Jorge III do Reino Unido

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Jorge III
Rei do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda
Rei de Hanôver e Duque de Brunsvique
Rei do Reino Unido e Hanôver
Reinado 25 de outubro de 1760
a 29 de janeiro de 1820
Coroação 22 de setembro de 1761
Predecessor Jorge II
Sucessor Jorge IV
Regente Jorge, Príncipe Regente (1811–1820)
Esposa Carlota de Mecklemburgo-Strelitz
Descendência
Jorge IV do Reino Unido
Frederico, Duque de Iorque e Albany
Guilherme IV do Reino Unido
Carlota, Princesa Real
Eduardo, Duque de Kent e Strathearn
Augusta Sofia do Reino Unido
Isabel do Reino Unido
Ernesto Augusto I de Hanôver
Augusto Frederico, Duque de Sussex
Adolfo, Duque de Cambridge
Maria do Reino Unido
Sofia do Reino Unido
Otávio do Reino Unido
Alfredo do Reino Unido
Amélia do Reino Unido
Nome completo
Jorge Guilherme Frederico
Pai Frederico, Príncipe de Gales
Mãe Augusta de Saxe-Gota
Nascimento 4 de junho de 1738
Casa Norfolk, Londres,
Grã-Bretanha
Morte 29 de janeiro de 1820 (81 anos)
Castelo de Windsor, Windsor, Berkshire, Reino Unido
Enterro 16 de fevereiro de 1820
Capela de São Jorge, Windsor, Berkshire, Inglaterra
Religião Anglicana
Assinatura

Jorge III (Londres, 4 de junho de 1738Windsor, 29 de janeiro de 1820) foi o Rei da Grã-Bretanha e Irlanda de 25 de outubro de 1760 até a união dos dois países em 1 de janeiro de 1801, tornando-se rei do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda até sua morte. Ele também foi duque e príncipe-eleitor do Eleitorado de Brunsvique-Luneburgo no Sacro Império Romano Germânico até sua promoção a Rei de Hanôver em 12 de outubro de 1814. Jorge foi o terceiro monarca britânico da Casa de Hanôver, porém diferente de seus dois predecessores ele nasceu na Inglaterra, tinha o inglês como sua língua materna[1] e nunca visitou Hanôver.[2]

Sua vida e reinado, que foram os mais longos do que qualquer outro monarca britânico até então, foram marcados por uma série de conflitos militares envolvendo seus reinos, boa parte do restante da Europa e lugares distantes na África, nas Américas e na Ásia. No início de seu reinado, a Grã-Bretanha derrotou a França na Guerra dos Sete Anos, se tornando a potência europeia dominante na América do Norte e Índia. Porém, logo muitas das suas colônias americanas foram perdidas na Guerra de Independência dos Estados Unidos. Outras guerras começando em 1793 contra a França revolucionária e napoleônica concluiram-se com a derrota de Napoleão Bonaparte na Batalha de Waterloo em 1815.

No restante de sua vida, Jorge sofreu de um transtorno mental recorrente e enfim permanente. Os médicos ficaram perplexos com sua condição, apesar de desde então se acreditar que o rei sofria de porfíria. Depois de uma última recaída em 1810, uma regência foi estabelecida e Jorge, Príncipe de Gales, filho mais velho e herdeiro de Jorge III, reinou como príncipe regente. Quando Jorge III morreu em 29 de janeiro de 1820, o príncipe regente sucedeu o pai como Jorge IV.

Análises históricas da vida de Jorge III foram um "caleidoscópio da mudança de opinião" que dependiam muito dos preconceitos de seus biógrafos e das fontes disponíveis.[3] Sua reputação nos Estados Unidos era de um tirano e no Reino Unido ele se tornou "o bode expiatório para o fracasso do imperialismo", isso até uma grande reavaliação durante a segunda metade do século XX.

Início de vida[editar | editar código-fonte]

Jorge (direita) com seu irmão Eduardo e seu proessor Francis Ayscough, c. 1749.

Jorge nasceu na Casa Norfolk, Londres, em 4 de junho de 1738, sendo o filho mais velho de Frederico, Príncipe de Gales, e Augusta de Saxe-Gota e também neto do rei Jorge II da Grã-Bretanha. Como nasceu dois meses prematuro e não acreditava-se que iria sobreviver, ele foi batizado no mesmo dia por Thomas Secker, o Bispo de Oxford.[4]

Secker o batizou novamente um mês depois em uma cerimônia pública. Seus padrinhos foram o Rei da Suécia (representado por Lorde Baltimore), seu tio o Duque de Saxe-Gota-Altemburgo (representado por Lorde Carnarvon) e sua tia-avó a Rainha Consorte da Prússia (representada por Charlotte Edwin).[5]

Jorge tornou-se uma criança saudável mas também reservada e tímida. A família mudou-se para Leicester Square onde Jorge e o seu irmão mais novo, o príncipe Eduardo, duque de Iorque e Albany, foram educados juntos por preceptores privados. As cartas da família mostram que sabia ler e escrever em inglês e alemão e fazia comentários sobre os acontecimentos políticos da época quando tinha apenas oito anos de idade.[6] Foi o primeiro monarca britânico a estudar ciências sistematicamente. Além de química e física, as suas lições incluíam astronomia, matemática, francês, latim, história, música, geografia, comércio, agricultura e direito constitucional, além de desporto e artes sociais tais como dança, esgrima e equitação. A sua educação religiosa foi inteiramente anglicana.[7] Aos dez anos de idade, Jorge participou na representação da família da peça "Cato" de Joseph Addison e disse no novo prologo: "Mas o que é senão um rapaz! Pode dizer-se com verdade que um rapaz nascido em Inglaterra, criado em Inglaterra."[8] O historiador Romney Sedgwick defendeu que estas frases pareciam "ser a única fonte da única frase histórica com a qual ele está associdado".[9]

O avô de Jorge, o rei Jorge II, não tinha uma boa relação com o filho, o príncipe de Gales, e interessava-se pouco pelos netos. No entanto, em 1751, o príncipe de Gales morreu inesperadamente devido a um ferimento no pulmão e Jorge tornou-se herdeiro aparente do trono- Herdou um dos títulos do pai e tornou-se duque de Edimburgo. A partir de então, o rei começou a interessar-se mais pelo neto e, três semanas depois, deu-lhe o título de príncipe de Gales[10] (Este título não é adquirido automaticamente).

