Arquitetura do neoclassicismo

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Por arquitetura neoclássica (AO 1945: arquitectura neoclássica) entende-se o estilo arquitetônico que, em linha com a tendência artística universal do neoclassicismo, resulta da recuperação da gramática formal da antiguidade clássica grega e romana. Na história da arquitetura, este estilo surge após os barroco tardio e rococó, no período em que a tradição da Grand Tour foi um marco na educação cultural entre as gerações de novos artístas e de toda a classe aristocrática e classe média alta.

O período de desenvolvimento deste estilo coincide com aquele que os historiadores da economia designam de Revolução Industrial.[1] Neste período, tal como verificara noutros momentos de crise, o retorno às raizes artísticas da civilização ocidental, a antiguidade greco-romana, parece ser a solução para encontrar a estabilidade e as possibilidades de progresso. Observa-se, na área da arquitetura, que nesse período começam a destacar-se os problemas da prática de construção.[2] O espírito iluminista, aplicado ao repertório da tradição renascentista, recolhe naquelas formas dois princípios fundamentais: a correspondência com os modelos da arquitetura antiga grega e romana, e a racionalidade das próprias formas assimiladas a elementos arquitectónicos tradicionais e elementos de construção.[3]

Esta corrente artística do estilo neoclássico, desenvolveu-se desde metáde do século XVIII[4] até aos inícios do século XIX (aproximadamente entre 1755 e 1830), e foi difundido por todos os países ocidentais, e não deixou de ter influência na produção arquitectónica da Rússia, Estados Unidos e América Latina. Apesar de se tratar de um fenómeno internacional, a arquitetura neoclássica foi caracterizada por diferentes correntes conforme a época e as diferentes tradições estabelecidas anteriormente nos vários países. Neste sentido, torna-se difícil conceber uma periodização rigoroza: na verdade, o neoclassicismo, não só se enquadra numa extensa corrente fundada sobre o estudo da arquitetura clássica (já a partir da arquitetura do século XVI), como se manteve em voga durante todo o século XIX, caracterizada no decorrer do eclectismo e, eventualmente, deixando os seus traços na arquitetura dela decorrente (ver, por exemplo, monumentalismo).[4]

Capitólio de Washington.
Catedral de Vilnius. Arco do Triunfo do Carrossel.
Portão de Brandemburgo. Projeto de reconstrução de l'Opéra de Paris.
Panteão de Paris


Iluminismo e Neoclassicismo[editar | editar código-fonte]

No período compreendido entre o início do século XVIII e o fim da Revolução Francesa, difunde-se uma nova cultura baseada na exaltação da razão: o Iluminismo.

Vista frontal do Cenotáfio de Newton.

Em arquitetura, o racionalismo e funcionalismo conduziram a mudanças nos ideais de beleza: da imitação da natureza, olhada como algo imperfeito e desarmonioso, dá-se preferência à imitação da antiguidade e das suas obras, resultado da inigualável mente humana. A redescoberta da história grega e romana, as pesquisas arqueológicas na Grécia e Roma,[5] o crescente interesse nas escavações em Herculano e Pompéia, e a publicação de importantes obras literárias como a História da Arte Antiga de Winckelmann, introduziria o ideal de "tranquila simplicidade e nobre grandeza"[6] em contraste com o esplendor do barroco e do rococó, considerado por alguns críticos da época, como o alemão Francesco Milizia, falsas expressões do irracional e do enganoso.[7]

Grande parte das críticas atribuem normalmente um papel importante ao ambiente romano na definição dos novos gostos arquitectónicos. Segundo o historiador David Watkin, a linguagem do Neoclassicismo Internacional foi criada em Roma por volta de 1740, por pensionistas franceses da Academia de França, que, refutando a exuberante ornamentação da arquitetura do barroco tardio, dedicaram-se à projeção de vários edifícios públicos, inspirados pelas antigas construções da Roma antiga.[8] A afirmação do Neoclassicismo contribuiu fortemente para a divulgação de publicações que compunham reproduções da antiguidade greco-romana. Destes, destacam-se as Antiguidades de Atenas de James Stuart que, em paralelo com a progressiva publicação, influenciaram a formação do novo estilo arquitectónico, sobretudo o transalpino,[9] e as numerosas estampas de Giovani Battista Piranesi, retratando a antiguidade romana.[10] [11]

Do ponto de vista ideológico, no Neoclassicismo setecentista é possível definir essencialmente três períodos:[12] um primeiro (1715—1740) no qual emergem os traços particulares do iluminismo; um segundo de consolidação (1740—1780), em que prevalecem aspectos filológicos, arqueológicos e académicos; e finalmente um terceiro (1780—1805) que se refere à arquitetura revolucionária de Étienne-Louis Boullée e Claude-Nicolas Ledoux, cujas obras, que se inserem perfeitamente no ambiente cultural dominado por nomes como Isaac Newton, Voltaire, Denis Diderot e Montesquieu, constituem o emblema do Neoclassicismo vinculado ao Iluminismo e à Revolução Francesa. Os colossais projetos de Boullée para o Cenotáfio de Newton e para uma enorme biblioteca, estão essencialmente entre os principais tópicos da arquitetura do século XVIII — ainda que apenas em teoria.[13] É importante salientar, mesmo que indiretamente, foi a obra do filosofo Jean-Jacques Rousseau que, afirmando que a liberdade natural do homem fora perdida dentro de uma sociedade rígida, orientou a arquitetura neoclássica em direcção a uma maior liberdade formal (eclectismo).[14] Próximo do pensamento de Rousseau é o do jesuíta e teórico Marc-Antoine Laugier, o qual, no seu Essai sur l'architecture, sustentava que a natureza era o princípio genuíno da arquitetura; o seu edifício ideal era definido por colunas livres, sem pilares, enbasamentos e outros elementos da tradição renascentista e pós-renascentista. Ademais, no seu tratado expôs uma concepção racional do classicismo, apoiando o conceito da chamada "cabana rústica" do homem primitivo como expressão da verdadeira necessidade humana de abrigo.[15]

A linguagem do neoclassicismo do século XVIII desenvolveu-se como uma reação ao Barroco tardio e Rococó.[4] A principal diferença que se verifica na passagem de uma tendência para outra reside na forte prevalência do "linear" em relação ao "pictórico", entendida como o domínio da razão sobre a emoção: "como uma linha que encerra dois simples corpos, dispostos frontalmente como um baixo-relevo perfeito, quanto mais, o artísta neoclássico, podia realçar a função." Segundo Argan, a verdadeira técnica do artísta é a técnica de projetar, que exige grande precisão da força e resistência dos materiais, exaltando o conhecimento científico dos engenheiros.[16] A composição arquitectónica era vista como uma combinação de elementos derivados do mundo grego e romano: utilização das ordens e tímpanos, as perspectivas e planos simétricos, a correspondência entre o interior e o exterior, bem como a utilização de volumes claros e bem definidos na definição dos vários edifícios. Foram realizadas inovações consideráveis especialmente no planeamento urbano, nas intervenções promovidas entre o século XVIII e XIX na Inglaterra, França e Rússia, onde o príncipio pelo qual as estradas eram idealizadas não partia do alinhamento do conjunto edificado, mas da cada celula unitária. Em qualquer caso, a maior influência do Iluminismo na arquitetura não é tão perceptível na linguagem, mas na tipologia, uma vez que alguns tipos de edifícios, como teatros, bibliotecas, hospitais e outros edifícios de utilidade pública, prestavam-se mais a outras modificações.[17]

