Centro Histórico de Olinda

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Pix.gif Centro Histórico de Olinda *
Welterbe.svg
Património Mundial da UNESCO

Centro Histórico de Olinda - Pernambuco.jpg
Vista de Olinda.
País  Brasil
Tipo Cultural
Critérios iii, iv
Referência 189
Região** Brasil
Coordenadas 8°0'48" S 34°50'42" W
Histórico de inscrição
Inscrição 1982  (6ª sessão)
* Nome como inscrito na lista do Património Mundial.
** Região, segundo a classificação pela UNESCO.

O Centro Histórico de Olinda, também chamado de Cidade Alta, abrange a área histórica do município brasileiro de Olinda, no estado de Pernambuco.

Quase um terço da área total do município é tombado. A preservação desse sítio histórico começou na década de 1930, quando os principais monumentos foram tombados. A partir daí foram promovidas várias ações no sentido de preservar todo o patrimônio histórico, cultural e arquitetônico do município. O sítio foi declarado Monumento Nacional pelo Congresso Nacional em 1980, e em 1982 foi reconhecido como patrimônio mundial pela UNESCO.[1]

Fundada em 1535 por Duarte Coelho Pereira, primeiro donatário da capitania, em um sítio elevado que favorecia a defesa da povoação e controle da região, Olinda se tornou capital e um importante pólo econômico no fim do século XVI, enriquecida com a cana-de-açúcar. Em 1612 a vila centralizava a produção de todos os engenhos de Pernambuco, e tanta riqueza motivou a invasão dos holandeses em 1630. Um ano depois, sendo considerada mal localizada pelos invasores, a vila foi abandonada e incendiada, e a capital transferiu-se para Recife, o antigo porto de Olinda.[2]

Depois da expulsão dos holandeses em 1654, Olinda começou a ser reconstruída. Das edificações originais quase nada restara, destacando-se entre as que escaparam do incêndio a Igreja de São João.[1] Porém, desenvolveu-se intensa rivalidade com Recife pela supremacia política. Os fazendeiros e a Igreja desejavam o retorno da capital para sua antiga sede, mas os comerciantes preferiam Recife como capital por ter um porto. Vencendo os primeiros, voltou Olinda à condição de capital. Em 1676 foi erigida ali a Diocese de Pernambuco e a vila subiu à condição de cidade, passando os próximos cem anos envolvida na reconstrução e tornando-se importante centro cultural.[2] [1]

No século XVIII, com o declínio da economia açucareira, e enfrentando a constante competição de Recife, que se tornava cada vez mais próspera, a cidade mudou seu perfil, tornando-se um refúgio de aristocratas, religiosos, estudantes e pessoas em busca de suas praias para banhos medicinais.[3] Em 1827 Recife voltou a ser capital.[1] Ao longo do século XIX é visível a estagnação da cidade, que continua do mesmo tamanho que tinha no século anterior. O seu renascimento só ocorreu no século XX, quando seu potencial turístico começou a ser explorado.[4]

A cidade tem um traçado irregular, de influência medieval, adaptando-se de forma orgânica às curvas do terreno. Os monumentos históricos são realçados pela abundante vegetação tropical que sobrevive entre a malha urbana. Há grande número de igrejas, muitas delas com rica ornamentação barroca no interior, e seu casario atesta a transformação dos hábitos de edificação civil ao longo dos séculos, mas preservou-se a harmoniosa integração com a paisagem e ainda restam expressivos trechos com a antiga urbanização colonial do século XVIII, com suas casas de tradição portuguesa, com sacadas em pedra ou madeira, fachadas contíguas e grandes quintais, adaptadas ao clima tropical do local.[2] [1] Segundo descrição da UNESCO, que o declarou Patrimônio Mundial,

"As qualidades únicas do Centro Histórico surgem do equilíbrio preservado entre os edifícios, públicos ou privados, e os jardins organizados desde a primitiva divisão dos lotes. É uma cidade de vistas surpreendentes: uma das numerosas igrejas ou conventos barrocos, ou uma das várias capelas dos passos, vai aparecer a cada vez que dobramos uma esquina. Os refinamentos elaborados da decoração das principais estruturas arquitetônicas contrastam com a charmosa simplicidade do casario pintado de cores vivas ou com as fachadas revestidas de azulejos".[1]

Entre as construções existentes atualmente, se destacam a antiga capela do colégio jesuíta, hoje denominada Igreja da Graça,[1] a Catedral de Olinda, a Igreja e Mosteiro de São Bento, o Convento de São Francisco, a Igreja de Nossa Senhora das Neves, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo e o antigo palácio episcopal, hoje o Museu de Arte Sacra de Pernambuco.[2] Nos últimos anos a administração municipal, o IPHAN e o Programa Monumenta têm realizado muitas obras de conservação, restauro e revitalização de estruturas e espaços, com preocupação com a acessibilidade e a circulação, a organização dos artesãos e comerciantes locais e o aproveitamento das vistas panorâmicas que podem ser desfrutadas de cima das colinas do centro histórico.[3] [5]

Grande parte do interesse que Olinda desperta vem de suas manifestações da cultura popular, sendo conhecida pela sua cerâmica e sua talha artesanal, pelo seu carnaval e outras festas típicas da região, onde se dança o frevo e o maracatu.[2]

Referências

  1. a b c d e f g World Heritage. "Historic Centre of the Town of Olinda". UNESCO.
  2. a b c d e IPHAN. Olinda.
  3. a b Programa Monumenta. "Olinda (PE)".
  4. Menezes, José Luiz Mota. "História". Portal da Prefeitura de Olinda.
  5. Calheiros, Celso. "Novo Alto da Sé de Olinda". Carta Capital, 12/12/2010.
  6. Coutinho, Katherine. "Após reforma, Igreja do Carmo, em Olinda, é devolvida aos carmelitas". O Globo, 05/08/2012.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Centro Histórico de Olinda


Ícone de esboço Este artigo sobre patrimônio histórico no Brasil é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.