Ricardo II de Inglaterra

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Ricardo II
Rei da Inglaterra e França
Lorde da Irlanda e Príncipe de Chester
Rei da Inglaterra
Reinado 21 de junho de 1377
a 30 de setembro de 1399
Coroação 16 de julho de 1377
Predecessor Eduardo III
Sucessor Henrique IV
Esposas Ana da Boémia (1382–1394)
Isabel de Valois (1396–1400)
Casa Plantageneta
Pai Eduardo, o Príncipe Negro
Mãe Joana de Kent
Nascimento 6 de janeiro de 1367
Bordéus, Ducado da Aquitânia
Morte 14 de fevereiro de 1400 (33 anos)
Castelo de Pontefract, Pontefract, West Yorkshire, Inglaterra
Enterro Abadia de Westminster, Londres, Inglaterra
Assinatura

Ricardo II (Bordéus, 6 de janeiro de 1367Pontefract, c. 14 de fevereiro de 1400) foi o Rei da Inglaterra de 1377 até ser deposto em 1399. Filho de Eduardo, o Príncipe Negro e Joana de Kent, Ricardo nasceu durante o reinado de seu avô Eduardo III. Ele era o irmão mais novo de Eduardo de Angoulême, se tornando o segundo na linha de sucessão aos quatro anos após a morte do irmão. Quando seu pai morreu antes da morte de Eduardo III, Ricardo virou o herdeiro aparente do avô. Eduardo III morreu no ano seguinte e Ricardo ascendeu ao trono com apenas dez anos.

Durante seus primeiros anos de reinado, o governo ficou nas mãos de uma série de conselhos. A comunidade política preferia esse modelo de governo ao invés de uma regência liderada por seu tio João de Gante, que mesmo assim permaneceu muito influente. O primeiro grande desafio do reinado foi a Revolta Camponesa de 1381. O jovem Ricardo teve um grande papel na supressão bem sucedida da crise. Entretanto, nos anos seguintes a dependência do rei em um pequeno número de cortesãos levou a um descontentamento na comunidade política, e assim o controle governamental foi tomado em 1387 por um grupo de nobres conhecidos como Lordes Apelantes. Ricardo reconquistou o controle por volta de 1389 e governou com relativa harmonia pelos oito anos seguintes. Em 1397 ele se vingou dos apelantes, com muitos sendo executados ou exilados. Os dois anos seguintes foram descritos por historiadores como a "tirania" de Ricardo. Em 1399, depois da morte de João de Gante, o rei deserdou o primo Henrique de Bolingbroke, que anteriormente havia sido exilado. Henrique invadiu a Inglaterra em junho com uma pequena força que rapidamente cresceu. Afirmando que seu objetivo era apenas reconquistar seu patrimônio, ficou logo claro que ele planejava reivindicar o trono para si mesmo. Encontrando pouca resistência, Henrique depôs Ricardo e se corou como Henrique IV. Ricardo morreu em cativeiro no ano seguinte.

Como pessoa, Ricardo foi descrito como alto, bonito e inteligente. Mesmo não sendo insano, como historiadores antigos costumavam acreditar, Ricardo pode ter sofrido de transtorno de personalidade por volta do final de seu reinado. Um guerreiro menos habilidoso que seu pai e avô, ele tentou encerrar a Guerra dos Cem Anos iniciada por Eduardo III. Ele acreditava firmemente na prerrogativa real, algo que o fez restringir o poder de sua nobreza, e invocava um pequeno séquito para sua própria proteção. Ricardo também cultivava uma atmosfera polida que o colocava como uma figura elevada, com as artes e a cultura no centro, ao invés da corte fraternal e marcial de Eduardo III. Sua reputação posterior foi muito moldada pela peça teatral Richard II, de William Shakespeare, que mostra sua má administração e deposição como responsáveis pela Guerra das Rosas. Historiadores atuais não aceitam essa interpretação, apesar de não exonerarem Ricardo da responsabilidade de sua própria deposição. Muitos concordam que, mesmo com suas políticas não sendo sem precedentes ou inteiramente irrealistas, o modo como ele as executou era inaceitável para o sistema político, levando à sua queda.

Infância[editar | editar código-fonte]

Nascimento[editar | editar código-fonte]

O Príncipe negro ajoelhando-se frente ao seu pai Eduardo III.

Ricardo é o filho de Eduardo de Woodstock, o Príncipe Negro, e de Joana de Kent. Eduardo, príncipe de Gales e herdeiro do trono, distingue-se como chefe militar no início da guerra dos Cem Anos, principalmente com a vitória da batalha de Poitiers, em 1356. Todavia, em 1370, apanha disenteria em Espanha no seguimento de uma campanha militar. Nunca se restabeleceu verdadeiramente e teve de voltar para a Inglaterra no ano seguinte.[1] .

