Ricardo II de Inglaterra

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Ricardo II
Rei da Inglaterra e França
Lorde da Irlanda e Príncipe de Chester
Rei da Inglaterra
Reinado 21 de junho de 1377
a 30 de setembro de 1399
Coroação 16 de julho de 1377
Predecessor Eduardo III
Sucessor Henrique IV
Esposas Ana da Boêmia (1382–1394)
Isabel de Valois (1396–1400)
Casa Plantageneta
Pai Eduardo, o Príncipe Negro
Mãe Joana de Kent
Nascimento 6 de janeiro de 1367
Palácio do Arcebispo, Bordéus, Ducado da Aquitânia
Morte c. 14 de fevereiro de 1400 (33 anos)
Castelo de Pontefract, Pontefract, West Yorkshire, Inglaterra
Enterro Abadia de Westminster, Londres, Inglaterra
Assinatura

Ricardo II (Bordéus, 6 de janeiro de 1367Pontefract, c. 14 de fevereiro de 1400) foi o Rei da Inglaterra de 1377 até ser deposto em 1399. Filho de Eduardo, o Príncipe Negro e Joana de Kent, Ricardo nasceu durante o reinado de seu avô Eduardo III. Se tornou o segundo na linha de sucessão aos quatro anos após a morte de seu irmão mais velho. Ricardo virou o herdeiro aparente do avô quando seu pai morreu em 1376. Eduardo III morreu no ano seguinte e Ricardo ascendeu ao trono com apenas dez anos.

Seu governo ficou nas mãos de uma série de conselhos durante os primeiros anos de reinado. A comunidade política preferia esse modelo de governo ao invés de uma regência liderada por seu tio João de Gante, que mesmo assim permaneceu muito influente. O primeiro grande desafio do reinado foi a Revolta Camponesa de 1381. O jovem Ricardo teve um grande papel na supressão da crise. Entretanto, nos anos seguintes a dependência do rei em um pequeno número de cortesãos levou a um descontentamento na comunidade política, com o controle governamental sendo tomado em 1387 por um grupo de nobres conhecidos como Lordes Apelantes. Ricardo reconquistou o controle por volta de 1389 e governou com relativa harmonia pelos oito anos seguintes.

Ele se vingou dos apelantes em 1397, com muitos sendo executados ou exilados. Os dois anos seguintes foram descritos por historiadores como a "tirania" de Ricardo. Em 1399, depois da morte de João de Gante, o rei deserdou o primo Henrique de Bolingbroke, que anteriormente havia sido exilado. Henrique invadiu a Inglaterra em junho com uma pequena força que rapidamente cresceu. Afirmando que seu objetivo era apenas reconquistar seu patrimônio, ficou logo claro que ele planejava reivindicar o trono para si mesmo. Encontrando pouca resistência, Henrique depôs Ricardo e se corou como Henrique IV. Ricardo morreu em cativeiro no ano seguinte, acredita-se de fome, apesar de seu destino final ainda ser debatido.

Ricardo foi descrito como alto, bonito e inteligente. Mesmo provavelmente não sendo insano, como historiadores antigos costumavam acreditar, Ricardo pode ter sofrido de um transtorno de personalidade por volta do final de seu reinado. Um guerreiro menos habilidoso que seu pai e avô, ele tentou encerrar a Guerra dos Cem Anos iniciada por Eduardo III. Acreditava firmemente na prerrogativa real, algo que o fez restringir o poder de sua nobreza, e dependia de um séquito particular para sua proteção. Ricardo também cultivava uma atmosfera polida que o colocava como uma figura elevada, com as artes e a cultura no centro, ao invés da corte fraternal e marcial de Eduardo III.

Sua reputação posterior foi muito moldada por William Shakespeare, cuja peça Ricardo II mostra sua má administração e deposição como responsáveis pela Guerra das Rosas. Historiadores atuais não aceitam tal interpretação, apesar de não exonerarem Ricardo da responsabilidade de sua própria deposição. Muitos concordam que, mesmo com suas políticas não sendo sem precedentes ou inteiramente irrealistas, o modo como foram executadas era inaceitável para o sistema político, levando à sua queda.

Início de vida[editar | editar código-fonte]

Manuscrito mostrando Eduardo, o Príncipe Negro, ajoelhando-se perante seu pai Eduardo III.