Neoclassicismo dos séculos XIX e XX[editar | editar código-fonte]

O Neoclassicismo permaneceu a maior corrente na Europa desde a segunda década do século XVIII até ao século XIX.[12] No entanto, foi acompanhado por novas correntes culturais, expressão de várias mudanças da sociedade, como o neo-gótico, neo-renascimento, o neo-barroco e o neo-românico. A época oitocentista foi o século de Napoleão Bonaparte, da restauração e da afirmação dos estados nacionais; foi um século assinalado pela Revolução Industrial, que mudou os cenários sociais e criou novas oportunidades para o desenvolvimento, sobretudo na Inglaterra. Esse aparato formal que ressentiu profundas alterações pela sobriedade e suntuosidade da arquitetura napoleónica (o estilo império que data de 1805—1814), foi seguido pelo chamado Classicismo da Restauração (1814—1840), no qual os temas tipicamente clássicos se fundiram com as formas da arquitetura quatrocentista reconquistada na cifra romântica.

Na segunda metade do século, o Neoclassicismo tornou-se o estilo dos estados burgueses enriquecidos com a industrialização. Enquanto que nas primeiras décadas do século XX, estaria presente em toda a arquitetura anacrónica ostensiva de vários países, incluindo os Estados Unidos, Itália e Alemanha, sustentava-se a nivel ideológico, tendo perdido de facto qualquer significado histórico.[18]

Do ponto de vista compositivo, a arquitetura oitocentista tornou-se mais rigorosa, prestando maior atenção filológica ao uso de formas antigas, e a linguagem decorativa tornou-se mais rica e expressiva. O registo invariável do estilo, em parte herdado do século anterior, caracteriza-se por plantas cobertas, constituídas por formas regulares; pela busca da simetria na planta e alçado; dando-se preferência por edifícios desdobrados horizontalmente. Os materiais empregues no exterior foram principalmente a pedra, o gesso branco ou cromado, e o mármore, que normalmente escondia elementos metálicos utilizados para reforço das paredes.[19]

Neoclassicismo na Europa[editar | editar código-fonte]

França[editar | editar código-fonte]

Ange-Jacques Gabriel, Petit Trianon, Versalhes.

A arquitetura civil francesa chega ao Neoclassicismo a partir do século XVIII, com a construção de projetos sóbrios e resplandecentes como a Praça da Concórdia em Paris e o Petit Trianon em Versalhes, ambos de Ange-Jacques Gabriel, que são ainda premissas do classicismo barroco françês.[20] Os projetos para a Praça da Concórdia, à época Praça Louis XV, remontam a 1753: os projetos originais definiam um espaço muito diferente do atual, resultado de elaboradas plantas na era napoleónica, com dois palácios que delimitavam um espaço fechado por um série de balaustradas. Os edifícios eram claramente inspirados no traçado de Claude Perrault, da fachada do Louvre. Na arquitetura francesa trabalho de Perrault (16131688) na conclusão do famoso palácio real de Paris foi de facto um exemplo de absoluta mestria: o seu desenho claro e ordenado, composto por um frontão central e um sistema de colunas germinadas erguidas sobre um maciço embasamento, teve uma notável influência na definição do novo canone estético da arquitetura.[21] Pouco depois da construção da praça parisiense, foi precisamente Petit Trianon, construído entre 1761 e 1768, onde os espaços interiores foram distribuídos de acordo com a sua função e não tanto segundo as exigências estéticas da simetria. O exterior é muito simplificado e livre de excessivas decorações, sendo definido por uma rígida sistema de grandes aberturas envidraçadas.

A geração seguinte é direccionada a uma concepção da arquitetura mais clássica e severa. Trinta anos mais novo do que Gabriel, Marie-Joseph Peyre (17301785) foi para Itália, onde ganhou um concurso organizado pela Academia de São Lucas, para uma catedral e dois edifícios anexos. Retornando a França, projetou uma casa para Mme Leprêtre de Neubourg perto de Paris, sendo talvez o primeiro edifício francês verdadeiramente clássico.[22] A casa está sobre um estilóbato e consiste em volumes compactos, sem adornos, com uma planta desprovida de qualquer ostentação: a disposição dos quartos é simples, existem corredores e escadas que não são evidenciados, pois encontram-se no interior de um compartimento. Em 1763, Peyre dedicou-se à sede do príncipe de Condé, uma planta menos austera, cuja característica mais interessante é a colunata que circunda a entrada do pátio. Juntamente com o seu amigo Charles De Wailly, projetou o Théâtre de l'Odéon em Paris, edificado entre 1779 e 1782, tendo sido entretanto reconstruído por várias vezes após sobre dois incêndios que o assolaram. A aparência do teatro transmite sobriedade e simplicidade, cujo revestimento dos paramentos externos foi tratado à bossagem e a fachada principal blindada por um pórtico de colunas dóricas.[23]

Claude-Nicolas Ledoux: projeto para a casa do diretor da Salina Real de Arc-et-Senans

Neste clima de renovação, muitos teatros foram construídos em toda a França, inclusive em cidades pequenas, como Amiens e Besançon. Em Bordéus, nos anos setenta do século XVIII, foi construído o Grand Théâtre, o mais belo teatro françês da época.[24] Projetado por Victor Louis, é constituído por um bloco rectangular, com uma fachada precedida por doze grandes colunas coríntias.

Se Peyre, De Wailly, Louis e, como veremos mais à frente, Jean Chalgrin, estão entre os principais expoentes do estilo clássico do final do século XVIII, tão importantes foram também artistas como Jacques Gondouin, Étienne-Louis Boullée e Claude-Nicolas Ledoux. O primeiro é hoje recordado pela École de Chirurgie em Paris, construída entre 1769 e 1775. Esta representa uma obra paradigmática da época, tanto que Quatremère de Quincy escrevera: "Esta é a obra clássica do século XVIII".[25] O seu salão semicircular, destinado a abrigar o anfiteatro de anatomia, apresenta arquibancadas, paredes curvas contínuas e uma semicúpula no caixotão inspirada no Panteão de Roma. O sucesso desta assembléia, que virá a influenciar até mesmo o norte-americado Benjamin Latrobe,[26] autor de várias obras que prevaleceram até à eclosão da Revolução e cuja obra serviria de modelo para diversas salas de reuniões. Étienne e Claude, os arquitetos mais ousados deste período, desenvolveram projetos utópicos e visionários de edifícios gigantescos constituídos por sólidos perfeitos e de grande pureza linguística. Embora pouco tenham construído, a sua influência teórica e pedagógica tornou-os precursores da arquitetura moderna.[27]

