Paulo Emílio Sales Gomes
Paulo Emílio Sales Gomes[1] (São Paulo, 17 de dezembro de 1916 — São Paulo, 9 de setembro de 1977) foi um historiador, crítico de cinema e militante político brasileiro.
Ainda muito jovem começou a participar ativamente da vida política e cultural da cidade de São Paulo e, com sua atuação e seus escritos, abriu novas perspectivas para a crítica cinematográfica no Brasil.
Paulo Emílio foi preso pela repressão de Getúlio Vargas, após a Intentona Comunista de 1935, mas escapou e fugiu para a Europa, onde passou dois anos. De volta ao Brasil, matricula-se na Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo (USP) e funda o primeiro clube de cinema, que foi fechado algum tempo depois pelo Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP). Ele também organizou e dirigiu a filmoteca do Museu de Arte Moderna de São Paulo, instituição transformada na Cinemateca Brasileira dez anos mais tarde. Participa da Revista Clima que iria reunir alguns dos futuros críticos de arte e literatura paulistas.
Em 1946 foi estudar em Paris, como bolsista do governo francês. A partir da década de 1960, organizou mostras de filmes em Brasília, que originaram posteriormente o Festival de Brasília de Cinema Brasileiro.
Em 1965 criou o primeiro curso superior de cinema, na Universidade de Brasília, iniciativa infelizmente encerrada por causa da cassação de vários professores. Três anos depois tornou-se professor de História do Cinema Brasileiro no curso de cinema da Escola de Comunicações e Artes da USP. Foi casado com a escritora Lygia Fagundes Telles.
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[editar] Militância política
Paulo Emílo descreve sua militancia política depois de 1940 a Edgard Carone: foi porque "os comunistas diziam que eu tinha ficado trotskista, policial, agente disso ou daquilo -" que os trotskistas ouviram falar de mim e dos livros que eu tinha, que interessavam muito a eles.(...) "mas logo viram que meu "trotskismo não existia" (...) Porque o "único trotskista que realmente me interessou foi Trotski". Os trotskistas na minnha volta, afirma Paulo Emílio, eram Rocha Barros e Arnaldo Pedroso D'Horta (Folhetim,FSP, pg B-4).
Depois de 1940 um dos grupos a que Paulo Emílo se ligou foi o de amigos: Décio de Almeida Prado, Antonio Candido de Mello e Souza, Lourival Gomes Machado, Rui Coelho, que se reuniram na Revista Clima, "pessoas que não tinham interesse mais especial em política" (Folhetim, FSP, pg. B-4).
Anos depois, provavelmente em 1961, Paulo Emilio afirmará:
| Como soi acontecer com outros amores, penso que saí enriquecido do comunismo (...). De qualquer maneira estou convencido de que me foi dado escapar ao perigo maior, o de abandonar o comunismo para atolar no anticomunismo. Atualmente as coisas se passam de forma bastante diversa, mas no meu tempo de moço, deixar de ser comunista era problema grave. (...) O aspecto de defesa de valores é uma máscara que o anticomunismo abandona quando encontra condições favoráveis para manifestar sua plena virulência esterilizadora. Na cultura e educação, os dois únicos terrenos onde a ação me interessa, não vejo inimigo mais perigoso do que o assim chamado anticomunismo. Liberto há muito tempo das vendas do comunismo e imune para sempre do vírus desintegrador do anticomunismo - condição necessária para a razoável e perplexa sabedoria que vislumbro aos 45 anos de idade x(...) p. 358 - Críticas no Suplemento Literário vol. II. |
Referências
- ↑ Pela grafia arcaica, Paulo Emílio Salles Gomes.
- CARONE, Edgard. Memórias Políticas de um Crítico. Depoimento de Paulo Emilio Salles Gome. Folha de São Paulo, 11 setembro de 1987. Folhetim 553.
- Alexandre Hecker. Socialismo sociável: história da esquerda democrática em São Paulo
- pequena biografia no site editora Cossac Naif
[editar] Livros
- Caixa Paulo Emilio - 2 Livros + 2 Dvds. 2009. Vigo, Vulgo Almereyda e Jean Vigo (primeira edição 1968), ISBN-13:9788575037492 e ISBN-10:8575037498
- Cinema : trajetória no subdesenvolvimento. Paz e Terra, 1986.
- Paulo Emílio: Crítica de cinema no Suplemento literário. Embrafilme, Editora Paz e Terra, 1982.
- Glauber Rocha. Paulo Emílio Salles Gomes e Outros. Paz e Terra, 1977
- Humberto Mauro, Cataguases, Cinearte. Perspectiva, 1974
- Cemiterio. Cosac Naify, 2007.
- Tres Mulheres De Tres Pppes. Perspcetiva, 1977 e Cosac Naify, 2007.
- Vigo , Vulgo Almereyda. Companhia das Letras, 1991, ISBN: 8571641064.
- 70 Anos de Cinema Brasileiro (em co-autoria com Ademar Gonzaga, 1966).