Arquitetura gótica

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Catedral de Notre-Dame de Paris, uma das catedrais góticas mais famosas do mundo.
Detalhe de uma das torres da Catedral de Notre-Dame de Laon, na França. A catedral foi uma das primeiras do país a serem construídas com traços góticos.

Arquitetura gótica é um estilo arquitetónico que segundo pesquisas, é evolução da arquitetura românica e que precede a arquitetura renascentista. Foi desenvolvida no Norte da França durante a Alta Idade Média (900 - 1300) entre os anos 1050 e 1100, originalmente se chamava "Obra Francesa" (Opus Francigenum), embora a Catedral de Dublin na Irlanda fundada no ano 1030 já pode-se ser classificado como pre-gótico. O termo 'gótico' só apareceu na época do Renascimento como um insulto estilístico, já que para os Renascentistas a arte gótica é bárbara, sendo tipicamente Medieval. A palavra gótico é em referencia aos godos, povo bárbaro-germano.[1]

Com o gótico, a arquitetura ocidental atingiu um dos pontos culminantes da arquitetura pura. As abóbadas cada vez mais elevadas e maiores, não se apoiavam em muros e paredes compactas e sim sobre pilastras ou feixes de colunas. Uma série de suportes que eram constituídos por arcobotantes e contrafortes possuíam a função de equilibrar de modo externo o peso excessivo das abóbadas. Desta forma, imensas paredes espessas foram excluídas dos edifícios de género gótico e foram substituídas por vitrais e rosáceas que iluminavam o ambiente interno.[2]

O estilo gótico ficou marcado em muitas catedrais europeias, entre elas a de Notre-Dame, Chartres, Colônia e Amiens, a maioria classificada como Patrimônio Mundial da UNESCO, todas construidas no século XII. Muitas catedrais góticas caracterizam-se pelo verticalismo e majestade, denominando-se durante a Idade Média, como supremacia e influência para a população.

Contexto histórico[editar | editar código-fonte]

Fachada Sul da Catedral de Notre-Dame de Chartes. A catedral foi uma das primeiras a serem construídas com estilo gótico durante o século XII na França e em todo o Continente Europeu.

Por volta do século X o continente europeu estava em crise e o poder real estava enfraquecido, consequentemente sucedido pelo feudalismo. A França estava ameaçada de invasão e o povo buscou refúgio nas poucas e precárias fortalezas que no país se encontravam.

Durante este período foram criadas esculturas, pinturas e outros meios artísticos exibindo o pânico pressentido pela população. Século depois, como a profecia católica não se realizou, ocorreram uma série de fatos históricos como a construção das primeiras universidades na década de 1080, as Cruzadas e o enfraquecimento do feudalismo que embora não tenha sido extinto a princípio. Neste período surge um novo estilo artístico, arquitetónico e cultural, baseado nos estilos romanos mas que eram combinados com as novas tendências e necessidades: o Opus Francigenum ("Estilo francês"). A partir do ano de 1127, já era possível encontrar catedrais portando este género arquitetónico e anos após, o Estilo francês já espalhava-se por toda a Europa Medieval. Na França, a primeira catedral construída com o novo estilo foi a Basílica de Saint-Denis, localizado na região de Île-de-France, onde hoje fica Paris. Alguns anos após, o poder feudal é derrotado e o poder real toma a Europa novamente graças à burguesia e proletários. Com o retorno da monarquia a população adquire mais influência e para comemorar a série de fatos e acontecimentos, buscavam cada vez mas as igrejas e catedrais para cumprir com suas responsabilidades religiosas e agradecerem. Como o estilo arquitetónico românico era formado por pouca iluminação, os europeus buscaram o estilo francês (que é uma evolução arquitetónica da romana) para construir as novas catedrais e igrejas.[3] [4] [5]

Elementos arquitetónicos de estruturas góticas[editar | editar código-fonte]

Desenho esquemático que representa as estruturas eclesiásticas de estilo gótico.

