Basílica de Saint-Denis

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48° 56′ N 2° 21′ E

Basílica de Saint-Denis
Fachada oeste de Saint-Denis
Arquiteto Suger de Saint-Denis (reforma)
Construção Século VII
Diocese Saint-Denis, Île-de-France
Bispo Pascal Delannoy
Local Saint-Denis, Île-de-France

A Catedral Basílica de Saint Denis (em francês: Cathédrale royale de Saint-Denis, ou apenas Basilique Saint-Denis, antigamente chamada de Abbaye de Saint-Denis) é uma ampla igreja abacial na comuna de Saint-Denis, atualmente um subúrbio ao norte de Paris. A igreja abacial foi nomeada catedral em 1966 e é a residência do Bispo de Saint-Denis, Pascal Michel Ghislain Delannoy. O edifício é de importância ímpar histórica e arquiteturalmente.

Fundada no século VII por Dagoberto I onde São Denis, um santo padroeiro da França, foi sepultado, a igreja se tornou um local de peregrinação e o mausoléu dos reis franceses, quase todo rei do século X ao XVIII foi sepultado lá, assim como muitos dos séculos anteriores. (A igreja não foi utilizada para a coroação de reis, este papel sendo designado à Catedral de Reims; no entanto, rainhas eram comumente coroadas lá.) "Saint-Denis" logo se tornou a abadia de um crescente complexo monástico. No século XII o Abade Suger reconstruiu partes da abadia usando inovadas características estruturais e decorativas, que foram extraídas de uma série de outras fontes. Ao fazer isso, ele afirmou ter criado o primeiro edifício verdadeiramente gótico.[1] A nave do século XIII da basílica também é o protótipo do estilo gótico radiante, e forneceu um modelo de arquitetura para catedrais e mosteiros do norte da França, Inglaterra e outros países.

Contexto[editar | editar código-fonte]

Pintura do século XV pelo Mestre de Saint Giles, mostrando São Denis rezando uma missa perante Carlos Magno ou Carlos Martel, que foi pensada para dar uma vista exata em grande medida da abadia com a crux gemmata dada por Carlos II, o Calvo e o altar frontal de ouro, ambos destruídos na Revolução

São Denis é um santo padroeiro da França e, de acordo com a lenda, foi o primeiro bispo de Paris. Um santuário foi erguido no seu sepulcro. Lá, Dagoberto I, rei dos Francos, que reinou de 628 até 637, fundou a Abadia of São Denis, um mosteiro beneditino. O santuário foi construído por Elói, um ourives de formação. Está descrito na vita inicial de Santo Elói:

Acima de tudo, Elói fabricou um mausoléu para o santo mártir Denis na cidade de Paris com um maravilhoso cibório de mármore sobre ele, maravilhosamente decorado com ouro e pedras preciosas. Ele constituiu uma crista [no topo da tumba] e um frontal magnífico e cercou o trono do altar com eixos dourados em um círculo. Ele colocou maçãs douradas, redondas e cobertas de jóias. Fez um púlpito e um portão de prata e um teto para o trono do altar de eixos prateados. Ele fez uma cobertura no local perante a tumba e fabricou um altar exterior aos pés do santo mártir. Tanta diligência ele esbanjou lá, a pedido do rei, e derramou tanto que escassamente um único ornamento foi deixado na Gália e esta é a maior de todas as maravilhas até o dia de hoje.[2]

Nada desta obra sobreviveu.

Arquitetura[editar | editar código-fonte]

A Basílica de Saint Denis é um marco arquitetônico, uma vez que primeira estrutura principal da qual uma parte substancial foi projetada e construída em estilo gótico. Tanto estrutural quanto estilisticamente anunciava-se a mudança da Arquitetura românica para a Arquitetura gótica. Antes de o termo "gótico" cair no uso comum, ele foi conhecido como "Estilo Francês" (Opus Francigenum).

Tal como está agora, a igreja é um enorme edifício cruciforme em forma de "basílica", isto é, possui uma nave central com corredores mais baixos e janelas em clerestório. Tem um corredor adicional no lado norte formado por uma fileira de capelas. A fachada oeste tem três portais, uma rosácea e uma torre, no lado sul. O extremo leste, que é construído sobre uma cripta, é absidal, rodeado por um deambulatório e um abside de nove capelas radiadas.

