Conquista normanda da Inglaterra

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Conquista normanda da Inglaterra
Norman conquest 1066-pt.svg
Principais eventos ao longo da conquista
Data 10661066
Local Reino da Inglaterra
Desfecho Vitória normanda e instalação da dinastia Normanda no trono inglês.
Mudanças
territoriais
Normandos passam a controlar o território anglo-saxão
Combatentes
Noruega Reino da Noruega
  Rebeldes anglo-saxões
  Ducado da Normandia
Reino da Inglaterra Reino da Inglaterra
Principais líderes
Noruega Haroldo III
  Tostig Godwinson
  Guilherme, o Conquistador
Reino da Inglaterra Haroldo II

A conquista normanda da Inglaterra foi uma invasão e ocupação do Reino da Inglaterra no século XI por um exército normando, bretão e francês liderado pelo duque Guilherme II da Normandia, mais tarde Guilherme, o Conquistador. A reivindicação de Guilherme ao trono inglês vinha de sua relação familiar com o rei anglo-saxão Eduardo, o Confessor (r. 1042–1066), que não tinha filhos, que pode ter encorajado suas esperanças ao trono. Eduardo morreu em janeiro de 1066 e foi sucedido pelo cunhado Haroldo Godwineson. O rei norueguês Haroldo III invadiu o norte da Inglaterra em setembro de 1066, saindo vitorioso na Batalha de Fulford, porém o rei inglês derrotou e matou o norueguês na Batalha de Stamford Bridge em 25 de setembro. Poucos dias depois, Guilherme desembarcou na Inglaterra. Haroldo II foi para o sul a fim de enfrentá-lo, deixando uma boa parte de seu exército no norte. Os exércitos de Haroldo e Guilherme se encontraram no dia 14 de outubro na Batalha de Hastings; as forças de Guilherme derrotaram as de Haroldo, que morreu na batalha.

Apesar de seus principais rivais estarem mortos, Guilherme mesmo assim enfrentou rebeliões nos anos seguintes e apenas assegurou completamente o trono em 1072. As terras dos resistentes ingleses foram confiscadas; alguns membros da elite foram para o exílio. Para controlar seu novo reino, Guilherme entregou terras aos seus seguidores e construiu castelos para comandar pontos de importância militar. Outros efeitos da conquista incluíam a corte e o governo, a introdução da língua normanda como o idioma da nova elite e mudanças na composição das classes altas, já que Guilherme mantinha o direito de diretamente entregar terras. Mudanças graduais afetaram as classes agrárias e a vida nos vilarejos: a principal mudança parece ser a abolição formal da escravidão, que pode estar ligada à invasão. Houve poucas mudanças na estrutura do governo, já que os novos administradores normandos assumiram muitas formas de governo dos anglo-saxões.

Origens[editar | editar código-fonte]

Rollo e seus descendentes Guilherme I e Ricardo I da Normandia
Representação do século XIII

Em 911, o governante francês carolíngio Carlos, o Simples (r. 898–922) permitiu que um grupo de vikings sob seu líder Rollo se estabelecessem na Normandia, como parte do Tratado de Saint-Clair-sur-Epte. Em troca das terras, esperava-se que os vikings de Rollo fornecessem proteção ao longo da costa contra novos invasores vikings.[1] Sua solução foi bem sucedida, e os vikings na região tornaram-se conhecidos como os "homens do Norte", da qual "Normandia" e "normandos" são derivados.[2] Os normandos rapidamente adotaram a cultura nativa, renunciando ao paganismo e se convertendo ao cristianismo.[3] Adotaram a língua de oïl de sua nova casa e adicionaram recursos de sua própria língua nórdica, transformando-a na linguagem normanda. Eles se casaram com a população local[4] e usaram o território lhes concedido como base para estender as fronteiras do ducado para o oeste, anexando territórios, incluindo o Bessin, a península do Cotentin e Avranches.[5]

Em 1002, o rei Etelredo II de Inglaterra (r. 978–1016) casou-se com Ema, a irmã de Ricardo II de Normandia (r. 996–1026).[6] Seu filho Eduardo, o Confessor, que passou muitos anos no exílio na Normandia, sucedeu ao trono inglês em 1042.[7] Isto levou ao estabelecimento de uma poderosa participação normanda na política inglesa, já que Eduardo buscou apoio em seus antigos hospedeiros, trazendo cortesãos, soldados e clérigos normandos e nomeando-os a cargos de poder, particularmente na Igreja. Sem filhos e envolvido em conflitos com o formidável Godwin, Conde de Wessex e seus filhos, Eduardo também pode ter encorajado as ambições do duque Guilherme da Normandia ao trono inglês.[8]

Quando o rei Eduardo morreu no início de 1066, a falta de um herdeiro aparente levou a uma sucessão disputada em que vários candidatos reivindicaram o trono da Inglaterra. O sucessor imediato de Eduardo era o Conde de Wessex, Haroldo Godwineson, o mais rico e mais poderoso dos aristocratas ingleses. Haroldo foi eleito rei pela Witenagemot da Inglaterra e coroado por Ealdred, Arcebispo de Iorque, embora a propaganda normanda tenha alegado que a cerimônia teria sido realizada por Stigand, o não canonicamente eleito Arcebispo da Cantuária.[9] [10] Haroldo foi imediatamente contestado por dois poderosos governantes vizinhos. O duque Guilherme alegou que o trono inglês lhe tinha sido prometido pelo rei Eduardo e que Haroldo tinha jurado estar de acordo;[11] o rei Haroldo III da Noruega, conhecido como Haroldo Hardrada, também contestou a sucessão. Seu direito ao trono foi baseado em um acordo entre seu antecessor Magno I da Noruega e o rei inglês anterior, Hardacanuto, pelo qual aquele que morresse sem herdeiro deixaria ao outro os tronos da Inglaterra e da Noruega.[12] [nota 1] Guilherme e Haroldo ao mesmo tempo começaram a montar tropas e navios para invadir a Inglaterra.[16] [nota 2]

