Ana de Áustria, rainha de França
| Ana de Áustria | |
|---|---|
| Rainha Consorte de França e Navarra Infanta de Espanha |
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| Governo | |
| Consorte | Luís XIII de França |
| Casa Real | Habsburgo |
| Vida | |
| Nascimento | 22 de setembro de 1601 |
| Valladolid, Espanha | |
| Morte | 20 de janeiro de 1666 |
| Paris, França | |
| Filhos | Luís XIV Felipe d’Orléans |
| Pai | Felipe III de Espanha |
| Mãe | Margarida de Áustria |
Ana Maria Mauricia de Habsburgo (Valladolid, 22 de Setembro de 1601 - Val-de-Grâce, 20 de Janeiro de 1666), foi uma infanta da Espanha e de Portugal, Arquiduquesa da Áustria e Preincesa da Borgonha e dos Países Baixos. Filha primogênita do rei Filipe III de Espanha e sua mulher a arquiduquesa Margarida da Áustria, casou-se em 1615 com Luís XIII de França, sendo a mãe de Luís XIV e Felipe I d'Orleães.
Índice |
[editar] Infância
Ana de Áustria nasceu no Palacio de Benavente, em Valladolid, Espanha, e foi batizada Ana María Mauricia. Foi a filha mais velha de Felipe III e de Margarida da Áustria. Era Infanta de Espanha e de Portugal, Arquiduquesa da Áustria, Princesa de Borgonha e dos Países Baixos.
Aos 10 anos, ficou noiva do futuro rei Luís XIII de França, filho de Henrique IV. Aos 14 anos, casou-se por procuração em Burgos, no dia 24 de novembro de 1615. Enquanto os espanhois entregavam, Ana para casar-se com Luís XIII, os franceses por sua vez entregavam Isabel de França, irmã de Luís XIII, para casar-se com Felipe IV de Espanha, irmão de Ana de Áustria. Este duplo casório era uma prenda de paz e amizade entre a Espanha e França. Entretanto as duas princesas tiveram de renunciar aos seus direitos à coroa.
[editar] Na França
Nos primeiros anos como consorte, foi ignorada pelo marido e pela sogra Maria de Médici, que ocupava sua possível esfera de influência. Ana e Luís, eram pressionados para consumar o casamento, mas Luís XIII, via em sua esposa, apenas uma espanhola, ou seja uma inimiga. Enquanto isso Maria de Médici continuava a agir como Rainha de França sem se importar com a nora. Solitária, Ana de Áustria, cercou-se de damas de companhia espanholas, e continuou a viver e vestir-se de acordo com a etiqueta espanhola, não conseguindo melhorar seu francês.
Em 24 de abril de 1617, Luís XIII trama a morte de Concino Concini, primeiro-ministro de Maria de Médici, acontece um golpe de estado, e Luís sobe ao trono. Ele exila sua mãe no castelo de Blois. Na verdade, Luís XIII substituiu Consini, por seu próprio favorito, o duque de Luynes, que acumula títulos e fortuna, o que cria discordia entre alguns, já que ele é um péssimo homen de estado. Enquanto estava no poder, o duque de Luynes tentou remediar a distância formal entre Luís e sua rainha. Ele substituiu as damas espanholas de Ana de Áustria, por Damas francesas, entre elas, Marie de Rohan-Montbazon, sua esposa. Ana começou a se vestir de maneira francesa, e em 1619, Luynes pressionou o rei para deitar-se com ela. O rei desenvolveu alguma afeição pela rainha.
Uma série de abortos desencantou o Rei e serviu para esfriar as relações entre o casal real. Em 14 de março de 1622, enquanto brincava com suas damas, Ana caiu de uma escada e sofreu seu segundo aborto. Luís XIII culpou a Sra. de Luynes por ter incentivado a rainha. Depois disso, o rei passou a ser intolerante com a influência que a duquesa de Luynes exercia sobre Ana. A situação piorou após a morte do Duque de Luynes (Dezembro de 1621). A atenção do rei foi monopolizada por sua guerra contra os protestantes, enquanto a Rainha defendeu o casamento de Maria de Rohan, com o amante desta, o Duque de Chevreuse.
