Prensa móvel

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Prensa de tipos móveis de 1811, em exposição em Munique, Alemanha

A prensa de tipos móveis ou imprensa é um dispositivo para aplicar pressão numa superfície com tinta, transferindo-a para uma superfície de impressão, geralmente papel ou tecido. Normalmente utilizado para imprimir textos ("a reprodução técnica da escrita")1 , também foi adaptada para impressão em larga escala de imagens, mapas, diagramas e tabelas2 ("À xilogravura, na Idade Média, seguem-se à estampa em chapa de cobre e a água-forte, assim como a litografia, no início do século XIX" 3 e também a reprodução impressa de fotografias no século XX).

Como funciona uma Prensa Móvel[editar | editar código-fonte]

Essencialmente consistia em pequenos blocos metálicos esculpidos em relevo (com letras, símbolos e também áreas de espacejamento) e que seriam organizados em placas que receberiam então o nome de matriz. Essa placa (matriz) com todos os caracteres necessários para formação de uma página já organizados e fixados seria levada a uma máquina chamada prensa, que iria aplicar uma pressão na matriz contra diversas folhas de papel gerando assim uma sequência de páginas que seriam armazenadas para utilização futura. Após esta etapa, a matriz era inteiramente desmontada e receberia uma nova organização de caracteres para a impressão de uma nova sequência de páginas que daria continuidade ao texto anteriormente impresso e formaria um futuro impresso ou meio de comunicação; como um jornal, revista, livro ou outro. Conforme os tipos (bloquinhos metálicos, em geral de chumbo) se desgastassem, poderiam ser fundidos (derretidos) novamente e remodelados. Apesar de inicialmente parecer trabalhoso, esse processo permitiu a produção sequencial de páginas de uma forma sem precedentes na história.

A Invenção da Prensa Móvel[editar | editar código-fonte]

A prensa de tipos móveis foi inventada pelo alemão Johannes Gutenberg em 1439, com base nas prensas de rosca. Johannes Gutenberg, um ourives de profissão, desenvolveu um sistema de impressão completo, que aperfeiçoou o processo de impressão em todas as etapas, adaptando as tecnologias existentes às invenções de sua autoria. A inovadora Matriz (tipografia) tornou possível, pela primeira vez, a criação rápida e necessita de tipos móveis metálicos em grandes quantidades, um elemento chave na lucratividade da imprensa no mundo inteiro.

Porém, a revolução causada pela impressão gráfica não se relaciona apenas com a tecnologia. Foi necessário a existência de condições sociais e culturais específicas (no caso, encontradas na Europa de meados do século XV) para viabilizar tal êxito. 4

A invenção e a difusão da prensa tipográfica de tipos móveis é amplamente considerada como o acontecimento mais influente do segundo milênio dC,5 revolucionando a maneira como as pessoas concebem e descrevem o mundo, e inaugurando a Idade Moderna.


A Difusão da Prensa Móvel[editar | editar código-fonte]

A partir de um só ponto de origem, Mogúncia, na Alemanha, a impressão propagou-se em poucas décadas a mais de 200 cidades, numa dúzia de países europeus.6 Em 1500, prensas de tipos móveis em operação em toda a Europa Ocidental já haviam produzido mais de vinte milhões de volumes.6 No século XVI, com prensas popularizadas ainda mais longe mais longe, a produção aumentou dez vezes, para um número estimado de 150-200.000.000 de exemplares.6 A operação de uma prensa de tipos móveis tornou-se tão sinónimo da empresa de impressão que emprestou seu nome a todo um novo ramo da mídia, a imprensa.

Tipos móveis justapostos num linotipo.


Impactos do Desenvolvimento da Prensa Móvel[editar | editar código-fonte]

A mecanização levou à primeira produção em massa de livros na história7 No renascimento, uma só prensa móvel podia produzir 3.600 páginas por dia,8 em comparação a quarenta por dia por cópia manual por um escrivão.9

O impacto da prensa de Gutenberg na história é difícil de apreender na globalidade. Tentativas de analisar seus efeitos múltiplos incluem a noção de uma "revolução da impressão". A disponibilidade e acessibilidade ao público em geral da palavra impressa impulsionou a democratização do saber e lançou as bases materiais para a moderna economia do conhecimento, pois além de tornar o conhecimento acessível a um público maior também permitiu que as gerações seguintes conhecessem o trabalho das gerações predecessoras de forma sistemática e cumulativa.10 A fixidez do conteúdo impresso (textos de conteúdo uniformizados em relação aos antigos manuscritos interpolados, ou seja, com intervenções textuais deliberadas por parte dos copistas) assim como a durabilidade física viabilizada através de múltiplos exemplares idênticos de uma mesma obra, ainda que impressos em uma superfície mais frágil como o papel também merecem destaque.

Na Europa renascentista, a chegada de impressão por prensa de tipos móveis iniciou a era da comunicação de massa que alterou a estrutura da sociedade: a circulação relativamente irrestrita de informação e ideias (revolucionárias) transcendeu fronteiras, galvanizou as massas para a Reforma Protestante e ameaçou o poder de autoridades políticas e religiosas. O aumento acentuado da literacia quebrou o monopólio de uma elite letrada sobre a educação e aprendizagem, e reforçou a emergente classe média. Em toda a Europa acelerou o florescimento das línguas vernáculas em detrimento do latim, que perdeu o seu estatuto de língua franca.

