Jorge IV do Reino Unido

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Jorge IV
Rei do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda
Rei de Hanôver e Duque de Brunsvique
Rei do Reino Unido e Hanôver
Reinado 29 de janeiro de 1820
a 26 de junho de 1830
Coroação 19 de julho de 1821
Predecessor Jorge III
Sucessor Guilherme IV
Esposa Carolina de Brunsvique
Descendência
Carlota de Gales
Nome completo
Jorge Augusto Frederico
Casa Hanôver
Pai Jorge III do Reino Unido
Mãe Carlota de Mecklemburgo-Strelitz
Nascimento 12 de agosto de 1762
Palácio de St. James, Londres, Reino Unido
Morte 26 de junho de 1830 (67 anos)
Castelo de Windsor, Windsor, Berkshire, Reino Unido
Enterro 15 de julho de 1830
Capela de São Jorge, Windsor, Berkshire, Reino Unido
Assinatura

Jorge IV (Londres, 12 de agosto de 1762Windsor, 26 de junho de 1830) foi o Rei do Reino Unido e Hanôver de 29 de janeiro de 1820 até sua morte. De 1811 até sua ascensão foi príncipe regente durante a doença mental de seu pai Jorge III.

Jorge IV teve uma vida extravagante que contribuiu para a moda durante o Período da Regência. Ele foi patrono de muitas formas de prazer, estilo e gosto. Ele encomendou a John Nash a construção do Royal Pavilion em Brighton e a reforma do Palácio de Buckingham, e a Jeffry Wyattville a reconstrução do Castelo de Windsor. Jorge foi fundamental na fundação da National Gallery e do King's College de Londres.

Ele tinha uma relação ruim com seu pai e sua esposa, Carolina de Brunsvique, quem ele proíbiu de comparecer a sua cerimônia de coroação. Jorge apresentou o pouco popular Projeto de Lei das Dores e Penalidades em um esforço desesperado e sem sucesso para se divorciar de Carolina.

Durante a maior parte de sua regência e reinado, Robert Jenkinson, 2.º Conde de Liverpool, controlou o governo como primeiro-ministro. Os governos de Jorge, mesmo recebendo pouco apoio do rei, presidiram a vitória nas Guerras Napoleônicas, negociaram um acordo de paz e tentaram lidar com o mal-estar econômico e social que se seguiram. Ele teve de aceitar George Canning como ministro do exterior e depois primeiro-ministro, além de desistir de sua oposição a emancipação católica.

Seu charme e cultura lhe valeram o título de "o primeiro cavalheiro da Inglaterra", porém suas relações com Jorge III e Carolina, e seu jeito devasso de viver, lhe rendeu o desprezo do povo e diminuiu o prestígio da monarquia. Contribuintes ficaram furiosos com seus gastos desnecessários em tempos de guerra. Jorge não proporcionou uma liderança nacional em uma época de crise, também não atuando como um modelo para seu povo. Seus ministros avaliavam seu comportamento como agoísta, não confiável e irresponsável

Primeiros Anos[editar | editar código-fonte]

Jorge com o irmão mais novo, Frederico.

Jorge nasceu no Palácio de St. James, em Londres, a 12 de Abril de 1762. Sendo o filho mais velho de um soberano britânico, tornou-se imediatamente duque da Cornualha e duque de Rothesay. Recebeu os títulos de príncipe de Gales e conde de Chester alguns dias depois.[1] A 18 de Setembro do mesmo ano, o príncipe foi baptizado por Thomas Secker, arcebispo da Cantuária.[2] Os seus padrinhos foram o duque de Mecklemburgo-Strelitz, seu tio materno, representado na cerimónia pelo duque de Devonshire, o duque de Cumberland, seu tio-avô paterno, e a princesa-viúva de Gales, sua avó paterna.[3] Jorge foi um estudante de talento, tendo aprendido a falar rapidamente francês, alemão e italiano, além do seu inglês nativo.[4]

Aos dezoito anos de idade, Jorge recebeu uma propriedade separada e, ao contrário do seu pai prosaico e livre de escândalos, caiu entusiasticamente numa vida de dissipação e extravagância que incluía bebida em excesso e várias amantes e escapadas. Era um conversador sagaz, bêbado ou sóbrio, e mostrava bom gosto, ainda que escandalosamente caro, na decoração do seu palácio. Esta atitude era particularmente mal-vista devido ao facto de muitos residentes londrinos viverem em pobreza extrema, incluindo um grande número de crianças e adultos que viviam na rua sem esperança de conseguir um abrigo, a morrer de frio no inverno ou de fome.

