Projeto Gutenberg

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O Projeto Gutenberg (AO 1945: Projecto Gutenberg) (PG) é um esforço voluntário para digitalizar, arquivar e distribuir obras culturais através da digitalização de livros. Fundado em 1971, é a mais antiga biblioteca digital. A maioria dos itens no seu acervo são textos completos de livros em domínio público. O projecto tenta torná-los tão livres quanto possível, em formatos duradouros e abertos, que possam ser usados em praticamente quaisquer computadores.

História[editar | editar código-fonte]

O Projecto Gutenberg foi iniciado por Michael Hart em 1971. Hart, um estudante na Universidade de Illinois, obteve acesso a um supercomputador Xerox Sigma V no Laboratório de Pesquisa de Materiais da universidade. Através de uns operadores simpáticos, recebeu uma conta com uma quantidade de tempo de computação virtualmente ilimitada; o seu valor na altura tem sido calculado variavelmente entre os 100.000 ou 100.000.000 dólares. [1] Hart disse que queria "retribuir" esta oferta fazendo algo que pudesse ser considerado de grande valor.

Este computador em particular era um de 15 nodos na rede de computadores que se tornaria a Internet. Hart acreditava que um dia os computadores estariam acessíveis ao público em geral e decidiu disponibilizar obras de literatura em formato electrónico de graça. Usou uma cópia da Declaração de Independência dos Estados Unidos que tinha na sua mochila e este foi o primeiro texto-e do Project Gutenberg. Deu o nome ao projecto em honra de Johannes Gutenberg, o impressor Alemão do século XV que impulsionou a revolução da prensa móvel.

Em meados dos anos 1990, Hart geria o Projecto Gutenberg a partir do Colégio Beneditino de Illinois. Juntaram-se ao esforço mais voluntários. A maioria do texto era introduzido manualmente até que os digitalizadores de imagens e os programas reconhecimento óptico de caracteres foram melhorando e se tornaram mais largamente acessíveis, o que tornou a digitalização de livros mais fazível. Hart chegou mais tarde a um acordo com a Universidade Carnegie Mellon, que concordou administrar as finanças do Projecto Gutenberg. À medida que o volume de textos electrónicos aumentava, os voluntários começaram a tomar conta das operações diárias que Hart vinha executando.

Em 2000 foi registada no Mississippi uma organização sem fins lucrativos, a Project Gutenberg Literary Archive Foundation, Inc., para gerir as necessidades legais do projecto. As doações que lhe são feitas são dedutíveis nos impostos. O voluntário de longa data do Projecto Gutenberg, Gregory Newby, tornou-se o primeiro presidente executivo da fundação. Também em 2000, Charles Franks fundou o Distributed Proofreaders, que permitiu que a revisão dos textos digitalizados fosse feita de uma forma distribuída, entre vários voluntários pela Internet. Este esforço aumentou enormemente o número e a variedade de textos que são adicionados ao Projecto Gutenberg, bem como tornou mais fácil para os novos voluntários começarem a contribuir. Em 2006, os mais de 9.600 livros produzidos pelo DP compreendiam mais de 45% dos mais de 20.000 livros do Projecto Gutenberg.

Pietro Di Miceli, um voluntário Italiano, desenvolveu e administrou o primeiro sítio do Projecto Gutenberg e iniciou o desenvolvimento do primeito Catálogo em Linha do Projecto. Nos seus dez anos neste papel (1994–2004), as páginas do Projecto ganharam um grande número de prémios, sendo muitas vezes recomendadas em listas dos "melhores da Rede" e contribuindo para a popularidade do Projecto.[2]

Com início em 2004, um catálogo em linha melhorado tornou os conteúdos do Projecto mais fáceis de navegar, aceder e ligar.

O Projecto Gutenberg é agora hospedado pelo ibiblio na Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill.

Alvo do acervo[editar | editar código-fonte]

Em 2006, o Projecto Gutenberg afirmava ter mais de 20.000 itens no seu acervo, com uma média de mais de 50 novos livros-e adicionados semanalmente. [3]

Estes são sobretudo obras da literatura da tradição cultural Ocidental. Para além de literatura tal como romances, poesia, contos e teatro, o Projecto Gutenberg também tem livros de culinária, obra de referência e partes de periódicos. O acervo do Project Gutenberg também tem alguns itens não-textuais tais como ficheiros de áudio e partituras musicais.

A maioria dos lançamentos são em Inglês, mas existem também números significativos em outras línguas. Em Agosto de 2006, as línguas que não o Inglês mais representadas eram (por ordem): Francês, Alemão, Finlandês, Neerlandês, Espanhol e Português.