Joana de Kent fora objeto de disputa entre Thomas Holland e William Montagu, que desejavam casar com ela. Holland saira vencedor da disputa. Menos de um ano após a morte deste último, Joana casa com o príncipe Eduardo. Esse casamento requer a aprovação do papa, sendo Joana e Eduardo primos, netos de Eduardo I[2] .

Ricardo nasce a 6 de janeiro de 1367[3] [4] em Bordéus, na Aquitânia, então principiado inglês cujo príncipe é, desde 1362, Eduardo. Segundo fontes da época, são apresentados três reis no seu nascimento: «o rei de Espanha, o rei de Navarra e o rei de Portugal»[3] . Esta anedota, associada ao fato de que o seu nascimento corresponde à festa da Epifania, será retomada no diptyque de Wilton, na qual Ricardo é um dos três reis que prestam homenagem a Jesus[5] . Três dias depois, a 9 de janeiro de 1367, ele é batizado pelo arcebispo de Bordéus[3] .

Ascensão ao trono[editar | editar código-fonte]

Ricardo permanece em Bordéus durante quatro anos. Quando Eduardo de Angoulême, o seu irmão mais velho, morre em 1371, deixando-o herdeiro de seu pai, ele é enviado para Londres[6] . Em 1376 o Príncipe negro morre da doença que o assolava. Os membros da câmara dos comuns do Parlamento recearam então que o tio de Ricardo, João de Gante quisesse usurpar o trono[nota 1] . É por essa razão que Ricardo é rapidamente investido com os títulos de seu pai, principalmente com o de príncipe de Gales[7] . A 22 de junho do ano seguinte, Eduardo III morre, e Ricardo é coroado rei de Inglaterra (16 de julho de 1377) com apenas dez anos[8] . Mais uma vez, é o receio em João de Gante e suas ambições de poder que orientam a decisão dos responsáveis políticos, e a ideia de uma regência dirigida pelo tio do rei é posta de lado[9] [10] . Em vez de deixar o jovem rei exercer o seu poder, é decidido instaurar uma série de «conselhos contínuos», dos quais João de Gand é excluído[3] . Este último tem, juntamente com o seu irmão mais novo Tomás de Woodstock, conde de Buckingham, uma grande influência informal nas decisões do governo[11] . Mas são os conselheiros e amigos do rei, principalmente Simão de Burley e Aubrey de Vere, que pouco a pouco ganham o controlo dos assuntos reais com petições submetidas ao rei, provocando a desconfiança dos membros da Câmara dos comuns.

Educação[editar | editar código-fonte]

Poucas informações existem sobre a educação de Ricardo. Entre os seus mentores encontram-se os que eram próximos ao Príncipe negro, tais como Simão de Burley e Guichard d'Angle, ambos nomeados tutores de Ricardo, tal como Ricardo Abberbury, por vezes descrito como o seu "primeiro mestre". A influência real desses homens no futuro rei é objeto de diversas interpretações por parte dos historiadores[3] . Para o historiador Anthony Steel, a escolha dos que eram próximos ao Príncipe negro para a educação de seu filho visava assegurar que este teria uma "formação à imagem de seu pai"[12] , sem realmente atingir o objetivo que se esperava. Por seu lado, Richard H. Jones sugere que Simão de Burley pôde influenciar a visão de monarquia absolutista de Ricardo, iniciando-o nas escrituras de Gilles de Roma.

Hostilidades com a França[editar | editar código-fonte]

Ataques de Jean de Vienne e do almirante castelhano Fernando Sánchez de Tovar contra a Inglaterra (13741380).

No fim do seu reinado, o rei Eduardo III assinou uma trégua com Carlos V, rei da França. Quando essa trégua chega ao seu termo, Carlos V não pretende renová-la, e o início do reinado de Ricardo II fica então marcado pela retoma das ofensivas dos franceses, que saqueiam as costas da Inglaterra. A Inglaterra gozava ainda de posses no território francês, tais como Calais e Bordéus, e mantinha um tratado com o ducado da Bretanha que lhe permitia colocar tropas nos grandes portos da Bretanha e Normandia (Brest e Cherbourg)[13] .