Esta preferência pela volumetria pura poder-se-á encontrar em Étienne-Louis Boullée e Claude-Nicolas Ledoux, os dois principais expoentes;[nt 1] apesar de quase todos os seus projetos terem permanecidos apenas no papel, ambos aspiravam a criação de uma arquitetura "falante", ou seja, simbólica, capaz de comunicar a própria função através do habil uso das formas. Boullée construiu muito pouco, no entanto, acabou por exercer considerável influência. O seu projeto mais famoso, que faz parte da chamada Arquitetura da Revolução é o Cenotáfio de Newton, uma enorme esfera que deveria acolher os espólios de um grande cientísta: 'tudo tem dimensões colossais e é tratado com uma expressiva elementariedade abstrata'.[28] Na era napoleónica os conceitos expostos por Boullée encontram um fiel seguidor em Jean-Nicolas-Louis Durand, professor da École Polytechnique e percursor das teorias sobre o funcionalismo, ou da estreita relação que deve existir entre o edifício e a função.[29]

Os estudos teóricos de Boullée contribuiram, em todo o caso, para a base da afirmação de Claude-Nicolas Ledoux, cujo trabalho foi também influenciado por Piranesi, sendo assim caracterizado por uma extrema simplicidade geométrica. Construiu numerosos hôtel e em 1775 deu início à Salina Real de Arc-et-Senans, pensada como uma espécie de cidade ideal com implicações utópicas. O complexo inacabado, movimenta-se através de uma linguagem altamente simbólica, típico da arquitetura de Ledoux; não é por acaso, por exemplo, que uma das soluções mais originais, nomeadamente a da Casa dei sorveglianti del fiume (lit.Casa dos superintendentes sobre o rio) foi projetada como um cilindro oco colocado sobre o rio. Nos anos pré-revolucionários Ledoux encarregou-se do posto alfandegário de Paris (em francês: mur des Fermiers généraux), oferecendo um vasto repertório de soluções no projeto das muralhas alfandegárias, algumas das quais foram preservadas; entre elas, a Barrière de la Villette, formada por uma cruz grega encimada por um cilindro.[30]

Na análise das principais obras do neoclássicismo francês do século XVIII, mencione-se também alguns edifícios sagrados. Uma das primeiras manifestações como reação ao rococó é a fachada da Igreja de São Sulpício,[31] edificado no estilo clássico pelo florentino Giovanni Niccolò Servandoni e por várias vezes modificado ao longo do tempo.

O maior exemplo no campo da arquitetura sacra continua a ser o Panteão, em Paris,[32] originalmente construído como igreja de Ste-Geneviève e mais tarde transformado em mausoléu nacional. O edifício, projetado por Jacques-Germain Soufflot e construído entre 1757 e 1791, com destaque para a cúpula inspirada na da catedral de São Paulo, em Londres e a ousada estrutura interna que lembra, pela sua leveza, as mais antigas catedrais góticas. De facto, durante a construção de Ste-Geneviève, Soufflot e os seus colegas vasculharam França na busca das pedras mais adequadas e criaram um laboratório para analisar as características de resistência e elasticidade dos materiais. O objetivo era fazer com que a estrutura fosse o mais refinada possível, por forma a reduzir os elementos estruturantes, tomando o exemplo das igrejas medievais francesas, assim como a Capela do Santo Sudário em Turim e a Basílica de Santa Maria della Salute em Veneza.[33]

Numa outra igreja parisiense, Igreja de Saint-Philippe-du-Roule (17721784), é de destacar a sua nave coberta por uma abóbada de berço decorada por caixotões e definida por um entablamento suportado por uma serie de colunas jónicas. O desenho é da autoria de Jean Chalgrin, e em meados do século seguinte o edifício foi alterado com a abertura de janelas feitas ao longo dos anos e com a construção de duas capelas. Todavia, o esquema de Saint-Philippe exerceu uma certa influência na arquitetura da época.[34]

Entre a arquitetura neoclássica do século XIX, um lugar de destaque cabe, no entanto, à Igreja de la Madeleine, construída no começo do século num fulcro parisiense do novo império napoleónico (Estilo Império). Originalmente projetada para tomar uma planta basilical, em 1806, Napoleão quiz torná-la num Templo da Glória, modificando radicalmente o projeto original e transformando-o num colossal templo romano. Se no exterior do edifício tal analogia se torna evidente, no interior o arquiteto limitou-se a articolar o espaço mediante uma serie de abóbadas, vagamente inspirado na arquitetura das termas romanas.

Louis-Pierre Baltard, Palácio da Justiça, Lyon.

A própria promoção de Napoleão coicidiu com a concepção de várias obras públicas monumentais, destinadas a alterar a cara de Paris. Em 1806 iniciou-se a construção do Arco do Triunfo, projetado por Jean Chalgrin, no mesmo ano em que François-Joseph Bélanger cobre o pátio de Halle aux Blés com uma cúpula de ferro fundido; Alexandre-Théodore Brongniart projeta a sede da Bolsa de Paris e, entre 1806 e 1810, é erguida a Coluna Vendôme. Com isto, é importante mencionar a principal intervenção urbana de estilo neoclássico em Paris do início do século XIX. Trata-se do arranjo da Rua de Rivoli, iniciado em 1801 pelas mãos de Charles Percier e Pierre-François-Léonard Fontaine. Os dois projetistas realizaram um longo padrão rectilíneo através da perspectiva continuada dos pórticos do edifício; a obra terá sido concluída apenas sob o governo de Napoleão III, onde o desenho original foi alterado com a adição de enormes mansardas.[35]

Com o fim do império napoleónico, os arquitetos franceses voltam-se para um rumo incerto. As novas tendências foram, portanto, identificadas pela Académie des Beaux-Arts e o Conseil Génèral des Bàtiments Civils.[36] A principal figura desta fase foi Antoine Chrysostome Quatremère de Quincy (17551849) secretário da Académie por 23 anos de acérrimo defensor da arte clássica. A divisa da sua forma de projetar, devido à excessiva rigidez dos seus ideais doutrinários, surge em numerosos edifícios construídos nessa época em França, como o Palácio da Justiça de Lyon, que teve início em 1835 por Louis-Pierre Baltard, que se caracteriza pela fachada sóbria composta por vinte e quatro colunas da ordem coríntia.[36]

Registaram-se algumas inovações na obra de Jacques Ignace Hittorf, apologista da teoria segundo a qual a arquitetura grega deveria ser rica em cores. Os seus principais trabalhos, todos em Paris, são a igreja de São Vicente de Paulo, a acomodação do Palácio da Concórdia e a Gare du Nord. Na igreja de São Vicente, cuja construção teve lugar em volta de 1830, demonstra como a arquitetura clássica pode variar sem se afastar dos modelos antigos. No exterior a igreja é precedida por um pórtico jónico encimado por um frontão, ladeada por duas torres sineiras quadrangulare, enquanto que no seu interior a nave principal é dividida por duas ordens de colunas, policromado e ricamente decorado, com uma articulação mais próxima da arquitetura paleocristã do que propriamente da neoclássica: as colunas possuem um tom damasco, com afrescos na repartição superior e as treliças são vermelhas e azuis, dourado na imitação daquelas presentes na Catedral de Monreale. Poucos anos depois, assumiu a reorganização do Palácio da Concórdia, onde acrescentou estátuas, erguiu o obelisco e acrescentou a fonte de ferro fundido. Em 1859, projetou a Gare du Nord de Paris, a sua principal obra, cuja fachada apresenta uma mistura de motivos clássicos numa escala desproporcional.[37]

