Castelo de Windsor

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Castelo de Windsor
Castelo de Windsor visto a partir do Longo Passeio
Estilo dominante Jorgiano e vitoriano
Início da construção Século XI
Proprietário inicial Guilherme I de Inglaterra
Função inicial Defesa
Proprietário atual Occupied Royal Palaces Estate
Função atual Residência real
Local Windsor, Berkshire,  Reino Unido

O Castelo de Windsor é uma residência real localizado na cidade de Windsor, em Berkshire, Inglaterra, Reino Unido. A edificação é notável por sua longa associação com as famílias reais inglesa e britânica e também por sua arquitetura. O castelo original foi construído no século XI, após a conquista normanda da Inglaterra por Guilherme I. Ele é usado pelos monarcas desde o reinado de Henrique I e é o palácio há mais tempo habitado de toda a Europa. Seus luxuosos Apartamentos de Estado do início do século XIX são arquiteturalmente significantes, descritos pelo historiador Hugh Roberts como "uma sequência soberba e iniguilável de quartos amplamente considerados como a expressão mais completa do posterior gosto jorgiano". O castelo também conta com a Capela de São Jorge do século XV, considerada pelo historiador John Martin Robinson como "uma das realizações supremas da arquitetura perpendicular gótica inglesa". Mais de quinhentas pessoas vivem e trabalham no Castelo de Windsor.

Originalmente projetado para proteger a dominação normanda nos arredores de Londres, além de vigiar uma parte estrategicamente importante do rio Tâmisa, o Castelo de Windsor foi construído como um castelo de mota, com três alas cercando uma colina central. Ele foi gradualmente substituído por fortificações de pedra e aguentou um longo cerco durante a Primeira Guerra dos Barões no início do século XIII. Henrique III construiu um palácio luxuoso dentro do castelo durante a metade do século, com Eduardo III indo além e reconstruindo a fortificação para produzir um conjunto ainda mais grandioso de edifícios que tornariam-se "o mais caro projeto de construção secular em toda Idade Média na Inglaterra". A maior parte do projeto de Eduardo durou até o período Tudor, quando Henrique VIII e Isabel I passaram usar o castelo cada vez mais como uma corte real e o centro do entretenimento diplomático.

O Castelo de Windsor sobreviveu ao tumultuado período da Guerra Civil Inglesa, quando foi usado como quartel-general militar para as forças parlamentares e como cativeiro de Carlos I. Durante a restauração inglesa, Carlos II reconstruiu grande parte da edificação com a ajuda do arquiteto Hugh May, criando um conjunto de extravagantes interiores no estilo barroco que até hoje são admirados. Jorge III e Jorge IV renovaram e reconstruiram o palácio de Carlos II após um período de negligência no século XVIII, produzindo à um custo colossal os atuais projetos dos Apartamentos de Estado, repletos de móveis nos estilos rococó, gótico e barroco. Vitória fez pequenas mudanças no castelo, que se transformou no centro do entretenimento real durante grande parte de seu reinado. O Castelo de Windsor foi usado como refúgio da família real durante os bombardeios da Segunda Guerra Mundial e sobreviveu a um incêndio em 1992. Ele é atualmente um ponto turístico popular, sediando várias visitas de estado, e é a casa de fim de semana preferida de Isabel II.

Arquitetura[editar | editar código-fonte]

Planta do Castelo de Windsor. A: Torre Redonda, B: Ala Superior, C: Apartamentos de Estado, D: Apartamentos Particulares, E: Ala Sul, F: Ala Inferior, G: Capela de São Jorge, H: Claustro da Ferradura, K: Portão de Henrique VIII, L: Longo Passeio, M: Portão Normando, N: Terraço Norte, O: Torre de Eduardo III, T: Torre de Recolher.

O Castelo de Windsor ocupa um enorme terreno de mais de cinco hectares e combina as características de fortificação, palácio e cidade pequena.[1] O castelo de hoje foi criado durante uma sequência de projetos de construção, culminando em um trabalho de reconstrução depois do incêncio de 1992.[2] É em sua essência um projeto jorgiano e vitoriano baseado em uma estrutura medieval, com características góticas reinventadas em um estilo moderno. A arquitetura do castelo tem tentado desde o século XIV produzir uma reinterpretação contemporânea das antigas tradições e modas, imitando repetidas vezes estilos ultrapassados e antiquados.[3] Como resultado, o arquiteto sir William Whitfield salientou que a arquitetura do Castelo de Windsor possui "uma certa qualidade ficcional", com os desenhos gótico e pitoresco gerando "uma sensação que uma interpretação teatral está sendo colocada aqui" apesar de tentativas do final do século XX de expor mais das estrtuturas antigas para aumentar a sensação de autenticidade.[4] Mesmo que haja algumas críticas, sua arquitetura e história lhe dão um "lugar entre os maiores palácios europeus".[5]

Ala Central[editar | editar código-fonte]

No centro do Castelo de Windsor está a Ala Central, um colherão formado ao redor de uma mota ou morro artificial no centro da ala. A mota tem 15 m de altura e é feita de giz originalmente escavado de um fosso ali perto. A fortaleza no topo da mota, chamada de Torre Redonda, é baseada na fortificação original do século XII, ampliada para cima em 30 m no início do século XIX pelo arquiteto Jeffry Wyatville a fim de produzir uma altura e silhueta mais imponente. O interior da Torre Redonda foi reformado em 1991–93 para dar mais espaço para a Royal Collection, com uma sala adicional sendo construída no espaço deixado pela expansão oca feita por Wyatville.[6] A torre na realidade não é cilíndrica, mas sim epitrocoide, devido a forma da estrutura e a mota embaixo. A altura atual da torre foi criticada como sendo disproporcional para sua largura; por exemplo, o arquiteto Tim Tatton-Brown a descreveu como uma multilação da antiga estrutura medieval.[7]

A entrada ocidental da Ala Central está agora aberta, com os portões levando para o norte a partir da ala até o Terraço Norte. A saída oriental é protegida pelo Portão Normando.[8] O portão, que apesar de seu nome data do século XIV, é bem abobadado e decorado com entalhes, incluindo máscaras de leões medievais, símbolos tradicionais de majestade, para formar uma impressionante entrada para a Ala Superior.[9] Wyatville redesenhou o exterior e seu interior foi convertido no século XIX para uso residencial.[10]

Ala Superior[editar | editar código-fonte]

A Ala Sul e Ala Superior; a entrada oficial dos Apartamentos de Estado está na esquerda.

