Maria Antonieta

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Maria Antonieta de
Habsburgo-Lorena
Rainha de França e Navarra
Arquiduquesa da Áustria
Marie-Antoinette, 1775 - Musée Antoine Lécuyer.jpg
Governo
Reinado 17741793
Consorte Luís XVI da França
Casa Real Habsburgo-Lorena
Dinastia Habsburgo
Vida
Nome completo Maria Antonieta Josefa Joana de Habsburgo-Lorena
Nascimento 2 de Novembro de 1755
Viena, Áustria
Morte 16 de outubro de 1793 (37 anos)
Paris, França
Sepultamento Basílica de Saint-Denis, França
Filhos Maria Teresa
Luís José
Luís XVII
Maria Sofia
Pai Francisco I da Germânia
Mãe Maria Teresa da Áustria
Assinatura Assinatura de Maria Antonieta

Maria Antonieta Josefa Joana de Habsburgo-Lorena (em francês: Marie Antoinette Josèphe Jeanne de Habsbourg-Lorraine, e em alemão: Maria Antonia Josepha Johanna von Habsburg-Lothringen; Viena, 2 de novembro de 1755 - Paris, 16 de outubro de 1793), arquiduquesa da Áustria e rainha consorte de França de 1774 até a Revolução Francesa, em 1789. Maria Antonieta era a filha mais nova de Maria Teresa de Habsburgo e de Francisco Estêvão de Lorena, imperadores do Sacro Império Romano-Germânico. Casou-se em 1770, aos catorze anos de idade, com o delfim francês Luís Augusto de Bourbon, que, em 1774, tornou-se o rei de França, com o nome de Luís XVI. Maria Antonieta era tia-avó da primeira imperatriz do Brasil D. Maria Leopoldina de Habsburgo.

Índice

[editar] A infância

Maria Antonieta com 12 anos.

Maria Antonieta foi a décima quinta filha da Sacro Imperadora Maria Teresa de Habsburgo e do Sacro Imperador Francisco I de Lorena, sendo neta de Carlos VI de Habsburgo, Sacro Imperador Romano-Germânico. Como o dia em que nasceu é o grande dia de Finados para a Igreja Católica, seu aniversário não era comemorado nesta data sombria onde se lembram os mortos. A comemoração era na véspera, dia de Todos os Santos, e também no dia 13 de junho, dia do seu padroeiro, Santo Antônio.

A mãe de Maria Antonieta estava com trinta e oito anos e desde o seu casamento há vinte anos, produzira quatro arquiduques e dez arquiduquesas (das quais sete ainda viviam em 1755). Ela orgulhava-se da elevadíssima taxa de sobrevivência da família imperial, pelos padrões de mortalidade infantil da época.

Francisco Estevão de Lorena legara a Maria Antonieta uma forte dose de sangue francês. A mãe de Francisco Estevão, Isabel Carlota d'Orléans, fora princesa real da França e era neta do rei Luís XIII de França.

A infância de Maria Antonieta teve como cenário a corte de Viena. Ainda é conhecido hoje em dia o seu noivado com Mozart, o grande compositor, que, sendo então apenas uma criança de 5 anos, acreditava ingenuamente estar noivo da formosa filha dos soberanos do Sacro Império Romano-Germânico. Sua formação foi católica conservadora rígida.

Sua mãe, a Sacro Imperadora e arquiduquesa Maria Teresa, seguindo a prática dos soberanos da época, colocou o casamento dos seus filhos ao serviço da sua política externa. Sua filha Maria Cristina, regente dos Países Baixos desde 1681, pôde casar por amor com Alberto de Saxe, em 1776, mas tal não aconteceu com as outras filhas: Maria Amália (1746-1804) casou-se com Fernando I, duque de Parma (1751-1802); Maria Carolina (1752-1814) casou-se com Fernando I, rei de Nápoles e das Duas Sicílias (1751-1825). O casamento de Maria Antonieta com o delfim de França, Luís Augusto de Bourbon, futuro Luís XVI, foi o corolário de uma política que visava a reconciliação da Casa de Habsburgo com a Casa de Bourbon, limitando assim as ambições da Prússia e Inglaterra.