Incursões de Tostig e a invasão norueguesa[editar | editar código-fonte]

No início de 1066, o irmão exilado de Haroldo, Tostig Godwinson, invadiu o sudeste da Inglaterra com uma frota que ele havia recrutado em Flandres, mais tarde juntaram-se outros navios das Órcades.[nota 3] Ameaçado pela frota de Haroldo, Tostig moveu-se para o norte e invadiu a Ânglia Oriental e Lincolnshire, mas ele foi levado de volta a seus navios pelos irmãos Eduíno de Mércia e Morcar da Nortúmbria. Abandonado pela maioria dos seus seguidores, ele retirou-se para a Escócia, onde passou o verão a recrutar novas forças.[23] [nota 4] Haroldo passou o verão na costa sul com um grande exército e frotas à espera de Guilherme para invadir, mas a maior parte de suas forças foram milícias que precisavam de suas colheitas, então em 8 de setembro, o rei os dispensou.[24]

Haroldo III invadiu o norte da Inglaterra no início de setembro, levando uma frota de mais de 300 navios que talvez tenham transportado 15 000 homens. O exército do rei foi ampliado pelas forças de Tostig, que lançou seu apoio a proposta do rei norueguês ao trono. Avançando em Iorque, os noruegueses ocuparam a cidade depois de derrotar um exército inglês do norte sob Eduíno e Morcar em 20 de setembro, na Batalha de Fulford.[25] Os dois condes tinham se apressado para envolver as forças norueguesas diante do rei Haroldo, que poderia chegar a partir do sul. Embora Haroldo Godwineson tenha se casado com a irmã de Eduíno e Morcar, Edite, os dois condes podem ter desconfiado dele e temiam que o rei fosse substituir Morcar por Tostig. O resultado final foi que as suas forças foram devastadas e permaneceram incapazes de participar no resto das campanhas de 1066, embora os dois condes tenham sobrevivido à batalha.[26]

Haroldo III mudou-se para Iorque, que se rendeu a ele. Depois de tomar reféns dos principais homens da cidade, em 24 de setembro os noruegueses se mudaram para o leste à pequena vila de Stamford Bridge.[27] Provavelmente o rei Haroldo sabia da invasão norueguesa em meados de setembro e correu para o norte, reunindo tropas por onde passou.[28] As forças reais provavelmente levaram nove dias para cobrir a distância de Londres a Iorque, uma média de quase 40 quilômetros por dia. Na madrugada de 25 de setembro, as forças de Haroldo chegaram a Iorque, onde ele capturou a localização dos noruegueses.[29] Os ingleses, em seguida, marcharam sobre os invasores, os pegaram de surpresa e os derrotando na Batalha de Stamford Bridge. Haroldo III da Noruega e Tostig foram mortos, e os noruegueses sofreram perdas tão terríveis que apenas 24 dos 300 navios originais foram necessários para levar os sobreviventes. A vitória inglesa custou caro, com o exército de Haroldo deixado em um estado golpeado e enfraquecido.[30] [28]

Invasão normanda[editar | editar código-fonte]

Preparações e forças normandas[editar | editar código-fonte]

Guilherme montou uma grande frota de invasão e um exército recolhido a partir da Normandia e em toda a França, incluindo grandes contingentes da Bretanha e da Flandres.[31] Ele reuniu suas forças em Saint-Valery-sur-Somme, e estava pronto para cruzar o canal por volta de 12 de agosto.[32] Os números e composições exatos de sua força são desconhecidos.[33] Um documento da época afirma que ele tinha 726 navios, mas este pode ser um número exagerado.[34] Números fornecidos por escritores contemporâneos são altamente exagerados, variando de 14 000 a 150 000 homens. Os historiadores modernos têm oferecido um conjunto de estimativas para o tamanho das forças de Guilherme: 7 000-8 000 homens, 1 000-2 000 deles de cavalaria;[35] 10 000-12 000 homens;[36] 10 000 homens, 3 000 deles de cavalaria;[37] ou 7 500 homens.[33] O exército consistia em uma mistura de cavalaria, infantaria e arqueiros ou besteiros, com números aproximadamente iguais de cavaleiros e arqueiros e os soldados em número igual aos outros dois tipos combinados.[38] Embora as listas posteriores de companheiros de Guilherme, o Conquistador existam, a maioria é preenchida com nomes extras; apenas cerca de 35 pessoas podem ser verificadas de forma confiável como estando com Guilherme em Hastings.[33] [39] [nota 5]

Guilherme de Poitiers afirma que Guilherme obteve o consentimento do papa Alexandre II para a invasão, representado por uma bandeira papal, juntamente com o apoio diplomático de outros governantes europeus. Embora Alexandre tenha dado a aprovação papal para a conquista depois de obter sucesso, nenhuma outra fonte afirma o apoio papal antes da invasão.[nota 6] O exército de Guilherme reuniu-se durante o verão, enquanto uma frota de invasão na Normandia foi construída. Embora o exército e a frota estivessem prontos no início de agosto, os ventos adversos mantiveram os navios na Normandia até finais de setembro. Provavelmente havia outras razões para a demora de Guilherme, incluindo os relatórios de inteligência da Inglaterra, revelando que as forças de Haroldo tinham sido implantadas ao longo da costa. O duque teria preferido adiar a invasão até que ele pudesse fazer um desembarque sem oposição.[41]

Desembarque e marcha de Haroldo ao sul[editar | editar código-fonte]

Cena do desembarque na Inglaterra, retratando os navios que chegam e cavalos que aterram,
na tapeçaria de Bayeux

Os normandos cruzaram o Canal da Mancha até a Inglaterra alguns dias após a vitória de Haroldo sobre os noruegueses, após a dispersão de sua força naval. Eles desembarcaram em Pevensey, em Sussex, em 28 de setembro e ergueram um castelo de madeira em Hastings, a partir do qual invadiram a área circundante.[31] Isso garantiu suprimentos para o exército, e como muitas das terras da região eram ocupadas por Haroldo e sua família, enfraqueceram o adversário de Guilherme e fizeram dele o mais provável a atacar para pôr fim à invasão.[42]

