Pedro I de Portugal

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Dom Pedro I
Armoiries Portugal 1247.svg
Rei de Portugal
Governo
Reinado 8 de março de 1357
18 de janeiro de 1367
Coroação Lisboa
Consorte D. Branca de Castela
D. Constança Manuel
D. Inês de Castro
Antecessor D. Afonso IV
Herdeiro D. Fernando I
Sucessor D. Fernando I
Dinastia Borgonha
Títulos O Justo
Vida
Nascimento 8 de Abril de 1320
Coimbra, Portugal
Morte 18 de Janeiro de 1367 (46 anos)
Estremoz, Portugal
Sepultamento Mosteiro de Santa Maria, Alcobaça
Filhos D. Luís, D. Maria, D. Fernando I, D. Afonso, D. Beatriz, D. João, D. Dinis, D. Teresa, D. João I
Pai D. Afonso IV
Mãe D. Beatriz de Castela

D. Pedro I de Portugal (Coimbra, 8 de Abril de 1320Estremoz, 18 de Janeiro de 1367) foi o oitavo Rei de Portugal. Recebeu os cognomes de O Justo (também O Cruel, O Cru ou O Vingativo), pela energia posta em vingar o assassínio de Inês de Castro, ou de O-Até-ao-Fim-do-Mundo-Apaixonado, pela afeição que dedicou àquela dama galega. Filho do rei Afonso IV e sua mulher, a princesa Beatriz de Molina e Castela. Pedro I sucedeu a seu pai em 1357.

Índice

Vida [editar]

Pedro é conhecido pela sua relação com Inês de Castro, a aia galega da sua mulher Constança, que influenciou fortemente a política interna de Portugal no reinado de Afonso IV. Inês acabou assassinada por ordens do rei em 1355, mas isto não trouxe Pedro de volta à influência paterna. Contrariamente, entre 1355 e sua ascensão à coroa, Pedro revoltou-se contra o pai pelo menos duas vezes, e nunca lhe perdoou o assassinato de Inês. Aclamado rei em 1357, Pedro anunciou em Cantanhede, em junho de 1360, o casamento com Inês, realizado em segredo antes da sua morte, sendo sua intenção a ver lembrada como Rainha de Portugal.

Este facto baseia-se apenas na palavra do rei, uma vez que não existem registos de tal união. Dois assassinos de Inês foram capturados e executados (Pêro Coelho e Álvaro Gonçalves) com uma brutalidade tal (a um foi arrancado o coração pelo peito, e a outro pelas costas), que lhe valeram os epítetos supramencionados.

Conta também a tradição que Pedro teria feito desenterrar o corpo da amada, coroando-o como Rainha de Portugal, e obrigando os nobres a procederem à cerimónia do beija-mão real ao cadáver, sob pena de morte. Em seguida ordenou a execução de dois túmulos (verdadeiras obras-primas da escultura gótica em Portugal), os quais foram colocados nas naves laterais do Mosteiro de Alcobaça para que, no dia do Juízo Final, os eternos amantes, então ressuscitados, de imediato se vejam...

Como rei, Pedro revelou-se bom administrador, corajoso na defesa do país contra a influência papal (foi ele que promulgou o famoso Beneplácito Régio, que impedia a livre circulação de documentos eclesiásticos no país sem a sua autorização expressa), e justo na defesa das camadas menos favorecidas da população. Na política externa, Pedro participou ao lado de Aragão na invasão de Castela.

D. Pedro reinou durante dez anos, sendo tão popular ao ponto de dizer a população "que taes dez annos nunca ouve em Portugal como estes que reinara el Rei Dom Pedro".

Jaz no Mosteiro de Santa Maria de Alcobaça.

Casamentos e descendência [editar]

O episódio da castração do pajem [editar]

Em termos de historiografia, a orientação sexual do monarca tem sido questionada, nomeadamente a partir da tese de doutoramento do professor Fernando Bruquetas de Castro, da Universidad de Las Palmas de Gran Canaria, "Reis que Amaram como Rainhas", prémio de melhor tese de doutoramento em Espanha no ano 2000. Apresentado como bissexual, entre 1357 e 1367 o monarca já havia rejeitado consumar o casamento com Branca de Castela argumentando que ela tinha "um aspeto frágil e doentio".1

Embora havendo três filhos do seu segundo casamento e tendo vivido uma relação intensa com Inês de Castro, com quem também houve descendência, acerca do temperamento deste soberano, o cronista Fernão Lopes dedicou um capítulo que intitulou "Como El-Rei mandou capar um seu escudeiro porque dormia com uma mulher casada", permitindo entrever que o gesto teria sido motivado por ciúmes do monarca por seu escudeiro, de nome Afonso Madeira. Madeira é descrito como um grande cavalgador, caçador, lutador e ágil acrobata, e regista: :"Pelas suas qualidades, El-Rei amava-o muito e fazia-lhe generosas mercês." O escudeiro, entretanto, apaixonou-se por Catarina Tosse, esposa do Corregedor, descrita como "briosa, louçã e muito elegante, de graciosas prendas e boa sociedade". Para se aproximar dela, Madeira fez-se amigo do Corregedor, seduzindo-a e consumando a traição. O soberano, entretanto, tudo descobriu e não perdoou Madeira, castigando-o brutalmente. O cronista insiste no afeto do soberano, referindo enigmaticamente: "Como quer que o Rei muito amasse o escudeiro, mais do que se deve aqui dizer (...)", mas regista que D. Pedro mandou "cortar-lhe aqueles membros que os homens em maior apreço têm". O escudeiro recebeu assistência e sobreviveu, mas "engrossou nas pernas e no corpo e viveu alguns anos com o rosto engelhado e sem barba".2

Devido a um erro na tradução da palavra, que é ainda prepetuado (Expresso, colecção Reis e Rainhas de Portugal), o soberano tem sido erroneamente cunhado como "O Justiceiro", quando o seu verdadeiro cognome é "O Justo".

Notas

  1. RODRIGUES, Sofia da Palma. "Reis apaixonados por homens". Sábado, nº 331, 2 a 8 de setembro de 2010, p. 82-83.
  2. As Crónicas de Fernão Lopes. apud CASTRO, Pedro Jorge. "Sexo, Traição, Violência - e mais Sexo". Sábado, nº 355, 17 a 23 de fevereiro de 2011, p. 42-43.

Ver também [editar]

Realeza Portuguesa
Casa de Borgonha
Descendência
PortugueseFlag1185.svg

Ligações externas [editar]


Precedido por
Afonso IV
PortugueseFlag1248.svg
Rei de Portugal e do Algarve

1357 - 1367]
Sucedido por
Fernando I