O príncipe completou vinte-e-um anos de idade em 1783 e adquiriu um empréstimo de 60,000 libras (o equivalente a 5,744,000 libras nos dias de hoje) do Parlamento e um rendimento anual de 50,000 libras (o equivalente a 4,786,000 libras nos dias de hoje) do pai. Era demasiado pouco para as suas necessidades. Só os estábulos custavam 31,000 livras por ano. Depois de atingir a maioridade, o príncipe instalou-se em Carlton House, onde viveu uma vida devassa.[5] Começou a criar-se um clima de tensão entre o príncipe e o pai, que desejava um comportamento mais aceitável da parte do seu herdeiro. O rei, com afiliações políticas conservadoras, também ficou alienado quando o seu filho começou a aproximar-se de Charles James Fox e outros políticos com tendências radicais.[6]

Pouco depois de ter completado vinte-e-um anos de idade, o príncipe apaixonou-se por Maria Fitzherbert, uma plebeia seis anos mais velha, que tinha ficado viúva por duas vezes e era católica.[7] Apesar de ser uma candidata completamente inapropriada para o futuro rei de Inglaterra, o príncipe estava determinado a casar-se com ela. Tal decisão ia contra o Decreto de Estabelecimento de 1701, que impedia o esposo de uma católica de subir ao trono, e contra o Decreto de Casamentos Reais de 1772, que proibia o casamento de um membro da família real sem o consentimento do rei, que nunca teria permitido a união.

Apesar de tudo, o casal contraiu matrimónio a 15 de Dezembro de 1785, na casa da noiva perto de Park Street, Mayfair. Em termos legais, a união era inválida, uma vez que o rei não tinha dado o seu consentimento, nem este tinha alguma vez sido pedido.[8] Contudo, Mrs. Fitzherbert acreditava que era a esposa canónica e verdadeira do príncipe, considerando a lei da igreja superior à lei do estado. Por razões políticas, a união permaneceu em segredo e Mrs. Fitzherbert prometeu que nunca a revelaria.[9]

O príncipe ficou muito endividado devido ao seu estilo de vida extravagante. O seu pai recusou-se a ajudá-lo, obrigando-o a deixar Carlton House para viver em casa de Mrs. Fitzherbert. Em 1787, os aliados políticos do príncipe fizeram uma proposta para aliviar as suas dívidas através de um empréstimo do Parlamento. Já se suspeitava da relação do príncipe com Mrs. Fitzherbert e a revelação de que se tinha celebrado um casamento ilegal teria escandalizado a nação e condenado qualquer proposta feita ao Parlamento para o ajudar. Em representação do príncipe, o líder do partido liberal, Charles James Fox, declarou que a história era uma calúnia.[10] Mrs. Fitzherbert não ficou satisfeita com a negação pública do casamento em termos tão veementes e considerou cortar relações com o príncipe. Jorge acalmou-a pedindo a outro liberal, Richard Brinsley Sheridan, para reescrever a declaração de Fox com palavras mais cuidadas. Entretanto, o Parlamento concedeu um empréstimo de 161,000 libras ao príncipe (o equivalente a 16,775,000 nos dias de hoje) para pagar as suas dívidas e 60,000 libras (o equivalente a 6,252,000 libras nos dias de hoje) para fazer melhoramentos em Carlton House.[11]

Crise da Regência de 1788[editar | editar código-fonte]

Jorge como príncipe de Gales.