Haroldo II, depois de derrotar seu irmão Tostig e Haroldo Hardrada no norte, deixou grande parte de sua força lá, incluindo Morcar e Eduíno, e marchou com o resto de seu exército ao sul para lidar com a ameaça da invasão normanda.[43] Não está claro quando Haroldo soube do desembarque de Guilherme, mas provavelmente foi enquanto estava viajando ao sul. Haroldo parou em Londres por cerca de uma semana antes de chegar em Hastings, por isso, é provável que tenha tomado uma segunda semana para marchar ao sul, com média de cerca de 43 quilômetros por dia,[44] para os cerca de 320 quilômetros de Londres.[45] Embora Haroldo tentou surpreender os normandos, batedores de Guilherme relataram a chegada inglesa ao duque. Os eventos exatos que antecederam a batalha são obscuros, contraditórios com relatos nas fontes, mas todos concordam que Guilherme levou seu exército de seu castelo e avançou em direção ao inimigo.[46] Haroldo tinha tomado uma posição defensiva no topo da colina Senlac (atual Battle, em Sussex Oriental), cerca de 10 quilômetros do castelo de Guilherme em Hastings.[47]

O tamanho e a composição do exército de Haroldo não é dada de forma confiável em fontes contemporâneas, apesar de duas fontes normandas darem números de 1,2 milhão ou 400 000 homens.[48] Historiadores recentes têm sugerido números entre 5 000 e 13 000 para o exército de Haroldo em Hastings,[49] mas a maioria concorda em um intervalo entre 7 000 e 8 000 tropas inglesas.[50] Esses homens teriam sido uma mistura da fyrd ou milícia composta principalmente de soldados de infantaria, e os housecarls, ou tropas pessoais do nobre, que geralmente também lutavam a pé. A principal diferença entre os dois tipos era na sua armadura; os housecarls usavam armaduras melhor protegidas do que a dos fyrd. O exército inglês não parecia ter muitos arqueiros, embora alguns estivessem presentes.[51] Poucos indivíduos ingleses são conhecidos por terem estado em Hastings; os mais importantes eram os irmãos de Haroldo, Gurt e Leofivino.[33] Cerca de outros 18 indivíduos nomeados podem ser razoavelmente supostos lutado com Haroldo em Hastings, incluindo dois de seus outros parentes.[40] [nota 7]

Hastings[editar | editar código-fonte]

Morte de Haroldo, Representação na tapeçaria de Bayeux[52]

A batalha começou por volta das nove horas em 14 de outubro de 1066 e durou todo o dia, mas enquanto um esboço geral é conhecido, os eventos exatos são obscurecidos por relatos contraditórias das fontes.[53] Embora os números de cada lado foram, provavelmente, mais ou menos iguais, Guilherme tinha tanto cavalaria e infantaria, incluindo muitos arqueiros, enquanto Haroldo tinha apenas soldados a pé e alguns arqueiros.[54] Os soldados ingleses formaram-se como uma parede de escudos ao longo do cume, e foram inicialmente tão eficazes que o exército de Guilherme foi forçado a recuar com pesadas baixas. Algumas das tropas bretãs de Guilherme entraram em pânico e fugiram, e algumas das tropas inglesas parecem ter perseguido os bretões que fugiam. Por mais de duas vezes os normandos fizeram retiradas fingidas, tentador para o exército inglês, e permitindo que a cavalaria normanda os atacasse repetidamente.[55] As fontes disponíveis são mais confusas sobre os acontecimentos da tarde, mas parece que o evento decisivo foi a morte de Haroldo, sobre o qual diferentes são as histórias contadas. Guilherme de Jumièges afirmou que Haroldo foi morto pelo duque. A tapeçaria de Bayeux tem sido reivindicada a mostrar a morte de Haroldo por uma flecha no olho, mas isso pode ser uma reformulação depois da tapeçaria em conformidade com as histórias do século XII de que o rei da Inglaterra tinha morrido de uma flechada na cabeça.[56] Outras fontes afirmaram que ninguém sabia como Haroldo morreu por causa da pressão da batalha ser tão apertada ao redor do rei que os soldados não podiam ver quem deu o golpe fatal.[57] Guilherme de Poitiers não dá detalhe algum sobre a morte de Haroldo.[58]

Rescaldo de Hastings[editar | editar código-fonte]

No dia seguinte à batalha, o corpo de Haroldo foi identificado, seja por sua armadura ou marcas em seu corpo.[nota 8] Os corpos dos ingleses mortos, entre os quais alguns de seus irmãos e seus housecarls, foram deixados no campo de batalha, embora alguns tenham sido retirados por parentes mais tarde.[60] Sua mãe, Gita (Gytha), ofereceu ao duque vitorioso o peso do corpo de seu filho em ouro pela sua custódia, mas sua oferta foi recusada. Guilherme ordenou que o corpo de Haroldo fosse lançado ao mar, mas se isso aconteceu é incerto.[61] Outra história conta que Haroldo foi enterrado no topo de um penhasco.[62] A Abadia de Waltham, que tinha sido fundada pelo rei, mais tarde afirmou que seu corpo tinha sido enterrado lá secretamente.[61] Lendas posteriores afirmam que Haroldo não morreu em Hastings, mas escapou e tornou-se um eremita em Chester.[60]

Após sua vitória em Hastings, Guilherme deveria receber a apresentação dos líderes ingleses sobreviventes, mas em seu lugar, Edgar, o Atelingo[nota 9] foi proclamado rei pela Witenagemot, com o apoio dos condes Eduíno e Morcar, Stigand, o Arcebispo da Cantuária, e Ealdred, o Arcebispo de Iorque.[64] Portanto, Guilherme avançou marchando ao redor da costa de Kent para Londres. Ele venceu uma força de ingleses que o atacou em Southwark, mas como não conseguiu atacar a Ponte de Londres procurou chegar à capital por um caminho mais tortuoso.[65]

