Bruges

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Bruges (em neerlandês Brugge) é uma cidade belga, capital da província de Flandres Ocidental, na região de Flandres.[1] Tem cerca de 117 mil habitantes. Foi a capital europeia da cultura em 2002, juntamente com a cidade espanhola de Salamanca.[1]

Bruges é chamada de "Veneza do Norte", por causa de seus inúmeros canais que a cercam ou a atravessam, mas também a ligam principalmente com a cidade de Gante.[1]

Diversos passeios de barco são propostos aos turistas, alguns dos quais permitindo chegar às cidades vizinhas. A cidade apresenta ainda as ruínas de uma fortaleza, bem como moinhos às margens dos canais.

História[editar | editar código-fonte]

Localização de Bruges na Bélgica.

São praticamente inexistentes traços de civilização e actividade humana anteriores à era pré-romana gaulesa na região de Bruges. As primeiras fortificações foram construídas após a conquista do Menappi por Júlio César no século I a.C., com intuito de protecção da zona costeira contra piratas. Já no século IV, a região foi tomada aos romanos pelos Francos e as incursões dos Vikings, por volta do século IX, obrigaram a que Balduíno I da Flandres reforçasse as antigas fortificações. Foi também nesta época que se fortaleceram as relações comerciais com a Inglaterra e a Escandinávia e surgiram as primeiras moedas gravadas com o nome Bryggia (significa "porto" em neerlandês remoto).

Foi a 27 de julho de 1128 que Bruges foi elevada a cidade e construiu novas muralhas e canais. Desde cerca de 1050, um gradual avanço do lodo em direcção da cidade, provocou a obstrução dos acessos directos com o mar, mas uma violenta tempestade em 1134 restabeleceu-os através da criação de um canal natural (Zwin).

Com o raiar do século XII, Bruges foi incluída no circuito comercial flamengo, sobretudo devido à sua emergente indústria de lã e tecidos. Os principais mercadores da cidade apostaram no desenvolvimento de "colónias económicas" em Inglaterra e na Escócia e os seus contactos trouxeram grão da Normandia e vinhos da Gasconha para a região. Os navios hanseáticos atracavam diariamente no porto que, face a este crescimento e sobrecarga, teve de ser expandido de Damme até Sluys para acomodar os novos cog-ships.

Em 1277, o primeiro barco mercante partiu de Génova e atracou no porto de Bruges, o primeiro da rota mercantil que tornou Bruges a principal conexão com o comércio do Mediterrâneo.[1] Para isso concorreu a vitória da marinha genovesa sobre a frota muçulmana que guardava o Estreito de Gibraltar, liberando essa poderosa rota de comércio ocidental, possibilitando viagens regulares entre Bruges e Gênova, em grandes navios redondos. As empresas italianas para terem grande sucesso montaram sucursais em Bruges que geravam volumes de negócios na mesma dimensão de suas matrizes no norte da Itália a exemplo da sucursal de Banco Médicis em Bruges que ganhou mais dinheiro que sua sede em Florença.[2]

Vista do Rozenhoedkaai

Este desenvolvimento permitiu não só a abertura para a rota das especiarias de Levante, mas também a introdução de avançadas técnicas comerciais e financeiras e um fluxo de capital que rapidamente tomou conta das transacções bancárias da cidade. A bolsa de valores abriu em 1309 e desenvolveu-se no mais sofisticado mercado financeiro dos Países Baixos no século XIV.[1] Quando as primeiras galés venezianas surgiram, em 1314, já vinham atrasadas. Na primeira bolsa de valores do mundo não se vendiam ações de empresas; o que se vendiam eram importantes documentos comerciais como letras de câmbio e hipotecas, papéis que eram a base do capitalismo medieval.[3]

No século XV, Filipe O Bom, duque da Borgonha assentou corte em Bruges (bem como em Bruxelas e em Lille) atraindo muitos artistas, banqueiros e outras personalidades proeminentes de toda a Europa.

A primeira impressão de um livro em inglês foi publicada em Bruges por William Caxton. Foi igualmente uma época em que Eduardo IV e Ricardo III de Inglaterra passaram o seu exílio na cidade flamenga.

No início de 1500, o canal Zwin, que fora responsável pela prosperidade da cidade, começou também ele a ficar obstruído por lodo. Bruges foi rapidamente ultrapassada por Antuérpia como o centro económico dos Países-Baixos. Durante a década de 1650, a cidade foi a base para a estadia de Carlos II de Inglaterra e a sua corte no seu exílio. A infraestrutura marítima foi modernizada e foram construídas novas ligações ao mar, mas sem um grande sucesso.

Na segunda metade do século XIX, Bruges tornou-se num dos primeiros destinos turísticos, atraindo turistas britânicos e franceses. O porto de Zeebrugge foi construído em 1907 e utilizado pelas tropas alemãs no decorrer da I Guerra Mundial para atracar os seus submarinos.[1] Nas décadas de 1970 e 1980, foi alargado e tornou-se um dos mais importantes e modernos portos da Europa. O turismo internacional cresceu exponencialmente desde então e todos estes esforços resultaram na designação de Bruges com Capital Europeia da cultura em 2002.[1]

Divisão administrativa[editar | editar código-fonte]

Pix.gif Centro Histórico da Cidade de Bruges *
Welterbe.svg
Património Mundial da UNESCO

Ficheiro:St Salvator Kathedraal.JPG
St. Salvator Kathedraal (Catedral de Bruges, desde 1788)
País  Bélgica
Tipo Cultural
Critérios ii, iv, vi
Referência 996
Região** Europa e América do Norte
Histórico de inscrição
Inscrição 2000  (24ª sessão)
* Nome como inscrito na lista do Património Mundial.
** Região, segundo a classificação pela UNESCO.

Desde 1971, o município de Bruges se encontra dividido em oito deelgemeenten.

Mapa do município de Bruges.
# Nome Área (km²) População (01/01/2006)
I




Bruges (deelgemeente)
- Centrum
- Kristus-Koning
- Sint-Jozef
- Sint-Pieters
29,91

1,01

13,70
37.129
20.276
4.428
4.880
7.545
II Koolkerke 4,17 3.145
III Sint-Andries 20,65 19.366
IV Sint-Michiels 9,59 12.346
V Assebroek 8,52 19.395
VI Sint-Kruis 16,84 16.148
VII Dudzele 21,92 2.555
VIII



Lissewege
- Lissewege
- Zeebrugge
- Zwankendamme
26,80
11,44


7.129
2.491
3.924
714

Patrimônio Mundial[editar | editar código-fonte]

Desde 2000, o Centro Histórico da cidade foi adicionado à lista de Patrimônio Mundial da UNESCO.[1]

Pessoas famosas de Bruges[editar | editar código-fonte]

Apesar de não nascidos na cidade, dois grandes mestres da pintura, Hans Memling e Jan van Eyck viveram e trabalharam lá, por um período.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. a b c d e f g h Population per municipality on 1 January 2012.
  2. ´STARK, Rodney. A Vitória da Razão p. 181
  3. STARK, Rodney. A Vitória da Razão. p. 181-182