Arquitetura românica

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Sé Velha de Coimbra.jpg
Fachada românica da Sé Velha de Coimbra em Coimbra.
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A arquitetura românica (AO 1945: arquitectura românica) é o estilo arquitectónico que surgiu na Europa no século X e evoluiu para o estilo gótico no fim do século XII. Caracteriza-se por construções austeras e robustas, com paredes grossas e minúsculas janelas, cuja principal função era resistir a ataques de exércitos inimigos.

As conquistas de Sancho de Navarra e Aragão, alargando o seu domínio, desimpediram o que viria a ser o famoso «caminho francês» para Santiago de Compostela, cuja célebre catedral (posteriormente reconstruída em 1705) é o mais acabado monumento peninsular da nova arquitectura românica, obedecendo ao padrão dos templos de peregrinação, como São Saturnino de Toulouse. O alçado do alta nave de Santiago inscreve os arcos redondos, o andor do trifório, e colunas adossadas à parede, donde arrancam os arcos torais da sua abóbada de berço.

Igrejas românicas e igrejas paleocristãs[editar | editar código-fonte]

A estrutura das igrejas românicas é mais complexa que a das paleocristãs. Estando mais próxima da arquitetura romana no seu aspecto apresenta naves de abóbadas de pedra em vez de travejamento de madeira.

A igreja românica é precedida por um átrio ladeado de pórticos que faz a ligação à igreja através de um narthex.

No caso das igrejas paleocristãs, no cruzamento da nave com o transepto situa-se um arco triunfal que emoldura a ábside e o altar. Este arco era colocado sobre a bema, área elevada ao centro do transepto que corresponde ao cruzeiro. As colunas da nave central suportam arcadas que conformam um alçado contínuo.

O esquema do alçado interior das igrejas românicas faz-se através dos elementos: coluna, feixe de pilares, abóbadas de canhão, tribuna. Enquanto que nas paleocristãs é visível a sequência: colunas, entablamento directo, arco e vãos (clerestório).

Arquitetura românica de peregrinação[editar | editar código-fonte]

Cluny e Santiago de Compostela são provavelmente os melhores exemplos de igrejas de peregrinação.

A planta é em cruz latina com três a 5 naves abobadadas em pedra. A cabeceira ou charola é constituída por ábside, absidíolos e deambulatório. Estas igrejas eram dotadas para receber grandes multidões e procissões, pelo que havia a necessidade do deambulatório, que permitia o decorrer normal das cerimónias simultaneamente com as procissões passando atrás do altar. O trifório, galeria semi abobadada aberta para a nave central, era colocado sobre as naves laterias mais baixas, iluminado pelo clerestório.

O narthex precedia a entrada e era reservado aos catecúmenos. No alçado da entrada são colocadas 2 torres ou westwerk.

O sistema estrutural é conseguido através de contrafortes para suportar o peso, paredes compactas e poucas aberturas, cobertura em abóbada de canhão e abóbada de aresta na nave central. É feita uma divisão vertical em 2 planos, com uma galeria espaçosa sobre os arcos principais, os arcos laterais e transversais do interior são sustentados por apoios independentes.

Igrejas românicas de cúpula[editar | editar código-fonte]

Igrejas românicas de cúpula são igrejas com cúpulas seriadas (próprias do oeste e sul de França), influência directa da arquitectura muçulmana e bizantina. Possuem uma nave única muito ampla, em alguns casos com um transepto saído (Solignac e Angoulême). A abside é tão larga como a nave. A nave central é coberta por uma série de cúpulas sobre pendentes sustentadas por arcos amplos.

Em Germiny-des-Prés observamos uma catedral com cruz grega inscrita num quadrado com uma cúpula central e cúpula nos cantos (planta em quincunce).

S.Marcos de Veneza apresenta uma planta em cruz grega em que a cúpula central se ergue muito acima da cúpula real mais baixa e em madeira.