Para financiar a defesa das posições inglesas no continente, assim como operações militares em França e salvaguardar as fronteiras escocesas, o governo reclama com regularidade fundos suplementares que são obtidos sob a forma de taxas. Além de que as expedições não têm sucesso: o exército inglês, recém-chegado à Bretanha no dia seguinte à morte de Carlos V e vendo o duque da Bretanha reconciliar-se com a coroa francesa e submeter-se ao novo rei Carlos VI, é forçado a regressar à Inglaterra[14] . O fardo cada vez mais pesado constituído pelos três impostos comunitários, entre 1377 e 1381, para financiar expedições infrutíferas, contribuíram para o descontentamento da população[15] e para o desenvolvimento de um forte ressentimento no seio da sociedade inglesa para com a classe dirigente[16] .

Adolescência[editar | editar código-fonte]

A revolta dos camponeses[editar | editar código-fonte]

Ricardo II olhando para a morte de Wat Tyler e falando para os camponeses. Imagem retirada do manuscrito de Gruuthuse de Jean Froissart, nas suas Crónicas (c. 1475).

Bem que os impostos de 1381 sejam a causa direta da revolta dos camponeses, esse conflito tem a sua verdadeira origem nas profundas tensões existentes entre proprietários e camponeses. Essas tensões estão principalmente ligadas às consequências demográficas da peste que assolou o país por diversas vezes[3] . Nessa época de descrédito da Igreja por causa do Grande Cisma do Ocidente, pregadores lollardos fazem campanhas espalhando os pensamentos de igualdade de John Wyclif - que ali encontram eco. Desde Eduardo II, que a população foi massivamente treinada no manuseamento do arco longo e da besta, possuindo assim os meios necessários para executar ações militares[17] .

A rebelião começa em finais do mês de maio em Brentwood, no condado de Essex, e depois em Kent. A 12 de junho, camponeses juntam-se em Blackheath, perto de Londres, liderados por Wat Tyler, John Ball e Jack Straw[desambiguação necessária]. Acabam por entrar em Londres onde alguns habitantes aderem aos seus ideais. O hotel de Savóia de João de Gante fica reduzido a cinzas e numerosos juristas são mortos[18] . Os rebeldes reclamam a abolição total da servidão, o que seria uma verdadeira revolução no Inglaterra medieval[19] . O rei e os seus conselheiros refugiam-se na torre de Londres. Chegam à conclusão que são incapazes de dominar a rebelião pela força, pelo que se preparam para negociar[20] .

Não se sabe exatamente a que ponto Ricardo, com apenas catorze anos, interveio nas deliberações, embora alguns historiadores sugiram que tenha contribuído de forma ativa[3] . A 13 de junho o rei tenta sair da torre pelo rio mas a multidão presente em Greenwich torna impossível qualquer saída da água, e tem de regressar por onde veio[21] . No dia seguinte (sexta-feira, 14 de junho), sai a cavalo e encontra os rebeldes em Mile End[22] [23] . O rei aceita então todas as exigências dos rebeldes, prometendo inclusive amnistiá-los se aceitassem voltar para as suas casas, mas isso só os encoraja e continuam a campanha de pilhagem e assassinatos[24] [25] . Aproveitando a ausência do rei, os rebeldes que ficaram em Londres tomam de assalto a torre de Londres e matam o lorde chanceler, o arcebispo de Cantuária Simon Sudbury e o tesoureiro Robert de Hales, assim como outros membros do governo[26] . Ricardo encontra-se com Wat Tyler no dia seguinte em Smithfield[desambiguação necessária] e repete que os desejos dos rebeldes serão executados, mas o líder rebelde não fica convencido da sinceridade do rei. Os homens do rei mantém-se recalcitrantes em aplicar todas as vontades dos rebeldes. Explode uma altercação e Guilherme Walworth empurra Tyler de seu cavalo e mata-o[27] . A situação torna-se tensa quando os rebeldes tomam conhecimento do que se passou, mas o rei age com calma e, dizendo «Eu sou o vosso capitão, sigam-me!», afasta a multidão da cena do crime.[nota 2] . Entretanto, Walworth reúne uma força militar para rodear o exército rebelde, mas o rei pede clemência e permite que os rebeldes se dispersem e que regressem a suas casas[28] .

Inícios políticos[editar | editar código-fonte]

Só com a revolta dos camponeses é que Ricardo começa a ser mencionado de forma significativa nos anais[29] . A 20 de janeiro de 1382[3] , casa-se com Ana da Boêmia, filha de Carlos IV, rei da Boêmia e imperador do Sacro-Império romano-germânico, e de Elisabeth de Pomerania[30] [nota 3] . Esse casamento tem um significado diplomático, porque nestes tempos em que a Europa está dividida pelo Grande Cisma do Ocidente, a Boêmia e o Sacro Império romano-germânico são potenciais aliados para a Inglaterra na guerra dos Cem Anos frente à França[nota 4] . Todavia, esse casamento não é muito popular em Inglaterra. Apesar de tudo, a aliança política não leva a nenhuma vitória militar[31] ,e Ana morre em 1304 sem deixar herdeiros a Ricardo[32] .