A Ala Superior do Castelo de Windsor é formada por vários grandes edifícios cercados pela muralha de colherão superior, formando um quadrângulo central. Os Apartamentos de Estado estão ao longo do lado norte da ala, com outros prédios ao longo da mulralha oeste, com o lado sudoeste sendo ocupado pela Torre de Eduardo III e no sul pelos apartamentos reais de Jorge IV. A mota da Torre Redonda forma o canto oeste da ala. Uma estátua em bronze de Carlos II a cavalo fica do lado da Torre Redonda. Inspirado pela estátua de Carlos I em Londres esculpida por Hubert Le Sueur, a estátua foi esculpida em 1679 por Josias Ibach, com o pedestal de mármore contendo entalhes de Grinling Gibbons.[11] A Ala Superior é adjacente ao Terraço Norte, que tem vista para o rio Tâmisa, e ao Terraço Leste, com vista para os jardins; ambos os terraços foram construídos por Hugh May no século XVII.[12]

A Ala Superior foi tradicionalmente julgada como sendo "para todos os efeitos uma criação do século XIX ... a imagem que o início do século XIX tinha de como um castelo deveria ser", resultado de extensas modificações realizadas por Wyatville sob Jorge IV.[13] As muralhas da Ala Superior são feitas de pedra no interior e tijolos normais, com detalhes góticos em pedras de Bath amarelas. Os edifícios da Ala Superior são caracterizados pelo uso de pequenos pedaços de pederneira na argamassa, originalmente colocados no castelo durante o século XVII para dar uma aparência semelhante às alvenarias de diferentes períodos. A vista desta ala foi projetada para ser dramática quando vista de longe ou em silhueta contra o horizonte, uma imagem de altas torres e ameias influenciadas pelo movimento pitoresco do século XVIII.[14] Trabalhos arqueológicos e de restauração depois do incêncio de 1992 mostraram até que ponto a estrutura atual representa o restante dos elementos dos trabalhos originais do século XII, apresentados dentro do contexto da remodelação final de Wyatville.[15]

Apartamentos de Estado[editar | editar código-fonte]

Os Apartamentos de Estado na Ala Superior. Da esquerda para direita: a Entrada Oficial, o Salão de São Jorge e a Entrada dos Convidados.

Os Apartamentos de Estado formam a maior parte da Ala Superior e estão ao longo do lado norte do quadrângulo. O prédio moderno segue as fundações medievais colocadas por Eduardo III, com o andar térreo sendo formado por porões e câmaras e o mais grandioso primeiro andar formando a parte principal do palácio. No primeiro andar, o desenho do canto oeste dos Apartamentos de Estado é principalmente obra do arquiteto Hugh May, enquanto a estrutura do lado leste representa os planos de Jeffry Wyatville.[nota 1] Os interiores foram em sua maior parte projetados por Wyatville no início do século XIX. Ele tinha a intenção que cada aposento ilustrasse um estilo particular aquitetônico e que combinasse com móveis e obras de arte do período.[16]

O conceito de Wyatville continua a dominar os apartamentos até hoje, apesar de algumas alterações com o passar dos anos. Aposentos diferentes seguem os estilos clássico, gótico e rococó, juntos com elementos jacobinos em alguns lugares.[17] Vários aposentos no canto leste do castelo foram restaurados após o incêndio de 1992, utilizando métodos de "restauração equivalente" – as salas foram restauradas para que ficassem similares a sua aparência original, mas usando materiais modernos e escondendo melhoramentos estruturais.[nota 2] [18] Esses aposentos também foram ao mesmo tempo parcialmente redesenhados para corresponder mais de perto ao gosto moderno. O historiador de arte Hugh Roberts elogiou os Apartamentos de Estado como "uma sequência soberba e iniguilável de quartos amplamente considerados como a expressão mais completa do posterior gosto jorgiano"[19] Outros, como o arquiteto Robin Nicolson e o crítico Hugh Pearman, os descreveram como "brandos" e "nitidamente maçantes".[20]

A Sala de Desenhos Carmesim em 2007, reforma pós-incêndio de 1992.

As obras mais famosas de Wyatville são os aposentos no estilo rococó. Essas salas pegam os aspectos fluidos e lúdicos do movimento artístico, incluindo muitas peças originais de decoração de Luís XV, porém os projeta em uma escala "amplamente inflada".[21] [22] Investigações feitas após o incêndio de 1992 mostraram que muitos dos artefatos e características rococós do castelo moderno são, ao contrário de acessórios do século XVIII transferidos da Casa Carlton ou da França, na verdade imitações do século XIX em gesso e madeira criados para se misturarem aos originais.[23] O Grande Salão de Recepção é o projeto rococó mais proeminente, com 30 m de comprimento e 12 m de altura, ocupando o local do antigo grande salão de Eduardo III.[24] Esse aposento, restaurado após o incêndio, inclui um enorme teto francês rococó, caracterizado pelo restaurador chefe Ian Constantinides como possuindo uma "grosseria de forma e crueza de mão ... completamente ofuscado pelo puro efeito espetacular quando você estiver a uma distância". Esse aposento é decorado com um conjunto de tapeçarias francesas Gobelins restauradas.[25] Apesar de decorado com menos folheamentos a ouro que na década de 1820, o resultado mantém-se como "um dos melhores conjuntos de decoração da Regência".[26] As Salas de Desenho Branca, Verde e Carmesim possuem um total de 62 troféus: paineis de maderia pintados a ouro e entalhados com ilustrações de armas e espolhos de guerra, muitos com significados maçônicos. Restaurados ou trocados após o incêndio de 1992, esses troféus são famosos por sua "vitalidade, precisão e qualidade tridimencional", tendo sido originalmente trazidos da Casa Carlton em 1826, alguns importados da França e outros entalhados por Edward Wyatt.[27] Mesmo sendo luxuosos, os movéis suaves desses aposentos são mais modestos que os originais da década de 1820, tanto em questões de gosto moderno quanto em preço.[28]

O projeto de Wyatville mantém três aposentos construídos originalmente por Hugh May no século XVII em parceria com o pintor Antonio Verrio e o entalhador Grinling Gibbons. A Câmara de Presença da Rainha, a Câmara de Audiências da Rainha e o Salão de Jantar do Rei são desenhados no estilo barroco e franco-italiano, caracterizados por "interiores dourados enriquecidos com murais floridos", apresentados na Inglaterra pela primeira vez entre 1648–50 na Casa Wilton.[29] As pinturas de Verrio são "banhadas em alusões medievalistas" e imagens clássicas.[30] Essas salas tinham a intenção de mostrar uma nova "fusão barroca" inglesa das artes até então separadas da arquitetura, pintura e escultura.[31]

Desenho arquitetônico para a nova Capela Privada, mostrando um projeto gótico por Giles Downes.

