Henrique III de Inglaterra

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Henrique III
Rei da Inglaterra
Lorde da Irlanda e Duque da Aquitânia
Rei da Inglaterra
Reinado 19 de outubro de 1216
a 16 de novembro de 1272
Coroações 28 de outubro de 1216
17 de maio de 1220
Predecessor João
Sucessor Eduardo I
Regentes
Esposa Leonor da Provença
Descendência
Eduardo I de Inglaterra
Margarida de Inglaterra
Beatriz, Condessa de Richmond
Edmundo, 1.º Conde de Lencastre e Leicester
Catarina de Inglaterra
Casa Plantageneta
Pai João de Inglaterra
Mãe Isabel de Angoulême
Nascimento 1 de outubro de 1207
Castelo de Winchester, Winchester, Hampshire, Inglaterra
Morte 16 de novembro de 1272 (65 anos)
Palácio de Westminster, Londres, Inglaterra
Enterro Abadia de Westminster, Londres, Inglaterra

Henrique III (1 de outubro de 120716 de novembro de 1272), também conhecido como Henrique de Winchester, foi o Rei da Inglaterra, Lorde da Irlanda e Duque da Aquitânia de 1216 até sua morte. Filho do rei João de Inglaterra e Isabel de Angoulême, Henrique assumiu o trono com apenas nove anos de idade no meio da Primeira Guerra dos Barões. O cardeal Guala Bacchieri declarou que a guerra contra barões rebeldes era uma cruzada religiosa, e as forças de Henrique lideradas por Guilherme Marechal derrotaram os rebeldes em 1217 nas batalhas de Lincoln e Sandwich. Henrique prometeu respeitar a Magna Carta de 1225, que limitava o poder real e protegia os direitos dos grandes barões. O início de seu reinado foi dominado primeiramente por Humberto de Burgh e depois Pedro des Roches, que reestabeleceram a autoridade real depois da guerra. Uma revolta liderada por Ricardo Marechal, filho de Guilherme, começou em 1232 e terminou com um acordo de paz negociado pela Igreja.

Após a revolta, Henrique governou a Inglaterra pessoalmente em vez de utilizar ministros. Viajou menos que monarcas anteriores, investindo pesadamente em alguns palácios e castelos favoritos. Casou-se com Leonor da Provença e teve cinco filhos. Henrique era conhecido por sua piedade, por realizar grandes cerimônias religiosas e por generosas doações a caridade; o rei era particularmente devoto à figura de Eduardo, o Confessor, adotando-o como padroeiro. Ele tirou grandes quantias de dinheiro dos judeus na Inglaterra, prejudicando sua capacidade de conduzir negócios, e enquanto suas ações pioravam ele apresentou o Estatuto dos Judeus, tentando segregar a comunidade. Em uma tentativa para reconquistar suas terras familiares na França, invadiu o Condado de Poitou em 1242, levando a desastrosa Batalha de Taillebourg. Depois disso Henrique passou a contar com a diplomacia, cultivando uma aliança com Frederico II, Sacro Imperador Romano-Germânico. Apoiou o irmão Ricardo da Cornualha em sua cadidatura a Rei dos Romanos em 1256, porém não conseguiu colocar o filho Edmundo no trono da Sicília apesor dos gastos. Henrique planejava partir em cruzada até Levante, porém foi impedido por rebeliões na Gasconha.

O governo de Henrique estava cada vez mais impopular em 1258, resultado do fracasso de despendiosas políticas externas, da notoriedade de seus meio-irmãos poitevinos, os lusignanos, e por causa do papel de seus oficiais locais ao coletar impostos e débitos. Uma coalizão de barões, inicialmente e provavelmente apoiada por Leonor, tomou o poder em um golpe de estado que expulsou os poitevinos da Inglaterra, reformando o governo real através de um processo chamado de Provisões de Oxford. Henrique e o governo de barões promulgou uma paz com a França em 1259, em que Henrique entregava seus direitos de terras na França em troca de ser reconhecido como o legítimo herdeiro da Gasconha pelo rei Luís IX de França. O regime baronial caiu, porém o rei não conseguiu reformar um governo estável e a instabilidade continuou na Inglaterra.

Simão de Montfort, um dos barões mais radicais, chegou ao poder em 1263 e iniciou a Segunda Guerra dos Barões. Henrique conseguiu convencer Luís a apoiar sua causa e mobilizar um exército. A Batalha de Lewes aconteceu em 1264 e o rei foi derrotado e feito prisioneiro. Seu filho mais velho, Eduardo, escapou e derrotou Simão na Batalha de Evesham um ano depois, libertando o pai. Henrique inicialmente começou uma severa vingança contra os rebeldes restantes, porém foi persuadido pela Igreja a modificar suas políticas através da Máxima de Kenilworth. A reconstrução foi lenta e Henrique teve de concordar com várias medidas, incluindo uma maior supressão dos judeus, para manter o apoio baronial e popular. Henrique morreu em 1272 deixando Eduardo como seu sucessor. Ele foi enterrado na Abadia de Westminster, que havia reconstruído durante a segunda metade de seu reinado, e foi colocado em sua presente tumba em 1290. Alguns milagres foram declarados após sua morte mas ele nunca foi canonizado. O reinado de 56 anos de Henrique é o quinto mais longo da história inglesa.

Infância[editar | editar código-fonte]

Terras de João na França, c. 1200.

Henrique nasceu no Castelo de Winchester em 1 de outubro de 1207.[1] Era o filho mais velho do rei João de Inglaterra e Isabel de Angoulême.[2] Pouco se sabe sobre o início da vida de Henrique.[3] Ele inicialmente foi cuidado no Sul da Inglaterra por uma ama de leite chamada Ellen, longe da corte itinerante de João, provavelmente tendo relações próximas com a mãe.[4] Henrique tinha quatro irmãos legítimos – Ricardo, Joana, Isabel e Leonor – e vários irmãos ilegítimos.[5] Sua educação foi colocada a cargo de Pedro des Roches, Bispo de Winchester, em 1212; sob sua direção, Henrique recebeu treinamento militar com Filipe D'Aubigny e aprendeu a cavalgar, provavelmente com Rogério de St Samson.[6]

Tampouco se sabe sobre sua aparência ele provavelmente tinha por volta de 1,68 m de altura, com relatos registrados após sua morte sugerindo que tinha uma constituição forte e uma queda da pálpebra.[nota 1] [6] Henrique ocasionalmente mostrava relances de um temperamento feroz, porém o historiador David Carpenter o descreve em sua maior parte do tempo como possuindo uma personalidade "amável, fácil e simpática". Era inalterado e honesto, mostrando suas emoções facilmente e caindo às lágrimas por sermões religiosos.[7]

No início do século XIII, a Inglaterra era parte de um império que espalhava-se pelo oeste da Europa. Henrique tem seu nome pelo avô rei Henrique II, que havia construído uma vasta rede de terras que vinham da Escócia e Gales, passavam pela Inglaterra, além do Canal da Mancha para os territórios da Normandia, Bretanha, Maine e Anjou no noroeste da França, e também Poitou e Gasconha do sudoeste.[8] A coroa francesa foi fraca por anos, permitindo que Henrique II e seus filhos Ricardo I e João dominassem a França.[9]

João perdeu a Normandia, Bretanha, Maine e Anjou em 1204 para o rei Filipe II de França, deixando o poder inglês no continente limitado à Gasconha e a Poitou.[10] João aumentou os impostos para poder pagar campanhas militares a fim de reconquistar suas terras, porém revoltas surgiram entre os barões ingleses; o rei procurou novos aliados ao declarar a Inglaterra um feudo papal, devendo fidelidade ao papa.[nota 2] [12] Em 1215, João e os barões rebeldes negociaram um potencial tratado de paz, a Magna Carta. O tratado limitaria potenciais abusos do poder real, desmobilizaria os exércitos rebeldes e armaria um arranjo de divisão de poder, porém na prática nenhum dos lados cumpriu com as condições.[13] João e os barões realistas repudiaram a Magna Carta e iniciaram a Primeira Guerra dos Barões, com os barões rebeldes sendo auxiliados pelo filho de Filipe, o futuro Luís VIII, que reivindicava o trono inglês.[10] A guerra logo chegou em um impasse, com nenhum dos lados alcançando a vitória. João adoeceu e morreu na noite do dia 18 de outubro de 1216, deixando Henrique, então com nove anos de idade, como seu sucessor.[14]

Minoridade[editar | editar código-fonte]

Coroação[editar | editar código-fonte]

Representação da primeira coroação de Henrique em 1216.

Quando João morreu, Henrique estava em segurança no Castelo de Corfe em Dorset junto com a mãe.[15] João, em seu leito de morte, nomeou treze executores para ajudar Henrique a reconquistar seu reino, pedindo para que o filho fosse colocado sob a tutela de Guilherme Marechal, um dos cavaleiros mais famosos da Inglaterra.[16] Os líderes realistas decidiram coroar Henrique imediatamente para reforçar sua reivindicação ao trono.[nota 3] [17] Guilherme o fez o cavaleiro e o cardeal Guala Bicchieri, legado papal, supervisionou a coroação no dia 28 de outubro na Catedral de Gloucester. Na ausência dos arcebispos da Cantuária e Iorque, ele foi ungido pelos bispos de Worcester e Exeter e coroado por Pedro des Roches.[18] A coroa real havia sido vendida ou perdida durante a guerra civil, então a cerimônia usou uma simples corola de ouro pertencente à rainha Isabel.[19]

O jovem rei herdou uma situação difícil, com metade da Inglaterra ocupada por forças rebeldes e a maior parte das possessões continentais de seu pai ainda nas mãos francesas.[20] Porém, ele tinha apoio substancial em Bacchieri, que queria vencer a guerra civil para Henrique e punir os rebeldes.[21] O cardeal partiu para fortalecer as ligações entre a Inglaterra e o papado, iniciando a própria coroação, em que Henrique prestou homenagem e reconheceu o papa como seu senhor feudal.[22] O Papa Honório III declarou que o rei era seu vassalo e protegido, e que o legado tinha autoridade total para proteger Henrique e seu reino. Como medida extra, Henrique tomou a cruz e se declarou um cruzado intitulado a proteção especial de Roma.[17]