Michael de la Pole interveio nas negociações para o casamento[3] ; tem a confiança do rei e começa a ganhar peso na corte e no governo à medida que Ricardo tem idade para governar. Esse filho de comerciantes ambiciosos[nota 5] foi nomeado Lord Chanceler por Ricardo (1383), e dois anos depois conde de Suffolk, o que aborrece a nobreza da época[33] . Outro próximo ao rei foi Roberto de Vere, conde de Oxford, sobrinho de Aubrey de Vere. Surge como o favorito do rei nesse tempo. A linhagem de De Vere, bem que muito antiga, é relativamente modesta no seio da nobreza inglesa[34] e a sua amizade com o rei também não é muito apreciada pelos outros nobres. Esse descontentamento é realçado pela nomeação em 1386 de De Vere a duque da Irlanda[35] . O cronista Thomas Walsingham sugere que a relação entre o rei e De Vere é de natureza homossexual[36] .

Carta histórica do Grande Cisma do Ocidente.
  Estados que reconhecem o papa de Roma
  Estados que reconhecem o papa de Avignon
  Estados que mudaram de obediência durante o cisma

O conflito franco-inglês ainda está vivo: a frota franco-castelhana ameaça regularmente as costas inglesas. João de Gante vê ali a ocasião para fazer valerem as suas pretensões reais em Espanha. Conta com a ajuda do rei de Portugal para uma coalizão anglo-arago-portuguesa e levar uma expedição a Castela. Pede 60000 libras ao parlamento sublinhando que tal permitiria colocar um fim aos raides franco-castelhanos que perturbam o comércio no Canal da Mancha[37] . Consegue de Urbano VI que essa expedição seja considerada como uma cruzada contra o rei clementista de Castela. O parlamento recusa por duas razões: a saída do homem forte do país logo após a revolta dos camponeses é considerada arriscada e parece mais adequado investir numa cruzada em Flandres para defender os interesses comerciais ingleses contra o avanço francês que representa o casamento de Filipe II de Bourgogne com Margarida III de Flandres: o homem forte do reino da França é o herdeiro do condado[37] .

Enquanto que a vontade da corte é a de negociar, João de Gante e Thomas de Woodstock fazem pressão para que se organize uma campanha militar de grande escala para proteger as posses inglesas em França[3] . Surge uma oportunidade, com uma provável revolta na Flandres. A eventualidade do derrube do conde Luís de Male durante a revolta é vista com bons olhos em Inglaterra, mesmo com a demora em intervir. Pois é extremamente delicado para o governo inglês apoiar uma rebelião quando acabara de terminar uma em Inglaterra. O jovem Carlos VI entra rapidamente em guerra, enviando as suas tropas para a Flandres: esmaga a rebelião na batalha de Roosebeke, mas ainda tem de tratar de cidades rebeldes francesas, começando por Paris, dando o exemplo de Flandres[38] . O parlamento, preocupado com Calais, acaba por concordar com uma expedição. É de fato enviada uma cruzada urbana (o controlo de Bruges é importante para os dois papas, pois o produto fiscal do pontificado na Europa do Norte transita por ali[39] ), levado por Henrique le Despencer, bispo de Norwich, e financiado com indulgências[3] . Os ingleses aproveitam da retirada de Carlos VI para tomarem as cidades de Bourbourg, Bergues e Gravelines[40] . A expedição torna-se um fracasso quando os franceses planeiam uma contra-cruzada clementista e juntam um exército em Arras. O bispo de Norwich tem de regressar, e pedem-lhe contas. É-lhe instaurado um processo de impeachment[41] .

Perante essa derrota no continente, Ricardo volta-se contra o aliado da França: a Escócia. Em 1385 o rei chefia uma expedição ao norte, mas sem sucesso, e o seu exército regressa sem sequer enfrentar as forças da Escócia[42] . Entretanto, os escoceses reforçados por forças francesas chefiadas por João de Vienne devastam Northumberland[43] . Ao mesmo tempo, uma simples revolta em Gand impede a invasão francesa a sul da Inglaterra[44] . As relações entre Ricardo e o seu tio deterioram-se rapidamente. A vitória portuguesa em Aljubarrota sobre os castelhanos abre nova perspectiva a João de Gante e dá ao rei de Inglaterra a oportunidade de afastar o seu poderoso tio. A 8 de março de 1386 Ricardo II reconhece-o como rei de Castela, ficando a seu cargo conquistar esse reino[41] . Enquanto circulam rumores de uma conspiração contra a sua pessoa, a 9 de julho João de Gante deixa a Inglaterra, encabeçando 7000 homens[3] . Com a sua partida, Thomas de Woodstock, novo duque de Gloucester, e Richard FitzAlan, 11º conde de Arundel, tornam-se os líderes não oficiais dos opositores ao rei[3] .

