Antonio Candido

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Antônio Cândido
Antonio Candido na 9ª edição da Flip em 2011
Nome completo Antônio Cândido de Mello e Souza
Nascimento 24 de julho de 1918 (95 anos)
Rio de Janeiro, RJ
Nacionalidade  Brasileiro
Ocupação Crítico literário, ensaísta, sociólogo, professor

Antonio Candido de Mello e Souza (Rio de Janeiro, 24 de julho de 1918) é um sociólogo, literato e professor universitário brasileiro. Estudioso da literatura brasileira e estrangeira, possui uma obra crítica extensa, respeitada nas principais universidades do Brasil. À atividade de crítico literário soma-se a atividade acadêmica, como professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

É professor-emérito da USP e da UNESP, e doutor honoris causa da Unicamp.

Biografia[editar | editar código-fonte]

É filho do médico Aristides Candido de Mello e Souza e de Clarisse Tolentino de Mello e Souza, passou a infância entre os limites geográficos e culturais de Minas Gerais e São Paulo (Cássia, Poços de Caldas e São João da Boa Vista), para fixar-se na cidade São Paulo em 1937.[1]

Ingressou na Faculdade de Direito e na de Filosofia da Universidade de São Paulo em 1939, tendo abandonado a primeira no quinto ano e se formado em Filosofia em 1942.[1]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Iniciou sua carreira como crítico na revista Clima (1941-1944), juntamente com Paulo Emílio Salles Gomes, Alfredo Mesquita, Décio de Almeida Prado, Gilda Rocha de Mello e Souza (filha de um primo de Mário de Andrade), com quem veio a se casar, e outros.

Titulação acadêmica[editar | editar código-fonte]

Doutor em Sociologia

Política[editar | editar código-fonte]

Paralelo às atividades literárias, Candido militou no Partido Socialista Brasileiro e participou do Grupo Radical de Ação Popular, integrado também por Paulo Emílio Salles Gomes, Germinal Feijó, Paulo Zingg e Antônio Costa Correia, editando um jornal clandestino, de oposição ao governo Getúlio Vargas, chamado Resistência. Posteriormente, participou do processo de fundação do Partido dos Trabalhadores, onde, entre outras funções, foi Presidente do 1º Conselho Curador da Fundação Wilson Pinheiro, fundação de apoio partidária instituída pelo PT em 1981[2] , antecessora da Fundação Perseu Abramo. Ainda hoje é filiado ao partido, tendo apoiado a candidatura de Dilma Rousseff em 2010.[3]

Professor[editar | editar código-fonte]

Em 1942 ingressou no corpo docente da Universidade de São Paulo (USP) como assistente de ensino do professor Fernando de Azevedo, na cadeira de Sociologia II, onde foi colega de Florestan Fernandes. A partir de 1943 passou a colaborar com o jornal Folha da Manhã, em que escreveu diversos artigos e resenhou os primeiros livros de João Cabral de Melo Neto e Clarice Lispector.

Em 1945, obteve o título de livre-docente com a tese Introdução ao Método Crítico de Sílvio Romero e, em 1954, o grau de doutor em Ciências Sociais com a tese Parceiros do Rio Bonito, ainda hoje um marco nos estudos brasileiros sobre sociedades tradicionais. Entre 1958 e 1960 foi professor de literatura brasileira na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Assis, hoje integrada à Universidade Estadual Paulista.

Em 1961 regressou à USP e, a partir de 1974, torna-se professor-titular de Teoria Literária e Literatura Comparada da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (assim denominada a partir de 1970) da USP, sendo responsável pela formação de grande parte da intelectualidade nacional, direta ou indiretamente. Entre os seus discípulos estão Antônio Lázaro de Almeida Prado, Fernando Henrique Cardoso, Roberto Schwarz, Davi Arrigucci Jr., Walnice Nogueira Galvão, João Luiz Lafetá e Antônio Arnoni Prado, entre outros.

Aposentou-se em 1978, todavia manteve-se ainda como professor do curso de pós-graduação até 1992, ano em que orientou a última tese, a do crítico mexicano Jorge Ruedas de La Serna [4] e crítico atuante não só na vida literária, como também na política, tendo sido um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores. Recebeu o Prémio Camões em 1998.

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Antonio Candido foi casado com Gilda de Mello e Souza, professora de Estética no Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. Falecida em 25 de dezembro de 2005, Gilda era filha de um primo do escritor Mário de Andrade, com quem conviveu na mesma casa por 12 anos e cuja obra ela estudou, especialmente em O Tupi e o Alaúde.