Dois nobres destacaram-se como candidatos ao governo regencial de Henrique.[23] O primeiro era Guilherme Marechal, 1.º Conde de Pembroke, que, mesmo em idade avançada, era renomado por sua lealdade pessoal e poderia ajudar a apoiar a guerra com seus próprios homens e equipamentos.[24] O segundo era Ranulfo de Blondeville, 6.º Conde de Chester, um dos barões realistas mais poderosos. Guilherme diplomaticamente esperou que Bacchieri e Ranulfo pedissem para que ele assumisse o cargo antes de tomar o poder.[nota 4] [26] Ele então nomeou des Roches como guardião do rei, permitindo que liderasse o esforço militar.[27]

Fim da Guerra dos Barões[editar | editar código-fonte]

A Batalha de Lincoln em 1217, mostrando a morte de Tomás de Perche. Por Matthew Paris, no Corpus Christi College.[28]

A guerra não estava indo bem para os realistas e o novo governo regencial considerou uma retirada da Irlanda.[29] Entretanto, Luís e os rebeldes também estavam enfrentando dificuldades para avançar. Apesar de controlar a Abadia de Westminster, Luís não podia ser coroado porque a Igreja da Inglaterra e o papado apoiavam Henrique.[30] A morte de João havia atrapalhado algumas das preocupações rebeldes, com castelos reais se mantendo em partes ocupadas do país.[31] Tentando tirar vantagem disso, Henrique encorajou os barões a voltarem para sua causa em troca do retorno de suas terras, relançando uma versão da Magna Carta, embora tendo removido algumas cláusulas incluindo aquelas desfavoráveis ao papado.[32] A ação não foi bem sucedida e a oposição ao novo governo do rei endureceu.[33]

Em fevereiro, Luís foi para a França juntar reforços.[34] Em sua ausência, discussões começaram entre seus seguidores e o cardeal Bacchieri declarou que a guerra de Henrique contra os rebeldes era uma cruzada religiosa.[nota 5] Isso levou a uma série de deserções no movimento rebelde, com o conflito pendendo para o lado de Henrique.[36] Luís voltou no final de abril e revigorou a campanha, dividindo sua força em dois grupos: um para o norte para cercar o Castelo de Lincoln e o outro até sul para capturar o Castelo de Dover.[37] Guilherme Marechal, ao saber sobre a divisão do exército de Luís, arriscou derrotar os rebeldes em uma única batalha.[38] Ele marchou para o norte e atacou Lincoln em 20 de maio; entrando por um portão lateral, Guilherme tomou a cidade em uma sequência de batalhas nas ruas e saques.[39] Vários importantes barões rebeldes foram capturados, e o historiador David Carpenter considera a batalha como "uma das mais decisivas na história inglesa".[nota 6] [41]

A Batalha de Sandwich, monstrando a captura da nau capitânea francesa, a execução de Eustácio de Monk (direita) e o apoio dos bispos ingleses (esquerda). Por Matthew Paris, no Corpus Christi College.[28]

Após a Batalha de Lincoln, a campanha realista parou e apenas recomeçou no final de junho quando os vitoriosos arranjaram os resgates dos prisioneiros.[42] Enquanto isso, Luís estava perdendo na França o apoio a sua campanha e concluiu que a guerra estava perdida.[nota 7] [43] O príncipe francês negociou termos com Bacchieri, sob os quais renunciaria sua reivindicação ao trono inglês; em troca, seus seguidores receberiam suas terras de volta, quaisquer sentenças de excomungação seriam revogadas e o governo de Henrique prometeria aplicar a Magna Carta.[44] A proposta logo começou a desandar em meio a acusações de alguns que ela era muito generosa com os rebeldes, particularmente o clero que entrou na rebelião. Na falta de um acordo, Luís permaneceu em Londres com suas forças restantes.[45]

Uma frota francesa chegou na costa de Sandwich em 24 de agosto, trazendo soldados, máquinas de cerco e suprimentos frescos para Luís.[46] Humberto de Burgh, justiceiro do rei, partiu para interceptá-los, resultando na Batalha de Sandwich. A frota de Humberto espalhou os franceses e capturou sua nau capitânea, comandanda por Eustácio de Monk, prontamente executado. Quando Luís recebeu as notícias, entrou em novas negociações. Henrique, Isabel, Bacchieri e Guilherme chegaram a um acordo final no Tratado de Lambeth, ou Tratado de Kingston, entre os dias 12 e 13 de setembro de 1217.[47] O tratado era similar à primeira oferta de paz, porém excluía o clero rebelde, cujas terras e nomeações permaneceram confiscadas.[48] Luís aceitou um presente de £6.666 para agilizar sua partida, prometendo tentar persuadir o rei Filipe a devolver as terras de Henrique na França.[49] Luís deixou a Inglaterra como acordado e se juntou à Cruzada Albigense.[43]

Restaurando a autoridade real[editar | editar código-fonte]

Segunda coroação de Henrique em 1220. Por Matthew Paris.

O governo de Henrique enfrentou a tarefa de restabelecer a autoridade real em grandes parte do país após o fim da guerra civil.[50] Ao final de 1217, muitos antigos barões rebeldes estavam constantemente ignorando instruções do governo central, e mesmo os apoiadores de Henrique mantiveram o controle independente dos castelos reais.[51] Fortificações construídas ilegalmente, chamadas castelos adulterinos, espalharam-se. A rede dos xerifes dos condados havia desmoronado junto com a habilidade de arrecadar impostos e receber receitas reais.[52] O poderoso príncipe galês Llywelyn ap Iorwerth era uma grande ameaça em Gales e ao longo das fronteiras.[53]

Guilherme, apesar do sucessor em vencer a guerra, teve menos sucesso em restaurar o poder real após a paz.[54] Isso ocorreu em parte porque ele não conseguiu oferecer patronagens significantes, apesar dos barões realistas esperarem serem recompensados.[nota 8] [56] Guilherme tentou reforçar os direitos tradicionais da coroa para aprovar casamentos e tutelas, porém teve pouco sucesso.[57] Mesmo assim, ele não conseguiu reconstituir o corpo de juízes e abrir o tesouro real.[58] O governo publicou a Carta da Floresta, que tentava reformar o governo real das florestas.[59] A regência e Llywelyn chegaram a um acordo no Tratado de Worcester de 1218, porém seus termos generosos – Llywelyn efetivamente se tornou o justiceiro de Henrique em Gales – salientaram a fraqueza da coroa inglesa.[60]

Execução da guarnição em Bedfort, 1124. Por Matthew Paris.

A mãe de Henrique não conseguiu se estabelecer no governo regencial e acabou voltando para a França em 1217, casando-se com o poderoso nobre poitevino Hugo X de Lusignan.[nota 9] [62] Guilherme Marechal adoeceu e morreu em abril de 1219. Foi formado um governo de substituição em volta de três ministros: Pandulfo, o novo legado papal; Pedro des Roches e Humberto de Burgh.[63] Eles foram nomeados por um grande conselho em Oxford, com o governo passando a depender desses conselhos para ter autoridade. Humberto e Pedro eram rivais políticos, com o primeiro sendo apoiado por uma rede de barões ingleses, enquanto o segundo por nobres dos territórios de Poitou e Touraine.[nota 10] [65] Humberto moveu-se decisivamente contra Pedro em 1221, acusando-o de traição e removendo-o da posição de guardião do rei; o bispo deixou a Inglaterra com as cruzadas.[66] Pandulfo foi chamado de volta a Roma no mesmo ano, deixando Humberto como a principal força do governo de Henrique.[67]

O novo governo teve pouco sucesso, inicialmente, porém a sorte do governo de Henrique começou a mudar em 1220.[68] O papa permitiu que o rei fosse coroado uma segunda vez usando um novo conjunto de regalias reais.[69] A nova coroação tinha a intenção de reafirmar a autoridade do rei; Henrique prometeu restaurar os poderes da coroa, e os barões prometeram devolver os castelos reais e pagar suas dívidas sob a ameaça de excomungação.[70] Humberto, acompanhado por Henrique, foi para Gales em 1223 suprimir Llywelyn, enquanto na Inglaterra suas forças retomaram os castelos reais.[71] O esforço contra os últimos barões recalcitrantes terminou em 1224 com o cerco do Castelo de Belford, em que Humberto e Henrique cercaram a fortificação por oito semanas; quando finalmente caiu, quase toda guarnição foi executada.[72]

Enquanto isso, o agora rei Luís VIII de França aliou-se com Hugo de Lusignan e invadiu Poitou e depois a Gasconha.[73] O exército de Henrique em Poitou tinha poucos recursos e apoio dos barões poitevinos, muitos dos quais sentiam-se abandonados durante os anos da minoridade do rei; como resultado, a província rapidamente caiu.[74] Era claro que a Gasconha também cairia se reforços não fossem enviados da Inglaterra.[75] Um grande conselho aprovou no início de 1225 um subsídio de quarenta mil libras para o envio de um exército, que rapidamente retomou o território.[76] Em troca do apoio a Henrique, os barões exigiram que o rei republicasse a Magna Carta e a Carta da Floresta.[77] Desta vez o rei declarou que os decretos foram publicados de sua própria "livre vontade e espontaneidade", confirmando-as com o selo real, dando às duas muito mais autoridade que versões anteriores.[78] Os barões anteciparam que Henrique agiria de acordo com esses decretos definitivos, sujeitos às leis e moderados pelos conselhos da nobreza.[79]

Início de reinado[editar | editar código-fonte]

Invasão da França[editar | editar código-fonte]

Henrique viajando para a Bretanha em 1230. Por Matthew Paris.