Até a atualidade, a arquitetura gótica ficou conhecido por ser encontrada com mais frequência nas grandes catedrais e em outros estabelecimentos eclesiásticos construídos ainda no início do período medieval, período em que exerciam grande influência em toda Europa. Durante o período gótico – século XII à século XV – o poder religioso buscava converter sua "importância" para as estruturas de igrejas, catedrais e abadias através da grandiosidade dimensional presente na arquitetura gótica.[6] [7] [8] [9]

Como a arquitetura gótica foi uma evolução da arquitetura românica, foram desenvolvidos alguns elementos que ajudaram nas construções góticas, como o arco de ogiva e a abóbada de cruzaria, que tornaram-se as principais características do estilo arquitetónico. Geralmente, a fachada das estruturas góticas busca seguir a verticalidade e a leveza e no interior, busca um ambiente iluminado.[10] [11]

Planta arquitetónica[editar | editar código-fonte]

Planta da Catedral de Amiens, França. A catedral também possui formato de uma cruz latina.

A planta de uma catedral com arquitetura gótica é pouco diferente de uma catedral encontrada antes do surgimento do estilo gótico. Geralmente, as catedrais possuem a aparência semelhante a uma cruz latina (crucifixo), onde situa-se a nave, os transeptos e o coro; na parte inferior da "cruz" fica localizada a nave central circundada por naves laterais; na faixa horizontal havia os transeptos e o cruzeiro; na base da nave tinha-se uma fachada principal. Existem também torres, porém localizadas em partes variadas.[12]

Arcos de ogiva ou ogivais[editar | editar código-fonte]

Pessoas avistando uma das entrada do oeste da Catedral de Amiens, França. Os portais possuem traços ogivais góticos e foram construídos durante meados do século XIII.
Ver também: Arcos de ogiva

Os arcos de meia circunferência que haviam sido usados em igrejas e catedrais de arquitetura românica faziam com que todo o peso da construção fosse descarregado sobre as paredes, obrigando um apoio lateral resistente como pilares maciços, paredes mais espessas, poucas aberturas para fora tornando, consequentemente, o interior das estruturas eclesiásticas mais escuras e cada vez menos agradável.[13]

Este arco foi substituído pelos arcos ogivais (também chamados de arcos cruzados). Isso dividiu o peso da abóbada central, consequentemente, descarregando-a sobre vários pontos, ao invés de um e também, podendo usar material mais leve para a abóbada ou mesmo para as bases de sustentação. No lugar dos sólidos pilares, foram usados colunas ligeiramente afinadas que passaram a receber o peso da abóbada. Deste modo, as paredes foram perdendo a importância como base de sustentação, passando a serem feitas com materiais frágeis como o vidro. Passaram a ser usados então, belos vitrais coloridos, dando origem a tão necessitada luminosidade no interior de igrejas e catedrais.[14]

Abóbadas em cruzaria[editar | editar código-fonte]

Abóbada da Abadia de Beverley, Inglaterra. As abóbadas góticas, assim como os arcos, possuem formato ogival.
Ver também: Abóbada em cruzaria

As catedrais românicas possuíam um sistema estrutural baseado em espessas paredes e abóbadas semicirculares localizadas logo abaixo do telhado.

Estes sistemas estruturais deveriam ser espessas e com poucas aberturas, pois resistiam à esforços verticais e esforços horizontais, gerados pelo telhado, abóbada e por fortes ventos. Como o estilo arquitetónico gótico seguia as doutrinas religiosas da época, era necessário que as catedrais fossem exuberantemente altas, grande luminosidade e uma plena continuidade entre o início de seus pilares e o cume de suas abóbadas. Durante o auge da arquitetura gótica uma das principais características deste estilo arquitetónico foram as abóbadas ogivais, ou seja, com formato pontiagudo.[15] [16]

Iluminação[editar | editar código-fonte]

Ver também: Vitral & Rosácea
Raios solares filtrados pelas rosáceas da Catedral de Metz, França. Os vitrais também são fundamentais para uma boa iluminação no interior das catedrais.