Ricardo era o filho mais novo de Eduardo de Woodstock, o Príncipe Negro, e Joana de Kent. Eduardo era filho do rei Eduardo III e o herdeiro aparente do trono inglês, tendo se destacado como comandante militar durante o início da Guerra dos Cem Anos, particularmente em 1356 na Batalha de Poitiers. Entretanto, depois de outras aventuras militares ele acabou pegando disenteria na Espanha em 1370. Ele voltou para a Inglaterra, porém nunca se recuperou totalmente.[1] Joana de Kent foi o centro de uma disputa matrimonial entre Tomás Holland, 1.º Conde de Kent, e Guilherme de Montagu, 2.º Conde de Salisbury, da qual Holland emergiu vitorioso. Ele morreu em 1360 e menos de um ano depois ela casou-se com o príncipe Eduardo. Já que era neta do rei Eduardo I e prima de Eduardo III, o casamento precisava de uma aprovação papal.[2]

Ricardo nasceu em 6 de janeiro de 1367 no Palácio do Arcebispo, Bordéus, Ducado da Aquitânia. De acordo com fontes contemporâneas, três reis estavam presentes – "o Rei de Castela, o Rei de Navarra e o Rei de Portugal".[3] Essa anedota, e o fato de seu nascimento ter ocorrido no feriado da Epifania do Senhor, foram posteriormente usadas no Díptico de Wilton, onde Ricardo é um de três reis prestando homenagem à Virgem com o Menino Jesus.[4] Seu irmão mais velho Eduardo de Angoulême morreu em 1371, com Ricardo assim tornando-se herdeiro do pai.[5] O Príncipe Negro finalmente sucumbiu a sua longa doença em 1376. A Câmara dos Comuns temeu que João de Gante, 1.º Duque de Lencastre e tio de Ricardo, usurpasse o trono.[nota 1] Por essa razão, Ricardo rapidamente foi investido como Príncipe de Gales e com os outros títulos de seu pai.[7]

Eduardo III morreu em 21 de junho do ano seguinte e Ricardo ascendeu ao trono com apenas dez anos, sendo coroado rei em 16 de julho de 1377.[8] Temores sobre a ambição de João de Gante novamente influenciaram as decisões políticas e uma regência liderada pelos tios do jovem rei foi evitada.[9] Ao invés disso, Ricardo exerceria o poder nominalmente com o auxílio de uma série de "conselhos contínuos" dos quais João foi excluído. Ele e seu irmão Tomás de Woodstock, 1.º Conde de Buckingham, ainda assim exerceram grande influência informal nos assuntos de governo. Contudo, os conselheiros e amigos do rei, particularmente sir Simão de Burley e Roberto de Vere, 9.º Conde de Oxford, cada vez mais ganharam o controle dos assuntos reais e adquiriram a desconfiança dos comuns a ponto de serem excluídos em 1380.[3] Contribuindo para o descontentamento estava um fardo cada vez mais pesado de tributação cobrada através de três impostos individuais cobrados entre 1377 e 1381 e que foram gastos em expedições militares mal sucedidas no continente.[10] Por volta de 1381, havia um profundo ressentimento nas classes mais baixas da sociedade inglesa contra as classes governantes.[11]

Revolta Camponesa[editar | editar código-fonte]

Ricardo assiste à morte de Wat Tyler e dirige-se aos camponeses no fundo, c. 1475.

Apesar do imposto individual de 1381 ter sido o estopim da Revolta Camponesa, a raiz do conflito estava nas tensões entre os camponeses e os donos de terra, precipitada pelas consequências demográficas e econômicas da Peste Negra e os subsequentes surtos da peste.[3] A rebelião começou no final de maio em Kent e Essex, com bandos de componeses reunidos em Blackheath, perto de Londres, no dia 12 de junho sob os líderes Wat Tyler, John Ball e Jack Straw. O Palácio de Savoy de João de Gante foi queimado. Os rebeldes mataram Simão Sudbury, o Arcebispo da Cantuária e Lorde Chanceler, e também Roberto Hales, o Lorde Alto Tesoureiro,[12] exigindo a completa abolição da servidão.[13] Protegido na Torre de Londres com seus conselheiros, Ricardo concordou que a coroa não possuia as forças para dispersar os rebeldes e que a única opção viável era negociar.[14]