Guilherme subiu o vale do Tâmisa, para atravessar o rio em Wallingford, Berkshire; lá, ele recebeu a apresentação de Stigand. Então viajou para o nordeste ao longo das Chilterns, antes de avançar em direção a Londres pelo noroeste, lutando contra as forças da cidade. Não tendo conseguido reunir uma resposta militar eficaz, líderes partidários de Edgar perderam a cabeça, e os líderes ingleses se renderam a Guilherme em Berkhamsted, Hertfordshire. Guilherme foi aclamado rei da Inglaterra e coroado por Ealdred em 25 de dezembro 1066, na Abadia de Westminster.[65] [nota 10] O novo rei tentou conciliar a nobreza inglesa restante confirmando Morcar, Eduíno e Valteofo (Waltheof) da Nortúmbria, em suas terras, assim como dar terras a Edgar, o Atelingo. Guilherme permaneceu na Inglaterra até março de 1067, quando voltou para a Normandia com prisioneiros ingleses, incluindo Stigand, Morcar, Eduíno, Edgar, o Atelingo e Valteofo.[67]

Resistência inglesa[editar | editar código-fonte]

Primeiras rebeliões[editar | editar código-fonte]

Apesar da submissão dos nobres ingleses, a resistência continuou por vários anos.[68] Guilherme deixou o controle da Inglaterra nas mãos de seu meio-irmão Odo e um dos seus partidários mais próximos, Guilherme FitzOsbern.[67] Em 1067, os rebeldes em Kent lançaram um ataque mal sucedido no Castelo de Dover em combinação com Eustácio II de Bolonha.[68] O latifundiário Eadrico (Eadric), o Selvagem[nota 11] de Shropshire, em aliança com os governantes galeses de Venedócia e Powys, levantaram uma revolta no oeste da Mércia, lutando contra as forças dos normandos situadas em Hereford.[68] Estes eventos forçaram Guilherme a voltar à Inglaterra, no final de 1067.[67] Em 1068, o Duque da Normandia sitiou os rebeldes em Exeter, incluindo a mãe de Haroldo, Gita, e depois de sofrer pesadas perdas conseguiu negociar a rendição da cidade.[70] Em maio, a esposa de Guilherme, Matilde foi coroada rainha em Westminster, um importante símbolo da crescente estatura internacional do rei.[71] No final do ano, Eduíno e Morcar levantaram uma revolta em Mércia com assistência gaulesa, enquanto Gospatrico, o recém-nomeado conde de Nortúmbria,[nota 12] liderou um levante na região, que ainda não tinha sido ocupada pelos normandos. Estas rebeliões rapidamente entraram em colapso como Guilherme se moveu contra eles, construindo castelos e instalando guarnições como já havia feito no sul.[73] Eduíno e Morcar foram novamente submetidos, enquanto Gospatrico fugiu para a Escócia, assim como Edgar, o Atelingo e sua família, que pode ter se envolvido nessas revoltas.[74] Enquanto isso os filhos de Haroldo, que se refugiaram na Irlanda, invadiram Somerset, Devon e Cornualha pelo mar.[75]

Revoltas de 1069[editar | editar código-fonte]

Os restos do segundo castelo em mota-e-fortificação construído por Guilherme em Iorque.

No início de 1069, Roberto de Comines, o normando recém-investido conde de Nortúmbria, e várias centenas de soldados que o acompanhavam foram massacrados em Durham. A rebelião da Nortúmbria foi acompanhada por Edgar, Gospatrico, Sivardo (Siward) Barn e outros rebeldes que se tinham refugiado na Escócia. O castelão de Iorque, Roberto fitzRichard, foi derrotado e morto, e os rebeldes cercaram o castelo normando na cidade. Guilherme corria ao norte com um exército, derrotou os rebeldes fora de Iorque e os perseguiu até a cidade, massacrando os habitantes e encerrando a revolta. Ele construiu um segundo castelo em Iorque, fortaleceu as forças normandas em Nortúmbria e depois voltou para o sul. As revoltas locais posteriores foram esmagadas pela guarnição da cidade.[76] Os filhos de Haroldo lançaram um segundo ataque da Irlanda e foram derrotados em Devon por forças normandas do conde Brian, filho de Eudes de Penthièvre.[77] Em agosto ou setembro de 1069, uma grande frota enviada por Sueno II da Dinamarca chegou ao longo da costa da Inglaterra, o que provocou uma nova onda de rebeliões por todo o país. Após ataques abortados no sul, os dinamarqueses juntaram forças com um novo levante da Nortúmbria, que também foi acompanhado por Edgar, Gospatrico e os outros exilados da Escócia, bem como Valteofo. As forças dinamarquesas e inglesas combinadas derrotaram a guarnição normanda em Iorque, apreenderam os castelos e assumiram o controle de Nortúmbria, apesar de uma incursão em Lincolnshire liderada por Edgar ser derrotada pela guarnição normanda de Lincoln.[78]

Ao mesmo tempo, a resistência reacendeu-se novamente no oeste de Mércia, onde as forças de Eadrico, o Selvagem, juntamente com seus aliados galeses e outras forças rebeldes de Cheshire e Shropshire, atacaram o castelo de Shrewsbury. No sudoeste, os rebeldes de Devon e Cornualha atacaram a guarnição normanda em Exeter, mas foram repelidos pelos defensores e espalhados por uma força de socorro normanda do conde Brian. Outros rebeldes de Dorset, Somerset e áreas vizinhas cercaram o Castelo de Montacute, mas foram derrotados por um exército normando reunido a partir de Londres, Winchester e Salisbúria sob Godofredo de Coutances. Enquanto isso, Guilherme atacou os dinamarqueses, que tinham ancorado para o inverno ao sul de Humber, em Lincolnshire, e conduzi-los de volta à margem norte. Deixando Roberto de Mortain encarregado de Lincolnshire, ele virou ao oeste e derrotou os rebeldes de Mércia na batalha de Stafford. Quando os dinamarqueses tentaram retornar a Lincolnshire, lá as forças normandas novamente os levaram a recuar para Humber. Guilherme avançou pela Nortúmbria, derrotando uma tentativa de bloquear a sua travessia do caudaloso rio Aire em Pontefract. Os dinamarqueses fugiram a sua aproximação, e ocuparam Iorque. Ele comprou o afastamento dos dinamarqueses, que concordaram em deixar a Inglaterra, na primavera, e durante o inverno de 1069-1070 as suas forças devastaram sistematicamente a Nortúmbria, no Massacre do Norte, subjugando toda a resistência.[78] Como um símbolo de sua renovada autoridade sobre o norte, Guilherme cerimonialmente usou sua coroa em Iorque no dia de Natal de 1069.[72]