Henrique assumiu formalmente o controle de seu governo em janeiro de 1227, apesar de alguns contemporâneos afirmarem que ele ainda era legalmente um menor até seu vigésimo primeiro aniversário no ano seguinte.[80] O rei recompensou Humberto de Burgh por seus serviços durante sua minoridade, transformando-o no Conde de Kent e lhe dando vastas terras na Inglaterra e Gales.[81] Henrique, mesmo chegando na idade adulta, ainda foi muito influenciado por seus conselheiros durante os primeiros anos de seu reinado, mantendo Humberto como justiceiro para cuidar do governo e garantindo-lhe o posto para toda a vida.[82]

O destino de suas terras familiares na França ainda permanecia incerto. Reivindicar essas terras era extremamente importante para Henrique, que usava termos como "reivindicar minha herança", "restaurar meus direitos" e "defender meus direitos legais" nos territórios em suas correspondências diplomáticas.[83] Entretanto, os reis franceses tinham uma vantagem financeira e militar cada vez maior sobre Henrique.[84] Mesmo durante o reinado de João, a coroa francesa tinha uma vantagem de recursos, mesmo que pequena, e desde então a diferença aumentou, com a receita anual dos reis franceses praticamente dobrando entre 1204 e 1221.[85]

Luís VIII morreu em 1226, deixando seu filho de doze anos, Luís IX, para herdar o trono apoiado por um governo regencial.[nota 11] [86] O jovem rei francês estava em posição mais fraca que o pai e tinha a oposição de vários nobres que ainda mantinham ligações com a Inglaterra, levando a uma série de revoltas pelo reino.[87] Nesse pano de fundo, no final de 1228, um grupo de normandos e angevinos rebeldes em potencial falaram com Henrique para invadir e retomar sua herança, com Pedro I, Duque da Bretanha, abertamente se revoltando contra Luís e prestando homenagem ao rei inglês.[88]

As preparações para a invasão progrediram lentamente, e quando Henrique finalmente chegou na Bretanha em maio de 1230 com um exército, a campanha não foi bem.[89] O rei, possivelmente seguindo o conselhor de Humberto, decidiu evitar confronto com os franceses ao não invadir a Normandia, marchando para Poitou, onde ineficazmente fez campanha durante o verão antes de ir em segurança para a Gasconha.[88] Ele fez paz com Luís até 1234 e voltou para a Inglaterra sem ter realizado nada; o historiador Huw Ridgeway descreve a expedição como um "custoso fiasco".[6]

Revolta de Ricardo Marechal[editar | editar código-fonte]

Humberto de Burgh perdeu o poder em 1232. Pedro des Roches, seu antigo rival, voltou das cruzadas em agosto de 1231, rapidamente aliando-se com os cada vez maiores oponentes políticos de Humberto.[90] Ele foi até Henrique dizendo que o justiceiro havia disperdiçado dinheiro e terras reais, sendo responsável por uma série de revoltas contra clérigos estrangeiros. Humberto refugiou-se na Capela de Merton College, porém o rei o prendeu e o colocou na Torre de Londres.[91] Pedro tomou o governo, apoiado por uma facção baronial poitevina na Inglaterra que viu a situação como uma oportunidade de recuperar terras perdidas para os seguidores de Humberto nas últimas décadas.[92]

Pedro usou sua nova autoridade para começar a tirar as propriedades de seus oponentes, contornando a corte e os processos legais.[92] Cresceram as reclamações de vários barões poderosos, como Ricardo Marechal, filho de Guilherme Marechal, e eles argumentaram que Henrique estava falhando em proteger seus direitos legais como descritos nas cartas régias de 1225.[93] Uma nova guerra civil estourou entre os seguidores de Pedro e Ricardo. O primeiro enviou seus exércitos para as terras do segundo na Irlanda e Sul de Gales. Em resposta, Ricardo aliou-se com o príncipe Llywelyn e os seguidores deste rebelaram-se na Inglaterra. O rei não conseguiu ganhar uma grande vantagem militar e ficou preocupado que Luís pudesse aproveitar a oportunidade para invadir a Bretanha – onde a trégua estava prestes a terminar – enquanto distraído em casa.[94]

Edmundo Rich, o Arcebispo da Cantuária, interveio em 1234 e realizou vários grandes conselhos, aconselhando Henrique a aceitar a resignação de Pedro.[94] Ele concordou em fazer a paz, porém Ricardo morreu de ferimentos de batalha antes das negociações terminarem, deixando seu irmão mais novo Gilberto para herdar suas terras. O acordo final foi confirmado em maio e Henrique foi muito elogiado por sua humildade ao submeter-se a uma paz levemente embaraçosa.[95] Enquanto isso, a trégua com a França na Bretanha terminou e o duque Pedro da Bretanha, aliado do rei inglês, foi pressionado militarmente. Henrique podia enviar apenas uma pequena força de soldados para ajudar, e assim a Bretanha foi conquistada por Luís em novembro.[96] Nos 24 anos seguintes, Henrique governo seu reino pessoalmente ao invés de usar ministros.[97]

Henrique como rei[editar | editar código-fonte]

Governo e leis[editar | editar código-fonte]

Grande selo de Henrique.

O governo real da Inglaterra era tradicionalmente centralizado em vários grandes cargos de estado, ocupados por membros poderosos e independentes da baronagem.[98] Henrique abandonou essa política, deixando o posto de justiceiro vacante e diminuindo a importância da posição de chanceler.[99] Um pequeno conselho real foi formado, porém seu papel não era bem definido; nomeações, patronagens e políticas eram decididas pessoalmente pelo rei e seus conselheiros imediatos, ao invés de através de grandes conselhos como havia acontecido em seus primeiros anos.[100] As mudanças dificultaram para aqueles fora do círculo influenciarem a política ou irem atrás de queixas legítimas, particularmente contra os amigos de Henrique.[98]

Henrqiue acreditava que os reis deveriam governar a Inglaterra com dignidade, cercados de cerimônia e rituais eclesiásticos. Ele acreditava que seus antecessores permitiram que a coroa caísse em declínio, e procurou um meio de corrigir isso durante seu reinado.[101] Os eventos da guerra civil em sua juventude o afetaram, acabando por adotar Eduardo, o Confessor como seu padroeiro, esperando emular o modo como o rei anglo-saxão levou paz à Inglaterra e uniu seu povo em ordem e harmonia.[102] Henrique usou sua autoridade real brandamente, esperando apaziguar os barões mais hostis e mantar a paz do reino.[6]

Como resultado, apesar de uma simbólica ênfase no pode real, o reinado de Henrique foi relativamente circunscrito e constitucional. Ele geralmente agia nos termos de cartas régias, que impediam que a coroa tomasse ações extrajudiciais contra barões, incluindo as multas e expropriações comuns no período de João.[103] Entretanto, as cartas régias não tocavam nas questões polêmicas sobre a nomeação de conselheiros reais e distribuição de patronagem, faltando quaisquer meios de reforçamento se o rei resolvesse ignorá-las.[104] O reinado de Henrique ficou negligente e descuidado, resultando numa diminuição da autoridade real nas províncias e, no final, a ruína de sua autoridade na corte.[105] A inconscistência em que ele aplicava as cartas régias ao longo de seu reinado acabou por alienar muitos barões, mesmos aqueles em sua própria facção.[6]

Grande Salão do Castelo de Winchester, construído por Henrique.

O termo "parlamento" apareceu pela primeira vez nas décadas de 1230 e 1240 para descrever grandes reuniões nas cortes reais, com reuniões parlamentares sendo realizadas periodicamente durante o reinado de Henrique.[106] Elas eram usadas para concordar no aumento de impostos que, durante o século XIII, eram contribuições pontuais e individuais, tipicamente sobre bens móveis, que tinham a intenção de apoiar as receitas normais do rei para projetos particulares.[nota 12] [109] Durante o reinado de Henrique, os condados começaram a enviar regularmente delegações aos parlamentos, passando a representar uma seção transversal mais ampla da comunidade do que apenas os grandes barões.[110]

Apesar de várias cartas régias, a prestação da justiça real era inconstante e orientada pelas necessidades imediatas da política: às vezes seriam tomadas medidas para resolver uma queixa baronial legítima, outras vezes o problema seria simplesmente ignorado.[111] As correições reais, cortes que viajavam pelos condados para prover justiça em um nível local, tipicamente para os barões menores e pequena nobreza alegando queixas contra os principais senhores, tinham pouco poder, permitindo que os grandes barões dominassem o sistema judiciário local.[112] O poder dos xerifes reais também caiu durante o reinado de Henrique. Eles passaram a ser homens menores nomeados pelo tesoureiro público em vez de provenientes das importantes famílias locais, com seu foco sendo a geração de receita para o rei.[113] Suas tentativas de aplicar multas e cobrar dívidas gerou muita impopularidade entre as classes mais baixas.[114] Diferentemente de seu pai, Henrique não explorava as grandes dívidas que os barões frequentemente deviam à coroa, sendo bem lento para recolher o dinheiro que lhe era devido.[115]

Corte[editar | editar código-fonte]

Um penny de prata de Henrique.

A corte real era formada pelos amigos de confiança de Henrique, como Ricardo de Clare, os irmãos Hugo e Rogério Bigot, Humberto de Bohun e Ricardo da Cornualha, irmão do rei.[116] Ele queria usar sua corte para unir seus súditos ingleses e continentais, incluindo também Simão de Montfort, originalmente um cavaleiro francês que casou com Leonor, irmã de Henrique, e se tornou Conde de Leicester, além dos influxos posteriores dos parentes lusignanos e saboianos.[117] A corte seguia as tradições e estilos europeus, sendo influenciada pelas tradições angevinas de Henrique: francês era a língua falada e era bem próxima das cortes da França, Castela, Sacro Império Romano-Germânico e Sicília, com o rei patrocinando os mesmos escritores como outros governantes europeus.[118]

Henrique viajou menos que reis anteriores, procurando uma vida mais tranquila e pacata e ficando em seus castelos por períodos prolongados antes de seguir em frente.[119] Possivelmente como resultado, ele prestou mais atenção em seus palácios e casas; Henrique era, de acordo com o arquiteto histórico John Goodall, "o patrono de arte e arquitetura mais obcessivo que já ocupou o trono da Inglaterra".[120] O rei muito usou o complexo do Palácio de Westminster em Londres, uma de suas residências favoritas, reconstruindo o palácio e a abadia ao custo de quase £55 000.[121] Ele passou mais tempo em Westminster do que qualquer um de seus predecessores, moldando a formação da capital.[122]

Ele gastou £58 000 em seus castelos reais, realizando grandes trabalhos na Torre de Londres, Lincoln e Dover.[123] As defesas militares e acomodações internas desses castelos foram significantemente melhorados.[124] No Castelo de Windsor, uma grande reforma produziu um pródigo complexo, cujo estilo e detalhes inspirou muitos projetos subsequentes na Inglaterra e Gales.[125] A Torre de Londres foi expandida para formar uma fortaleza concêntrica com extensos alojamentos, apesar de Henrique usar o castelo principalmente como um retiro seguro em casa de guerra ou conflito civil.[126] Ele também manteve um alojamento de feras na Torre, tradição iniciada por seu pai, com seus animais exóticos incluindo um elefante, um leopardo e um camelo.[nota 13] [127]

Em 1247, Henrique reformou o sistema de moedas de prata da Inglaterra, deixando os pennies de prata maiores e mais pesados.[128] Pelos custos iniciais da transição, Henrique pediu ajuda financeira ao seu irmão Ricardo para realizar a reforma, porém a recunhagem ocorreu rapidamente e eficientemente.[129] Entre 1243 e 1258, o rei reuniu duas grandes reservas de ouro.[130] Ele precisou gastar urgentemente uma dessas reservas em 1257 e, ao invés de vender todo o ouro depressa e por um valor baixo, resolveu introduzir pennies de ouro na Inglaterra, seguindo uma popular tendência na Itália.[131] Os pennies de ouro eram semelhantes às moedas de ouro emitidas por Eduardo, o Confessor, porém a moeda supervalorizada levou a reclamações na Cidade de Londres e acabou sendo abandonada.[nota 14] [133]

Religião[editar | editar código-fonte]

Henrique carregando a Relíquia do Sangue Sagrado até Westminster em 1247. Por Matthew Paris.