Luís XIII tornou o Cardeal de Richelieu seu conselheiro. A política externa de Richelieu era baseada na luta contra os Habsburgos. Isso causou uma tensão entre o rei e a rainha, que permaneceu sem filhos por mais dezesseis anos. Enquanto isso Luís XIII dependia cada vez mais de Richelieu, que, em 1624 já era seu primeiro-ministro.
Alta e bonita, devota, teimosa, de pouca cultura, o marido deu-lhe provas de pouca afeição. Ela teria sido cortejada pelo Duque de Buckingham.Isto custou a ele sua expulsão da França e a aversão de Luís XIII e de Richelieu. Sob a influência da Duquesa de Chevreuse, a Rainha envolveu-se em várias intrigas contra as políticas de Richelieu e foi acusada de participar da conspiração do Duque de Chalais e da conspiração da amante de Luís XIII, Cinq Mars. Em 1635, a França declarou guerra à Espanha, colocando a rainha em uma posição insustentável. Ana correspondia-se em segredo com seu irmão Filipe IV de Espanha. Em 1637, a rainha tornou-se suspeita de traição, e Richelieu passou a verificar toda a sua correspondência. A Duquesa de Chevreuse foi exilado e a rainha foi mantida sob constante vigilância. Richelieu mandava espioná-la e sempre falava mal dela ao rei.
[editar] Nasce um Herdeiro
Surpreendentemente é neste clima de desconfiança, que a rainha fica grávida.Uma tempestade impediu o rei de regressar a Paris, e obrigou-o a dormir com a rainha no Castelo de Saint-Germain-en-Laye. Em 5 de setembro de 1638, nasce o delfim Luís Dieudonnè, garantindo a linha sucessoria dos Bourbon. Esse nascimento conseguiu restabelecer a confiança entre o casal real. Em 1640, nasce o segundo filho de Ana de Áustria e Luís XIII, Felipe d'Orleães. Mesmo após estes nascimentos, Luís XIII tentou impedir que Ana conseguisse a regência da França após sua morte, o que aconteceu em 11 de maio de 1643, pouco tempo depois da morte do Cardeal de Richelieu.
[editar] Regente da França
Foi regente em 1643, obtendo do Parlamento cassar o testamento do marido, que limitava seus poderes. Morto em 1642 Richelieu, ela entregou o poder como Primeiro Ministro a Jules Mazarin, cardeal Giulio Mazarino, que se tornou seu favorito, no difícil período da Fronda. Quando terminou a Fronda parlamentar, em 11 de março de 1649, em Rueil, Ana e Mazarino concluíram a paz com o Presidente do Parlamento de Paris, Mathieu Molé.
Na época da monarquia, os magistrados exerciam a justiça, tendo também por missão registrar os editos reais. Em 1648, Ana governava como regente por ser mãe do jovem rei Luís XIV, uma criança de nove anos, e se beneficiava dos úteis conselhos do Cardeal. O país teve guerras externas contra os Habsburgos, que forçaram ao aumento dos impostos. Bastou isso para que os privilegiados se rebelassem. Em 13 de maio de 1648, o Parlamento de Paris convidou seus colegas provinciais a reformar o que estimava serem abusos do Estado. Ana fingiu submeter-se, depois mandou prender o chefe dos rebeldes, como se conhecia, os frondeurs, que era o popular Pierre Broussel. Paris se levantou em armas, o conselheiro teve que ser libertado.
