Henrique II de Inglaterra

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Henrique II
Rei da Inglaterra e Conde de Anjou
Duque da Normandia e Aquitânia
Rei da Inglaterra
Reinado 25 de outubro de 1154
a 6 de julho de 1189
Coroação 19 de dezembro de 1154
Predecessor Estêvão
Sucessor Ricardo I
Esposa Leonor da Aquitânia
Descendência
Guilherme IX, Conde de Poitiers
Henrique, o Jovem
Ricardo I de Inglaterra
Godofredo II, Duque da Bretanha
Matilde, Duquesa da Saxônia
Leonor, Rainha de Castela
Joana, Rainha da Sicília
João de Inglaterra
Casa Plantageneta
Pai Godofredo V de Anjou
Mãe Matilde de Inglaterra
Nascimento 5 de março de 1133
Le Mans, França
Morte 6 de junho de 1189 (56 anos)
Chinon, França
Enterro Abadia de Fontevraud, Fontevraud-l'Abbaye, França

Henrique II de Inglaterra (5 de Março de 1133Le Mans, França, 6 de Julho de 1189), também conhecido como Henrique Curtmantle (em francês: Court-manteau), Henrique FitzEmpress ou Henrique Plantageneta, governou como Conde de Anjou, de Maine, Duque da Normandia, da Aquitânia, Conde de Nantes, Rei de Inglaterra (1154-1189) e Lord da Irlanda; por diversas vezes controlou o País de Gales, a Escócia e o Ducado da Bretanha. Henrique era filho de Godofredo V de Anjou e de Matilde, filha de Henrique I. Com 14 anos envolveu-se nos esforços para reclamar o trono de Inglaterra que a sua mãe levava a cabo, tornando-se Duque da Normandia com 17 anos. Em 1151, herda Anjou, e pouco depois casa com Leonor da Aquitânia, cujo casamento com Luís VII de França tinha sido anulado. O rei Estêvão de Inglaterra acordou um tratado de paz após uma expedição militar a Inglaterra em 1153, e Henrique herdou o reino após a morte de Estêvão, um ano depois. Ainda muito novo, passou a controlar o que seria mais tarde designado por Império Angevino, que se estendia por grande parte da Europa Ocidental.

Henrique era um governante dinâmico e, por vezes, cruel, levado por uma vontade de recuperar as terras e os privilégios do seu avô, Henrique I. Durante os seus primeiros anos de governação, Henrique repôs a administração real em Inglaterra, reestabeleceu a hegemonia sobre o País de Gales e recuperou o domínio total sobre as terras em Anjou, Maine e Touraine. Henrique depressa entrou em conflito com Luís VII, e ambos mantiveram-se numa luta designada como "guerra fria", não havendo uma intervenção militar, mas sim a um nível económico e político, durante várias décadas. Henrique expandiu o seu império, por diversas vezes à custa de Luís, tomando a Bretanha e entrando pelo leste até à região central de França até Toulouse; apesar de numerosas conferências e tratados de paz, nunca se chegou a um entendimento duradouro. Embora Henrique tivesse boas relações com as hierarquias locais da Igreja, o seu desejo de reformar as relações de Inglaterra com a Igreja, deu origem a conflitos com o seu antigo amigo Thomas Becket, o Arcebispo da Cantuária. Estes conflitos continuaram durante toda a década de 1160 e culminaram com a morte de Becket em 1170.

Durante o seu reinado, Henrique teve vários filhos com Eleanor, e a tensão sobre o próximo herdeiro teve início, potenciada, primeiro por Luís VII e, depois, pelo seu filho e sucessor Filipe Augustus. Em 1173, o herdeiro aparente de Henrique, Henrique o Jovem, insurgiu-se num protesto contra o seu pai; a ele juntaram-se-lhe os seus irmãos Ricardo e Godofredo, e a sua mãe, Eleanor. A França, a Escócia, a Flanders e Bolonha aliaram-se aos rebeldes contra Henrique. A Grande Revolta estendeu-se por todas as terras de Henrique e apenas foi derrotada pelos seus valorosos comandantes locais em acções militares; muitos dos comandantes eram novos homens escolhidos pela sua lealdade e capacidades administrativas. Henrique era generoso nas vitórias e parecia estar do seu momento áureo dos seus poderes, mas Godofredo e o Jovem Henrique revoltaram-se, de novo, em 1183, resultando na morte deste último. Apesar de invadir a Irlanda para tomar terras para o seu filho mais novo João, Henrique esforçou-se por agradar a todos os seus filhos no respeitante à posse de terras e poder imediato. Filipe conseguiu convencer Ricardo que Henrique iria nomear João para rei, e nova revolta teve lugar em 1189. Derrotado por Filipe e por Ricardo e sofrendo de uma hemorragia devido a uma úlcera, Henrique retirou-se para Chinon em Anjou, onde viria a morrer.