Alguns aposentos dos Apartamentos de Estado modernos refletem um projeto do século XVIII ou vitoriano gótico. Por exemplo, o Salão de Jantar de Estado cujo desenho atual origina-se da década de 1850 mas que foi muito danificado no incêndio de 1992, foi restaurado para sua aparência da década de 1920, antes da remoção de alguns detalhes dourados nas pilastras.[32] A Grande Escadaria de Anthony Salvin também é vitoriana gótica, indo parar em um salão com pé direito alto iluminado por uma antiga torre de lanterna abobadada do século XVIII, projetada por James Wyatt e realizada por Francis Bernasconi.[33] A escadaria foi criticada pelo historiador John Robinson como sendo distintamente inferior em desenho para escadarias mais antigas do castelo projetadas por Wyatt e May.[34]

Algumas partes dos Apartamentos de Estado foram completamente destruídas no incêndio de 1992, com essa área sendo reconstruída em um estilo chamado "downesiano gótico", nomeado em homenagem ao arquiteto Giles Downes.[nota 3] [35] O estilo compreende "da coerência despojada, legal e sistemática do modernismo costurado em uma reinterpretação da tradição gótica".[36] Downes afirma que o estilo evita "decorações floridas", enfatizando uma estrutura gótica fluída e orgânica.[37] Três novos aposentos foram construídos ou remodelados pelo arquiteto. O novo teto de Downes para o Salão de São Jorge é a maior estrutura de carvalho verde construída desde a Idade Média, decorada com escudos coloridos celebrando os elementos heráldicos da Ordem da Jarreteira; o projeto tenta criar uma ilusão de altura adicional através de uma marcenaria gótica ao longo do teto.[38] O Saguão da Lanterna possuia colunas de carvalho formando um teto abobadado, imitando uma flor copo-de-leite.[39] A nova Capela Privada é relativamente pequena, capaz de comportar apenas trinta pessoas, porém combina elementos arquitetônicos do teto do Salão de São Jorge com o Saguão da Lanterna e a estrutura de arcos em salto da capela abobadada de Henrique VIII em Hampton Court.[40] O resultado é uma "rede rendilhada extraordinária, contínua e atentamente moldada", complementada por um vitral celebrando o incêndio, projetado por Joseph Nuttgen.[41] A Grande Cozinha, com sua recém exposta clarabóia do século XIV junto com as lareiras, chaminés e mesas góticas de Wyatville, também é o produto da reconstrução após o incêndio.[42]

O andar térreo dos Apartamentos de Estado mantém várias famosas características medievais. A Grande Galeria Subterrânea permanece, com 60 m de comprimento e 9 m de largura, dividida em treze baías.[43] A galeria havia sido dividida em pequenas salas na época do incêndio de 1992; a área atualmente está aberta para formar um espaço único a fim de ecoar as galerias substerrâneas da Abadia de Fountains e da Abadia de Rievaulx, apesar do chão permanecer elevado pela conveniência do uso.[44] A "lindamente abobadada" passagem Larderie[nota 4] do século XIV passa ao longo do Pátio da Cozinha e é decorada com entalhes de rosas, marcando sua construção por Eduardo III.[45]

História[editar | editar código-fonte]

1070–1350[editar | editar código-fonte]

O Castelo de Windsor foi originalmente construído por Guilherme, o Conquistador, que reinou desde 1066 até à sua morte em 1087. O seu castelo de material original erguia-se no local da actual Torre Redonda. Este castelo formava parte do anel de castelos defensivos em volta de Londres. O local foi escolhido, em parte, devido à sua posição facilmente defensável.

No início do seu reinado, tomou posse de um solar, na localização da actual Old Windsor (Velha Windor), provavelmente uma residência real anglo-saxónica. Pouco tempo depois, entre 1070 e 1086, arrendou o local ao solar de Clewer e construiu o primeiro castelo de muralha e fosso. O fosso tinha 50 pés de altura e era escavado no cré da trincheira circundante, tornando-se, assim, no próprio fosso. Nesta época, o castelo era defendido por uma paliçada de madeira, no lugar da actual grossa muralha de pedra. O plano do castelo de Guilherme é desconhecido, mas este era simplesmente uma base militar, e nenhuma das estruturas deste período inicial sobreviveu. Desde esta época, o castelo permaneceu sempre em uso contínuo, tendo sido sujeito a numerosas ampliações e melhoramentos.

A parte baixa na década de 1840. A Capela de St George está à esquerda e a Torre Redonda ao centro direita.

Pensa-se que o sucessor de Guilherme I, Guilherme II, melhorou e alargou a estrutura, mas foi o filho mais novo do Conquistador, Henrique I, o primeiro soberano a viver no seu interior. Preocupado com a sua própria segurança devido à instabilidade do reino, este tomou residência no castelo e celebrou ali o Pentecostes em 1110[46] . O seu casamento com Adeliza de Lovaina, a filha de Godofredo I de Leuven, teve lugar no castelo em 1121.

O mais antigo dos edifícios sobreviventes em Windsor data do reinado de Henrique II, o qual subiu ao trono em 1154. Este monarca substituiu a paliçada de madeira que circundava a antiga fortaleza por uma muralha de pedra, intercalada com torres quadradas; uma parte, muito alterada, deste muro defensivo pode ser vista no que é, actualmente, o terraço Leste. Henrique II também construiu o primeiro forte de pedra (A Torre Redonda), no monte irregular do centro do castelo.