Não está claro o quanto Ricardo, que tinha na época apenas catorze anos, esteve envolvido nessas deliberações, apesar de historiadores sugerirem que ele estava entre os proponentes das negociações.[3] O rei partiu da Torre pelo rio Tâmisa em 13 de junho, porém as multidões nas margens em Greenwich impediram seu desembarque e o forçaram a retornar.[15] Ele partiu no dia seguinte a cavalo e encontrou-se com os rebeldes em Mile End.[16] Ricardo concordou com as exigências dos rebeldes, porém isso apenas os animou; eles continuaram com as mortes e saques.[17] Ele encontrou-se com Tyler novamente no dia seguinte em Smithfield e reiterou que as exigências seriam cumpridas, porém o líder rebelde não ficou convencido da sinceridade do rei. Os homens de Ricardo ficaram inquietos e uma briga começou, com Guilherme Walworth, o Lorde Prefeito de Londres, puxando Tyler de seu cavalo e matando-o.[18] A situação ficou ainda mais tensa quando os rebeldes perceberam o que havia acontecido, porém o rei agiu com calma e determinação, dizendo "Eu sou seu capitão, sigam-me!", liderando a multidão para longe do local.[nota 2] Enquanto isso Walworth reuniu uma força para cercar o exército camponês, porém Ricardo foi clemente e permitiu que os rebeldes dispersassem e voltassem para suas casas.[20]

Ricardo logo revogou as cartas de liberdade e perdão que havia concedido; enquanto as perturbações cresciam em outras partes do reino, ele pessoalmente foi para Essex suprimir a rebelião. O rei derrotou os últimos rebeldes em 28 de junho em Billericay com um pequeno confronto que efetivamente encerrou a Revolta Camponesa.[13] Apesar da tenra idade, Ricardo demonstrou grande coragem e determinação ao lidar com a rebelião. Entretanto, é provável que os eventos tenham marcado nele os perigos da desobediência e ameaças à autoridade real, ajudando a moldar suas atitudes absolutistas que posteriormente mostrariam fatais ao seu reinado.[3]

Maioridade[editar | editar código-fonte]

Representação na Liber Regalis do casamento de Ricardo e Ana.

Apenas depois da Revolta Camponesa que Ricardo emergiu claramente nas crônicas.[21] Um de seus primeiros grandes atos após o fim da rebelião foi se casar em 20 de janeiro de 1382 com Ana da Boêmia, filha de Carlos IV, Sacro Imperador Romano-Germânico, e sua esposa Isabel da Pomerânia.[22] O matrimônio tinha significância diplomática: na divisão da Europa causada pelo Grande Cisma do Ocidente, o Sacro Império Romano Germânico e o Reino da Boêmia eram potenciais aliados contra a França na Guerra dos Cem Anos.[nota 3] Mesmo assim, o casamento não foi popular na Inglaterra. Apesar das grandes quantidades de dinheiro entregues ao Império, nenhuma grande vitória militar resultou da aliança.[23] Ainda mais, o casamento não gerou filhos e Ana morreu de peste em 1394, arrasando profundamente seu marido.[24]

Miguel de la Pole, 1.º Barão de la Pole, foi instrumental nas negociações de casamento;[3] ele tinha a confiança de Ricardo e gradualmente envolveu-se mais na corte e no governo enquanto o rei entrava na maioridade.[25] de la Pole vinha de uma arrivista família de comerciantes.[26] A nobreza estabelecida foi antagonizada quando Ricardo o fez Lorde Chanceler em 1383 e lhe deu o título de Conde de Suffolk dois anos depois.[27] Outro membro do círculo próximo ao rei era Roberto De Vere, 9.º Conde de Oxford, que nessa época emergiu como um favorito de Ricardo. Apesar da linhagem de De Vere ser antiga, era modesta no pariato da Inglaterra.[28] A amizade próxima dos dois também foi desagradável para o estabelecimento político. O descontentamento foi exacerbado quando o rei lhe conferiu em 1386 o título de Duque da Irlanda.[29] O crônico Tomás Walsingham sugeriu que a relação de Ricardo e De Vere era homossexual, em parte pelo ressentimento que Walsingham tinha do rei.[30]

