Sofia de Hanôver
| Sofia de Hanôver | |
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| Princesa-Eleitora de Hanôver Princesa-Eleitora do Palatinado |
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| Período | 1692 - 1698 |
| Predecessor | Ana Leonor de Hesse-Darmstadt |
| Sucessor | Sofia Doroteia de Brünswick-Luneburgo |
| Cônjuge | Ernesto Augusto, Eleitor de Hanôver |
| Descendência | |
| Jorge I da Grã-Bretanha Frederico Augusto de Brunswick-Lüneburg Maximiliano Guilherme de Brunswick-Lüneburg Sofia Carlota de Hanôver Carlos Filipe de Brunswick-Lüneburg Cristiano Henrique de Brunswick-Lüneburg Ernesto Augusto, Duque de York e Albany |
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| Pai | Frederico V, Eleitor Palatino |
| Mãe | Isabel da Boémia |
| Nascimento | 14 de Outubro de 1630 Haia, Países Baixos |
| Morte | 8 de junho de 1714 (83 anos) Herrenhausen, Alemanha |
| Enterro | Leineschloss, Hanôver |
A Princesa-Eleitora Sofia de Hanôver, nascida Sofia, Condessa do Palatinado-Simmern (14 de outubro de 1630 - 8 de junho 1714) foi a filha mais nova de Frederico V, Eleitor Palatino, da Casa de Wittelsbach, o "Rei de Inverno" da Boêmia, e de Isabel Stuart. Foi também mãe de Jorge I da Grã-Bretanha, sendo portanto uma antepassado da linha de sucessão ao trono britânico hanoveriana. O seu avô foi Jaime I da Inglaterra, VI da Escócia, e seu tio foi Carlos I da Inglaterra e da Escócia. Teria sido Rainha da Grã-Bretanha se não tivesse falecido poucas semanas antes da morte de sua prima, a Rainha Ana. Como princesa-eleitora, Sofia foi consorte de Ernesto Augusto, Eleitor de Hanôver.
Índice |
Primeiros Anos [editar]
Filha do príncipe-eleitor Frederico V do Palatinado e de Isabel Stuart, conhecidos como o "rei e a rainha de Inverno da Boémia" devido ao seu curto reinado no país, Sofia nasceu no Wassenaer Hof, em Haia, na República Holandesa, onde os seus pais se tinham exilado após a Batalha da Montanha Branca. Pelo lado da mãe, Sofia era neta do rei Jaime IV da Escócia e I de Inglaterra.1 Quando nasceu, Sofia recebeu um rendimento anual de quarenta táleres dos Estados da Frísia. O primeiro admirador de Sofia foi o seu primo, o rei Carlos II, mas a princesa recusou os seus avanços por achar que o seu único interesse era obter dinheiro do apoiante da sua mãe, Lord William Craven.2 3
Casamento [editar]
Antes de se casar, Sofia, sendo filha de Frederico V, Eleitor Palatino, era referida como Sofia, princesa do Palatinado do Reno ou como Sofia do Palatinado. A 30 de Setembro de 1658 casou-se com Ernesto Augusto, príncipe-eleitor de Brunswick-Lüneburg que, em 1692, se tornou no primeiro príncipe-eleitor de Hanôver. Ernesto Augusto era primo em segundo-grau da sua mãe Isabel Stuart uma vez que ambos eram bisnetos do rei Cristiano III da Dinamarca.
Sofia tornou-se amiga e admiradora de Gottfried Leibniz quando ele era bibliotecário na corte de Hanôver. A sua amizade durou desde 1676 até à sua morte em 1714. Esta amizade originou uma correspondência substancial publicada pela primeira vez no século XIX.4 que revela Sofia como uma mulher com grandes capacidades intelectuais e curiosidade. Estava bem informada sobre os trabalhos de René Descartes e Baruch Spinoza. Juntamente com Ernesto Augusto melhorou muito o Palácio de Herrenhausen e foi a principal impulsionadora para a criação dos jardins que o rodeiam e que existem hoje em dia. Foi neste palácio que a princesa morreu.