Em 1189, o castelo foi cercado durante a primeira guerra dos barões contra o Príncipe João. As tropas do rei de Gales (pouco mais que mercenários privados) tomaram-no de assalto, e o príncipe teve que fugir para França. Mais tarde, em 1215, em Runnymede, próximo do castelo, o príncipe, agora rei João I de Inglaterra, foi forçado a assinar a Magna Carta. Em 1216, ainda no contexto da primeira guerra dos barões, o castelo foi novamente cercado, mas desta vez conseguiu resistir, apesar dos severos danos sofridos na estrutura da parte baixa.

Estes danos foram imediatamente reparados, ainda no ano de 1216, pelo sucessor do rei João, Henrique III, que viria a reforçar as defesas com a construção do pano de muralhas do Oeste, muito do qual ainda sobrevive actualmente. Entre as partes mais antigas do castelo, que ainda se mantêm, encontra-se a Torre do Recolher (curfew tower - "T"), construída em 1227. O interior da torre contém a antiga prisão do castelo, e também os restos de um portão duplo (sally port), uma saída secreta para os ocupantes em épocas de cerco. O piso superior contém os sinos do castelo, colocados ali em 1478, e o relógio do castelo, datado de 1689. O telhado cónico, em estilo francês, é uma adição do século XIX. Henrique III morreu em 1272 e aparentemente terão ocorrido poucas construções no castelo até ao reinado de Eduardo III (13271377).

1350–1500[editar | editar código-fonte]

O rei Eduardo III nasceu no Castelo de Windsor no dia 13 de novembro de 1312, e foi frequentemente referenciado como "Eduardo de Windsor". Este monarca iniciou, em 1350, um longo programa de reconstruções, que duraria vinte e quatro anos, o qual passou pela demolição do castelo existente, com excepção da Torre do Recolher ("T") e algumas peças exteriores de menor importância. Na supervisão do desenho e construção do novo castelo foi colocado William of Wykeham. O forte de Henrique II (a Torre Redonda) foi substituído pelo presente forte, embora só tenha atingido a sua altura definitiva no século XIX. As fortificações também viriam a ser aumentadas. A capela do castelo foi substancialmente ampliada, mas os planos para a construção de uma nova igreja não foram executados, provavelmente devido à escassez de mão-de-obra e de recursos na sequência da Peste Negra. Deste período, encontramos ainda o Portão Normando (Norman Gate - "M"). Este largo e imponente portão aos pés da Torre Redonda é o último bastião de defesa antes da parte alta (Upper Ward - "B"), onde estão situados os apartamentos reais.

Em 1348, Eduardo III estabeleceu a Ordem da Jarreteira, cuja cerimónia anual ainda tem lugar na Capela de St. George, a principal capela do castelo. Entre 1353 e 1354, fez construir o Pórtico da Sala do Tesouro (Aerary Porch).

Castelo de Windsor: Portão Normando.

Em 1390, durante o reinado de Ricardo II, descobriu-se que a capela de St George estava próxima do colapso, tendo sido levado a cabo um processo de restauro. O secretário responsável pela obra foi um dos favoritos do rei Ricardo II, Geoffrey Chaucer, que serviu como diplomata e secretário dos trabalhos do rei. O seu relacionamento durou ao longo de todo o reinado de Ricardo II. Na década anterior à morte de Chaucer, Ricardo concedeu-lhe vários presentes e anuidades, incluindo uma doação anual de vinte libras esterlinas durante o resto da vida, em 1394, e 252 galões de vinho por ano, em 1397. Chaucer morreu no dia 25 de outubro de 1400. Seja como for, os seus dotes como medidor e construtor foram pouco eficazes, pois dentro de 50 anos a capela estaria novamente em ruínas.

Eduardo IV (14611483), o primeiro rei da Casa de Iorque, do qual se dizia ser adicto do "avanço da pompa vã", iniciou a construção da presente Capela de St. George. Na realidade, este novo templo, iniciado em 1475, é mais uma catedral em miniatura e um mausoléu real que uma capela propriamente dita. A sua arquitectura é um exercício no estilo Gótico Perpendicular. Durante o reinado de Henrique VII, uma parte da capela original foi demolida para dar lugar à Capela da Virgem, a qual o rei viria a abandonar. Este edifício foi, realmente, uma das primeiras grandes peças de arquitectura construídas dentro dos limites do castelo.

A construção da capela marca um ponto de viragem na arquitectura do castelo. O clima político mais estável, que sucedeu ao final da Guerra das Rosas, resultou numa tendência para a construção futura de edifícios com maior preocupação no conforto e estilo que na fortificação. Nesta via, o papel do castelo alterou-se de bastião real para palácio real. Um exemplo disto é o Claustro em Ferradura ("Horseshoe Cloister" - "H"), datado de 1480, construído próximo da capela para albergar os seus sacerdotes. Costuma dizer-se que este edifício curvo em tijolo tem a forma de uma ferradura: um dos emblemas usados por Eduardo IV. O edifício sofreu pesadas obras de restauro em 1871, tendo restado poucos dos materiais originais

De fortaleza a palácio[editar | editar código-fonte]

Castelo de Windsor. Vista das alas Este, as quais contêm os apartamentos privados.

Embora seja aceite que Eduardo III de Inglaterra foi o monarca que iniciou a transformação do castelo, de fortaleza para uma confortável residência, quando comparado com o Palácio de Whitehall (Palace of Whitehall) e o Palácio de Nonsuch (Nonsuch Palace), Windsor permanecia uma lúgubre residência.[47] Henrique VIII (que reinou entre 1509 e 1547) reconstruiu a portaria principal do castelo cerca de 1510, situando-a num local que, mesmo que a portaria caísse no ataque, a futura invasão envolveria uma penosa batalha. O brasão por cima do arco e da portcullis (porta corrediça na entrada de um castelo) carrega o emblema com a romã da primeira rainha deste monarca, Catarina de Aragão.