Actualmente chegou-se à conclusão de que o rei Jorge III sofria de porfíria, uma doença hereditária.[12] No verão de 1788, a sua saúde mental deteriou-se, mas mesmo assim, o rei conseguiu cumprir alguns dos seus deveres e declarar que o Parlamento deveria encerrar as suas sessões entre 25 de Setembro e 20 de Novembro. Durante a prorrogação, o rei Jorge ficou demente, tornando-se uma ameaça para a sua própria vida, e quando o Parlamento se voltou a reunir em Novembro, o rei não conseguiu dar o seu típico discurso do trono durante a Abertura Oficial do Parlamento. O Parlamento encontrou-se assim numa posição insustentável. Segundo uma lei há muito estabelecida, não era possível realizar qualquer função até que o rei desse o seu discurso na Abertura Oficial.[13] [14]

Apesar de estar discutivelmente impedido de o fazer, o Parlamento começou a debater uma possível regência. Na Câmara dos Comuns, Charles James Fox declarou a sua opinião de que o príncipe de Gales tinha automaticamente direito a exercer a soberania durante o período de incapacidade do rei. No entanto, o primeiro-ministro, William Pitt, discordou desta opinião, afirmando que, na ausência de um estatuto que mostrasse o contrário, o direito de escolher um regente pertencia exclusivamente ao Parlamento.[15] Declarou mesmo que, sem a autoridade do Parlamento, "o príncipe de Gales não tinha mais direito (...) de assumir o governo, do que qualquer outro súbdito deste país."[16] Apesar de discordarem do principio no qual se iria criar a regência, Pitt concordava com Fox no facto de o príncipe de Gales ser a escolha mais conveniente para o cargo de regente.[17] [18]

O príncipe de Gales, apesar de se sentir ofendido com a ousadia de Pitt, não apoiou completamente a estratégia de Fox. O irmão de Jorge, o príncipe Frederico, duque de Iorque, declarou que o príncipe de Gales não iria tentar exercer qualquer tipo de poder sem obter primeiro o consentimento do Parlamento.[19] Após a passagem das primeiras resoluções, Pitt delineou um plano formal para a regência, sugerindo que os poderes do príncipe deveriam ser altamente limitados. Entre outras coisas, o príncipe de Gales não poderia vender propriedade do rei nem conceder títulos a ninguém que não fosse filho do rei. O príncipe de Gales denunciou o esquema de Pitt, considerando-o "um projecto que dará origem a fraqueza, desordem e insegurança em todos os ramos da administração pública."[20] Tendo em vista os interesses da nação, ambos os lados concordaram em fazer cedências.[21]

Um impedimento técnico importante para qualquer projecto-de-lei referente a uma regência era a falta de um Discurso do Trono, algo necessário para que o Parlamento pudesse realizar qualquer debate ou votação. O discurso era normalmente dado pelo rei, mas também poderia ser dado por representantes reais, conhecidos por Lordes Comissários. No entanto, para que um documento pudesse empossar os comissários, seria necessário que tivesse o Selo Real. Pitt e os seus ministros ignoraram esta última exigência e pediram ao Lord Chancellor para colocar o selo sem o consentimento do rei, uma vez que bastava o acto de colocar o selo para conceder uma base legal ao projecto-de-lei. Esta colocação legal foi denunciada por Edmund Burke que a considerou uma "falsidade flagrante", um "disparate palpável"[22] e até uma "falsificação, fraude". [23] O irmão do príncipe de Gales, o duque de Iorque, considerou o plano "inconstitucional e ilegal".[24] Apesar de tudo, outros membros do Parlamento acharam que o esquema era necessário para manter um governo eficaz. Consequentemente, a 3 de Fevereiro de 1789, mais de dois meses depois de ser convocado, o Parlmento abriu formalmente através da acção de um grupo "ilegal" de Lordes Comissário. O projecto-de-lei da regência foi apresentado, mas o rei acabaria por recuperar antes de ele ser aprovado. O rei declarou, com efeitos retroactivos, que o documento que tinha permitido a acção dos Lordes Comissários tinha sido inválido.[25] [26]

Casamento e Amantes[editar | editar código-fonte]