Na primavera de 1756, à medida que Jorge se aproximava dos dezoito anos de idade, o rei ofereceu-lhe uma residência oficial, o Palácio de St. James, mas Jorge recusou a oferta, respeitando o conselho da sua mãe e do seu confidente, Lord Bute, que mais tarde seria seu primeiro-ministro.[11] A mãe de Jorge, que detinha agora o título de princesa viúva de Gales, preferia manter Jorge em casa, perto dela, onde podia transmitir-lhe os seus valores morais rigorosos.[12] [13]

Casamento[editar | editar código-fonte]

Em 1759, Jorge apaixonou-se por Lady Sarah Lennox, irmã do duque de Richmond, mas Lord Bute aconselhou-o contra esta união e Jorge abandonou a ideia de casamento. "Nasci da felicidade ou miséria de uma grande nação," escreveu ele, "e, consequentemente, devo agir muitas vezes contra as minhas paixões."[14] Apesar de tudo, as tentativas por parte do rei de casá-lo com a duquesa Sofia Carlota Maria de Brunswick-Wolfenbüttel não foram aceites nem por Jorge nem pela sua mãe.[15] Sofia acabaria por se casar com o marquês de Bayreuth.[16]

No ano seguinte, aos vinte-e-dois anos de idade, Jorge sucedeu ao trono quando o seu avõ, Jorge II, morreu subitamente a 25 de Outubro de 1760, duas semanas antes de completar setenta-e-sete anos de idade. A procura por uma esposa adequada intensificou-se. A 8 de Setembro de 1761, na Capela Real do Palácio de St. James, o rei casou-se com a princesa Carlota de Mecklemburgo-Strelitz, que conheceu apenas no dia do casamento.[17] Duas semanas depois, ambos foram coroados na Abadia de Westminster. Notavelmente, Jorge nunca teve amantes (ao contrário do seu avô e dos seus filhos) e o casal teve um casamento realmente feliz.[18] Tiveram quinze filhos, nove rapazes e seis raparigas. Em 1762, Jorge comprou a Casa de Buckingham (no local que hoje é ocupado pelo Palácio de Buckingham) para utilizar como um refúgio para a família.[19] As suas outras residências eram o Palácio de Kew e o Castelo de Windsor. O Palácio de St. James era utilizado apenas para eventos oficiais. Jorge não viajou muito e passou toda a sua vida no sul de Inglaterra. Durante a década de 1790, as férias anuais foram passadas em Weymouth, Dorset,[20] que, devido às visitas do rei, se popularizou como uma das primeiras estâncias balneares de Inglaterra.[21]

Primeiros Anos de Reinado[editar | editar código-fonte]

O rei Jorge III por Johann Zoffany.

No seu discurso de ascensão no Parlamento, Jorge proclamou: "Nascido e educado neste país, glorifico-me em nome da Grã-Bretanha".[22] O novo rei quis inserir esta frase no discurso, escrito por Lord Hardwicke, para demonstrar o seu desejo de se distanciar dos seus antepassados alemães que eram considerados mais hanõverianos do que britânicos.[23] [24]

Apesar de a sua ascensão ter sido inicialmente bem recebida pelos políticos de todos os partidos,[25] os seus primeiros anos de reinado foram marcados pela instabilidade política, criada em grande parte devido aos desentendimentos gerados em consequência da Guerra dos Sete Anos.[26] Jorge também era considerado um favorito dos ministros conservadores, o que levou os liberais a acusá-lo de ser um autocrata.[27] Quando subiu ao trono, as terras da coroa tinham lucros relativamente baixos que surgiam, na sua maioria, de impostos e impostos especiais de consumo. Jorge entregou o controlo das propriedades da coroa ao Parlamento em troca de um rendimento anual para as suas despesas e as despesas do Governo Civil.[28] Correram rumores que Jorge utilizou este rendimento para recompensar os seus apoiantes com subornos e presentes[29] , no entanto estes são disputados por historiadores que dizem que estas alegações "são baseadas somente em falsidades inventadas pela oposição sem escrúpulos".[30] As dividas da coroa de três milhões de libras foram pagas pelo Parlamento ao longo do governo de Jorge e o rendimento anual foi aumentado de tempos a tempos.[31] Jorge ajudou a Academia Real com grandes empréstimos da sua fortuna privada,[32] e pode ter doado mais de metade do seu rendimento pessoal à caridade.[33] As duas compras mais notáveis para a sua colecção de arte foram "A Lição de Música" de Vermeer e um conjunto de quadros de Canaletto, mas é mais recordado pela sua colecção de livros.[34] A Biblioteca do Rei estava aberta e disponível para intelectuais e foi a base para a criação da nova biblioteca nacional.[35]

Em Maio de 1762, o governo liberal incumbente do duque de Newcastle foi substituído por outro liderado pelo conservador escocês Lord Bute. Os opositores de Bute esforçaram-se por prejudicá-lo, espalhando a calúnia de que ele estava a ter um caso amoroso com a mãe do rei e explorando os preconceitos que muitos britânicos ainda tinham contra os escoceses.[36] John Wilkes, um membro do Parlamento, publicou o trabalho "The North Briton" [O Bretão do Norte], que inflamava e difamava simultâneamente Bute e o seu governo. Wilkes acabaria por ser preso por blasfémia e difamação.[37] Em 1763, depois de concluir o Tratado de Paris, que terminou com a guerra, Lord Bute demitiu-se, dando lugar a um governo liberal liderado por George Grenville.

Jorge III por Allan Ramsey.