Saint Denis
O deambulatório construído por Suger
O deambulatório construído por Suger
A nave

O Abade Suger (circa 1081-1151), amigo e confidente dos reis franceses Luís VI e Luís VII, decidiu por volta de 1137 reconstruir a grande Abadia de St Denis, anexada a uma abadia que era também uma residência real. Suger começou com a fachada oeste, reconstruindo a fachada carolíngia original com sua única porta. Ele projetou a fachada de St Denis para ser uma lembrança do Arco de Constantino romano com sua divisão em três partes e três largos portais para aliviar o problema de congestionamento. Há uma rosácea sobre o portal oeste. Embora janelas circulares neste posição fossem comuns em igrejas Românicas da Itália, acredita-se que esta é a primeira rosácea nesta posição na França, e esta característica tornou-se dominante nas fachadas de estilo gótico no norte da França, a ser logo imitada pela Catedral de Chartres e muitas outras.[3]

Após a conclusão da fachada oeste em 1140, o Abade Suger passou à reconstrução do extremo leste, deixando a nave carolíngia em uso. Ele projetou um coro que seria inundado de luz. Para atingir seus objetivos, os pedreiros de Suger basearam-se em muitos novos recursos que evoluíram ou foram introduzidos da arquitetura romântica: o arco ogival, a abóbada em cruzaria, o deambulatório (que mantém inalterado até os dias atuais) com capelas radiais, as colunas agrupadas suportando arestas saltando em diferentes direções e os arcobotantes que permitiram a inserção das grandes janelas do clerestório.

Foi a primeira vez que esses recursos foram desenhados em conjunto. Erwin Panofsky argumentou que Suger inspirou-se para criar uma representação física da Jerusalém Celeste, no entanto, na medida em que Suger tinha qualquer objetivo mais que o prazer estético tem sido posto em dúvida pelos historiadores de arte mais recentes baseados nos próprios escritos de Suger.

A nova estrutura foi terminada e dedicada em 11 de junho de 1144, na presença do rei. [4] Assim, a Abadia de St Denis se tornou o protótipo para futuras construções no domínio real do norte da França. A partir de 1231 a velha nave de St Denis foi reconstruída, introduzindo o novo estilo Gótico Irradiante, ganhando, em seus transeptos, duas rosáceas espectaculares.[5]

Através da regra da dinastia Angevina, o estilo foi introduzido na Inglaterra e se espalhou por toda França, os Países Baixos, Alemanha, Espanha, norte da Itália e Sicília.[6] [7]

Dentre outras características importantes estavam as estátuas-colunas flanqueando os portais da fachada oeste (atualmente destruídas mas conhecidas pelos desenhos de Bernard de Montfaucon). Uma planta de cerca de 1700 feita por Félibien mostra uma grande capela mortuária na forma de uma cúpula rotunda com colunas, adjacente ao transepto norte da basílica e contendo a tumba de Valois.[8] A basílica conserva vitrais de vários períodos, incluindo excepcionais vitrais modernos, e um conjunto de doze misericórdias.

Mausoléu[editar | editar código-fonte]

A abadia é onde os reis da França e suas famílias eram sepultados através dos séculos e é, portanto, muitas vezes referida como o "cemitério real da França". Todos, exceto três dos monarcas da França do século X até 1789 têm seus restos mortais lá. Alguns monarcas, como Clóvis I (465-511), não foram originalmente sepultados neste local. Os restos mortais de Clóvis I foram exumados da espoliada Abadia de St Geneviève que ele mesmo fundou.

Saint Denis
A rosácea do transepto norte mostra a  Criação
A rosácea do transepto norte mostra a Criação
Memorial ao rei Luís XVI e à rainha Maria Antonieta, esculturas de Edme Gaulle e Pierre Petitot
Memorial ao rei Luís XVI e à rainha Maria Antonieta, esculturas de Edme Gaulle e Pierre Petitot

A abadia contém bons exemplos de túmulos. As efígies de muitos dos reis e rainhas estão em seus próprias túmulos, mas durante a Revolução Francesa estes foram abertos por trabalhadores sob ordens de oficiais revolucionários. Os corpos foram removidos e despejados em dois grandes fossos próximos e dissolvidos com cal. O arqueologista Alexandre Lenoir salvou muitos dos monumentos dos mesmos oficiais revolucionários reivindicando-os como obras de arte para o Musée National des Monuments Français.

