Ernesto I de Saxe-Gota

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Ernesto I de Saxe-Gota
Duque de Saxe-Gota-Altemburgo
Duque de Saxe-Gota-Altemburgo
Período 1672–1675
Predecessor União Pessoal de Gota e Altemburgo
Sucessor Frederico em Saxe-Gota-Altemburgo
Alberto em Saxe-Coburgo
Bernardo em Saxe-Meiningen
Henrique em Saxe-Römhild
Cristiano em Saxe-Eisemberga
Ernesto em Saxe-Hildburghausen
João Ernesto em Saxe-Coburgo-Saalfeld
Duque de Saxe-Gota
Período 1640–1675
Predecessor João II de Saxe-Weimar
Sucessor União Pessoal de Gota e Altemburgo
Cônjuge Isabel Sofia de Saxe-Altemburgo
Descendência
João Ernesto de Saxe-Gota
Isabel Doroteia de Saxe-Gota-Altemburgo
João Ernesto de Saxe-Gota-Altemburgo
Cristiano de Saxe-Gota-Altemburgo
Sofia de Saxe-Gota-Altemburgo
Joana de Saxe-Gota-Altemburgo
Frederico I de Saxe-Gota-Altemburgo
Alberto V de Saxe-Coburgo
Bernardo I de Saxe-Meiningen
Henrique de Saxe-Römhild
Cristiano de Saxe-Eisenberg
Doroteia Maria de Saxe-Gota-Altemburgo
Ernesto de Saxe-Hildburghausen
João Filipe de Saxe-Gota-Altemburgo
João Ernesto IV de Saxe-Coburgo-Saalfeld
Joana Isabel de Saxe-Gota-Altemburgo
João Filipe de Saxe-Gota-Altemburgo
Sofia Isabel de Saxe-Gota-Altemburgo
Pai João II de Saxe-Weimar
Mãe Doroteia Maria de Anhalt
Nascimento 25 de dezembro de 1601
Altemburgo, Saxe-Weimar, Sacro Império Romano-Germânico
Morte 26 de março de 1675 (73 anos)
Schloss Friedenstein, Gota, Saxe-Gota, Sacro Império Romano-Germânico

Ernesto I de Saxe-Gota, chamado "Ernesto, o Devoto" (25 de dezembro de 1601 - 26 de março de 1675) foi um duque de Saxe-Gota e Saxe-Altemburgo. Os ducados foram mais tarde unidos em Saxe-Gota-Altemburgo.

Era o nono filho, mas sexto sobrevivente, do duque João II de Saxe-Weimar e da sua esposa, a princesa Doroteia Maria de Anhalt. A sua mãe era neta do duque Cristóvão de Württemberg e bisneta do duque Ulrico de Württemberg.

Vida[editar | editar código-fonte]

Depois de ficar órfão ainda novo (o seu pai morreu em 1605 e a sua mãe em 1617), Ernesto foi criado rigorosamente, tornando-se dotado e precoce, mas fraco fisicamente. Não demorou a mostrar características da piedade da altura. Quando governante, devido ao seu carácter e habilidade no governo, bem como pela atenção pessoal que prestava aos assuntos de estado, deu início a uma era dourada para os seus súbditos após a destruição causada pela Guerra dos Trinta Anos. Devido a uma gerência ponderada, que não excluía generosidades apropriadas nem ostentação em ocasiões convenientes, libertou o seu estado das dividas, deixou uma soma considerável aquando da sua morte no tesouro e baixou os impostos. Dedicou-se muito à segurança pública e à criação de um sistema judicial sem corrupção e eficiente e as suas leis serviram de modelo para outros estados.

Não foi suficientemente moderno para banir a tortura, embora a tenha limitado e, durante um século marcado pela perseguição às bruxas, deixou-se levar pela ilusão comum, embora não fosse grande adepto da superstição noutras áreas e fosse contra a alquimia. Proibiu os duelos e instaurou a pena de morte a quem os praticasse de forma a causar a morte a alguém.

Em 1640, graças a um tratado de partilhas que realizou com os irmãos, Ernesto recebeu os territórios de Gota.