Mais tarde, nesse mesmo ano, a Proclamação Real de 1763 colocou uma fronteira na expansão ocidental das colónias americanas. A Proclamação tinha como objectivo fazer com que a expansão colonial se virasse mais para norte (para Nova Escócia) e para o sul (Flórida). A Linha de Proclamação não incomodou a maioria dos agricultores estabelecidos nas colónias, mas foi pouco popular entre um minoria vogal e acabaria por contribuir para o conflito entre os colonialistas e o governo britânico.[38] Uma vez que os colonos americanos não pagavam impostos à Grã-Bretanha, o governo achou apropriado que estes começassem a pagar uma contribuição para a defesa das colónias contra revoltas de nativos locais e possíveis invasores franceses.[39] O problema principal dos colonos não era a quantidade de impostos, mas sim se o Parlamento poderia cobrar um imposto um imposto sem autorização dos americanos, uma vez que os colonos não estavam lá representados.[40] Os americanos protestaram que, tal como qualquer inglês, tinham o direito "a não pagar impostos quando não eram representados", um argumento que Londres não aceitou devido à representação virtual. Em 1765, Grenville introduziu o Decreto do Selo, que impunha o dever de colocar um selo em todos os documentos oficiais das colónias britânicas na América do Norte. Uma vez que os jornais já eram impressos em papel com selo, os mais afectados com esta medida foram aqueles que produziam a propaganda que se opunha aos impostos mais eficaz.[41] Entretanto, o rei estava a ficar exasperado com as tentativas por parte de Grenville para reduzir o poder do rei e tentou, persuadir William Pitt, O Velho, sem sucesso, a aceitar o cargo de primeiro-ministro.[42] Após um breve período de doença, que pode ter sido o primeiro sintoma da doença que o afectaria mais tarde,Jorge escolheu Lord Rockingham para criar um novo governo e dispensou Lord Grenville.[43]

Com o apoio de Pitt e do rei, Lord Rockingham revogou o impopular Decreto do Selo de Grenville, mas o seu governo era fraco e ele acabaria substituído por Pitt, a quem Jorge concedeu o título de conde de Chatham, em 1766. As atitudes de Lord Chatham e Jorge III ao revogar o Decreto tornaram-se tão populares na América que foram erguidas estátuas dos dois em Nova Iorque.[44] Lord Chatham adoeceu em 1767, e o duque de Grafton passou a liderar o governo, apesar de apenas se ter tornado primeiro-ministro oficialmente em 1768. Nesse mesmo ano, John Wilkes regressou a Inglaterra, candidatou-se nas eleições gerais e ficou em primeiro lugar dos votos em Middlesex. Wilkes foi novamente expulso do Parlamento. Wilkes foi reeleito e expulso novamente mais duas vezes, antes da Casa dos Comuns decidir que a sua candidatura era inválida e declarar o candidato que ficou em segundo lugar o verdadeiro vencedor.[45] O governo de Grafton desintegrou-se em 1770, permitindo que os conservadores, liderados por Lord North regressassem ao poder.[46]

Jorge era muito devoto e passava horas a rezar,[47] mas a sua religiosidade não era partilhada pelos irmãos. Jorge ficava horrorizado com a sua falta de moral. Em 1770, o seu irmão, o príncipe Henrique, Duque de Cumberland e Strathearn, foi acusado publicamente de adultério e, no ano seguinte, casou-se com uma jovem viúva, Anne Horton. O rei considerou-a pouco apropriada para uma noiva real: pertencia à classe baixa e a lei alemã impedia que os seus filhos tivessem direitos de sucessão em Hanôver. Jorge insistiu na criação de uma nova lei que, essencialmente, proibisse membros da família real de se casarem sem o consentimento do soberano. O projecto-de-lei que surgiu em consequência deste desejo não foi popular no Parlamento, mesmo entre os próprios ministros de Jorge, mas acabaria por ser aprovado e tornou-se no Decreto de Casamentos Reais de 1772. Pouco depois, outro dos irmãos de Jorge, Guilherme Henrique, Duque de Gloucester e Edimburgo, revelou que se tinha casado em segredo com Maria, Condessa de Waldegrave, filha ilegítima de Sir Edward Walpole. A notícia confirmou a opinião de Jorge de que era correcto introduzir a lei: Maria era parente dos seus opositores políticos. Nenhuma das duas foi alguma vez recebida na corte.

O governo de Lord North preocupou-se fundamentalmente com o descontentamento na América. Para garantir a boa opinião americana, grande parte das tarifas alfandegárias foram extintas, menos a tarifa do chá que, citando o rei Jorge, era "um imposto para manter o direito [a cobrar impostos]".[48] Em 1773, os navios de chá ancorados no porto de Boston foram atacados por colonos que atiraram o chá ao mar, um acontecimento que ficaria conhecido como a Festa do Chá de Boston. Na Grã-Bretanha, a opinião publica começou a condenar cada vez mais os colonos e Chatham partilhava agora a opinião de Norton de que a destruição do chá foi "certamente criminosa".[49] Com o apoio claro do Parlamento, Lord North introduziu medidas, apelidadas de Decretos Intoleráveis pelos colonos: o porto de Boston foi fechado e a carta de Massachusetts foi alterada para que a casa superior da legislatura fosse nomeada pelo coroa e não eleita pela casa inferior.[50] Até esta altura, segundo o professor Peter Thomas, as esperanças de Jorge "centravam-se numa solução política, e ele submeteu-se sempre às opiniões do governo, mesmo quando não acreditava no seu sucesso. As provas detalhadas entre 1763 e 1775 tendem a exonerar Jorge III de qualquer responsabilidade real pela Revolução Americana."[51] Apesar de os americanos terem caracterizado Jorge como um tirano, durante estes anos o rei agiu como um monarca constitucional, apoiando as iniciativas dos seus ministros.[52]

Guerra da Independência Americana[editar | editar código-fonte]

A Festa do Chá de Boston por Nathaniel Currier.

A Guerra da Independência dos Estados Unidos foi o culminar da Revolução Americana civil e política que resultou do Iluminismo Americano. O conflito teve o seu início devido à falta de representação americana no Parlamento, algo que era considerado uma negação dos seus direitos como súbditos britânicos e centravam muito as suas exigências nos impostos directos cobrados pelo Parlamento nas colónias sem o seu concentimento e, após a Festa de Chá de Boston, os colonos começaram a resistir ao governo directo. Através da criação de províncias autónomas, os colonos reduziram o sistema governamental britânico até o extinguirem em 1774. O conflito armado entre os regulares britânicos e as milícias coloniais rebentou nas batalhas de Lexington e Concord em Abril de 1775. Depois de as petições à coroa para que o Parlamento interviesse terem sido ignoradas, os líderes rebeldes foram declarados rebeldes pela coroa e seguiu-se um ano de luta. As colónias declararam a sua independência em Julho de 1776, dando como razões o descontentamento contra o rei e a legislatura britânica enquanto pediam o apoio da população. Entre outras acusações a Jorge, a Declaração afirmava: "Abdicou do governo aqui (...) Saqueou os nossos mares, destruiu as nossas costas, queimou as nossas cidades e destruiu as vidas do nosso povo." A estátua equestre dourada de Jorge III em Nova Iorque foi derrubada.[53] Os britânicos conquistaram a cidade em 1776, mas perderam Boston e o grande plano estratégico de invadir o país a partir do Canadá e cortar Nova Inglaterra falhou quando o tenente-general John Burgoyne se rendeu na Batalha de Saratoga.