[editar] A vida de delfina

Sendo filha dos sacro imperadores romano-germânicos, Maria Antonieta estaria vocacionada a exercer alguma influência política na França. Casou em 1770, com apenas catorze anos, tornando-se rainha consorte, com dezoito anos, ou seja, quatro anos depois, quando o seu marido foi coroado rei Luís XVI.

No início da sua vida em Versalhes, num piscar de olhos, Maria Antonieta usou sua nova posição para criar uma certa "fantasia". Dispensou boa parte das damas de companhia, e povoou a corte de gente jovem e elegante. A rainha adorava organizar corridas de cavalo, e se divertia em passeios de carruagem. Estas, por ordem dela, corriam a toda velocidade.

O que mais fascinava Maria Antonieta, entretanto, eram as festas das noites parisienses e sua animação. Freqüentava óperas, teatros, e participava de bailes. Nestes, as mulheres compareciam mascaradas. Assim, podia namorar e se misturar com nobres de passagem pela França, sem ser, no entanto, reconhecida. Luís XVI não se incomodava em deixá-la ir divertir-se sem ele. Maria Antonieta teve várias amigas, como a princesa de Lamballe e a duquesa de Polignac. Maria Antonieta, também, interessou-se pela filosofia política, história, e literatura, subsidiando autores como Mercier, um dos primeiros dramaturgos e teóricos do teatro romântico em França. O período antes da revolução foi de grande atividade literária, sem qualquer censura. Em 1788, a tortura foi abolida.

[editar] A vida de rainha e mãe

Em 1774, com a morte de Luís XV, seu marido Luís Augusto foi coroado como Luís XVI. O povo a amava e a admirava, mas ainda sentia-se extremamente pressionada a gerar um filho. Entretanto, em 1778, Maria Antonieta teve sua primeira filha, Maria Teresa Carlota. O nascimento de uma menina foi considerado na Áustria o puro "infortúnio doméstico", mas as primeiras palavras registradas de Maria Antonieta para a filha são tocantes em sua reflexão inconsciente sobre o destino de uma princesa em uma sociedade patriarcal: "Pobre menininha, não és o que se desejava, mas não é por isso que me és menos querida. Um filho seria propriedade do Estado. Será minha, terás o meu carinho indiviso; dividirá comigo toda minha felicidade e aliviarás os meus sofrimentos..."

Finalmente, em 1781, Maria Antonieta deu à luz um delfim, um herdeiro meio Habsburgo, meio Bourbon. Ela finalmente conseguira, o que, como princesa estrangeira fora enviada para fazer. Levara onze anos e meio para o nascimento do pequeno Luís José. A rainha não soubera o sexo do bebê pelas damas que a acompanhavam no trabalho de parto. Foi o rei em pessoa quem deu a notícia. Foram estas as palavras como ele as registrou: "Madame, realizastes os nossos desejos e os da França, sois mãe de um delfim". Fora do quarto de dormir, o mundo enlouquecera, as cenas em Versalhes foram quase religiosas. Centravam-se na adoração de uma criancinha que chegara como salvador.

Em 2 de novembro de 1783, a rainha sofreu um aborto violento em seu aniversário de 28 anos. O nascimento do terceiro filho da rainha aconteceu em 27 de março de 1785, domingo de Páscoa. A rainha ficara tão grande que prepararam duas fitas azuis da Ordem do Espírito Santo, para o caso de nascerem príncipes gêmeos. Mas na verdade era um único menino saudável, que recebeu o nome de Luís Carlos em seu batismo instantâneo meia hora depois e, também imediatamente foi promovido a Duque da Normandia.

A pequena Sofia nasceu em 9 de julho de 1786, e morreu algumas semanas antes de seu primeiro aniversário. O bebê nunca crescera e nem se desenvolvera, e sua morte trouxe enorme sofrimento à rainha.

Enquanto isso, o delfim sofria de tuberculose óssea da coluna, o que lhe causara febres constantes e fraqueza pela curvatura angulosa produzida pelo esmagamento gradual das vértebras. Luis José foi enviado ao Château de Meudon, por seu ar considerado terapêutico. Os esforços foram em vão e o delfim morreu nos braços da mãe em 4 de junho de 1788.

