Igreja de São Roque (Lisboa)

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Igreja de São Roque
Fachada da Igreja de São Roque
Estilo dominante Maneirista
Barroco
Arquiteto Filippo Terzi
Afonso Álvares
Início da construção 1553
Proprietário inicial Companhia de Jesus
Função inicial Casa Professa
Proprietário atual Santa Casa da Misericórdia de Lisboa
Função atual Igreja da Misericórdia de Lisboa
Património Nacional
Classificação  Monumento Nacional
Data 1910
DGPC 71215
SIPA 6227
Geografia
País Portugal
Cidade Lisboa
Localidade Largo Trindade Coelho, Encarnação
Coordenadas 38° 42' 49" N 9° 8' 37" O

A Igreja de São Roque é uma igreja católica em Lisboa, dedicada a São Roque e mandada edificar no final do século XVI, com colaboração de Afonso Álvares e Bartolomeu Álvares. Pertenceu à Companhia de Jesus, sendo a sua primeira igreja em Portugal, e uma das primeiras igrejas jesuítas em todo o mundo. Foi a igreja principal da Companhia em Portugal durante mais de 200 anos, antes de os Jesuítas terem sido expulsos do país no século XVIII. A igreja de São Roque foi um dos raros edifícios em Lisboa a sobreviver ao Terramoto de 1755 relativamente incólume. Tanto a igreja como a residência auxiliar foram cedidas à Santa Casa da Misericórdia de Lisboa, para substituir os seus edifícios e igreja destruídos no sismo. Continua a fazer parte da Santa Casa hoje em dia.

Aquando da sua construção no século XVI, foi a primeira igreja jesuíta a ser desenhada no estilo "igreja-auditório", especificamente para pregação. Tem diversas capelas, sobretudo no estilo barroco do século XVII inicial, sendo a mais notável a de São João Baptista, do século XVIII, projecto inicial de Nicola Salvi e Luigi Vanvitelli, depois alterado com a intervenção do arquitecto-mor João Frederico Ludovice, como se pode verificar pela correspondência entre Ludovice e Vanvitelli, publicada por Sousa Viterbo e R. Vicente de Almeida em 1900. Ludovice enviou uma série de desenhos para Itália com as alterações impostas, uma vez que Vanvitelli se recusara a alterar o projecto inicial. Foi encomendada em Itália por D. João V em 1742. Chegou a Lisboa em 1747 e só ficou assente em 1749. É uma obra-prima da arte italiana, única no mundo, constituída por quadros de mosaico executados por Mattia Moretti, sobre cartões de Masucci, representando o Batismo de Cristo, o Pentecostes e a Anunciação. Suspenso da abóbada, de caixotões de jaspe moldurados de bronze, é de admirar um lampadário de excelente execução da ourivesaria italiana, enquadrado por um admirável conjunto de estátuas de mármore. Supõe-se que à época tenha sido a mais cara capela da Europa.

A fachada, simples e austera, segue os cânones impostos então pela igreja reformada. Em contraste, o interior é enriquecido por talha dourada, pinturas e azulejos e constituiu um importante museu de artes decorativas maneiristas e barrocas. Tem azulejos dos séculos XVI e XVII, assinados por Francisco de Matos.

O tecto, com pintura de interessante simbologia apresenta caixotões. A talha, maneirista e barroca, é rica e variada, com retábulos de altares e emoldura pinturas. Há mármores coloridos embrechados à italiana e um boa coleção de alfaias litúrgicas.

Ao lado do edifício, no Largo Trindade Coelho, está o Museu de Arte Sacra de São Roque, que tem compartimentos ligados com a igreja.

Decoração[editar | editar código-fonte]

Interior do templo e altar-mor, ao fundo

A decoração da Igreja de São Roque é o resultado de diversas fases de actividade ao longo dos séculos XVII e XVIII, reflectindo os ideais tanto da Sociedade de Jesus ou, como no caso das capelas, das respetivas irmandades ou fraternidades. Nasceu como consequência da Contrarreforma, e reflete os esforços da Igreja Católica em capturar a atenção dos fiéis. A decoração geral passou pelos estilos maneirista (capelas de São Francisco Xavier, da Sagrada Família, da chancelaria); do Barroco inicial (capela do Santíssimo); do Barroco tardio (capelas de Nossa Senhora da Doutrina e de Nossa Senhora da Piedade); e Barroco romano da década de 1740 (capela de São João Baptista). As renovações no século XIX incluíram a construção da galeria do coro sobre a entrada principal, onde foi instalado o órgão; a renovação da capela do Santíssimo e o gradeamento; e a substituição das portas de entrada.

Diversas partes da igreja (p.ex., as paredes sob a galeria do coro e o transepto) são decoradas com azulejos “ponta de diamante” no estilo de Triana, bairro de Sevilha, e a tradição data-os em 1596. No resto, a decoração inclui elementos botânicos, volutas, putti, símbolos da Paixão de Cristo, e o monograma da Sociedade de Jesus) (“IHS”).[1] Nos nichos sobre os dois púlpitos há estátuas de mármore branco dos quatro Evangelistas. No piso superior da nave está um conjunto de pinturas a óleo com cenas da vida de Inácio de Loyola (c. 1491-1556), fundador da Ordem Jesuíta, atribuído a Domingos da Cunha, o Cabrinha, um pintor jesuíta do início do século XVII.

Referências

  1. Júlio Parra. Azulejos. Painéis do Século XVI ao Século XX. Lisboa: Santa Casa da Misericórdia, 1994.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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