Henrique era conhecido por demonstrações públicas de piedade, aparentemente sendo genuinamente devoto.[6] Ele promoveu ricos e luxuosos serviços religiosos e, pouco comum para o período, costumava celebrar a missa pelo menos uma vez ao dia.[nota 15] [135] Ele contribuia genorasamente a causas religiosas, pagando pela alimentação de quinhentos indigentes todos os dias e ajudando orfãos. Ele jeujuava antes de comemorar banquetes a Eduardo, o Confessor, e pode ter lavado os pés de leprosos.[6] Henrique partia regularmente em peregrinações, particularmente para as abadias de Bromholm, St Albans e Walsingham, apesar de aparentemente ter usado as peregrinações em certas ocasiões como desculpa para evitar ter de lidar com urgentes problemas políticos.[136]

Henrique compartilhou muitas de suas visões religiosas com Luís, com os dois homens sendo aparentemente competitivos em suas piedades.[137] Ao final de seu reinado, Henrique pode ter tomado a prática de curar sofredores de escrófula, frequentemente chamada de "o mal do Rei", ao tocá-los, possivelmente emulando Luís que também fazia isso.[nota 16] [139] Luís tinha uma famosa coleção de Relíquias da Paixão que guardava em Sainte-Chapelle, até levando a Vera Cruz em passiata por Paris em 1241. Henrique tomou posse da Relíquia do Sangue Sagrado em 1247, marchando por Westminster para ser colocada na Abadia de Westminster, que ele promoveu como uma alternativa de Sainte-Chapelle.[nota 17] [141]

Ele particularmente apoiava ordens mendicantes; seus confessores eram Freis Dominicanos e Henrique construiu casas mendicantes na Cantuária, Norwich, Oxford, Reading e Iorque, ajudando a encontrar espaços valiosos para novos prédios em cidades e vilas já lotadas.[142] Também apoiou ordens militares cruzadas, tornando-se patrono da Ordem Teutônica em 1235.[143] As emergentes universidades de Oxford e Cambridge também receberam atenção: Henrique reforçou e regulou seus poderes, encorajando acadêmicos a deixarem Paris para lecionarem nelas.[144] Uma instituição rival em Northampton foi declarada pelo rei como sendo uma mera escola e não uma universidade verdadeira.[145]

O apoio dado a Henrique pelo papado durante seus primeiros anos teve uma duradoura influência em suas atitudes com Roma, com ele defendendo a igreja diligentemente por todo seu reinado.[nota 18] [146] A Roma do século XIII era mais uma vez o centro da igreja e uma potência política na Itália, ameaçando militarmente o Sacro Império Romano-Germânico. Durante o reinado de Henrique, o papado desenvolveu uma forte burocracia central, mantido por benefícios garantidos a clérigos ausentes em Roma.[147] As tensões aumentaram entre essa prática e as necessidades dos paroquianos, exemplificado pela disputa de Roberto Grosseteste, Bispo de Lincoln, com o papado em 1250.[148] Mesmo com a Igreja da Escócia se tornando mais independente da Inglaterra nesse período, os legados papais ajudaram Henrique a continuar aplicando sua influência mesmo a distância.[149] A tentativa do Papa Inocêncio IV de arrecadar fundos começou a enfrentar oposição dentro da Igreja da Inglaterra no reinado de Henrique.[150] Em 1240, a arrecadação de impostos papais para a guerra da igreja contra Frederico II resultou em revoltas, sendo superada com a ajuda de Henrique e do papa; o dízimo cruzado de Henrique na década de 1250 enfrentou oposição semelhante.[nota 19] [152]

Judeus[editar | editar código-fonte]

Os judeus da Inglaterra eram considerados propriedade da Coroa e tradicionalmente foram usados como fonte de empréstimos baratos e fácil taxação, em troca tinham proteção real contra o antisemitismo.[108] Os judeus sofreram considerável opressão durante a Primeira Guerra dos Barões, porém durante os primeiros anos de Henrique a comunidade floresceu e se tornou uma das mais prósperas da Europa.[153] Isso foi principalmente uma postura tomada pelo governo regencial, que tomou medidas para proteger os judeus e encorajar empréstimos. Isso ocorreu por interesses financeiros próprios, já que conseguiriam lucrar consideravelmente com uma forte comunidade judaica na Inglaterra. A política ia de encontro com intruções enviadas pelo papa, que havia criado rígidas medidas anti-judeus no Quarto Concílio de Latrão em 1215; Guilherme Marechal continuou com sua política apesar das reclamações da igreja.[154]

Henrique apresentou políticas diferentes em 1239, possivelmente tentando imitar Luís: líderes judeus pela Inglaterra foram presos e forçados a pagar fianças equivalentes a um terço de seus produtos e enormes empréstimos foram permitidos.[155] Seguiram-se outras grandes demandas por dinheiro – por exemplo, £40 000 foram exigidas em 1244, com por volta de dois terços sendo recolhidos em cinco anos – destruindo a habilidade da comunidade judaica de emprestar dinheiro comercialmente.[156] Henrique havia construído em 1232 o Domus Conversorum em Londres para ajudar converter os judeus ao cristianismo, com os esforços se itensificando depois de 1239; por volta de 10% dos judeus ingleses haviam se convertido até a década de 1250.[157] Histórias envolvendo contos de sacrifícios de crianças apareceram nos anos 1250 e, em resposta, o rei aprovou o Estatuto dos Judeus em 1253 que tentava segregá-los e reforçar o uso da estrela amarela; ainda não é claro até onde Henrique realmente implementou o estatuto.[158]

Reinado pessoal[editar | editar código-fonte]

Casamento[editar | editar código-fonte]

Cronologia mostando Henrique (topo) e seus filhos. Esquerda para direita: Eduardo, Margarida, Beatriz, Edmundo e Catarina.

Henrique investigou uma grande variedade de potenciais parceiras para casamento em sua juventude, porém todas mostraram-se inadequadas por motivos de políticas internas e europeias.[nota 20] [160] Ele finalmente se casou em 1236 com Leonor da Provença, filha de Raimundo Berengário IV da Provença.[161] Leonor era bem educada, culta e articulada, porém a principal razão do casamento foi política, já que Henrique queria criar uma conjunto valioso de alianças com governantes do sul e sudoeste da França.[162] Nos anos seguintes, Leonor emergiu como uma política firme e cabeça-dura. Os historiadores Margaret Howell e David Carpenter a descrevem como sendo "mais combativa" e "bem mais dura e determinada" que seu marido.[163]

O contrato do casamento foi confirmado em 1235 e Leonor viajou para a Inglaterra para se encontrar com Henrique pela primeira vez.[164] Os dois se casaram na Catedral da Cantuária em janeiro de 1236, com ela sendo coroada rainha em Westminster pouco depois em uma luxuosa cerimônia planejada por Henrique.[165] Havia uma substancial diferença de idade entre o casal – Henrique tinha 28 e Leonor 12 – porém a historiadora Margaret Howell observa que o rei "era generoso e bondoso e preparado para luxuosamente cuidadar de sua esposa com carinho".[166] Ele deu a esposa vários presentes e pessoalmente cuidou do estabelecimento da criadagem dela.[167] Também a levou totalmente para sua vida religiosa, incluindo envolvê-la em sua devoção a Eduardo, o Confessor.[168]

Apesar de preocupações iniciais que a rainha poderia ser estéril, Henrique e Leonor tiveram cinco filhos.[169] Leonor deu à luz ao primeiro filho em 1239, Eduardo, nomeado em homenagem ao Confessor.[6] O rei ficou muito feliz e realizou enormes celebrações, doando generosamente a igreja e aos pobres para encorajar Deus a proteger o filho.[170] A primeira filha, Margarida, nasceu no ano seguinte e foi nomeada em homenagem a irmã de Leonor, com seu nascimento também sendo acompanhado por celebrações e doações aos pobres.[171] Beatriz, a terceira criança, veio em 1242 durante uma campanha militar em Poitou e foi nomeada em homenagem a sogra de Henrique.[172] O quarto filho, Edmundo, nasceu em 1245 e foi nomeado em homenagem ao santo Edmundo, o Mártir; preocupado com a saúde de Leonor, Henrique doou grandes quantias de dinheiro a igreja durante toda a gravidez.[173] A última criança e terceira menina, Catarina, nasceu em 1253 mas logo adoeceu, possivelmente como resultado de uma doença degenerativa como Síndrome de Rett, sendo incapaz de falar. Ela morreu em 1257 e o rei ficou muito abalado.[nota 21] [175] Seus filhos passaram a maior parte de suas infâncias no Castelo de Windsor e Henrique parece ter sido muito apegado a eles, raramente passando prolongados períodos de tempo longe de sua família.[176]

Depois do casamento, muitos dos parentes sabioanos de Leonor foram com ela para a Inglaterra.[177] Pelo menos 170 saboianos chegaram depois de 1236, vindos de Saboia, Borgonha e Flandres, incluindo os tios da rainha: Bonifácio se tornou Arcebispo da Cantuária e Guilherme se tornou o principal conselheiro do rei por um curto período.[178] Henrique arranjou casamentos para muitos deles na nobreza inglesa, uma prática que inicialmente causou tensões com os barões, que resistiam a passagem de propriedades para as mãos de estrangeiros.[179] Os saboianos tomavam cuidado para não exacerbar a situação e tornaram-se cada vez mais integrados com a sociedade baronial inglesa, formando uma importante base política para Leonor.[180]

Poitou e Lusignanos[editar | editar código-fonte]

Leonor e Henrique retornando de Poitou em 1243. Por Matthew Paris.