[editar] A vida no Petit Trianon

Maria Antonieta na sua fase rural

Ao ter sua primeira filha, Luis XVI, deu-lhe de presente o célebre Petit Trianon, um palácio de pequenas dimensões nas imediações de Versalhes, o qual Maria Antonieta fez o novo refugio depois que o Conde Fersen teria ido para a guerra e a deixado. Existindo, afinal, uma "mini-villa" campestre, onde havia vários animais do campo, uma horta e, obviamente, criados para a manutenção do espaço, Maria Antonieta tornou-se mais simples, algo notável nas suas roupas, que se tornavam agora menos complexas e luxuosas. Porém este tempo de paz veria o fim brevemente, após diversos escândalos do interior do palácio que viraram manchetes políticas, e de um Inverno rigoroso, que destronou a produção agrícola e emergiu a população num autêntico morticínio, devido à escassez de alimentos e ao frio e, consequentemente, à fome. Estava prestes a começar o declínio de Maria Antonieta.

[editar] O declínio

Tendo desautorizado as reformas financeiras propostas por Turgot e Necker, os seus inimigos apelidaram-na de "a austríaca" ou "madame déficit". O escândalo provocado pelo caso do colar de diamantes e a campanha de panfletos denegrindo a sua imagem levou-a a um certo isolamento, deixando de receber audiências de nobres e literatos, o que a afastou ainda mais da alta sociedade francesa.

Atribui-se, a Maria Antonieta, uma famosa frase: "Se não têm pão, que comam brioches", que teria sido proferida a uma de suas camareiras certa vez que um grupo de pobres foi ao palácio pedir pão para comer. No entanto, é consenso entre os historiadores[carece de fontes?] que a rainha nunca disse a frase, que acabou sendo usada contra ela durante a Revolução Francesa (1789-1799). Há versão dizendo que essa frase teria sido dita na mesma época por madame Sofia, cunhada de Maria Antonieta, quando seu irmão Luís de Bourbon foi cercado por multidão que pedia pão. Outra versão é que a frase é de um livro de Voltaire. Os registros históricos mostram, claramente, que, na época de sua coroação, Maria Antonieta se angustiava com a situação dos pobres. Em uma de suas cartas à mãe, ela chega a comentar o alto preço do pão. Diz, também, o seguinte: "Tendo visto as pessoas nos tratarem tão bem, apesar de suas desgraças, estamos ainda mais obrigados a trabalhar pela felicidade deles".

[editar] A Revolução

Em 1789, a família real foi detida no Palácio de Versalhes e levada pelos revolucionários para o Palácio das Tulherias. Ficou aí detida com seu marido e filhos, até que, em 1792, com o auxílio do conde Axel von Fersen, foi tentada uma fuga, mas foram reconhecidos e detidos quando passavam em Varennes. Esse episódio ficou conhecido como a "Noite de Varennes".

Durante a revolução, os seus inimigos alegavam que ela recusava as possibilidades de acordo com os moderados, procurando que o rei favorecesse os extremistas para inflamar mais a batalha. Depois da fuga e prisão em Varennes, alegavam também que ela procurava romper um conflito bélico entre França e Áustria, esperando a derrota francesa.

Durante o processo de Luís XVI, ele foi chamado de Luís Capeto, sobrenome de seus ancestrais e não o seu. A condenação era evidente e ele foi guilhotinado em janeiro de 1793. Depois da execução de Luís XVI, Maria Antonieta ficou conhecida como "Viúva Capeto", sendo condenada à morte por traição, morrendo na guilhotina em 16 de outubro de 1793.

[editar] O julgamento, morte e sucessão

Maria Antonieta sentou-se sobre um assento de madeira. Dois meses de conciergerie haviam feito daquela rainha de 38 anos uma velha. Seus olhos estavam vermelhos de tanto chorar, com hemorragia e os seus cabelos loiros ficaram brancos. O presidente procedeu o interrogatório. Quando lhe foi perguntado seu nome, a acusada respondeu, com voz alta e clara: "Maria Antonieta da Áustria e da Lorena, trinta e oito anos, viúva do rei da França."

