Frederico I de Württemberg

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Frederico I de Württemberg
Rei de Württemberg
Rei de Württemberg
Período 26 de Dezembro de 1805 - 30 de Outubro de 1816
Predecessor Novo título
Sucessor Guilherme I de Württemberg
Duque de Württemberg
23 de dezembro de 1797 - 26 de dezembro de 1805
Predecessor Frederico Eugénio II, Duque de Württemberg
Sucessor Fim de título
Cônjuge Augusta de Brunswick-Wolfenbüttel
Carlota, Princesa Real
Descendência
Guilherme I de Württemberg
Catarina de Württemberg
Sofia Doroteia de Württemberg
Paulo de Württemberg
Pai Frederico Eugénio II, Duque de Württemberg
Mãe Sofia Doroteia de Brandemburgo-Schwedt
Nascimento 6 de Novembro de 1754
Trzebiatów, Polónia
Morte 30 de outubro de 1816 (51 anos)

Frederico I de Württemberg (em alemão Karl Friedrich Wilhelm von Württemberg) 6 de novembro de 1754 - 30 de outubro de 1816 foi duque, príncipe-eleitor e o primeiro rei de Württemberg. Era conhecido pelo seu tamanho, 2,11 m e o seu peso cerca de 200 kg.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Caricatura comparando o peso e altura de Frederico e Napoleão.

Nascido em Trzebiatów, na Polónia, Frederico era o filho mais velho do duque Frederico II Eugénio de Württemberg e da marquesa Sofia Doroteia de Brandemburgo-Schwedt. O pai de Frederico era o terceiro filho do duque Carlos Alexandre de Württemberg e, assim, Frederico era sobrinho do duque Carlos Eugénio de Württemberg que governou durante vários anos, bem como do duque Carlos Eugénio, nenhum dos quais tinha filhos e, por isso, era esperado que um dia Frederico herdasse o ducado.

A irmã mais nova de Frederico, Sofia Doroteia, casou-se com Paulo, futuro czar da Rússia, em 1776.

Alguns anos mais tarde, Frederico foi com ela para a Rússia, onde a imperatriz Catarina II o nomeou governador-geral da Finlândia Oriental, com capital em Viipuri.

Frederico casou-se com a duquesa Augusta de Brunswick-Wolfenbüttel a 15 de outubro de 1780 em Brunswick. O casamento não foi feliz. Apesar de terem tido quatro filhos, corriam rumores de que Frederico era bissexual e tinha casos amorosos com jovens nobres.

Segundo alguns relatos, Frederico era violento com a sua esposa e, durante uma visita a São Petersburgo em dezembro de 1786, Augusta pediu protecção à imperatriz Catarina. Catarina ofereceu asilo a Augusta e ordenou que Frederico deixasse a Rússia. Quando a irmã de Frederico, Maria Feodorovna, protestou contra o tratamento dado ao seu irmão, Catarina respondeu: "Não sou eu quem cobre o príncipe de Württemberg de vexame, muito pelo contrário: sou eu quem tenta esconder as suas abominações e é meu dever impedir que aconteçam mais." Augusta morreu em 1788.

Em 1797, Frederico casou-se com a princesa Carlota, filha do rei Jorge III da Grã-Bretanha.

A 22 de Dezembro de 1797, o pai de Frederico, que tinha sucedido ao seu irmão como duque de Württemberg dois anos antes, morreu, e Frederico tornou-se duque de Württemberg como Frederico III. Contudo, não teria um reinado calmo por muito tempo. Em 1800, o exército francês ocupou o ducado e o duque e a duquesa fugiram para Viena. Em 1801, o duque Frederico entregou o território de Montbéliard à Republica Francesa e recebeu a região de Ellwangen em troca dois anos depois.

No Reichsdeputationshauptschluss, que reorganizou o império devido à anexação francesa da margem ocidental do Reno, o duque de Württemberg passou a ser reconhecido como príncipe-eleitor. Frederico assumiu este título a 25 de fevereiro de 1803 e passou a partir de então a ser conhecido como príncipe-eleitor de Württemberg. A reorganização do império também deu ao novo príncipe-eleitor controlo sob vários territórios eclesiásticos e antigas cidades livres, o que aumentou consideravelmente o tamanho dos seus territórios.

Em troca de ter fornecido uma grande ajuda militar a França, Napoleão reconheceu o príncipe-eleitor como rei de Württemberg a 26 de dezembro de 1805. Frederico tornou-se então rei Frederico I e subiu formalmente ao trono a 1 de janeiro de 1806, dia em que foi coroado em Estugarda. Pouco depois, Württemberg afastou-se do Sacro Império Romano-Germânico e juntou-se à Confederação do Reno, dominada por Napoleão. Mais uma vez, a aquisição de um novo título também significou um aumento de território, uma vez que os territórios de vários príncipes próximos tinham sido conquistados e anexados a Württemberg. Como símbolo da sua aliança com Napoleão, a filha de Frederico, a princesa Catarina, casou-se com o irmão mais novo de Napoleão, Jérôme Bonaparte. A aliança do novo rei com a França tornava-o tecnicamente inimigo do seu sogro, o rei Jorge III. Contudo, as ligações dinásticas do rei permitiram-lhe tornar-se um intermediário entre a Grã-Bretanha e os vários poderes continentais.

