Drácula

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Drácula
Dracula por, capa da 1ª edição, Archibald Constable and Company, 1897
Capa da primeira edição
Autor (es) Bram Stoker
Idioma Inglês
País Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda
Género Ficção de terror, Ficção gótica
Editora Archibald Constable and Company (RU)
Lançamento Maio de 1897

Drácula (em inglês: Dracula) é um romance de 1897 escrito pelo autor irlandês Bram Stoker, tendo como protagonista o vampiro Conde Drácula. Sem dúvida trata-se do mais famoso conto de vampiros da literatura.

Drácula tem sido designado como vários gêneros literários, incluindo literatura de vampiros, ficção de horror e romance gótico. Estruturalmente, é um romance epistolar, ou seja, contada como uma série de cartas, entradas de diário, registros de bordo etc. Embora Stoker não tenha inventado o vampiro, a influência do romance na popularidade dos vampiros foi singularmente responsável por muitas peças de teatro, cinema, televisão e muitas interpretações ao longo dos séculos XX e XXI.

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

Este romance em forma epistolar, dando voz às várias personagens, abre com a chegada de um solicitador, de nome Jonathan Harker, a um castelo em uma remota zona da Transilvânia. O jovem Harker trava conhecimento com o excêntrico proprietário do castelo, o conde Drácula, dado este ter em vista a aquisição de várias propriedades na Inglaterra.

Aos poucos Harker começa a perceber que há mais do que excentricidade naquela figura, há algo de estranho no anfitrião, algo de realmente assustador e tenebroso. Aliás, passada a inicial hospitalidade, Harker começa a entender que, mais do que um hóspede, é também um prisioneiro do conde Drácula.

Seguidamente, Drácula decide viajar até à Inglaterra, deixando um rastro de morte e destruição por onde passa – sob a forma de um enorme morcego -, enquanto Harker é deixado à guarda de três figuras femininas, três terríveis seres que se alimentam de sangue humano. Harker consegue fugir, apesar de bastante debilitado, e encontra-se com a sua noiva, Mina, em Budapeste.

Já na Inglaterra, Lucy, uma jovem inglesa, amiga de Mina, começa a apresentar estranhos sintomas: uma enorme palidez e dois enigmáticos orifícios no pescoço. Os seus amigos, John Seward, Quincey Morris e Arthur Holmwood, incapazes de identificar a origem daquela doença, recorrem ao auxílio do Dr. Abraham Van Helsing, médico e cientista, famoso pelos seus métodos considerados pouco ortodoxos, compreendendo que Lucy foi vítima dos ataques de um ser diabólico: Drácula, uma espécie de morto-vivo que se alimenta de sangue humano (vampiro). Contudo, receando a reação destes, Van Helsing decide não lhes apresentar imediatamente as suas conclusões.

Numa noite, Lucy e a sua mãe são atacadas por um morcego – a versão animal do conde Drácula – e ambas morrem, embora de causas diferentes: Lucy foi fruto do ataque sanguinário do morcego/Drácula; a mãe de Lucy, vítima de ataque cardíaco provocado pelo medo.

Lucy é enterrada, mas a sua existência não termina por aí: esta renasce como vampira e começa a perseguir crianças. Van Helsing, não dispondo de outra opção, confidencia as suas conclusões aos amigos desta. Estes, determinados a colocar um fim naquela forma de existência, introduzem uma estaca no seu peito, trespassando o coração e decepam-lhe a cabeça, pois só assim ela poderá descansar em paz.

Pouco tempo depois, para surpresa dos mesmos, percebem que Drácula tem agora uma nova vítima como alvo: Mina, que já regressou de Budapeste juntamente com Harker, agora juntos na condição de marido e mulher.

Porém, além de se alimentar de Mina, Drácula também lhe dá o seu sangue a beber, ritual que os coneta espiritualmente, como numa espécie de matrimónio das trevas.

Van Helsing compreende que, através da hipnose, é possível seguir os movimentos do vampiro. Assim, decididos a destruí-lo e a salvar Mina, os homens perseguem-no. Drácula refugia-se no seu castelo na Transilvânia, que, contudo, é completamente destruído pelos perseguidores antes que conde concretize tal objetivo, libertando a Mina do tal “encantamento”.