As tensões chegaram ao auge sobre a abordagem da guerra contra a França. Enquanto a corte preferia negociações, João de Gante e Tomás de Woodstock queriam uma campanha de grande escala para proteger as possessões inglesas. Ao invés disso, uma pseudo cruzada liderada por Henrique le Despenser, o Bispo de Norwich, foi enviada e falhou totalmente.[3] Com essa derrota no continente, Ricardo virou sua atenção para a Escócia, aliada da França. O rei pessoalmente liderou em 1385 uma expedição punitiva ao norte,[31] porém o esforço levou a nada e o exército teve que voltar sem nunca ter enfrentado os escoceses em batalha.[32] Enquanto isso, um levante em Gante impediu que os franceses invadissem a Inglaterra.[33] A relação de Ricardo com João deteriorou-se, com o tio deixando a Inglaterra em 1386 para perseguir sua reinvindicação ao trono de Castela em meio a rumores sobre uma conspiração contra sua pessoa. Com João longe, a liderança extra-oficial dos crescentes dissidentes contra o rei e seus cortesãos passou para Tomás – que nesta época havia recebido o título de Duque de Gloucester – e Ricardo FitzAlan, 11.° Conde de Arundel.[3]

Primeira crise de 1386–88[editar | editar código-fonte]

Robert De Vere fugindo de Radcot Bridge, c. 1475.

A ameaça de uma invasão francesa não diminiu, ao invés disso cresceu em 1386.[3] No parlamento de outubro, Miguel de la Pole – em sua capacidade como Lorde Chanceler – pediu impostos em um nível sem precedentes para a defesa do reino.[34] Ao invés de consentir, o parlamento respondeu ao recusar-se a considerar qualquer pedido até o chanceler ser retirado do cargo.[35] O parlamento (posteriormente conhecido como o Parlamento Maravilhoso) supostamente estava trabalhando com o apoio de Tomás e FitzAlan.[3] [36] Ricardo notoriamente respondeu afirmando que não mandaria embora nem uma moça de cozinha de seu castelo por causa de um pedido parlamentar.[37] O rei cedeu e deixou de la Pole ir embora apenas quando foi ameaçado de deposição.[38] Uma comissão foi formada para rever e controlar as finanças reais durante um ano.[39]

Ricardo ficou muito perturbado por essa afronta a sua prerrogativa real, viajando pelo país entre fevereiro e novembro de 1387 para reunir apoio a sua causa.[40] Ele começou a trabalhar para criar uma base de poder militar leal em Cheshire ao nomear Roberto De Vere como Justiceiro de Chester.[41] O rei também garantiu um governo legal de Roberto Tresilian, Chefe Justiceiro, afirmando que a conduta do parlamento havia sido tanto ilegal quanto traiçoeira.[42]

Ricardo foi confrontado por Tomás de Woodstock, Ricardo FitzAlan e Tomás de Beauchamp, 12.º Conde de Warwick, ao voltar para Londres, com os três trazendo um apelo[nota 4] de traição contra de la Pole, De Vere, Tresilian e outros dois lealistas: Nicolau Brembre e Alexandre Neville, o Arcebispo de Iorque.[43] Ricardo emperrou as negociações para ganhar tempo, esperando que De Vere chegasse de Cheshire com reforços militares.[44] Tomás, FitzAlan e Beauchamp juntaram suas forças com as de Henrique de Borlingbroke, 3.º Conde de Derby, e Tomás de Mowbray, 1.º Conde de Nottingham – o grupo que entrou para a história como os Lordes Apelantes. Eles interceptaram De Vere em 20 de dezembro de 1387 na Batalha de Radcot Bridge, onde ele e suas forças foram obrigadas a fugir do país.[45]

Ricardo não tinha opções além de aceitar as exigências dos Lordes Apelantes; Brembre e Tresilian foram condenados e executados, enquanto De Vere e de la Pole – que também fugiu da Inglaterra[44] – foram condenados a morte in absentia pelo Parlamento Impiedoso em fevereiro de 1388, enquanto que Neville foi privado de suas temporalidades.[46] Os procedimentos foram ainda mais longe, com vários cavaleiros do rei sendo executados, entre os quais estava Simão de Burley.[47] Os apelantes tinham conseguido destruir completamente o círculo de favoritos de Ricardo.[3]

Paz[editar | editar código-fonte]

Brasão de Ricardo.

