Prensa móvel

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Prensa de tipos móveis de 1811, em exposição em Munique, Alemanha

A prensa de tipos móveis ou imprensa é um dispositivo para aplicar pressão numa superfície com tinta, transferindo-a para uma superfície de impressão, geralmente papel ou tecido. Normalmente utilizado para imprimir textos. A invenção e a difusão da prensa tipográfica de tipos móveis é amplamente considerada como o acontecimento mais influente do segundo milênio dC,1 revolucionando a maneira como as pessoas concebem e descrevem o mundo, e inaugurando a Idade Moderna.

A prensa de tipos móveis foi inventada pelo alemão Johannes Gutenberg em 1439, com base nas prensas de rosca. Gutenberg, um ourives de profissão, desenvolveu um sistema de impressão completa, que aperfeiçoou o processo de impressão em todas as etapas, adaptando as tecnologias existentes às invenções de sua autoria. A inovadora Matriz (tipografia) tornou possível, pela primeira vez, a criação rápida e precisa de tipos móveis metálicos em grandes quantidades, um elemento chave na lucratividade da imprensa no mundo inteiro.

A mecanização levou à primeira produção em massa de livros na história2 No renascimento, uma só prensa móvel podia produzir 3.600 páginas por dia,3 em comparação a quarenta por dia pela impressão tipográfica e poucas por cópia manual por um escrivão.4 Livros de autores como Lutero e Erasmus tornaram-se então best-sellers, chegando a centenas de milhares de pessoas na época.5

A partir de um só ponto de origem, Mainz, na Alemanha, a impressão propagou-se em poucas décadas a mais de 200 cidades, numa dúzia de países europeus.6 Em 1500, prensas de tipos móveis em operação em toda a Europa Ocidental já haviam produzido mais de vinte milhões de volumes.6 No século XVI, com prensas popularizadas ainda mais longe mais longe, a produção aumentou dez vezes, para um número estimado de 150-200.000.000 de exemplares.6 A operação de uma prensa de tipos móveis tornou-se tão sinónimo da empresa de impressão que emprestou seu nome a todo um novo ramo da mídia, a imprensa. Em 1620 o estadista e filósofo Inglês Francis Bacon escreveu que a impressão tipográfica tinha "mudado o rosto e estado de coisas em todo o mundo".7

Tipos móveis justapostos num linotipo.

Desde o início a impressão era praticada também como uma verdadeira arte, com um elevado padrão estético, como na famosa Bíblia de Gutenberg "de 42 linhas", impressa também em pergaminho. Hoje, as obras impressas entre 1455, data aproximada da sua publicação, até 1500, os chamados incunábulos8 estão entre os bens mais valiosos das bibliotecas.

O impacto da prensa de Gutenberg na história é difícil de apreender na globalidade. Tentativas de analisar seus efeitos múltiplos incluem a noção de uma "revolução da impressão". A disponibilidade e acessibilidade ao público em geral da palavra impressa impulsionou a democratização do conhecimento e lançou as bases materiais para a moderna economia do conhecimento.

Na Europa renascentista, a chegada de impressão por prensa de tipos móveis iniciou a era da comunicação de massa que alterou a estrutura da sociedade: a circulação relativamente irrestrita de informação e ideias (revolucionárias) transcendeu fronteiras, galvanizou as massas para a Reforma Protestante e ameaçou o poder de autoridades políticas e religiosas. O aumento acentuado da literacia quebrou o monopólio de uma elite letrada sobre a educação e aprendizagem, e reforçou a emergente classe média. Em toda a Europa acelerou o florescimento das línguas vernáculas em detrimento do latim, que perdeu o seu estatuto de língua franca.

No século XIX, a substituição imprensa operada manualmente ao estilo de Gutenberg por prensas rotativas inicialmente movidas a vapor permitiu a impressão escala industrial, enquanto no estilo ocidental de impressão foi adotado em todo o mundo, tornando-se praticamente o único meio para a impressão em massa moderna.

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Ver também [editar]

Referências

  1. Ver People of the Millennium. Em 1999, a A&E Network classificou Gutenberg no. 1 on their "People of the Millennium" countdown. Em 1997, Time–Life magazine elegeu Gutenberg's invention as the most important of the second millennium; the same did four prominent US journalists in their 1998 resume 1,000 Years, 1,000 People: Ranking The Men and Women Who Shaped The Millennium. A entrada Johann Gutenberg na Catholic Encyclopedia descreve a sua invenção com uma influencia sem paralelo na Era cristã.
  2. McLuhan, Marshall (1962), The Gutenberg Galaxy: The Making of Typographic Man (1st ed.), University of Toronto Press, ISBN 978-0802060419
  3. Wolf 1974, 67f.
  4. Ch'on Hye-bong 1993, 12
  5. Issawi 1980, pp. 492; Duchesne 2006, p. 83
  6. a b c Febvre, Lucien; Martin, Henri-Jean 1976 by Anderson, Benedict 1993, 58f.
  7. Francis Bacon: "Novum Organum, Liber I, CXXIX" − Adapted from the 1863 translation
  8. Biblioteca Nacional Portuguesa
  9. Buringh, Eltjo; van Zanden, Jan Luiten: "Charting the “Rise of the West”: Manuscripts and Printed Books in Europe, A Long-Term Perspective from the Sixth through Eighteenth Centuries", The Journal of Economic History, Vol. 69, No. 2 (2009), pp. 409–445 (417, table 2)
  10. a b c Incunabula Short Title Catalogue, consultado em 2 Março de 2011

Bibliografia [editar]

  • Wolf, Hans-Jürgen (1974), Geschichte der Druckpressen (1st ed.), Frankfurt/Main: Interprint
  • Issawi, Charles (1980), "Europe, the Middle East and the Shift in Power: Reflections on a Theme by Marshall Hodgson", Comparative Studies in Society and History 22 (4): 487–504
  • Duchesne, Ricardo (2006), "Asia First?", The Journal of the Historical Society 6 (1): 69–91
  • Febvre, Lucien; Martin, Henri-Jean (1997), The Coming of the Book: The Impact of Printing 1450–1800, London: Verso, ISBN 1-85984-108-2