O império de Henrique rapidamente colapsou durante o reinado do seu filho João. Muitas das mudanças introduzidas por Henrique durante o seu governo, contudo, tiveram efeitos a longo-prazo. As alterações ao nível do Direito são consideradas como a base para as leis inglesas, enquanto a sua intervenção na Bretanha, País de Gales e Escócia moldou o desenvolvimento das suas sociedades e sistemas de governação. Ao longo dos tempos, as interpretações histórica sobre o reinado de Henrique têm-se alterado de forma significativa. No século XVIII, os académicos defendiam que Henrique foi a força que criou uma monarquia legítima, e, no fim, uma Grã-Bretanha unificada. Durante a expansão vitoriana do Império Britânico, os historiadores estavam interessados, em particular, na formação do próprio império de Henrique, mas também davam alguma atenção à sua vida privada e relação com Becket. Nos finais do século XX, alguns historiadores analisaram os relatos históricos britânicos e franceses de Henrique, pondo em causa algumas interpretações anglocentricas do seu reinado.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Henrique cresceu em Anjou nos territórios do pai, acompanhando de longe a luta de sua mãe pela coroa inglesa. Foi introduzido na governação em 1150 e depressa se revelou um líder capaz. A 18 de Maio de 1152, Henrique casou com a herdeira e duquesa Leonor da Aquitânia, recentemente divorciada do rei Luís VII de França. Apesar do divórcio, Leonor conseguiu preservar a tutela do seu ducado, que passou a governar com Henrique a partir da data do casamento. Este facto fez de Henrique senhor de um território que incluía a Normandia, Anjou, Poitiers, Aquitânia e Gasconha, tornando-o tão poderoso ou mais que o próprio rei de França.

Reinado[editar | editar código-fonte]

Em 1153, depois da morte de Eustáquio de Blois, herdeiro de Estêvão de Inglaterra, Henrique invadiu a Inglaterra e obrigou o rei doente a nomeá-lo como sucessor. Esta solução para o fim da guerra civil agradou às populações e no ano seguinte Henrique tornou-se rei de Inglaterra com apoio generalizado do país. Henrique depressa mostrou que não seria um monarca leniente (suave) e que os tempos da Anarquia tinham chegado ao fim. As suas primeiras medidas foram dirigidas aos nobres que se haviam tornado imprevisíveis durante a crise. Castelos construídos sem autorização real foram desmantelados e um novo sistema de colecta de impostos implementado. A administração pública melhorou significativamente com o estabelecimento de registos públicos criados pelo rei. No campo da justiça, Henrique mandou coligir o primeiro livro de leis inglês, descentralizou o exercício da justiça através de magistrados com poderes de agir em nome da coroa e implementou o julgamento por júri.

Entre as variadas iniciativas, Henrique minou o poder da Igreja Católica, determinando que religiosos que tivessem cometido crimes de direito comum fossem julgados por tribunais civis e não eclesiásticos, e estabelecendo um novo conjunto de impostos sobre as ordens religiosas. Como seria de prever, esta atitude valeu-lhe uma enorme onda de protestos, encabeçada por Tomás Becket, Arcebispo da Cantuária e seu amigo pessoal. Becket dirigiu-se a Roma para apelar ao papa ao que se seguiu um exílio de vários anos. Em 1170, Henrique e Beckett reconciliaram-se formalmente num encontro na Normandia, mas pouco depois o atrito recomeçou. Diz a tradição que Henrique perguntou: Não há ninguém que me livre deste padre turbulento?. Quatro dos seus nobres levaram o desabafo a sério e Tomás Becket foi assassinado na Catedral da Cantuária a 29 de Dezembro de 1170. Henrique chorou a morte de Becket e puniu severamente tanto os assassinos como as suas famílias. Para aligeirar a relação com o papa que o ameaçou de excomunhão, o rei doou importantes somas à ordem dos Templários e aos Cavaleiros Hospitalários e incentivou os seus súbditos a partir em cruzada para a Terra Santa, apesar de ele próprio nunca ter peregrinado ao Oriente.