Considerada uma arquitetura 'de paredes transparentes, luminosas e coloridas', a arquitetura gótica considera o vitral um importante elemento, pois cria uma atmosfera mística que deveria sugerir, na visão do povo medieval, as visões do Paraíso, a sensação de purificação. Os raios solares são filtrados pelos vitrais e rosáceas, criando no interior da estrutura gótica, um ambiente iluminado e colorido e também, transmitindo aos fiéis religiosos uma sensação de êxtase. Os vitrais apresentavam simples formas geométricas ou mesmo imagens de santos ou passagens bíblicas. Para obter-se um vitral na época, era necessário que um artesão realizasse um processo de coloração da peça de vidro. Durante este processo, o vidro cru era misturado a outros componentes químicos que determinavam a respectiva tonalidade, durante a fase de derretimento. Este processo mantinha o vidro com um tom de cor sem que bloqueasse os raios solares. Após este procedimento o vidro era aquecido e moldado.[17] [18]

Assim como os vitrais, as rosáceas visam estabelecer um ambiente iluminado no interior das estruturas góticas, porém possuem algumas características diferentes. Estão localizadas, geralmente, em um local alto nos estabelecimentos eclesiásticos, geralmente em regiões próximas ao portal das fachada principal a Oeste ou mesmo no transepto, em pelo menos um de seus extremos. Assim como a arquitetura gótica no geral possui uma relação com a religiosidade, as rosáceas fazem alusão à personagens cristãos como Jesus Cristo (que é representado pelo sol) e Maria (representada pela rosa).[19]

Suportes exteriores[editar | editar código-fonte]

Arcobotantes da Abadia Beverley. Os arcobotantes estão localizados na parte exterior das estruturas eclesiásticas.
Ver também: Arcobotante & Contraforte

Ao contrário das espessas paredes da arquitetura românica, a arquitetura gótica é constituída por paredes finas e geralmente possuidoras de enormes vitrais e rosáceas. Para que a estrutura eclesiástica fique elevada é necessário usar dois elementos que servem como suporte: o contraforte e o arcobotante. O contraforte fica posicionado em um ângulo reto em relação à estrutura gótica contra a parede lateral e eleva-se a uma altitude considerada alta, em um enorme grau de perfeição. O peso do contraforte neutraliza a pressão causada pelas abóbadas. O arcobotante possui uma caixilharia diagonal de pedra, escorado ao lado pelo contraforte posicionado próximo à parede e por outro lado pela clarabóia da nave. Deste modo, o arcobotante dirige o peso lateral das abóbadas e associado aos contrafortes possui uma força enorme. Graças à estes dois suportes, foi possível construir catedrais, basílicas, igrejas e capelas exuberantemente altas, com muitos vitrais e rosáceas.[10]

Verticalismo e majestade[editar | editar código-fonte]

Fachada principal da Catedral de Amiens, França. A religião buscava elevar suas construções ao maior nível de altitude, para transmitir sua majestade.

Outra característica importante das estruturas eclesiásticas góticas é o verticalismo, ou seja, sua elevada altitude. No interior e exterior das construções góticas, os elementos arquitetónicos apontam para o céu. Um exemplo conhecido são os arcos ogivais, que são pontiagudos e possuem a impressão de uma seta apontada para cima. Este verticalismo da arquitetura gótica tenta exibir-se cada vez mais próxima de Deus e destacar sua magnificência dentro de sua respectiva cidade como uma clara referência religiosa. Em uma visão geral, as catedrais sofreram rivalidade entre vários centros urbanos que possuem edifícios com proporções superiores.[20]

Gárgulas e esculturas santas[editar | editar código-fonte]

Ver também: Gárgulas & Esculturas góticas

Embora sua temática seja diferenciada da arquitetura, as esculturas góticas e as gárgulas estão muito presente nas catedrais e outros estabelecimentos eclesiásticos.

Como elemento arquitetónico, as gárgulas possuem a função de escoar as águas pluviais da cobertura e telhado dos edifícios góticos, impossibilitando-a de escorrer pelas paredes exteriores, degradando o local. Existem também opiniões diferentes sobre o elemento. Uma delas é que as gárgulas não servem para esta função de escoar a água e sim apenas para decorar o ambiente. A opinião mais controversa é de que as gárgulas sirvam para proteger os templos e durante o período da noite criam vida. Este obscuro boato colaborou para que as pessoas passassem a acreditar que as gárgulas serviam também para afastar os maus espíritos, imagem que se consagrou e é recitada pelos guias de turismo em toda a Europa. As esculturas de gárgulas representam seres conhecidos como quimeras.[21] [22]

Esculturas de um dos portais da Catedral de Notre-Dame de Paris.

