Ruão

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Ruão
Rouen
—  Comuna francesa França  —
vista de Ruão
vista de Ruão
Brasão de armas de Ruão
Brasão de armas
Ruão está localizado em: França
Ruão
Localização de Ruão na França
49° 26' 38" N 01° 06' 12" E
País  França
Região Blason region fr Normandie.svg Alta-Normandia
Departamento Blason département fr Seine-Maritime.svg Sena Marítimo
Área
 - Total 21,38 km2
População (2007)
 - Total 108 569
 - Densidade 5 078,1/km2 
Código INSEE 76540
Sítio www.rouen.fr

Ruão (Rouen em francês e em normando), é uma cidade localizada na região histórica da Normandia, no noroeste da França. Uma das mais prósperas cidades do norte europeu na Idade Média, Ruão é hoje a capital da região francesa da Alta Normandia e do departamento do Sena Marítimo.

Índice

[editar] Geografia e população

A cidade foi estabelecida na margem direita do rio Sena e posteriormente expandiu-se para a margem esquerda. Ruão tem atualmente cerca de 111 000 habitantes[1]. Em 2006 tinha 523 236 habitantes na região metropolitana[2].

[editar] História

Ruão foi fundada na época do Imperador Augusto, no primeiro século da nossa era, com o nome de Rotomagus[3]. Foi no século III que a cidade romana alcançou seu período de maior desenvolvimento, sabendo-se da existência de um anfiteatro e termas. Nos séculos seguintes a cidade sofreu com as invasões dos povos bárbaros e presenciou a chegada definitiva do Cristianismo[3].

No século IX a cidade foi invadida pelos vikings (normandos), e Ruão, junto com a região circundante (a partir de então chamada Normandia), foi cedida aos conquistadores escandinavos no Tratado de Saint-Clair-sur-Epte (911)[4]. O chefe viking Rollo tornou-se assim o primeiro duque da Normandia. Um dos duques, Guilherme o Conquistador, conquistou a Inglaterra em 1066 e ligou Ruão às possessões normandas nas ilhas britânicas[4].

Vista de Ruão e do Sena no século XVI (Georg Braun; Frans Hogenberg: Civitates Orbis Terrarum, 1572).

O ducado normando terminou em 1204, quando Filipe II invadiu Ruão e anexou a Normandia ao reino da França. A cidade continuou sendo um importante centro comercial, chegando a ser a segunda cidade do reino. A partir de meados do século XII é construída a Catedral de Ruão, em estilo gótico, terminada em grande parte em 1250[4][5].

A Guerra dos cem anos com a Inglaterra, além da peste negra, foram fonte de muitos problemas para a cidade no fim da Idade Média[4]. Uma revolta popular ocorrida em 1382 foi duramente esmagada pelas forças reais. A cidade perdeu seus privilégios comerciais no comércio do Sena, o que favoreceu Paris. No contexto da guerra, e após a Batalha de Azincourt (1415), os ingleses cercaram e tomaram Ruão em 1419. É na cidade controlada pelos ingleses que foi aprisionada e executada Joana d'Arc, em 30 de maio de 1431.

Na Renascença a cidade viveu um grande desenvolvimento econômico graças à pesca, os tecidos de lã e a tapeçaria, além de outros produtos como o sal, que os navegadores de Ruão traziam de lugares como Setúbal, em Portugal[6]. Na busca de pigmentos para os tecidos, os comerciantes da cidade interessaram-se pelo pau-brasil, fonte de um pigmento vermelho, o que fez de Ruão o principal porto de entrada desta madeira na Europa no século XVI[6]. No campo artístico floresceu uma arquitetura renascentista com muitos elementos góticos, como no Hôtel de Bourgtheroulde e no Palácio de Justiça, ambos construídos entre fins do século XV e inícios do seguinte. No século XVI seguiram os trabalhos na catedral medieval da cidade, cujo portal central foi completado entre 1509 e 1521[6]. Na obra da catedral trabalhou o escultor João de Ruão (Jean de Rouen), que mais tarde instalou-se em Coimbra e foi um dos escultores mais importantes do renascimento português[7].