Jorge III é muitas vezes acusado de tentar manter a Grã-Bretanha em guerra contra os revolucionários na América de forma obstinada, indo contra a opinião dos seus ministros. Nas palavras do escritor vitoriano George Trevelyan, o rei estava determinado "a nunca reconhecer a independência das Américas, e a castigar a sua teimosia através do prolongamento indeterminado de uma guerra que prometia ser eterna."[54] O rei queria "manter os rebeldes perturbados, preocupados e pobres até ao dia em que, num processo natural e inevitável, o descontentamento e o desapontamento se convertessem em penitência e remorso".[55] Contudo, mais recentemente, os historiadores têm vindo a defender Jorge, afirmando que nenhum rei no contexto da época teria entregue um território daquela magnitude de boa vontade,[56] e a sua conduta foi muito menos dura do que a de muitos monarcas europeus da sua época.[57] Depois de Saratoga, tanto o Parlamento como o povo britânico eram a favor da guerra; havia muito recrutamento e, embora a oposição espalhasse a sua opinião, continuava a ser uma minoria.[58] Com os contratempos na América, o primeiro-ministro, Lord North, pediu para transferir o seu poder para Lord Chatham, alguém que achava ter mais capacidades, mas Jorge recusou-se a fazê-lo. Pelo contrário, sugeriu que Chatham prestasse serviço como ministro subordinado no governo de Lord North, mas Chatham recusou-se a cooperar. Acabaria por morrer algum tempo depois, nesse mesmo ano.[59] No início de 1778, a França (principal rival da Grã-Bretanha) assinou um tratado de aliança com os Estados Unidos e o conflito subiu de tom. Os Estados Unidos e a França aliaram-se pouco depois à Espanha e à República Holandesa, enquanto a Grã-Bretanha não tinha aliados de relevo do seu lado. Lord Gower e Lord Weymouth demitiram-se ao mesmo tempo do governo. Lord North voltou a pedir permissão para fazer o mesmo, mas ficou no seu cargo devido à insistência de Jorge III.[60] A oposição à guerra que se tornava cada vez mais dispendiosa começou a aumentar e, em Junho de 1780, contribuiu para alguns distiurbios em Londres, que ficaram conhecidos como os motins de Gordon.[61]

Ainda durante o Cerco de Charleston em 1780, os lealistas acreditavam na sua eventual vitória, uma vez que as tropas britânicas tinham sofrido grandes derrotas nas suas forças continentais na Batalha de Camden e na Batalha de Guilford Court House.[62] Em finais de 1781, as notícias da rendição de Lord Cornwallis no Cerco de Yorktown chegaram a Londres. Foi retirado o apoio parlamentar a Lord North e o primeiro-ministro demitiu-se no ano seguinte. O rei fez um rascunho da nota de abdicação que nunca foi entregue,[63] aceitando finalmente a derrota na América do Norte e deu autorização para negociar a paz. Os Tratados de Paris, através dos quais a Grã-Bretanha reconheceu a independência dos estados americanos e devolveu a Florida a Espanha, foram rectificados em 1783.[64] Quando John Adams foi nomeado Ministro Americano em Londres em 1785, Jorge já tinha aceite a nova relação entre o seu país e as antigas colónias. Contou a Adams que "fui o último a consentir a separação; mas depois de a separação acontecer e tal se ter tornado inevitável, disse sempre, tal como digo agora, que seria o primeiro a aceitar a amizade dos Estados Unidos como potência independente."[65]

Luta Constitucional[editar | editar código-fonte]

Com o colapso do ministério de Lord Noth em 1782, o liberal Lord Rockingham tornou-se primeiro-ministro pela segunda vez, mas morreu poucos meses depois. O rei nomeou então Lord Shelburne para o substituir. Contudo, Charles James Fox recusou-se a prestar serviço com a liderança de Shelburne e exigiu a nomeação do duque de Portland. Em 1783, a Câmara dos Comuns forçou Lord Shelburne a demitir-se do seu cargo e o seu governo foi substituído pela Coligação Fox-Borth. O duque de Portland tornou-se primeiro-ministro tendo Fox e Lord North como secretário dos assuntos externos e secretário dos assuntos internos respectivamente.[66]

O rei odiava Fox profundamente tanto devido às suas políticos como devido ao seu carácter. Achava que Fox não tinha princípios e que era uma má influência para o príncipe de Gales.[67] Jorge III estava angustiado por ter de nomear ministros dos quais não gostava, mas o ministério de Portland conseguiu obter rapidamente a maioria na Câmara dos Comuns e não seria fácil tirá-los do lugar que tinham alcançado. Também ficou angustiado quando o governo apresentou o projecto-de-lei da Índia que propunha a reforma do governo da Índia transferindo o poder político da Companhia Britânica das Índias Orientais para comissários do Parlamento.[68] Apesar de o rei preferir controlar mais a Companhia, os comissários propostos eram todos aliados de Fox.[69] Logo depois de a Câmara dos Comuns ter passado a proposta, Jorge deu permissão a Lord Temple para informar a Câmara dos Lordes de que viria qualquer membro que votasse a favor da proposta como seu inimigo. A proposta foi rejeitada pelos Lordes. Três dias depois, o ministério de Portland foi dispensado e William Pitt, o Novo, foi nomeado primeiro-ministro, tendo Temple como seu secretário de estado. A 17 de Dezembro de 1783, o Parlamento votou a favor de uma acção que condenava a influência do monarca na votação parlamentar, classificando-a de "um crime grave" e Temple foi forçado a demitir-se. A partida de Temple destabilizou o governo. Três meses depois o governo perdeu a sua maioria e foi dissolvido. A eleição que se seguiu deu a Pitt um mandato firme.[70]

William Pitt[editar | editar código-fonte]