Em 1241, os barões de Poitou, incluindo Hugo de Lusignan o padrasto de Henrique, rebelaram-se contra o rei Luís. Os rebeldes contavam com a ajuda de Henrique, porém ele não tinha apoio interno e estava lento para mobilizar um exército, chegando na França apenas no verão seguinte. Sua campanha foi hesitante e acabou minada por Hugo mudando de lado e voltando a apoiar Luís. Em 20 de maio, o exército de Henrique foi cercado pelos franceses em Taillebourg; Ricardo, irmão do rei inglês, persuadiu os franceses a adiar o ataque e Henrique aproveitou a oportunidade para fugir até Bordéus.[181] Simão de Montfort, que lutou uma ação de retaguarda bem sucedida durante a retirada, ficou furioso com a incompetência do rei e disse que ele deveria ser preso como o rei carolíngio Carlos, o Simples.[182] A rebelião em Poitou ruiu e Henrique entrou em nova trégua de cinco anos; sua campanha foi um fracasso desastroso e custou mais de £80 000.[183]

Logo após a revolta, o poder francês cresceu sobre Poitou e passou a ameaçar os interesses da família Lusignan.[181] Henrique encorajou em 1247 seus parentes a viajar para Inglaterra, onde foram recompensados com grandes propriedades, principalmente aos custos dos barões ingleses.[184] Mais poitevinos os seguiram até que por volta de cem estavam estabelecidos na Inglaterra, com dois terços recebendo subsídios do rei de valor de £66 ou mais.[185] Henrique encorajou alguns a ajudá-lo no continente; outros agiram como mercenários e agentes diplomatas ou lutando em nome de Henrique em campanhas europeias.[186] Muitos receberam propriedades ao longo das contestadas Bordas Galesas ou na Irlanda, onde protegiam as fronteiras.[187] Para Henrique, a comunidade era um importante símbolo de suas esperanças de um dia reconquistar Poitou e suas outras terras francesas, com muitos Lusignanos tornando-se amigos de seu filho Eduardo.[188]

Foi controversa a presença da família estendida de Henrique na Inglaterra.[185] Preocupações foram levantadas por crônicos contemporâneos – especialmente nos trabalhos de Rogério de Wendover e Matthew Paris – sobre o número de estrangeiros, com o historiador Martin Aurell percebendo conotações xenofóbicas em seus comentários.[189] O termo "poitevinos" ficou vagamente aplicado a esse grupo, mesmo com muitos tendo vindo de Anjou e outras partes da França. Ao final da década de 1250 havia uma grande rivalidade entre os relativamente bem estabelecidos saboianos e os recém chegados poitevinos.[190] Os lusignanos começaram a infringir a lei com impunidade, perseguindo queixas pessoais contra outros barões e os saboianos, com Henrique fazendo praticamente nada para restringi-los.[191] A antipatia geral contra os poitevinos se transformou em ódio por 1258, com Simão de Montfort sendo um dos principais críticos.[192]

Gales, Irlanda e Escócia[editar | editar código-fonte]

A posição de Henrique em Gales se fortaleceu nas duas primeiras décadas de seu reinado pessoal.[193] Após a morte de Llywelyn em 1240, o poder do rei cresceu.[194] Três campanhas militares foram realizadas na década de 1240, novos castelos foram construídos e as terras reais em Cheshire foram expandidas, aumentando o domínio de Henrique sobre os príncipes galeses.[195] Dafydd, filho de Llywelyn, resistiu as incursões mas morreu em 1246, com Henrique confirmando no ano seguinte o Tratado de Woodstock com Owain Goch ap Gruffydd e Llywelyn ap Gruffudd, netos de Llywelyn, em que eles cediam terras ao rei enquanto mantinham o coração do principado em Gwynedd.[196] No Sul de Gales, Henrique gradualmente estendeu sua autoridade pela região, entretanto as campanhas não foram perseguidas com vigor e ele fez pouco para impedir que os territórios ao longo da fronteira se tornassem cada vez mais independentes da coroa.[197] Porém, Llywelyn ap Gruffudd rebelou-se contra Henrique em 1256 com violências generalizadas espalhando-se por Gales; o rei prometeu uma resposta militar mas não cumpriu as ameaças.[196]

A Irlanda era importante para Henrique, tanto como uma fonte de propriedades que poderiam ser entregues a apoiadores quanto como fonte de receita real – uma média de £1 150 eram enviadas da Irlanda para a coroa anualmente durante o meio de seu reinado.[198] Os grandes proprietários de terra olhavam para a corte do rei por liderança política, com muitos possuindo propriedades em Gales e na Inglaterra.[199] A década de 1240 teve grandes mudanças nas propriedades de terra por causa de mortes entre os barões, permitindo que Henrique redistribuísse terras irlandesas para seus apoiadores.[200] Ele deu várias concessões de terras ao longo da fronteira na década seguinte, criando uma zona de segurança contra os nativos irlandeses; os reis irlandeses passaram a sofrer assédios cada vez maiores enquanto o poder inglês crescia pela região.[201] Essas terras eram em muitos casos inúteis para os barões manterem e o poder inglês chegou ao seu apogeu na Idade Média durante o reinado de Henrique.[202] Em 1254, o rei deu a Irlanda para o filho Eduardo, sob a condição que ela nunca fosse separada da coroa.[193]

Henrique manteve a paz com a Escócia durante seu reinado, onde era o senhor feudal de Alexandre II.[203] Henrique presumiu que tinha o direito de interferir nos assuntos escoceses e levantou a questão de sua autoridade em certos momentos, porém não tinha a inclinação ou recursos para fazer mais.[204] Alexandre havia ocupado partes do norte da Inglaterra durante a Primeira Guerra dos Barões, porém foi excomungado e forçado a recuar.[205] Ele casou-se com Joana, irmã de Henrique, em 1221, e depois ele e o rei inglês assinaram o Tratado de Iorque, assegurando as fronteiras dos dois reinos.[206] Henrique fez Alexandre III um cavaleiro, o casou com sua filha Margarida em 1251 e, apesar da recusa do rei escocês de prestar homenagem ao inglês, ambos possuíam uma boa relação.[207] Henrique resgatou Alexandre e Margarida do Castelo de Edimburgo quando foram aprisionados em 1255 por barões escoceses rebeldes e tomou medidas para manejar o governo de Alexandre durante os anos de sua minoridade.[208]

Estratégia europeia[editar | editar código-fonte]

O elefante de Henrique, presente de Luís IX. Por Matthew Paris.

Henrique não teve outras oportunidades para reconquistar suas possessões na França após a derrota em Taillebourg.[6] Seus recursos eram bem inadequados comparados àqueles da coroa francesa, e no final da década de 1240 ficou claro que Luís havia se tornado a potência predominante na França.[209] Henrique acabou adotando aquilo que o historiador Michael Clanchy descreveu como "estratégia europeia", tentando reconquistar suas terras francesas através da diplomacia do que pela força, construindo alianças com outros estados e preparando para colocar pressão em Luís.[210] Particularmente, ele cultivou Frederico II, esperando que o imperador fosse virar-se contra o rei francês ou permitir que sua nobreza entrasse nas campanhas de Henrique.[211] Sua atenção no processo ficou cada vez mais focada nas políticas e eventos europeus do que em questões internas inglesas.[212]

As Cruzadas eram uma causa popular no século XIII, com Luís juntando-se em 1248 a mal-fadada Sétima Cruzada, tendo antes feito um acordo com a Inglaterra e recebido garantias que o papa iria proteger suas terras contra quaisquer possíveis ataques de Henrique.[213] Henrique poderia até ter participado da cruzada, porém a rivalidade entre os dois reis tornou isso impossível e, depois da derrota de Luís na Batalha de Al Mansurah em 1250, ele anunciou que realizaria sua própria cruzada até Levante.[nota 22] [215] O rei começou a fazer preparações para passagem com governantes amigaveis perto de Levante, impondo economias eficientes na criadagem real e arrumando navios e transporte: ele parecia super ansioso para participar. Os planos de Henrique refletiam suas fortes crenças religiosas, mas também davam-lhe credibilidade internacional ao discutir a devolução de suas possessões na França.[216]

Sua cruzada nunca aconteceu já que foi forçado a lidar com problemas na Gasconha, onde as severas políticas de Simão de Montfort, tenente do rei, provocaram um violento levante em 1252, que foi apoiado pelo vizinho rei Afonso X de Castela.[217] A corte inglesa ficou dividida sobre o problema: Simão e Leonor afirmavam que a culpa da crise era dos gascões, enquanto Henrique e os lusignanos culpavam o mau julgamento de Simão. Henrique e Leonor discutiram sobre a questão e se reconciliaram apenas no ano seguinte.[6] O rei, forçado a intervir pessoalmente e realizou uma campanha eficiente e cara para ajudar os lusignanos a estabilizar a província.[218] Afonso assinou um tratado de aliança em 1254 e a Gasconha foi entregue a Eduardo, filho de Henrique, que se casou com a meia-irmã de Afonso, Leonor, criando uma duradoura paz com Castela.[219]

Voltando da Gasconha, Henrique se encontrou com Luís pela primeira vez em um arranjo negociado por suas esposas, com os dois reis se tornando amigos.[220] A campanha custou mais de duzentas mil libras e usou todo o dinheiro pretendido para a cruzada de Henrique, deixando-o com grandes dívidas e dependente de empréstimos vindos de seu irmão Ricardo e dos lusignanos.[221]

Negócios na Sicília[editar | editar código-fonte]

Representação do século XIV de Inocêncio IV com Luís IX, 1248.