Sempre que possível, os lançamentos do Gutenberg estão disponíveis em texto puro, sobretudo utilizando a codificação de caracteres ASCII mas frequentemente estendida para ISO-8859-1. Também podem ser lançados outros formatos quando enviados pelos voluntários, sendo o mais comum o HTML. Os formatos que não são facilmente editáveis, como o PDF, não são normalmente considerados conformes aos objectivos do Projecto Gutenberg, embora alguns tenham sido acrescentados ao acervo. Há anos que existem discussões sobre a utilização de algum tipo de XML embora os progressos quanto a esse assunto tenham sido lentos.

Ideais[editar | editar código-fonte]

Michael Hart disse em 2004, "A missão do Projecto Gutenberg é simples: 'Encorajar a criação e distribuição de livros electrónicos.'" [4]

Um lema do projecto é "quebrar as barras da ignorância e da iliteracia" visto que os seus voluntários tencionam continuar a propagar a literacia do público e o apreço pelo património literário, tal como as bibliotecas públicas começaram a fazer nos finais do século XIX.

O Projecto Gutenberg é propositadamente descentralizado. Por exemplo, não existe nenhuma política de selecção que dite quais os textos que devem ser adicionados. Em vez disso, os voluntários trabalham individualmente naquilo em que estão interessados ou que têm disponível. O acervo do Projecto Gutenberg destina-se a conservar os itens a longo prazo de forma a que não se possam perder por um qualquer acidente localizado. Num esforço para assegurar isto, toda a colecção é salvaguardada regularmente e espelhada em servidores em vários locais diferentes.

Questões de direitos autorais[editar | editar código-fonte]

O Project Gutenberg é muito cauteloso a verificar o estado dos seus livros electrónicos de acordo com o Direito Autoral dos Estados Unidos da América. Os materiais apenas são acrescentados ao arquivo do Projecto Gutenberg depois de receber uma clarificação de direitos autorais, e os registos dessas clarificações são guardados para referência futura.

Ao contrário de alguns outros projectos de bibliotecas digitais, o Projecto Gutenberg não invoca novos direitos autorais sobre os títulos que publica. Em vez disso, encoraja a sua reprodução e distribuição livres.

A maioria dos livros no acervo do Projecto Gutenberg são distribuídos em domínio público sob as leis de direitos autorais dos Estados Unidos. A licença incluída em cada livro electrónico coloca algumas restrições ao que pode ser feito como os textos (tal como distribuí-los de uma forma modificada ou para fins comerciais) desde que a marca registada "Project Gutenberg" seja utilizada. Se o cabeçalho for removido e a marca registada não for utilizada, então os textos em domínio público podem ser reutilizados sem quaisquer restrições.

Também existem alguns poucos de textos protegidos por direitos autorais que o Projecto Gutenberg distribui com uma autorização. Estes estão sujeitos a mais restrições, especificadas pelo detentor dos direitos autorais.

Em 1998 o Sonny Bono Copyright Term Extension Act estendeu a duração dos direitos autorais já existentes por mais 20 anos. Isto impediu o Projecto Gutenberg de acrescentar muitos títulos que, de outro modo, estariam em domínio público nos Estados Unidos.

Críticas[editar | editar código-fonte]

O Projecto Gutenberg tem sido criticado pela falta de rigor escolástico nos seus textos electrónicos: por exemplo, nos detalhes inadequados quanto às edições usadas e na omissão de prefácios originalmente publicados e dispositivos críticos. Uma melhoria de marca na preservação desse tipo de texto pode ser encontrada comparando os primeiros textos com os mais recentes; a maior parte dos novos textos electrónicos preserva a informação da edição e os prefácios. As edições também não são as mais recentes edições escolares, uma vez que estas edições mais tardias não estão normalmente no domínio público.

O Project Gutenberg exige que todos os seus textos electrónicos incluam uma versão em texto puro em ASCII sempre que isso seja fazível, acreditando que esse é o formato mais provavelmente legível num futuro alargado. (Não exigem uma versão em texto puro em ASCII para matemática ou línguas que sejam difíceis de representar em ASCII.) O Projecto Gutenberg também inclui uma variedade de formatos normalmente abertos juntamente com os ASCII e gerados a partir destes. Alguns membros e utilizadores do projecto têm pedido formatos mais avançados, acreditando que estes são mais fáceis de ler. Por definição, o texto em ASCII não pode conter alguma informação, como negrito, itálico, superescrito e alguns caracteres não Ingleses.

Projectos afiliados[editar | editar código-fonte]

Todos os projectos afiliados são organizações independentemente que partilham os mesmos ideais e foi-lhes dada permissão para utilizarem a marca registada Project Gutenberg. Têm normalmente um enfoque nacional ou linguístico especial.

