Caso do colar de diamantes

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Maria Antonieta (1783)

O Caso do colar da Rainha foi um sórdido incidente ocorrido por volta de 1785, na corte de Luís XVI de França, envolvendo involuntariamente a rainha Maria Antonieta, mas que danificou muito a sua reputação pública nas vésperas da Revolução francesa.

A intriga[editar | editar código-fonte]

Louis de Rohan

O cardeal de Rohan, Louis-René-Edouard de Rohan, príncipe bispo de Estrasburgo, príncipe de Hildesheim, donatário da Alsácia, capelão real de França, comandante do Espírito Santo, comendador de Saint Waast d'Arras, Prior da Sorbonne etc., ter-se-ia apaixonado pela rainha Maria Antonieta, mulher do rei Luís XVI de França.

O que se conhece da intriga baseia-se sobretudo no que Rohan alegou na instrução do processo. Uma aventureira, a condessa Jeanne de Valois de la Motte, e um charlatão, Cagliostro, teriam convencido o cardeal de que possuiriam meios de fazê-lo cair nas boas graças da rainha. Maria Antonieta detestava e desprezava Rohan, desde que sua mãe, a rainha Maria Teresa de Áustria, dera para Versalhes a notícia da vida dissoluta e dos gastos que o cardeal fazia em Viena. Rohan fora demitido de embaixador por intervenção da rainha, mas o cardeal, que tinha tanto de vaidoso como de imbecil, acredita que a sua paixão seria correspondida. Rétaux de Villette, amante da condessa, gigolô e um exímio falsário, forja cartas assinadas pela rainha e endereçadas ao cardeal. Combinam uma entrevista noturna, num bosque, com uma prostituta, Nicole d'Oliva, que muito se assemelhava fisicamente com a rainha. O cardeal julga ser a rainha e este emprestar-lhe-á 150 mil librass. Mais tarde, a prostituta pede-lhe novos empréstimos e que sirva de intermediário entre ela e os joalheiros Boehmer e Bossange na compra de um colar de diamantes no valor de 1,5 milhão de librras, que ela desejava ter mas, em segredo, para não alarmar o rei. Os joalheiros também são contactados com um pedido para que entreguem o colar a Jeanne para que esta o transmita à rainha. Rohan aceita servir de intermediário na transação, chegando o colar às mãos da condessa de La Motte, que o vende em Londres com o auxílio do seu marido. Quando a fatura dos joalheiros chega ao palácio real, tudo se vai descobrir. O rei Luís XVI manda prender o cardeal Rohan, Cagliostro, a condessa e seus cúmplices: ao todo quinze pessoas.

O processo crime[editar | editar código-fonte]

A Condessa de La Motte

O rei e a rainha exigem um processo público. Para explicar esta decisão, considerada insana pelos historiadores do passado, já que o casal real não estava diretamente implicado, o historiador Claude Manceron sugere que se tratava de pôr fim a rumores fazendo de Jeanne amante da rainha. Com efeito, como o cardeal, que conhecia muito bem a corte e não podia deixar de notar que a rainha ignorava Jeanne de la Motte em público, pôde acreditar que Maria Antonieta havia encarregado a condessa de negociar a compra do colar? Era bem possível que ele tivesse sido persuadido de que elas teriam um relacionamento homossexual em segredo, e teria sido espalhando este rumor que Jeanne teria persuadido as vítimas desta fraude. O grande intervalo ocorrido antes da consumação do casamento real já havia vazado e tornava aos olhos de muitos esta hipótese crível.

A instrução do processo foi longa e escandalosa. Os inimigos da rainha na corte aproveitaram para humilhá-la. O cardeal de Rohan pertencia a uma família cuja influência só ficava atrás da dos Bourbon, com rendas que ascendiam a um milhão e duzentos mil libras - o orçamento de um pequeno país.[1] Mas a própria Sorbonne tomou posição pelo seu Prior e o cardeal Rohan acabou sendo libertado (bem como Nicole d'Oliva). Quando muito, teria sido ingênuo. O Rei Luís XVI o enviou rapidamente para o exílio. Rétaux de Villette foi declarado culpado por falsificação e exilado, bem como Cagliostro. A Condessa de la Motte foi declarada culpada e condenada a ser chicoteada e marcada a ferro em brasa com um "V" de "Voleur" ("Ladrão"). No entanto, no momento da aplicação da pena, a condessa foi tão precipitada que o carrasco lhe aplicou o ferro no peito, provocando assim a compaixão pública. Ela foi condenada à prisão perpétua no "La Salpêtrière" de onde fugiu logo a seguir. O seu marido, Antoine-Nicolas de la Motte, cúmplice na venda dos diamantes em Londres, é condenado às galés à revelia, já que havia fugido para Londres.

Consequências[editar | editar código-fonte]

Em todo o lado, as injúrias fervilharam contra a rainha, com muitos panfletos e algumas rebeliões. Enquanto o caso correu os seus trâmites, o governo paralisou, precisamente quando o Estado francês se debatia com uma grave crise financeira. Sem capacidade para superar os obstáculos, as intrigas no Parlamento fervilharam a compasso com as da rua. Caminhava-se já, como pretendia o Clube dos Trinta, em busca da arbitragem dos Estados Gerais na resolução do problema financeiro do Estado francês.

Le Collier de la Reine, reconstitution, Château de Breteuil, France

Destino das principais personagens do caso[editar | editar código-fonte]

O Cardeal sobreviveu à Revolução e viveu o resto de sua vida no exílio. Rétaux de la Villette terminou igualmente sua vida no exílio na Itália. Nicole d'Oliva voltou para o anonimato e morreu em 1789, aos 28 anos. O Conde Cagliostro foi preso durante a Inquisição Italiana e morreu na prisão da Fortaleza na cidade de San Leo. Nicolas de la Motte voltou a Paris após a Revolução. A Condessa Jeanne de la Motte morreu em Londres após uma queda da janela de seu quarto. Certas pessoas acreditam que ela foi assassinada por realistas, mas provavelmente, ela tentava fugir de seus credores. Maria Antonieta foi levada à guilhotina em 1793.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Frantz Funck-Brentano, L'affaire du collier, d'après de nouveaux documents recueillis en partie par A. Bégis, Paris, 1901.
  • Pierre Gaxotte (da Academia Francesa), La révolution française, Paris, Arthème Fayard, 1957, pp. 94–96.
  • Jean-Claude Fauveau.Le prince Louis cardinal de Rohan-Guéméné ou les diamants du roi, Paris, L'Harmattan. 2007.
  • Iain McCalman, Conde Cagliostro, O Último Alquimista, Lisboa, Pergaminho, 2007, p. 105-110.

Referências

  1. Iain McCalman, Conde Cagliostro, O Último Alquimista, Lisboa, Pergaminho, 2007, p. 106

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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