Auguste Henri Victor Grandjean de Montigny

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Grandjean de Montigny
Retrato de Grandjean de Montigny pintado cerca de 1843 pelo alemão Augusto Müller.
Nome completo Auguste Henri Victor Grandjean de Montigny
Nascimento 15 de julho de 1776
Paris, Royal Standard of the King of France.svg França
Morte 2 de março de 1850 (73 anos)
Rio de Janeiro, Flag of Empire of Brazil (1822-1870).svg Brasil
Nacionalidade Francês
Alma mater École des Beaux-Arts
Ocupação Arquiteto
Movimento Neoclassicismo
Obras notáveis Academia Imperial de Belas Artes
Praça do Comércio

Auguste Henri Victor Grandjean de Montigny (Paris, 15 de julho de 1776Rio de Janeiro, 2 de março de 1850) foi um arquiteto francês de muita importância no desenvolvimento da arquitetura no Brasil. Foi membro da chamada Missão Artística Francesa que chegou ao Rio de Janeiro em 1816.

Grandjean era sogro do pintor Arnaud-Julien Pallière e avó de João Leão Pallière (também pintor),[1] nascido no Rio de Janeiro em 1823 e cujo nome verdadeiro e completo era Jean Leon Pallière Grandjean Ferreira [2] .

Vida na Europa[editar | editar código-fonte]

Grandjean de Montigny nasceu a 15 de julho de 1776 em Paris. Foi excelente estudante de arquitetura e, em 1799, ganhou o prestigioso Prix de Rome, o mais importante da arte nesse momento. Como prêmio ganhou uma estadia de quatro anos em Roma, onde pôde estudar os monumentos clássicos. Depois voltou à França e trabalhou para o governo de Napoleão. Seu mais importante projeto foi a reforma do Palácio Bellevue, em Kassel, na Vestfália (Alemanha), nesse momento sob controle napoleônico.

Em 1815, após a derrota de Napoleão, Grandjean teve de voltar a Paris. Como simpatizante do Imperador, porém, já não gozava do prestígio de antes. Juntou-se então ao grupo de artistas que, organizados por Joachim Lebreton e a convite do governo português, preparava-se para partir para o Rio de Janeiro, onde D. João VI e a corte portuguesa se haviam instalado em 1808.

Vida e obra no Rio de Janeiro[editar | editar código-fonte]

A Missão Artística Francesa chegou ao Rio de Janeiro em 26 de março de 1816. D. João VI criou então a Escola Real de Ciências, Artes e Ofícios, na qual os franceses teriam de formar uma nova geração de artistas e realizar projetos dentro dos cânones do estilo neoclássico, o mais moderno do seu tempo.

Fachada da Academia Imperial de Belas-Artes fotografada por Marc Ferrez em 1891.
Façada principal da Praça do Comércio (1819-1820), atualmente Casa França-Brasil.

Grandjean foi incumbido de projetar e construir o edifício da nova Escola, inaugurado em 1826 como Academia Imperial de Belas Artes, já em pleno governo de D. Pedro I. Tudo o que resta do edifício da Academia é o belo pórtico de feição clássica, colocado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro depois da demolição da Academia, em 1938. Na Academia Gradjean era professor da aula de arquitetura.

Para sua casa particular, o arquiteto construiu na Gávea (c. 1826) um belo casarão neoclássico, de dois andares, parcialmente circundados por galerias porticadas. O acesso ao primeiro andar se faz por uma elegante escadaria. Na parte posterior da casa há dois salões cilíndricos.

O mais importante projeto de Grandjean que ainda está de pé é o edifício para a Praça do Comércio do Rio de Janeiro, para o qual foi incumbido por D. João VI e que se realizou entre 1819 e 1820. As fachadas são simples, mas o enorme espaço interno abobadado do edifício, de planta centrada, inspirado nas basílicas cívicas romanas, é o mais notável. O eixo principal é ladeado por galerias com colunas dóricas, e sobre o centro do edifício há uma cúpula com uma abertura que permite a entrada de luz. Seu projeto é diferente de tudo que se havia feito no Rio de Janeiro até então.

Grandjean também fez projetos que nunca se realizaram, como uma Biblioteca Imperial (1841), e o Senado do Império (1848), provavelmente ambiciosos demais para o jovem país. O desenho para o Senado se encontra hoje no Museu Nacional de Belas Artes. Grandjean morreu no Rio de Janeiro em 1850.

Legado[editar | editar código-fonte]

Apesar de frequentemente dizer-se que Grandjean de Montigny introduziu a arquitetura neoclássica no Brasil, já se construía nesse estilo desde o século XVIII na colônia. No Rio de Janeiro, em particular, os projetos das igrejas da Candelária (c. 1775-1808) e Santa Cruz dos Militares tem elementos neoclássicos. Também D. João VI trouxe arquitetos portugueses, Manuel da Costa e José da Costa e Silva, que construiram o antigo Teatro Real de São João (c. 1813), com uma fachada neoclássica inspirada no Teatro Nacional de São Carlos de Lisboa.

Grandjean de Montigny conseguiu construir muito pouco do que projetou, e muito de sua obra foi subsequentemente destruída. Sobraram apenas o pórtico da Academia Imperial de Belas Artes, a sua casa particular, a antiga Praça do Comércio e um chafariz, atualmente no Alto da Boa Vista.

Apesar de haver construído pouco e não ser rigorosamente o introdutor do neoclássico no Brasil, a importância de Grandjean de Montigny para a arquitetura brasileira é imensa. Como professor na Academia, Grandjean formou muitos novos profissionais que souberam dar ao Brasil uma linguagem arquitetônica moderna. Entre seus alunos contam-se os brasileiros José Maria Jacinto Rebelo e Teodoro de Oliveira e os portugueses Joaquim Cândido Guilhobel, José Domingos Monteiro e Francisco Joaquim Béthencourt da Silva, que deixaram extensa obra em estilo neoclássico no Rio de Janeiro e outras cidades.

Atualidade[editar | editar código-fonte]

O Solar Grandjean de Montigny (na rua Marquês de São Vicente 225, Gávea), onde viveu e morreu o arquiteto, pertence à Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio) e funciona hoje como centro cultural. A antiga Praça do Comércio é hoje a Casa França-Brasil (rua Primeiro de Março, 66, Centro) e também funciona como Centro Cultural.

O pórtico da Academia Imperial de Belas Artes pode ser visto no Jardim Botânico do Rio de Janeiro (Rua Jardim Botânico, 1008). O chafariz do Rocio Pequeno se encontra na Praça Antônio Virzeu, no Alto da Boa Vista.

Referências

  1. Pallière, Jean Leon (1823 - 1887) Enciclopédia Itaú Cultural de Artes Visuais (site consultado em 1° de outubro de 2011)
  2. Morales de los Rios, ob. cit. p. 162

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • RIOS FILHO, Adolfo Morales de los. Granjean de Montigny e a evolução da arte brasileira. Rio de Janeiro: Empresa A Noite, 1941.
  • TAUNAY, Afonso de Escragnolle. A missão artística de 1816. Brasília: Universidade de Brasília, 1983.