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Adaptações[editar | editar código-fonte]

O romance foi adaptado muitas vezes, especialmente para o cinema e teatro e o vampiro foi usado em muitas histórias e paródias independentes do romance original, sendo usado até hoje por diversos autores em diversas mídias, sendo tema recorrente na cinematografia mundial. O romance mais recente a tratar do assunto é O Historiador, de Elizabeth Kostova, que se propõe a ser uma espécie de O Código da Vinci da lenda de Drácula. É um romance que coloca o leitor na trilha do Drácula histórico, em meio a mosteiros medievais.

Sem dúvida alguma, foi através do cinema que Drácula logrou sua fama mundial, através de diversos filmes- uma longa lista de filmes, que coloca Drácula como um dos personagens mais representados na história do cinema.[1]

É verdade que muitos destes filmes são comédias, paródias, que usam personagens do livro, sobretudo o personagem-título. Outros são filmes do tipo "super-herói", como por exemplo os filmes Van Helsing (2004) e Blade: Trinity (2004). Outros filmes criaram personagens não-existentes no livro, como filho, filha, esposa, discípulos, e até mesmo cachorro do Conde Drácula. Outros confrontam o personagem Conde Drácula contra outros personagens, reais ou fictícios, tais como Batman, Frankenstein, Lobisomen ou Billy The Kid. Outros filmes se passam não contemporaneamente ao romance (1897), mas sim no século XX ou XXI, por exemplo os 3 filmes de Drácula produzidos por Wes Craven, ou mesmo no ano 3000.[2]

Assim, entre os diversos filmes de Drácula já feitos, apenas uma curta minoria de fato se propôs a representar, com alguma fidelidade, o romance original de Bram Stoker.

A primeira tentativa neste foi sentido foi o filme alemão Nosferatu, Eine Symphonie des Grauens, de 1922. Neste filme, os personagens tiveram os nomes alterados (por exemplo, Conde Drácula foi renomeado Conde Orlock) em função de disputas referente a direitos autorais, porém a história é baseada no romance original de Bram Stoker.

Em 1931, foi lançada a versão que daria fama mundial ao romance e a seu personagem título. A partir deste filme, o rosto do ator húngaro Bela Lugosi passaria a ser o mais lembrado entre o público ao se falar em Drácula; este filme foi escolhido para preservação no United States National Film Registry (Registro Nacional de Filmes dos EUA) como sendo "culturalmente, historicamente e estéticamente relevante".

Em 1958, o estúdio britânico Hammer Film Productions lançou o primeiro de uma série de nove filmes de Drácula realizados por este estúdio. Esta série, sobretudo o primeiro filme (o único desta série que se baseou no romance original), teve enorme sucesso, e Christopher Lee é considerado por muitos o ator que melhor interpretou Drácula. Ele e Lugosi são, sem dúvida, os atores mais lembrados ao se falar em Drácula. Esta série apresentou um inovação: em cada filme, Drácula era destruído de alguma forma, mas ressurgia no filme seguinte, sendo também destruído neste, e novamente ressurgindo no filme seguinte- este estilo acabaria sendo uma marca de diversas séries cinematográficas de terror futuras como A Nightmare on Elm Street e Sexta-Feira 13.

Em 1970, foi lançada mais uma versão que se tornou marcante. Uma produção alemã-italiana-espanhola, dirigida pelo espanhol Jesus Franco, o filme trazia o mesmo Christopher Lee no papel de Drácula. Na introdução deste filme, aparece a mensagem: Over fifty years ago, Bram Stoker wrote the greatest of all horror stories. Now, for the first time, we retell exactly as he wrote, one of the first — and still the best — tales of the macabre (Mais de 50 anos atrás, Bram Stoker escreveu a maior de todas as histórias de terror. Agora, pela primeira vez, nós recontamos exatamente como ele escreveu, uma das primeiras - e ainda das melhores - contos do macabro). Ou seja: o filme de Jesús Franco de 1970 foi o primeiro a explicitamente alegar que representaria fielmente o romance e que os filmes anteriores teriam falhado nesta representação. De fato, este filme é até hoje considerado uma das versões cinematográficas mais fiéis ao livro.