Johannes Bosboom: Vista de Ruão (1839).

O século XVII é de relativa estagnação para a cidade, que porém continua a ser parte importante na economia francesa, participando ainda na colonização da Nova França, no Quebeque[6]. No século XVIII, Ruão é parte ativa no comércio triangular entre África, onde eram adquiridos escravos, e as colônias francesas das Antilhas, onde os escravos eram trocados por açúcar[6]. Além disso, a cidade é um centro industrial de têxteis, como o trabalho com algodão transformando-se na base da economia.

Igreja de Saint-Maclou.

A Revolução Francesa é relativamente moderada em Ruão. Os bens do clero são nacionalizados e a catedral gótica é transformada em um templo dedicado à razão. A pobreza é enorme: num censo de fins do século XVIII há 50.000 indigentes numa população total de 80.000 habitantes[1].

A industrialização chega no século XIX na forma de fábricas de tecidos instaladas ao redor de Ruão, nos vales dos rios Cailly e Robec, assim como na margem esquerda do Sena[1]. O trem passa a ligar a cidade a Paris em 1843. O urbanismo da cidade é modernizado com a criação de novas ruas e praças, e são construídas gares, teatros e museus. A vida cultural é muito ativa, com nomes como o escritor Gustave Flaubert (nascido em Ruão em 1821) e o poeta Guy de Maupassant, que estudou na cidade. Também é famosa a obra dos pintores impressionistas na cidade, especialmente a série de obras de Claude Monet retratando a Catedral de Ruão[1][8].

Em 1940, a cidade foi invadida por tropas nazistas. Durante o domínio nazista, que durou quatro anos, a cidade foi destruída em bombardeios que mataram aproximadamente 2000 pessoas[1]. Ruão foi liberada em 1944 por tropas canadenses. Seguiu-se um longo período de reconstrução[1].

Na segunda metade do século XX, o crescimento demográfico da cidade fez com que novos bairros fossem construídos. O centro histórico foi revalorizado e várias ruas foram transformadas em zonas sem carros[1].

[editar] Atrações culturais

[editar] Monumentos

Ruão é famosa pelos seus vários monumentos [9][10]. Particularmente importantes são os edifícios góticos da cidade, como a Catedral de Ruão, começada em 1145 e terminada apenas no século XVI[5], a Igreja abacial de Saint-Ouen, começada em 1380, e a pequena Igreja de Saint-Maclou, construída entre 1437 e 1517 em estilo gótico flamejante. Destaca-se ainda o Palácio de Justiça, construído a partir de 1499 e considerado um dos melhores exemplos de arquitetura civil gótica do final da Idade Média na França.

Entrada do Hôtel de Bourgtheroulde.

Do início do século XVI datam o Bureau des Finances (começado em 1509) e o Hôtel de Bourgtheroulde, este último um magnífico palácio urbano construído para a família Le Roux em uma mistura entre os estilos gótico e renascentista. Também no século XVI foi construído um dos cartões-postais da cidade: o Grande-Relógio (Gros-Horloge) instalado num arco sobre uma rua. No interior da estrutura renascentista funciona um museu [11].

[editar] Museus

  • Museu de belas artes de Ruão
  • Museu de história natural de Ruão
  • Musée départemental des antiquités
  • Museu Flaubert e de historia da medicina
  • Museu nacional da educação
  • Museu da cerâmica de Ruão
  • Museu Marítimo, Fluvial e Portuário de Ruão: dedicado à história do porto e da navegação
  • Musée Le Secq des Tournelles
  • Musée Jeanne-d'Arc
  • Museu Pierre Corneille
  • Museu do Gros-Horloge

[editar] Infraestrutura

[editar] Transportes

[editar] Nativos famosos de Ruão

Gustave Flaubert

Referências

[editar] Ver também

[editar] Ligações externas

Commons
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