As três filhas mais novas do rei Jorge III por John Singleton Copley

Para Jorge III, a nomeação de Pitt foi uma grande vitória. Era a prova de que ele podia nomear primeiros-ministros com base na sua própria interpretação da vontade popular sem ter de seguir a escolha da maioria actual da Câmara dos Comuns. Durante o período em que o ministério de Pitt governou, Jorge apoiou muitos dos seus objectivos políticos e criou novos nobres a um ritmo nunca antes visto para aumentar o número de apoiantes de Pitt na Câmara dos Lordes.[71] Durante e após este período, Jorge III tornou-se muito popular na Grã-Bretanha.[72] O povo britânico admirava-o pela sua piedade religiosa e por permanecer fiel à sua esposa.[73] O rei também gostava muito dos seus filhos e ficou devastado com a morte de dois dos seus filhos ainda muito novos em 1782 e 1783 respectivamente.[74] Apesar de tudo, criou um regime severo para os filhos que tinham de ter lições religiosas a partir das sete da manhã e viver as suas vidas de forma virtuosa e religiosa.[75] Quando os seus filhos se afastaram dos princípios defendidos por Jorge, algo que fizeram quando se tornaram jovens, o rei ficou angustiado e desiludido.[76]

Nesta altura, a saúde de Jorge começava a deteriorar. Sofria de uma doença mental que provavelmente era um sintoma da doença genética porfíria,[77] apesar de esta teoria ter sido questionada.[78] Um estudo realizado a amostras do cabelo do rei publicado em 2005, revelou altos níveis de arsénio, a substância que pode ter impulsionado a doença. A fonte do arsénio não é conhecida, mas pode ter sido um componente de medicamentos ou cosméticos.[79] O rei pode ter sofrido um breve episódio da doença em 1765, mas um episódio mais longo começou no verão de 1788. No final de uma sessão do Parlamento, o rei foi para o Spa de Cheltenham para recuperar. Foi o mais longe que já tinha estado de Londres, cerca de 150 quilómetros, mas os sintomas pioraram. Em Novembro ficou gravemente demente, chegando a falar durante várias horas seguidas sem parar, o que fazia com se formasse espuma na sua boca e tornava a sua voz rouca.[80] Os seus médicos não sabiam de que forma podiam explicar a doença, o que levou à difusão de algumas histórias sobre a saúde do rei, como por exemplo um relato que afirmava que Jorge tinha trocado um aperto de mão com uma árvore que tinha confundido com o rei da Prússia.[81] O tratamento para doenças mentais ainda era primitivo na época quando comparado com os parâmetros modernos e os médicos do rei, que incluíam Francis Willis, trataram o rei através de métodos como prendê-lo à força até que ele se acalmasse ou a aplicação de cataplasmas causticos para afastar "os maus humores".[82]

Quando o parlamento foi convocado, Fox e Pitt entraram em disputa quanto aos termos de uma regência durante a incapacidade do rei. Embora ambos concordassem que nomear o filho mais velho e herdeiro de Jorge III, o príncipe de Gales, para o lugar de Regente seria o mais sensato, no entanto, para consternação de Pitt, Fox sugeria que o príncipe de Gales tinha todo o direito de agir em nome do seu pai doente com plenos poderes. Pitt, que temia ser dispensado caso o príncipe de Gales subisse ao poder, argumentou que apenas o Parlamento podia nomear um regente e queria limitar a sua autoridade.[83] Em Fevereiro de 1789, o projecto de lei da Regência foi apresentado e aprovado na Câmara dos Comuns, mas antes de a Câmara dos Lordes conseguir aprovar a proposta, Jorge III recuperou.[84]

Guerras contra a França[editar | editar código-fonte]

O rei Jorge III por Sir William Beechey.

Após a recuperação de Jorge, a popularidade do rei e de Pitt continuaram a aumentar graças a Fox e ao príncipe de Gales.[85] O seu tratamento humano e compreensão de dois assaltantes loucos, Margaret Nicholson em 1786 e John Frith em 1790, contribuiu para a sua popularidade.[86] A 15 de Maio de 1800, ocorreu uma tentativa falhada de matar o rei, levada a cabo por motivos não-políticos por James Hadfield que, em devaneio, disparou contra o rei no Teatro de Drury Lane. Jorge permaneceu de tal forma imperturbável durante este incidente que acabou por adormecer durante o intervalo.[87]

A Revolução Francesa de 1789 que tinha derrubado a monarquia, preocupava muitos senhores de terras britânicos. A França declarou guerra à Grã-Bretanha em 1793. Durante a tentativa de guerra, Jorge deu permissão a Pitt para que aumentasse os impostos, convocasse os exércitos e suspendesse o direito ao habeas corpus. A Primeira Coligação a opôr-se à França revolucionária incluía a Áustria, Prússia e Espanha e separou-se em 1795, quando a Prússia e Espanha assinaram uma Paz separada com a França.[88] A Segunda Coligação, que incluía a Áustria, Rússia e o Império Otomano foi derrotada em 1800. A Grã-Bretanha era o único país que restava para lutar contra Napoleão Bonaparte, o Primeiro Cônsul da República Francesa.

Quando as hostilidades acalmaram durante um breve período de tempo, Pitt pôde concentrar os seus esforços na Irlanda, onde tinha havido uma revolta e uma tentativa falhada de invasão por parte dos franceses em 1798.[89] Em 1800, os parlamentos da Irlanda e da Grã-Bretanha aprovaram o Decreto de União que entrou em vigor a partir de 1 de Janeiro de 1801 e unia a Grã-Bretanha e a Irlanda num único estado, conhecido como o "Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda". Jorge aproveitou esta oportunidade para deixar de usar o título "rei de França", que os soberanos ingleses e britânicos tinham mantido desde o reinado de Eduardo III.[90] Sugeriu-se que Jorge devia adoptar o título "imperador das Ilhas Britânicas", mas o rei recusou-se a fazê-lo.[91] Um dos planos de Pitt para a sua política na Irlanda era acabar com certas deficiências que se aplicavam aos católicos. Jorge III defendia que emancipar os católicos seria violar o juramento que fez na sua coroação, no qual os soberanos prometem manter o Protestantismo.[92] Tendo o rei e o povo britânico contra as suas políticas de reforma religiosa, Pitt ameaçou demitir-se.[93] Por volta da mesma altura, o rei sofreu uma recaída na sua doença, algo que culpou na preocupação que sentia pela questão católica.[94] A 14 de Março de 1801, Pitt foi substituído formalmente pelo Orador da Câmara dos Comuns, Henry Addington. Addington era contra a emancipação, contas anuais instituídas, aboliu o imposto de renda e iniciou um programa de desarmamento. Em Outubro de 1801, assinou um tratado de paz com os franceses e, em 1802, assinou o Tratado de Amiens.[95]