Jorge por Sir Thomas Lawrence

As dívidas do príncipe de Gales continuaram a crescer e o seu pai recusava-se a ajudá-lo a não ser que ele se casasse com a sua prima, a duquesa Carolina de Brunswick.[27] Em 1795, o príncipe de Gales cedeu, contraindo matrimónio a 8 de Abril de 1795 na Capela Real do Palácio de St. James. Contudo, o casamento foi desastroso e ambos os membros do casal era pouco apropriados um para o outro. O casal separou-se formalmente após o nascimento da sua única filha, a princesa Carlota de Gales, em 1796, e assim permaneceram o resto da vida. O príncipe de Gales continuou ligado a Mrs. Fitzherbert o resto da vida, apesar de terem passado por vários períodos de afastamento.[28]

Entre as várias amantes de Jorge, encontrava-se Mary Robinson, uma actriz que foi comprada com uma pensão generosa quando ameaçou vender as cartas que tinha recebido do príncipe aos jornais;[29] Grace Elliott, divorciada de um médico;[30] e Frances Villiers, condessa de Jersey, que dominou a sua vida durante alguns anos.[31] Nos seus últimos anos de vida, as suas amantes foram a marquesa de Hertford e a marquesa de Conyngham, ambas casadas com aristocratas.[32]

Jorge pode ter tido vários filhos ilegítimos. James Ord, nascido em 1786, que se mudou para os Estados Unidos e se tornou um padre jesuíta, terá sido um dos seus filhos com Mrs. Fitzherbert.[33] O rei, nos seus últimos anos de vida, contou a um amigo que tinha um filho que era oficial da marinha nas Índias Ocidentais. Depois de várias investigações, chegou-se à conclusão de que este filho poderia ter sido o capitão Henry A. F. Hervey, possivelmente fruto da relação de Jorge com a compositora Lady Anne Lindsay (depois Barnard), filha do 5.º conde de Balcarres.[34] Outros possíveis descendentes ilegítimos incluíam o major G.S. Crole, filho de Eliza Crole ou Fox, uma filha de um gerente de teatro, William Hampshire, filho de Sarah Brown, filha de um publicano, e Charles "Beau" Candy, filho de uma mulher francesa com esse apelido.[35] Anthony Camp, director de investigação da Sociedade de Genealogistas, rejeitou a afirmação de que Jorge IV era pai destes homens.[36]

O problema das dívidas do príncipe de Gales, que atingiam a extraordinária soma de 630,000 libras (o equivalente a 49,820,000 libras nos dias de hoje) em 1795,[37] foi resolvido temporariamente pelo Parlamento. Não estando disposto a fazer mais um empréstimo para aliviar as dívidas do príncipe, o Parlamento acrescentou 65,000 libras (o equivalente a 5,140,000 libras nos dias de hoje) ao seu rendimento anual.[38] Em 1803, foram acrescentadas mais 60,000 libras (o equivalente a 4,486,000 nos dias de hoje), e as dividas de 1795 do príncipe ficaram finalmente saldadas em 1806, apesar de as dívidas que ele tinha contraído desde desse ano continuarem a existir.[39]

Em 1804, surgiu uma disputa devido à questão da custódia da princesa Carlota, que levou a que ela passasse a estar sob os cuidados do rei, Jorge III. Também levou o Parlamento e pedir uma comissão de inquérito para investigar a conduta da princesa Carolina, depois de o príncipe de Gales a ter acusado de ter um filho ilegítimo. A investigação absolveu Carolina desta acusação, mas revelou que o seu comportamento era extraordinariamente indiscreto.[40]

Regência[editar | editar código-fonte]

Jorge.

