Teresa Lourenço

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A existência duma Teresa Lourenço, mãe do Mestre de Avis D. João, que seria filha do mercador lisboeta Lourenço Martins, o da Praça, o qual era filho, por sua vez, de Martim Lourenço e de sua mulher, Sancha Martins, nunca foi comprovada de facto.1

António Caetano de Sousa, no século XVIII, copia2 da Torre do Tombo, duma súmula relativa a documentos da época do rei D.Pedro, o chamado Livro da Chancelaria de D. Pedro I, um texto referente a uma doação deste rei à mãe do dito D. João, Mestre de Avis. Nesse texto ela é designada como «Teresa Lourenço». Na edição de 1735 da Crónica de el-rei D. Pedro I,3 de Fernão Lopes, o texto do capítulo I desta obra apresenta-se alterado e menciona…«uma Dona natural de Galiza que chamavam Dona Tareija Lourenço». Bom, a partir daqui ela já passaria a ser designada comummente por Lourenço, mas ainda era galega. Mais tarde, além de Lourenço, passou a ser lisboeta e, ademais, filha daquele mercador, como, há que o assinalar, já antes de António Caetano de Sousa alguns autores sustentavam. A história deste interessante mito, fundado apenas em conjecturas, merece sem dúvida um dia ser feita.

No entanto não é só o mito que necessita de ser desvendado, mas também o próprio nome da senhora, pois que segundo os mais antigos manuscritos daquela Crónica de Fernão Lopes (por exemplo, o ms. 352 do Arquivo Nacional da Torre do Tombo), o rei Pedro I de Portugal manteve uma relação amorosa, após o assassinato de Inês de Castro, com uma dama galega de nome Teresa (e não «Teresa Lourenço»). Dessa relação viria a nascer em Lisboa, em São João da Praça (onde residiam os comerciantes lisboetas), a 11 de Abril de 1358 um filho a que deram o nome de João, e que o pai viria a confiar à guarda do mercador lisboeta Lourenço Martins, a fim de o criar, tendo-o feito poucos anos depois Mestre de Avis, a pedido do galego D. Nuno Freire de Andrade, o então Mestre da Ordem de Cristo. Foi este mesmo João que veio a ascender ao trono durante a Crise de 1383-1385, sob o nome de D. João I.

Como se chamaria realmente a sua mãe, apenas Dona Tareija, como diziam os cronistas, desde Fernão Lopes até aos inícios do século XVII, ou «Teresa Lourenço», como era mencionado no documento copiado por António Caetano de Sousa?

Referências

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