O casal teve sete filhos. Sofia esteve ausente durante quase um ano entre 1664-5 quando foi de férias com o marido para Itália, mas mantinha uma correspondência regular com as preceptoras dos filhos e tinha grande interesse na sua educação, mais ainda quando regressou a casa.5 6 Após a sua viagem, Sofia teve ainda mais quatro filhos, três rapazes e uma rapariga. Nas suas cartas, Sofia descreve o seu filho mais velho como uma criança responsável e ciosa que servia de exemplo para os seus irmãos mais novos.7
Sofia estava inicialmente contra o casamento do filho com a duquesa Sofia Doroteia de Celle uma vez que não gostava da mãe dela (que não tinha sangue real) e estava preocupada com o estatuto de legitimação dela, mas acabaria por ser conquistada pelas vantagens que a união trazia.8
Herdeira das Coroas [editar]
Em Setembro de 1700, Sofia encontrou-se com o seu primo, o rei Guilherme III de Inglaterra, em Loo. Dois meses depois do seu encontro, o príncipe Guilherme da Dinamarca e Noruega, sobrinho do rei Guilherme e filho da futura rainha Ana, morreu. Uma vez que Guilherme se mostrava relutante em casar novamente, começou a considerar-se a inclusão de Sofia na linha de sucessão.9
Um ano depois, o Parlamento aprovou o Decreto de Estabelecimento de 1701 declarando que, não havendo descendência legitima de Ana nem de Guilherme III, as coroas eram entregues "à excelentíssima princesa Sofia, princesa-eleitora e duquesa-viúva de Hanôver" e "herdeiros do seu corpo que sejam protestantes". O excerto-chave do Estabelecimento que nomeava Sofia herdeira presuntiva diz:
"Assim, para uma Provisão da Sucessão da Coroa na Linha Protestante mais segura, Nós, as Vossas Majestades, súbditos mais atenciosos e leais, os Senhores e Comuns deste presente Parlamento reuniram-se para pedir a Vossa Majestade para que possa ser promulgado e declarado e que seja promulgado e declarado pelas Excelentíssimas Majestades e pelo Conselho e Consentimento dos Senhores Morais e Temporais e pelos Comuns reunidos neste Parlamento e pela Autoridade do mesmo Que a Excelentíssima princesa Sofia, princesa-eleitora e duquesa-viúva de Hanôver, Filha da Excelentíssima princesa Isabel, falecida rainha da Boémia, Filha do nosso falecido Soberano e Senhor Jaime o Primeiro de feliz Memória, seja declarada a partir de agora declarada a seguinte na Sucessão da Linha Protestante à Coroa Imperial e Dignidade dos Reinos mencionados anteriormente de Inglaterra, França e Irlanda com os Domínios e Territórios que a partir de aqui possam pertencer a Sua Majestade e à princesa Ana da Dinamarca e, Por Falta de Descendência da referida princesa Ana e de Sua Majestade respectivamente."
Sofia tornou-se assim herdeira presuntiva com o objectivo de acabar com as pretensões do católico James Francis Edward Stuart que, de outra forma, teria chegado ao trono como rei Jaime III e VIII, bem como afastar qualquer católico e esposos católicos de monarcas que tivessem alguma pretensão ao trono. O decreto restringia o trono britânico a "herdeiros protestantes" de Sofia de Hanôver que nunca tivessem sido católicos nem tivessem sido casados com católicos. Alguns políticos britânicos tentaram levar Sofia a Inglaterra várias vezes para que assumisse imediatamente o trono caso Ana morresse. Também foi discutido que este rumo era necessário para garantir a sucessão de Sofia, uma vez que o meio-irmão católico da rainha estava muito mais próximo de Londres do que Sofia. A princesa-eleitora estava ansiosa para se mudar para Londres,10 mas a proposta foi negada uma vez que a sua presença no país seria uma ofensa mortal para Ana que se opunha fortemente a uma corte rival no seu reino. Ana, que poderia saber que Sofia, que era activa e vivaz apesar da sua idade avançada, faria melhor figura do que ela.11 Sofia não tinha qualquer certeza sobre o que aconteceria após a morte de Ana, chegando a dizer: "O que o Parlamento faz um dia, desfaz no dia seguinte."12
Quando a lei foi aprovada em 1701, Sofia, na altura com setenta-e-um anos, cinco dos seus filhos (que tinham entre os 35 e os 41 anos) e três dos seus netos (entre os 14 e os 18 anos) estavam vivos. Apesar de Sofia ser trinta-e-cinco anos mais velha do que Ana, estava em forma e era saudável, investindo o seu tempo e energia para garantir a sua sucessão ou a do filho.13 Actualmente existem mais de cinco mil descendentes legitimos de Sofia, apesar de nem todos se encontrarem na linha de sucessão. O Decreto de Naturalização de Sofia de 1705 concedia nacionalidade britânica aos descendentes não-católicos de Sofia.14 Todos aqueles que obtiveram este direito através deste decreto em qualquer altura até ser revogado pelo Decreto de Nacionalidade Britânica de 1948, ainda o exercem até aos dias de hoje.