Em finais de 1810, o rei Jorge III voltou a adoecer após a morte da sua filha mais nova, a princesa Amélia. O Parlamento concordou em seguir os mesmos procedimentos que tinha adoptado em 1788. Sem o consentimento do rei, o Lord Chancellor colocou o grande selo do reino nos documentos que nomeavam os Lordes Comissários. Por sua vez, estes, em nome do rei, certificaram o acordo real ao projecto-de-lei que se tornou o Decreto de Regência de 1811. O Parlamento restringiu alguns poderes do príncipe-regente, como passou a ser conhecido o príncipe de Gales. As restrições acabaram um ano depois de o decreto ser aprovado.[41] O príncipe de Gales tornou-se príncipe-regente a 5 de Fevereiro de 1811.[42]

O regente deixou que os seus ministros assumissem controlo total sobre os assuntos de estado, assumindo um papel menos influente do que o do seu pai. Estabeleceu-se então o principio de que a coroa aceitaria como primeiro-ministro a pessoa que controlasse a maioria da Câmara dos Comuns, quer o rei o quisesse ou não.[43] Os seus governos, com pouca ajuda da sua parte, assistiram à vitória do Reino Unido nas Guerras Napoleónicas, negociaram o acordo de paz e tentaram lidar com a instabilidade social e económica que se seguiu. Um dos conflitos políticos mais importantes que o país teve de enfrentar nesta época estava relacionado com a emancipação católica, o movimento que queria aliviar os católicos de várias incapacidades políticas. Os conservadores, liderados pelo primeiro-ministro, Spencer Perceval, estavam contra a emancipação católica, enquanto que os liberais a apoiavam. No início da regência, esperava-se que o príncipe de Gales apoiasse o líder liberal, William Wyndham Grenville, 1.º barão Grenville. Contudo, Jorge não colocou imediatamente Lord Grenville e os liberais no poder. Influenciado pela sua mãe, o príncipe-regente argumentou que a dispensa imediata dos conservadores seria um grande golpe para a saúde do rei, um apoiante fervente do partido conservador, acabando assim com as suas hipóteses de recuperação.[44]

Em 1812, quando parecia muito pouco provável que o rei fosse recuperar, o príncipe de Gales não voltou a nomear uma administração liberal. Em vez disso, pediu aos conservadores para se juntarem ao ministério que já existia, liderado por Spencer Percebal. Contudo, os conservadores recusaram-se a colaborar devido aos desentendimentos que tinham surgido durante a emancipação católica. Com algum ressentimento, o príncipe-regente permitiu que Perceval continuasse como primeiro-ministro.[45]

A 10 de Maio de 1812, Spencer Perceval foi assassinado por John Bellingham. O príncipe-regente estava preparado para renomear todos os membros do governo de Perceval sob um novo líder. A Câmara dos Comuns declarou formalmente o seu desejo de ter "uma administração forte e eficiente",[46] por isso o príncipe-regente ofereceu a liderança do governo a Richard Wellesley, 1.º marquês Wellesley, e depois a Francis Rawdon-Hastings, 2.º conde da Moira. Contudo, condenou as tentativas de ambos ao fracasso quando os forçou a constituir um governo bi-partidário numa altura em que nenhum dos partidos queria partilhar o poder com o outro. Possivelmente usando a falha dos dois aristocratas como pretexto, o príncipe-regente renomeou imediatamente a administração de Perceval, com Robert Banks Jenkinson, 2.º Conde de Liverpool, como primeiro-ministro.[47]

Os conservadores, ao contrário dos liberais como o conde Grey, queriam continuar com a guerra que se travava na Europa continental contra o poderoso e agressivo imperador dos franceses, Napoleão.[48] Uma aliança anti-francesa, que incluia a Rússia, a Prússia, a Áustria, a Grã-Bretanha e vários países mais pequenos, derrotou Napoleão em 1814. No Congresso de Viena que se realizou em consequência da vitória da aliança na guerra, foi decidido que o eleitorado de Hanôver, um estado que tinha partilhado o governante com a Grã-Bretanha desde 1714, seria elevado à categoria de reino. Napoleão regressou do exílio em 1815, mas foi derrotado na Batalha de Waterloo por Arthur Wellesley, 1.º duque de Wellington, irmão do marquês Wellesley. Nesse mesmo ano terminou a Guerra Anglo-Americana de 1812, sem que nenhum dos lados saísse vitorioso.