Henrique não abandonou suas esperanças para uma cruzada, porém tornou-se cada vez mais absorvido em uma tentativa de adquirir o rico Reino da Sicília para seu filho Edmundo.[222] A Sicília havia sido controlada por Frederico II do Sacro Império Romano-Germânico, rival de muitos anos do Papa Inocêncio IV.[223] Quando Frederico morreu em 1250, o papa começou a procurar um novo governante, um que fosse mais favorável ao papado.[224] Henrique via o reino tanto como um valioso prêmio para seu filho quanto uma excelente base para iniciar cruzadas ao oriente.[225] Ele, praticamente sem consultar sua corte, chegou a um acordo com o papa em 1254 que Edmundo seria o próximo rei.[226] Inocêncio pediu para Henrique enviar Edmundo com um exército para retomar a Sicília de Manfredo, filho de Frederico, oferecendo-se para contribuir com as despesas da campanha.[227]

Inocêncio morreu em 1254 e foi sucedido por Alexandre IV, que estava enfrentando uma pressão militar cada vez maior do império. Ele não podia mais pagar pelas despesas de Henrique, acabando por exigir que o rei compensasse o papado pelas noventa mil libras gastas até aquele momento.[228] Era uma enorme quantia e Henrique pediu ajuda ao parlamento em 1255, sendo recusado; ele tentou outras vezes, porém por volta de 1257 apenas uma assistência parlamentar parcial havia sido oferecida.[229] Alexandre ficou cada vez mais insatisfeito com os subterfúgios do rei e enviou em 1258 um emissário a Inglaterra, ameaçando excomungar Henrique se ele não pagasse suas dívidas ao papado e enviasse o prometido exército a Sicília.[230] O parlamento negou novamente ajudá-lo com a arrecadação do dinheiro.[231] Ao invés disso Henrique extorquiu o alto clero, forçando-os a assinar escrituras em branco, prometendo pagar quantidades praticamente ilimitadas de dinheiro para apoiar os esforços do rei, chegando a arrecadar quarenta mil libras.[232] A Igreja da Inglaterra achou que o dinheiro estava sendo desperdiçado no conflito.[233]

Enquanto isso, Henrique tentou influenciar as eleições no Sacro Império Romano-Germânico, que nomearia um novo Rei dos Romanos.[234] Quando os candidatos germânicos mais proeminentes não conseguiram reunir apoio suficiente, Henrique começou a apoiar a candidatura de seu irmão Ricardo, realizando doações para potenciais apoiadores no império.[235] Ricardo foi eleito em 1256 com possibilidade de ser eleito sacro imperador, mas ainda sim continuou a participar ativamente da política inglesa.[236] Sua eleição não foi totalmente bem recebida na Inglaterra; ele era visto como um conselheiro de pensamento moderado e sensível, com sua presença fazendo falta para alguns barões, porém também enfrentou críticas, provavelmente incorretas, de financiar sua campanha germânica com dinheiro inglês.[237] Apesar de Henrique agora possuir um apoio maior no império para uma potencial aliança contra Luís, os dois reis pareciam estar caminhando em direção a uma reconciliação pacífica; para Henrique, uma tratado de paz permitiria que ele focasse sua atenção na Sicília e em sua cruzada.[238]

Reinado posterior[editar | editar código-fonte]

Revolução[editar | editar código-fonte]

Representação do final do século XIII ou início do XIV de Eduardo, filho mais velho de Henrique.

Em 1258, os barões ingleses se revoltaram contra Henrique.[239] A raiva cresceu sobre o modo como os oficiais do rei estavam arrecadando fundos, a influência dos poitevinos na corte e sua impopular polícia na Sicília; até a Igreja da Inglaterra tinha reclamações sobre o tratamento que recebia de Henrique.[240] Os galeses ainda estavam em revolta e agora aliavam-se com os escoceses.[6] Ele também estava com pouco dinheiro; apesar de ainda ter algumas reservas de ouro e prata, elas não eram suficientes para cobrir suas potenciais despesas, incluindo a campanha na Sicília e a dívida ao papado.[241] Críticos sugeriam que Henrique nunca teve a intenção de se juntar às cruzadas e que estava na verdade querendo lucrar da coleta dos dízimos cruzados.[242] Para agravar a situação, as colheitas da Inglaterra foram ruins.[6] Existia um forte sentimento na corte que o rei seria incapaz de liderar o reino durante esses problemas.[243]

O descontentamento chegou ao limite em abril quando sete grandes barões ingleses e saboiados – Simão de Montfort, Rogério e Hugo Bigod, João FitzGeoffrey, Pedro de Montfort, Pedro de Saboia e Ricardo de Clare – secretamente formaram uma aliança para expulsar os lusignanos da corte, uma movimentação que provavelmente foi apoiada pela rainha.[244] No dia 30, Hugo Bigod marchou para Westminster no meio do parlamento com o apoio de seus co-conspiradores, realizando um golpe de estado.[245] Temendo que fosse aprisionado, Henrique concordou em abandonar sua política de reinado pessoal e, ao invés disso, governar através de um conselho de 24 barões e clérigos, metade escolhidos por ele e metade pelos barões.[246] Porém, suas indicações vinham dos odiados lusignanos.[247]

A pressão por reformas continuou a crescer e um novo parlamento se reuniu em junho, aprovando um conjunto de medidas conhecidas como Provisões de Oxford, que Henrique prometeu cumprir.[248] As provisões criaram um pequeno conselho de quinze membros, escolhidos apenas pelos barões, que tinham o poder de nomear o justiceiro, chanceler e tesoureiro da Inglaterra, que seriam monitorados através de parlamentos trienais.[249] A pressão dos barões menores e da pequena nobreza em Oxford também ajudou a forçar reformas maiores, que tinham a intenção de limitar o abuso do poder tanto dos oficiais reais quanto dos grandes barões.[250] O conselho eleito incluia membros da elite saboiana, porém nenhum poitevino, com o novo governo imediatamento tomando medidas para exilar os principais lusignanos e tomar importantes castelos pelo reino.[251]

Os desacordos entre os principais barões envolvidos logo ficaram evidentes.[252] Simão defendeu reformas radicais que colocariam mais limitações na autoridade e poder dos grandes barões e da coroa; outros, como Hugo Bigod, promoveram apenas mudanças moderadas, enquanto barões conservadores como Ricardo expressaram sua preocupação sobre as limitações já existentes aos poderes do rei.[253] Eduardo, filho mais velho de Henrique, inicialmente era contra a revolução, porém aliou-se com Simão e ajudou a aprovar as radicais Provisões de Westminster em 1259, que introduziam limites maiores nos grandes barões e oficiais reais locais.[254]

Crise[editar | editar código-fonte]

Representação do século XIV de Henrique visitando Luís em Saint-Denis.

Nem Henrique ou os barões conseguiram restaurar a estabilidade na Inglaterra nos quatro anos seguintes, com o poder alternando entre diferentes facções.[255] Entretanto, uma das prioridades do novo regime era acertar a duradoura disputa com a França e, em 1259, Henrique e Leonor foram para Paris negociar os detalhes finais de um acordo de paz com Luís, escoltados por Simão e grande parte do governo baronial.[256] Sob os termos do tratado, Henrique abriu mão das reivindicações de suas terras no norte da França, porém foi confirmado como o legítimo governante da Gasconha e vários outros territórios no sul, prestando homenagem e reconhecendo Luís como seu senhor feudal dessas possessões.[257]

Quando Simão voltou para a Inglaterra, Henrique ficou em Paris com o apoio de Leonor e aproveitou para reafirmar o poder real e começar a emitir ordens independentemente dos barões.[258] Ele finalmente voltou em abril de 1560 para retomar o poder, enquanto o conflito entre Ricardo e Simão estava crescendo.[259] Seu irmão Ricardo da Cornualha serviu de mediador entre os dois lados e impediu um conflito armado; Eduardo se reconciliou com o pai e Simão foi a julgamento por suas ações contra o rei.[260] Henrique não conseguiu manter seu poder e em outubro uma coalizão liderada por Simão, Ricardo e Eduardo brevemente tomou o controle, porém o conselho baronial entrou no caos em um mês.[261]

Henrique continuou a publicamente apoiar as Provisões de Oxford, porém secretamente começou a conversar com o Papa Urbano IV esperando ser absolvido do juramento que havia feito em Oxford.[262] Em junho de 1261, o rei anunciou que Roma o havia liberado de suas promessas e prontamente realizou um contra-golpe com o apoio de Eduardo. Ele purgou os xerifes de seus inimigos e retomou o controle de muitos castelos reais.[263] A oposição baronial liderada por Simão e Ricardo temporariamente se reuniu para se opor às ações de Henrique, realizando seu próprio parlamento independentemente do rei, também estabelecendo um sistema local rival de governo pela Inglaterra.[264] Henrique e Leonor mobilizaram seus próprios apoiadores e contrataram um exército mercenário estrangeiro. Os barões recuaram ao enfrentarem a ameaça de uma guerra civil: Ricardo trocou de lado mais uma vez, Simão foi para o exílio na França e a resistência baronial ruiu.[265]

Seu governo baseava-se principalmente em Leonor e seus apoiadores saboianos, tendo vida curta.[266] Henrique tentou resolver a crise permanentemente ao forçar os barões a concordarem com o Tratado de Kingston.[267] Este tratado apresentava um sistema de arbitragem para resolver litígios pendentes entre o rei e os barões, usando Ricardo como primeiro juiz, apoiado por Luís caso Ricardo não conseguisse chegar a um acordo.[268] Henrique suavizou algumas de suas políticas em resposta às preocupações dos barões, porém ele logo começou a atacar seus inimigos políticos e recomeçar sua impopular política da Sicília.[269] Seu governo foi enfraquecido pela morte de Ricardo, já que seu herdeiro Gilberto aliou-se aos radicais; a posição do rei foi minada ainda mais por grandes incursões galesas pelas Bordas e pela decisão do papa de reverter sue julgamento sobre as Provisões, desta vez confirmando-as como legítimas.[270] A autoridade de Henrique se desintegrou no começo de 1263 e o reino voltou ao estado de guerra civil.[271]

Segunda Guerra dos Barões[editar | editar código-fonte]

Representação do século XIII da multilação de Simão depois da Batalha de Evesham. Por Matthew Paris.