Inglaterra[editar | editar código-fonte]

No início do século XVII, a Inglaterra conheceu a arquitetura de Andrea Palladio graças ao trabalho de divulgação de Inigo Jones.[38] Desde então, o património da arquitetura palladiana foi de tal forma engrandecido que dominaria a arquitetura inglesa, até que acabou por sofrer delicadas alterações por Robert Adam (17281792) cuja a sua atividade se inscreve entre o neoclassicismo pitoresco e o neo-gótico na variante clássica.[39]

Ao longo do século XVIII registou-se a construção de várias residências influenciadas pelo "estilo italiano", como o Holkham Hall e Chiswick House, projetados por William Kent e Lord Burlington. Da colaboração entre os dois resultaria o hall de entrada de Holkham Hall (cerca de 1734), considerado como "um dos mais espectaculares interiores do século XVIII."[40] Ao modelo base, derivado de um projeto realizado por Palladio, acrescentaram uma "abside, agora inspirada nas igrejas venezianas do mesmo arquiteto italiano; outros detalhes, como o entalhe do caixotão, foram inspirados nas reconstruções arqueológicas publicadas nos volumes de "Edifices antiques de Rome sin dal 1682". O resultado final é definitivamente clássico, com uma sala que revela uma concepção dramática de inspiração barroca.[40]

A primeira extensão do neoclassicismo inglês é, contudo, observada na sala que James Stuart projetou na Spencer House, em Londres, 1758.[41] Stuart realizou poucas obras ao longo da sua carreira, mas torna-se notável pela redescoberta do gosto grego: o seu templo no parque de Hagley Hall foi o primeiro exemplo do neogrego dórico em toda a Europa.[42]

William Kent, Templo da Antiga Virtude, Buckinghamshire.
Robert Adam, corte da antecâmera da Syon House.

Por outro lado, no planeamento urbano nota-se significativas transformações de tendência clássica promovidas na cidade termal de Bath, onde, a partir da primeira metade do século XVIII, John Wood, o velho, realizou uma serie de intervenções inspirando-se nos cânones clássicos (como o Fórum Romano); a obra seria concluída pelo seu filho John Woob, o jovem com a inclusão do Crescent, um corpo curvilíneo caracterizado por um prospecto contínuo e definido por uma ordem colossal de colunas. As transformações de Bath influenciaram, como veremos mais à frente, vários projetos urbanísticos na Inglaterra e Estados Unidos.[43]

Paralelamente, a partir de 1740, com a afirmação do pitoresco, difunde-se na arquitetura a paixão pelas ruínas, tanto que muitos arquitetos começaram a projetar os seus edifícios em decadência, reduzidos em ruínas pela acção do tempo. Neste período insere-se o primeiro projeto inglês que é parte integrante do neoclassicismo, seja pois o mausoléu do Príncipe de Gales (1751), de William Chambers; contudo, o carácter neoclássico deste projeto dissolve-se na concepção romântica do mausoléu, que foi apresentado de forma a que por uma vez assumisse o estado de ruína.[44]

O pitoresco teve origem da arte dos jardins mais do que da própria arquitetura; o parque inglês deriva portanto dos jardins renascentistas italianos, elogiados por Alexander Pope e mencionados por William Kent.[45] O primeiro jardim digno de referência foi precisamente o que Alexander Pope pretendia realizar em Twickenham, iniciado em 1719 e caracterizado por uma zona selvagem, uma gruta e um pequeno templo com semicúpula. Mais tarde, na chamada Elysian Field (Buckinghamshire), William Kent projetou o templo de planta circular da Antiga Virtude (1734), inspirado no projeto que Palladio realizara para o Templo de Vesta em Tivoli. Ainda Kent projetou o jardim de Rousham, em Oxfordshire, semelhante ao anterior, mas ao mesmo tempo mais diversificado e unitário. As duas obras de Kent constituem o principal marco do jardim construído entre 1740 e 1760 em Stourhead, Wiltshire. O parque, criado através da fusão da arquitetura, arqueologia, poesia, jardinagem, topografia e esoterismo, foi construído perto de Salisbury e Glastonbury, num vale lacustre, de vegetação exuberante; aqui foram incorporados numerosos santuários de inspiração clássica, como o Panteão de Claudio e Virgílio, concluído em 1754 e ornamentado no interior com estátuas de Hércules, Flora e Livia Augusta sob as vestimentas de Ceres, este último proveniente das escavações arqueológicas de Herculano.[46]

James Wyatt, Panteão em Oxford Street, Londres.

Robert Adam é reconhecido por ter feito uma síntese da tradição inglesa e os gostos da Europa. Nascido na Escócia em 1728, visitou França e Itália, onde fez amizades com personalidades como Piranesi. E justamente com Piranesi remete o estilo retórico com o qual descreve os seus próprios edifícios públicos no volume The Works in Architecture of Robert and James Adam. O seu estilo é uma combinação que parte da arte clássica e vai até ao palladianismo e pitoresco. Nele encontram-se várias referências aos banhos romanos, assim como a elementos de compromisso entre a arquitetura grega e a arquitetura romana, tal como na antecâmara de Syon House, onde Adam utilizou decorações do entablamento extraídas do Erecteion, colunas provenientes diretamente de Roma e um molde do teto palladiano: em retrospectiva, Adam desenvolveu um estudo, não tanto de origem intelectual, mas antes cénico e pitoresco.[47]

No final do século XVIII, distingue-se a actividade de Joseph Bonomi, James Wyatt e Henry Holland. O primeiro, nascido na Itália, mudou-se para Inglaterra em 1767. Entre as suas principais obras, em que convergem reminiscências arqueológicas bastante precisas, destaca-se a igreja projetada para o parque de Packington, em Warwickshire, que denuncia certa afinidade com a arquitetura contemporânea revolucionária de Ledoux na França e Gilly na Alemanha, sendo exclusiva no panorama inglês. Com formas rigidas e despojado, o exterior é de pura argila e é iluminado por enormes vãos semicirculares que derivam das antigas termas; o interior parece ter sido inspirado no Templo de Neptuno em Pesto, com colunas dóricas que sustentam as abóbadas da cobertura. Esta configuração do interior veio eventualmente a influenciar vários arquitetos, incluíndo James Wyatt.[48]

Wyatt era o êmulo de Adam e adquiriu fama com o Panteão de Oxford, em Londres (1770, destruído), um edifício destinado ao entretenimento que constituía uma singular versão neoclássica da basilica de Santa Sofia em Istambul. Do seu vasto repertório de trabalhos realizados, é recordado sobretudo pelas suas contribuições no contexto neogótico e pelas massivas restaurações das catedrais inglesas. Todavia, edificou numerosas residências no contexto do neoclassicismo, como a de Dodington, em Gloucestershire, em que se destacam vários detalhes do mundo grego e romano.[49]

Museu Britânico em Londres

Intimamente relacionado com a linguagem de Wyatt e Adam esteve Henry Holland, que na sua primeira e importante comissão, Brooks's Club de Londres (1776) projetou, por detrás de uma fachada palladiana, espaços com decorações sóbrias e mensuradas. Dois anos depois, começou a trabalhar numa casa em Herefordshire, que se seguiu por extensas reconstruções em Carlton House, onde se pode verificar influências francesas,[50] uma vez que eram fraceses os artesãos que lidavam com a decoração e design mobiliário.