Durante este período, Jorge interessou-se muito por questões de estilo e gosto e os seus amigos, o dandy Beau Brummell e o arquitecto John Nash, criaram o estilo da regência. Em Londres, Nash criou os terraços da regência do Regent's Park e de Regent Street. Jorge teve então a ideia de criar uma spa à beira-mar e foi assim que o Pavilhão de Brighton se desenvolveu, tornando-se num fantástico palácio à beira-mar, adaptado por Nash para se assemelhar ao estilo indiano gótico inspirado pelo Taj Mahal, com interiores indianos e chineses extravagantes.[49]

Reinado[editar | editar código-fonte]

Retrato oficial de Jorge IV como rei do Reino Unido

Quando o rei Jorge III morreu em 1820, o príncipe-regente, na altura com cinquenta-e-sete anos, subiu ao trono como Jorge IV, sem que os seus poderes mudassem realmente.[50] Na altura em que subiu ao trono, o rei estava obeso e é possível que estivesse viciado em láudano.[51]

A relação de Jorge IV com a sua esposa Carolina tinha-se deteriorado ainda mais na altura da sua ascensão. Viviam separados desde 1796 e ambos tinham casos amorosos com outras pessoas. Em 1814, Carolina trocou o Reino Unido pela Europa continental, mas decidiu regressar para assistir à coroação do marido e exigiu os seus direitos como rainha-consorte publicamente. Contudo, Jorge IV recusou-se a reconhecê-la como sua rainha e ordenou aos embaixadores britânicos que convencessem os monarcas das cortes estrangeiras a fazer o mesmo. Por ordem real, o nome de Carolina foi omitido do Livro de Oração Comum, a liturgia da Igreja Anglicana. O rei tentou obter o divórcio, mas os seus conselheiros sugeriram que qualquer tentativa de dar inicio a um processo desse tipo poderia fazer com que pormenores dos casos amorosos do próprio rei viessem a público. Foi por isso que Jorge pediu e garantiu que o projecto-de-lei "Dores e Penalidades" fosse apresentado em 1820. Segundo este documento, o Parlamento poderia impor penalidades legais sem a necessidade de proceder a um julgamento em tribunal. O projecto-de-lei poderia ter anulado o casamento e retirado o título de rainha a Carolina. O projecto-de-lei foi muito mal recebido pelo público e acabaria por ser retirado do Parlamento. Apesar de tudo, Jorge IV decidiu excluir a sua esposa da cerimónia de coroação que se realizou na Abadia de Westminster a 19 de Julho de 1821. Carolina adoeceu nesse dia e acabaria por morrer alguns dias depois, a 7 de Agosto. Durante os seus últimos dias de vida, Carolina dizia frequentemente que achava que tinha sido envenenada.[52]

A coroação de Jorge foi um acontecimento magnifico e dispendioso, tendo custado cerca de 243,000 libras (aproximadamente 18,994,000 libras em 2012[53] ; em termo de comparação, a coroação do seu pai tinha custado cerca de 10,000 livras, o equivalente a 1,457,000 nos dias de hoje). Apesar do grande custo, foi um acontecimento popular.[54] Em 1821, o rei tornou-se o primeiro monarca a visitar a Irlanda desde o rei Ricardo II de Inglaterra.[55] No ano seguinte visitou Edimburgo durante "vinte-e-um dias malucos".[56] A sua visita à Escócia, organizada por Sir Walter Scott, foi a primeira realizada por um monarca britânico reinante desde meados do século XVII.

O rei Jorge IV em 1809.

Jorge IV passou grande parte dos seus últimos anos de reinado fechado no Castelo de Windsor,[57] mas continuou a intervir na vida política. Inicialmente, pensou-se que o rei iria apoiar a Emancipação Católica, uma vez que tinha apresentado o projecto-de-lei da Emancipação Católica na Irlanda em 1797, mas as suas opiniões anti-Católicas tornaram-se claras em 1813, quando obteve votos em privado contra o projecto-de-lei do Alívio Católico, que acabaria por sair derrotado nesse mesmo ano. Em 1824, já denunciava a Emancipação Católica em público.[58] Devido ao juramento que tinha tinha proferido na sua coroação, Jorge argumentava agora que tinha jurado defender a fé protestante e não podia apoiar medidas pró-católicas.[59] A influencia da coroa era tanta, e a vontade dos conservadores, liderados pelo primeiro-ministro Lord Liverpool tão forte que a emancipação católica parecia um caso perdido. Contudo, em 1827, Lord Liverpool reformou-se e foi substituido pelo conservador George Canning que era a favor da emancipação. Quando Canning começou a exercer funções o rei, que até então se tinha contentado em dar instruções privadas aos seus ministros sobre a questão católica, achou necessário fazer uma declaração pública, afirmando que a sua opinião sobre esta questão era a mesma do seu reverenciado pai, o rei Jorge III.[60]