O sucessor e filho de Henrique VIII, o jovem rei Eduardo VI (que reinou entre 1547 e 1553), escreveu enquanto estava no castelo: "Penso que estou numa prisão, aqui não existem galerias, nem jardins onde caminhar."[47]

A irmã de Eduardo VI, a rainha Isabel I (que reinou de 1558 a 1603) passou muito do seu tempo em Windsor e considerou-o o lugar mais seguro do seu reino, retirando-se para aqui nos momentos de ansiedade, tal como descreve quando diz: …sabendo que isto pode resistir a um cerco se houver necessidade.[47] Embora o seu registo sugira que o castelo ainda tinha muito de fortaleza, esta rainha também contribuiu muito para a sua transformação, construindo o terraço Norte ("N") como local para exercício e, fora deste, uma galeria coberta, um exemplo muito inicial do que mais tarde seria conhecido como Estufa. Este edifício sobreviveu relativamente inalterado, acolhendo actualmente a biblioteca real. Ainda contém uma enorme lareira ao estilo Tudor.

A Guerra Civil[editar | editar código-fonte]

Isabel I foi sucedida por Jaime I, e este, pelo seu filho Carlos I. Nenhum destes últimos monarcas fez alterações significativas ao castelo. De qualquer forma, após a deposição de Carlos I na sequência da Guerra Civil Inglesa, o castelo tornou-se o quartel general da ''New Model Army'' de Oliver Cromwell. O Castelo de Windsor foi tomado pelos parlamentaristas de Cromwell no início das hostilidades, devido à perspicácia do Coronel John Venn. O príncipe Rupert de Rhine chegou alguns dias depois para retomar a cidade e o castelo, mas apesar de ter destruído severamente a cidade, foi incapaz de retomar o castelo. Venn permaneceu governador do castelo até 1645.

Sob a jurisdição dos parlamentaristas o castelo sofreu, mas não da forma que seria esperada para um ícone simbólico da monarquia com tal importância. De qualquer forma, os soldados da guarnição estacionados no edifício estavam mal pagos, tendo-lhes, por isso, sido permitido que saqueassem os tesouros do castelo.[48] Durante o período de duração da Commonwealth de Inglaterra, o castelo permaneceu com as funções de quartel general e de prisão para os realistas mais importantes que iam sendo capturados. Durante um curto período antes da sua execução, em 1649, Carlos I foi aprisionado em Windsor, embora o termo actual mais adequado seja prisão domiciliária. Depois da execução real, a Bretanha foi governada por Cromwell até à restauração da monarquia em 1660. O corpo de Carlos foi contrabandeado de volta para o castelo no escuro da noite através duma tempestade de neve para ser enterrado sem cerimónia na catacumba por baixo do coro da capela de St George, próximo dos sepulcros de Henrique VIII e da sua esposa Joana Seymour.

A restauração[editar | editar código-fonte]

A restauração da monarquia em 1660 resultou num primeiro período de mundanças significativas para o Castelo de Windsor em muitos anos. Carlos II fez muito para restaurar e remobiliar o castelo dos danos sofridos durante a guerra civil. Nessa época o Palácio de Versailles estava a ser construído na França, e com isso em mente, Carlos II mandou construir a avenida conhecida por Longo Passeio (Long Walk - "L"). Estendendo-se para Sul do castelo, esta avenida tem um comprimento de três milhas e 240 pés de largura. Os ulmeiros originais plantados pelo rei foram rapidamente substituídos por castanheiros e plátanos. O Longo Passeio não foi a única parte de Windsor inspirada em Versailles. Carlos II encomendou ao arquitecto Hugh May a reconstrução dos Apartamentos Reais e da Galeria de St George. May substituiu os originais apartamentos Plantagenetas do terraço Norte pelo cúbico Edifício Estrela (Star Building). Os interiores destes novos apartamentos foram decorados com tectos concebidos por Antonio Verrio e entalhados por Grinling Gibbons. O rei também adquiriu tapeçarias e pinturas para adornar as salas. Estas obras de arte tornar-se-iam o núcleo da futura Royal Collection. Três destas salas permaneceram relativamente inalteradas: a Câmara de Presença da Rainha (Queen's Presence Chamber) e a Câmara de Audiência da Rainha (Queen's Audience Chamber), ambos desenhados para a esposa de Carlos II, Catarina de Bragança, e a sala de jantar do rei (King's Dining Room). Estes mantêm muitos dos tectos de Verrio e dos apainelamentos de Gibbons. Originalmente existiam no castelo vinte salas neste estilo. Alguns dos entalhes de Gibbons foram resgatados em vários momentos, quando foram feitas alterações em nome de mudanças ou restauros, e no século XIX foram incorporados em temas da nova decoração de interiores da sala do trono (Garter Throne Room) e do Gabinete de Waterloo (Waterloo Chamber).

Os séculos XVIII e XIX[editar | editar código-fonte]

Plano do Castelo de Windsor em 1743, por Batty Langley.

Depois da morte de Carlos II, em 1685, o castelo caiu lentamente num estado de negligência. É desnecessário dizer, que enquanto o recinto e o parque permaneceram como um complexo de mansões reais desabitadas, os soberanos preferiram residir noutros locais. Durante o reinado de Guilherme e Maria (16891702), o Hampton Court Palace foi ampliado e transformado num palácio moderno gigantesco. Mais tarde, a rainha Ana preferiu viver numa pequena casa junto às muralhas do castelo. Foi somente em 1804 – quando Jorge III, pai de 13 filhos, a necessitar de uma residência maior que poderia ser encontrada em qualquer sítio – que o castelo foi uma vez mais totalmente habitado. Os trabalhos de Carlos II haviam sido realizados num estilo mais clásico, de acordo com o estilo arquitectónico popular na época. Inigo Jones introduziu o Palladianismo em Inglaterra durante o reinado de Carlos I; Jorge III achou que este estilo não estava de acordo com um antigo castelo e, por isso, fez redesenhar muitas das janelas de Carlos II dando-lhes um arco apontado Neogótico, começando o castelo a readquirir a sua original aparência medieval. Durante este período, o Castelo de Windsor tornou-se uma vez mais um espaço de confinamento real. Em 1811, o rei Jorge III ficou permanentemente demente e foi cinfinado ao castelo para sua própria segurança. Durante os últimos nove anos da sua vida raramente deixou os seus apartamentos de Windsor.

Desenho do castelo realizado no século XVIII, por Kip e Knyff.