Intervenção dos Lords Appellant[editar | editar código-fonte]

Roberto de Vere escapando da batalha de Radcot Bridge (Froissart).

Enviando uma expedição para Castela, a Inglaterra arrisca provocar um grande conflito com a França. Carlos VI aproveita a ocasião para preparar um exército forte, e em 1386 a ameaça de uma invasão francesa ganha força. Mas nunca teve lugar, graças ao conselho do duque de Berry, tio do rei de França[45] . Nesse ano, em outubro, no decurso de uma sessão parlamentar, Michael de la Pole, conde de Suffolk - e enquanto Lord Chanceler - pede uma taxação de um nível sem precedentes, de forma a assegurar a defesa do reino[46] . Mas o parlamente pede a demissão do chanceler como condição para responder a qualquer pedido[47] . Assume-se que essa assembleia, que será conhecida sob o nome de «admirável parlamento», trabalhava com o apoio de Woodstock e FitzAlan[3]  · [48] . O rei rejeita essa condição[49] . Só quando ele é ameaçado de destituição é que o rei é forçado a aceitar, deixando sair de la Pole[50] . Este é julgado e condenado sob diversas acusações, incluindo a de má utilização dos fundos ou por fraude[51] . Durante um ano, uma comissão é encarregada de rever e controlar as finanças reais[52] .

Ricardo está profundamente perturbado por essa afronta feita à sua autoridade real. De fevereiro a novembro de 1387, lança-se numa grande campanha no país para obter apoio[53] . colocando Roberto de Vere como juiz de chester, coloca as fundições para um poder militar leal no condado de Cheshire[54] . Assegura também a legitimidade de Robert Tresilian, juiz em chefe, que apoia o rei na ideia de que o parlamento agiu na ilegalidade e com traição[55] .

De regresso a Londres, o rei é confrontado com as acusações de Woodstock, FitzAlan e Tomás Beauchamp, acusando de traição[nota 6] de la Pole, de Vere, Tresilian, Nicolas Brembre e Alexandre Neville, o arcebispo de York[56] . Acusam-nos principalmente de terem aconselhado o rei a dar Calais à França. Essas acusações não parecem ter fundamentos, mas permite aos opositores ao rei obter o apoio do povo, que não aprecia alguns dos favoritos do rei e é inclinada a acreditar nessa acusações[57] . Ricardo procura ganhar tempo com negociações, aguardando a chegada de De Ver vindo de Cheshire com reforços militares[58] . Os três condes unem as suas forças a Henrique, conde de Derby, filho de João de Gante e futuro rei de Inglaterra, e a Tomás de Mowbray, conde de Nottingham - esse grupo é conhecido sob o nome de "Lords Appellants". A 20 de dezembro de 1387 eles intercetam de Vere na batalha de Radcot Bridge, e obrigam-no a abandonar o país[59] .

Ricardo não tem então mais recursos e tem de aceitar os pedidos dos seus opositores. Brembre e Tresilian são condenados e executados, enquanto que de Vere e de la Pole - que também ele deixou o país - são condenadas a morte à revelia.[nota 7] . Mas os appellants vão mais longe: cavaleiros do rei são também executados, entre os quais Burley[60] . Conseguem assim quebrar na íntegra o círculo de favoritos do rei[3] .

Regresso à autoridade real[editar | editar código-fonte]

Conflito com a França[editar | editar código-fonte]