Podemos entender até mesmo o atual sistema educativo como herdeiro desta tecnologia tipográfica, que com seus "princípios de uniformidade, continuidade e repetibilidade" modelaram a cultura moderna do saber ("cultura letrada") e tornou possível acelerar até mesmo o próprio desenvolvimento econômico.11

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

  • Livros de autores como Lutero e Erasmus tornaram-se então best-sellers, chegando a centenas de milhares de pessoas na época de seu lançamento.12
  • Em 1620 o estadista e filósofo Inglês Francis Bacon escreveu que a impressão tipográfica tinha "mudado o rosto e estado de coisas em todo o mundo" (associando-a ao trio "imprensa-pólvora-bússola").13
  • Desde o início a impressão era praticada também como uma verdadeira arte, com um elevado padrão estético, como na famosa Bíblia de Gutenberg "de 42 linhas", impressa também em pergaminho. Hoje, as obras impressas entre 1455, data aproximada da sua publicação, até 1500, os chamados incunábulos14 estão entre os bens mais valiosos das bibliotecas.
  • No século XIX, a substituição imprensa operada manualmente ao estilo de Gutenberg por prensas rotativas inicialmente movidas a vapor permitiu a impressão escala industrial, enquanto no estilo ocidental de impressão foi adotado em todo o mundo, tornando-se praticamente o único meio para a impressão em massa moderna.
  • "A era da impressão foi imediatamente marcada nos círculos puritanos pela defesa da interpretação privada e individual da Bílibia" 15 .
  • Até hoje o método ainda existe, sendo normalmente encontrado em pequenas oficinas chamadas tipografias. É utilizado principalmente em talonários de receitas e recibos, cartões de visitas, folhetos e convites de casamento.


Galeria[editar | editar código-fonte]


Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. BENJAMIN, Walter. A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica. In: ADORNO et al. Teoria da Cultura de massa. Trad. de Carlos Nelson Coutinho. São Paulo: Paz e Terra, 2000. p. 221-254
  2. EISENSTEIN, Elizabeth L. A Revolução da Cultura Impressa: Os Primórdios da Europa Moderna. Editora São Paulo: Editora Ática, 1998
  3. BENJAMIN, Walter. A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica. In: ADORNO et al. Teoria da Cultura de massa. Trad. de Carlos Nelson Coutinho. São Paulo: Paz e Terra, 2000. p. 221-254
  4. BRIGGS, A; BURKE, P. Uma História Social da Mídia. 2. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006
  5. Ver People of the Millennium. Em 1999, a A&E Network classificou Gutenberg no. 1 on their "People of the Millennium" countdown. Em 1997, Time–Life magazine elegeu Gutenberg's invention as the most important of the second millennium; the same did four prominent US journalists in their 1998 resume 1,000 Years, 1,000 People: Ranking The Men and Women Who Shaped The Millennium. A entrada Johann Gutenberg na Catholic Encyclopedia descreve a sua invenção com uma influencia sem paralelo na Era cristã.
  6. a b c Febvre, Lucien; Martin, Henri-Jean 1976 by Anderson, Benedict 1993, 58f.
  7. McLuhan, Marshall (1962), The Gutenberg Galaxy: The Making of Typographic Man (1st ed.), University of Toronto Press, ISBN 978-0802060419
  8. Wolf 1974, 67f.
  9. Ch'on Hye-bong 1993, 12
  10. BRIGGS, A; BURKE, P. Uma História Social da Mídia. 2. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006
  11. MCLUHAN, Herbert Marshall. Os meios de comunicação como extensões do homem. Tradução de Décio Pignatari. São Paulo: s.e, 2007.
  12. Issawi 1980, pp. 492; Duchesne 2006, p. 83
  13. Francis Bacon: "Novum Organum, Liber I, CXXIX" − Adapted from the 1863 translation
  14. Biblioteca Nacional Portuguesa
  15. ONG, W. Oralidade e cultura escrita. Campinas: Papirus, 1997
  16. Buringh, Eltjo; van Zanden, Jan Luiten: "Charting the “Rise of the West”: Manuscripts and Printed Books in Europe, A Long-Term Perspective from the Sixth through Eighteenth Centuries", The Journal of Economic History, Vol. 69, No. 2 (2009), pp. 409–445 (417, table 2)
  17. a b c Incunabula Short Title Catalogue, consultado em 2 Março de 2011


Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BENJAMIN, Walter. A obra de arte na época de sua reprodutibilidade técnica. In: ADORNO et al. Teoria da Cultura de massa. Trad. de Carlos Nelson Coutinho. São Paulo: Paz e Terra, 2000.
  • MCLUHAN, Herbert Marshall. Os meios de comunicação como extensões do homem. Tradução de Décio Pignatari. São Paulo: s.e, 2007.
  • BRIGGS, A; BURKE, P. Uma História Social da Mídia. 2. ed. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006
  • EISENSTEIN, Elizabeth L. A Revolução da Cultura Impressa: Os Primórdios da Europa Moderna. Editora São Paulo: Editora Ática, 1998.
  • ONG, W. Oralidade e cultura escrita. Campinas: Papirus, 1997.
  • Wolf, Hans-Jürgen (1974), Geschichte der Druckpressen (1st ed.), Frankfurt/Main: Interprint
  • Issawi, Charles (1980), "Europe, the Middle East and the Shift in Power: Reflections on a Theme by Marshall Hodgson", Comparative Studies in Society and History 22 (4): 487–504
  • Duchesne, Ricardo (2006), "Asia First?", The Journal of the Historical Society 6 (1): 69–91