ISSN 15196771.
  11. Edifício Mercúrio será demolido para revitalização do centro. SPTV (4 de dezembro de 2008). Página visitada em 31/1/2010.
  12. a b c d Diego Zanchetta. (7 de maio de 2010). "Viaduto de 540 metros espera demolição há 20 anos". Jornal da Tarde (14 501): pág. 4A. Página visitada em 8/5/2010.
  13. a b Aryane Cararo. (24 de julho de 2006). "Vizinhança vai tremer". Jornal da Tarde (13 118): pág. 3A. Página visitada em 31/1/2010.
  14. (18 de março de 1992) "Comerciantes reclamam de interdição de viaduto". O Estado de S. Paulo: Cidades, pág. 1. São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo.
  15. a b c d Evandro Spinelli e Filipe Motta. (25 de abril de 2010). "Projeto prevê criar camelódromo no centro". Folha de S. Paulo (29 607): pág. C13. São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A.. ISSN 14145723.
  16. a b Camilla Haddad. (12 de outubro de 2010). "Parque D. Pedro reage à degradação" (em português). Jornal da Tarde (14 659): pág. 4A. São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. ISSN 1516294X.
  17. a b Evandro Spinelli. (26 de abril de 2011). "Bulevar vai cobrir avenida do Estado". Folha de S. Paulo (29 973): pág. C1. São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A.. ISSN 14145723.
  18. a b c Tiago Dantas. (23 de dezembro de 2011). "Sesc no centro só daqui 3 anos". Jornal da Tarde (15096): 4A.
  19. Tiago Dantas. (5 de maio de 2011). "Lojistas da 25 de Março querem que terminal fique" (em português). Jornal da Tarde (14 864): 6A. São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. ISSN 1516294X.
Ferramentas pessoais
Espaços nominais
Variantes
Ações
Navegação
Colaboração
Imprimir/exportar
Ferramentas