Nos meses seguintes, Ricardo restabelece, pouco a pouco, alguma autoridade real graças a três fatores. Primeiramente, falha a política agressiva externa levada a cabo pelos "Lords Appellants". Os seus esforços na construição de uma coligação contra a França não leva a nada e o Norte da Inglaterra é vítima de uma incursão escocesa.[61] . Depois, Ricardo tem agora 21 anos de idade e pode agora confiantemente reclamar o direito de governar por si mesmo[62] . Finalmente, em 1389 João de Gante regressa a Inglaterra e uma vez as suas diferenças com o rei resolvidas, o velho homem de Estado age como moderador com os políticos ingleses[63] . Em França, o jovem Carlos VI que também estava sob a tutoria dos seus tios, acabara de tomar o poder. Ricardo inspira-se nele e a 3 de maio de 1389, dispensa os seus tutores[64] . Insistindo no fato de que as suas ações passadas foram unicamente determinadas pelos maus conselhos, substituiu os principais membros do governo. Tem no entanto cuidado na escolha, elegendo homens em quem os seus inimigos têm alguma confiança para não os preocupar[65] . Desenha uma política diferente da de os appellants, procurando a paz e a reconciliação com a França, e promete que tal permitirá aliviar o fardo das taxas que pesa sobre o povo inglês[62] . Governa em paz durante oito anos seguidos, tendo-se reconciliado com os adversários de outrora.[3] . Os eventos futuros mostrarão que ele não esqueceu o passado, principalmente a execução de Simão de Burley, algo que lhe é difícil esquecer[66] .

Apesar de Carlos VI e seus conselheiros (ligados ao papa de Avignon[67] ) desejarem também a paz, há motivos para a tensão com a França. Em 1390 Carlos VI quer iniciar uma cruzada em Itália para colocar um ponto final no Grande Cisma, instalando Clemente VII em Roma, e para tomar Nápoles para o seu primo Luís II de Anjou, em conflito com Angevins da Hungria[68] .

Por um lado, a Inglaterra está sob a obediência do papa de Roma, e por outro lado o controlo da Provence e o sul da Itália passaria para os Valois. O irmão do rei de França, Luís de Orléans, casado com Valentine de Visconti, vê ali a oportunidade em criar nos Estados papais um principiado à medida de suas ambições, e negocia o apoio do seu sogro (Luís I de Orléans) nessa expedição. Ricardo II intervém e indica que se o exército francês parte para a Itália, o exército inglês atravessará a Mancha[69] . Isso coloca um fim aos projetos de Carlos VI. Homens tais como Léon da Arménia ou Filipe de Mézières usam as suas influências dos dois lados da Mancha para obterem a paz e uma cruzada comum contra os turcos. O encontro entre os representantes de Clemente VII e de Léon da Arménia, que devem selar uma reconciliação com uma cruzada, deverá ter lugar em Amiens, na quaresma de 1392. A 31 de março João de Gante encontra-se com o rei de França e pede-lhe que mantenha Calais, o condado de Poitou e o ducado de Guyenne (os ingleses só controlam Bordéus na Aquitânia quando tinham obtido um terço do reino de França pelo Tratado de Brétigny) e que seja pago o resgate de João o Bom.

Uma vez restabelecida a estabilidade política, Ricardo começa a negociar uma paz duradoura com a França. Uma proposta de 1393 oferece à Inglaterra a posse da Aquitânia. Contudo, a condição de que o rei de Inglaterra deveria render homenagem ao rei de França não era aceitável para o povo inglês[70] . As negociações para a paz podem terminar quando Carlos VI apresenta os seus primeiros sintomas de loucura, deixando o governo francês numa situação de desconforto. Mas Ricardo decide não se aproveitar desses acontecimentos e assina uma primeira trégua, que deverá ser seguida por outras negociações[71] . Enquanto que procura a paz com a França, Ricardo tem uma aproximação diferente com a Irlanda. Os territórios sob domínio inglês são ameaçados, e os senhores anglo-irlandeses pedem a intervenção do rei[72] . A trégua com a França fornece uma boa oportunidade para intervir na Irlanda, onde a coroa inglesa tem muito pouca influência. A 7 de junho de 1394 a rainha Ana morre. Esse evento afeta profundamente Ricardo[73] . Por fim, em outono de 1394, Ricardo parte para a Irlanda, onde fica até maio de 1395. O seu exército, composto por 8000 homens, é a maior força desembarcada na ilha[74] . A campanha é frutífera e numerosos chefes de clãs irlandeses submetem-se à soberania inglesa[75] . Essa operação é um dos maiores feitos do reinado de Ricardo, e contribui para reforçar a popularidade do rei em Inglaterra, mesmo que a consolidação da posição inglesa na Irlanda seja de curta duração[3] . Com o seu regresso, Ricardo retoma as negociações com a França. Em 1396 é assinada uma trégua de 28 anos[76] [77] , estando bloqueados os acordos para uma eventual paz devido à visão dos dois países sobre a cidade de Calais[78] . Esse tratado engloba o casamento de Ricardo com Isabel de Valois, filha de Carlos VI de França. Alguns receios envolvem esse casamento, pois a princesa só tem seis anos e não poderá dar um herdeiro durante alguns anos[nota 8] .