Em 1973, foi a vez de Jack Palance representar Drácula num filme (neste caso, filme televisivo) que alegava fidelidade ao romance original. Por isso, o título deste filme foi Bram Stoker's Dracula (Drácula de Bram Stoker), não apenas Drácula ou Conde Drácula.

Em 1977, a rede de televisão britânica BBC lançou o filme Count Dracula. Uma produção televisiva, de orçamento limitado, este filme é considerado por muitos como o filme de Drácula que, entre todos, mais fielmente seguiu a história original do livro.[3]

Em 1979, foram lançados dois filmes que fizeram grande sucesso: um americano, em que Drácula é representado por Frank Langella, e um alemão, lançado sob o nome de Nosferatu: Phantom der Nacht.

Em 1992, foi lançada a última tentativa de que se tem notícia (pelo menos, a última que teve grande destaque internacional) de se fazer um filme de Drácula fiel ao romance original: Drácula de Bram Stoker. De forte impacto visual (vencedor de Oscar nas categorias de melhor figurino, melhores efeitos sonoros e melhor maquiagem), o filme de 1992 é de forma geral bastante fiel ao livro original. Porém, não escapou de críticas dos fãs mais "ortodoxos" do romance original: o diretor Francis Ford Coppola criou no filme (na verdade, não apenas criou mas colocou como foco central do filme) uma história de romance entre Drácula e a personagem Mina Harker, romance este que não ocorre no romance original de Bram Stoker.[4]

Recepção[editar | editar código-fonte]

Quando foi publicado pela primeira vez, em 1897, Drácula não foi um bestseller imediato, embora as criticas fossem incansáveis em seu louvor. O contemporâneo Daily Mail classificou Stoker superior a Mary Shelley e Edgar Allan Poe, bem como Wuthering Heights de Emily Brontë.[5]

O romance tornou-se mais significativa para os leitores modernos do que foi para os leitores contemporâneos vitorianos, que só atingiu o seu grande status lendário clássico no século 20, quando as versões cinematograficas apareceram. No entanto, alguns fãs da época vitoriana o descreveram como "a sensação da temporada" e "o romance de gelar o sangue do século". Sir Arthur Conan Doyle criador de Sherlock Holmes escreveu a Stoker em uma carta:" Eu escrevo para lhe dizer o quanto eu gostei de ler Drácula.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Dalby, Richard and Hughes, William. Bram Stoker: A Bibliography (Westcliff-on-Sea: Desert Island Books, 2005)
  • Frayling, Christopher. Vampyres: Lord Byron to Count Dracula (1992) ISBN 0-571-16792-6
  • Eighteen-Bisang, Robert and Miller, Elizabeth. Bram Stoker's Notes for Dracula: A Facsimile Edition Toronto: McFarland, 2008, ISBN 978-0-7864-3410-7
  • Hughes, William. Beyond Dracula: Bram Stoker's Fiction and its Cultural Contexts (Basingstoke: Macmillan, 2000)
  • McNally, Raymond T. & Florescu, Radu. In Search of Dracula. Houghton Mifflin Company, 1994. ISBN 0-395-65783-0
  • Miller, Elizabeth. Dracula: Sense & Nonsense. 2nd ed. Desert Island Books, 2006. ISBN 1-905328-15-X
  • Wolf, Leonard. The Essential Dracula. ibooks, inc., 2004. ISBN 0-7434-9803-8

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. My Dracula: Dracula Movies (site especializado)
  2. Site My Dacula.
  3. Site My Dacula.
  4. Site My Dacula.
  5. Murray, Paul. From The Shadow Of Dracula: A Life of Bram Stoker (em ). [S.l.]: Jonathan Cape, 2004. 352 pp. p. 363-4. ISBN 0224044621. Visitado em 08 de novembro de 2012.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]