Satanismo

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O pentagrama apontando para baixo é um símbolo do Satanismo.
Parte do Selo de Lúcifer, encontrado no Grimorium Verum, usado como símbolo por alguns satanistas.

O satanismo é uma crença centrada em torno das forças da natureza, em particular da natureza humana. A primeira definição encontra-se no chamado Satanismo tradicional ou Teísta. Ao contrário, o denominado Satanismo LaVey foca a sua atenção no avanço epicurista do indivíduo, em vez de a focar na submissão a uma divindade ou a um conjunto de códigos morais. Contudo, existem outras formas de satanismo na sociedade contemporânea, diferentemente da formulação de LaVey.

Índice

[editar] Origem do termo

O termo Satan originou-se do judaísmo e se expandiu entre cristãos e seguidores do islamismo, chegando desse modo a disseminar-se entre diferentes culturas. Em hebraico o termo quer dizer adversário, opositor, se opondo, ir contra.

O termo satanismo foi utilizado pelas religiões abraâmicas para designar práticas religiosas que consideravam estar em oposição directa do Deus abraamico (o Deus de Abraão).

[editar] Nos bastidores da Corte

Embora possa parecer um pouco improvável, o satanismo foi muito popular e comum nos séculos XVI e XVII nas cortes européias[1], mesmo com toda fiscalização da Igreja Católica.

A França, naqueles tempos, tinha um mercado de satanismo lucrativo, existindo como se fosse uma máfia, que tinha integrantes até nas mais altas rodas sociais de Paris. Essa máfia, todavia, foi desarticulada pelas autoridades da cidade, em grande parte graças a Gabriel Nicolas de la Reynie.

La Reynie começou a desconfiar que existia uma rede alternativa de satanismo em Paris após prender Louis de Vanens, um notório satanista. Ele ficou meses atrás de uma pista da existência do tal grupo, mas nunca conseguiu provar nada. Todavia, um dia ele conseguiu prender uma conhecida cartomante, Catherine Deshayes, mais conhecida com La Voisin. Com ela ele encontrou não apenas artigos que cartomantes normalmente usam, mas também objetos pretensamente usados em rituais de magia negra, como sangue, terra de cemitério, sêmen, entre outras coisas.

Quando foi indagada de suas atividades, La Voisin revelou que, além de poções de amor, ela havia feito diversos abortos para mulheres da mais alta roda parisiense, sendo que foram supostamente encontrados diversos fetos e bebês enterrados em seu quintal. Entre vários de seus cúmplices denuciados, um notório foi Étienne Guibourg[2], que segundo ela, era um integrante da Igreja de Satã, a qual praticava todo tipo de magia e atividades relacionadas com satanismo.

Umas da clientes de La voisin e do próprio Guibourg era Francisca Atenas conhecida como Madame de Montespan, uma das favoritas do rei Luis XVI, que supostamente estava desesperada para se tornar esposa deste. Os primeiros rituais para Montespan[3], segundo La Voisin, não envolveram sacrificios de crianças, mas sim de pequenos animais, e certos rituais mágicos. Sobre a influência de La Voisin, Montespan fazia poções e as colocava na comida do rei, com testiculos de animais e afins.

Todavia, segundo conta, as intenções de Montespan foram mudando, e os rituais, que eram de amor, foram mudando para ódio[4], e os rituias foram se tornando cada vez mais macabros, com a intenção de matar o rei, embora não tenha havido sucesso. Logo depois do grupo ser descoberto por La Reine, diversas pessoas foram presas, inclusive Montespan, tendo sido inocentada e passando o resto de sua vida no interior do pais.[5]

[editar] Mudanças

Devido ao fato de o Satanismo Original ser uma doutrina filosófica que pregava a liberdade individual do ser humano, dentre outras idéias, contrariava fortemente os dogmas e princípios morais da Igreja Católica. Esta, desde então, passou a perseguir os adeptos de tal doutrina e a acusá-los de heresias como adoração ao demônio e prática de orgias sexuais. O argumento utilizado pela Igreja para consolidar o seu posto teve uma eficiência quase completa. Ainda assim, alguns grupos satanistas conseguiram preservar suas práticas.

É importante destacar que existem diversas vertentes do Satanismo. As duas principais são a vertente filosófica, que se limita a cumprir a doutrina de acordo com certos valores puramente filósoficos, e a vertente religiosa, que teve o seu surgimento alguns anos depois que a Igreja acusou os Satanistas Originais de adoração ao diabo, dentre várias outras. Isso fez com que certos grupos posteriores pensassem que tal acusação se tratasse de uma verdade absoluta, e devido a uma certa falta de informação e instrução, tais grupos passaram desde então a pôr em prática os rituais que pensavam constituir as práticas do satanismo. Surge então o Satanismo Moderno, com fundamentos puramente religiosos, dos quais a Igreja os acusava de praticarem, o que não anula a sua condição de vertente e a existência da vertente filosófica.

Um dos pensamentos mais errôneos sobre o Satanismo é acreditar no uso de fetos e/ou humanos já formados em rituais macabros, para invocação da vida, ou da morte, ou de quaisquer outras entidades. No século [(xx)] vários serial-killers usaram equivocadamente o nome do Satanismo para justificar suas atrocidades, sendo que eles não tinham qualquer ligação com os verdadeiros satanistas, cuja filosofia poderia superficialmente ser traduzida sob a expressão "faze o bem ou não faças nada".

[editar] Ver também

Referências

  1. CAVENDISH, Richard.The Encyclopedia of Unexplained; Magic, Occultism and Parapsychology. Segunda edição, New york, NY. Mcgraw-Hill Book Company.1976..
  2. Anne Somerset - The Affair of the Poisons: Murder, Infanticide, and Satanism at the Court of Louis XIV (St. Martin's Press (October 12, 2003) ISBN 0-312-33017-0)
  3. Hugh Noel Williams - Madame de Montespan and Louis XIV, 1910.
  4. Google livros 'Madame de Montespan and Louis XIV.
  5. CAVENDISH, Richard.The Encyclopedia of Unexplained; Magic, Occultism and Parapsychology. Segunda edição, New york, NY. Mcgraw-Hill Book Company.1976.
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