Movimento de Oxford

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O movimento de Oxford foi um movimento religioso de anglicanos da Alta Igreja, a maior parte deles membros da Universidade de Oxford, na primeira metade do século XIX. O principal ponto defendido pelo movimento era demonstrar que a Igreja Anglicana era uma descendente direta da Igreja estabelecida pelos apóstolos. Dois grandes líderes do movimento eram Edward Bouverie Pusey e John Henry Newman.

O movimento de Oxford influenciou os assim chamados anglo-católicos na sua compreensão do anglicanismo.

Origem e desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

O movimento de Oxford, foi um movimento de renovação espiritual no anglicanismo. A situação da Igreja Anglicana na época em que o movimento começou (1833) era realmente triste. Na Inglaterra, a igreja estava em estagnação espiritual. O metodismo, que havia sido uma oportunidade de renovação também iniciado em Oxford, havia sido severamente punido pelos bispos, e se converteu em uma nova igreja. Os não-conformistas (batistas, presbiterianos, metodistas) cresciam em números, enquanto a Igreja Anglicana servia em grande parte unicamente para prover batismos e casamentos.

Nos Estados Unidos, a igreja estava lutando para se recuperar das grandes perdas, visto que muitos a viam como resquício do colonialismo inglês.

Em 1830, o governo britânico determinou a redução do número de bispos na Irlanda, onde apenas a elite era anglicana. O povo irlandês, após anos de resistência, havia na maioria permanecido católico romano. Esse fato levou ao protesto um grupo de alunos de Oxford, que viam em tal ato o ápice da apostasia da Igreja. Estudando as obras dos grandes teólogos anglicanos dos séculos anteriores, especialmente os teólogos carolinos (Caroline Divines) do século XVII, e os Pais da Igreja, foi possível a eles descobrir que muitas das práticas abolidas na Reforma Inglesa do século XVI, por serem consideradas romanistas ou papistas eram, na verdade, práticas da Igreja Primitiva (como exemplo, a Eucaristia, a tradição, etc.).

Uma das mais importantes conclusões a que chegaram foi a de que o anglicanismo não era uma religião estatal, sob a tutela do rei. Aliás, isso é o que queriam provar, a fim de mostrar que o rei não tinha o poder de nomear ou retirar bispos, criar ou extinguir dioceses.

Os tractarianos reafirmavam que a Igreja Anglicana, apesar da reforma, havia mantido a essência de sua catolicidade (episcopado, credos, sacramentos, etc.) e que herdara as tradições da Igreja Celta que havia se estabelecido nas Ilhas Britânicas independentemente de Roma, até o século VII.

Eles eram chamados tractarianos, pois um método de evangelismo que utilizaram era a publicação de panfletos (tracts). Nesses panfletos, eles buscavam informar o povo da catolicidade de sua Igreja e tratavam de vários assuntos. Esses panfletos se baseavam nos próprios teólogos carolinos e nos Pais da Igreja. Na época, a patristica e os Caroline Divines haviam sido esquecidos, e o pensamento calvinista moderado havia tomado conta da mentalidade da Igreja (curiosamente, o mesmo tipo de pensamento contra o qual os teólogos carolinos do século XVII haviam lutando).

Os principais pontos da pregação dos tractarianos enfatizavam a regeneração batismal, a presença real e substancial de Cristo na Eucaristia, a herança do Livro de Oração Comum, a Igreja Anglicana como parte integrante da Igreja Una, Santa, Católica e Apostólica, etc.

Críticas[editar | editar código-fonte]

A reação do grupo evangélico não foi das melhores. A ala evangélica detinha o poder e o controle da Igreja à época, e viriam a brigar no plano político, exigindo ações do governo para silenciar e expurgar as vozes dos tractarianos. Depreciavam os tratadistas chamando-os de "papistas" e "romanistas". Foi nesse contexto, que John Henry Newman escreveu o mais polêmico dos panfletos - o Tract 90, que buscava mostrar ser possível consolidar os 39 artigos com a doutrina católica (universal), salientando a diferença que há entre a doutrina romana ( papista) e a doutrina católica (isto é, universal). Em todo caso, a perseguição a ele após tal panfleto foi tão grande que ele se convenceu que não havia possibilidade de restaurar a catolicidade na Igreja da Inglaterra e passou a contemplar a ideia de sair dela. Sua conversão (e de alguns outros) a Roma marcou o fim da primeira fase do movimento de Oxford.

Legado e contribuição[editar | editar código-fonte]

Indutavelmente o maior legado do movimento de Oxford foi ter definido a Igreja Anglicana como um dos ramos históricos da única Igreja Católica.

Segundo os tratadistas, a única e verdadeira Igreja fundada por Jesus Cristo, a Igreja Católica (Universal), havia se fragmentado devido a razões históricas e teológicas em três grandes ramos: o romano, o ortodoxo e o anglicano.

Em sua continuidade,a segunda geração tractariana constituiu o movimento conhecido como "ritualismo" que influenciou largamente todas as correntes anglicanas. Seus reflexos mais importantes deram-se na liturgia através recuperação dos antigos ritos ingleses (Rito de Sarum e York), no canto litúrgico tradicional (velhas melodias e cânticos litúrgicos medievais traduzidos e adaptados para o inglês contemporâneo), o uso dos missais, das vestes litúrgicas, o culto elaborado e o cerimonialismo, a valorização da beleza, etc. tudo isso visando a maior glória de Deus.