Ricardo gradualmente reestabeleceu a autoridade real nos meses seguintes a deliberações com o Parlamento Impiedoso. A política externa agressiva dos Lordes Apelantes falhou quando seus esforços para criar uma ampla coalizão anti-francesa levou a nada, com a Inglaterra sucumbindo a uma incursão escocesa no norte.[48] Ricardo tinha agora 21 anos e podia reivindicar com confiança o direito de governar em seu próprio nome.[49] Além do mais, João de Gante voltou em 1389 e resolveu suas diferenças com o rei, após o qual ele passou a atuar como uma influência moderadora na política inglesa.[50] Ricardo assumiu total controle do governo em 3 de maio de 1389, afirmando que as dificuldades do passado ocorreram apenas por causa de maus conselheiros. Ele delineou uma política externa que revertia as ações dos apelantes ao procurar paz e reconciliação com a França e prometia diminuir significantemente o fardo dos impostos cobrados.[49] Ricardo reinou pacificamente nos oito anos seguintes, tendo se reconciliado com seus antigos adversários.[3] Mesmo assim, eventos posteriores mostrariam que ele não tinha esquecidos das indignidades que havia passado anteriormente.[51] Particularmente, a execução de sir Simão de Burley foi um insulto que ele não esqueceu facilmente.[52]

Assegurada a estabilidade nacional, Ricardo passou a negociar uma paz permanente com a França. Uma proposta apresentada em 1393 teria muito expandido o território do Ducado da Aquitânia mantido como possessão pela coroa inglesa. Entretanto, o plano falhou porque incluia uma exigência que o rei inglês prestaria homenagem ao francês – uma condição que era inaceitável para o povo inglês.[53] Ao invés diz, foi concordada uma trégua em 1396, que era para durar 28 anos.[54] Como parte do acordo, Ricardo concordou em se casar com Isabel de Valois, filha do rei Carlos VI de França, assim que ela chegasse a maioridade. Existiram desconfianças sobre o casamento, particularmente porque a princesa tinha apenas seis anos de idade e assim seria incapaz de produzir um herdeiro por muitos anos.[55]

Apesar de Ricardo procurar a paz com a França, ele tomou uma atitude diferente em relação a Irlanda. O senhorio inglês sobre a Irlanda entrou em perigo, com os lordes anglo-irlandeses pedindo para o rei intervir.[56] Ricardo partiu para a Irlanda no outono de 1394, onde ficou até maio do ano seguinte. Seu exército de mais de oito mil homens foi a maior força levada até a ilha durante a Idade Média.[57] A invasão foi um sucesso e vários chefes irlandeses se submeteram ao senhorio inglês.[58] Foi uma das maiores realizações do reinado de Ricardo, fortalecendo o apoio do rei na Inglaterra, apesar da consolidação da posição inglesa na Irlanda mostrou-se breve.[3]

Segunda crise de 1397–99[editar | editar código-fonte]

O período que historiadores se referem como a "tirania" de Ricardo começou ao final da década de 1390.[59] O rei prendeu Tomás, FitzAlan e Beauchamp em julho de 1397. São incertos o porquê do momento dessas prisões e as motivações de Ricardo. Apesar de um crônico sugerir que havia uma conspiração sendo planejada, não há evidências que esse era o caso.[60] É mais provável que Ricardo simplesmente tenha se sentido forte o bastante para retaliar em segurança contra esses homens pelos eventos de 1386–88 e eliminá-los como ameaças ao seu poder.[61] FitzAlan foi o primeiro a ser levado a julgamento, que ocorreu no parlamento de setembro de 1397. Após uma grande discussão com o rei, ele foi condenado e executado.[62] Tomás foi mantido prisioneiro em Calais por Tomás de Mowbray enquanto esperava julgamento. Mowbray informou que Tomás havia morrido pouco antes do início do julgamento. É mais provável que Ricardo ordenou que ele fosse morto para evitar a desgraça de executar uma pessoa de sangue real.[63] Beauchamp também foi condenado a morte, porém acabou poupado e recebeu sentença de prisão perpétua. O irmão de FitzAlan, Tomás Arundel, o Arcebispo da Cantuária, foi exilado.[64] Ricardo então levou sua perseguição de adversários para localidades. Enquanto recrutava para si séquitos pelo país, ele processava homens que haviam sido leais aos apelantes. As multas impostas a esses homens trouxeram grandes rendas à coroa, apesar de crônicos contemporâneos levantarem questões sobre a legalidade dos procedimentos.[3]

João de Gante esteve no centro da política inglesa por mais de trinta anos, com sua morte em 1399 criando insegurança.