No início de 1070, tendo assegurado a apresentação de Valteofo e Gospatrico, e conduzido Edgar e seus partidários restantes de volta à Escócia, Guilherme voltou a Mércia, onde situou-se em Chester e esmagou toda a resistência remanescente na área, antes de voltar para o sul.[78] Legados papais chegaram e na Páscoa recoroaram Guilherme, o que teria simbolicamente reafirmado seu direito ao reino. O rei da Inglaterra também supervisionou um expurgo dos prelados da Igreja, principalmente Stigand, que foi deposto da Cantuária. Os legados papais também impuseram penitências a Guilherme e seus partidários que estavam em Hastings e as campanhas subsequentes.[79] Assim como Cantuária, a Sé de Iorque tornou-se vaga após a morte de Ealdred, em setembro de 1069. Ambos viram-se preenchidas por homens leais ao rei: Lanfranco, sacerdote da fundação da Abadia de Caen recebeu Cantuária enquanto Tomás de Bayeux, um dos capelães de Guilherme, foi instalado na Sé de Iorque. Alguns outros bispados e abadias também receberam novos bispos e abades e Guilherme confiscou parte da riqueza dos mosteiros ingleses, que haviam servido como repositórios para os bens dos nobres nativos.[80]

Problemas dinamarqueses[editar | editar código-fonte]

Moeda de Sueno II da Dinamarca.

Em 1070, Sueno II da Dinamarca chegou para assumir o comando pessoal de sua frota e renunciou ao acordo anterior para retirada, enviando tropas a Fens para unir forças com os rebeldes ingleses liderados por Herevardo, o Vigília,[nota 13] com base na Ilha de Ely. Sueno logo aceitou mais um pagamento de Danegeld por Guilherme, e voltou para casa.[82] Após a saída dos dinamarqueses os rebeldes de Fens permaneceram, em geral, protegidos pelos pântanos, e no início de 1071, houve a eclosão final da atividade rebelde na área. Eduíno e Morcar novamente voltaram-se contra Guilherme, e embora Eduíno fosse rapidamente traído e morto, Morcar chegou a Ely, onde ele e Herevardo se juntaram a rebeldes exilados que haviam navegado da Escócia. Guilherme chegou com um exército e uma frota para acabar com este último bolsão de resistência. Depois de algumas falhas dispendiosas, os normandos conseguiram construir um pontão para chegar à ilha de Ely, derrotaram os rebeldes na ponte e invadiram a ilha, marcando o fim efetivo da resistência inglesa.[83] Morcar foi preso pelo resto de sua vida; Herevardo foi perdoado e teve suas terras devolvidas.[84]

Última resistência[editar | editar código-fonte]

Guilherme enfrentou dificuldades em suas posses continentais em 1071,[85] mas em 1072 ele retornou à Inglaterra e marchou ao norte para confrontar o rei Malcolm III da Escócia.[nota 14] Esta campanha, que incluiu um exército terrestre apoiado por uma frota, resultou no Tratado de Abernethy em que Malcolm expulsou Edgar, o Atelingo da Escócia e concordou com algum grau de subordinação a Guilherme.[84] O estatuto exato dessa subordinação não é claro – o tratado se limitou a afirmar que Malcolm tornou-se homem de Guilherme. Se isso significava apenas a Cúmbria e Lothian ou a todo Reino da Escócia ficou ambíguo.[86]

Em 1075, durante a ausência de Guilherme, Raul de Gael, conde de Norfolk, e Rogério de Breteuil, conde de Hereford, conspiraram para derrubá-lo na Revolta dos Condes. A razão exata da rebelião não é clara, mas foi iniciada no casamento de Raul com um parente de Rogério, realizado em Exning. Outro conde, Valteofo, apesar de ser um dos favoritos de Guilherme, também esteve envolvido, e alguns senhores bretões estavam prontos para oferecer apoio. Raul também pediu ajuda dinamarquesa. O rei permaneceu na Normandia, enquanto seus homens na Inglaterra subjugaram a revolta. Rogério não foi capaz de deixar sua fortaleza em Herefordshire por causa dos esforços de Wulfstan, bispo de Worcester, e Etelvigo (Aethelwig), abade de Evesham. Raul foi cercado no Castelo de Norwich pelos esforços combinados de Odo de Bayeux, Godofredo de Coutances, Ricardo fitzGilbert e Guilherme de Warenne. Norwich foi cercada e rendida, e Raul foi para o exílio. Enquanto isso, o irmão do rei da Dinamarca, Canuto, finalmente chegou à Inglaterra com uma frota de 200 navios, mas era tarde demais, pois Norwich já havia se rendido. Então os dinamarqueses invadiram ao longo da costa, antes de voltar para casa.[87] Guilherme não retornou à Inglaterra até o final de 1075, para lidar com a ameaça dinamarquesa e as consequências da rebelião, comemorando o Natal em Winchester.[88] O Conde de Norfolk e Valteofo foram mantidos na prisão, onde Valteofo foi executado em maio de 1076. Nessa época Guilherme tinha voltado para o continente, onde Raul continuava a rebelião da Bretanha.[87]