Tendo a França ganhado a guerra, assinado os tratados de Westfália, Mazarino e a Regente decidiram dar fim à Fronda. Em 5 de janeiro de 1649, com o jovem rei, fixaram residência em Saint-Germain-en-Laye enquanto o exército real, comandado pelo príncipe de Condé, apelidado le Grand Condé, sitiava Paris. Os parlamentares, que detinham muitos privilégios graças à monarquia, não tinham vontade de uma revolução. Preferiram entregar as armas, apesar do ódio que tinham ao estrangeiro italiano, Mazarino.
O Cardeal e a Regente lutaram depois contra a Fronta dos Príncipes, mais violenta mas atrapalhada. Depois de ter tomado o partido do rei contra os parlamentares Condé, o antigo vencedor de Rocroi, descontente porque Mazarino se mantinha no poder, intrigará com outros grandes aristocratas: seu irmão, o Príncipe de Conti, o duque e a duquesa de Longueville, o Cardeal de Retz. Preso, Condé foi detido em Vincennes por 13 meses. Diante da anarquia célere, Ana se resignou a libertá-lo, fingiu separar-se de Mazarino. Condé tomou a chefia da Fronda. Combateu na rua de Santo Antônio (o faubourg Saint-Antoine) em 12 de julho de 1652 contra seu eterno rival, Turenne, que voltara ao partido do rei. Entrou mesmo em Paris, mas sua falta de habilidade, sua aliança com os espanhóis, causarão a derrota de seus partidários e ao retorno de Mazarino. Luís XIV poderá penetrar então em sua capital. Lembrando seus temores de menino, guardará rancor contra os parisienses e mais tarde escolherá abandonar o palácio do Louvre, residência da corte há quatro séculos, e construir um novo palácio em Versailles.
A monarquia francesa sairá mais forte das provas da Fronda, enquanto a Inglaterra experimentará a República depois de ter executado seu rei Carlos I. A França evoluirá para uma monarquia absoluta e a Inglaterra para uma monarquia constitucional.
[editar] Ultimos Anos
Em 1659, a guerra com a Espanha, terminou com o Tratado dos Pirinéus. No ano seguinte, a paz foi cimentado pelo casamento do jovem rei com a sobrinha de Ana, a infanta espanhola Maria Teresa de Espanha.
Em 1661, com a morte de Mazarin, Ana, tornou-se a principal padroeira da Compagnie du Saint-Sacrament. Foi também nesse ano que nasceu seu primeiro neto Luís de França. Muitas outras crianças nasceram, mas nenhuma sobreviveu à infância. Algum tempo depois, Ane retirou-se para o convento de Val-de-Grâce, que mandara construir, e foi lá, onde mais tarde ela morreu de câncer de mama. Sua dama de companhia, Madame de Motteville escreveu a história da vida da rainha em suas Mémoires d'Anne d'Autriche. Ana foi vista como uma mulher brilhante e astuta, era também uma das figuras centrais no romance de Alexandre Dumas, pai, Os Três Mosqueteiros.
[editar] Posteridade
- Luís XIV (St-Germain-en-Laye 1638-1715 Versailles); le Roi-Soleil.
- Filipe I d'Orleães (St-Germain-en-Laye 1640-1701 castelo de Saint-Cloud). Em 1643 chamado Monsieur; Duque de Anjou 1640-1660; Duque de Orleans, de Valois, de Chartres (1660-1671), Duque de Nemours em 1672; Duque de Montpensier em 1693. Príncipe de Joinville. Duque de Beaupréau, Duque de Châtellerault, Duque de Chartres, Príncipe des Dombes, Delfim do Auvergne, Marquês de Mézières, Conde d'Eu, Conde de Saint-Fargeau, Barão de Beaujolais. Foi o tronco da III Casa de Bourbon-Orléans.
| Precedida por: Maria de Médici |
Rainha de França 24 de Novembro de 1615 — 14 de Maio de 1643 |
Sucedida por: Maria Teresa de Habsburgo |
| Precedida por: Filipe de Habsburgo |
Princesa herdeira de Portugal 22 de setembro de 1601 — 8 de abril de 1605 |
Sucedida por: Filipe de Habsburgo |