Essas ações foram possíveis principalmente através da conivência de João de Gante, porém também pelo apoio de vários homens elevados a proeminência pelo rei, depreciativamente chamados de "duketti" de Ricardo.[65] João e Tomás Holland, o meio-irmão e sobrinho do rei, foram promovidos de condes de Huntingdon e Kent a duques de Exeter e Surrey, respectivamente. Entre os lealistas estavam João Beaufort, 1.º Conde de Somerset, Eduardo de Norwich, 1.º Conde de Rutland, João Montacute, 3.º Conde de Salisbury e Tomás le Despenser.[nota 5] Com as terras confiscadas dos apelantes condenados, Ricardo agora podia recompensar esses homens com terras e rendas adequadas a seus novos títulos.[67]

Entretanto, ainda existia uma ameaça a autoridade de Ricardo na forma da Casa de Lencastre, representada por João de Gante e seu filho Henrique, Conde de Derby (também conhecido como Henrique de Bolingbroke). Os Lencastre não apenas eram a família mais rica de toda a Inglaterra, como também eram descendentes reais e, assim sendo, prováveis candidatos a suceder Ricardo, que não tinha filhos.[68] A discórdia apareceu em dezembro de 1397 nos círculos mais internos da corte quando Bolingbroke e Tomás de Mowbray – que agora eram Duque de Hereford e Duque de Norfolk, respectivamente[67] – entraram em uma briga. De acordo com Bolingbroke, Mowbray afirmou que os dois, como antigos Lordes Apelantes, eram os próximos na linha de retribuição real. Ele negou veementemente essas acusações já que tais afirmações seriam o suficientes para uma traição.[65] Um comitê parlamentar decidiu que os dois deveriam resolver a questão em batalha, porém o rei exilou os dois no último minuto: Mowbray por toda a vida e Bolingbroke por dez anos.[69] João de Gante morreu em 3 de fevereiro de 1399. Ao invés de permitir que seu filho herdasse os títulos do pai, Ricardo extendeu o exílio de Bolingbroke para toda a vida e o deserdou.[70] O rei sentiu-se seguro com o primo que estava residindo em Paris, já que os franceses tinham pouco interesse em qualquer oposição a Ricardo e sua política de paz.[71] O rei deixou a Inglaterra em maio para outra expedição na Irlanda.[72]

Deposição e morte[editar | editar código-fonte]

Ricardo sendo preso por Henrique Percy, c. 1475.

Luís I, Duque d'Orleães, conseguiu em junho de 1399 o controle da corte do insano rei Carlos VI de França. A política de "reaproximação" com dos ingleses não estava de acordo com as ambições políticas do duque, assim sendo ele achou oportuno deixar Henrique de Bolingbroke voltar para a Inglaterra.[73] Bolingbroke desembarcou em Ravenspurn, Yorkshire, ao final de junho com um pequeno grupo de seguidores.[74] Homens de todo o país logo reuniram-se ao redor dele. Ao se encontrar com Henrique Percy, 1.º Conde de Northumberland, que tinha suas próprias dúvidas sobre o rei, Bolingbroke insistiu que seu único objetivo era reconquistar seu próprio patrimônio. Percy tomou a palavra dele e não quis intervir.[75] Ricardo havia levado consigo para a Irlanda a maioria de seus cavaleiros e os membros leais da nobreza, assim Bolingbroke encontrou pouco resistência enquanto dirigia-se ao sul. Edmundo de Langley, 1.º Duque de Iorque, que estava agindo como guardião do reino, teve poucas opções além de aliar-se ao sobrinho.[76] Enquanto isso, Ricardo se atrasou em seu retorno da Irlanda e não desembarcou em Gales até 24 de julho.[77] Ele foi até o Castelo de Conwy, onde encontrou-se com Henrique Percy em 12 de agosto para negociações.[78] Ricardo se entregou a Percy em 19 de agosto no Castelo de Flint, prometendo abdicar se sua vida fosse poupada.[79] Os dois homens voltaram para Londres, com o rei indignado cavalgando por último. Ao chegar em 1 de setembro, ele foi preso na Torre de Londres.[80]

Bolingbroke estava completamente determinado a tomar o trono, porém foi um dilema apresentar um motivo razoável para tal ação.[3] Afirmou-se que através de sua tirania e má administração, Ricardo tornou-se indigno de ser rei.[81] Entretanto, Bolingbroke não era o próximo na linha de sucessão; o herdeiro presuntivo era Edmundo Mortimer, 5.º Conde de March, que descendia de Leonel de Antuérpia, Duque de Clarence e segundo filho de Eduardo III. João de Gante, pai de Bolingbroke, era o terceiro filho de Eduardo.[82] O problema foi resolvido ao enfatizar sua descendência em uma linhagem masculina direta, enquanto Mortimer descendia através de sua avó.[nota 6] O relato oficial dos eventos afirma que Ricardo voluntariamente concordou no dia 29 de setembro em abdicar a favor de Bolingbroke.[84] Apesar de muito provavelmente isso não ter sido o caso, o parlamento que se reuniu no dia seguinte aceitou a abdicação. Bolingbroke foi coroado rei como Henrique IV no dia 13 de outubro de 1399.[85]