Jorge não considerava a paz com França real; no seu ponto de vista, tratava-se apenas de uma "experiência".[96] Em 1803, a guerra voltou, mas a opinião pública não confiava em Addington para liderar a nação em guerra, dando preferência a Pitt. Uma invasão por parte de Napoleão a Inglaterra parecia iminente, encorajando a organização massiva de um movimento de voluntários que queriam defender Inglaterra dos franceses. A revista militar de Jorge a 27.000 voluntários em Hyde Park, Londres, a 26 e 28 de Outubro de 1803 e no ponto mais alto de medo por uma invasão, atraiu cerca de 500.000 visitantes por dia.[97] O jornal The Times escreveu: "Não há palavras para descrever o entusiasmo da multidão."[98] Um cortesão escreveu a 13 de Novembro que "o rei está realmente preparado para ir para o campo de batalha caso sejamos atacados, as camas dele estão prontas e pode avançar apenas com meia-hora de aviso".[99] Jorge escreveu ao seu amigo, o bispo Hurd que "estamos aqui na expectativa diária de que Napoleão vai tentar a ameaçada invasão (...) Se as tropas dele tentarem desembarcar, vou liderar as minhas tropas e outros súbditos armados de certeza para os afastar."[100] Após a vitória histórica do almirante Lord Nelson na Batalha de Trafalgar, a hipótese de uma invasão ficou anulada.[101]

Em 1804, Jorge voltou a sofrer um ataque da sua doença recorrente; depois de recuperar, Addington demitiu-se e Pitt voltou ao poder. Pitt queria nomear Fox para o seu ministério, mas Jorge III não lhe deu permissão. Lord Grenville pensou que esta atitude era injusta para Fox e recusou juntar-se ao novo ministério.[102] Pitt concentrou os seus esforços em formar uma coligação com a Áustria, Rússia e Suécia. Contudo, esta Terceira Coligação teve o mesmo destino que as duas anteriores, chegando ao fim em 1805. Os contratempos na Europa afectaram a saúde de Pitt que morreu em 1806, voltando a abrir a questão de quem deveria prestar serviço no ministério. Lord Grenville tornou-se primeiro-ministro e o seu "Ministério de Todos os Talentos" incluía Fox. O rei acabaria por reconciliar-se com Fox depois de ser forçado a aceitar a sua nomeação. Após a morte de Fox em Setembro de 1806, o rei e o ministério entraram em conflito aberto. Para encorajar o recrutamento, o ministério propôs uma medida em Fevereiro de 1807 que permitia o serviço militar a católicos em todas as categorias das forças armadas. Jorge deu instruções não só para acabar com esta medida, mas também para nunca mais pensar em medias semelhantes. Os ministros concordaram em deixar a medida que estava na calha, mas recusaram comprometer-se para o futuro.[103] Por causa disso, foram dispensados e substituídos pelo duque de Portland como primeiro-ministro oficial enquanto o verdadeiro poder pertencia ao Chanceler de Exchequer, Spencer Perceval. O Parlamento foi dissolvido e a eleição seguinte deu uma maioria forte ao ministério na Câmara dos Comuns. Jorge III não voltaria a tomar mais decisões políticas importantes no seu reinado. A substituição do duque de Portland por Perceval em 1809 teve pouca importância real.[104]

Últimos Anos[editar | editar código-fonte]

Jorge III nos seus últimos anos.

Em finais de 1810, no ponto alto da sua popularidade[105] mas já quase cego por causa das cataratas e em sofrimento por causa do reumatismo, Jorge III ficou perigosamente doente. O rei achava que a doença tinha surgido devido ao stress que sofreu com a morte da sua filha mais nova e favorita, a princesa Amélia.[106] A ama da princesa afirmou que "as cenas de desespero e chorar todos os dias (...) eram de uma melancolia que não pode ser descrita."[107] Jorge aceitou a necessidade do Decreto de Regência de 1811,[108] e o príncipe de Gales passou a ser o regente do país durante o resto da vida de Jorge III. Apesar de ter mostrado sinais de recuperação em Maio de 1811, no final desse ano Jorge tornou-se permanentemente louco e viveu como recluso no Castelo de Windsor até à sua morte.[109]

O primeiro-ministro Spencer Perceval foi assassinado em 1812 (foi o único primeiro-ministro britânico que sofreu tal destino) e foi substituído por Lord Liverpool. Liverpool supervisionou a vitória britânica nas Guerras Napoleónicas. No Congresso de Viena, que se seguiu a este acontecimento, conseguiram obter-se ganhos territoriais significativos para Hanôver que foi elevado de eleitorado a reino.

Entretanto, a saúde de Jorge deteriorava-se. Sofria de demência e ficou completamente cego e cada vez mais surdo. Era incapaz de saber ou compreender que foi declarado rei de Hanôver em 1814, ou que a sua esposa tinha morrido em 1818.[110] No Natal de 1819 falou durante cinquenta-e-oito horas sem fazer qualquer sentido e nas suas últimas semanas de vida não conseguia andar.[111] Morreu no Castelo de Windsor às oito e trinta e oito da manhã do dia 29 de Janeiro de 1820, seis dias após a morte do seu quarto filho, o duque de Kent. O seu filho preferido, Frederico, duque de Iorque, estava a seu lado.[112] Jorge III foi enterrado a 16 de Fevereiro na Capela de São Jorge no Castelo de Windsor.[113]

Jorge foi sucedido por dois dos seus filhos, Jorge IV e Guilherme IV. Ambos morreram sem deixar descendentes legítimos, o que fez com que o trono passasse para a única filha legitima do duque de Kent, Vitória, a última monarca da Casa de Hanôver.

Legado[editar | editar código-fonte]

Estátua de Jorge III no Castelo de Lincoln em Lincoln, Lincolnshire, Inglaterra.

Jorge III viveu oitenta e um anos e duzentos e trinta e nove dias e reinou cinquenta e nove anos e noventa e seis dias: tanto a sua vida como o seu reinado duraram mais do que os de qualquer dos seus antecessores. Apenas a rainha Vitória e a rainha Isabel II viveram e reinaram por mais tempo.