As suas leis não foram concebidas segundo o espírito das ideias modernas de liberdade individual. Proibiam noivados secretos, tentaram regular a forma como os súbditos se deviam vestir e chegam até a regular estábulos, cozinhas e caves. Apesar de tudo, as suas leis também promoveram a agricultura, o comércio, a aprendizagem e as artes. O seu palácio Friedenstein em Gota foi reconstruído e a sua colecção de arte iniciou-se graças a Ernesto. A sua biblioteca tornou-se uma das maiores da Alemanha. Foram construídas igrejas e graças ao seu Schulmethodus de 1642, Ernesto tornou-se o fundador da actual escola de gramática. Havia um ditado popular que dizia que os seus camponeses tinham mais educação do que os homens das cidades e nobres noutros lugares e, quando o duque morreu, foi dito que não havia ninguém nos seus territórios que não soubesse ler e escrever. Mandou construir uma escola secundária (ou Ginásio, em alemão) em Gota que se tornou uma escola modelo e atraía alunos não só de todas as terras da Alemanha, mas também da Suécia, Rússia, Polónia e Hungria. De forma semelhante também apoiou a Universidade de Jena, aumentando os seus fundos e a regular os seus estudos, dando uma importância excessiva ao lado religioso. Pode colocar-se o mesmo defeito nos seus esforços no que diz respeito a assuntos eclesiásticos que lhe valeram a alcunha de "Ernesto rezador". Mas pode encontrar-se uma justificação para esta atitude na desmoralização que tinha sido causada pela guerra. A Bíblia era o seu livro diário e fez todos os esforços para tornar o seu povo religioso seguindo um padrão luterano rigoroso. A instrução religiosa, que consistia em exercícios catedráticos sem a história da Bíblia, manteve-se inalterada até em anos mais avançados e, naturalmente, a compulsão rígida em alguns casos derrotou o seu propósito. Surpreendentemente, o sistema de Ernesto manteve-se. Ainda existe actualmente, ainda que ligeiramente modificado ou ignorado.

Os seus esforços a favor do Protestantismo não se limitaram aos seus territórios. Intercedeu junto do imperador pelos membros da sua religião e queria recebê-los em Gota. Tornou-se benfeitor da Igreja Evangélica Luterana dos alemães em Moscovo e tinha relações de amizade com o czar. Chegou mesmo a enviar uma embaixada para introduzir o luteranismo na actual Etiópia, mas a sua missão não foi bem-sucedida. A forma como cuidava da sua família era uma imitação da forma como governava os seus territórios: havia uma disciplina rigorosa na corte. A sua vida era simples e aplicada, regulada por todos os lados por exercícios religiosos. Acrescentavam-se regras às regras. Não se ignorava nenhum pormenor que pudesse promover o desenvolvimento espiritual e físico dos seus filhos e a sua educação religiosa foi levada ao extremo. Apesar de tudo, todos os seus filhos se tornaram bem-educados e Ernesto morreu com o cognome de "pai e salvador do seu povo." Oliver Cromwell achava-o um dos príncipes mais sagazes. Ernesto representava "a ideia do príncipe patriarcal protestante do governador cristão do Estado e da Igreja que se preocupava realmente por ambos."

Descendência[editar | editar código-fonte]

Ernesto casou-se a 24 de Outubro de 1636 com a sua prima, a duquesa Isabel Sofia de Saxe-Altemburgo. Por causa deste casamento, os territórios de Saxe-Gota e Saxe-Altemburgo foram unificados quando o último duque da linha (o primo de Isabel), morreu sem filhos em 1672. Ernesto e Isabel Sofia tiveram dezoito filhos:

  1. João Ernesto de Saxe-Gota (18 de setembro de 163827 de novembro de 1638), morreu com um mês de idade.
  2. Isabel Doroteia de Saxe-Gota-Altemburgo (8 de janeiro de 164024 de agosto de 1709), casada com o landegrave Luís VI de Hesse-Darmstadt; com descendência.
  3. João Ernesto de Saxe-Gota-Altemburgo (16 de maio de 164131 de dezembro de 1657), morreu de varíola aos dezasseis anos de idade.
  4. Cristiano de Saxe-Gota-Altemburgo (nascido e morto a 23 de Fevereiro de 1642).
  5. Sofia de Saxe-Gota-Altemburgo (21 de fevereiro de 164314 de dezembro de 1657), morreu de varíola aos catorze anos de idade.
  6. Joana de Saxe-Gota-Altemburgo (14 de fevereiro de 16457 de dezembro de 1657), morreu, possivelmente de varíola, aos doze anos de idade.
  7. Frederico I de Saxe-Gota-Altemburgo (15 de julho de 16462 de agosto de 1691), casado primeiro com a duquesa Madalena Sibila de Saxe-Weissenfels; com descendência. Casado depois com Cristina de Baden-Durlach; sem descendência.
  8. Alberto V de Saxe-Gota (24 de maio de 16486 de agosto de 1699), casado primeiro com a duquesa Maria Isabel de Brunswick-Wolfenbüttel; com descendência. Casado depois com Susanne Elisabeth Kempinsky; sem descendência.
  9. Bernardo I de Saxe-Meiningen (10 de setembro de 164927 de abril de 1706), casado primeiro com Maria Edviges de Hesse-Darmstadt; com descendência. Casado depois com Isabel Leonor de Brunswick-Wolfenbüttel; com descendência.
  10. Henrique de Saxe-Römhild (19 de novembro de 165013 de maio de 1710), casado com Maria Isabel de Hesse-Darmstadt; sem descendência.
  11. Cristiano de Saxe-Eisenberg (6 de janeiro de 165328 de abril de 1707), casado com Cristiana de Saxe-Merseburgo; com descendência. Casado depois com Sofia Maria de Hesse-Darmstadt; sem descendência.
  12. Doroteia Maria de Saxe-Gota-Altemburgo (12 de fevereiro de 165417 de junho de 1682), morreu aos vinte-e-oito anos solteira e sem descendência.
  13. Ernesto de Saxe-Hildburghausen (12 de junho de 165517 de outubro de 1715), casado com Sofia de Waldeck; com descendência.
  14. João Filipe de Saxe-Gota-Altemburgo (1 de março de 165719 de maio de 1657), morreu aos dois meses de idade, possivelmente de varíola.
  15. João Ernesto IV de Saxe-Coburgo-Saalfeld (22 de agosto de 165817 de fevereiro de 1729), casado com Sofia Edviges de Saxe-Merseburgo; com descendência. Casado depois com Carlota Joana de Waldeck-Wildungen; com descendência.
  16. Joana Isabel de Saxe-Gota-Altemburgo (2 de setembro de 166018 de dezembro de 1660), morreu aos três meses de idade.
  17. João Filipe de Saxe-Gota-Altemburgo (16 de novembro de 166113 de março de 1662), morreu aos quatro meses de idade.
  18. Sofia Isabel de Saxe-Gota-Altemburgo (19 de maio de 166323 de maio de 1663), morreu com quatro dias de idade.

O seu filho mais velho, Frederico foi o primeiro a herdar este título. A sua neta deste filho, a duquesa Ana Sofia de Saxe-Gota-Altemburgo, era uma ancestral directa pela linha materna do czar Nicolau II da Rússia. O seu filho mais novo, João, era pai do duque Francisco Josias de Saxe-Coburgo-Saalfeld.

Genealogia[editar | editar código-fonte]

Os antepassados de Ernesto I de Saxe-Gota em três gerações[1]
Ernesto I de Saxe-Gota Pai:
João II de Saxe-Weimar
Avô paterno:
João Guilherme de Saxe-Weimar
Bisavô paterno:
João Frederico I da Saxônia
Bisavó paterna:
Síbila de Cleves
Avó paterna:
Doroteia Susana de Simmern
Bisavô paterno:
Frederico III, Eleitor Palatino
Bisavó paterna:
Maria de Brandenburg-Kulmbach
Mãe:
Doroteia Maria de Anhalt
Avô materno:
Joaquim Ernesto de Anhalt
Bisavô materno:
João V de Anhalt-Zerbst
Bisavó materna:
Margarida de Brandemburgo
Avó materna:
Leonor de Württemberg
Bisavô materno:
Cristóvão de Württemberg
Bisavó materna:
Ana Maria de Brandenburg-Ansbach

Referências

  1. The Peerage, consultado a 24 de Fevereiro de 2013
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