O destino exato de Ricardo após sua deposição não é claro; ele permaneceu na Torre até ser levado ao Castelo de Pontefract pouco antes do fim do ano.[86] Apesar de Henrique poder ter contemplado deixá-lo viver, tudo isso mudou quando foi revelado que João e Tomás Holland, João Beaufort, Eduardo de Norwich e Tomás le Despenser – todos rebaixados dos títulos que Ricardo havia lhes dado – estavam planejando matar o novo rei e restaurar Ricardo no Levante da Epifania.[87] Mesmo tendo sido evitado, a conspiração destacou o perigo de deixar Ricardo viver. Acredita-se que ele morreu de fome no cativeiro por volta do dia 14 de fevereiro de 1400, apesar de ainda ser discutida a data e a circunstâncias de sua morte. Seu corpo foi levado de Pontefract e exibido na Antiga Catedral de São Paulo em 17 de fevereiro antes de ser enterrado na Igreja de Todos os Santos em Kings Langley, Hertfordshire, em 6 de março.[3]

Persistiram os rumores que Ricardo ainda estava vivo, porém nunca ganharam muito crédito na Inglaterra.[88] Entretanto na Escócia, um homem identificado como Ricardo foi parar nas mãos de Roberto Stuart, Duque de Albany, no Castelo de Stirling, servindo como uma figura fictícia e até mesmo relutante de várias intrigas anti-Lecastre e lollardas na Inglaterra. O governo de Henrique o considerou um impostor e várias fontes nos dois reinos sugerem que o homem sofria de alguma doença mental, um descrevendo-o como "pedinte" na época de sua morte em 1419, porém foi enterrado como rei no mosteiro dominicano de Stirling. Enquanto isso em 1413, Henrique V – em uma tentativa de reparar o ato de assassinato de seu pai e acabar com os rumores que Ricardo ainda estava vivo – decidiu retirar o corpo do rei de Kings Langley e levá-lo para seu local de descanso final na Abadia de Westminster. Lá o próprio Ricardo havia preparado uma tumba elaborada, onde o corpo de sua primeira esposa Ana da Boêmia já estava enterrado.[89]

Corte[editar | editar código-fonte]

Díptico de Wilton
Ricardo venerando a Virgem e o Menino, acompanhando por Eduardo, o Mártir, Eduardo, o Confessor e João Batista.
Ricardo venerando a Virgem e o Menino, acompanhando por Eduardo, o Mártir, Eduardo, o Confessor e João Batista.
O brasão de Ricardo: as armas míticas de Eduardo, o Confessor, impada com as armas da Inglaterra; e o emblema do veado branco de Ricardo.
O brasão de Ricardo: as armas míticas de Eduardo, o Confessor, impada com as armas da Inglaterra; e o emblema do veado branco de Ricardo.

Durante seus últimos anos de reinado, particularmente nos meses após a supressão dos apelantes em 1397, Ricardo gozou de virtualmente um monopólio de poder pelo reino, uma situação relativamente incomum na Inglaterra medieval.[90] Uma particular cultura de corte pode aparecer nesse período, uma que era muito diferente daquelas de tempos anteriores. Uma nova forma de estilo real se desenvolveu; enquanto que o rei anteriormente era chamado simplesmente de "Alteza", as formas "Majestade Real" ou "Alta Majestade" eram frequentemente usadas. Foi dito que em festivais solenes Ricardo sentaria em seu trono no salão real por horas, sem falar, com aquele sobre quem seus olhos caíssem deveria curvar-se ao rei.[91] A inspiração para essa nova suntuosidade e enfâse na dignidade veio das cortes do continente, nas apenas das cortes boêmia e francesa que eram a casa de suas esposas, mas também da corte que seu pai manteve enquanto morava na Aquitânia.[92]

