Libelo de sangue

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Libelos de sangue são alegações sensacionalistas de que uma pessoa ou um grupo participa de sacrifícios de outras pessoas, sendo frequente nessas alegações que o sangue das vítimas sacrificadas é utilizado em rituais e/ou atos de canibalismo. As vítimas dos supostos sacrifícios são, em geral, crianças.

Judeus são o alvo mais comum dos libelos de sangue, porém, outros grupos já sofreram acusações do tipo, inclusive cristãos, cataristas, cartagineses, Cavaleiros Templários, bruxas, hereges, romanos, wiccas, druidas, neopagãos, satanistas, evangélicos, protestantes, missionários e, recentemente, chineses [1].

Libelos de Sangue contra Seguidores de Antigas Religiões Gregas[editar | editar código-fonte]

Quando o cristianismo chegou à Grécia, havia uma tentativa de retratar todos os sacrifícios como sangrentos, mas, ao contrário do mito cristão popular,os sacrifícios aos deuses gregos eram, frequentemente, na forma de riqueza. Sacrifícios com sangue humano eram ilegais nas cidades gregas. Os Cristãos primitivos espalharam boatos sobre filhos de cristãos serem abduzidos e terem suas gargantas cortadas em vários templos. Tais boatos são similares às acusações contra judeus da prática de libelos de sangue. Sacrifícios que envolviam sangue eram vistos pelos gregos como um ato bárbaro, e havia leis contra tais atos.

Libelos de Sangue contra Judeus[editar | editar código-fonte]

Anti-semitismo: Gravura alemã do livro Crônica de Nuremberg, publicado em latim e em alemão em 1493, representando o dito martírio de um menino italiano chamado Simão de Trento, supostamente pelas mãos de judeus maliciosos.

Os Judeus são, de longe, o alvo mais frequente de Libelo de Sangue na história. Libelo de Sangue contra os judeus era uma forma comum e anti-semitismo na Idade Média. Não há nenhum ritual envolvendo sangue na lei judaica ou em seus costumes. O primeiro caso conhecido de Libelo de Sangue contra os judeus está nos escritos de Apião, que afirmava que os judeus sacrificavam vítimas gregas em seus templos. Após este evento, não há registros de libelos de sangue contra judeus até a lenda envolvendo o menino William de Norwich, no século XII, que surgiu na Crônica de Peterborough.[1] O Libelo se tornou, desde então, uma acusação cada vez mais comum. Em muitos casos subsequentes libelos anti-semíticos serviram de base para um "culto do libelo de sangue", na qual era alegado que o sacrifícado era venerado como um mártir cristão. Muitos judeus foram mortos em decorrência de falsos libelos de sangue, o que continuou durante o Séc.XX, com o Julgamento Beilis na Rússia e o Pogrom Kielce na Polônia. Histórias sobre Libelo de Sangue ainda continuam no mundo árabe.

Libelos de Sangue contra Cristãos[editar | editar código-fonte]

Durante os séculos I e II, alguns comentaristas romanos tinham várias interpretações sobre o ritual da Eucaristia e demais práticas relacionadas. Durante a celebração da Eucaristia, os cristãos bebem vinho tinto graças à célebre frase "Este é o sangue de Jesus Cristo". A propaganda de que os cristãos literalmente bebiam sangue baseados em sua crença na transubstantiation foi seguidamente utilizada para apoiar a perseguição dos seguidores de Jesus Cristo. Romanos eram altamente suspeitos de adotarem crianças cristãs abandonadas, as quais eram apontadas como uma possível fonte de sangue para os libelos.

Na Mandaean escritura Ginza Rba, um suposto grupo cristão chamado os "Minunei" são acusados disso contra os judeus: "Eles matam uma criança judia, eles tiram seu sangue, eles o cozinham em pão e o oferecem como comida." (Ginza Rba 9.1).

Mitos Contemporâneos de Libelo de Sangue no Ocidente[editar | editar código-fonte]

Acusações de assassinatos rituais estão atualmente atingindo outros grupos.

Uma alegação afirmava que médicos que praticavam aborto na República Popular da China consideravam o feto uma iguaria e o comiam. Essa história, relatada em Hong Kong por Bruce Gilley, foi investigada pelo senador Jesse Helms, e trabalhos de arte grotescos, remanescentes de representações tradicionais de libelos de sangue, fizeram parte de várias campanhas anti-aborto. [2] O único uso para tecido humano fetal no campo de pesquisa médico é relacionado a células tronco.[2]

Outro mito de libelo de sangue contemporâneo nos Estados Unidos alega, falsamente, que tanto neopagãos quanto satanistas usam sangue humano, abuso sexual, ou assassinato ritual, especialmente de crianças, em seus ritos. Frequentemente o satanismo, todas as diversas religiões neopagãs, e de vez em quando o Catolicismo Romano e denominações cristãs liberais ou não-fundamentalistas, são descritas como expressões de uma antiga e monolítica conspiração global de adoradores do diabo. Mike Warnke (The Satan Seller), Bill Schnoebelen (Wicca: Satan's Little White Lie), Lawrence Pazder e Michelle Smith (Michelle Remembers), Jon Watkins [3], Bill Pricer, e Ken Wooden (Child Lures) são algumas das vozes desses libelos.

Muitos grupos judaicos ficaram chocados pela publicação, em 2003, pelo jornal britânico The Independent, de uma ilustração figurando Ariel Sharon a comer um bebê.[3] O governo israelense reclamou à Press Complaints Commission que a ilustração aludia ao libelo de sangue de judeus comendo crianças cristãs; Dave Brown, o autor, respondeu que a ilustração era na realidade inspirado pela pintura Saturno devorando um filho, de Francisco de Goya, e não tinha intenções antissemitas. A comissão aceitou o argumento de Brown, afirmando que "não há nada inerentemente antissemita na imagem de Goya ou acerca do mito de Saturno devorando suas crianças, que já havia sido usado anteriormente para satirizar outros políticos acusados de sacrificar suas próprias 'crianças' por motivos políticos".[4] A ilustração acabou por dar a Brown o prêmio "Political Cartoon of The Year", da sociedade britânica Political Cartoon Society.

O primeiro ministro italiano Silvio Berlusconi, em sua fracassada tentativa à reeleição em março de 2006, disse que comunistas tem um histórico de cozinhar bebês. "Eu fui muitas vezes acusado de afirmar que comunistas comem criancinhas", disse Berlusconi em um comício do partido Forza Italia. "Vá em frente e leia o livro negro do comunismo, e você descobrirá que, sob a China de Mao, eles não comiam criancinhas, mas as cozinhavam para fertilizar os campos." Apesar de Berlusconi haver negado em 2006 que tinha afirmado que comunistas "comiam criancinhas", na campanha de 2001, ele afirmou: "Eu posso organizar uma conferência na qual provarei que comunistas realmente comeram criancinhas e fizeram coisas ainda piores".[5]

O Declínio da Crença nos Rituais de Morte[editar | editar código-fonte]

A crença no assassinato ritual gradualmente desapareceu da corrente principal do cristianismo e meninos-mártires foram eliminados do calendário oficial de santos católicos.

Referências

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]