As opiniões de Canning em relação à questão católica não foram bem recebidas pela maioria dos conservadores, incluindo o duque de Wellington. Como consequência, o ministério foi forçado a incluir liberais.[61] Canning morreria nesse mesmo ano, passando Frederick John Robinson, 1.º visconde Goderich a liderar a instável coligação de liberais e conservadores. Lord Goderich demitiu-se em 1828, sendo sucedido pelo duque de Wellington que, nesta altura, tinha já aceite que negar algumas medidas de alívio para os católicos era politicamente insustentável.[62] [63] Com grande dificuldade, Wellington obteve o consentimento do rei para apresentar o projecto-de-lei para o Alívio Católico a 29 de Janeiro de 1829. Sob o protesto do seu irmão fanaticamente anti-católico, o duque de Cumberland, o rei retirou o seu apoio e em protesto o governo demitiu-se em massa a 4 de Março. No dia seguinte, o rei, agora sob uma pressão política intensa, concordou com a carta com muita relutância, o que fez com que o governo permanecesse no poder.[64] O Consentimento Real foi finalmente concedido a 13 de Abril.[65]

A bebida em excesso e o estilo de vida indulgente do rei Jorge IV começaram a afectar a sua saúde em finais da década de 1820. O seu gosto por grandes banquetes e quantidades de álcool fizeram com que se tornasse obeso e fosse alvo de escárnio nas raras ocasiões em que aparecia em público.[66] Em 1797, pesava 111 quilos[67] e em 1824 o seu corpete tinha uma cinta de 130 cm.[68] Sofria de gota, artrose, edemas e possivelmente de porfiria. Passava dias inteiros na cama e sofria de falta de ar que quase o asfixiavam.[69] Alguns testemunhos afirmam que o rei mostrava sinais de instabilidade mental nos seus últimos anos de vida, embora não fossem tão extremos como os do seu pai. Por exemplo, por vezes dizia que tinha participado na Batalha de Waterloo, o que pode ter sido um sinal de demência ou apenas uma anedota para irritar o duque de Wellington. Morreu cerca das três e meia da manhã de 26 de Junho de 1830 no Castelo de Windsor. Disse: "Meu Deus, o que é isto?", depois apertou a mão do seu pajem e disse "meu rapaz, isto é a morte."[70] Foi enterrado na Capela de São Jorge, em Windsor a 15 de Julho.[71]

A sua única filha legitima, a princesa Carlota Augusta de Gales, tinha morrido devido a complicações pós-parto em 1817, depois de dar à luz um bebé morto. O segundo filho de Jorge III, o príncipe Frederico, duque de Iorque e Albany, tinha morrido em 1827. Assim, Jorge foi sucedido pelo seu segundo irmão mais novo, o príncipe Guilherme, duque de Clarence que reinou como rei Guilherme IV.[72]

Legado[editar | editar código-fonte]

Caricatura do rei Jorge IV.

Os seus últimos anos de vida foram marcados por um declínio físico e mental, assim como o seu afastamento da vida pública. Um ajudante antigo do seu confidenciou em privado no seu diário:"Não existe um cão mais desprezível, cobarde, egoísta e sem sentimentos (...) Já houve reis bons e sensatos, mas não muitos (...) e creio que este seja um dos piores."[73]

Após a morte de Jorge, o jornal The Times resumiu a opinião das elites: "Nunca houve um individuo cuja morte tivesse despertado tão pouca simpatia entre as criaturas do que o falecido rei. Que olho chorou por ele? Que coração sentiu um ataque de pena sem limites? (...) Se ele alguma vez teve um amigo - um amigo dedicado de qualquer posição na vida - afirmamos que o seu nome nunca chegou até nós."[74]