Jorge III recebeu a alcunha "Farmer George" [O Agricultor Jorge] de satíricos que inicialmente zombaram o seu interesse por assuntos mundanos e não por política, mas, mais tarde, acabaram por comparar o seu estilo de vida caseiro com a grandiosidade do filho para retratar como um homem do povo.[114] Com Jorge III, que se interessava muito por agricultura,[115] a Revolução Agrária Britânica atingiu o seu ponto alto e registaram-se grandes avanços em campos como a ciência e a industria. Houve um crescimento sem precedentes na população rural que, por sua vez, forneceu grande parte dos trabalhados para a Revolução Industrial.[116] A colecção de instrumentos matemáticos e científicos de Jorge encontra-se actualmente guardada no Museu da Ciência em Londres; pagou a construção e manutenção do telescópio de William Herschel, o maior alguma vez construído na altura.[117] Herschel descobriu o planeta Úrano ao qual chamou inicialmente chamou Georgium Sidus (Estrela de Jorge) em honra do rei em 1781.

Jorge III esperava que "a língua da malícia não pinte as minhas intenções com aquelas cores que admira, nem bajular-me além daquilo que mereço",[118] mas na mente popular, Jorge III sempre foi criticado e louvado. Embora fosse muito popular no início do seu reinado, em meados da década de 1770, Jorge tinha perdido a lealdade dos colonos americanos revolucionários,[119] apesar de se estimar que cerca de metade dos colonos tivessem permanecido leais.[120] As mágoas da Declaração de Independência dos Estados Unidos estavam presentes como "danos e usurpações repetidas" que ele tinha cometido para estabelecer uma "Tirania absoluta" nas colónias. As palavras da declaração contribuíram para a percepção por parte do público americano de que Jorge era um tirano. Os relatos contemporâneos sobre a vida de Jorge III dividem-se em duas categorias: uma que demonstra "atitudes dominantes nos últimos anos do seu reinado, quando o rei se tinha tornado um símbolo venerado de resistência nacional contra os ideais e o poder francês", e outra "ia buscar a sua visão do rei às duas primeiras décadas conflituosas do seu reinado e tendem a expressar as opiniões da oposição nos seus trabalhos".[121] Construindo os seus trabalhos com base nesta segunda categoria, os historiadores britânicos do século XIX e início do século XX, tais como Trevelyan e Erskine May, promoveram interpretações hostis da vida de Jorge III. Contudo, em meados do século XX, o trabalho de Lewis Namier, que achava que Jorge era "muito difamado", deu início a uma reavaliação do homem e do seu reinado.[122] Os intelectuais de finais do século XX, tais como Butterfield e Pares, e Macalpine e Hunter, inclinam-se mais para tratar Jorge com compaixão, vendo-o como uma vitima das circunstâncias e da doença. Butterfield rejeitou os argumentos dos seus predecessores britânicos com grande desdém: "Erskine May é um bom exemplo da forma como um historiador pode errar devido a um excesso de esplendor. A sua capacidade de síntese e a sua capacidade para encaixar vários lados das provas (...) levaram-no a uma elaboração de um erro mais profunda e complicada do que alguns dos seus predecessores (...) inseriu um elemento doutrinal na sua história que, devido às suas anomalias originais, foi calculada de forma a projectar as linhas do seu erro, afastando ainda mais o seu trabalho da centralidade da verdade."[123] Ao continuar a guerra com os colonos americanos, Jorge III acreditava que estava a defender o direito de um Parlamento eleito cobrar impostos, e não a tentar aumentar o seu próprio poder e prerrogativas[124] . Na opinião dos intelectuais modernos, durante o longo reinado de Jorge III, a monarquia continuou a perder o seu poder político e cresceu na sua função de representação do moral.[125]

Títulos, estilos e brasões[editar | editar código-fonte]

Títulos e estilos[editar | editar código-fonte]

  • 4 de junho de 1738 – 31 de março de 1751: "Sua Alteza Real, o Príncipe Jorge"[126]
  • 31 de março de 1751 – 20 de abril de 1751: "Sua Alteza Real, o Duque de Edimbugo"
  • 20 de abril de 1751 – 25 de outubro de 1760: "Sua Alteza Real, o Príncipe de Gales"
  • 25 de outubro de 1760 – 29 de janeiro de 1820: "Sua Majestade, o Rei"

Na Grã-Bretanha, seu estilo oficial era "Jorge Terceiro, pela Graça de Deus, Rei da Grã-Bretanha, França e Irlanda, Defensor da Fé, e assim por diante". Em 1801, quando a Grã-Bretanha se uniu a Irlanda, ele abandonou o título de "Rei da França" que havia sido usado por todos os monarcas britânicos desde a reivindicação ao trono francês de Eduardo III na Idade Média.[127] Seu estilo passou a ser "Jorge Terceiro, pela Graça de Deus, do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, Rei, Defensor da Fé".[128]

Na Germânia, ele era o "Duque de Brunsvique-Luneburgo, Arquitesoureiro e Príncipe-Eleitor do Sacro Império Romano-Germânico" até o fim do império em 1806. Ele então continuou como duque até o Congresso de Viena o declarar em 1814 como "Rei de Hanôver".[128]

Brasões[editar | editar código-fonte]

Antes de chegar ao trono, Jorge recebeu o brasão real em 27 de julho de 1749, diferenciado por um lambel azure de cinco pés, com o pé central tendo uma flor-de-lis or. Após a morte de seu pai e junto com o ducado de Edimburgo e a posição de herdeiro aparente, ele herdou o brasão real diferenciado por um lambel argente de três pés. Em uma diferença adicional, a coroa de Charlemagne não era representada no brasão do herdeiro, apenas no do soberano.[129]

De sua ascensão ao trono até 1800, Jorge usou o real brasão de armas sem diferenciamento: esquatrelado, I goles, três leões passant guardant or em pala (pela Inglaterra) empalando or, um leão rampant dentro de um treassure goles (pela Escócia); II azure, três flores-de-lis or (pela França); III azure, uma harpa or com cordas argente (pela Irlanda); IV, terciado em pala e em asna (por Hanôver), I goles, dois leões passant guardant or (por Brunsvique), II or, uma semé de corações goles, um leão rampant azure (por Luneburgo), III goles, um cavalo courant argente (por Vestfália); em cima um escudo interior goles com a coroa de Charlemagne em or (pela dignidade do Arquitesoureiro do Sacro Império Romano-Germânico).[130]

Depois do Ato de União de 1800, o brasão real foi alterado retirando o quartel francês. Eles se tornaram: esquatrelado, I e IV Inglaterra; II Escócia; III Irlanda; em cima um escudo interior de Hanõver encimado por um gorro eleitoral.[131] Quando o Eleitorado de Hanôver se transformou em um reino em 1816, o gorro eleitoral foi trocado por uma coroa.