Além das gárgulas e esculturas grotescas, existem outras esculturas religiosas presentes na arquitetura gótica. Através destas, eram expressadas a e religiosidade que o povo europeu sentia. Os caracteres esculturais seguem o fundamento gótico do verticalismo e são, majoritariamente, encontrados em portais e colunas. As esculturas, muitas vezes, representam personagens bíblicos como a Virgem Maria e alguns santos.[23] [24]

Outros elementos arquitetónicos[editar | editar código-fonte]

Ver também: Elementos da arquitetura gótica

A arquitetura gótica possui outros elementos arquitetónicos que não foram citados acima. Alguns deles, possuem uma função em seu posicionamento mas outros servem como decoração.

A arcada por exemplo, não possui uma função específica, serve apenas como elemento arquitetónico decorativo. As arcadas, como o próprio nome revela, são arcos ogivais (na arquitetura gótica) posicionados em sequência, geralmente próximo aos claustros. Não possuem vitrais, rosáceas e nem qualquer outro tipo de elemento à base de vidro, o que possibilita a penetração dos raios solares como em qualquer outro local aberto. O florão está situado em uma extremidade exterior e elevada dos edifícios góticos. Como o próprio nome revela, o elemento representa uma flor e possui apenas utilidades decorativas. O capitel é a extremidade superior de uma coluna, pilar ou pilastra e possui utilidades decorativas e técnicas, como o sustento e a transmissão de força para o fuste. O tramo é formado por uma abóbada e seus elementos de descarga de peso; no sentido transversal é formado por dois arcos torais ou dobrados, longitudinalmente por dois arcos formeiros que separam a nave principal das laterais e por arcos cruzeiros que formam as arestas ou nervuras da abóbada. Já o cogulho é representado por uma pedra que faz alusão à folhas estilizadas.[25]

Referências

  1. HISTÓRIA DA ARQUITETURA I e II, documento. Dados e informações sobre os géneros arquitetónicos [1]
  2. UNIVERSO, enciclopédia (autor não revelado). Editora Delta-Editora Três
  3. PEGUE, site. A Arquitetura gótica - Histórico
  4. GEOCITIES, site. Arquitetura gótica, estilo medieval
  5. BRASILESCOLA, site. Estilo gótico europeu
  6. HISTÓRIANET, site. Estilo gótico encontrado frequentemente nas catedrais [2]
  7. SUAPESQUISA, site. Influência da Igreja Católica na vida da população da Europa [3]
  8. EDUCATERRA, site. Documento textual informativo sobre a Arte Gótica
  9. LMC, site. Sistema Estrutural das Catedrais Góticas
  10. a b SPECTRUM, site. A Arquitetura gótica: abóbada, suporte, contraforte
  11. SCRIBD, site. Arquitetura Românica e Gótica
  12. LMC, site (II). Construção de uma Catedral Gótica
  13. EDUCATERRA, site (II). A arte românica; 'Arquitetura escura'
  14. DOCUMENTO, PDF. Os estilos de arco em arquitetura
  15. GEOCITIES, site. Documento textual informativo sobre a Arquitetura Gótica [4]
  16. UMBRAUM, site. Técnicas arquitetónicas sobre a Arquitetura Gótica
  17. BRASIL ESCOLA, site. Os vitrais góticos – por Rainer Sousa
  18. SUPLETIVO UNICANTO, site. Documento apresentado de forma resumidamente sobre a Arte Gótica [5]
  19. WILLIANS, site. Documento textual sobre características da Arte Gótica
  20. NAMED, site. Definições sobre a Arte Gótica –por Lucas Rabelo
  21. MUNDO ESTRANHO, site. O que são gárgulas?
  22. KNOL, site. Gárgulas e figuras grotescas
  23. WILLIANS, documento. Documento acadêmico sobre o estilo gótico
  24. WILLIAMSON, Paul. "Escultura Gotica 1140-1300", livro
  25. BEATRIX, site. Informativo textual sobre a Arquitetura Gótica