Fredegunda

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Chilperico e Fredegunda no Recueil des rois de France (Jean du Tillet, 1602).

Fredegunda (em latim Fredegundis; m. 597) foi rainha consorte de Chilperico I (c.539-584), um rei franco da dinastia merovíngia que reinou na Nêustria (Soissons). É famosa por sua crueldade e por haver estado envolvida em muitos assassinatos.

As principais fontes sobre Fredegunda - e sobre a história do reino franco no período, são duas: o erudito Gregório de Tours (538-594) e a crónica anônima Liber Historiae Francorum. Gregório, um contemporâneo seu, traça uma imagem muito negativa da rainha na sua Historia Francorum (História dos Francos). Por outro lado, o Liber Historiae Francorum, escrito na Nêustria no século VIII, oferece uma imagem mais positiva de Fredegunda, vista como uma rainha empreendedora.

Vida[editar | editar código-fonte]

Fredegunda era de origem humilde. Inicialmente foi serviçal da primeira esposa de Chilperico, Audovera mas passou a ser concubina do rei. Conta-se que Fredegunda convenceu-o a separar-se da mulher e enviá-la a um convento, o que o rei efetivamente fez por volta de 565.

Chilperico efetivamente separou-se da mulher mas casou-se com Galswinta, filha do rei visigodo Atanagildo, em 567. Esse casamento foi realizado, aparentemente, devido a que o irmão de Chilperico, Sigeberto I, que reinava na vizinha Austrásia, havia se casado com uma ilustre princesa visigoda, Brunilda, irmã de Galswinta. A rivalidade entre os dois reinos - Nêustria e Austrásia - e o imenso dote associado com a princesa visigoda fizeram com que Chilperico decidisse desposar Galswintha. Porém, a vida desta na corte foi infeliz devido às intrigas de Fredegunda. Galswinta terminou sendo assassinada em 570 e, poucos dias depois, Chilperico casou-se com Fredegunda.

A morte de Galswinta encolerizou sua irmã Brunilda, o que levou a uma guerra civil entre os dois reinos francos. Em 575, justo quando Sigeberto levava vantagem nas batalhas, o rei foi envenenado por emissários de Fredegunda, o que reverteu a vantagem na guerra. Meroveu II, segundo filho de Chilperico e sua primeira esposa Audovera, casou-se com a viúva Brunilda e passou a ser inimigo de seu pai e madrasta. Porém, Meroveu acabou sendo cercado pelas tropas de Chilperico e foi morto por um servente, por seu próprio pedido.

A conduta de Fredegunda, como descrito por Gregório de Tours, caracterizou-se pela ânsia de garantir que um dos seus filhos sucedera Chilperico no trono da Nêustria. Fredegunda e Chilperico tiveram cinco filhos, quatro dos quais morreram muito cedo. No momento da misteriosa morte de Chilperico em 584, o único filho homem dos dois era Clotário, que tinha apenas 4 meses de idade. Como a paternidade de Clotário foi posta em dúvida, Fredegunda teve que reunir um grupo de 300 notáveis e três bispos que garantiram que Chilperico era o pai da criança. Fredegunda passou então a ser regente do reino em nome do filho até sua morte, em 597. Para garantir sua segurança, fez um trato com Gontrão, o poderoso rei franco da Borgonha e meio-irmão de Chilperico.

Fredegunda morreu em 597 e foi sepultada na Abadia de São Vicente em Paris, mais tarde Abadia de Saint-Germain-des-Prés, onde também foi enterrado o rei Chilperico. Sua tumba foi mais tarde transferida à Abadia de Saint-Denis, também em Paris.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Fredegunda na Encyclopedia of barbarian Europe: society in transformation. Michael Frassetto. ABC-CLIO, 2003. ISBN 1576072630 [1]
  • Carolyne Larrington. Women and Writing in Medieval Europe: A Sourcebook. Routledge, 2004. ISBN 0203358244 [2]
  • Guida Myrl Jackson-Laufer. Women rulers throughout the ages: an illustrated guide. ABC-CLIO, 1999. ISBN 1576070913 [3]