Satanismo

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Satanismo
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Divindades símbolicas
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Conceitos relacionados
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Individualismo
Caminho da Mão Esquerda
Maioridade moral
Hedonismo


O pentagrama apontando para baixo é um símbolo do Satanismo.
Parte do Selo de Lúcifer, encontrado no Grimorium Verum, usado como símbolo por alguns satanistas.

O satanismo é um grupo de religiões composto por muitas crenças ideológicas e filosóficas e fenômenos sociais. As características comuns entre elas incluem associação símbólica com, admiração pelo personagem de e até veneração de Satanás ou de outras figuras rebeldes similares, como Prometeu, e figuras libertadoras.

Satanás, também chamado de Lúcifer por muitos cristãos, aparece pela primeira vez no livro Crônicas, instigando Davi a fazer um censo de Israel.

O cristianismo e o Islam tipicamente consideram Satanás como o adversário ou inimigo, mas muitas revisões e recomposições populares de contos bíblicos inseriram sua presença e influência em quase todos os aspectos de posição adversa, até à narração da Criação, em Gênesis e Queda do Homem. Especialmente por cristãos e muçulmanos, a figura de Satanás foi tratada variavelmente, como competidor rebelde ou invejoso dos seres humanos, de Jesus, e caracterizado como anjo caído ou demônio governador do submundo penitencial, acorrentado num poço fundo, vagando pelo planeta em busca de almas ou provendo ímpeto para farsas mundanas.

Particularmente após o iluminismo, algumas obras, como "Paraíso Perdido", foram tomadas pelos românticos e descritas como ilustradoras do Satanás bíblico como uma alegoria, representando crise de fé, individualismo, livre-arbítrio, sabedoria e iluminação. Essas obras demonstrando Satanás como um personagem heróico são poucas, mas existem; George Bernard Shaw, William Blake e Mark Twain ("Letters from the Earth") incluíram tais caracterizações nos seus trabalhos bem antes de satanistas religiosos começarem a escrever. Foi então que Satanás e o satanismo começaram a ganhar novos significados fora do cristianismo.[1]

Origem do termo[editar | editar código-fonte]

Em hebraico o termo quer dizer adversário, aquele que olha para o lado escuro da lua crescente do nirvana, opositor, se opondo, aquele que planeja contra outro.[2]

O termo Satan originou-se do judaísmo e se expandiu entre cristãos e seguidores do islamismo, chegando desse modo a disseminar-se entre diferentes culturas. O termo satanismo foi utilizado pelas religiões abraâmicas para designar práticas religiosas que consideravam estar em oposição directa do Deus abraamico (o Deus de Abraão).[carece de fontes?]

Satanismo ateísta[editar | editar código-fonte]

Satanismo de LaVey[editar | editar código-fonte]

O satanismo LaVey é uma filosofia (não é considerado uma religião por muitos seguidores) fundada em 1966 por Anton Szandor LaVey. Seus ensinamentos são baseados no individualismo, hedonismo e na moralidade "olho por olho". Diferente dos satanistas teístas, satanistas de LaVey são ateístas que consideram Satanás como um símbolo da natureza inerente do homem.[3] De acordo com o site religioustolerance.org, o satanismo de LaVey é um "pequeno grupo religioso que não é relacionado a nenhuma outra fé, e cujos membros sentem-se livres para satisfazer suas vontades responsavelmente, exibir simpatia aos seus amigos e atacar seus inimigos."[4] Suas crenças foram detalhadas pela primeira vez na Bíblia Satânica e é supervisionado pela Igreja de Satã. A Igreja do Satã defende todos os seus seguidores das acusações de sacrifícios de crianças e similares.

Satanismo simbólico[editar | editar código-fonte]

O satanismo simbólico [5] [6] é a observação e prática de filosofias e rituais satânicos.[7] Nessa interpretação do satanismo, o satanista não venera Satanás no sentido teísta, mas é um adversário a todos os credos e religiões espirituais.

Nos bastidores da Corte[editar | editar código-fonte]

Satanás em Paraíso Perdido, como ilustrado por Gustave Doré.

Embora possa parecer um pouco improvável, o satanismo foi muito popular e comum nos séculos XVI e XVII nas cortes européias[8] , mesmo com toda fiscalização da Igreja Católica.

A França, naqueles tempos, tinha um mercado de satanismo lucrativo, existindo como se fosse uma máfia, que tinha integrantes até nas mais altas rodas sociais de Paris. Essa máfia, todavia, foi desarticulada pelas autoridades da cidade, em grande parte graças a Gabriel Nicolas de la Reynie.

La Reynie começou a desconfiar que existia uma rede alternativa de satanismo em Paris após prender Louis de Vanens, um notório satanista. Ele ficou meses atrás de uma pista da existência do tal grupo, mas nunca conseguiu provar nada. Todavia, um dia ele conseguiu prender uma conhecida cartomante, Catherine Deshayes, mais conhecida com La Voisin . Com ela, ele encontrou não apenas artigos que cartomantes normalmente usam, mas também objetos pretensamente usados em rituais de magia negra, como sangue, terra de cemitério, sêmen, entre outras coisas.