João de Gante esteve no centro da política inglesa durante mais de trinta anos, e a sua morte em 1399 conduziu à insegurança.

Últimos anos[editar | editar código-fonte]

No final dos anos de 1390, começa o período do reino de Ricardo II que os historiadores qualificam de "tirânico"[79] . Após todo um longo reinado a compensar os seus inimigos, Ricardo reabilita os que outrora o apoiaram, nomeadamente chamou da Irlanda os juízes que afirmaram o seu direito a governar sozinho. A maioria dos outros exilados morreram no exílio, como Roberto de Vere, cujo corpo Ricardo manda repatriar para que seja enterrado na Inglaterra[80] . O Parlamento de 1397 abre-se sobre a proposta do rei em acompanhar Carlos VI na sua campanha em Itália, para selar a amizade com a França[81] . As Comunas, que não vêm com bons olhos essa campanha, redigem uma petição mostrando nomeadamente as grandes despesas reais. O rei, humilhado com o que ele considera como uma afronta às suas perrogativas, rejeita o conteúdo dessa petição[82] . O rei prende Woodstock, FitzAlan e Beauchamp em julho de 1397. Não se conhece muito bem as razões dessa detenção: mesmo que uma crónica sugere uma conspiração contra o rei, nenhum indício o confirma[83] . Talvez seja mais provável que Ricardo, sentindo-se mais forte, tenha decidido vingar-se dos acontecimentos de 1386-88 e eliminar eventuais inimigos[84] . durante a sessão parlamentar de setembro de 1397, FitzAlan é o primeiro a ser colocado à prova. Após uma discussão com o rei, é condenado e executado[85] . Quando é a vez de Tomás Woodstock, o conde de Nottingham anuncia a morte deste quando era seu prisioneiro em Calais. É provável que ricardo tenha encomendado a morte de Woodstock, evitando assim a execução de um príncipe de sangue[86] . Tomás Beauchamp é também condenado a morte, mas a sua vida é poupada e é exilado. Tal também acontece com o irmão de FitzAlan, Tomás Arundel, arcebispo da Cantuária[87] . As perseguições de Ricardo passam para a província. Enquanto se assegura de novos apoiantes em vários condados, também trata das diferentes instâncias locais que foram leais aos appellants. As multas que esses homens recebem trazem boas quantias para a coroa, mas para os cronistas, a legalidade desses procedimentos são incertos[3] . Mas ainda persiste uma ameaça à autoridade de Ricardo: a Casa de Lencastre, representados por João de Gante e o seu filho Henrique de Bollingbroke, o conde de Derby. Os Lencastre não são apenas a família mais rica da Inglaterra, mas também de linhagem real, candidatos à sucessão de Ricardo, que não tem filhos[88] . Em dezembro de 1397 explode uma briga no círculo fechado da corte, entre Henrique e Tomás Mowbray - que se tornaram respectivamente duque de Hereford e duque de Norfolk[89] . Segundo Henrique, Mowbray teria declarado que ambos poderiam pretender a sucessão ao trono, como antigos "Lords Appllants". Mowbray nega ter tido esses propósitos, vistos como traição[90] . Um comité parlamentar decide que deverão resolver o problema através de um duelo mas, no último momento, Ricardo escolhe exilá-los: Tomás Mowbray por toda a vida, e Henrique de Bollingbroke por um período de dez anos[91] . A 3 de fevereiro de 1399, João de Gante morre. Em vez de colocar Henrique como seu herdeiro, Ricardo prolonga o seu exílio indefinidamente e deserda-o[92] . Sente-se então mais seguro, com Henrique a viver em Paris. Todavia os franceses, que se interessam por tudo o que possa perturbar Ricardo e a sua política de paz, não acolheram Henrique por acaso[93] . Em maio, Ricardo deixa o país para uma nova expedição à Irlanda[94]

Destituição e morte[editar | editar código-fonte]

Ricardo, detido por Henrique Percy, conde de Northumberland (Froissart).