Simão voltou para a Inglaterra em abril de 1263 e reuniu um conselho dos barões rebeldes em Oxford para perseguir objetivos anti-poitevinos.[272] A revolta estourou pouco depois nas Bordas Galesas e o reino entrou em uma nova guerra civil em outubro entre Henrique, apoiado por Eduardo, Hugo Bigod e outros barões conservadores, contra Simão, Gilberto e os radicais.[273] O casal real ficou preso na Torre de Londres pelos rebeldes; Leonor tentou fugir pelo Tâmisa para juntar-se as forças de Eduardo em Windsor, porém foi forçada a recuar pelas multidões de Londres.[274] Simão fez os dois prisioneiros e apesar de afirmar que estava governando em nome de Henrique, os rebeldes substituítam completamente o governo real e criadagem com seus próprios homens.[275]

A coalizão de Simão rapidamente começou a se fragmentar e Henrique reconquistou sua liberdade de movimentação, com mais caos se espalhando pela Inglaterra.[276] Henrique apelou a Luís para arbitrar a disputa, como havia sido estipulado pelo Tratado de Kingston; Simão era inicialmente contra a ideia, porém enquanto a guerra ficava mais provável novamente ele decidiu concorcar também com a arbitração francesa.[277] Henrique foi pessoalmente a Paris acompanhado por representantes de Simão.[278] Os argumentos legais de Simão inicialmente se mantiveram, porém Luís anunciou em janeiro de 1264 o Mise de Amiens, condenando os rebeldes, mantendo os direitos do rei e anulando as Provisões de Oxford.[279] Luís tinha suas próprias visões sobre os direitos dos reis sobres os barões, porém foi influenciado por sua esposa Margarida da Provença, irmã de Leonor, e pelo papa.[nota 23] [281] Henrique deixou Leonor em Paris para reunir reforços mercenários e voltou para a Inglaterra em fevereiro de 1264, onde a violência estava crescendo depois da impopular decisão francesa.[282]

A Segunda Guerra dos Barões finalmente estoutou em abril de 1264 quando Henrique liderou um exército até os territórios de Simão nas Midlands, avançando sudeste para reconquistar uma importante rota para a França.[283] Simão, desesperado, marchou em perseguição e os dois exércitos se encontraram em 14 de maio na Batalha de Lewes.[284] As forças de Henrique foram subjulgadas apesar da superioridade numérica. Seu irmão Ricardo foi capturado; o rei e Eduardo recuaram até um priorado local e se renderam no dia seguinte.[285] Henrique foi forçado a perdoar os barões rebeldes e reinstalar as Provisões de Oxford, deixando-o, como o historiador Adrian Jobson descreve, "pouco mais que uma pessoa representativa".[286]

Simão não conseguiu consolidar sua vitória e a desordem continuou por todo o reino.[287] Na França, Leonor fez planos para uma invasão da Inglaterra com o apoio de Luís, enquanto Eduardo conseguiu escapar de seus captores em maio e formar um novo exército.[288] Eduardo perseguiu as forças de Simão pelas Bordas antes de atacar ao leste sua fortaleza em Kenilworth, voltando sua atenção novamente ao líder rebelde.[289] Simão, acompanhado por Henrique ainda como cativo, não conseguiu recuar e ocasionando a Batalha de Evesham.[290] Eduardo triunfou e o corpo de Simão foi multilado pelos vitoriosos; o rei, que estava usando uma armadura emprestada, quase foi morto pelas forças do filho durante a luta antes de ser reconhecido e levado em segurança.[291] A rebelião ainda arrastava-se em alguns lugares, com alguns dos rebeldes reunidos em Kenilworth, que Henrique e Eduardo tomaram em 1266 depois de um longo cerco.[292] Os bolsões de resistência remanecente foram subjulgados, com os últimos rebeldes, encurralados na Ilha de Ely, se rendendo em julho de 1267 e marcando o fim do conflito.[293]

Reconciliação e reconstrução[editar | editar código-fonte]

Henrique rapidamente se vingou de seus inimigos após a Batalha de Evesham.[294] Ele imediatamente ordenou o sequestro de bens de todas as terras dos rebeldes, iniciando uma onda de saques caóticos por todo o país.[295] Henrique foi inicialmente contra qualquer moderação, porém foi persuadido em outubro de 1266 por Ottobuono de' Fieschi, legado papal, a ser menos dracônico, publicando o Dictum de Kenilworth, que permitia o retorno das terras rebeldes em troca de pagamentos e severas multas.[296] Seguiu-se o Estatuto de Marlborough em novembro de 1267, que efetivamente republicou grande parte das Provisões de Westminster, colocando limitações nos poderes de oficiais reais locais e dos barões, porém sem restringir a autoridade real central.[297] Henrique havia feito o Tratado de Montgomery em setembro com Llywelyn, reconhecendo-o como Príncipe de Gales e entregando substânciais concessões de terras.[298]

Henrique estava cada vez mais doente nos últimos anos de seu reinado e procurando garantir a paz em seu reino e suas próprias devoções religiosas.[299] Eduardo se tornou Comissário da Inglaterra e começou a ter um papel mais proeminente no governo.[300] As finanças reais estavam em estado precário como resultado da guerra, ficando claro em 1268 quando Eduardo juntou-se às cruzadas que novos impostos eram necessários.[297] O rei ficou preocupado que a ausência do filho iria encorajar mais revoltas, porém foi convencido por Eduardo a negociar com vários parlamentos para arrecadar dinheiro nos dois ano seguintes.[301] Henrique inicialmente havia revertido as várias penalidades contra os judeus que Simão havia colocado, porém reapresentou amplas medidas anti-judeus ao final de seu reinado sob pressão do parlamento.[302] Ele continuou a investir na Abadia de Westminster, que tornou-se uma substituta para o mausoléu angevino na Abadia de Fontevraud, e supervisionou uma grande cerimônia em 1269 para re-enterrar Eduardo, o Confessor, em um suntuoso novo santuário, ajudando pessoalmente a carregar o corpo para seu novo lugar de descanso.[303]

Morte[editar | editar código-fonte]

A tumba de Henrique na Abadia de Westminster.

Eduardo partiu em 1270 para a Oitava Cruzada, liderada por Luís, porém Henrique ficou cada vez mais doente; cresceram as preocupações de uma nova rebelião e o rei escreveu ao filho no ano seguinte pedindo sua volta, porém Eduardo não retornou.[304] Henrique se recuperou um pouco e anunciou suas renovadas intenções de seu juntar as cruzadas, porém nunca conseguiu ficar com a saúde completa e acabou morrendo na tarde de 16 de novembro de 1272 em Westminster, provavelmente com Leonor ao seu lado.[305] Ele foi sucedido por Eduardo, que lentamente voltou para a Inglaterra através da Gasconha, chegando apenas em agosto de 1274.[306]

Henrique foi enterrado na Abadia de Westminster em frente do altar-mor, seguindo seu pedido, no antigo lugar de descanso de Eduardo, o Confessor.[nota 24] [308] Trabalhos começaram em uma tumba muito maior alguns anos depois e Eduardo moveu o corpo do pai em 1290 para sua atual localização na abadia.[309] Sua efígie funerária de latão dourado foi projetada e forjada no terrenos da abadia por Guilherme Torell; diferentemente de outras efígies do período, é em um estilo particularmente realista, porém provavelmente não é muito parecida em aparência com o próprio Henrique.[310]

Leonor provavelmente esperava que Henrique fosse reconhecido como santo, como seu contemporâneo Luís IX havia sido; de fato, a tumba final de Henrique é semelhante ao santuário de um santo, completada por nichos possivelmente destinados a receber as relíquias.[311] Quando o corpo do rei foi exumado em 1290, contemporâneos relataram que o corpo estava em perfeitas condições e que a barba longa de Henrique permanecia bem preservada, que na épora era considerado um sinal de puridade santa.[312] Milagres começaram a serem relatos na tumba, porém Eduardo era cético sobre as teorias. Os relatos pararam e Henrique nunca foi canonizado.[313] Seu coração foi retirado em 1292 e re-enterrado na Abadia de Fontevraud junto aos corpos de sua família angevina.[309]

Legado[editar | editar código-fonte]

Historiografia[editar | editar código-fonte]

A Magna Carta de 1225.

As primeiras histórias do reinado de Henrique emergiram durante os séculos XVI e XVII, dependendo principalmente de relatos de crônicos medievais, particularmente dos trabalhos de Rogério de Wendover e Matthew Paris. Esses primeiros historiadores foram influênciados por preocupações contemporâneas sobre os papéis da igreja e do estado, examinando a mudança de natureza da monarquia sob Henrique, o surgimento do nacionalismo inglês durante o período e aquilo que foi visto como a influência maligna do papado.[6] Historiadores durante a Guerra Civil Inglesa também traçaram paralelos entre as experiências de Henrique e aquelas do deposto Carlos I.[314]

Por volta do século XIX, historiadores vitorianos como William Stubbs, James Ramsay e William Hunt procuraram entender como o sistema político inglês evoluiu sob Henrique. Eles exploraram o surgimento de instituições parlamentares em seu reinado e simpatizaram com as preocupações dos crônicos sobre o papel dos poitevinos na Inglaterra.[6] Esse foco foi levado às pesquisas do início do século XX, como a obra de Kate Norgate em 1913, que continuou a usar pesadamente os relatos dos crônicos e focar-se principalmente nas questões constitucionais, possuindo um distinto viés nacionalista.[315]

Os registros financeiros e oficiais do reinado de Henrique tornaram-se acessíveis aos historiadores depois de 1900, incluindo rolos de papéis, registros da corte, correspondências e registros da administração das florestas reais. Thomas Tout fez grande uso dessas novas fontes na década de 1920, com historiadores pós-guerra focando-se particularmente nas finanças de Henrique, destacando suas dificuldades financeiras.[316] Essa onda de pesquisas culminou nas duas grandes obras biográficas escritas por sir F. M. Powicke, publicadas em 1948 e 1953, que formaram a história estabelecida do rei pelas três décadas seguintes.[317]

O reinado de Henrique não recebeu muita atenção dos historiadores após a década de 1950: nenhuma biografia substancial foi escrita após Powiche e o historiador John Beeler observou na década de 1970 que a cobertura do reinado de Henrique por historiadores militares permaneceu pequena.[317] Entretanto, houve um interesse renovado na história inglesa do século XIII ao final do século XX, resultando na publicação de várias obras especializadas em diferentes aspectos do reinado de Henrique, incluindo finanças do governo e o período de sua minoridade.[6] Biografias atuais mostram os lados positivo e negativo dele: o historiador David Carpenter julga que Henrique foi um homem decente, porém falhou como governante por sua ingenuidade e incapacidade de apresentar planos realistas de reforma,[318] um tema ecoado por Huw W. Ridgeway, que também salienta seu desapego e incapacidadede de gerenciar sua corte, porém também o considera como tendo sido "essencialmente um homem de paz, gentil e piedoso".[6]

Cultura popular[editar | editar código-fonte]