O século XIX trouxe-nos repercussões notáveis; exemplo disso são importantes obras como o Museu Britânico em Londres, o Saint George's Hall em Liverpool e alguns trabalhos de John Soane.[51] O Museu Britânico é um edifício monumental construído a partir dos anos vinte e preservado por uma composição de elegantes colunas jónicas: o harmonizado complexo readquire a proposição dos templos clássicos e concentra no seu interior uma grande cúpula de ferro fundido que cobre a sala de leitura.

Pouco tempo depois foi edificado o St George's Hall em Liverpool, uma construção severa destinada a acolher a vida cívica da cidade. Este tipo de basílica civil, nada mais é que um conjunto de diferentes volumes que se relacionam uns com os outros e unidos por um entablamento que perfaz todas as fachadas do edifício. O complexo foi projetado por Hervey Lonsdale Elmes, que após a sua morte, a construção foi continuada por Charles Robert Cockerell, que acrescentou o volume do Concert Hall, cuja rica decoração clássica contrasta com a sobriedade do exterior.[52]

Por outro lado, entre as criações de John Soane vale evocar a casa que o arquiteto projetou para si mesmo em Londres (atual Sir John Soane's Museum): o projeto original, que não foi seguido na integra, foi definido pela simplicidade projetual, com enormes arcos que compõem a fachada e que, portanto, se aproxima bastante da arquitetura revolucionária de Claude-Nicolas Ledoux.[53] Em contraste, o seu interior, muito congestionado e claustrofóbico, cancela o estilo clássico do exterior, revelando uma linguagem muito pessoal e mais próxima da tradição pitoresca: com vários espelhos (mais de 90 numa das salas menores) que transmitem a sensação aparente de um compartimento maior, a iluminação trazida do alto, com arcos goticizantes e reboco com diferentes texturas e tipos de chapisco.

Relativo às transformações urbanisticas, recorde-se Regent's Park e Regent Street em Londres, projetados por John Nash. O arquiteto, influenciado pelas construções já mencionadas realizadas em Bath, concebeu uma série de articulações dentro do tecido urbano da cidade, projetando habitações com colunas, entablamentos e tímpanos, em consonância com os ditames do neoclassicismo; todavia, o seu sinuoso percurso abandona a visão estática das alterações de Paris e relança perspectivas em vista da inovação, combinando em si o gosto romântico para a contínua descoberta e pelo pitoresco.[54]

Em todo o caso, os melhores progetos ingleses da época sofreram o encanto do Neogótico, frequentemente associado à tradição religiosa, arquitetónica e intelectual que se estabeleceu nos centros de Oxford, Cambridge e Londres. Além disso, a partir de meados do século XIX, na Escócia e no norte do país, floresceu uma importante época neoclássica, encontrados, por exemplo, em Town hall de Leeds (1853), em Picton Reading Room de Liverpool (1875) ou na igreja que Alexander Thomson edificou em Glasgow sob a influência de Schinkel e Cockerell.[55]

Alemanha[editar | editar código-fonte]

A construçao da Porta de Brandemburgo assume-se como a introdução do neoclassicismo na arquitetura da Alemanha; criado em Belim por Carl Gotthard Langhans entre 1789 e 1793: o monumento apresenta aspecto sóbrio e severo ao estilo dórico, o primeiro deste género edificado com base nas reconstruções do Propylaea de Atenas,[48] e inaugurado em meados do século XVIII. Embora referindo-se ao modelo ateniense, Langhans assumiu uma versão simplificada do dórico romano: ao contrário do verdadeiro dórico, as colunas possuem bases e são espaçadas de forma desigual em relação aos pavilhões laterais, para além disso, figuram meias métopas nos limites do friso (os gregos pelo contrário, utilizavam na terminação do friso um tríglifo).[56]

A Porta de Brandemburgo exerceu considerável influência sobre os seus contemporâneos, como por exemplo, a entrada do Downing College de Cambrige por William Wilkins ou o propileo de Chester Castle de Tomas Harrison, no Reino Unido.

Outras obras importantes a levar em consideração são os estudos de Friedrich Gilly.[57] O jovem arquiteto realizou poucos trabalhos durante a sua curta vida, porém após 1790 teria já preparado alguns projetos definitivamente relevantes: o projeto para o Teatro Nacional de Berlim e o monumento de Frederico, o Grande. Em particular no teatro é sentida a estreita relação com a arquitetura contemporânea francesa de Ledoux: Gilly rejeita grande parte da decoração e reforça os volumes, estes últimos definidos pela organização com base na própria função que deveriam cumprir. Tal como Ledoux na França e John Soane na Inglaterra, Gilly parecia anunciar uma arquitetura totalmente nova, mas que no entanto não encontrara espaço na sociedade do século XIX, dominada pelas comissões de proprietários de indústrias e minério: homens dotados de grande riqueza, mas de um modo geral, de escassa cultura.[58]

Gilly foi aluno de Karl Friedrich Schinkel, que após um começo com base no neogótico, aproximou-se do neoclassicismo de matriz grega, estilo que teve grande repercussão na Alemanha. De um modo geral, o trabalho de Schinkel, com os seus elementos góticos, clássicos e pitorescos, assimila-se mais ao de Inglaterra do que de França ou Itália, mas a sua interpretação funcional do classicismo, que voltará novamente a estar em voga entre 1919 e 1940, veio a ser identificada como um estilo profundamente nacional. No início do século XIX projetou o Neue Wache e outros edifícios em Berlim, a partir de formas simples e elegantes que influenciarão até mesmo a arquitetura de países tão longínquos como a Finlândia.[59] Outras obras de Schinkel são Konzerthaus Berlin e Altes Museum de Berlim. No teatro berlinês o arquiteto exaltou a funcionalidade de várias formas, conferindo ao edifício e à sua distinta volumetria, uma extraordinária tridimensionalidade: o elemento mais próximo à tradição é a colunata frontal com seis colunas que configura um hexastilo encimada por um frontão ricamente decorado.

O funcionalismo de Berliner Schauspielhaus contrasta com o modelo classicizante do Altes Museum, que combina o tema do longo pórtico da stoa característica da antiga Grécia, com a rotunda do Panteão colocada no interior; resultando numa vista frontal bastante ampliada, que confia a sua própria condição comunicativa ao sistema de dezoito colunas jónicas.

Rival de Schinkel foi Leo von Klenze,[60] cuja fama está sobretudo relacionada com o projeto de Walhalla, perto de Ratisbona e da Gliptoteca de Munique; trata-se de dois complexos neogregos, construídos nas décadas do século XIX. Dos dois, o que se destaca pela imponência é, certamente, o templo Walhalla, no qual, segundo a mitologia nórdica, se reuniam as almas dos heróis mortos em batalha; um templo perípteral dórico, situado sobre um enorme embasamento que é acessado através de amplas escadarias. A construção lembra de uma forma extraordinária o monumento concebido por Gilly para Frederico, o Grande, porém von Klenze confere à sua obra uma marca distinta romântica: o Walhalla de facto reitera no interior vários bustos de importantes personalidades alemãs, assim como um baixo-relevo que ilustra a história da Alemanha.