Durante a crise política causada pela emancipação católica, o duque de Wellington disse que Jorge era "o pior homem com quem alguma vez privou em toda a sua vida, o mais egoísta, o mais falso, o mais mal-disposto, sem uma única qualidade que o pudesse redimir",[75] mas o seu elogio, dito na Câmara dos Lordes, afirmou que Jorge era "o homem mais realizado da sua época" e elogiou a sua sabedoria e talento.[76] Os verdadeiros sentimentos de Wellington estarão algures entre estes dois extremos. Mais tarde, o duque diria numa carta que Jorge era "um magnifico mecenas das artes (...) uma mistura extraordinária de talento, sagacidade, brincadeira, teimosia e boa-disposição, são apenas algumas das qualidades opostas, juntamente com uma grande preponderância para o bem - que alguma vez vi numa personalidade na minha vida".[77]

Jorge IV foi descrito como o "Primeiro Gentleman de Inglaterra" devido ao seu estilo e maneiras.[78] Certamente tinha muitas qualidades: era inteligente, espero e conhecedor. Contudo, a sua preguiça e apetite estragaram grande parte dos seus talentos. Tal como o The Times escreveu em certa ocasião, o rei preferia "uma mulher e uma garrafa do que política e um sermão".[79]

Existem muitas estátuas de Jorge IV, grande parte das quais erguidas durante o seu reinado. Entre elas, no Reino Unido, existe uma estátua de bronze do rei a cavalo de Sir Francis Chantrey em Trafalgar Square, Londres, e outra no lado de fora do Pavilhão Real em Brighton.

Em Edimburgo, "George IV Bridge" é uma rua principal que liga a Old Town High Street ao norte na ravina de Cowgate, criada pelo arquitecto Thomas Hamilton em 1829 e acabada em 1835. King's Cross, actualmente uma estação principal muito conhecida na fronteira entre Camden e Islington no norte de Londres, recebeu o nome em honra de um monumento em honra do rei que foi erguido no local durante a década de 1830 e durou pouco tempo.[80]

O período da regência foi uma época de mudanças na moda que era em grande parte determinada por Jorge. Depois de os seus opositores políticos terem colocado um imposto no pó para perucas, Jorge deixou de usar peruca e passou a aparecer com o seu cabelo natural.[81] Usava roupas mais escuras do que as que tinham estado na moda anteriormente, uma vez que ajudavam a disfarçar o seu tamanho, preferia calças e calções a bermudas por serem mais largos e popularizou o uso de camisas e camisolas de gola alta porque estas escondiam o seu duplo queixo.[82] A sua visita à Escócia em 1822 levou ao renascimento e recriação do traje escocês tal como é conhecido nos dias de hoje.[83]

Ancestrais[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Smith, E. A., p.1
  2. Smith, E. A., p.2
  3. Hibbert, George IV: Prince of Wales 1762–1811, p.2
  4. Hibbert, Christopher (2004). "George IV (1762–1830)". Oxford Dictionary of National Biography (Oxford University Press)
  5. Smith, E. A., pp.25–28
  6. Smith, E. A., p.48
  7. Smith, E. A., p.33
  8. Smith, E. A., pp.36–38
  9. David, pp.57–91
  10. Innes, Arthur Donald (1914). A History of England and the British Empire, Vol. 3. The MacMillan Company. pp. 396–397.
  11. De-la-Noy, p.31
  12. Röhl, J. C. G.; Warren, M.; Hunt, D. (1998). Purple Secret. Bantam Press.
  13. Innes, Arthur Donald (1914). A History of England and the British Empire, Vol. 3. The MacMillan Company. pp. 396–397.
  14. David, pp.92–119
  15. Smith, E. A., p.54
  16. Derry, p.71
  17. Innes, Arthur Donald (1914). A History of England and the British Empire, Vol. 3. The MacMillan Company. pp. 396–397.
  18. David, pp.92–119
  19. Derry, p.91
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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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