A vida de Henrique foi representada em uma série de ilustrações desenhadas e coloridas pelo crônico Matthew Paris, a maioria feitas nas margens de sua Cronica Majora.[319] Paris encontrou Henrique pela primeira vez em 1236 e teve uma longa relação com o rei, apesar de Paris não gostar de muitas das ações do monarca e as ilustrações são frequentemente pouco lisonjeiras.[320] Henrique foi também representado na poesia de seu contemporâneo italiano Dante Alighieri, que o representou na Divina Comédia como um exemplo de governante negligente, sentando sozinho no Purgatório do lado oposto a outros reis fracassados. Não se sabe exatamente porque ele é mostrado separado de seus contemporâneos; possíveis explicações incluem que isso foi um código que Alighieri usou para dizer que a Inglaterra não era parte do Sacro Império Romano-Germânico.[321] Diferentemente de outros reis medievais, Henrique não apareceu nas obras de William Shakespeare e não foi o sujeito de muitos filmes, peças teatrais ou séries televisivas no período moderno, tendo um papel mínimo na cultura popular.[322]

Descendência[editar | editar código-fonte]

Henrique e Leonor tiveram cinco filhos:[nota 25]

  1. Eduardo (17/18 de junho de 1239 – 7 de julho de 1307), casou-se com Leonor de Castela e Margarida de França, com descendência.[323]
  2. Margarida (29 de setembro de 1240 – 26 de fevereiro de 1275), casou-se com Alexandre III da Escócia, com descendência.[323]
  3. Beatriz (25 de junho de 1242 – 24 de março de 1275), casou-se com João II, Duque da Bretanha, com descendência.[323]
  4. Edmundo (16 de janeiro de 1245 – 5 de junho de 1296), casou-se com Avelina de Forz e Branca de Artois, com descendência.[323]
  5. Catarina (25 de novembro de 1253 – 3 de maio de 1257), morreu jovem.[323]

Henrique não teve nenhum filho ilegítimo.[328]

Ancestrais[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. A descrição da pálpebra vem do cronista Nicolau Trivet, que escreveu após a morte do rei. A medição do caixão de Henrique no século XIX indica uma altura de 1,68 m.[6]
  2. Não era incomum governantes do século XIII prestarem homenagem ao papa desta maneira: Ricardo I havia feito algo similar, assim como os reis de Aragão, Dinamarca, Polônia, Portugal, Sicília e Suécia.[11]
  3. A rápida coroação de Henrique tinha a intenção de estabelecer uma distinção clara entre ele e seu rival Luís, que apenas havia sido eleito pelos barões e nunca coroado.[17]
  4. Inicialmente, Guilherme Marechal se chamou de "Justiceiro do Rei". Quando Huberto de Burgh, o justiceiro existente, reclamou, Guilherme alterou o título para Rector Nostrer et Rector Nostri ("Nosso Governante e Governante de Nosso Reino").[25]
  5. A situação da campanha de Henrique era levemente ambígua. O Papa Inocêncio IV declarou que os rebeldes eram piores que os sarracenos, porém não eram considerados hereges; a cruz cruzada era para ser usada no peito em vez de no ombro, como convencional; entrar nessa cruzada não era o equivalente a lutar no oriente ou substituir uma promessa já existente. Entretanto, dava uma desculpa conveniente para muitos rebeldes irem para o lado do rei sem perderem a dignidade.[35]
  6. Tomás, Conde de Perche, o líder rebelde francês, foi uma das poucas mortes entre a liderança de Luís, resultado de uma lança atravessando acidentalmente seu visor. Depois da batalha, sua morte foi muito lamentada pelos dois lados.[40]
  7. Mesmo na França, Luís estava cada vez mais sendo visto como conduzindo uma guerra ilegítima contra um rei criança que havia sido popularmente nomeado pelos barões locais.[43]
  8. A coroa tradicionalmente baseava-se em presentes e subornos para encorajar a lealdade e obediência entre os barões, porém eram limitadas as oportunidades de dispensa da patronagem nas circunstâncias de pós-guerra. Parte do problema era que a lei medieval era clara em que guardiões de menores, como Henrique, não poderiam dispor permanentemente das propriedades ou direitos de seus protegidos, significando que o governo não podia legalmente entregar as terras do rei para um barão durante a minoridade.[55]
  9. Isabel, antes de se casar com João, havia sido prometida ao pai de Hugo, Hugo IX de Lusignan. A intervenção de João fez Hugo se revoltar e isso acabou levando a queda do poder angevino no norte da França. Isabel e Hugo X tiveram nove filhos.[61]
  10. Os apoiadores de Humberto de Burgh apresentaram-se como os legítimos governantes locais da Inglaterra enfrentando os estrangeiros opressivos. Os apoiadores de Pedro des Roches afirmavam que eram os seguidores leais do rei, e que eram os traiçoeiros barões ingleses que rebelaram-se com Luís contra João e depois Henrique na guerra civil.[64]
  11. O governo regencial de Luís IX era liderado por sua mãe Branca de Castela.[86]
  12. Além dos impostos, a outra principal fonte de receita real eram os feudos reais, que produziam receitas através de um sistema chamado fazendas de condados, tradicionalmente coletadas pelos xerifes locais.[107] O sistema foi reformado em 1236, tentando evitar o risco do dinheiro ser desviado pelos xerifes; as receitas cresceram por volta de 10%, porém ainda não eram suficientes para apoiar as políticas de Henrique pela Europa.[108]
  13. O elefante foi um presente de Luís IX em 1255 e foi mantido em uma casa de elefante especialmente projetada, porém morreu dois anos depois; foi famosamente esboçado por Matthew Paris. Seu leopardo e camelo foram presentes de Frederico II, Sacro Imperador Romano-Germânico.[127]
  14. Os 52 480 pennies de ouro cunhados foram avaliados como valendo vinte pennies de prata, porém na prática seu valor de mercado era menor, tornando-os pouco atraentes. As reclamações dos mercadores de Londres parecem ter sido motivada pela cunhagem das moedas ter diminuído o valor do ouro mantido pelos comerciantes da cidade. Moedas de ouro voltaram a ser cunhadas na Inglaterra apenas no reinado de Eduardo III no século XIV.[132]
  15. Henrique era conhecido entre seus contemporâneos por ir a missa frequentemente; um relato, provavelmente exagerado, sugere que ele ia a missa três vezes ao dia, e em 1259 foi dito que ele parou em cada igreja de Paris que estava realizando uma missa a fim. Henrique provavelmente não recebia o sacramento em todas elas.[134]
  16. O historiador David Carpenter apresenta o caso de Henrique tocar para a cura do "mal do Rei" como ocasional. Nicholas Vincent tem dúvidas maiores.[138]
  17. As tentativas de Henrique de promover o Sangue Sagrado e a Abadia de Westminster como um lugar popular de peregrinação falharam em sua maior parte, apesar de considerável investimento financeiro.[140]
  18. Henrique não foi o único jovem protegido pela igreja; seu contemporâneo, o imperador Frederico II, também foi protegido. Henry Mayr-Harting diz que apesar das exigências da política internacional, ele manteve uma grande afeição pela instituição do papado.[146]
  19. O relato de protestos contra o emissário Pietro Rosso vem principalmente de Matthew Paris, que pode ter sido parcial.[151]
  20. Uma das primeiras opções foi uma das filhas de Leopoldo VI da Áustria. Henrique considerou no início da década 1220 se casar com Marjorie, irmã de Alexandre II da Escócia, porém isso foi abandonado para deixar aberta a possibilidade de casamento com Iolanda, filha de Pedro I da Bretanha. Outra opção que quase se tornou realidade foi Joana, filha de Simão de Dammartin, porém Branca de Castela, mãe de Luís IX, interveio e prevaleceu com o papa para impedir o casamento.[159]
  21. Catarina é algumas vezes descrita por historiadores como surda e muda, apesar de fontes contemporâneas a descreveram epenas como surda "e inútil".[174]
  22. Alguns relatos sugerem que Luís impediu a participação de Henrique na Sétima Cruzada, outros falam que o próprio Henrique não queria participar por causa do papel de liderança exercido por Luís.[214]
  23. As palavras do julgamento de Luís no caso parecem sugerir também que ele acreditava ter autoridade feudal sobre Henrique em seu papel como Rei da Inglaterra, como consequência dele ter lhe prestado homenagem pela Gasconha.[280]
  24. Até 1256, Henrique queria ser enterrado na Temple Church, Londres, perto de Guilherme Marechal. Porém ele mudou de ideia e escolheu ser enterrado perto de Eduardo, o Confessor.[307]
  25. Até o final do século XX, historiadores também aceitavam a existência de outras quatro crianças: Ricardo (m. 29 de agosto de 1250), João (1250 – 31 de agosto de 1252), Guilherme (m. 1256) e Henrique (maio de 1260 – 10 de outubro de 1260).[323] Análises históricas posteriores mostraram que suas existências eram improváveis, com historiadores como Huw Ridgeway e Margaret Howell concluindo que Henrique e Leonor tiveram apenas cinco filhos.[6] [324] Esses cinco – Eduardo, Margarida, Beatriz, Edmundo e Catarina – são bem documentados em vários relatos de crônicos e financeiros do reinado de Henrique.[325] O único registro de Ricardo, João, Guilherme e Henrique é o manuscrito Flores Historiarum, porém os detalhes parecem ter sido adicionados ao documento no século XIV, ainda que possivelmente de boa-fé.[326] Entretanto, é impossível descartar completamente a possibilidade que as crianças existiram ou que evidências foram suprimidas, talvez por serem deficientes, abortos ou natimortos.[327]

Referências

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  • Weiler, Björn K. U.. Henry III of England and the Staufen Empire, 1216–1272. Paris: Boydell Press, 2012. ISBN 978-0-86193-319-8.
  • Wild, Benjamin L.. In: Burton, Janet E.; Lachaud, Frédérique; Schofield, Phillipp R.; Stöber, Karen; Weiler, Björn K. (eds.). Thirteenth Century England: Proceedings of the Paris Conference 2009. Woodbridge: Boydell Press, 2011. Capítulo "A Captive King: Henry III Between the Battles of Lewes and Evesham 1264-5". vol. 13. ISBN 978-1-84383-618-6.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Henrique III de Inglaterra
Casa de Plantageneta
1 de outubro de 1207 – 16 de novembro de 1272
Precedido por
João
Royal Arms of England (1198-1340).svg
Rei da Inglaterra, Lorde da Irlanda e Duque da Aquitânia
19 de outubro de 1216 – 16 de novembro de 1272
Sucedido por
Eduardo I