Arquitetura religiosa românica francesa e italiana[editar | editar código-fonte]

França[editar | editar código-fonte]

França apresenta estilos locais, influência das igrejas de peregrinação. O ordenamento do extremo oriental evoluiu para uma planta radiante ou escalonada (como em Issoire). Era acrescentado um deambulatório à volta do perímetro da ábside para permitir o acesso às capelas. Na planta escalonada eram introduzidas capelas no lado oriental do transepto. A separação entre o clero e fieis era feita também com a distinção entre altares dos santos e altar-mor.

Na Provença encontramos igrejas altas, pouco largas com coberturas de ogivas e arco quebrado, não tem tribuna mas altas janelas.

Em Poitou as naves laterais são estreitas e elevam-se à altura da nave central.

Um segundo grupo de igrejas, as igrejas de cúpulas foram influenciadas pela arquitectura muçulmana e bizantina, com uma nave única muito alta com ou sem transepto e capelas radiantes.

Itália[editar | editar código-fonte]

Itália mostrou-se conservadora e não acompanhou a escala de actividade registada em França. A herança estilística da influência antiga clássica, bizantina e muçulmana foi explorada ao máximo: continuaram a usar a cúpula alteada, campanilles e baptistérios separados, revestimentos a mármore no exterior e uma decoração miudinha. A torre é separada da igreja como em San Miniato al Monte, a fachada é ordenada com colunatas e arcarias cegas. O românico toscano tem influência muçulmana e bizantina: a cobertura é de madeira, as colunas clássicas e planta comum às basílicas paleo-cristãs. A fachada é viva, volta-se para a praça, tradição romana da vida pública na rua (como podemos observar no baptistério de Florença).

Arquitetura românica em Portugal[editar | editar código-fonte]

Sé de Lisboa.

Durante a reconquista, de que nasceu Portugal, a arte peninsular não muçulmana continuava, na maior parte, os velhos modelos visigóticos, quer revestindo as formas moçarabes duma arte popular, do cristão submetido, a qual fundia elementos da tradição hispano-visigótica com os de origem cordovesa, quer adquirindo características ainda mais originais no reino das Astúrias, onde a remota arte visigótica se esfumara com a influência carolíngia, lombarda e romana. Um dos melhores expoentes do românico em Portugal é a Sé Velha de Coimbra, cuja construção data do século XII.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • V.I. Atroshenko and Judith Collins, The Origins of the Romanesque, Lund Humphries, London, 1985, ISBN 0-85331-487-X
  • Rolf Toman, Romanesque: Architecture, Sculpture, Painting, Könemann, (1997), ISBN 3-89508-447-6
  • Banister Fletcher, A History of Architecture on the Comparative method (2001). Elsevier Science & Technology. ISBN 0-7506-2267-9.
  • Helen Gardner; Fred S. Kleiner, Christin J. Mamiya, Gardner's Art through the Ages. Thomson Wadsworth, (2004) ISBN 0-15-505090-7.
  • George Holmes, editor, The Oxford Illustrated History of Medieval Europe, Oxford University Press, (1992) ISBN 0-19-820073-0
  • René Huyghe, Larousse Encyclopedia of Byzantine and Medieval Art, Paul Hamlyn, (1958)
  • RAMALHO, Germán. Saber ver a arte românica. pp. 3-4
  • Nikolaus Pevsner, An Outline of European Architecture. Pelican Books (1964)
  • John Beckwith, Early Medieval Art, Thames and Hudson, (1964)
  • Peter Kidson, The Medieval World, Paul Hamlyn, (1967)
  • T. Francis Bumpus,, The Cathedrals and Churches of Belgium, T. Werner Laurie. (1928)
  • Alec Clifton-Taylor, The Cathedrals of England, Thames and Hudson (1967)
  • John Harvey, English Cathedrals, Batsford (1961).
  • Trewin Copplestone, World Architecture, and Illustrated History, Paul Hamlyn, (1963)
  • Tadhg O'Keefe, Archeology and the Pan-European Romanesque , Duckworth Publishers, (2007), ISBN 0715634348