Controle da Inglaterra[editar | editar código-fonte]

A Torre de Londres, originalmente iniciada por Guilherme, o Conquistador, para controlar Londres.[89]

Uma vez que a Inglaterra havia sido conquistada, os normandos enfrentaram muitos desafios para manter o controle.[90] Estavam em número reduzido em comparação com a população nativa inglesa; incluindo os de outras partes da França, os historiadores estimam que o número de colonos normandos era de cerca de 8 000.[91] Os seguidores do rei esperavam e receberam terras e títulos em troca de seus serviços na invasão,[92] mas Guilherme reivindicou a posse definitiva das terras na Inglaterra na qual os seus exércitos haviam lhe dado de facto o controle, e garantiu o direito de dispor delas como bem entendesse. Daí em diante, todas as terras foram "mantidas" diretamente pelo rei em posse feudal em troca de serviço militar.[93] Um lorde normando tipicamente tinha propriedade localizada de forma fragmentada em toda a Inglaterra e Normandia, e não em um único bloco geográfico.[94]

Para encontrar terras para compensar seus seguidores normandos, Guilherme inicialmente confiscou os bens de todos os lordes ingleses que lutaram e morreram com Haroldo e redistribuiu parte de suas terras.[95] Estas apreensões levaram a revoltas, que resultaram em mais apreensões, um ciclo que continuou por cinco anos após a Batalha de Hastings.[92] Para derrubar e evitar novas rebeliões, os normandos construíram castelos e fortificações em números sem precedentes,[96] inicialmente principalmente no padrão castelo de mota.[97] O historiador Robert Liddiard observa que "ao olhar para a paisagem urbana de Norwich, Durham ou Lincoln somos forçados a lembrar do impacto da invasão normanda".[98] O rei e seus barões também exerceram um controle mais rígido sobre a herança de bens por viúvas e filhas, muitas vezes obrigando casamentos com normandos.[99]

Uma comparação do sucesso do rei na tomada de controle é que, a partir de 1072 até a conquista capetiana da Normandia em 1204, Guilherme e seus sucessores eram governantes, em grande parte ausentes. Por exemplo, depois de 1072, Guilherme passou mais de 75 por cento do seu tempo na França, em vez da Inglaterra. Enquanto precisava estar pessoalmente presente na Normandia para defender o reino de uma invasão estrangeira e sufocar as revoltas internas, ele montou estruturas administrativas reais que lhe permitiram governar a Inglaterra à distância.[100]

Consequências[editar | editar código-fonte]

Substituição da elite[editar | editar código-fonte]

Uma consequência direta da invasão foi a eliminação quase total da velha aristocracia inglesa e a perda de controle sobre a Igreja Católica na Inglaterra. Guilherme sistematicamente despojou os proprietários de terras inglesas e conferiu sua propriedade a seus seguidores continentais. O Domesday Book documenta meticulosamente o impacto deste programa colossal de expropriação, revelando que por volta de 1086 apenas cerca de cinco por cento da terra na Inglaterra ao sul de Tees foi deixada em mãos inglesas. Mesmo este pequeno resto foi ainda mais reduzido nas décadas que se seguiram e a eliminação da propriedade da terra nativa foi mais completa em partes do sul do país.[101] [102]

Os nativos também foram retirados do alto cargo governamental e eclesiástico. Depois de 1075, todos os condados foram mantidos por normandos e ingleses foram apenas ocasionalmente nomeados como xerifes. Da mesma forma, na Igreja, titulares inglês de cargos seniores ou foram expulsos de seus cargos ou mantidos no lugar por seu tempo de vida e substituídos por estrangeiros quando morreram. Em 1096, nenhum bispado havia sido mantido por qualquer inglês, e abades nativos tornaram-se incomuns, especialmente nos mosteiros maiores.[103]

Emigração inglesa[editar | editar código-fonte]

Guarda varegue no século XII representada nos Escilitzes de Madrid

Após a conquista, muitos anglo-saxões, incluindo grupos de nobres, fugiram do país[104] para a Escócia, a Irlanda ou a Escandinávia.[105] Membros da família do rei Haroldo Godwinson buscaram refúgio na Irlanda e usaram suas bases no país para invasões mal sucedidas da Inglaterra.[71] O único grande êxodo ocorreu em 1070, quando um grupo de anglo-saxões em uma frota de 235 navios navegavam para o Império Bizantino.[105] O império tornou-se um destino popular para muitos nobres e soldados ingleses, já que os bizantinos necessitavam de mercenários.[104] Os ingleses tornaram-se um elemento predominante na elite da guarda varegue, até então uma unidade com grande parte escandinava, a partir da qual o guarda-costas do imperador era concebido.[106] Alguns dos imigrantes ingleses foram estabelecidos nas regiões fronteiriças bizantinas na costa do mar Negro, e as cidades se estabeleceram com nomes como Nova Londres e Nova Iorque.[104]

Sistemas de governo[editar | editar código-fonte]

Página da pesquisa Domesday de Warwickshire.

Antes que os normandos chegassem, sistemas de governo anglo-saxões eram mais sofisticados do que suas contrapartes na Normandia.[107] [108] Toda a Inglaterra foi dividida em unidades administrativas chamadas condados, com subdivisões; a corte real era o centro do governo e elas existiam para garantir os direitos dos homens livres.[109] Condados eram governados por funcionários conhecidos como supervisores ou xerifes.[110] A maioria dos governos medievais estavam sempre em movimento, mantendo a corte onde o clima e a comida ou outros assuntos estivessem melhores no momento;[111] a Inglaterra tinha um tesouro permanente em Winchester antes da conquista de Guilherme.[112] Uma das principais razões pela força da monarquia inglesa era a riqueza do reino, construído sobre o sistema inglês de tributação, que incluía um imposto a proprietários de terras. A cunhagem inglesa também era superior à maioria das outras moedas em uso no noroeste da Europa, assim como a capacidade de cunhar moedas era um monopólio real.[113] Os reis da Inglaterra também tinham desenvolvido o sistema de emissão de mandados para os seus funcionários, além da prática medieval normal da emissão de cartas.[114] Mandados eram ou instruções a um funcionário ou grupo de funcionários, ou notificações de ações reais, como as nomeações para cargo ou algum tipo de concessão.[115]