Itália[editar | editar código-fonte]

A partir da segunda metade do século XVIII, regista-se em Itália a construção de alguns edifícios clássicizantes. O neoclassicismo, contudo, não se declarou consolidado em todo o país, que nesse período ainda estava dividido em vários estados menores, na grande maioria sob o controlo direto de governos estrangeiros. O início do século, coicidiu também com a última estância do período barroco; em Roma, foram realizados notáveis monumentos cenográficos (como a Praça de Espanha e a Fonte de Trevos) enquanto que em Piemonte realça a obra de Filippo Juvarra e Bernardo Antonio Vittone; a atividade ter-se-ia em seguida voltado para o Reino de Nápoles onde Ferdinando Fuga e Luigi Vanvitelli contruiram, respectivamente, o Albergo Reale dei Poveri e Reggia di Caserta,[61] grandiosos episódios de vigorosa produção barroca.[62]

Rússia[editar | editar código-fonte]

Na Rússia, a propagação do mundo ocidental teve grande preeminência, principalmente em São Petersburgo.[63] Aqui, até cerca de 1760, era ainda espaço da primazia pelo rococó do italiano Bartolomeo Rastrelli (vide Palácio de Inverno); foi Catarina, a Grande, que introduziu o neoclássico na capital, ecomendado ao arquiteto francês Jean-Baptiste Michel Vallin de La Mothe, alguns edifícios tais como a Academia de Artes da Rússia. Em 1779, Giacomo Quarenghi (17441812), aceitou o convite de ida para São Petersburgo,[64] onde permaneceu pelo resto da sua vida, tornando-se o arquiteto oficial de Catarina II;[65] entre 1780 e 1785, transformou São Petersburgo numa cidade clássica.[66] Projetou numerosos palácios e trouxe em voga um original estilo monumental, de inspiração palladiana, verificável, por exemplo, no sóbrio e austero palácio inglês do parque de Peterhof (destruído entre 1781 e 1789) naquele que é o mais loxuoso Teatro de Hermitage (1782—1785).[67]

Nesse período, saliente-se o trabalho do escocês Charles Cameron (1743—1812). autor da Galleria Cameron no Palácio de Catarina, em Tsarkoye Selo, onde retomou o estilo do inglês Adam, e o Palácio do Grão-Duque Paul em Pavlovsk, construído entre 1781 e 1796. No parque do palácio de Pavlovsk, Cameron tinha construído o primeiro templo dórico de toda a Rússia.[68]

Os primeiros edifícios do século XIX surgem na estreita relação com a arquitetura de Étienne-Louis Boullée e Claude-Nicolas Ledoux, como é o caso da Antiga Bolsa de São Petersburgo, concebido por um francês e que remonta ao ano de 1804. À Bolsa, segue-se a construção da Catedral de Nossa Senhora de Cazã, seguida então do imenso Almirantado (de Andrejan Zacharov, 1806-1815, onde ecoam as proporções de larga escala de Boullée), a Catedral de Santo Isaac (cujo projeto, realizado pelo francês Auguste de Montferrand, se baseia no Panteão de Paris) e a arquitetura italiana de Carlo Rossi (designadamente o Palácio do Senado e o Palácio Mikhailovsky) que tornaram São Petersburgo, com as suas fachadas em estuque cromatizado e pormenores despontates em branco, uma das cidades mais ajustadas com o neoclácissismo da Europa.[69]

Ainda que Moscovo tivesse sido cenário da importantes obras neoclássicas, e evidenciado outros factos interessantes, não assitiu, contudo, a resultados tão notáveis quanto São Petersburgo.[67] O arquiteto que mais destaque teve com relação à arquitetura clássicizante de Moscovo foi Matvi Kazakov (1738—1812), a quem se deve a concepção do Palácio do Senado em Kremlin. Além disso, no final do século XVIII, uma série de edificações clássicas de Moscovo são atribuíveis ao supracitado Giacomo Quarenghi, o qual, na sequência de Kazakov, foi seguido por arquitetos como Domenico Gilardi (associado ao estilo imperial) e Osip Beauvais (atuante durante a construção da cidade, após o desastroso incêndio de 1812).

Escandinávia[editar | editar código-fonte]

A Europa Setentrional oferece um rico repertório de obras neoclássicas, geralmente de matriz alemã ou francesa.[67] Na Dinamarca o neoclassicismo surgiu no início dos anos sessenta do século XVIII.[70] Na verdade, o salão de jantar projetado por Nicolas-Henri Jardin no Palácio de Amalienborg (1755-1757) é relembrado como o "mais antigo salão existente decorado ao estilo neoclássico por um arquiteto francês".[71] Aluno de Jardin foi Caspar Frederik Harsdorff, que, a exemplo, trabalhou na Catedral de Roskilde, onde projetou a capela funerária de Frederico IV. Mais tarde, com o aparecimento do estilo neogrego, o artista de maior importância foi Christian Frederik Hansen (1756-1845),[72] que realizou o projeto da Catedral de Copenhaga, com a enorme abóbada de berço apoiada por colunas dóricas que lembrao projeto de Boullé no interior de uma biblioteca.

No início do século XIX, regista-se também a planificação de Helsinki, grão-duque russo de 1809. Os principais edifícios públicos da cidade devem-se a Carl Ludwig Engel, que se envolveu na praça do Senado, dominada pela catedral clássica do Palácio do Senado (1818-1822) e da universidade. O projeto inicial da catedral remonta a 1818, mas a sua construção, iniciada em 1830, só foi finalizada em 1851. Trata-se de uma planta centralizada, sendo constituída por uma cruz grega blindada por quatro pórticos no exterior: ao centro da composição destaca-se a altíssima cúpula, ladeada por quatro cúpulas menores que cobrem os campanários, os quais lhe foram acrescendados mais tarde. Não obstante, na Univesidade de Engel foi construída uma biblioteca com salões de leitura colunados, acessados por imponentes escadarias ao estilo dórico, que encontram afinidade com as existentes no Palácio do Senado: no primeiro caso, duas ordens de colunas sustentam os planos no acesso das escadarias, enquanto que no segundo, as colunas dóricas apoiam as abóbadas da cobertura.[73]

Portugal[editar | editar código-fonte]

A primeira obra construída dentro do novo estilo em Portugal foi inteiramente importada de Itália. Trata-se da capela de São João Batista na igreja de São Roque de Lisboa, encomendada em 1742, pelo rei D. João V aos arquitetos Nicola Salvi e Luigi Vanvitelli. José da Costa e Silva (1714-1819), formado em Bolonha, representaria o apogeu nacional deste estilo. Projetou, entre muitos outros edifícios, o Teatro Nacional de S. Carlos (1792) e o Palácio Nacional da Ajuda (este em conjunto com o italiano Fancisco Xavier Fabri), que não chegou a concluir-se.[27] Em Coimbra salientam-se alguns trabalhos do engenheiro militar Guilherme Elsden, como o edifício do Museu da Universidade, construído entre 1773 e 1774. No Porto a introdução do estilo neoclássico deve-se à ação dos ingleses residentes nesta cidade, o que explica a enorme influência da tendência palladiana, presente nomedamente no Hospital de Santo António, projetado pelo inglês John Carr (cerca de 1770), no edifício da Feitoria Inglesa ou no Palácio da Bolsa, de Joaquim da Costa Lima. Um dos expoentes máximos do Neoclassicismo nortenho foi o engenheiro Carlos Amarante (1748-1815), autor de vários edifícios tardo-barrocos e neoclássicos, como a Igreja da Trindade no Porto.[27]