Em junho de 1399, Luís de Valois, Duque d'Orleães toma o controlo da corte de Carlos VI de França, agora louco. A política de "aproximação" com a coroa inglesa não convém às ambições políticas de Luís. É por isso que julga oportuno deixar Henrique de Bollingbroke regressar à Inglaterra[95] . Com um pequeno grupo de ajudantes, Henrique desembarca em Ravenspurn, em Yorkshire, no final do mês de junho de 1399[96] . Homens vindos dos quatro cantos do país aliam-se a ele. Quando encontra Henrique Percy, conde de Northumberland, que tem os seus desacordos com o rei, Bollingbroke menciona bem que o seu único objetivo é o de recuperar os seus bens. Percy decide não se meter nisso[97] . A maioria dos cavaleiros e homens de confiança do rei seguiram-no para a Irlanda, e Henrique não encontra muita resistência ao longo da sua campanha a sul. Edmundo de Langley, duque de York, encarregado da proteção do reino durante a ausência do rei não tem outra solução que não seja a de tomar o partido de Henrique[98] . Entretanto, o regresso de Ricardo da Irlanda sofre atrasos e só desembarca no país de Gales após o 23 de julho[99] . Dirige-se então para Conwy onde, a 12 de agosto, encontra o conde de Northumberland para negociar[100] . Uma semana mais tarde, Ricardo II rende-se a Henrique no castelo de Flint, com a promessa da vida salva[101] . Os dois homens entram então em Londres, o rei prisioneiro atrás de Henrique. À sua chegada a 1 de setembro, é encarcerado na torre de Londres[25] [102] .

Henrique está agora firmemente obstinado em subir ao trono, mas tem de justificar essa ação[3] . Diz-se muitas vezes que Ricardo, pela sua tirania e mau governo, se tornou ele mesmo indigno em ser rei.[103] . Todavia Henrique não é o melhor colocado na ordem de sucessão ao trono; o herdeiro é na verdade Edmundo Mortimer, que descende do segundo filho de Eduardo III, Leonel de Antuérpia. O pai de Henrique, João de Gante, é apenas o terceiro filho de Eduardo III[104] . Henrique soluciona o problema sublinhando o fato de ser descendente de uma linhagem "masculina" direta enquanto que Mortimer é herdeiro do lado de sua avó[nota 9] . Oficialmente, é a 29 de setembro que Ricardo aceita voluntariamente ceder a coroa a Henrique[105] . Bem que tal seja pouco provável, o Parlamento reunido a 30 de setembro aceita a demissão de Ricardo. Henrique é coroado Henrique IV de Inglaterra a 13 de outubro[106] . O destino de Ricardo após a sua destituição não é muito clara. Ele fica na torre de Londres antes de ser levado para o castelo de Pontefract, pouco tempo antes do fim da guerra[107] . Apesar do rei Henrique ter-lhe prometido a vida, rapidamente essa opção é posta de lado quando os condes de Huntingdon, Kent, Somerset e Rutland - retirados das posições que Ricardo lhes dera - começam a conspirar o assassínio do novo rei para recolocar Ricardo no poder[108] . Bem que tenha sido antecipada, essa conspiração mostra os riscos para Henrique caso este deixasse Ricardo com vida. Ricardo morre captivo, por volta do 14 de fevereiro de 1400, embora existam dúvidas quanto à data exata e à causa real de sua morte[3] . A 17 de fevereiro o corpo é levado para a catedral de Saint-Paul, antes de ser enterrado na igreja de Kings Langley, a 6 de março.

Em 1413, Henrique V decide deslocar o corpo de Ricardo para a sua última morada, na Abadia de Westminster. Ali, Ricardo tinha ele mesmo preparado um túmulo onde já se encontrava o corpo de sua esposa Ana[109] .

Notas

  1. Edmond de Langley, irmão de João de Gante, tinha apenas um ano a menos, mas era considerado «limitado», e não interveio tanto no governo quanto João.
  2. Alguns historiadores acham que o incidente que levou à morte de Wat Tyler fora planeado para terminar com a rebelião.
  3. O casamento foi aceite a 2 de maio de 1381. Saul (1997), p. 87.
  4. A Inglaterra e o Sacro-Império Romano-Germânico reconhecem o papa Urbano VI em Roma enquanto que os franceses reconhecem Clemente VII em Avignon.
  5. Diz-se dele, no Parlamento, que foi « elevado de pequeno proprietário ao de conde».
  6. A palavra appeal tem origem nos «Lords Appellants», designando uma acusação criminal na lei medieval, muitas vezes uma traição.
  7. Alexandre Neville, como homem da Igreja, é privado de seus bens, também à revelia. Saul (1997), p. 192–3.
  8. De fato não houve nenhum herdeiro, pois Ricardo morreu quatro anos depois. McKisack (1959), p. 476.
  9. Bem que a tradição seja de transferir os condados pela linhagem masculina, não existe nenhuma tradição para a sucessão ao trono de Inglaterra. Existe um precedente em França onde as pretensões ao trono de França pelo rei de Inglaterra foram invalidadas pois passavam pela linhagem feminina, o que está na origem da guerra dos Cem Anos.

Referências

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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