Esta forma medieval sofisticada de governo foi entregue aos normandos e foi a fundação de novos desenvolvimentos.[109] Eles mantiveram o quadro de governo, mas fizeram alterações no pessoal, embora num primeiro momento o novo rei tentou manter alguns nativos no cargo. Até o fim do reinado de Guilherme a maioria dos funcionários do governo e da família real eram normandos. A linguagem dos documentos oficiais também mudou, do inglês antigo para o latim. As leis florestais foram introduzidas, levando à anulação de grande parte da Inglaterra como floresta real.[110] A pesquisa Domesday era um catálogo administrativo das propriedades rurais do reino, e foi exclusiva à Europa medieval. Foi dividida em seções de acordo com os condados, e listou todas as propriedades rurais de cada tenência do rei, assim como, que ocupava o terreno antes da conquista.[116]

Língua[editar | editar código-fonte]

Um dos efeitos mais evidentes da conquista foi a introdução do anglo-normando, um dialeto setentrional do francês antigo, como a língua das classes dominantes na Inglaterra, deslocando o inglês antigo. Palavras em francês entraram no idioma inglês, e mais um sinal da mudança foi o uso de nomes comuns na França em vez de nomes anglo-saxões. Nomes masculinos, como William (Guilherme), Robert (Roberto) e Richard (Ricardo) logo se tornaram comuns; nomes femininos mudaram mais lentamente. A invasão normanda teve pouco impacto sobre nomes de lugares, que mudaram significativamente após as invasões escandinavas anteriores. Não se sabe exatamente quanto de inglês antigo os invasores normandos aprenderam, nem quanto conhecimento da propagação francesa entre as classes mais baixas, mas as exigências do comércio e comunicação básica provavelmente indicam que pelo menos alguns dos normandos e ingleses nativos tornaram-se bilíngues.[117] No entanto, sabe-se que o próprio Guilherme, o Conquistador, nunca desenvolveu um conhecimento prático de inglês e por séculos depois o inglês não era bem compreendido pela nobreza.[118]

Imigração e casamentos mistos[editar | editar código-fonte]

Estima-se que 8 000 normandos e outros continentais se estabeleceram na Inglaterra, como resultado da conquista, ainda não é possível estabelecer números exatos. Alguns desses novos moradores casaram-se com os ingleses nativos, mas a extensão desta prática nos anos imediatamente após Hastings não é clara. Vários casamentos são atestados entre homens normandos e mulheres inglesas durante os anos anteriores a 1100, mas tais casamentos eram incomuns. A maioria dos normandos continuaram a retrair casamentos com outros normandos ou outras famílias continentais e não com ingleses.[119] Um século após a invasão, o casamento entre ingleses nativos e os imigrantes normandos haviam se tornado comuns. No início das década de 1160, Elredo de Rievaulx escreveu que o casamento era comum em todos os níveis da sociedade.[120]

Sociedade[editar | editar código-fonte]

Reconstrução moderna de uma vila anglo-saxônica em West Stow.

O impacto da conquista sobre os níveis mais baixos da sociedade inglesa é difícil de avaliar. A principal alteração foi a eliminação da escravidão na Inglaterra, que tinha desaparecido em meados do século XII.[121] Havia cerca de 28 mil escravos listados no Domesday Book em 1086, menos do que tinha sido enumerado em 1066. Em alguns lugares, como Essex, o declínio de escravos era de 20 por cento durante 20 anos.[122] As principais razões para o declínio da posse de escravos parecem ter sido a desaprovação da Igreja e o custo de escravos de apoio, que ao contrário de servos, tinham que ser mantidos inteiramente por seus proprietários.[123] A prática da escravidão não foi proibida, e as "Leis de Henrique I" (Leges Henrici Primi) desde o reinado de Henrique I continuava a mencionar a posse de escravos como legal.[122]

Muitos dos camponeses livres da sociedade anglo-saxônica parecem ter perdido o estatuto e tornaram-se indistinguíveis dos servos não-livres. Se esta mudança deveu-se inteiramente à conquista não é certo, mas a invasão e seus efeitos posteriores provavelmente aceleraram um processo já em curso. A propagação das cidades e aumento de assentamentos nucleares no campo, em vez de fazendas espalhadas, provavelmente foi acelerado com a chegada dos normandos na Inglaterra.[121] O estilo de vida dos camponeses provavelmente não mudou muito nas décadas após 1066.[124] Embora os historiadores anteriores argumentaram que as mulheres se tornaram menos livres e perderam muitos direitos com a conquista, a erudição atual tem em sua maioria rejeitado essa visão. Pouco se sabe sobre outras mulheres se não as da classe latifundiária, por isso não é possível tirar conclusões sobre o estado das mulheres camponesas após 1066. Mulheres nobres parecem ter continuado a influenciar a vida política, principalmente através de suas relações de parentesco. Tanto antes como depois de 1066, mulheres aristocráticas podiam possuir terras, e algumas mulheres continuaram a ter a capacidade de dispor de sua propriedade como quisessem.[125]

Historiografia[editar | editar código-fonte]

Debates sobre a conquista começaram quase imediatamente. A Crônica Anglo-Saxônica, ao discutir a morte de Guilherme, o Conquistador, o denunciou e a conquista em verso, mas o obituário do rei, feito por Guilherme de Poitiers, um francês, foi laudatório e cheio de elogios. Os historiadores, desde então, discutiram sobre os fatos da matéria e como interpretá-las, com pouco consenso.[126] A teoria ou mito do "Jugo Normando" surgiu no século XVII,[127] com a ideia de que a sociedade anglo-saxônica tinha sido mais livre e mais igual do que a sociedade que emergiu após a conquista.[128] Esta teoria se deve mais ao período que foi desenvolvido do que a fatos históricos, mas continua a ser usada tanto em pensamento político e popular nos dias de hoje.[129]