Noutros países da Europa[editar | editar código-fonte]

Catedral de Vilnius, Lituânia

A difusão do revivalismo clássico foi regular por toda a Europa, apesar de com algumas ressalvas: Espanha por exemplo, não touxe qualquer contributo significativo para o Neoclassicismo.[74]

Viena, entretanto, registou alguma dimensão no neoclassicismo, desde as primeiras décadas do século XVIII, na Igreja de São Carlos Borromeo de Johann Bernhard Fischer von Erlach, uma obra prima do rococó austríaco: o edifício foi, na verdade, constituído por uma pronao hexastilo, que é ladeado por duas colunas cóclida com molduras helicoidais finas, que envolvem o fuste, inspirada na coluna de Trajano, em Roma. Um clássicismo mais rigoroso foi sentido no século XIX, com o Theseustempel e Burgtor, dois complexos neogregos do já mencionado Pietro Nobile.[75]

Na Polónia, em finais do século XVIII, difundiu-se uma arquitetura derivada dos modelos revolucionários de Ledoux; um primeiro monumento do início do neoclassicismo regista-se na Catedral de Vilnius (hoje na Lituânia, que à época estava unida à Polónia, na Comunidade das Duas Nações).[76] No século seguinte António Corazzi foi responsável pela construção de vários edifícios na Varsóvia, enquanto que a nobreza polonesa encomendou a Karl Friedich Schinkel algumas residências no país.

Se em Praga o neoclassicismo foi recebido mais tarde do que na restante Europa,[77] na Hungria a ruptura com a linguagem barroca ocorreu na década de setenta do século XVIII: a Catedral de Vác, com o seu pórtico encimado por um massiço ático, que remonta a 1763-1777. No século XIX, este estilo culmina na Catedral de Esztergom (com planta central dotada de cúpula) e no neogrego o Museu Nacional de Budapeste.

Paralelamente o estilo neoclássico desenvolve-se na Grécia apenas em meados do século XIX, quando foi introduzido nos planos de renovação de Atenas.[78] Intervieram, portanto, projetistas de diferentes regiões da Europa, em particular alemães, dinamarqueses e franceses. Entre as obras mais originais ocorre informar o tribunal de Zappeion, inaugurado apenas em 1874 conforme os planos de Theophil Hansen.

Neocassicismo nos Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

Séculos XVIII e XIX[editar | editar código-fonte]

Campitólio de Ohio.

A origem do neoclassicismo nos Estados Unidos, conhecido por Estilo Georgiano, inspira-se de forma direta no neo-palladianismo inglês. ; a partir do final do século XVIII houve também grande expressão do revivalismo grego. Dos exemplos mais interessantes desta tendência refiram-se a casa do arquiteto Thomas Jefferson e o Capitólio de Richmond do mesmo projetista. Outro importante arquiteto foi Benjamin Latrobe. O primeiro, a partir de 1771, concebeu da casa de Monticello, em Virgínia, obra esta que não foi particularmente inovadora, quando comparado com as construções inglesas da contemporaneidade. Influenciado pela Maison Carrée de Nimes, entre 1785 e 1789, realiza o pouco original projeto para o Virginia State Capitol, cujo projeto final remonta a 1817: o elemento predominante deste novo complexo é certamente a rotunda, destinada a abrigar a biblioteca e que, no pórtico vagamente palladiano, combina um corpo circular, inspirado no Panteão. Outra característica do edifício, reconstruído após o incêndio de grandes proporções de 1895,[79] são as salas que se abrem para o interior, de forma elíptica.

Foi o próprio Benjamin Latrobe que sugeriu a Jefferson a solução da rotunda.[80] Os primeiros grandes trabalhos de Latrobe foram a penitenciária de Richmond e a Banca da Pensilvânia atualmente irrecuperável. No início do século XIX, Latrobe fica encarregue pela conclusão do Capitólio, em Washington, o enorme palácio no qual trabalharam vários arquitetos e cujo resultado é extremamente questonável. Posteriormente, sob a ala reconstruída do Senado, foi introduzido a Supreme Court Chamber, onde o interesse pela geometria e pormenores de destaque sugerem uma estreita relação com os modelos do francês Ledoux e do inglês Soane. Entre 1809 e 1818 construiu a Basílica de Batimore, sujeita mais tarde a modificações e ampliações, mas que dela restou a sua principal estrutura de origem.[81]

O estilo neoclássico foi então consolidado com as obras de Robert Mills e William Strickland, alunos do próprio Latrobe.[82] De Mills recorde-se algumas igrejas de planta centralizada de Filadélfia e Richmond, a enorme coluna de Washington em Baltimore e vários edifícios na capital federal da nação, caracterizada pelos seus imponentes pórticos. Quanto a William, após o reconhecimento obtido com o projeto da Second Bank of the United States, seguiram-se projetos para a original Bolsa de Filadélfia e do Capitólio, em Nashville (1845-1849), com lanternas inspiradas no monumento de Lisícrates.

A primeira metade do século XII culminou com a construção de alguns edifícios decisivamente classicizantes: o Capitólio de New Haven de Ithiel Town; Ohio Statehouse em Columbus (1838) e Girard College na Filadélfia, de Thomas Walter.

O neoclassicismo afirma-se no cenário americano principalmente até finais da segunda metade do século XIX. As últimas obras mais notáveis foram projetos de excelência académica dos associados William Rutherford Mead, Stanford White e Charles Follen McKim, como é exemplo a Biblioteca da Universidade de Columbia, em Nova York, 1893, uma imponente construção que reflete o esplendor da arquitetura civil romana segundo o modelo do neoclassicismo francês.[83]

Século XX[editar | editar código-fonte]

Em finais do século XIX, o absoluto classicismo torna-se o fulcro teórico e cultural para a construção de cidades inteiras como Washington: nela, concebida como um "tabuleiro de zadrez", acharam lugar para edifícios friamente classicizantes. Em Nova York, pelo contrário, foram concebidas parcelas interias de nova urbanização, que compreendeu áreas dispostas ao longo da Wall Street. Nesta ideologia urbanística, foram acrescentados vários edifícios urbanísticos importantes ao estilo clássico. De facto, o neoclassicismo do século XX tornou-se o estilo predilecto da arquitetura do governo: trata-se de edifícios concebidos em oposição do modernismo, que refletem o gigantismo com vista a enfatizar o papel e o prestígio internacional do país.[84]

Notas

  1. Na sequência de Boullée e Ledoux encaixa-se o trabalho visionário de Jean-Jacques Lequeu, cuja fama está relacionada a desenhos que refletem uma considerável imaginação quase neurótica.

