Gótico internacional

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A Adoração dos Magos, de Gentile da Fabriano.

O gótico internacional é uma espécie de arte gótica que apareceu na Borgonha, Boêmia e norte da Itália no final dos anos 1300 e começo dos 1400. Mais tarde, o Gótico Internacional se espalhou pela Europa Ocidental. O termo Gótico Internacional foi cunhado pelo historiador Louis Courajod no final do século XIX.

Foi nesse período que os artistas viajaram pelo continente espalhando a arte das iluminurass, criando uma estética comum entre a realeza e a nobreza e removendo o conceito de arte estrangeira. As principais influências estavam no norte da França, no Ducado da Borgonha, na Corte Imperial de Praga e na Itália. Casamentos como o de Ricardo II de Inglaterra e Ana de Luxemburgo ajudaram a espalahar o estilo pela Europa.

A característica estilística são as linhas ricas, decorativas e coloridas, com uso abundante do ouro. O Gótico Internacional fez um uso mais racional da perspectiva, de um modo que não tinha sido visto desde a Antiguidade. Era uma arte mais naturalista e que se prendia aos detalhes, porém mantendo, simultaneamente, um forte carácter simbólico.

Os artistas mais importantes foram, entre outros, Gentile da Fabriano e Jacopo Bellini.

Antecedentes históricos[editar | editar código-fonte]

Uma nova classe social emerge das cidades na Baixa Idade Média: a burguesia, de que fazem parte os artesãos e os mercadores. Consequentemente, surge uma nova hierarquia de valores. A aristocracia feudal abandona seus castelos para se mudar para as cidades, perto das cortes dos soberanos e dos poderosos. Essas novas classes sociais privilegiadas não se sentem refletidas nas artes dos vitrais das catedrais e buscavam a ostentação. Buscavam uma arte mais elitista e refinada. Desse modo, trocavam livros ilustrados com iluminuras ou pequenos quadros, fáceis de serem transportados. A partir da Corte de Avinhão, o gótico internacional se estendeu por toda Europa. Simone Martini e outros artistas italianos e franceses tomaram contato com as escolas de Flandres, Renânia ou Boêmia ou dos reinos ibéricos, os quais difundiram na Europa o realismo naturalista dos pintores da Escola Sienesa ou da caligrafia refinada das iluminuras francesas.

A importante versão boêmia do estilo se desenvolveu na Corte de Carlos IV, em Praga, cidade que foi, por um curto período, a mais importante no desenvolvimento da arte européia. Carlos fazia parte da Casa de Luxemburgo, foi ensinado pelo futuro Papa Clemente VI. Quando jovem, passou sete anos na Corte Francesa e visitou a Itália duas vezes. Tinha ligações íntimas com várias cortes da França, incluindo o Papado de Avinhão e o Ducado da Borgonha. O estilo boêmio tinha figuras femininas ricas e doces que influenciaram vários outros estilos. Carlos tinha, pelo menos, um altar italiano, aparentemente feito na Itália e enviado para perto de Praga, atualmente no Castelo Karlštejn. Para a Catedral de São Vito, em Praga, Carlos IV contratou um arquiteto francês e, mais tarde, o alemão Peter Parler.

Artistas[editar | editar código-fonte]

Os primeiros artistas desse estilo se encontram nas cortes dos duques de Berry e de Borgonha. O Duque de Berry contou sobretudo com os serviços de notáveis miniaturistas, como Jacquemart de Hesdin, autor das Grandes Horas (Biblioteca Nacional da França), e sobretudo dos Irmãos Limbourg, cuja obra-prima é As Riquíssimas Horas do Duque de Berry (Museo Condé de Chantilly).

Na corte Filipe II da Borgonha se destacarm: Jean de Beaumetz, Jacquemart de Hesdin, Melchior Broederlam, Jean Malouel e Henri Bellechose. Outros artistas franceses foram o Mestre de Parement e o Maître de Boucicaut.

Destacam-se os pintores centro-europeus, tanto alemães quanto boêmios. Assim, na Alemanha, cabe mencionar Conrad Soest, o chamado Mestre Francke, Stefan Lochner (pertencente à Escola de Colônia), Bernt Notke, Veit Stoss, Michael Pacher e o Mestre de Bertram.

Praga foi um dos centros que criou este estilo internacional, sendo seus mestres mais destacados o Mestre do Jardim do Paraíso, o Mestre do Altar de Trebon e o Mestre Theoderic ou Theoderich von Prag.

Na Itália, se desenvolveu na Lombardia, com Michelino da Besozzo, em Siena (com Sassetta, Sano di Pietro e Giovanni di Paolo), assim como em Florença, com Lorenzo Monaco, Gentile da Fabriano e Jacopo Bellini. Também merece ser destacado Antonio Pisanello.

Fim do Gótico Internacional[editar | editar código-fonte]

A criação da Adoração dos Magos, de Gentile da Fabriano, em Florença, em 1423, foi o auge do Gótico Internacional. Logo após, veio a elaboração da Capela Brancacci, por Masolino e Masaccio (1424-26), reconhecido como o marco de um novo estilo.

Da mesma forma, após as Les très riches heures du duc de Berry, surgiram as Horas de Turim-Milão, uma continuação do manuscrito iniciado décadas antes pelo Mestre de Parement para o Duque de Berry, que, apesar de apresentar uma estrutura do Gótico, apresentava um novo estilo de pintura.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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