Os corpos dos decapitados rei Luís XVI, sua esposa Maria Antonieta, e sua irmã Madame Elisabete não foram inicialmente sepultados em Saint-Denis, mas sim no adro de Madeleine, onde foram cobertos com cal virgem. O corpo do jovem Luís XVII de França, que faleceu de uma enfermidade, foi enterrado numa cova anônima num adro parisiense perto da Torre do Templo.

Napoleão Bonaparte reabriu a igreja em 1806, mas permitiu que os restos mortais reais fossem deixado em suas valas comuns. Durante seu exílio em Elba, os Bourbons restaurados ordenaram uma busca pelos cadáveres de Luís XVI e Maria Antonieta. Os poucos restos encontrados, alguns ossos que presumivelmente eram do rei e um amontoado de matéria cinzenta contendo uma cinta-liga, foram encontrados em 21 de janeiro de 1815, trazidos a Saint-Denis e sepultados na cripta. Em 1817, as valas comuns contendo todos os outros restos mortais foram abertas, mas foi impossível distinguir qualquer um da coleção de ossos. Os restos foram então depositados em um ossário na cripta da igreja, atrás de duas placas de mármore com os nomes de centenas de membros das sucessivas dinastias francesas que foram enterrados na igreja devidamente registrados.

O rei Luís XVIII, após sua morte em 1824, foi sepultado no centro da cripta, próximo aos túmulos de Luís XVI e Maria Antonieta. Os caixões dos membros da família real que morreram de 1815 a 1830 também foram colocados nos jazigos. Sob a direção do arquiteto Eugène Viollet-le-Duc, famoso por seu trabalho na Notre-Dame parisiense os monumentos que foram levados ao Museu de Monumentos Franceses retornaram à igreja. O cadáver do rei Luís VII, que foi enterrado na Abadia em Saint-Pont e cujo túmulo não foi tocada pelos revolucionários, foi trazido a Saint-Denis e sepultado na cripta.

Em 2004, o coração mumificado do Delfim, o garoto que teria sido Luís XVII, foi selado dentro da parede da cripta.

Sepultamentos[editar | editar código-fonte]

Túmulo de Carlos Martel
Henrique I ao fundo, Roberto II, João I d. 1316 e Jeanne d. 1349
Túmulo de Leão V da Armênia.
Túmulo de Filipe IV

Reis[editar | editar código-fonte]

Todos exceto três dos Reis da França estão sepultados na basílica, assim como outros monarcas. Os restos mortais dos monarcas antecessores foram retirados da Abadia de St Geneviève que foi destruída. Os mais eminentes são:

Outros membros da realeza e da nobreza[editar | editar código-fonte]

Galeria[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Banister Fletcher, A History of Architecture on the Comparative Method.
  2. Vita S. Eligius, edited by Levison, on-line at Medieval Sourcebook
  3. William Chester Jordan, A Tale of Two Monasteries: Westminster and Saint-Denis in the thirteenth century (Princeton: Princeton University Press, 2009) Chapters 2-7.
  4. H. Honour and J. Fleming, The Visual Arts: A History. Upper Saddle River, NJ: Pearson Prentice Hall, 2005. ISBN 0-13-193507-0
  5. Wim Swaan, The Gothic Cathedral
  6. "L'art Gothique", section: "L'architecture Gothique en Angleterre" by Ute Engel: L'Angleterre fut l'une des premieres régions à adopter, dans la deuxième moitié du XIIeme siècle, la nouvelle architecture gothique née en France. Les relations historiques entre les deux pays jouèrent un rôle prépondérant: en 1154, Henri II (1154–1189), de la dynastie Française des Plantagenêt, accéda au thrône d'Angleterre." (England was one of the first regions to adopt, during the first half of the 12th century, the new gothic architecture born in France. Historic relationships between the two countries played a determining role: in 1154, Henry II (1154–1189), of the French Plantagenet dynasty, assended to the throne of England).
  7. John Harvey, The Gothic World
  8. Images of Medieval Art and Architecture - Félibien accessed March 29, 2009

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Saint-Denis Cathedral, Alain Erlande-Brandenburg, Editions Ouest-France, Rennes

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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