Foi durante o reinado de Jorge IV, ao longo da década de 1820, que o castelo foi submetido à maior transformação isolada da sua história. Jorge IV, conhecido pelas suas construções extravagantes levadas a cabo durante a sua regência, tanto na Carlton House como no Royal Pavilion, persuadiu agora o Parlamento do Reino Unido a votar favoravelmente uma quantia de 300.000 libras para obras de restauro. O arquitecto Jeffry Wyatville foi seleccionado, e os trabalhos começaram em 1824.

A obra demorou doze anos a concluir e incluiu uma remodelação completa da parte alta (Upper Ward - "B"), apartamentos privados ("D"), Torre Redonda (Round Tower - "A"), e da fachada exterior da Ala Sul ("E") o que deu à fachada do castelo uma aparência quase simétrica quando vista do Longo Passeio.

A Galeria de St. George em 1848, por Joseph Nash, mostrando as alterações feitas para Jorge IV por sir Jeffry Wyatville.

Wyatville foi o primeiro arquitecto a ver o castelo como uma composição, em vez de uma colecção de edifícios de várias épocas e em diferentes estilos. Como arquitecto, teve preferência por impôr uma simetria, visto que o castelo tinha evoluído através de peças soltas ao longo dos séculos anteriores, sem qualquer simetria de conjunto. Wyatville impôs uma simetria heterogénea aos edifícios existentes na parte alta, aumentando a altura de certas torres para contrabalançar outras, e dando uma nova face à parte alta em estilo gótico com ameias acasteladas para contrabalançar os edifícios medievais, incluindo a capela de St George na parte baixa. A Torre Redonda sempre teve uma estrutura atarracada, e isto acentuava-se, agora, mais pela nova altura dos edifícios da parte alta. Wyatville resolveu este problema ao cpnstruir no topo da Torre Redonda uma coroa oca em pedra, basicamente um falso piso superior. Com uns 33 pés de altura, esta torre dá a todo o castelo a sua silhueta dramática, visível a muitas milhas de distância.

À maior parte do interior do castelo foi dado o mesmo tratamento que ao exterior. Muitas das salas de estado de Carlos II que resistiram às redecorações de Jorge III foram redesenhadas em estilo gótico, mais notoriamente a Galeria de St George, a qual foi dobrada em comprimento. Wyatville também cobriu com telhado um pátio para criar a Câmara de Waterloo. Esta vasta galeria, iluminada por um clerestório, foi desenhada para celebrar a vitória na Batalha de Waterloo e foi adornada com retratos, pendurados nas paredes, dos soberanos e comandantes aliados que venceram Napoleão I. A grande mesa de jantar ao centro da sala tem capacidade para 150 pessoas.

O trabalho ainda não estava concluído quando Jorge IV faleceu em 1830, mas estava virtualmente pronto aquando da morte de Wyatville em 1840.

A era vitoriana[editar | editar código-fonte]

A rainha Vitória na privacidade do palácio depois da morte do príncipe Alberto, quando foi apelidada de "The Widow of Windsor" (A Viúva de Windsor).

A rainha Vitória e o príncipe Alberto fizeram do castelo de Windsor a sua principal residência real. A maior parte das suas alterações incidiram sobre os parques em vez dos edifícios. Em particular, o Acto das Aproximações do Castelo e Cidade de Windsor ("Windsor Castle and Town Approaches Act"), que passou pelo Parlamento em 1848, permitiu o encerramento e reordenamento das estradas velhas que anteriormente corriam no interior do parque, de Windsor para Datchet e Old Windsor. Estas alterações permitiram à família real encerrar uma larga área do parque formando assim o privado "Home Park", sem estradas públicas a passarem através dele.

A rainha Vitória recolheu ao Castelo de Windsor na sequência do falecimento do se marido em 1861, que morreu, de facto, no castelo. Alberto foi sepultado num mausuléu construído em Frogmore, no interior do "Home Park" do Castelo (mais tarde Vitória seria sepultada a seu lado).

Desde a morte de Alberto em 1861, até à sua própria morte em 1901, o Castelo de Windsor foi a residência principal da rainha Vitória, tendo esta raramente voltado ao Palácio de Buckingham depois disso. As salas do príncipe Alberto foram deixadas exactamente como estavam no momento da sua morte, e embora se tenha estabelecido no castelo um certo ar de melancolia atá ao fim do século XIX, isso não impediu que tivessem lugar melhorias e restauros. Em 1866, Anthony Salvin criou a Grande Escadaria nos Apartamentos de Estado ("C"). Esta grande escadaria de pedra em estilo gótico eleva-se a uma galeria com altura de dois pisos, iluminada por uma torre da lanterna abobadada. A galeria é decorada com armas e armaduras, incluindo o conjunto das armaduras usadas pelo rei Henrique VIII, feitas em 1540. O topo das escadas está flanqueado por esculturas equestres em tamanho real, montadas por cavaleiros em armadura. Este tema de decoração continua na Câmara da Guarda da Rainha e no Grande Vestíbulo. Salvin também instalou, nesta época, um telhado cónico ao estilo dos châteaux franceses na Torre do Recolher ("T").

Século XX[editar | editar código-fonte]

Depois da subida ao trono do Rei Eduardo VII, em 1901, o castelo permaneceu vazio por longos períodos. O novo rei preferia outras das suas residências. Eduardo VII visitava o Castelo de Windsor durante a semana das corridas de Ascot e na Páscoa. Uma das poucas alterações que este monarca fez foi o campo de golfe do castelo.

O sucessor de Eduardo VII, Jorge V, que reinou desde 1910 até à sua morte em 1936, também preferia os seus outros palácios rurais. De qualquer forma, a sua esposa Maria de Teck foi uma grande conhecedora de artes. Esta rainha não se limitou a procurar e readquirir elementos do mobiliário do castelo há muito tempo dispersos, mas também adquiriu muitas obras de arte e peças de mobiliário novas para mobiliar as salas de estado. Também fez um rearranjo da forma como o castelo estava organizado, abandonando a ideia barroca de um largo conjunto de salas reservada somente para hóspedes importantes, no primeiro andar. Foram instalados novos e mais confortáveis quartos, com modernas casas de banho, nos pisos superiores do castelo, permitido que as antigas salas de estado fossem usadas para entretenimento e para funções da corte. O quarto de estado foi mantido, mas como curiosidade histórica. Não voltou a ser usado como quarto a partir de 1909.