  • Project Runeberg [1], fundado em 1992, foi o primeiro projecto a solicitar ao PG o uso de um nome semelhante. Dedica-se à literatura nórdica ou sobre os países nórdicos.
  • Project Gutenberg Australia aloja muitos textos que estão no domínio público de acordo com o Direito Autoral Australiano, mas ainda protegigdos por direitos autorais (ou em estado incerto) nos Estados Unidos, com enfoque nos escritores Australianos e livros sobre a Austrália.
  • Project Gutenberg of the Philippines [2] "pretende disponibilizar tantos livros quanto possível para tantas pessoas quanto possível, com enfoque especial nas Filipinas e nas línguas Filipinas.
  • Project Gutenberg Europe [3] é um projecto gerido pelo Project Rastko na Sérvia e Montenegro. Pretende ser um Project Gutenberg para toda a Europa, e começou a publicar os seus primeiros projectos em 2005. Corre o programa Distributed Proofreaders para produzir textos electrónicos de forma colectiva.
  • Project Gutenberg Luxembourg [4] publica sobretudo, mas não exclusivamente, livros que escritos em luxemburguês e alemão.
  • Project Gutenberg Consortia Center [5] é um afiliado que se especializa na colecção de acervos. Estas não têm a supervisão editorial ou a consistência de formatação do Projecto Gutenberg principal. Estão representadas colecções temáticas bem como inúmeras línguas.
  • Projekti Lönnrot [6] é um projecto iniciado por voluntários do Projecto Gutenberg Finlandês. Contém apenas livros em finlandês.
  • PG-EU é um projecto-irmão que opera sob os direitos autorais da União Europeia. Um dos seus objectivos é incluir tantas línguas quanto possível no Projecto Gutenberg. Funciona em Unicode para assegurar que todos os alfabetos possam ser representados fácil e correctamente. Em Fevereiro de 2008 não continha nenhum livro.

Apesar de ter sido dada autorização para utilizar o nome Gutenberg ao Projekt Gutenberg-DE há alguns anos, nem todos o consideram um projecto afiliado devido às suas diferenças filosóficas. O Projekt Gutenberg-DE invoca direitos autorais nos seus produtos e limita o acesso a versões dos seus textos navegáveis pela Internet.

Para uma lista de outros projectos semelhantes, alguns dos quais se inspiraram no Projecto Gutenberg, veja uma lista de bibliotecas digitais.

Língua Portuguesa no Projecto Gutenberg[editar | editar código-fonte]

O primeiro livro em Português publicado pelo Projecto Gutenberg foi o Lendas do Sul (1913) do autor brasileiro João Simões Lopes Neto, em 2001. Seguiram-se Os Lusíadas do português Luís Vaz de Camões.

Em Janeiro de 2007 o sítio do Projecto Gutenberg passou a estar totalmente disponível em Português, sendo esta a primeira língua a traduzi-lo. Na mesma altura, estavam disponíveis 70 obras em Português.

Notas e referências

  1. Michael Hart (Agosto de 1992). História e Filosofia do Project Gutenberg Gutenberg.org. Visitado em 9 de fevereiro de 2007.
  2. Créditos Gutenberg.org. Visitado em 5 de dezembro de 2006.
  3. De acordo com o gutindex-2006, foram publicados 1.653 novos itens no Projecto Gutenberg nas primeiras 33 semanas de 2006. Isto faz uma média de 50,09 por semana. Isto não inclui acrescentos a projectos afiliados.
  4. Declaração de Missão do Project Gutenberg Gutenberg.org. Visitado em 23 de Outubro de 2004.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • Página oficialVersão em português
  • Distributed Proofreaders um grupo de voluntários editores espalhados pelo mundo que é agora a principal fonte de livros electrónicos do Projecto Gutenberg
  • HTML Writers Guild fornece aconselhamento sobre a utilização da marcação XHTML e XML para o Projecto Gutenberg
  • Obras do Projecto Gutenberg no Projecto Gutenberg (note que muitas destas foram renomeados para Project Gutenberg por questões relacionadas com a marca registada e não são originais com o projecto)
  • GutenMark — uma ferramenta para criar automaticamente marcações HTML ou LaTeX de alta qualidade para os textos electrónicos do Projecto Gutenberg. (não afiliado do Projecto Gutenberg)
  • GutenPy — um leitor de texto de código aberto e navegador do catálogo fora de linha do Projecto Gutenberg escrito com pythonGTK para Windows e Linux. (não afiliado do Projecto Gutenberg)
  • Flippin — um leitor de texto comercial e navegador do catálogo fora de linha do Projecto Gutenberg para Windows (não afiliado do Projecto Gutenberg)
  • Text to iPod notes converter — Programa usado para transferir ficheiros do Gutenberg para um iPod na sua plenitude (não afiliado do Projecto Gutenberg).