Quando foi indagada de suas atividades, La Voisin revelou que, além de poções de amor, ela havia feito diversos abortos para mulheres da mais alta roda parisiense, sendo que foram supostamente encontrados diversos fetos e bebês enterrados em seu quintal. Entre vários de seus cúmplices denuciados, um notório foi Étienne Guibourg[9] , que segundo ela, era um integrante da Igreja de Satã, a qual praticava todo tipo de magia e atividades relacionadas com satanismo.

Umas da clientes de La voisin e do próprio Guibourg era Francisca Atenas conhecida como Madame de Montespan, uma das favoritas do rei Luis XVI, que supostamente estava desesperada para se tornar esposa deste. Os primeiros rituais para Montespan[10] , segundo La Voisin, não envolveram sacrificios de crianças, mas sim de pequenos animais, e certos rituais mágicos. Sobre a influência de La Voisin, Montespan fazia poções e as colocava na comida do rei, com testiculos de animais e afins.

Todavia, segundo conta, as intenções de Montespan foram mudando, e os rituais, que eram de amor, foram mudando para ódio[11] , e os rituias foram se tornando cada vez mais macabros, com a intenção de matar o rei, embora não tenha havido sucesso. Logo depois do grupo ser descoberto por La Reine, diversas pessoas foram presas, inclusive Montespan, tendo sido inocentada e passando o resto de sua vida no interior do pais.[12]

Mudanças[editar | editar código-fonte]

Devido ao fato de o Satanismo Original ser uma doutrina filosófica que pregava a liberdade individual do ser humano, dentre outras idéias, contrariava fortemente os dogmas e princípios morais da Igreja Católica. Esta, desde então, passou a perseguir os adeptos de tal doutrina e a acusá-los de heresias como adoração ao demônio e prática de orgias sexuais. O argumento utilizado pela Igreja para consolidar o seu posto teve uma eficiência quase completa. Ainda assim, alguns grupos satanistas conseguiram preservar suas práticas.

É importante destacar que existem diversas vertentes do Satanismo. As duas principais são a vertente filosófica, que se limita a cumprir a doutrina de acordo com certos valores puramente filósoficos, e a vertente religiosa, que teve o seu surgimento alguns anos depois que a Igreja acusou os Satanistas Originais de adoração ao diabo, dentre várias outras. Isso fez com que certos grupos posteriores pensassem que tal acusação se tratasse de uma verdade absoluta, e devido a uma certa falta de informação e instrução, tais grupos passaram desde então a pôr em prática os rituais que pensavam constituir as práticas do satanismo. Surge então o Satanismo Moderno, com fundamentos puramente religiosos, dos quais a Igreja os acusava de praticarem, o que não anula a sua condição de vertente e a existência da vertente filosófica.

Um dos pensamentos mais errôneos sobre o Satanismo é acreditar no uso de fetos e/ou humanos já formados em rituais macabros, para invocação da vida, ou da morte, ou de quaisquer outras entidades. No século XX vários serial-killers usaram equivocadamente o nome do Satanismo para justificar suas atrocidades, sendo que eles não tinham qualquer ligação com os verdadeiros satanistas, cuja filosofia poderia superficialmente ser traduzida sob a expressão "faz o bem ou não faças nada".

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Jesper Aagaard Petersen. Contemporary Religious Satanism: A Critical Anthology. [S.l.]: Ashgate Publishing, 2009. ISBN 9780754652861
  2. http://dictionary.reference.com/browse/Satan
  3. LaVey, Anton. The Satanic Bible. [S.l.]: Avon, 1969. p. 40.: "It is a common misconception that the Satanist does not believe in God...To the Satanist, "God" - by whatever name he is called, or by no name at all - is seen as a balancing factor..."
  4. Satanism
  5. Darkside Collective Ministry International
  6. Modern Satanism
  7. A'al, Jashan. Satanic Denominations - Modern Satanism
  8. CAVENDISH, Richard.The Encyclopedia of Unexplained; Magic, Occultism and Parapsychology. Segunda edição, New york, NY. Mcgraw-Hill Book Company.1976..
  9. Anne Somerset - The Affair of the Poisons: Murder, Infanticide, and Satanism at the Court of Louis XIV (St. Martin's Press (October 12, 2003) ISBN 0-312-33017-0)
  10. Hugh Noel Williams - Madame de Montespan and Louis XIV, 1910.
  11. Google livros 'Madame de Montespan and Louis XIV.
  12. CAVENDISH, Richard.The Encyclopedia of Unexplained; Magic, Occultism and Parapsychology. Segunda edição, New york, NY. Mcgraw-Hill Book Company.1976.