Durante o seu reinado, Henrique finalizou a conquista e anexação do País de Gales e da Irlanda.

Conflitos com a família[editar | editar código-fonte]

O casamento com Leonor da Aquitânia, se bem que político e com um intervalo de 11 anos entre eles, foi certamente tempestuoso. Guilherme de Poitiers, o primeiro filho do casal nasceu poucos meses depois do casamento o que indica uma relação anterior ao matrimónio. Henrique, no entanto, concebeu cerca de dez filhos ilegítimos, alguns dos quais criados pela própria Leonor junto dos filhos de ambos.

No princípio da década de 1170, Leonor abandonou Inglaterra e estabeleceu-se na Aquitânia. Os motivos permanecem desconhecidos, mas a ligação amorosa e pública de Henrique com Rosamunda Clifford, uma galesa, pode ter tido alguma influência. Na mesma altura, Henrique decidiu separar os seus territórios de forma a serem herdados pelos diferentes filhos. O resultado foi desastroso uma vez que os príncipes decidiram apropriar-se das terras antes da sua morte. Henrique o Jovem e Ricardo revoltaram-se contra o pai na Normandia e Anjou, com o apoio de Leonor, que não tinha apreciado as recentes intromissões de Henrique no Ducado da Aquitânia, e de Luís VII de França. De todos os seus filhos apenas o bastardo Godofredo, Arcebispo de York, permaneceu do seu lado e na sua estima até ao fim. Em 1173 é a própria Leonor quem inicia uma rebelião contra o rei. Henrique acabou por controlar a revolta no ano seguinte e colocou-a na prisão onde permaneceu nos 15 anos seguintes. Nesta altura, Henrique assumiu a relação com Rosamunda, que passou a receber tratamento de rainha, e equacionou o divórcio de Leonor da Aquitânia para casar sua irmã, filha de Luís com sua segunda esposa, a princesa Alice de França.

A relação com o filho Ricardo piorou ainda mais com a sua subida ao estatuto de herdeiro depois da morte do irmão mais velho. Em Julho de 1189 Ricardo, auxiliado pelo rei Filipe II de França, derrota o exército de Henrique em Chinon. Dois dias depois, Henrique morreu num castelo das redondezas, presumivelmente de ferimentos recebidos na batalha. Encontra-se sepultado na Abadia de Fontevraud em Anjou, França.

Ascêndencia[editar | editar código-fonte]

Descendência[editar | editar código-fonte]

De Leonor da Aquitânia , Duquesa da Aquitânia (1 de Abril de 1122 - 31 de Março de 1204), filha de Guilherme X da Aquitânia (1099 - 9 de Abril de 1137) e de Leonor de Châtellerault (1103 - 1137), teve:

  1. Guilherme, Conde de Poitiers (1152-1156)
  2. Henrique o Jovem, herdeiro de Inglaterra (1155-1183)
  3. Matilde Plantageneta (1156-1189), casada com Henrique, o Leão, Duque da Saxônia e da Baviera
  4. Ricardo Coração de Leão, rei de Inglaterra (1157-1199)
  5. Godofredo II da Bretanha (1158-1186)
  6. Leonor Plantageneta (1162-1214), casou com Afonso VIII de Castela
  7. Joana Plantageneta (1165-1199), casou com 1) Guilherme II, rei da Sicília e 2) Raimundo, Conde de Toulouse
  8. João Sem Terra, rei de Inglaterra (1166-1216)

Filhos ilegítimos, entre outros

  1. Guilherme Longespee, Conde de Salisbury (1152-c.1226)
  2. Godofredo, Arcebispo de York (1159-1212)


Henrique II de Inglaterra
Casa de Plantageneta
5 de março de 1133 – 6 de julho de 1189
Precedido por
Estêvão
Rei da Inglaterra
25 de outubro de 1154 – 6 de julho de 1169
Sucedido por
Ricardo I
Precedido por
Godofredo
Duque da Normandia
Conde de Anjou e Maine

7 de setembro de 1151 – 6 de julho de 1169
Precedido por
Leonor
(sozinha)
Duque da Aquitânia
18 de maio de 1152 – 6 de julho de 1169
com Leonor
Sucedido por
Ricardo I e Leonor
Conde de Poitiers
18 de maio de 1152 – 17 de agosto de 1153
com Leonor
Sucedido por
Guilherme IX