As perguntas sucederam-se de modo desordenado, algumas sem a menor importância. De repente, houve o testemunho sensacional de um sapateiro, um certo Simon: Maria Antonieta, durante seu cativeiro, teria submetido seu jovem filho a atos incestuosos. A acusada ficou pálida e visivelmente emocionada: "A natureza se recusa a permitir tal acusação feita a uma mãe", gritou ela: "Eu apelo a todas as mães que porventura aqui estiverem". Esse tom sofrido produziu sobre todos uma forte impressão. As pessoas recusaram-se a acreditar em tamanha monstruosidade.

Em seguida, foi a vez das testemunhas. Quarenta e uma pessoas desfilaram por ali, sem fazer qualquer contribuição útil ao processo. No interrogatório, ela foi acusada de ser a instigadora da Guerra Civil. Depois veio a defesa e, então, Maria Antonieta foi condenada à morte e foi guilhotinada no dia 16 de outubro de 1793, em Paris, na praça, hoje denominada, "Place de La Concorde". Ela foi ao suplício numa gaiola, Luis XVI teve um carrossel. Seu corpo, com a cabeça cortada, foi levado sem cerimoniais para o cemitério da rue d'Anjou, onde Luís XVI fora enterrado nove meses e meio antes. Encontra-se sepultada na Basílica de Saint-Denis.[1]

A reação do povo da França à morte da ex-rainha foi de êxtase, mas quando se espalhou pelas prisões a notícia da grandeza e coragem de Maria Antonieta em seu final, os monarquistas se reconfortaram. Duas pessoas não souberam da morte da Rainha: Madame Isabel, sua cunhada e fiel companheira, só teve conhecimento momentos antes de sua própria execução, em 1794. E Maria Tereza, sua filha que após a morte da tia protetora ficou então sozinha na prisão, isolada e esquecida. Não viu mais o irmão proclamado pelos monarquistas como Luís XVII, até a morte dele em 1795, provavelmente de tuberculose.

O anúncio da morte do menino fez com que o conde de Provença, no exílio pudesse finalmente reivindicar o título de rei da França, como Luís XVIII. As negociações para libertar Maria Tereza em troca de prisioneiros revolucionários na Áustria tiveram êxito em dezembro de 1795, quando ela estava com dezessete anos. Com a libertação houve uma breve discussão entre os Bourbon e os Habsburgos sobre o possível noivo entre os primos-irmãos para a órfã da Torre. Luis XVIII ganhou e Maria Teresa se casou com o sobrinho dele, tornando-se Duquesa d' Angouleme. Ela não teve filhos, tornou-se uma pessoa infeliz e de aparência pouco atraente.

Com a morte de Luís XVIII, ascendeu ao trono o pai de Angouleme, como Carlos X. A abdicação dele em 1830 tornou seu filho Rei e Maria Tereza Rainha da França pelo tempo necessário para que ele também abdicasse. Os pretendentes franceses ao trono hoje em dia, encabeçados pelo conde de Paris, não descendem de Maria Antonieta, e sim de sua irmã Maria Carolina através de sua filha, a rainha Amelie. Ela tornou-se rainha quando Luis Felipe substitui como monarca o Conde d'Artois, último irmão sobrevivente de Luis XVI, e tomou-lhe o título.

[editar] Preservação da Memória

Quando ocorreu a restauração da monarquia e da dinastia dos Bourbon na França, após a derrota de Napoleão, o Rei Luis XVIII, cunhado de Maria Antonieta, transferiu seus restos mortais que estavam enterrados onde hoje é a "Chapelle Expiratoire" para Basílica de Saint-Denis, perto de Paris, local de sepultura dos reis franceses. Por ordem dele foram erguidas duas capelas: a primeira, na Praça Luis XVI, foi projetada como um mausoléu e marcou o lugar onde os restos mortais de Luis XVI e Maria Antonieta foram originalmente enterrados, chamada de "Chapelle Expiratoire", hoje um monumento nacional da França[2]. A segunda capela foi erguida na cela de Maria Antonieta na Conciergerie, onde, na parede estão escritos os nomes dos três mártires reais: Luis XVI, Maria Antonieta e Madame Isabel. Há também, nesta capela, a transcrição de um trecho do testamento de Maria Antonieta, no qual ela lembra, aos filhos, o que disse seu esposo Luis XVI, sobre perdoar a todos por todo o mal que fizeram à sua família.