Descendência[editar | editar código-fonte]

Imagem Nome Nascimento Morte Notas[132]
George IV of the United Kingdom.jpg Jorge IV do Reino Unido 12 de agosto de 1762 26 de junho de 1830 Casou-se com Carolina de Brunsvique em 1795, com descendência.
Frederick, Duke of York and Albany by John Jackson.jpg Frederico, Duque de Iorque e Albany 16 de agosto de 1763 5 de janeiro de 1827 Casou-se com Frederica Carlota da Prússia em 1791, sem descendência.
William IV of Great Britain c. 1850.jpg Guilherme IV do Reino Unido 21 de agosto de 1765 20 de junho de 1837 Casou-se com Adelaide de Saxe-Meiningen em 1818, sem descendência.
Charlotte, Princess Royal.jpg Carlota, Princesa Real 29 de setembro de 1766 6 de outubro de 1828 Casou-se com Frederico I de Württemberg em 1797, sem descendência.
Edward, Duke of Kent and Strathearn by Sir William Beechey.jpg Eduardo, Duque de Kent e Strathearn 2 de novembro de 1767 23 de janeiro de 1820 Casou-se com Vitória de Saxe-Coburgo-Saalfeld em 1818, com descendência.
Princess Augusta.jpg Augusta Sofia do Reino Unido 8 de novembro de 1768 22 de setembro de 1840 Não se casou.
Princess Elizabeth (1770-1840).jpg Isabel do Reino Unido 22 de maio de 1770 10 de janeiro de 1840 Casou-se com Frederico VI de Hesse-Homburgo em 1818, sem descendência.
Ernest1850.jpg Ernesto Augusto I de Hanôver 5 de junho de 1771 18 de novembro de 1851 Casou-se com Frederica de Mecklemburgo-Strelitz em 1815, com descendência.
Prince Augustus Frederick, Duke of Sussex by Guy Head.jpg Augusto Frederico, Duque de Sussex 27 de janeiro de 1773 22 de abril de 1843 Casou-se com Cecília Underwood em 1831, sem descendência.
Adolphus Frederick Duke of Cambridge.JPG Adolfo, Duque de Cambridge 24 de fevereiro de 1774 8 de junho de 1850 Casou-se com Augusta de Hesse-Cassel em 1818, com descendência.
Princess Mary (1776-1857).jpg Maria do Reino Unido 25 de abril de 1776 30 de abril de 1857 Casou-se com Guilherme Frederico de Gloucester e Edimburgo em 1816, sem descendência.
Princess Sophia.jpg Sofia do Reino Unido 3 de novembro de 1777 27 de maio de 1848 Não se casou.
Octavius of Great Britain - after Gainsborough 1782-84.jpg Otávio do Reino Unido 23 de fevereiro de 1779 3 de maio de 1783 Morreu aos 4 anos.
Prince Alfred of Great Britain.jpg Alfredo do Reino Unido 22 de setembro de 1780 20 de agosto de 1782 Morreu aos 23 meses.
Princess Amelia (1783-1810).jpg Amélia do Reino Unido 7 de agosto de 1783 2 de novembro de 1810 Não se casou, morreu aos 27 anos.

Ancestrais[editar | editar código-fonte]

Referências

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  6. Brooke, pp. 23–41
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  13. Ayling, p. 33
  14. Ayling, p. 54; Brooke, pp. 71–72
  15. yling, pp. 36–37; Brooke, p. 49; Hibbert, p. 31
  16. Benjamin, Lewis Saul (1907), Farmer George, Pitman and Sons, p. 62
  17. Foi dito falsamente que Jorge se tinha casado com Hannah Lightfoot, pertencente a uma seita, a 17 de Abril de 1759, antes do seu casamento com Carlota, e que tinha tido pelo menos um filho com ela. Contudo, Lightfoot tinha-se casado com Isaac Axford em 1753 e tinha morrido em ou antes de 1759, por isso seria impossível ter contraído um casamento legal ou dar à luz qualquer filho do rei. O júri no do julgamento de Lavinia Ryves, filha da impostora Olivia Serres, que se tinha feito passar por princesa Olive de Cumberland, realizado em 1866, chegou a consenso no facto de que a suposta certidão de casamento apresentada por Ryves era falsa (Existem documentos relacionados com o caso. The National Archives, consultado a 14 de Outubro de 2008)
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  19. Ayling, pp. 85–87
  20. Ayling, p. 378; Cannon and Griffiths, p. 518
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  23. Brooke, p. 156.
  24. Brendan Simms and Torsten Riotte, The Hanoverian Dimension in British History, 1714–1837 (Cambridge University Press, 2007), p. 58.
  25. Por exemplo, as cartas e Horace Walpole escritas na altura da ascensão defendiam Jorge, mas nas suas memórias, o antigo ministro foi mais hostil. (Butterfield, pp. 22, 115–117 and 129–130).
  26. Hibbert, p. 86; Watson, pp. 67–79
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  30. Watson, p. 88
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  32. Ayling, p. 194; Brooke, pp. xv, 214 and 301
  33. Brooke, p. 215
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  36. Brooke, p. 145; Carretta, pp. 59 and 64 ff.; Watson, p. 93
  37. Brooke, pp. 146–147
  38. Watson, pp. 183–184
  39. Um contribuinte americano pagava, no máximo, seis pence por ano, contra uma média de trinta e cinco xelins (50 vezes mais) em Inglaterra (Cannon and Griffiths, p. 505; Hibbert, p. 122) Em 1763, a receita total de impostos na América foi de cerca de 1800 libras, enquanto o custo anual do exército na América era de cerca de duzentas e vinte e cinco mil libras. Em 1767, este custo era já de quatrocentas mil libras (Cannon and Griffiths, p. 505)
  40. Black, p. 82
  41. Watson, pp. 184–185
  42. Ayling, pp. 122–133; Hibbert, pp. 107–109; Watson, pp. 106–111
  43. Ayling, pp. 122–133; Hibbert, pp. 111–113
  44. Ayling, p. 137; Hibbert, p. 124
  45. Ayling, pp. 154–160; Brooke, pp. 147–151
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