Morte e Legado [editar]
Apesar de ser consideravelmente mais velha do que a rainha Ana, Sofia tinha uma saúde muito melhor. Em Junho de 1714, Sofia estava a caminhar pelos jardins de Herrenhausen quando um aguaceiro repentino a forçou a correr para um abrigo. Quando lá chegou, desmaiou e morreu aos oitenta-e-três anos de idade.15 A rainha Ana morreu algumas semanas depois, com quarenta-e-nove anos. Se Ana tivesse morrido antes de Junho de 1714, Sofia teria sido a pessoa mais velha da História a chegar ao trono britânico.
Após a morte de Sofia, o seu filho mais velho, o príncipe-eleitor Jorge Luís de Brunswick-Lüneburg, tornou-se herdeiro presuntivo em seu lugar e, algumas semanas depois, sucedeu a Ana como rei Jorge I. A filha de Sofia, a princesa Sofia Carlota de Hanôver, casou-se com o primeiro rei da Prússia, Frederico I, e é dela que descendem todos os reis da Prússia.
Ancestrais [editar]
| Sophia, Eleitora de Hanôver | Pai: Frederico V, Eleitor Palatino |
Avô paterno: Frederico IV, Eleitor Palatino |
Bisavô paterno: Luís VI, Eleitor Palatino |
| Bisavô paterna: Isabel de Hesse |
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| Avó paterna: Luísa Juliana de Orange-Nassau |
Bisavô paterno: Guilherme I, Príncipe de Orange |
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| Bisavó paterna: Carlota de Bourbon-Montpensier |
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| Mãe: Isabel Stuart |
Avô materno: Jaime I da Inglaterra |
Bisavô materno: Henry Stuart, Lord Darnley |
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| Bisavó materna: Maria, Rainha dos Escoceses |
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| Avó materna: Ana da Dinamarca |
Bisavô materno: Frederico II da Dinamarca |
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| Bisavó materna: Sofia de Mecklenburg-Güstrow |
Referências
- ↑ Uglow, p 20.
- ↑ Dirk Van der Cruysse: Sophie de Hanovre, Memoires et Lettres de Voyage, Fayard Paris, 1990
- ↑ Winter Princess to Heiress of Great Britain, J.N. Duggan, Peter Owen, Londres 2010
- ↑ Klopp, 1973
- ↑ Dirk van der Cruysse; Sophie de Hanovre: Memoirs et Lettres de Voyage
- ↑ Hatton, Ragnhild (1978). George I: Elector and King. London: Thames and Hudson. pp. 26–28. ISBN 0-500-25060-X
- ↑ Hatton, p.29
- ↑ Hatton, pp.36, 42
- ↑ Horwitz, Henry (1977). Parliament, policy, and politics in the reign of William III. Manchester University Press ND. pp. 276. ISBN 0-7190-0661-9.
- ↑ Sharpe, Kevin (1998). Refiguring revolutions: aesthetics and politics from the English revolution to the Romantic revolution. University of California Press. p. 59. ISBN 0-520-20920-6.
- ↑ Sachse, William Lewis (1975). Lord Somers: a political portrait. Manchester University Press ND. pp. 236. ISBN 0-7190-0604-X.
- ↑ Sachse, p.309
- ↑ Hatton, pp.75–76
- ↑ Picknett, Lynn, Prince, Clive, Prior, Stephen & Brydon, Robert (2002). War of the Windsors: A Century of Unconstitutional Monarchy, p. 206. Mainstream Publishing. ISBN 1-84018-631-3.
- ↑ he Oxford Dictionary of National Biography
- Este artigo foi elaborado a partir de tradução do artigo Sophia of Hanover, da Wikipédia em inglês, que se encontrava nesta versão.