Principais obras[editar | editar código-fonte]

  • Introdução ao método crítico de Sílvio Romero, 1945;
  • Ficção e confissão: estudo sobre a obra de Graciliano Ramos, 1956;
  • Formação da literatura brasileira: momentos decisivos, 1959;
  • O observador literário, 1959;
  • Tese e antítese: ensaios, 1964;
  • Os parceiros do Rio Bonito: estudo sobre o caipira paulista e a transformação dos seus meios de vida, 1964;
  • Literatura e sociedade: estudos de teoria e história literária, 1965;
  • Vários escritos, 1970;
  • Formação da literatura brasileira, 1975;
  • Teresina etc., 1980;
  • Na sala de aula: caderno de análise literária, 1985;
  • A educação pela noite e outros ensaios, 1987;
  • O estudo analítico do poema, 1987;
  • Recortes, 1993;
  • O discurso e a cidade, 1993;
  • Teresina e seus amigos, 1996;
  • Iniciação à literatura brasileira (Resumo para principiantes), 1997;
  • O Romantismo no Brasil, 2002;
  • Um funcionário da Monarquia: ensaio sobre o segundo escalão, 2002.

Obras em parceria[editar | editar código-fonte]

Obras sobre Antonio Candido[editar | editar código-fonte]

  • Aguiar, Flávio (org.). Antonio Candido: pensamento e militância. Fundação Perseu Abramo e Humanitas FFLCH/USP, 1999.
  • Antelo, Raúl (org.), Antonio Candido y los Estúdios Latinoamericanos, -Instituto Internacional de Literatura Ibero-Americana da Universidade de Pittsburgh, 2002.
  • Arantes,Paulo Eduardo Arantes. Sentimento da Dialética. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.
  • Corpas, Danielle et al. (org.). 40 anos de Formação da literatura brasileira. v. 1. Rio de Janeiro: Fundação Universitária José Bonifácio (UFRJ), 2000.
  • Dantas Vinícius, "Bibliografia de Antonio Candido", São Paulo, Duas Cidades / 34 Letras, 2004.
  • Goto, Roberto. Malandragem revisitada. Campinas: Pontes, 1988.
  • Jackson, Luiz Carlos. A tradição esquecida; Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2002.
  • Lafer, Celso. (org.). Esboço de Figura. São Paulo, Duas Cidades, 1979.
  • Pontes, Heloísa. "Destinos Mistos. Companhia das Letras. 1998.
  • Schwarz, Roberto. "Pressupostos, salvo engano, de Dialética da malandragem". In: ___ Que Horas São? São Paulo: Companhia das Letras, 1989.
  • Schwarz, Roberto. Sequências Brasileiras. São Paulo: Companhia das Letras, 1999.
  • Serna, Jorge Ruedas de la (org.) "História e Literatura: Homenagem a Antonio Candido", Unicamp, 2003.
  • http://cpd1.ufmt.br/ichs/territorios&fronteiras/artigos/2010-1-8.pdf

MARTINELLO, André Souza; SCHNEIDER, Sérgio. 'PARALELOS ENTRE ANTONIO CANDIDO E ALEXANDRE CHAYANOV: ECONOMIA FECHADA, EQUILIBRIO MÍNIMO E RUSTICIDADE.' Revista Territórios e Fronteiras (UFMT). V.3, número 02 - Jul/Dez 2010. p. 138-158, 2010. http://cpd1.ufmt.br/ichs/territorios&fronteiras/artigosedossies/2010-1-8.php

Prêmios[editar | editar código-fonte]

Intelectual do Ano 2007, conferido pela UBE - União Brasileira de Escritores, em 2008. O Prêmio Juca Pato agracia o intelectual que mais se destacou no ano anterior.

Referências

  1. a b LOURENÇO DANTAS MOTA. Introduçao Ao Brasil - Um Banquete No Tropico. Senac; 2008. ISBN 978-85-7359-765-3. p. 359.
  2. MENEGOZZO, C H M; MACIEL, A F; SILVA, P R; RAMIRES, M F; GÓES, W L. Centro Sérgio Buarque de Holanda: Guia de Acervo. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2009. 248 p. Disponível em: <www.fpabramo.org.br/uploads/guia_CSBH.pdf>. Acesso em 30 ago. 2012.
  3. "Leia declaração de Antonio Candido durante ato dos dois mil Pró-Dilma, na USP, nesta segunda (25)". Diretório Estadual do PT em São Paulo. 26 de outubro de 2010. Acesso em 8 de janeiro de 2011.
  4. http://www.fflch.usp.br/dtllc/teses.htm

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Precedido por
Cecília Meireles / Herman Lima
Jabuti 01.jpg Prêmio Jabuti - Poesia
1965
Sucedido por
Carlos Soulie do Amaral
Precedido por
Pepetela
Prêmio Camões
1998
Sucedido por
Sophia de Mello Breyner


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