Durante a Primeira Guerra Mundial, quando os membros da família real britânica sentiram a necessidade de mudar o seu nome dinástico do alemão "Saxe-Coburgo-Gota", tomaram o seu novo nome deste castelo, tornando-se a "Casa de Windsor".

A rainha Maria de Teck era uma apaixonada pelas miniaturas, e criou uma grande Casa de Bonecas, baseada numa grande mansão aristocrática. Esta foi desenhada pelo arquitecto Edwin Lutyens. As suas mobílias e pinturas foram reiadas pelos grandes artesãos e desenhadores da década de 1930. A Casa de Bonecas é, actualmente, uma das muitas atracções turísticas do castelo.

Jorge VI subiu ao trono em 1936 depois da abdicação do seu irmão, Eduardo VIII; no dia 11 de dezembro, o discurso de abdicação de Eduardo VIII foi transmitido a partir do castelo para todo o Império Britânico, mas este monarca preferiu, durante o seu curto reinado, viver na sua residência do Forte Belvedere no Grande Parque de Windsor. Jorge VI (e a sua esposa Elizabeth Bowes-Lyon) preferiram a sua residência original em Windsor, o Royal Lodge. No início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, o castelo resumiu o seu papel a fortaleza real, tendo os reis, acompanhados pelas suas filhas, a princesa Isabel (futura rainha Isabel II) e a princesa Margarida, viveram, para sua segurança, no castelo de Windsor. O rei e a rainha deslocavam-se diariamente a Londres,regressando a Windsor para dormir, apesar de, à época, isso ser um segredo bem guardado, pois tanto por qusetões de propaganda como por propósitos morais foi reportado que o rei continuava a residir a tempo inteiro no Palácio de Buckingham. Depois do fim das hostilidades, em 1945, a família real deixou o Castelo de Windsor e voltou para a Royal Lodge.

O longo passeio de acesso ao Castelo de Windsor.

A rainha Isabel II decidiu em 1952 (o ano em que subiu ao trono) fazer de Windsor o seu principal refúgio de fim-de-semana. Os apartamentos privados ("D"), os quais não tinham voltado a ser propriamente ocupados desde a época da rainha Maria de Teck, foram renovados e modernizados, tendo a rainha, o príncipe Filipe e os (então) dois filhos instalado residência nesta área. Esta organização permaneceu até à actualidade.

No dia 20 de novembro de 1992 houve um incêndio no castelo, o qual começou na capela privada da rainha (entre "C" e "D" na planta) e rapidamente se propagou. Este incêndio deflagrou durante quinze horas tendo destruído nove das principais salas de estado e danificou severamente outras cem — por toda a parte alta. Um quinto do piso do castelo ficou danificado —uma área de 9.000 metros quadrados. O programa de restaurou demorou cinco anos a ficar concluído, tendo 70% sido financiados pela abertura ao público,pela primeira vez, das salas de estado do Palácio de Buckingham. Os custos totais da reparação ascenderam a 37 milhões de libras (59,2 milhões de dólares dos E.U.A.). O restauro foi efectuado sem custos tributários adicionais. O restauro foi um sucesso, tendo seguido fielmente a planta e as decorações originais, ao ponto de as distinções entre o novo e o velho ser difícil de detectar. Algumas das salas consumidas pelo fogo foram completamente redesenhadas numa moderna interpretação, muito orgânica e em estilo gótico, a qual tem sido chamada de "Gótico Downesiano" devido ao arquitecto que as desenhou, Giles Downes, da sociedade "Sidell Gibson Partnership". Estas renovações incluem a nova Capela Privada, o novo Saguão da Lanterna e o novo tecto da Galeria de St George. O último foi feito em carvalho verde, uma técnica usada nos tempos medievais. De qualquer forma, o que fica menos evidente é que os trabalhos de restauro resultaram em melhorias significativas, particularmente no arranjo das salas públicas e nos quarteirões de serviço.

Nos últimos anos, a rainha tem usado cada vez mais o castelo tanto como palácio real como residência de fim-de-semana. Tem sido usado tão frequentemente para banquetes de estado e entretenimentos oficiais como o Palácio de Buckingham. Quando em 1992 o príncipe André foi entrevistado pela televisão no contexto do incêndio, declarou que o Castelo de Windsor era o local onde a família real se sentia em casa.

Durante o período de posse da rainha Isabel II muito tem sido feito, não só no restauro e manutenção da fábrica do edifício, mas também na transformação do castelo numa importante atracção turística da Inglaterra.[49] Isto teve que ser conseguido em coordenação com o papel do castelo como um palácio real em funcionamento. Em 1994, foi descoberto petróleo nos campos do castelo, e a rainha garantiu a permissão de pesquisas para testar as reservas, que os peritos prevêm valer mais de 1 bilião de dólares americanos.[50] Quaisquer resultados positivos seriam divididos entre a companhia petrolífera e o estado.[50]

Em junho de 1999, uma história da BBC reportou que o príncipe Carlos pensava mudar a corte do Palácio de Buckingham para o Castelo de Windsor quando subisse ao trono. A história especulava que o príncipe estava a tentar ganhar mais independência da tradicional corte do Palácio de Buckingham. Até agora o palácio não comentou esta história, mas diz-se que o príncipe Carlos, juntamente com o resto da família real, tem uma afeição especial pelo Castelo de Windsor.

Século XXI[editar | editar código-fonte]

Castelo de Windsor: torre do relógio.

Como sinal dos tempos, no dia 30 de setembro de 2006 foi anunciado que Isabel II, como parte da política da igualdade de oportunidades em Windsor, permitiu o uso de um gabinete do castelo para a realização do salá (a oração feita cinco vezes ao dia, pelos fiéis muçulmanos), quando requerido, de acordo com o pedido de um empregado.[51]

A grande trincheira real[editar | editar código-fonte]

O Castelo de Windsor foi um dos três locais reais escavados durante quatro dias pela Equipa Tempo ("Time Team") de arqueólogos, liderada por Tony Robinson, entre 25 e 28 de agosto de 2006. No Reino Unido, o Channel 4 dedicou um programa de serão às descobertas de cada dia e seguiu, ainda, as escavações, ao vivo, no programa More4, com transmissão simultânea pela internet.