Durante a Guerra da Libertação em 1813, Frederico trocou de lealdades e juntou-se aos aliados, onde o seu estatuto de cunhado do príncipe-regente da Grã-Bretanha (mais tarde o rei Jorge VI) e tio do czar Alexandre I da Rússia o ajudaram a ser aceite. Após a queda de Napoleão, Frederico esteve presente no Congresso de Viena onde foi confirmado o seu título de rei. Em Viena, Frederico e os seus ministros estavam muito preocupados com a manutenção de todos os territórios que o reino tinha conquistado nos quinze anos anteriores, no entanto, o tratamento duro que o rei tinha dado aos príncipes que perderam territórios para Württemberg, fizeram dele um dos alvos principais da organização de príncipes depostos que esperava conquistar o apoio das grandes potências para reconquistar os seus territórios perdidos. Contudo, no final, a Áustria, que era vista como aliada neutra dos príncipes, estava mais interessada em aliar-se ao estados alemães mais importantes como Württemberg do que assumir o seu papel tradicional de protectora dos estados mais pequenos do velho império. Assim, Frederico pôde manter os territórios adquiridos de forma duvidosa. O rei, juntamente com outros príncipes alemães, juntou-se à Confederação Germânica em 1815. Morreu em Estugarda em outubro do ano seguinte.

Legado[editar | editar código-fonte]

Quando se tornou rei, Frederico deu aos seus filhos e futuros descendentes na linha masculina os títulos de príncipes e princesas de Württemberg com o tratamento de Alteza Real, conferindo o mesmo tratamento mas os títulos de duques e duquesas de Württemberg aos seus irmãos.

Era muito alto e obeso: pelas costas era conhecido como o "Governante da Grande Barriga". Napoleão chegou mesmo a dizer que Deus tinha criado o príncipe para mostrar até que ponto a pele humana conseguia ser esticada sem rebentar.[1] Em resposta, Frederico questionou-se como podia caber tanto veneno numa cabeça tão pequena como a de Napoleão.

Em 1810, Frederico baniu o compositor Carl Maria von Weber de Württemberg, acusando-o de utilizar mal os fundos do seu irmão, o duque Luís de Württemberg para quem Weber tinha trabalhado como secretário desde 1807.

Descendência[editar | editar código-fonte]

Do seu casamento com a duquesa Augusta de Brunswick-Wolfenbüttel nasceram os seguintes filhos.

  1. Guilherme I de Württemberg (27 de setembro de 178125 de junho de 1864), casado primeiro com a princesa Carolina Augusta da Baviera; divorciaram-se sem filhos; casou-se depois com a grã-duquesa Catarina Pavlovna da Rússia; com descendência; a sua terceira e última esposa foi a princesa Paulina Teresa de Württemberg; com descendência.
  2. Catarina de Württemberg (21 de fevereiro de 178328 de novembro de 1835); casada com Jerónimo Bonaparte, irmão de Napoleão Bonaparte; com descendência.
  3. Sofia Doroteia de Württemberg (24 de dezembro de 17833 de outubro de 1784); morreu com menos de um ano de idade.
  4. Paulo de Württemberg (19 de janeiro de 178516 de abril de 1852); casado primeiro com a princesa Catarina Carlota de Saxe-Hildburghausen; com descendência; casado depois com Magdalena Fausta Angela de Creus y Ximenes; sem descendência. Teve também filhos ilegítimos.

Frederico não teve filhos com a sua segunda esposa, a princesa Carlota da Grã-Bretanha.

Genealogia[editar | editar código-fonte]

Os antepassados de Frederico I de Württemberg em três gerações
Frederico I de Württemberg Pai:
Frederico Eugénio II, Duque de Württemberg
Avô paterno:
Carlos Alexandre de Württemberg
Bisavô paterno:
Frederico Carlos de Württemberg-Winnental
Bisavó paterna:
Leonor Juliana de Brandemburgo-Ansbach
Avó paterna:
Maria Augusta de Thurn e Taxis
Bisavô paterno:
Anselmo Francisco, 2.º Príncipe de Thurn e Taxis
Bisavó paterna:
Maria Ludovica Ana Francisca de Lobkowicz
Mãe:
Sofia Doroteia de Brandemburgo-Schwedt
Avô materno:
Frederico Guilherme de Brandemburgo-Schwedt
Bisavô materno:
Filipe Guilherme de Brandemburgo-Schwedt
Bisavó materna:
Joana Carlota de Anhalt-Dessau
Avó materna:
Sofia Doroteia da Prússia
Bisavô materno:
Frederico Guilherme I da Prússia
Bisavó materna:
Sofia Doroteia de Hanôver
Precedido por
-
Rei de Württemberg
1806 - 1816
Sucedido por
Guilherme I

Referências

  1. David, Saul (1998). Prince of Pleasure. New York: Atlantic Monthly Press. pp. 200. ISBN 0-87113-739-9.
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