Nos séculos XX e XXI, historiadores têm-se centrado menos na correção ou incorreção da própria conquista, concentrando-se mais sobre os efeitos da invasão. Alguns, como Richard Southern, viram a conquista como um ponto crítico na história.[126] Southern afirmou que "nenhum país na Europa, entre o surgimento dos reinos bárbaros e do século XX, passou por uma mudança tão radical em tão pouco tempo como a Inglaterra experimentou depois de 1066."[130] Outros historiadores, como H. G. Richardson e G. O. Sayles, acreditam que a transformação foi menos radical.[126] Em termos mais gerais, um escritor chamou a conquista de "o último eco das migrações nacionais que marcaram início da Idade Média".[131] O debate sobre o impacto da conquista depende de como os indicadores são usados para medir a mudança depois de 1066. Se a Inglaterra Anglo-Saxônica já estava se desenvolvendo antes da invasão, com a introdução do feudalismo, castelos ou outras mudanças na sociedade, depois da conquista, embora importantes, não representaram uma reforma radical. Mas a mudança foi dramática, se medido pela eliminação da nobreza inglesa ou a perda do inglês antigo como língua literária. Argumentos nacionalistas foram feitos em ambos os lados do debate, com os normandos escalados tanto como os perseguidores dos ingleses ou os salvadores do país a partir de uma decadente nobreza anglo-saxônica.[126]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Hardacanuto era o filho do rei Canuto, o Grande e Ema da Noruega, e, portanto, era o meio-irmão de Eduardo, o Confessor. Ele reinou de 1040-1042, e morreu sem filhos.[13] O pai de Hardacanuto, Canuto, havia derrotado o filho de Etelredo, Edmundo, o Braço de Ferro, em 1016 para reivindicar o trono inglês e se casar com a viúva de Etelredo, Ema.[14] Após a morte de Hardacanuto em 1042, Magno começou os preparativos para uma invasão da Inglaterra, que só foi interrompida por sua morte em 1047.[15]
  2. Outros concorrentes mais tarde vieram à tona. O primeiro foi Edgar, o Atelingo, sobrinho-neto de Eduardo, o Confessor, que era descendente patrilinear do rei Edmundo, o Braço de Ferro. Ele era filho de Eduardo, o Exilado, filho de Edmundo, o Braço de Ferro, e nasceu na Hungria, para onde seu pai fugiu depois da conquista da Inglaterra por Canuto. Após o posterior retorno de sua família para a Inglaterra e a morte de seu pai em 1057,[17] Edgar teve de longe a mais forte reivindicação hereditária ao trono, mas tinha apenas cerca de treze ou catorze anos, no momento da morte do Eduardo, Confessor, e com pouca família para apoiá-lo, seu pedido foi preterido pela Witenagemot.[18] Outro candidato foi Sueno II da Dinamarca, que tinha uma reivindicação ao trono, como o neto de Sueno I da Dinamarca e sobrinho de Canuto,[19] mas ele não fez a sua oferta ao trono até 1069.[20] Os ataques de Tostig Godwinson no início de 1066 podem ter sido o início de uma investida ao trono, mas após a derrota nas mãos de Eduíno e Morcar e a deserção da maioria de seus seguidores, ele jogou sua sorte com Haroldo Hardrada.[21]
  3. Tostig, que tinha sido Conde da Nortúmbria, foi expulso do cargo por uma rebelião do condado no final de 1065. Após o rei Eduardo ficar ao lado dos rebeldes, Tostig foi para o exílio em Flandres.[22]
  4. É dito que o rei da Escócia, Malcolm III, fosse irmão jurado de Tostig.[22]
  5. Desses 35, cinco são conhecidos por terem morrido na batalha - Roberto (Robert) de Vitot, Engenulfo (Engenulf) de Laigle, Roberto (Robert) fitzErneis, Rogério (Roger), filho de Turoldo (Turold) e Taillefer.[40]
  6. A tapeçaria de Bayeux possivelmente retrata a bandeira papal levadas pelas forças de Guilherme, mas isso não é nomeado como tal na tapeçaria.[41]
  7. Dessas pessoas nomeadas, oito morreram na batalha – Haroldo, Gurt, Leofvine, Goderico/Godrico, o xerife, Thurkill de Berkshire, Breme, e alguém conhecido apenas como "filho de Helloc".[40]
  8. Uma tradição do século XII afirmava que o rosto de Haroldo não pôde ser reconhecido e Edite, esposa de direito comum de Haroldo, foi trazida ao campo de batalha para identificar o corpo a partir das marcas que só ela conhecia.[59]
  9. Atelingo (Ætheling, em inglês) é o termo anglo-saxão para um príncipe real com alguma pretensão ao trono.[63]
  10. A coroação foi marcada quando as tropas normandas estacionadas fora da abadia ouviam os sons de pessoas dentro aclamando o rei e começaram a incendiar casas próximas, pensando que os ruídos eram sinais de um motim.[66]
  11. O nome de Eadrico, "o Selvagem" é relativamente comum, de modo que apesar das sugestões que surgiram a partir da participação de Eadrico nas revoltas do norte em 1069, isso não é certo.[69]
  12. Gospatrico (ou Gospatric, em língua inglesa) tinha comprado a função de Guilherme após a morte de Copsi, a quem o rei havia nomeado em 1067. Copsi foi assassinado em 1068 por Osulfo (Osulf), seu rival pelo poder em Nortúmbria.[72]
  13. Em inglês Hereward. Embora o epíteto de "o Vigília" tenha sido reivindicado a ser derivado de "o Desperto", o primeiro uso do epíteto é de meados do século XIII, e é, portanto, improvável que tenha sido contemporâneo.[81]
  14. Malcolm, em 1069 ou 1070, tinha se casado com Margarida, irmã de Edgar, o Atelingo.[72]

Referências

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