Marcado para integrar as celebrações do octagésimo aniversário da rainha Isabel II do Reino Unido, juntamente com outros eventos durante o ano de 2006, esta escavação marcou a 150ª trincheira realizada pela "Time Team". Pela primeira vez, a rainha deu permissão para serem escavadas trincheiras nos jardins do Palácio de Buckingham, tal como no Castelo de Windsor e no Palácio de Holyroodhouse, em Edimburgo. A grande trincheira real é um exemplo da abertura das casa da rainha ao acesso público, tal como ela fez durante o fim-de-semana do seu jubileu de ouro em 2002 e ao longo de 2006 pelo seu aniversário.

Os arqueólogos tiveram uma oportunidade sem precedentes para provar a geofísica e a história de três residências reais por um período de quatro dias, com equipas a trabalhar em concorrência nas três localizações.

O Castelo de Windsor foi cenário de dois achados notáveis:

  • Na Parte Alta, nas fundações do edifício da Mesa Redonda, erguido em 1344 por Eduardo III foram descobertos, entre outros achados, uma espectacular telha medieval decorada in situ.[52] Na época de Eduardo, o edifício da Mesa Redonda, com 200 pés de diâmetro, foi usado para banquetes, festivais, e representações teatrais acerca dos Cavaleiros da Távola Redonda da lenda do rei Artur.
  • Na Parte Baixa, foi descoberta a Grande Galeria do palácio de Henrique III e foi encontrada uma das suas paredes ainda erguida. Isto ajudou os arqueólogos a avaliar onde o primeiro palácio de Windsor realmente se ergueu.

Estas descobertas aumentaram o conhecimento acerca da localização, história e usos do Edifício da Mesa Redonda e da Grande Galeria.[53]

Segurança[editar | editar código-fonte]

Castelo de Windsor: vista aérea.

Apesar de menos publicitada que a do Palácio de Buckingham, a segurança no Castelo de Windsor tem, ocasionalmente, sofrido brechas. O último episódio ocorreu quando um intruso (o pretenso "terrorista cómico", Aaron Barschak) invadiu a festa de aniversário do Principe Guilherme de Gales.

A Polícia do Vale do Tâamisa ("Thames Valley Police") e o Departamento de Protecção Real e Diplomática ("Royalty and Diplomatic Protection Department") do Serviço Metropolitano de Polícia de Londres ("London Metropolitan Police Service") providenciam os principais elementos de segurança física. A Guarda do Castelo de Windsor ("Windsor Castle Guard") do Regimento de Infantaria de Elite da Divisão Doméstica, provida por um batalhão de deveres públicos em Londres, ou pelo batalhão do Aquartelamento de Vitória, Windsor, Berkshire, contribuem para isso.

O Regimento de Infantaria de Elite no Aquartelamento de Vitória, à distância de um quarto de milha do castelo, é suportado pelo Esquadrão de Reconhecimento Protegido da Cavalaria Doméstica, com base no Aquartelamento de Combermere, Windsor, a uma milha do castelo. Em momentos de emergência no castelo, vários milhares de soldados, assim como os tanques ligeiros FV107 Scimitar da Cavalaria Doméstica, estão habilitados a responder rapidamente, em ordem a proteger o castelo e os seus ocupantes.

Notas

  1. A Sala de Desenho da Rainha, o Salão de Baile da Rainha, Câmara de Audiências da Rainha, Câmara de Presença da Rainha, Câmara da Guarda da Rainha, Câmara de Presença do Rei, Sala de Audiências do Rei, Câmara de Desenho do Rei e a Câmara de Jantar do Rei estão na estrutura do século XVII de May. Wyatville transformou os desenhos do canto leste dos Apartamentos de Estado, formando o Grande Salão de Recepção, a Sala de Desenhos Branca, Sala de Desenhos Verde, Sala de Desenhos Carmesim, a Câmara de Waterloo, o Salão de Jantar de Estado e o Salão de Jantar Octogonal.
  2. "Restauração autêntica" involve o uso de materiais e métodos originais. "Restauração equivalente", como foi o caso de Windsor, pode integrar "compartimentação resistente ao fogo, dutos de serviço, materiais higiênicos e pisos fortalecidos" modernos, contanto que não sejam vistos.[18]
  3. Os aposentos completamente destruídos, ou em grande parte, foram o Salão de São Jorge, o Saguão da Lanterna, o Salão de Jantar Octogonal, a Capela Privada e a Grande Cozinha.
  4. "Landarie" significa "passagem de carne".

Referências

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  2. Nicolson 1997, pp. 3–4
  3. Nicolson 1997, p. 123
  4. Nicolson 1997, p. 78; Brindle & Kerr 1997, p. 61
  5. Robinson 2010, p. 156
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  12. Brindle & Kerr 1997, p. 31.
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  50. a b (1994-12-19) "Queen Elizabeth, Wildcatter". Time Magazine.
  51. Queen grants Muslim prayer room BBC News Online (2006-09-30).
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  53. Latest from Windsor Castle Big Royal Dig - Time Team Channel 4.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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  • Emery, Anthony. Greater Medieval Houses of England and Wales, 1300–1500: Southern England. Cambridge: Cambridge University Press, 2006. ISBN 978-0-521-58132-5.
  • Mackworth-Young, Robin. The History and Treasures of Windsor Castle. Andover: Pitkin, 1992. ISBN 978-0-85372-338-7.
  • Nicolson, Adam. Restoration: The Rebuilding of Windsor Castle. Londres: Michael Joseph, 1997. ISBN 978-0-7181-4192-9.
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  • Rowse, Alfred Leslie. Windsor Castle in the History of the Nation. Londres: Book Club Associates, 1974. ISBN 978-1-902163-21-5.
  • Tatton-Brown, Tim. In: Munby, Julian; Barber, Richard; Brown, Richard (eds.). Edward III's Round Table at Windsor. Woodbridge: The Boydell Press, 2007. Capítulo "Windsor Castle Before 1344". ISBN 978-1-8438-3391-8.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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