Referências

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  2. Sigfried Giedion, Spazio, tempo, architettura, Milano, 1984, p. 203.
  3. L. Benevolo, cit., p. 59.
  4. a b c N. Pevsner, J. Fleming, H. Honour, Dizionario di architettura, Torino, Einaudi, 1981, voce Neoclassicismo.
  5. R. De Fusco, Mille anni d'architettura in Europa, Bari 1999, p. 412.
  6. Opere di Johann Joachim Winckelmann. Prima edizione italiana completa, tomo VI, Prato 1831, p. 339.
  7. R. De Fusco, Mille anni d'architettura in Europa, cit., pp. 416-417.
  8. D. Watkin, Storia dell'architettura occidentale, Bologna, 1990, p. 337.
  9. L. Beschi, Architettura: una disputa tra Roma e Atene, in Memoria dell'antico nell'arte italiana, vol. III, "Dalla tradizione all'archeologia", Einaudi, Torino, 1986, p. 355.
  10. L. Bechi, Architettura, cit.; Nikolaus Pevsner, John Fleming, Hugh Honour, Dizionario di architettura, cit., voce Piranesi, Giovanni Battista.
  11. G. Piranesi, Antichità Romane de' tempo della prima Repubblica e dei primi imperatori, 1784 e Differents vues de Pesto, completate e pubblicate dal figlio Francesco nel 1778.
  12. a b R. De Fusco, Mille anni d'architettura in Europa, cit, p. 483.
  13. R. De Fusco, Mille anni d'architettura in Europa, p. 461.
  14. R. De Fusco, Mille anni d'architettura in Europa, cite., p. 418.
  15. N. Pevsner, J. Fleming, H. Honour, Dizionario di architettura, cit., voce Laugier, Marc-Antonie.
  16. G.C. Argan, L'arte italiana 1770-1970, Firenze, Sansoni, 1970, p. 19.
  17. J. Summerson, Architettura del Settecento, Milano, Rusconi, 1990, pp.105-106.
  18. R. De Fusco, Mille anni d'architettura in Europa, cit., pp. 483-484.
  19. R. De Fusco, Mille anni d'architettura in Europa, cit., pp. 497-498.
  20. R. De Fusco, Mille anni d'architettura in Europa, cit., p. 454.
  21. R. Middleton, D. Watkin, Architettura dell'Ottocento, Martellago (Venezia), Electa, 2001, p. 5.
  22. R. Middleton, D. Watkin, Architettura dell'Ottocento, cit., p. 114.
  23. R. Middleton, D. Watkin, Architettura dell'Ottocento, cit., p. 123.
  24. R. Middleton, D. Watkin, Architettura dell'Ottocento, cit., p. 126.
  25. Quatremère de Quincy, Recueil de notices historiques, 1834, p. 201.
  26. N. Pevsner, J. Fleming, H. Honour, Dizionario di architettura, cit., voce Gondouin, Jacques.
  27. a b c Neoclacissismo. Visitado em 8 de abril de 2015.
  28. N. Pevsner, J. Fleming, H. Honour, Dizionario di architettura, cit., voce Boullée, Étienne-Louis.
  29. N. Pevsner, J. Fleming, H. Honour, Dizionario di architettura, cit., voce Durand, Jean-Nicolas-Louis.
  30. R. Middleton, D. Watkin, Architettura dell'Ottocento, cit., p. 185.
  31. N. Pevsner, J. Fleming, H. Honour, Dizionario di architettura, cit., voce Servandoni, Giovanni Niccolò.
  32. R. De Fusco, Mille anni d'architettura in Europa, cit, p. 454.
  33. R. Middleton, D. Watkin, Architettura dell'Ottocento, cit., p. 22.
  34. N. Pevsner, J. Fleming, H. Honour, Dizionario di architettura, cit., voce Chalgrin, Jean.
  35. R. De Fusco, Mille anni d'architettura in Europa, cit., p. 521.
  36. a b R. Middleton, D. Watkin, Architettura dell'Ottocento, cit., p. 211.
  37. R. Middleton, D. Watkin, Architettura dell'Ottocento, cit., p. 218.
  38. N. Pevsner, J. Fleming, H. Honour, Dizionario di architettura, cit., voce Jones, Inigo.
  39. N. Pevsner, J. Fleming, H. Honour, Dizionario di architettura, cit., voce Adam, Robert.
  40. a b R. Middleton, D. Watkin, Architettura dell'Ottocento, cit., p. 81.
  41. R. Middleton, D. Watkin, Architettura dell'Ottocento, cit., p. 84.
  42. N. Pevsner, J. Fleming, H. Honour, Dizionario di architettura, cit., voce Stuart, James.
  43. R. De Fusco, Mille anni d'architettura in Europa, cit., p. 477.
  44. R. Middleton, D. Watkin, Architettura dell'Ottocento, cit., pp. 33-61.
  45. R. Middleton, D. Watkin, Architettura dell'Ottocento, cit., p. 34.
  46. R. Middleton, D. Watkin, Architettura dell'Ottocento, cit., pp. 34-38.
  47. R. Middleton, D. Watkin, Architettura dell'Ottocento, cit., p. 158.
  48. a b R. Middleton, D. Watkin, Architettura dell'Ottocento, cit., p. 89.
  49. R. Middleton, D. Watkin, Architettura dell'Ottocento, cit., pp. 164-168.
  50. R. Middleton, D. Watkin, Architettura dell'Ottocento, cit., pp. 171-172.
  51. R. De Fusco, Mille anni d'architettura in Europa, cit., p. 519.
  52. R. Middleton, D. Watkin, Architettura dell'Ottocento, cit., p. 253.
  53. N. Pevsner, Storia dell'architettura europea, Bari, 1998, p. 248.
  54. R. De Fusco, Mille anni d'architettura in Europa, cit., pp. 521-524.
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  60. N. Pevsner, J. Fleming, H. Honour, Dizionario di architettura, cit., voce Germania.
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  64. N. Pevsner, J. Fleming, H. Honour, Dizionario di architettura, cit., voce "Quarenghi, Giacomo"
  65. Treccani. Quarénghi, Giacomo. Visitado em 5 de março de 2012.
  66. Mario Praz, Gusto neoclassico, Milano, 1974-2003, p. 208.
  67. a b c R. Middleton, D. Watkin, Architettura dell'Ottocento, cit., p. 273.
  68. R. Middleton, D. Watkin, Architettura dell'Ottocento, cit., p. 275.
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  72. N. Pevsner, J. Fleming, H. Honour, Dizionario di architettura, cit., voce Hansen, Christian Frederik.
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  78. R. Middleton, D. Watkin, Architettura dell'Ottocento, cit., pp. 302-304.
  79. Architectural Record", 4 (janeiro-março de 1895), p. 351-353.
  80. R. Middleton, D. Watkin, Architettura dell'Ottocento, cit., p. 306.
  81. R. Middleton, D. Watkin, Architettura dell'Ottocento, cit., p. 308.
  82. R. Middleton, D. Watkin, Architettura dell'Ottocento, cit., pp. 308-309.
  83. R. Middleton, D. Watkin, Architettura dell'Ottocento, cit., p 310.
  84. R. De Fusco, Mille anni di architettura in Europa, cit., p. 484. ver também Il Linguaggio Moderno dell'Architettura, de Bruno Zevi, Turim, 1973.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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  • Fernando Mazzocca; Alessandro Morandotti; Enrico Colle. Milano Neoclassica. Milano, Mazzocca: Longanesi & C., 2001.

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