A abordagem de Ricardo para reinar era baseada em sua forte crença na prerrogativa real, cuja inspiração pode ser encontrada em sua juventude, quando sua autoridade foi desafiada primeiramente pela Revolta Camponesa e depois pelos Lordes Apelantes.[93] Ricardo rejeito a abordagem que seu avô Eduardo III havia tido com sua nobreza. A corte de Eduardo era marcial, baseada na interdependência como capitães militares entre o rei e seus nobres mais confiáveis.[94] Na visão de Ricardo, isso colocava uma quantidade perigosa de poder nas mãos da baronagem. Ele procurou uma política de paz com a França para evitar a dependência na nobreza para recrutamento militar.[95] Ele desenvolveu ao mesmo tempo seu próprio séquito militar particular, o maior que qualquer outro monarca inglês antes dele, dando aos membros seu emblema libré do veado branco,[96] que também foi usado pelos anjos do Díptico de Wilton. Ele então estava livre para desenvolver uma atmosfera em que o rei era uma figura distante e venderada, com a arte e cultura estando no centro ao invés da guerra.[97]

Patrono das artes[editar | editar código-fonte]

Como parte do programa de Ricardo para afirmar sua autoridade, ele tentou cultivar uma imagem real. Diferentemente de qualquer outro rei inglês antes dele, foi o primeiro a ser retratado em pinturas que elevavam sua majestade,[98] duas das quais sobrevivem: o retrato da Abadia de Westminster de c. 1390 e o Díptico de Wilton de c. 1394–99, um trabalho portátil feito provavelmente para acompanhar o rei em sua campanha na Irlanda.[99] É um dos poucos exemplos sobreviventes do estilo gótico internacional de pintura que desenvolveu-se nas cortes do continente, especialmente em Praga e Paris.[100] Seus gastos em joias, ricas tapeçarias e metalurgia foram muito mais altos que em pinturas, porém como suas iluminuras há pouquíssimos trabalhos restantes que podem ser conectados com Ricardo, exceto por uma coroa que provavelmente pertenceu a Ana da Boêmia, "uma das melhores realizações da ourivesaria gótica".[101]

Ancestrais[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Edmundo de Langley, 1.º Duque de Iorque e irmão de João, era apenas um ano mais novo, porém foi sugerido que era de "habilidade limitada", envolvendo-se menos no governo que seu irmão.[6]
  2. Foi especulado que todo o incidente envolvendo a morte de Wat Tyler foi na verdade planejado anteriormente pelo conselho a fim de encerrar a rebelião.[3] [19]
  3. Enquanto a Inglaterra e o Sacro Império apoiavam o Papa Urbano VI em Roma, a França aliou-se ao Papado de Avinhão do Antipapa Clemente VII.[3]
  4. Esse "apelo" – que daria o nome aos Lordes Apelantes – não era um apelo no sentido moderno de um pedido a uma autoridade superior. No direito comum medieval, o apelo era uma acusação criminal, frenquentemente de traição.[3]
  5. Beaufort era o filho mais velho de João de Gante com Catarina Swynford; filhos ilegítimos que Ricardo legitimizou em 1390. Ele foi feito Marquês de Dorset; marquês sendo um título relativamente novo na Inglaterra na época. Eduardo, herdeiro de Edmundo de Langley, 1.º Duque de Iorque, foi criado Duque de Aumale. Montacute havia sucedido seu tio mais cedo no mesmo ano como Conde de Salisbury. Despenser, o bisneto de Hugo Despenser, o Jovem, favorito de Eduardo II que havia sido executado por traição de 1326, recebeu o confiscado Condado de Gloucester.[66]
  6. Apesar de ter se tornado tradição que títulos de conde descendessem na linhagem masculina, não havia tal tradição na sucessão real da Inglaterra. A precedência poderia realmente ser vista como invalidando a reinvindicação inglesa ao trono francês, baseada na sucessão através da linhagem feminina, sobre a qual a Guerra dos Cem Anos estava sendo travada.[83]

Referências

  1. Barber, Richard (2004). "Edward , prince of Wales and of Aquitaine (1330–1376)". Oxford Dictionary of National Biography. Oxford: Oxford University Press. DOI:10.1093/ref:odnb/8523. 
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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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  • Saul, Nigel. Richard II. New Haven: Yale University Press, 1997. ISBN 0-300-07003-9
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  • Tuck, Anthony. Crown and Nobility 1272–1461: Political Conflict in Late Medieval England. Londres: Fontana, 1985. ISBN 0-00-686084-2

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Ricardo II de Inglaterra
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Coat of Arms of the Prince of Wales (Ancient).svg
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Henrique V