[editar] O testamento

Uma carta de Maria Antonieta a uma irmã, escrita na Conciergerie, é considerada seu testamento. Nela, a rainha diz:

Cquote1.svg Eu fui educada na religião católica, apostólica e romana, naquela de meus pais, e nela eu cresci e sempre professei; não tendo (agora) nenhuma consolação espiritual a esperar, não sabendo se existem aqui (na França) ainda padres desta religião, e mesmo (se existissem ainda padres) o lugar (a prisão) onde eu estou os exporia a muito riscos, se eles me falassem, ainda que fosse só uma vez. Eu peço sinceramente perdão a Deus por todas as faltas que eu cometi desde que nasci. Eu peço perdão a todos aqueles que conheço, e a Vós, minha irmã, em particular, de todos os sofrimentos que, sem querer, poder-lhe-ia ter causado; eu perdoo todos os meus inimigos pelo mal que me têm feito. Adeus, minha boa e terna irmã. Possa esta carta chegar até você. Pense sempre em mim. Eu te abraço de todo meu coração, assim como minhas pobres e queridas crianças. Meu Deus, quanto me corta o coração deixá-las para sempre! Cquote2.svg
Maria Antonieta da Áustria

[3]

[editar] Descendência

Maria Antonieta teve 4 filhos: Maria Teresa Carlota (1778-1851), o delfim Luís José Xavier Francisco (1781-1789), Luís XVII (1785-1795) e Maria Sofia Helena Beatriz (1786-1787).

[editar] Na cultura popular

[editar] No cinema

Até o momento, os dois principais filmes sobre a vida da rainha são:

[editar] Bibliografia

  • Marie-Antoinette, Antonia Fraser (trad. Anne-Marie Hussein), Flammarion, Paris, 2006 (ISBN 2-08-068915-0)
  • Marie-Antoinette, Le scandale du plaisir, Claude Dufresne, Bartillat, Paris, 2006 (ISBN 2-84100-381-7)
  • Marie-Antoinette l'insoumise, Simone Bertière, Les reines de France au temps des Bourbons, Editions
  • Marie-Antoinette, Évelyne Lever, Fayard, Paris, 1991 (ISBN 2-213-02659-9)
  • Marie-Antoinette : la dernière reine, Évelyne Lever, Gallimard, coll. « Découvertes », 2000 (ISBN 2-07-053522-3)
  • Marie-Antoinette, Stefan Zweig, Livre de Poche, 1999 (1re édition 1937).
  • «Marie-Antoinette : le remords français», dossier du Point n°1757, 18 de maio de 2006.
  • Chère Marie Antoinette, Jean Chalon, 1988
  • La désinformation autour de Marie-Antoinette, Alain Sanders, Atelier Fol'fer, 2006 (ISBN 2-9524214-6-3)
  • Le prince Louis cardinal de Rohan-Guéméné ou les diamants du roi Jean-Claude Fauveau. L'Harmattan. 2007.
  • Marie-Antoinette et le scandale de Guines, Paul et Pierrette Girault de Coursac, Gallimard, 1962.
  • Louis XVI et Marie-Antoinette : vie conjugale - vie politique, Paul et Pierrette Girault de Coursac, O.E.I.L.,1990.
  • La dernière année de Marie-Antoinette, Paul et Pierrette Girault de Coursac, F.X. de Guibert, 1993.
  • Le secret de la Reine : la politique personnelle de Marie-Antoinette pendant la Révolution, Paul et Pierrette Girault de Coursac, F.X. de Guibert, 1996.
  • Marie-Antoinette - Correspondance (1770-1793), établie et présentée par Evelyne Lever, Tallandier, 2005. (ISBN 2-84734-197-8)
  • L'abbé de Vermond (1735-1806), Lecteur de Marie-Antoinette (1770-1789), Mgr F. Genet, Niort, 1940.

Referências

[editar] Ligações externas

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